POPA OU SUCO?

Por Aninha Franco* em Trilhas

 

 

As melhores histórias de um povo vêm de seu canto e, como se ouviu, a popa da bunda foi o canto preferido do Carnaval de 2018 em Salvador. Mas a popa não arrastou as multidões sozinha com o “tá de shortinho, bem coladinho, tá bem safado, descaradinho.” Rolou o suco de Igor Kannário, e quem ouviu Kannário, de longe, descobriu que “se bater com a gente é suco”, suco, aquilo que é triturado nos multiprocessadores para virar líquido. Ou liquido? Igor Kannário, o príncipe do gueto, pode ter levado até 500 mil baianos, um sexto da população da cidade, moradores das favelas, às ruas do Carnaval. Pela TV, assisti ele avisar que é barril dobrado, abençoar a multidão com amém, como os lideres messiânicos, e cantar que o “carnaval é da paz”, da paz e do amor! Desnorteei.

Talvez por causa dessa emissão estranha de Kannário de querer transformar em suco quem bater de frente com seu principado, tudo com muito amor, a lírica de Leo Santana venceu as multidões. As novinhas adoraram e desceram, desceram, desceram. E até sua excelência, o governador, participou da lírica de Santana cantarolando “Vai dar PT” como se fosse uma poética política, quando é, na verdade, Perda Total porque a novinha “foi pro baile muito louca a fim de se envolver, só tem 18 anos, o que vai acontecer? (…) Misturou tequila, whisky, vodka, e a mina vai embrazar, vai dar PT, vai dar, vai dar PT, vai dar, ela vai dar PT, vai dar.” E o governador Rui Costa e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, acabaram festejando a Perda Total da novinha.

– Misericórdia! Bradaria minha senhora mãe!

Psirico aconteceu no Carnaval em ritmo só de luxúria, sem equívocos políticos, com seu cartão de visita, sua apresentação de desempregado da Rousseff, duro, pé-rapado, com o salário atrasado, sem ter pra onde correr, despejado, sem carro, mas dono de um Lepo Lepo irresistível. Ou com a lírica que criou pra seu amigo que deixou a putaria por causa de uma mulher. Que deu uma de “Bob Nelson”. Que recebeu a lâmina no abdômen, tomou uma rasteira que nem sabe de onde veio porque “quem gosta de homem é gay, mulher gosta de dinheiro, isso é padrão no mundo inteiro, você não é o primeiro nem vai ser o derradeiro, e isso nunca vai mudar, por isso seja…fiel à putaria.”

Infiel à putaria, a poesia da Beija Flor no RJ, estado que sofrerá intervenção federal até dezembro, poetizou a barbárie instalada no estado. No desfile da escola e na vida real, a violência é a mesma estrela. E o Rio de Janeiro está tão perto da Bahia. Apesar desse tamanho todo do Brasil, está tudo perto, Rio de Janeiro, Roraima, Laranja Mecânica de Anthony Burgess, o livro, Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, o filme, Maranhão. E se tudo aconteceu no Rio de Janeiro, a voz do Brasil, o resto do corpo corre perigo.

A poesia e o poder estão gêmeos no Brasil. O melhor livro de história de um povo é seu canto. E o canto da Beija Flor pediu socorro porque o pedido de socorro começa com a voz, depois se espalha pelo corpo: “(…) Ganância veste terno e gravata/ Onde a esperança sucumbiu/ Vejo a liberdade aprisionada/ Teu livro eu não sei ler, Brasil! (…) Oh pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais!”

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

INDIGNADO, PALESTRANTE ESPÍRITA SAI EM DEFESA DE DIVALDO FRANCO

O advogado e palestrante espírita Jefferson Rodrigues Bellomo gravou um vídeo em que manifesta sua indignação pela tentativa de desqualificação e desrespeito aos conhecimentos doutrinários e filosóficos do médium baiano Divaldo Franco.

Você pode conferir a resposta de Divaldo a um jovem congressista sobre a Ideologia de Gênero na matéria abaixo, abordando o Congresso Espírita de Goiás. Lá é possível conferir o episódio que teve como palco do Congresso goiano e que para alguns espíritas indica não apenas a possibilidade de rachar o sesquicentenário movimento, como considera que, enfim, foi revelada a penetração da política petista, que idolatra Lula e eleva Marx a condição de iluminado, no seio do espiritismo nacional.

Os espíritas, cujas características principais são, a absoluta independência de manifestação do pensamento, da visão política, da ausência de hierarquia e manifestamente democrática, não pode e nem deve sofrer o patrulhamento sistemático que se instalou no movimento na última década. A caridade, o conhecimento e a ética são fundamentos inalienáveis preconizados pelos que abraçam, como verdade, os princípios da codificação em movimento religioso-cultural agregador, cuja militância peregrina, tem no incansável Divaldo, vivenciando a doutrina espírita na maior parte dos seus 91 anos, em torno de grande número das nações de vários continentes, o seu divulgador incansável e referência maior.

O que lemos, em alguns comentários, são além de desrespeitosos, uma demonstração inequívoca do fanatismo político de alguns espíritas que infelizmente sucumbiram diante do convite a eterna luta pelo privilégio da farra do poder e perderam a lucidez e a percepção ao não enxergar a corrupção entranhada na maioria dos líderes dos partidos a que estão ligados, e a destruição da moral, da ética e da família, defendida desde lá atrás no manifesto comunista em que Karl Marx propunha a revolução operária e, sutilmente, a destruição da família, para que o proletariado chegasse ao poder.

Pois bem, os partidários da tese chegaram ao poder. Entretanto, antes de proporcionar propriedades rurais para os “Sem-Terra”, moradas dignas construídas sem corrupção, para os “Sem-Teto”, emprego e previdência plenos, mais uma longa lista de carências em que foi prometido providências, nada disso aconteceu em mais de uma década no poder, preferiram chafurdar na lama da propina e desvios, de acordo com os processos transitados em julgados, que tiveram como alvo e condenados os dirigentes e militantes. É inimaginável tamanha polêmica envolvendo espíritas que tanto contribuem para a formação da cidadania e o aperfeiçoamento moral.

CONGRESSO ESPÍRITA DE GOIÁS: RESPOSTA DE DIVALDO FRANCO SOBRE IDEOLOGIA DE GÊNERO CAUSA REAÇÃO

TEMER DECRETA INTERVENÇÃO NA SEGURANÇA DO RIO E MINEIRO VAI ASSUMIR O COMANDO

Presente em solenidade, governador Luiz Fernando Pezão reconheceu que as polícias Militar e Civil não conseguem vencer a guerra de facções

O presidente Michel Temer decidiu no início da madrugada desta sexta-feira, 16, decretar intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. O Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado, inclusive com poder de prisão de seus membros. O interventor será o general mineiro Walter Braga Neto. Na prática, o oficial vai substituir o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na área de segurança. A decisão do governo federal contou com o aval de Pezão.

O interventor do Rio é nascido em Belo Horizonte e comandou, desde setembro de 2016, o Comando Militar do Leste (CML), responsável por Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Ao longo de sua carreira, comandou o 1º Regimento de Carros de Combate e foi chefe do Estado-Maior da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e do Comando Militar do Oeste.

Braga Netto atuou como Coordenador-Geral da Assessoria Especial para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do CML durante os Jogos Rio 2016. Antes de assumir o CML era comandante da 1ª Região Militar (Região Marechal Hermes da Fonseca). Ele possui 23 condecorações nacionais e quatro estrangeiras.

Pela Constituição, cabe ao presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), convocar sessão para que as duas Casas Legislativas aprovem ou rejeitem a intervenção em dez dias. O decreto, que será publicado ainda nesta sexta-feira, tem validade imediata.

Enquanto a intervenção vigorar, não pode haver alteração na Constituição. Ou seja, nenhuma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pode ser aprovada. É o caso da reforma da Previdência, que começa a ser discutida na segunda-feira pela Câmara. Uma ideia é decretar a intervenção e suspender seus efeitos apenas por um dia, para a votação das mudanças nas regras da aposentadoria.

A decisão pela intervenção foi tomada em uma reunião tensa no Palácio da Alvorada, com a presença de ministros e parlamentares. No mesmo encontro, Temer bateu o martelo sobre a decisão de criar o Ministério da Segurança Pública. A proposta partiu do presidente do Senado. Não se trata de uma ideia nova, mas ela foi desengavetada agora pelo Palácio do Planalto na tentativa de emplacar uma agenda popular, a sete meses e meio das eleições.

Pesquisas encomendadas pelo Planalto mostram que a segurança é uma das principais preocupações da população, ao lado da saúde. Na avaliação de auxiliares de Temer, as iniciativas de decretar a intervenção na segurança pública do Rio e de criar um ministério para cuidar da área passam a imagem de que o governo federal não está inerte e age para enfrentar o problema, embora a competência no setor seja dos Estados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), precisou ser convencido da decisão pela intervenção. O deputado se queixou de que não foi convidado a participar de reuniões sobre a crise na segurança desde o início da crise e demonstrou irritação com o ministro da Justiça, Torquato Jardim. Inicialmente contra a intervenção no Rio, o deputado foi avisado de que seria responsabilizado publicamente pela crise na segurança do Estado, e acabou cedendo. Durante o encontro, a situação vivida no Rio foi comparada a uma “guerra civil”.

A intervenção é prevista no artigo 34 da Constituição, segundo o qual “a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para manter a integridade nacional”. O artigo 60, parágrafo primeiro, diz que “a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”.

Por Isabella Souto www.em.com.br

 

TSE VAI JULGAR VALIDADE DE BUSCA E APREENSÃO DE INVESTIGAÇÕES CONTRA MARCELO NILO E A BABESP

Um recurso especial foi movido pela Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE-BA) para garantir as medidas de busca e apreensão executadas em uma operação que envolve o deputado estadual Marcelo Nilo, por crime eleitoral.

A operação foi deflagrada em setembro do ano passado para investigar crime eleitoral de falsidade ideológica, através da prática de “caixa 2”. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Em dezembro, os atos foram anulados pelo mesmo tribunal.

A Procuradoria afirma que, quando o TRE autorizou as medidas, foi levado em consideração elementos colhidos em quase dois anos de investigações, que apuravam a prática do delito de falsidade ideológica eleitoral, caracterizado pelo uso do chamado “caixa 2”. No curso da investigação, foram ouvidas testemunhas e reunidos documentos, inclusive por meio da quebra do sigilo bancário, fiscal e de telecomunicações dos investigados, material que levou à expedição dos mandados. Além de Marcelo Nilo, a operação investiga Marcelo Dantas Veiga e sócios da empresa Leiaute Comunicação e Propaganda Ltda. Os envolvidos, segundo a PRE, se valiam da empresa Bahia pesquisa e estatística Ltda – Babesp, também conhecida nos meios políticos como “Data Nilo” administrada por pessoas vinculadas a Nilo, para captação de recursos a título de supostos pagamentos por pesquisas eleitorais. Os valores possivelmente tiveram outro destino, como a campanha de Marcelo ao cargo de deputado estadual nas eleições de 2014. O recurso é assinado pelo procurador Regional Eleitoral Cláudio Gusmão e pelo procurador auxiliar Ovídio Machado.

As provas são necessárias para o órgão oferecer a denúncia por crime eleitoral, dando início ao processo judicial que pode resultar na condenação dos envolvidos. O recurso será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A PARCERIA

 Por Carlos Eden Meira*

Quando a primeira diretoria da ASSAM sob a presidência do jornalista Raymundo Meira, conseguiu realizar o antigo sonho de adquirir o prédio onde funcionava o Grupo Escolar Castro Alves, para implantação do Museu Histórico de Jequié, a situação física do local que foi desocupado, já não era adequada dentro dos padrões modernos para ser uma escola. Constatou-se inclusive, após minucioso levantamento técnico, que suas instalações se encontravam em péssimo estado de conservação, colocando em risco a segurança de alunos e funcionários, o que poderia causar um desabamento como o que ocorreu com saudoso e belíssimo edifício Grillo, e certamente com consequências muito mais graves. Pode-se assim, deduzir sem nenhum exagero, que a citada desocupação pode ter salvado vidas.

Naquele período, a ASSAM contava com um grupo de cidadãos cujo objetivo principal sem quaisquer outros interesses, era a criação do museu no citado prédio, fazendo-se uma parceria com a Prefeitura Municipal, na qual a ASSAM como órgão gestor, comprometia-se em entrar com o seu acervo e a PMJ colocava o prédio à sua disposição para implantar ali, o museu. Isto foi feito, o sonho se realizou. Entregamos à cidade um museu num lindo prédio restaurado, que durante alguns anos funcionou dentro dessas diretrizes, tendo dado grande contribuição à História, à cultura e à educação em nossa cidade.

Hoje, após um período fechado para reformas, o museu reabriu suas portas ao público, sob o comando da nova equipe de funcionários da PMJ, e a ASSAM, também renovada, mantendo ainda alguns dos seus antigos associados. Como ex-membro dessa associação e sendo um dos seus fundadores, acho que cumpri o meu dever para com as duas entidades, já que vejo o museu funcionando, inclusive utilizando modernas técnicas de conservação do acervo, graças à nova equipe da Secretaria Municipal de Cultura e à nova diretoria da ASSAM, cujos membros certamente devem manter o espírito dos primeiros tempos, no objetivo de conservar a parceria com a PMJ, sem nenhum interesse de caráter pessoal ou político, o que em nada contribui para a continuidade do Museu Histórico de Jequié. Qualquer possível tentativa por motivações individuais de quem quer que seja, para separar o acervo do histórico prédio onde hoje se encontra, já reconhecido e valorizado pela população, seria como jogar no lixo toda a história da ASSAM em sua árdua luta para conseguir aquele local para implantação do museu, já que sempre consideramos o próprio prédio como a peça principal do acervo. O MUSEU PERTENCE AO POVO DE JEQUIÉ, E EM SEU NOME DEVE SER CONSERVADO!

*Carlos Éden Meira é jornalista, cartunista, DRT 1161

QUE TIRO FOI ESSE?

JEQUIÉ DEFLAGRA CAMPANHA PARA DUPLICAR PISTAS NA EXTENSÃO DA SERRA DO MUTUM

Cartazes estão sendo distribuídos pelas redes sociais e locais fixos grande visibilidade

O trecho localizado entre os municípios de Jaguaquara e Jequié, na BR-116 tem revelado, ao longo do tempo, como uma das maiores concentrações de acidentes graves da região, inclusive com incidência de mortes trágicas. 

Muitas vidas foram ceifadas no percurso da fatídica serra, nos dois sentidos. A longa extensão da ladeira, cerca de 8 km, bem como o traçado do trecho, com cortes em volumosas pedras e o número de precipícios em ambos os lados, têm contribuído para o aumento significativo do índice de acidentes no trecho.

Cada vez que acontece um acidente grave, em grandes proporções, que geram vítimas originárias de vários estados, ou mesmo de habitantes da região, tem causado dor e comoção aos moradores de Jequié e de outras cidades da região.

Quando do processo licitatório para privatização do trecho da BR-116 compreendido entre a divisa de Minas Gerais com o estado da Bahia até a cidade de Feira de Santana, na Bahia, o vencedor, a empresa Via Bahia, concessionária que administra a rodovia, se comprometeu em breve espaço de tempo, a duplicar o trecho concedido, em toda sua extensão. Para tanto, instalou imediatamente grande quantidade de postos de pedágio para arrecadação, representando significativo volume de receita para começar a cobrir os investimentos acordados.

Pois bem. Até agora, somente o trecho de 70 km entre Feira e a ponte sobre o Rio Paraguassu sofreu alguma intervenção, ainda assim, de forma lenta e precária.

Apesar da lentidão, a arrecadação prosseguiu no mesmo ritmo em que o fluxo de automóveis e caminhões vem sendo incrementado no trecho. Pelo cronograma, a duplicação de importante quantidade de quilômetros da rodovia sob a responsabilidade da Via Bahia já deveria ter sido resolvida e muitas vidas poupadas, se a administradora deste trecho da BR já tivesse concluído a obra de duplicação combinada.

 Audiências públicas promovidas por políticos de Jequié chagaram a acontecer na Câmara de vereadores, mas a duplicação não saiu do papel, enquanto isso, são recorrentes os acidentes fatais, em sua maioria.

Circularam notícias, infelizmente não confirmadas, que teria havido uma reunião entre o Superintendente da Policia Rodoviária Federal, Virgílio de Paula Tourinho Neto, representantes do Ministério público, representantes da concessionária Via Bahia e de segmentos da sociedade regional. Não se sabe se houve realmente o encontro ou o que ficou resolvido acerca do problema que já tem contornos de tragédia em Jequié e em toda a região.

Cansados de esperar, o vereador Gutinha e mais um grande número de jequieenses,  lançaram uma campanha nas redes sociais a fim de chamar a atenção das autoridades para a necessidade da obra de duplicação da BR-116 no trecho Jaguaquara/Jequié em caráter de urgência.

Nesse sentido, também os poetas se manifestaram em suas várias linguagens culturais. Destacamos um trecho do poema/protesto do poeta e artista plástico Dimas Lélis, para ilustrar o tema.

Serra do Mutum

Por Dimas Lélis (08.02.2018)

Serra de dentes afiados

Que cortam vidas e sonhos

Serra do Mutum

Serrote velho de fio novo

Que ceifa árvores de frutos bons

Serra do Mutum:

Lá corta

Lá Serra

Lá Mata

Serra do Mutum: Cerca de oito quilômetros de grande incidência de acidentes com vítimas fatais

MUITAS TRILHAS

Por Aninha Franco, em Trilhas*

 

 

 

No meu Carnaval 0, ano de 1951, a trilha foi Confete “pedacinho colorido de saudade, ai, ai, ai, ao te ver na fantasia que usei, confete, confesso que chorei” interpretada por Francisco Alves, e Tomara que chova “três dias sem parar” que depois do sucesso em 1950, com Isaura Garcia, nunca mais deixou de fazer sucesso. Agora mesmo os moradores de Ilha de Maré devem estar cantando alto Tomara que chova, coitados, pra ver se a Embasa escuta: “A minha grande mágoa é lá em casa não ter água! Eu preciso me lavar.” E o Restaurante Preta precisa funcionar!

Em 1952, eu me esbaldei com Sassaricando, e Maria Candelária “é alta funcionaria, saltou de paraquedas, caiu na letra ó,ó,ó. A uma vai ao dentista, às duas vai ao café, às três vai à modista, às quatro assina o ponto e dá no pé. Que grande vigarista que ela é.” Pois é, com um ano de idade eu tive aula de Brasil com Blecaute. Em 1953, eu não lembro bem qual foi a música, mas em 1954 foi “é ou não é piada de salão, Se acham que não é, então não conto não.”

Em 1955, foi ano de Maria Escandalosa, um clássico do machismo.BR com a maravilhosa, com a inesquecível, com a para sempre viva Dalva de Oliveira: “Maria Escandalosa desde criança sempre deu alteração, na escola não dava bola, só aprendia o que não era da lição.” Em 1956, foi ano de dançar “Quem sabe, sabe, conhece bem como é gostoso gostar de alguém. Ai, morena, deixa eu gostar de você, boêmio sabe beber, boêmio também tem querer.” Em 1957, eu cantei Maracangalha de Caymmi o ano inteiro. Até hoje eu canto.

Em 1958, ganhei uma Rodouro, torci pela seleção e cantei, ufanista, “a taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa, êh eta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro”. Primeira copa! Em 1959, taludinha, me dividi entre Jardineira “por que estas tão triste, mas o que foi que te aconteceu? Foi a Camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu” e Touradas em Madrid, luxo poético: “Eu fui às touradas em Madri e quase não volto mais aqui pra ver Peri beijar Ceci. Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha, queria que eu tocasse castanhola e pegasse touro à unha. Caramba! Caracoles! Sou do samba, não me amoles, pro Brasil eu vou fugir! Isto é conversa mole para boi dormir!”

Em 1960 só deu “Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco é o maior, Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco de ninguém tem dó.” Melhor explicar que Cacareco foi uma rinoceronta do Zoológico do RJ emprestada ao Zoológico de São Paulo. Esse movimento rinocerôntico no Brasil pacato dos Anos 1950 provocou tanta confusão, que nas eleições municipais de 1959, os paulistas elegeram Cacareco vereadora com cerca de 100 mil votos. Sim, na época, era possível eleger rinocerontes e onças, candidatos mais respeitáveis que os humanos, porque os eleitores usavam cédulas de papel e escreviam os nomes dos candidatos. A Onça Peteleca que fugiu do Zoológico de Salvador nos Anos 1970, foi bem votada para vereadora no ano da fuga.

Em 1961 foi uma loucura de opções: Foi “Índio quer apito, se não der pau vai comer” com Jorge Goulart, foi “Lua, ô lua, querem te passar pra trás” com Ângela Maria, foi Cantareira com Gordurinha. Fiquei com todas. Bem, não há espaço, hoje, pra chegar em “Que tiro foi esse, viado?” de Toddynho. Mas outras trilhas virão. Prometo. Feliz Carnaval!

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

ANTÔNIO BRITO GARANTE QUE NÃO VAI “BATER CHAPA” COM CORONEL

O deputado federal Antônio Brito (PSD) garantiu que não vai “bater chapa” com o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel (PSD) na disputa por uma vaga na majoritária do governador Rui Costa (PT). Em entrevista ao BNews, nesta sexta-feira (9), durante a saída do Bloco Olodum, no Pelourinho, Brito afirmou que a decisão é do senador Otto Alencar e a decisão dele será acatada.

O parlamentar ainda afirmou que após a decisão sobre a vaga é que o partido vai definir o perfil para ocupa-la. “Quem define é o senador Otto Alencar e vai depender de qual seja a posição que o partido terá na chapa. Não vamos bater chapa e o partido terá um nome de consenso. O senador vai dizer quem é esse nome a partir das bases eleitorais. Se for o nome de Coronel em qualquer das posições, eu apoiarei”, defendeu.

À nível federal, Brito disse que não há muita dificuldade para aprovação da Reforma da Previdência, em tramitação na Câmara. Segundo ele, os demais parlamentares que tem conversado não apoiam o texto que foi recentemente alterado. “Hoje a reforma não passa. Tenho conversado com colegas e eles têm a mesma opinião. O texto não agrada a grande maioria dos deputados”. (Bocão News)