Archive for dezembro, 2017

O “GLAMOUR” DA MALANDRAGEM

Por Carlos Éden Meira*

 

Acreditou-se ao longo dos anos neste país, que o cidadão brasileiro para demonstrar inteligência, sagacidade, perspicácia e prestígio, ao buscar aquilo que é de seu interesse dentro da sociedade, teria que, antes de tudo, saber mexer com os pauzinhos, ou seja: fazer ilegalmente intercâmbio com pessoas influentes em determinado setor, para realizar seus objetivos recíprocos. Nada de trabalhar honestamente, cumprir regras, regulamentos ou leis, institucionalizando-se assim, a chamada malandragem. Foi dentro deste contexto, que a figura do malandro carioca, com suas gírias e trejeitos, popularizados pelos sambistas ou pelos meios de comunicação, (cinema e rádio, na época), passaram a ser glamourizados de tal forma que nos anos 40, Walt Disney, a serviço da tal “política de boa vizinhança” do governo americano, criou para representar o Brasil num desenho animado e histórias em quadrinhos, o papagaio Zé Carioca, um simpático malandro trambiqueiro e vagabundo, que vive colocando seus companheiros em apuros. Há quem diga que a própria criação do Zé Carioca, já teria sido feita através de uma malandragem dos gringos, pois, teria sido copiado de um personagem semelhante, criado por um cartunista brasileiro.

                 Tal imagem passou a ser o estereótipo que representa o caráter do brasileiro em todo o mundo, como se essa calhordice institucionalizada fosse um problema genético nosso. Ora, até certo tempo, a imagem típica e folclórica do malandro era aceita com simpatia, pois, a malandragem era tida como uma alternativa do pobre, para sobreviver numa sociedade preconceituosa e conservadora, liderada por políticos autoritários e elitistas. Entretanto, essa simpatia passou a gerar uma inversão de valores, principalmente entre os jovens que discriminam os companheiros honestos e de boa índole, rotulando-os de trouxas, otários e vacilões. Isto, ao longo  de muitos anos, gerou uma  mentalidade deturpada, na qual tudo o que se aprendeu nas escolas, nas igrejas e outras instituições educacionais, tornou-se “dispensável” no que se refere à ética. O jovem brasileiro de hoje ouve falar em honestidade, lealdade, dignidade, ética e moral, porém, dificilmente vê essas coisas postas em prática. Tornaram-se conceitos cada vez mais abstratos, cada vez menos perceptíveis. Existem pais que se divertem quando seus filhos pequenos e mal-educados, dizem palavrões, aborrecem as visitas ou fazem qualquer outra insubordinação. Alegam que “é coisa de criança”.   Só que muitas dessas crianças vão crescendo assim, irreverentes e indisciplinadas, e ao tornarem-se adultas, muitas delas é que vão, mais tarde, dirigir as instituições nacionais. O resultado disto é essa vergonha nacional que vemos, mormente no meio político.

                O Brasil é hoje, um país moralmente prejudicado por este equívoco sócio-cultural, correndo o risco de ser totalmente dominado por bandidos e autoridades omissas, (salvo as raras e honrosas exceções) – que desde sua mais tenra infância aprenderam que ser malandro é melhor do que ser certinho. Estamos agora, pagando muito caro por este lamentável equívoco, pois, hoje não existe mais o malandro tido como boa praça, de antigamente. A tolerância com a qual se tratou a simpática malandragem de ontem, resultou numa “evolução” para o banditismo propriamente dito, dando lugar ao espantoso aumento de crimes violentos, ao tráfico de drogas, à politicagem desenfreada, à corrupção praticada por indivíduos inescrupulosos e egoístas, que usam o poder e influência, para manter a sociedade submissa aos seus interesses. Cabe agora, aos atuais e futuros governantes inverterem este quadro deprimente, dando bons exemplos, influenciando as futuras gerações através de programas educacionais, que venham a colocar o Brasil numa nova era de estabilidade social.

*Carlos Eden Meira – Jornalista e cartunista DRT 1161

 

 

IPIAÚ: PASSAGEIRO ‘SURTA’ E PULA DE ÔNIBUS EM MOVIMENTO NA BA-650

Um homem ficou ferido após pular de um ônibus em movimento em um trecho da BA-650 entre Ipiaú e Ibirataia, no Médio Rio de Contas,  Sudeste do estado. O fato ocorreu na manhã desta quinta-feira (28), perto da localidade de Fazenda Canadá. Segundo o Blog Giro em Ipiaú, a suspeita é que o passageiro tenha sofrido um surto psicótico.

A vítima tinha embarcado em Jequié, a cerca de 50 km do local. Passageiros que estavam no veículo contaram que o homem estava sentado em uma poltrona na parte dianteira do ônibus. Ele dizia que era procurado pela polícia e pedia que o motorista não parasse em alguma blitz. A certa altura da viagem, ele, aparentemente em surto, tentou pular da janela e foi contido por outros passageiros. Momentos depois, ele conseguiu saltar do veículo, sofrendo várias escoriações no corpo. Uma ambulância do SAMU foi acionada e a vítima foi encaminhada para o Hospital Geral de Ipiaú. Não há mais informações sobre o estado de saúde do passageiro.

CASO EMPRÉSTIMO: GOVERNO DA BAHIA PEDE PRISÃO DE DIRIGENTES DO BANCO DO BRASIL

Sem justificativa legal, o Banco do Brasil negou o repasse do empréstimo pactuado com o governo da Bahia. Imediatamente a PGE – Procuradoria Geral do Estado, impetrou  ação na 6ª Vara da Fazenda Pública, sem obter uma decisão do juiz Ruy Eduardo Almeida Britto, já que protelou o caso. O magistrado, em seu despacho, afirmou que o trâmite adequado seria na Justiça Federal, onde deveria ser avaliado o interesse, ou não, da União no assunto.

Diante da decisão protelatória, a Procuradoria Geral do Estado entrou com um recurso, que foi apreciado pela Primeira Câmara Cível Tribunal de Justiça da Bahia, o órgão decidiu que o Banco do Brasil deverá ser obrigado a liberar o empréstimo de R$ 600 milhões contratado pelo estado da Bahia.

Em face disso, o governo da Bahia pediu a prisão dos dirigentes do Banco do Brasil por descumprimento da decisão judicial que obriga a instituição a liberar o empréstimo contratado pelo estado no valor de R$ 600 milhões.

A decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) obrigando o banco a repassar os recursos foi expedida no último dia 18, mas a instituição já protocolou um pedido de tutela de urgência no intuito de derrubar a determinação. O governo, por sua vez, apresentou uma petição pedindo celeridade no cumprimento da decisão e ressaltou que o banco vem se recusando a cumprir a ordem judicial, “recusando-se deliberadamente a liberar os recursos pactuados”.

Além de pedir a prisão em flagrante dos representantes do Banco do Brasil, o estado da Bahia pede que seja aplicada uma multa diária de 1% do valor do contrato até a efetiva liberação do empréstimo.

A petição foi recebida pelo juiz plantonista de segundo grau do TJ-BA, Marcos Adriano Silva Ledo, que encaminhou o caso para a desembargadora Maria de Lourdes Pinho Medauar, relatora do agravo de instrumento que resultou na determinação da liberação do empréstimo.

CORONEL PROMULGA LEIS QUE O GOVERNADOR RUI COSTA SE ABSTEVE DE SANCIONAR

Foto acervo Secom Gov.

O governador Rui Costa (PT) se absteve de promulgar 10 leis oriundas de deputados e aprovadas na Assembleia Legislativa da Bahia. Com isso, as matérias voltaram para o presidente da Casa, Angelo Coronel (PDSD) que as promulgou nesta terça-feira (26). O motivo de não sancionar as leis não foi informado.

Coronel disse estar “em plena harmonia com o Executivo”. “O governador pode tomar três decisões: sancionar a lei, vetá-la parcial ou totalmente, ou devolver para a Assembleia, o que é uma espécie de sanção tácita. As leis que estou promulgando são de nove deputados diferentes e uma de minha autoria apenas. Estou em plena harmonia com o Executivo, com o governador Rui Costa, mas são leis importantes e que reforçam a retomada da independência e altivez do Poder Legislativo da Bahia”.

As leis promulgadas foram:

Um dos temas mais comentado na sociedade atualmente é o bullying. Ele é objeto da Lei 13.822, de autoria do deputado Sidelvan Nóbrega (PRB). De acordo com o novo preceito legal, as escolas públicas da educação básica da Bahia deverão conscientizar, prevenir e combater o assédio escolar através da prática de violência física, verbal e/ou psicológica, exercida por indivíduo ou grupo. A Lei prevê a capacitação de docentes e equipes pedagógicas para a realização da orientação e prevenção do bullying.

A Lei 13.825, da deputada Fabíola Mansur (PSB), institui o atendimento prioritário nos postos do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) aos regulares doadores de sangue. De acordo com a Lei, doador regular é aquele registrado nos hemocentros ou bancos de sangue dos hospitais do Estado. A prioridade terá validade durante três meses após a data da última doação sanguínea. E bastará a comprovação da doação para se requerer a prioridade.

Outra Lei que está vinculada à Saúde é a do deputado Alan Sanches (DEM), que determina que hotéis, pensões, motéis e similares, localizados na Bahia, disponham de um cardápio próprio, no café da manhã, para portadores de diabetes. Os serviços diferenciados podem ser incluídos nos valores das diárias, mas o não cumprimento do que estabelece a Lei 13.824, promulgada hoje, implica em uma possível multa no valor de R$ 3 mil, que poderá ser dobrada se constatada a reincidência.

Já a Lei 13.821, de autoria do deputado Alex da Piatã (PSD), obriga que prontos-socorros, hospitais e clínicas de saúde – públicas e privadas – afixem cartazes, em local público, com esclarecimentos acerca da legislação que prevê o crime de omissão de socorro. De acordo com o Código Penal Brasileiro, no seu artigo 135, a omissão de socorro se caracteriza pela “não prestação de assistência à criança abandonada, à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo”. A pena prevê detenção de 1 a 6 meses, ou multa.

A Lei 13.829, de autoria do deputado Pedro Tavares (PMDB), valoriza diretamente um grupo que cada vez se torna crescente nas ruas do País: o dos ciclistas. Fica instituído o dia 14 de abril como dedicado ao Incentivo ao Ciclismo na Bahia e passa a integrar o calendário estadual de eventos. Um dos objetivos da nova lei é incentivar o uso de bicicleta como meio de transporte e, ao mesmo tempo, permitir o debate sobre a segurança de ciclistas no trânsito.

A Lei 13.820 trata da questão das drogas. O seu autor, o deputado Manassés (PSL), obriga que salas de cinema e audiovisual exibam, antes do início de cada sessão, publicidade sobre os males do consumo de drogas ilícitas e o abuso de drogas lícitas. A publicidade será feita pelas secretarias estaduais de Saúde, Educação e Segurança, além de entidades civis que atuem na prevenção e combate às drogas.

O deputado David Rios (PMDB) é autor da Lei. 13.823, que institui o Programa Estadual de Doação de Livros, literários, didáticos e paradidáticos. O Programa deverá atender prioritariamente aos alunos e professores da rede pública estadual de ensino, assim como às bibliotecas públicas estaduais. Às pessoas físicas e jurídicas doadoras será entregue um selo participativo.

Já a Lei 13.827, de autoria do deputado Eduardo Salles (PP), institui o Dia Estadual da Família, a ser celebrado no dia 21 de outubro, passando a integrar o calendário oficial de eventos da Bahia. Já o deputado Marcelo Nilo é o autor da Lei 13.826, promulgada hoje, que denomina de Horácio Sodré a barragem do povoado de Estiva, na zona rural do município de Itapé, na Região Cacaueira.

PÁGINA VIRADA

Por Emerson Pinto de Araújo*

 

 

Já virei muitas páginas na vida. E ainda tenho muitas a virar. Quantas? Não sei. Agora mesmo venho de virar a última página do romance histórico de Wilson Midlej retratando a saga de Anésia Cauaçu, figura singular de bandoleira que chamou a si a responsabilidade de vingar a morte de parentes, comandando 20 jagunços, ou mais, na luta contra os capangas do poderosíssimo Marcionílio de Souza.

Apesar de tratar-se de uma obra de ficção, Wilson Midlej se comportou com muita dignidade, não omitindo as fontes e não esquecendo as aspas que alicerçaram-lhe o imaginário. O que não causou surpresa, levando-se em conta seus trabalhos anteriores como jornalista e cronista. Por tudo isso, o romance de Wilson enriquece sobremaneira obras anteriores de outros autores, pondo em relevo a personalidade forte e injustiçada de Anésia Cauaçu. Coincidentemente, a guerreira do sertão de Jequié, guardadas as devidas e necessárias proporções, chega a lembrar Diadorim, de Guimarães Rosa, no excelente romance “Grande Sertão: Veredas”, um clássico na moderna literatura brasileira.

Comecei a lecionar ainda jovem. No turno matutino, os discípulos tratavam-me como um irmão mais velho. No turno da noite, destinado aos comerciários, bancários e outros profissionais que trabalhavam durante o dia, alguns deles já casados, a situação já se invertia com discípulos mais idosos do que este escriba. Não obstante, minha convivência com alunos jovens e idosos sempre foi excelente. Aprendemos muito. Devo aos meus discípulos o incentivo para que escrevesse a história de Jequié e sua região, partindo praticamente do nada. Paralelamente como as pesquisas feitas na Cidade-Sol, um município quase sem memória, no período de férias, quando ia a Salvador, andei vasculhando dados no Arquivo Público do Estado, o Instituto Geográfico e Histórico, na Biblioteca Central, no Gabinete Português de Leitura e outras instituições, possibilitando-me escrever três livros sobre Jequié e circunvizinhanças, a partir de sua origem e formação. Ao debruçar-me sobre o banditismo que assolava o Sul e o Sudoeste baianos, uma figura extraordinária de mulher que fugia aos padrões convencionais, chamou-me a atenção apesar de rejeitada por uma historiografia elitista e preconceituosa. Como de hábito, escritores da época não tinham pejo de zurzir nos costados dos que, sem opção, tornavam-se bandoleiros, após serem expulsos de suas propriedades pelos jagunços dos coronéis. O cinema norte-americano sabe dourar a pílula da maioria dos filmes que tratam da ocupação das terras pelos migrantes da Inglaterra. Capricha no enredo, a ponto do espectador comum encarar com naturalidade o massacre das tribos indígenas viventes na região.

Em artigos que datam da década de 1960, estribado em nova visão sociológica, tirei Anésia Cauaçu do limbo. Wilson Midlej e Antônio Luís Martins projetaram um filme sobre Anésia, que não chegou a ser concluído. Novas pesquisas, mais didáticas e com mais apuro, realizadas por outros autores, resultaram em livros, aos quais tive a oportunidade de me referir em artigos anteriores. A eles, juntamente com agora o excelente romance de Wilson Midlej, tendo como título “Anésia Cauaçu. Lenda e História do Sertão de Jequié”.

Melhor ficar por aqui e virar mais uma página na longevidade da existência.

Fonte: Revista Cotoxó, edição nº LXXVI  Dez/2017

*Emerson Pinto de Araújo é professor, historiador, escritor, cronista. Foi vereador de Jequié, presidente da Câmara Municipal, Professor de História da Educação e Sociologia Educacional na Escola Normal de Jequié. Fundador da Associação Cultural Dante Alighieri, do Conselho Comunitário, da Associação Jequieense de Imprensa, Integrante do Comitê Cidades Irmãs Jequié – Takoma Park, da Academia de Letras de Jequié. Venerável da Loja Maçônica União Beneficente, presidente do Rotary Clube do Jequié. Em 1977 ingressou no Rotary Clube da Bahia. Governador do Distrito 455, 1990-1991. Secretário de Governo Prefeitura Municipal de Jequié. Chefe de Gabinete do secretário de Educação do Estado da Bahia, 1983-1987. Redator do Jornal A Tarde, assessor e chefe de Gabinete do Conselho Estadual de Educação e da Secretaria Estadual de Educação e Cultura.

 

MERRY CHRISTMAS – FELIZ NATAL – FELIZ NAVIDAD – JOYEUX NOËL

CONTEÚDO, MEU REI!

Por Aninha Franco*

 

 

Você está pobre agora, mas pode ganhar na mega sena da virada e será milionário na próxima semana. Você está desempoderado agora, mas se descobrir um discurso político, um “pior não fica” de Tiririca ou um “nóis contra eles” de Lula, chegará ao Poder sem a menor condição de ser político e se aproveitará disso longamente. Você só não pode ganhar conteúdo na mega sena ou inventar que tem conteúdo sem ter, o patrimônio mais sólido de um humano porque nunca desmancha no ar.

Ok que no Brasil quem tem conteúdo e depende dele pra sobreviver está frito. Mas isso define a situação do Brasil. Só num país sem conteúdo um condenado por corrupção faz campanha para voltar ao Poder que o condenou e um presidente da República continua no cargo depois de duas denúncias concretas por corrupção. O Brasil sabe o que significa corrupção, definição que se guarda se há conteúdo, patrimônio construído ao longo de décadas de humanização, a partir da infância? Poucos brasileiros. A humanização, conhecimento das criações humanas em outros momentos e culturas, desde que os Sumérios criaram o alfabeto para registrar a contabilidade, e registraram o poema Gilgamesh, é rala no Brasil.

Constrói-se conteúdo conhecendo a poesia de Homero e as obras da Filosofia e Dramaturgia gregas, Platão, Aristóteles, Sófocles, Eurípedes. Como pensar empoderamento feminino sem ter lido Antígona e Medeia algumas vezes? Como desfrutar hedonisticamente do prazer desconhecendo Petrônio e Cícero? Lendo Os 120 Dias de Sodoma de Sade, aos 19 anos, recebi uma aula precisa sobre a espécie humana. E como ter conteúdo não basta, e é preciso saber usá-lo, lembro que disse ao meu professor francês, na Maison de France, nos Anos 1970, que ele falava demais de Napoleão Bonaparte, mas do Marquês de Sade, mais interessante, ele jamais falava, e fui expulsa da sua sala de aula para sempre. – Pour toujours! Lembro dele gritando.

Fui embora da Maison de France e continuei construindo conteúdo noutras plagas. Li os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido de Proust e quase tudo de Huxley nas aulas de Direito da UFBA. E como era difícil ter esses livros na época! Quando comecei a ler Hannah Arendt n’As Origens do Totalitarismo, a edição em três volumes da Ed. Documentário, de 1975, ainda, e encontrei a continuadora dos gregos no século 20, fui atrás de tudo que ela escreveu.

O conteúdo, construção diária e pessoal que ninguém pode fazer por ninguém, fortalece o coletivo, por isso o conteúdo é combatido com veemência pelos colonizadores. E por aqueles que não o têm. Porque quem tem, tem, quem não tem, nunca terá. E as diferenças entre os que têm e não têm são gritantes. Daí os ataques. Milhares de pessoas morreram para proteger o conteúdo. Na Rússia, o conteúdo produzido para denunciar Stálin foi memorizado nos cérebros, porque nenhuns outros lugares eram seguros. O romance O Mestre e Margarina de Mikhail Bulgakov foi guardado no cérebro do autor até o dia da revelação.

A qualidade depende do conteúdo. A qualidade da democracia ou do cardápio de um restaurante dependem do conteúdo. Sem ele, um político ou um Chef podem ter qualidade, mas seus resultados serão sempre naifs. Ou inúteis. Ignoro quando o Brasil, um país sem conteúdo e alheio à Memória, à Arte e à Política mudará sua construção, mas é o que lhe desejo em todas as translações do Planeta Terra: Em 2018, Conteúdo, meu rei!

*Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

TV ALBA REPERCUTE LANÇAMENTO DE ANÉSIA CAUAÇU EM SALVADOR

“Anésia Cauaçu” Lendas e Histórias no Sertão de Jequié. Esse é o título do mais novo livro lançado pelo Programa Cultural da Assembleia Legislativa da Bahia. A obra foi escrita por Wilson Midlej e conta lendas sobre personagens da história do município de Jequié, no sudoeste da Bahia.

 

Com depoimentos do presidente da Academia de Letras de Jequié, o poeta e escritor Julio Lucas, do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Angelo Coronel e do próprio autor, a TV ALBA repercutiu o lançamento, na última terça feira, do livro Anésia Cauaçu – Lenda, História no Sertão de Jequié. A obra, que retrata a trajetória da lendária personagem que circulou na Bahia, desde o Sertão da Ressaca, no  portal Sul da Chapada Diamantina, prosseguindo ao longo das margens do Rio de Contas e estendendo suas ações até Ilhéus e Itabuna e grande parte das matas grapiúna, iniciada em 1896 até o ano de 1917, no século passado. Anésia, sua família e jagunços contratados enfrentaram a pujança das forças dos coronéis, apoiados pelas volantes policiais da Bahia, em defesa do patrimônio e da honra da sua família. Tudo isso embasado no relato histórico do professor Emerson Pinto de Araújo em seus livros História de Jequié e Capítulos da História de Jequié, bem como na dissertação de mestrado da professora Márcia do Couto Auad. O tema despertou a atenção do cineasta Lula Martins que, juntamente com o autor, promoveu minuciosa pesquisa oral e documental para a realização de um filme, até agora aguardando condições técnicas para sua realização. Enquanto isso, os acontecimentos foram reunidos no livro ora publicado, em consonância com os fatos históricos, mas, com algumas pitadas de narrativas ficcionais do autor.

NA INAUGURAÇÃO DA POLICLÍNICA DE JEQUIÉ, RUI ANUNCIA AMPLIAÇÃO DO HOSPITAL GERAL PRADO VALADARES

Foto Renata Farias (Bahia Notícias)

O governador Rui Costa anunciou nesta sexta-feira (22), durante a inauguração da Policlínica Regional de Jequié, a ampliação do Hospital Prado Valadares, também situado no município, de forma que a unidade componha um “tripé” com os hospitais de Jaguaquara e Ipiaú. “Mais do que a duplicação do tamanho do hospital, vai ser um dos maiores hospitais da Bahia, nós estamos qualificando o Prado Valadares para fazer serviços de alta complexidade, que não fazia até aqui”, afirmou Rui, citando como exemplo equipamentos de tomografia computadorizada e ressonância magnética, que não existia no hospital. “Hoje o Prado já tem tomografia, já tem ressonância, e eu volto aqui no primeiro semestre para inaugurar esse grande hospital que será uma referência, de procedimentos de alta complexidade. Assim como nós fizemos no hospital Costa do Cacau, com procedimentos de hemodinâmica, cirurgia cardíaca”. O governador acrescentou que os hospitais de Jaguaquara e Ipiaú também passarão por adequações, por meio de convênios com a administração dos dois municípios. “O nosso planejamento esse tripé de hospitais deve responder pelo volume de serviços na região. O Prado sendo o hospital de maior complexidade, e o hospital de Jaguaquara e Ipiaú, com as intervenções que nós vamos fazer, ganhando uma produtividade maior, uma eficiência maior, e um número maior de procedimentos”.

ALBA LANÇA OBRA ANÉSIA CAUAÇU – LENDA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE JEQUIÉ

Cartaz, letra e música Antonio Luiz Martins (Lula Martins)

 

Foi uma autêntica festa jequieense o lançamento do livro do jornalista, publicitário e escritor Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, na Assembleia Legislativa, ontem, às 16h, pois a comitiva de amigos, admiradores e parentes que ele reuniu movimentou o Saguão “Nestor Duarte”. O livro resgata a história de uma fazendeira, jagunça e libertária mulher que antecedeu figuras como Maria Bonita e Dadá companheiras de Lampião e Corisco, numa prosa leve, que alterna dados históricos com ficção prendendo o leitor, como frisou o presidente Angelo Coronel, autor do texto da contracapa do volume.

Amigo do escritor de muito tempo, o presidente da Assembleia aproveitou para fazer um balanço do programa editorial Alba Cultural, que em sua gestão lançou exatos 30 livros (sem computar o lançamento, hoje, de “A Cidade da Bahia”, do pesquisador Nelson Cadena, editado conjuntamente pela ALBA, TCE e TCM): “Convenham que não é pouco, pois a média é de quase três obras por mês. No Brasil, infelizmente, nem toda editora de porte médio mantém tamanho ritmo”, frisou. O presidente do Legislativo aproveitou para lembrar que a Assembleia agora também está atenta e propositiva para com o social, para os carentes, através do Instituto Assembleia de Carinho, presidido por Eleusa Coronel.

O escritor agradeceu e explicou que esse projeto surgiu em 2001, quando pesquisou junto com o cineasta Lula Martins a incrível história dessa mulher, que teve um filho assassinado nas lutas políticas entre os “Rabudos” e “Mocós”, um grande conflito travado naquela região em 1916, portanto, há pouco mais de um século. Buscando informações no Instituto Histórico e Geográfico, jornais de época e no livro do professor Emerson Pinto de Araújo, que a ALBA reeditou e lançará em março, ele chegou ao “esqueleto” de sua obra, enriquecida com a orelha do poeta e escritor José Américo Castro, apresentação do escritor e professor Sérgio Mattos e contracapa do presidente Angelo Coronel. Ele elogiou a continuidade do programa Alba Cultural e se emocionou ao citar os nomes dos amigos que viajaram a Salvador para o lançamento.

Um momento de emoção aconteceu quando o neto de Wilson Midlej, Lucca Fraga Midlej, de sete anos, tocou Asa Branca, o clássico de Luiz Gonzaga numa flauta, antes de outro jequieense, o ex-deputado Ewerton Almeida, ir ao microfone para falar do livro do escritor e dos muitos conterrâneos (Jequié e municípios circunvizinhos), destacando as presenças de Antonio Lomanto Neto, do presidente da Academia de Letras de Jequié, Júlio Lucas, do empresário Fauze Midlej, da historiadora Clarice Sampaio, do cacauicultor Nestor Linhares, jornalista José Américo Castro, do coronel Rivaldo e do cineasta Robinson Roberto, o blogueiro Charles Meira, bisneto de um dos personagens, entre outras personalidades. “Amizade herdada dos pais e avós”, explicou Ewerton Almeida, “só tenho a elogiar esse pesquisador que supre lacuna importante na historiografia regional, mas aproveito para saudar o presidente Angelo Coronel e dona Eleusa, pelo clima de concórdia e descontração implantados na ALBA, que deixou as pessoas mais alegres, expansivas, nessa que é a nossa casa, a Casa do Povo”.

Em seguida, Eleusa informou que por sugestão de Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, foi distribuído a quem fez doação de material de higiene pessoal, que será direcionado para entidades que lidam com moradores de rua, através do Instituto Assembleia de Carinho. Para ela, essas atitudes de fato transformam, numa alusão ao slogan do instituto que preside (Atitude que Transforma). Eleusa Coronel também explicou o funcionamento da Árvore dos Sonhos que recebeu donativos durante todo o mês, numa ação suprapartidária, de caráter humanitário que sem dúvida ajudará a muitos carentes. O autor autografou a obra por mais de duas horas, quando o evento foi encerrado.

Texto: Carlos Amilton/Agência-ALBA
Publicado em: 20/12/2017
Setor responsável: ASSESSORIA COMUNICACAO SOCIAL