DIA DA CRIANÇA!

Por Oscar Vitorino*

 

“A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.” (Oscar Wilde)

 

 

Em 1923, nasceu a ideia de existir uma data para celebrar as crianças. Essa idéia ganhou corpo, e tornou-se projeto de lei depois que o Rio de Janeiro sediou o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Apesar de aprovado e oficializado pelo então presidente da república, Artur Bernardes, o dia 12 de outubro, como data comemorativa, só foi vingar em 1955, por questões comerciais. Por coincidência, a data é a mesma do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, sendo então um feriado nacional.

Mas criança é criança a qualquer hora, em qualquer lugar, não importa o tempo!

        Criança! Símbolo da inocência e da ternura! Sorriso de anjo, feito de doçura e de meiguices! Botão, que se contempla no mistério de sua essência. A cada criança que nasce, vale a pergunta que os vizinhos de Zacarias e Isabel fizeram quando nasceu João Batista: “o que virá a ser essa criança?” (Lc 1, 66)

        Tudo numa criança é feito de luz: luz auroral, luz nascente, luz fulgurante, que se espalha na suavidade de um sorriso! E quanto mais tenra, mais bela na grandeza do que será, quando crescer! E se nos estende os bracinhos rechonchudos, tal como os braços dos anjos, ninguém há que não se sinta, nesse pedido mudo e significativo, levado a ampará-la, como se retirasse do berço uma flor, tal a doçura do gesto que vem dessa criança.

        Semana da criança! Sete dias a ela consagrados. Sete dias destinados muito mais a condensar todos os benefícios para aquelas que não sentiram, nos primeiros anos da existência, o calor do colo materno, a ternura do abraço de um pai, o amparo dos que lhes trouxeram à vida. Elas necessitam receber todo o apoio, toda a ternura, todo o carinho dos bons corações, porque nada pode confortar mais as almas bem formadas do que servir às crianças – almas ainda um botão, a desabrochar nas primaveras da existência, nesse constante desenrolar de gerações, que se vão formando em alas que se enfileiram e alongam-se no tempo, para subirem os degraus do presente e descerem, no futuro, as ladeiras da outra encosta da montanha, quando chegam os ocasos da vida!

        Mas, as crianças são como as auroras. Nelas há somente luz e esplendor, num contínuo espetáculo de claridade! Do berço ao manifestar-se; dos primeiros passos aos monossílabos; dos monossílabos às palavras mal pronunciadas; daí aos Jardins de Infância até à aprendizagem da leitura e da escrita. Cânticos alegres, e recreios inocentes.  A vida da criança, que é amparada, é sempre rodeada de alegrias. Não há maldade na criança, salvo se, desamparada; nesse caso, ela cai no ‘inferno’ do vício. Cabe-nos, quanto possível, evitar que isso aconteça. E sabe Deus quanta vocação, quanta inteligência, quanta grandeza se perde naquelas pobres criaturas que, abandonadas, transviadas, lançam-se à própria sorte! Sorte?! Que sorte?

        Não! E não! As crianças não podem e não devem ser destinadas a sinas tão cruéis. Ampará-las, educá-las, encaminhá-las deve ser a preocupação de todos em todas as nações. As crianças são os nossos sucessores naturais. Cuidemos das crianças, hoje, para que tenhamos um mundo melhor, mais humano, mais fraterno, no qual seja banida a guerra, o trabalho escravo, a droga. O mundo só será melhor quando for povoado por pessoas melhores; e a paz só reflorescerá em impressionante beleza primaveril, se decidirmos, hoje, preparar em cada lar, em cada escola, em cada fábrica, em cada grupo social, familiar ou religioso, uma geração nova, com valores imutáveis e inegociáveis.

“Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a” (Johann Goethe)

*Oscar Vitorino Moreira Mendes é Médico Veterinário, professor aposentado da UESB e presidente da AMVEJ

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