MAIS UM MESTRE DE CAPOEIRA QUE SE VAI: MESTRE GIGANTE MORRE AOS 95 ANOS

O pequeno grande capoeirista. Mestre Gigante morre em Salvador

O pequeno grande capoeirista. Mestre Gigante morre em Salvador

Berimbaus e caxixis emudeceram nesta segunda feira (30) com o falecimento do mestre de capoeira Francisco de Assis.

O mestre Gigante morreu aos 95 anos. Ele era o capoeirista vivo mais velho do mundo. O velho mestre estava internado no Hospital Tereza de Lisieux, onde veio a falecer em razão de uma infecção respiratória. Mestre Gigante deixou duas filhas e três netos. O enterro aconteceu no Cemitério Campo Santo.

Emoção no enterro do mestre (imagens de Dadá Jaques):

Em texto publicado nesta terça o jornal Correio da Bahia afirmou, captando a reflexão dos capoeiristas da Bahia:

“Parece uma sina. Aconteceu com Bimba, Pastinha, Caiçara, Waldemar, Cobrinha Verde e, agora, com mestre Gigante. Francisco de Assis, 95 anos, o pequeno gigante da capoeira, morreu nesta segunda-feira (30), da mesma forma que os outros, na pobreza, sem o devido amparo e reconhecimento governamental”.

Aluno de Cobrinha Verde, mestre Gigante era, segundo pesquisa do Correio, o mais longevo dos capoeiristas baianos. Dedicou-se à arte mandingueira desde os anos 40, quando conviveu com Aberê, Noronha, Barbosa, Traíra, Najé e outros capoeiristas afamados do passado.

“Infelizmente Gigante confirma o destino dos mestres antigos, que morreram na miséria. Não têm qualquer apoio dos governos. Isso é um absurdo”, afirma mestre Itapuã, celebrado capoeirista remanescente dos inúmeros alunos de Bimba, odontólogo e um dos que ajudou Gigante no final da vida. Nada era mais marcante em Gigante do que a qualidade de seu toque. Poucos extraiam som do berimbau com tanta perfeição.

“Tanto que tocava em tudo que é roda. Tinha trânsito livre”, lembra Itapuã. “Gigante tocava berimbau. Tocava muito bem. Estava presente em formaturas, festas, shows culturais. Um cara muito importante para a capoeira. Ensinou muita gente a tocar. Uma perda gigante para a capoeira”, destaca Marinalva Machado, a Nalvinha, filha de mestre Bimba.

Conhecido também por compor cantigas e ladainhas tocadas nas rodas de capoeira, gravou o disco O Canto do Berimbauman, projeto do pesquisador e escritor Fred Abreu, morto em 2013. Segundo o próprio Fred escreveu, o disco apresentava a “perfeição do toque do berimbau de Gigante”. “Um trabalho que mostra a importância de Gigante para a musicalidade da capoeira”, afirmou o capoeirista Sapoti, que também participou das gravações.

Uma de suas músicas mais famosas ironizava justamente a sua estatura, que não passava de 1,50m.

“Meu pai era pequeno, minha mãe também. Por favor não me critique, que eu não critico ninguém. Eu sou pequeno, meu berimbau é grande. Na roda de capoeira eu toco São Bento grande”.

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