PROFESSOR JOSÉ PACHECO FOI O CONFERENCISTA DA JORNADA PEDAGÓGICA MUNICIPAL DE JEQUIÉ

Foto Jequié Repórter

A Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Educação, realizou a cerimônia de abertura da Jornada Pedagógica 2018 no Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães. O Professor José Pacheco, criador da Escola da Ponte e do Projeto Âncora, em Portugal, conduziu a palestra Magna da Jornada Pedagógica em Jequié na noite de quarta-feira (7).

Com o auditório completamente lotado o professor discorreu sobre o projeto Escola da Ponte na localidade portuguesa de Vila dos Pássaros, modelo que tem encantado a Europa, e ensejando forte influência no Brasil, por envolver capacitação e qualificação dos professores, gestores e alunos. O renomado educador, reconhecido na comunidade internacional por sua contribuição à Educação discorreu sobre o tema, “As Pontes Possíveis e Necessárias Para Uma Educação de Qualidade”. O palestrante interagiu com a plateia, respondendo a questionamentos sobre as demandas da Educação, apontando sugestões e reflexões acerca da pedagogia educacional tradicional implantada no ambiente escolar: “A escola não é um edifício e nem salas de aulas. A escola são as pessoas e são nelas que o sistema de educação deve focar”.  

O educador português relatou suas experiências com inúmeros exemplos vivenciados pela instituição, conversou com a comunidade sobre as novas práticas de aprendizagem, dissecando o modelo adotado na Escola da Ponte e no Projeto Âncora.

Com a presença do prefeito de Jequié, Sérgio da Gameleira, do vice-prefeito, Hassan Iossef, do secretário de Educação, professor doutor Roberto Gondim e sua equipe auxiliar, secretários municipais, representantes dos conselhos de Educação e entidades, membros do Poder Legislativo, bem como gestores escolares, professores da rede municipal e de outras instituições, o evento despertou o interesse de docentes e discentes das universidades em Jequié instaladas.

O Secretário de Educação de Jequié, Roberto Gondim, em seu pronunciamento, discorreu sobre os avanços verificados na educação no período em que sua equipe desempenhou a tarefa de reconstruir a educação no município: “Caminhamos um ano até chegarmos neste instante, onde a comunidade escolar, os gestores, professores e, principalmente, os alunos, já começam a perceber as mudanças que vêm sendo feitas. O que antes era um cenário caótico e cheio de problemas, hoje nos acena um campo de efetivas possibilidades. Escolas sendo reformadas, professores bastante motivados, novas escolas e as unidades escolares sendo estruturadas”.

“Momento ímpar esse que estamos vivendo, com diversos avanços na Educação em Jequié. E esse progresso se reflete no aumento de matrículas da rede, o que nos dá a exata noção de que estamos no caminho certo. Mas faremos muito mais, com as modificações e estruturações dentro do ambiente escolar, teremos o salto qualitativo tão desejado por todos nós. A melhoria da qualidade da Educação no município não é mais um sonho, estamos transformando em realidade”.

Em determinado momento, ao se desfazer a mesa que comandou a abertura dos trabalhos, o cerimonial referiu-se à professora mestra Maria das Graças Silva Bispo, ex-secretária da Educação do município de Jequié e integrante da equipe do atual gestor, convidando-a, juntamente com o secretário Roberto Gondim e o palestrante José Pacheco para compor a mesa que ora se instalara.

Ao final da Jornada Pedagógica 2018, o secretário de Educação do município de Jequié anunciou que trará o professor José Pacheco e toda sua equipe para implementar seu projeto na rede de ensino de educação do município, inicialmente em duas escolas piloto. O Primeiro encontro do Professor José Pacheco com as duas escolas que serão beneficiadas pelo projeto já acontecerá nesta quinta-feira, 8.

MELHOR IDADE?

Por Ruy Castro*

 

 

 

Melhor idade é a puta que te pariu – a melhor idade é de 18 aos 40 anos…

A voz em Congonhas anunciou: “Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.”. Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a “melhor idade” – algo entre os 60 anos e a proximidade da morte.

Para os que ainda não chegaram a ela, “melhor idade” é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.

Privilégios da “melhor idade” são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da “melhor idade”, estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.

Outra característica da “melhor idade” é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.

Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo(que têm os dedos ligados por uma membrana) da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: “Voltando da farra, Ruy?”. Respondi, eufórico: “Que nada!

Estou voltando da farmácia!”. E esta, de fato, é uma grande vantagem da “melhor idade”: você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.

Primeiro, a aposentadoria é pouca, quase uma esmola, e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução.

Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te veja e por caridade pare o veículo e espere pacientemente você subir antes de arrancar com rapidez como costumam fazer.

No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo: – “Sou deficiente”.

O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou: – “Que deficiência você tem?”

– “Sou broxa!”

Ele deu uma gargalhada e eu entrei.

Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo…

Eu disse bem baixinho para uma delas:

– “Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00, não fica triste não”, foi só para viajar de graça.

Bem… fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.

Subi na pedra e pensei em cumprir o ritual que costuma ser feito pelos mais jovens no local. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?

Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: “Dá a mão aqui, senhor!!!”

Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça.

Sentar na pedra e olhar a paisagem era tudo o que eu queria naquele momento.

É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a toda hora.

Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.

Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:

– “O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair.”

Resmungo entre dentes: … “só se cair em cima da sua mãe”… mas, dou um risinho e digo que esta tudo bem.

Esta titica deste sol esta demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e nada do por do sol.

Vou pensando – enquanto desço e o sol não – “Volto de metrô é mais rápido…”

Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá esta um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.

Olha sério para mim, segura a roleta e diz:

– “O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem.”

A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.

Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não. dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos…

Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega… Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam…

Desisti… lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava… Me senti o máximo.

Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.

Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou.

É agora…

Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:

– “O senhor não quer sentar? Me parece tão cansado?”

Melhor Idade ??? – Melhor idade é a puta que te pariu !

*Ruy Castro é escritor e jornalista, trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes do Rio e de São Paulo. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.

SETORES DO PSD SUSPEITAM QUE WAGNER ESTÁ POR TRÁS DE DEFESA DE LÍDICE AO SENADO

Jaques Wagner

O PSD está engasgado até agora com um evento de mulheres realizado na semana passada em Lauro de Freitas pela prefeita Moema Gramacho (PT), com o propósito de apoiar o ex-presidente Lula contra o que o partido chama de perseguição judicial, no qual a ex-primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, aproveitou a oportunidade para defender a reeleição da senadora Lídice da Mata (PSB), uma das convidadas mais prestigiadas no ato, onde, inclusive, discursou.

Embora não tenha acusado o golpe, evitando se posicionar sobre a fala de Fátima, o PSD, ou melhor, setores amplos do partido, viram no posicionamento da ex-primeira-dama o dedo do marido, Jaques Wagner. Eles suspeitam que o ex-governador, secretário de Desenvolvimento Econômico e também candidato a senador, pode estar por trás de uma “conspiração” para impedir a indicação do presidente da Assembleia, Ângelo Coronel, à segunda vaga ao Senado disponível na chapa de Rui Costa (PT).

Chegam a ver agora uma espécie de repetição da operação que aconteceu na sucessão à presidência da Assembleia, no ano passado, quando, apesar de afirmar que ficaria neutro e até declarar que era a hora de mudar o comando do Legislativo, Wagner atuou intensamente nos bastidores pela reeleição do amigo e deputado estadual Marcelo Nilo (sem partido) que, ao final, foi obrigado a desistir da candidatura devido à força ganha pelo nome de Coronel junto às bancadas do governo e da oposição.

“Na época, Wagner almoçava com Coronel e jantava com Marcelo Nilo, fazendo um jogo que, depois da eleição ganha, achamos que visava favorecer o ex-presidente”, conta um deputado que integrou a tropa de choque do atual chefe do Legislativo baiano. Ele relatou a site Política Livre (www.politicalivrre.com.br) ter a certeza de que a restrição a Coronel não passa por Rui e seja exclusiva de Wagner, que em alguns momentos, nos bastidores, já chegou a defender um perfil mais esquerdista para a chapa de Rui nesta eleição, ideia que favoreceria Lídice.

Na semana passada, por exemplo, o governador e Coronel foram vistos jantando num restaurante famoso da cidade com as respectivas mulheres e um grupo de amigos, liderando uma das mesas mais animadas do local. Desde que o PSD negociou a indicação do nome de Coronel para candidato ao Senado na chapa de Rui, o presidente do Legislativo se aproximou mais do governador e, embora preservando a autonomia da Casa, tem criado condições para um relacionamento menos tenso entre os dois Poderes.

No discurso de reabertura dos trabalhos da Assembleia, na última sexta-feira, o deputado do PSD leu um incisivo discurso contra o Judiciário e a favor de Lula, na frente do governador, levando a oposição a concluir que estaria, decididamente, fechado como candidato a senador ao lado de Rui e do próprio Wagner.

Informações do Política Livre

PABLLO VITTAR E A ROUPA INVISÍVEL DO REI NU

Por Tom Martins*

Sua música é péssima, lidem com isso. Porém, criticá-lo nestes aspectos meramente musicais faz do crítico um criminoso, preconceituoso, invejoso e homofóbico.

Eis que chegamos ao tempo em que se faz necessário provar às pessoas que a grama é verde e a água é molhada.

Antes de embarcar na insólita investida de argumentar sobre os porquês de a música de Pabllo Vittar ser tão ruim – fato que deveria ser captado menos pelo intelecto do que pela própria experiência sensorial não racional –, serei obrigado a esclarecer dois pontos.

Primeiro, e mais importante: aqui nessas paragens, a discussão é adulta e civilizada. Qualquer acusação de “homofobia” ou correlatos será rechaçada com vigor, porque injusta com quem, como eu, cresceu ouvindo Freddie Mercury, Ney Matogrosso, Tchaikovsky, Bernstein, enfim, a lista é longa, e nunca o fato de serem homossexuais nem sequer ofuscou minha admiração e respeito a eles. O segundo aspecto é que, apesar de estudar música há mais de 30 anos, de ser regente profissional há 17, professor há 25 e de ter ajudado a fundar uma das maiores orquestras jovens do Brasil, a qual dirijo há 12 anos, falarei menos sobre música e seus aspectos técnicos do que sobre ideologia porque, afinal, é disso que o fenômeno se trata.

Pabllo Vittar é a roupa invisível do rei. Sua música é péssima, lidem com isso. Falta-lhe afinação, técnica, noções básicas de harmonia e ritmo, etc. Coisas que são exigidas de qualquer estudante rudimentar de música. Porém, criticá-lo nestes aspectos meramente musicais, na loucura do neocoletivismo identitário em voga atualmente, faz do crítico um criminoso, preconceituoso, invejoso e homofóbico. Por outro lado, as portas se abrem a quem exalta as finas vestes do rei nu, como ocorreu com Ed Motta recentemente.

Vítimas da “espiral do silêncio”, as pessoas deixam de falar aquilo que pensam, com medo da calúnia e do isolamento. Enquanto isso, o objeto da crítica e, mais do que isso, a ideologia da qual esse objeto é símbolo, avança livre.

O escracho e a obscenidade estão presentes nas artes desde as comédias gregas, passando pelas cantigas de escárnio e maldizer barrocas, a ópera-bufa, até o punk rock oitentista dos Garotos Podres. A diferença é que nem os poetas de escárnio nem os Garotos Podres buscavam moldar o mundo de acordo com o próprio espelho. Todos sabiam que eram escrachados, obscenos ou toscos e, ainda assim, tinham uma preocupação com o produto final ser minimamente bem feito.

O que vemos em Pabllo é o grotesco alçado à condição de algo sacrossanto e imune às críticas, por justificativas ideológicas, extra-artísticas. Pabllo é também uma vítima, uma voz com prazo de validade, marionete de um esquema muito mais poderoso do que ele sequer imagina. Podemos verificar o mesmo fenômeno nos esportes, com Rodrigo “Tiffany” de Abreu e Fallon Fox. O problema não é Pabllo, em si, mas a máquina que o maneja. Para o establishment, não se trata de música, mas de um símbolo a ser defendido politicamente.

Em relação a Vittar, há duas questões: uma estética e outra ideológica. Forjar, na cultura de massas, uma figura desprovida de qualquer noção musical é tornar natural o feio, o grotesco, o mal-acabado. É um problema estético. Da questão estética (acostumar o público com o grotesco) advém a questão ideológica: censurar as divergências para fortalecer uma narrativa política.

Por isso Vittar – e Anitta, o funk carioca, o rap proibidão etc. – são tão nefastos.

*Tom Martins é regente titular da OFSSP, compositor, instrumentista e bacharel em Composição e Regência pelo Instituto de Artes da Unesp.

Fonte: Gazeta do Povo

NA LAVA JATO, 13 RÉUS JÁ TIVERAM PENAS EM SEGUNDO GRAU EXECUTADAS

O primeiro foi Luiz Argolo (PP/BA) – Foto: Gustavo Lima – Câmara dos Deputados.

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), que condenou em segundo grau o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 24 de janeiro, determinou desde o início da Operação Lava Jato o envio dos processos para Curitiba para execução das penas de 13 réus condenados pelo juiz federal Sérgio Moro, que recorreram à Corte. O primeiro político da Lava Jato a ter sua pena executada foi o ex-deputado Luiz Argôlo (ex-PP-BA) – atualmente preso na Bahia. Dos 13 réus que tiveram suas penas executadas em segunda instância, quatro estavam soltos no momento em que Moro determinou o cumprimento da sentença do Tribunal e remeteu o caso para a 12.ª Vara Federal, responsável pelos processos de execução da pena. Foram presos o executivo Agenor Medeiros, da OAS, o ‘laranja’ Waldomiro de Oliveira, que trabalhava para o doleiro Alberto Youssef, o empresário Marcio Bonilho e o agente afastado da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho. A 8.ª Turma Penal do TRF-4, de Porto Alegre, julgou desde 2014 – início da Lava Jato – 24 apelações contra sentenças do magistrado da primeira instância, em Curitiba. Até o momento, 110 réus, alguns alvos de mais de um processo, foram julgados pelo Tribunal. Um total de 14 apelações estão pendentes de julgamento de recursos finais – embargos de declaração ou infringentes. A última apelação analisada pela Corte condenou por unanimidade o ex-presidente Lula no caso tríplex do Guarujá (SP). O Tribunal aumentou a pena do petista para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado (veja aqui). O revés por 3 votos a 0 permitiu ao petista o direito a apenas um recurso na segunda instância, os embargos de declaração. A defesa do ex-presidente poderá entrar com o recurso em até 12 dias depois da publicação do acórdão do julgamento – o que ainda não ocorreu. Quando os recursos de Lula se esgotarem perante a Corte, o juiz Moro, responsável por ordenar a execução penal, poderá determinar a prisão do petista. Desde fevereiro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) admite a execução da pena em 2.ª instância. Em um julgamento que terminou com o placar de 7 votos a 4, os ministros decidiram que o réu condenado pode ser preso depois de confirmada a sentença do juiz de primeiro grau por um Tribunal. Antes desta decisão, os condenados tinham o direito de recorrer da sentença em liberdade até que não houvesse possibilidade de novo recurso. O mesmo entendimento está consolidado na Súmula 122, publicada pelo Tribunal da 4.ª Região em 16 de dezembro de 2016. Na ocasião, a Corte analisou um processo sobre tráfico internacional de drogas e previu que condenados pelo segundo grau judicial, independentemente de eventuais recursos aos tribunais superiores, poderiam ir para a cadeia. “Encerrada a jurisdição criminal de segundo grau, deve ter início a execução da pena imposta ao réu, independentemente da eventual interposição de recurso especial ou extraordinário”, prevê a 122 desde então. A Lava Jato teve sua primeira fase deflagrada em 17 de março de 2014. Dois anos e meio depois, em 12 de julho de 2016, Sérgio Moro ordenava ‘a imediata execução provisória’ de dois réus, o traficante Renê Luiz Pereira e o operador financeiro Carlos Habib Chater. Na época, ambos já estavam presos cautelarmente. O juiz Sérgio Moro ainda mandou executar as penas do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro – que já estava preso -, do ex-executivo da empreiteira José Breghirolli (regime semiaberto), de Juliana Cordeiro de Moura, Cleverson Coelho de Oliveira, Rinaldo Gonçalves de Carvalho, e do ex-assessor do PP Ivan Vernon (regime semiaberto). Um total de 105 decisões de Moro – um condenado por ter mais de uma sentença – foram analisadas pelo TRF-4 nas 24 apelações. Foram absolvidos o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (duas vezes), os executivos da empreiteira OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Fernando Augusto Stremel Andrade, o operador André Catão de Miranda e também Maria Dirce Penasso, mãe da operadora Nelma Kodama. A pena imposta ao ex-presidente Lula foi uma das 33 aumentadas pelo Tribunal. A Corte manteve 22 penas e diminuiu 18. (Bahia Notícias).

ORGASMO JURÍDICO

Por Aninha Franco* em Trilhas

Da trilha de sábado passado, que preferi não publicar, conservei apenas o título que descreveu minha sensação quarta-feira, 24 de janeiro, quando escutei os acórdãos dos jovens desembargadores confirmando a sentença de Moro no processo do “triplex”. Vivi para escutar Juiz e Desembargadores, todos com 45 a 54 anos, condenarem o político mais famoso do Brasil, de 72 anos, presidente da república que, no fim do segundo mandato, em 2010, esnobava 83,4% de aprovação popular.

A confirmação da sentença foi a maior derrota que a impunidade – que nos devasta desde sempre – sofreu em sua vida brasileira, e demoliu o mais amado líder que o País já teve.

Os acórdãos desmontaram, com precisão cirúrgica, o argumento primário de que não havia provas contra Lula, mantra repetido diante de provas documentais, testemunhais e periciais que sustentaram a sentença de Moro, contratos, termos de adesão, fotos, declaração de IR, depoimentos e benesses aprovando instalações de elevador, cozinhas, armários e dormitórios, deck de piscina e compra de eletrodomésticos, pacote burguês que enobrece e dá status no Brasil de capitalismo predatório.

E foi esse pacote burguês que fez de Lula da Silva inelegível para desespero do PT, partido de líder único, que se auto declara de esquerda.

Ser corrompido é desprezível, ser corrompido por essas miçangas é duplamente desprezível, mas ser Lula da Silva e ser corrompido por elas é não ter nenhuma idéia de quem é, confiar demais na impunidade e entrar na overdose de poder.

A corrupção do “tríplex” é clichê patrimonialista que seduz a maioria dos políticos brasileiros, mas que não poderia chegar no pau-de-arara que se moveu da miséria ao poder máximo, e desmontou essa conquista quase milagrosa por um elevador privativo e uma cozinha Kitchens, mostrando de que barro é feito quando viajou para assistir ao espetáculo do desmonte num jatinho de Michael Klein, dono das Casas Bahia, e se hospedando no Sheraton.

Desconfio que ele não tem dimensão do que construiu e desconstruiu neste País de milhares de analfabetos, ainda, neste continente onde em se plantando tudo dá mas que guarda famintos. Desconfio que ele não tem consciência do que fez com o Povo que diz amar e de como será difícil construir outro cara saído do povo com o poder que ele teve. E, por fim, desconfio que o cara que fica tão bem de chapéu de couro e roupa de camponês era, é, sempre foi, apenas o personagem de uma opereta em cartaz. Lula da Silva em Concerto nunca foi de verdade. Seus espectadores é que fizeram dele um líder real.

Aquele líder que representou o Povo no Poder pela primeira vez, em cinco séculos, é mentira.

De verdade é o cara que asfixiou o Palácio e o País com essa corrupção avassaladora, demoliu instituições e estatais, embotou a cultura, desempregou milhares de brasileiros de todos os estratos e levou a criação e a produção de volta aos Anos 1980, desmoralizando o discurso de que a “esperança venceu o medo”.

Lula fortaleceu a idéia de que o medo estava certo e empurrou o País para trás, de volta a 1989, às candidaturas de Collor e Bolsonaro, depois que conseguiu fazer da Democracia, literalmente, o Povo no poder.

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

A BAHIA, OS BAIANOS E O CARNAVAL

Carnaval baiano chegando bonito com o povo misturado e feliz até a quarta feira

A uma semana do início oficial da folia, o clima de celebração já toma conta de Salvador, palco do famoso carnaval da Bahia. O desencontro partidário ou ideológico a partir do fim dos anos oitenta, com prefeito de um lado e governador do outro, fez com que fosse massificada a marca “Carnaval de Salvador” e extinta a consolidada expressão “Carnaval da Bahia”.

Desde muito tempo, independentemente do governante, o carnaval dos baianos vinha se descaracterizando. O circuito Osmar, que compreende o trecho do Campo Grande à Praça da Sé deixou de ser o foco da folia, misturando desfile de blocos, afoxés, trios elétricos, desfile independente “Mudança do Garcia” e, em tempos mais remotos, a existência do Corso (automóveis ao longo da avenida). O carnaval se estendeu para o circuito Dodô que vai do Farol da Barra a Ondina e para alguns bairros.

O Brasil inteiro sabe que a denominação Dodô e Osmar, é uma homenagem aos criadores da fobica com som eletrificado para, gratuitamente, animar a festa.  Com o passar do tempo, a fobica virou sofisticadas carretas conduzindo toneladas de som e renomadas bandas, o carnaval virou indústria e atividade de amplo e variado comércio; extinguiu-se a mortalha e as tradicionais caretas que levava, no anonimato, pessoas de ambos os sexos vestidas de pierrot e colombinas a grande aventuras. Rasgou-se as fantasias e foi inaugurada a era dos “Abadás”. Toda essa mudança contribuiu para o aumento significativo do fosso no convívio entre as classes sociais. O carnaval deixou de ser improviso e o folião passou a ser cliente e público alvo. A implantação das famigeradas cordas de isolamento, os blocos e camarotes, verdadeiras fontes de milionários recursos, estabeleceram os limites entre elite e o que foi denominado povão, para ira do genial Walter Pinheiro Queiroz Júnior.

Festa da Pipoca no carnaval da Bahia

A música de péssima qualidade executada por bandas pagas pelo poder público, segundo comentaristas, já fazem do frevo pernambucano o ritmo mais executado nos pré-carnavais do Brasil.  além de, para alguns, contribuírem para uma certa revolta implícita, empurra-empurra e solavancos, transformaram as descomprometidas “Pipocas” em verdadeiras “praças de guerra”, troca de socos generalizadas e ao ritmo da música, tornando a participação arriscada e o cenário feio de se ver. 

O compositor Waltinho Queiroz, uma das mais expressivas e bravas resistências ao novo modelo de carnaval, com espaço privatizado entre cordas, tem um acervo significativo de poemas, letras e discursos rebeldes sobre o tema. Transcrevo aqui um trecho de sua música “No meio da rua, no meio do povo” que diz muito sobre a desfiguração do que foi a festa mais democrática do Brasil:  Tomara que esse ano/Eu lhe encontre de novo/No meio da rua/No meio do povo/Mortalha encharcada/De cerveja até o pé/E a boca lambuzada/De acarajé.

As crianças compunham o cenário do carnaval da Bahia.

Mas, apesar das desfiguração, a luta de Waltinho em seu Bloco do Jacu não foi em vão e agora no “Chegando Bonito”, a Bahia se reconhece nos velhos carnavais. Algumas práticas se mantiveram e o carnaval da Bahia ganhou o mundo e virou a maior festa popular do planeta. Os três dias de folia passaram a cinco. Em determinado período chegou a seis e até mais, tudo indica que retornaremos aos cinco dias de folia, senão, vejamos: a brincadeira, na prática, começou na sexta-feira, dia 2 de fevereiro, com a Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, e o desfile do bloco Habeas Copos o já famoso circuito Sérgio Bezerra, na Barra. Felizmente ainda podemos ver o grande tapete branco formado pelos turbantes dos Filhos de Ghandi, o ritmo contagiante do Olodum, a beleza pura do Badauê, a negritude linda do Ilê Ayê… Ah! e o Araketu é bom demais!…

A abertura oficial do Carnaval será na próxima quinta-feira (7), com a cerimônia de entrega da chave da cidade pelo prefeito ACM Neto e festa comandada pela cantora Claudia Leitte e seu convidado, o rapper norte-americano Pitbull, em parceria com a Zumba. Eles vão dar o grito inicial da folia na Barra-Ondina, a partir das 17h.

Confira a programação dos três maiores circuitos, com horários, blocos e atrações, no site oficial da festa. www.salvadormeucarnaval.com.br‎      

A PRAIA DA PACIÊNCIA SE ENFEITA PARA A SAUDAÇÃO A RAINHA DO MAR: ODOYÁ JANAÍNA

Fotos Correio

Hoje é dia de festa no mar, dia de saudar Iemanjá! Também é dia de homenagear todas as rainhas das águas… Dundalunda, Oguntê, Marabô, Caiala, Sobá, Oloxum, Ynaê, Janaina e Iemanjá.

Como acontece desde sempre, já pela madrugada os soteropolitanos e agora os baianos de todos os cantos, se irmanam com os brasileiros de toda parte e se reúnem, tornando-se um imenso bando de devotos,  precisamente no largo de Santana, no Rio Vermelho, para as diversas saudações a rainha das águas salgadas, estrela guia dos pescadores e enamorada dos homens do mar. Bem em frente a Casa do Pescador, partem as galeotas onde são colocadas as oferendas, ramalhete de flores, vasos, perfumes, sabonetes, pentes de todos os tipos… ou simplesmente um gesto, uma prece, o ato de umedecer a ponta dos dedos levando-os à fronte, são simbolismos que fazem a ligação com a orixá das águas, poderosa mediadora entre os devotos e a divindade.

É neste dia, o dia 2 de fevereiro, que o baiano mergulha nas águas do Rio Vermelho para energizar o seu corpo, estabelecendo um longo e duradouro fio de conexão que permanecerá em seu campo astral ao longo do ano.  Também no Dique do Tororó acontecem as homenagens a Oxum mais bonita que se veste com o azul do céu da Bahia.

PRÉ-CANDIDATA A PRESIDENTE PELO PCdoB CONCEDE ENTREVISTA

Precisamos ouvir as idéias e propostas dos partidos que pretendem lançar candidatos à presidência da República. Apresentamos a deputada Manuela D’Ávila e aproveitamos para Agradecer ao site Café com Política, aos dirigentes regionais do partido, em especial ao presidente do diretório municipal de Jequié, Gidásio Silva, por disponibilizar o link.

ALBA DERRUBA DECISÃO QUE BLOQUEOU 10 MILHÕES DO LEGISLATIVO BAIANO

Decisão foi tomada hoje pela presidente do TJ-BA, desembargadora Maria do Socorro.

A Procuradoria Jurídica da Assembleia Legislativa da Bahia – ALBA obteve hoje (26.01) despacho da presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Maria do Socorro Barreto Santiago, derrubando a decisão do juiz Glauco Dainese de Campos, da 7ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, que determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em bens do Legislativo baiano, supostamente por não contratar servidores aprovados em concurso.

O procurador-geral da ALBA, Graciliano Bonfim, disse que a decisão da desembargadora e presidente do TJ-BA repõe a “ordem das coisas”. “Primeiro, porque a decisão, em caráter liminar, do juiz da 7ª Vara da Fazenda era uma interferência absurda do Judiciário no Legislativo. Os Poderes devem ser harmônicos, mas a independência de cada um tem que ser resguardada. Esta Procuradoria ingressou com um recurso pedindo a suspensão da determinação, porque o sequestro de R$ 10 milhões iria comprometer o funcionamento da ALBA, bloqueando o pagamento dos seus servidores, deputados e fornecedores”, alega Bonfim.

Ao derrubar a decisão, em caráter liminar, a presidente do TJ-BA concordou com a tese da defesa da ALBA, justificando que o bloqueio acarretaria em “risco iminente de constrição de recurso públicos de valor considerável, que pode comprometer o pagamento atual das despesas correntes da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, em afronta à economia pública”.

“Decido sustar, provisoriamente, este capítulo do decisum até que seja estabelecido o contraditório, oportunidade em que poderá ser reapreciada esta decisão, inclusive no que pertine ao cabimento da presente medida excepcional na hipótese sub judice”, decidiu Maria do Socorro ao proferir sua decisão.

O procurador da ALBA diz que o Parlamento da Bahia cumpriu rigorosamente os termos pactuados com o Ministério Público estadual – ainda na gestão do do deputado Marcelo Nilo, realizando concurso público para preenchimento das 97 vagas existentes em seu quadro de funcionários efetivos. Todos os aprovados para as 97 vagas foram chamados e empossados. Os documentos que provam isso estão no processo que tramita na 7ª Vara da Fazenda Pública.

“O que não havia no edital do concurso era a previsão de cadastro reserva para os que se habilitaram ao certame. A ALBA não pode ser obrigada a dar posse a cerca de dois mil aprovados no concurso, quando as vagas com características específicas, técnicas, já foram preenchidas. O Judiciário não pode determinar que o Poder Legislativo seja obrigado a contratar além do que previa os termos do edital do concurso, porque isso se caracteriza abuso”, explica Graciliano Bonfim.

Assembleia Legislativa/Ascom/Gabinete da Presidência