A BAHIA, OS BAIANOS E O CARNAVAL

Carnaval baiano chegando bonito com o povo misturado e feliz até a quarta feira

A uma semana do início oficial da folia, o clima de celebração já toma conta de Salvador, palco do famoso carnaval da Bahia. O desencontro partidário ou ideológico a partir do fim dos anos oitenta, com prefeito de um lado e governador do outro, fez com que fosse massificada a marca “Carnaval de Salvador” e extinta a consolidada expressão “Carnaval da Bahia”.

Desde muito tempo, independentemente do governante, o carnaval dos baianos vinha se descaracterizando. O circuito Osmar, que compreende o trecho do Campo Grande à Praça da Sé deixou de ser o foco da folia, misturando desfile de blocos, afoxés, trios elétricos, desfile independente “Mudança do Garcia” e, em tempos mais remotos, a existência do Corso (automóveis ao longo da avenida). O carnaval se estendeu para o circuito Dodô que vai do Farol da Barra a Ondina e para alguns bairros.

O Brasil inteiro sabe que a denominação Dodô e Osmar, é uma homenagem aos criadores da fobica com som eletrificado para, gratuitamente, animar a festa.  Com o passar do tempo, a fobica virou sofisticadas carretas conduzindo toneladas de som e renomadas bandas, o carnaval virou indústria e atividade de amplo e variado comércio; extinguiu-se a mortalha e as tradicionais caretas que levava, no anonimato, pessoas de ambos os sexos vestidas de pierrot e colombinas a grande aventuras. Rasgou-se as fantasias e foi inaugurada a era dos “Abadás”. Toda essa mudança contribuiu para o aumento significativo do fosso no convívio entre as classes sociais. O carnaval deixou de ser improviso e o folião passou a ser cliente e público alvo. A implantação das famigeradas cordas de isolamento, os blocos e camarotes, verdadeiras fontes de milionários recursos, estabeleceram os limites entre elite e o que foi denominado povão, para ira do genial Walter Pinheiro Queiroz Júnior.

Festa da Pipoca no carnaval da Bahia

A música de péssima qualidade executada por bandas pagas pelo poder público, segundo comentaristas, já fazem do frevo pernambucano o ritmo mais executado nos pré-carnavais do Brasil.  além de, para alguns, contribuírem para uma certa revolta implícita, empurra-empurra e solavancos, transformaram as descomprometidas “Pipocas” em verdadeiras “praças de guerra”, troca de socos generalizadas e ao ritmo da música, tornando a participação arriscada e o cenário feio de se ver. 

O compositor Waltinho Queiroz, uma das mais expressivas e bravas resistências ao novo modelo de carnaval, com espaço privatizado entre cordas, tem um acervo significativo de poemas, letras e discursos rebeldes sobre o tema. Transcrevo aqui um trecho de sua música “No meio da rua, no meio do povo” que diz muito sobre a desfiguração do que foi a festa mais democrática do Brasil:  Tomara que esse ano/Eu lhe encontre de novo/No meio da rua/No meio do povo/Mortalha encharcada/De cerveja até o pé/E a boca lambuzada/De acarajé.

As crianças compunham o cenário do carnaval da Bahia.

Mas, apesar das desfiguração, a luta de Waltinho em seu Bloco do Jacu não foi em vão e agora no “Chegando Bonito”, a Bahia se reconhece nos velhos carnavais. Algumas práticas se mantiveram e o carnaval da Bahia ganhou o mundo e virou a maior festa popular do planeta. Os três dias de folia passaram a cinco. Em determinado período chegou a seis e até mais, tudo indica que retornaremos aos cinco dias de folia, senão, vejamos: a brincadeira, na prática, começou na sexta-feira, dia 2 de fevereiro, com a Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, e o desfile do bloco Habeas Copos o já famoso circuito Sérgio Bezerra, na Barra. Felizmente ainda podemos ver o grande tapete branco formado pelos turbantes dos Filhos de Ghandi, o ritmo contagiante do Olodum, a beleza pura do Badauê, a negritude linda do Ilê Ayê… Ah! e o Araketu é bom demais!…

A abertura oficial do Carnaval será na próxima quinta-feira (7), com a cerimônia de entrega da chave da cidade pelo prefeito ACM Neto e festa comandada pela cantora Claudia Leitte e seu convidado, o rapper norte-americano Pitbull, em parceria com a Zumba. Eles vão dar o grito inicial da folia na Barra-Ondina, a partir das 17h.

Confira a programação dos três maiores circuitos, com horários, blocos e atrações, no site oficial da festa. www.salvadormeucarnaval.com.br‎      

Uma Resposta to “A BAHIA, OS BAIANOS E O CARNAVAL”

  • Fernando Bomfim Filho says:

    Bom dia amigo. Quem começou essa campanha fui eu. Quando foi secretário da Seinfra no governo de Dra . Tânia, lembrei q tinha assinado essa ordem de serviço no escritório da Via Bahia em SSA, por sinal tenho essa foto, se vc quiser mando para vc. Não tenho interesse nenhum de aparecer , nesse momento de dor desses amigos. Como eu sabia q tinha assinado, fiquei revoltado e comecei essa campanha. Como vc é uma pessoa muito correto não é justo o vereador Gutinha fazer politicagem com esse fato. Ele tem q trabalhar e não ficar pongando em acontecimentos. Meu celular é 73-98802-8189, forte abraço.

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