Archive for Abril, 2017

FERNANDO GABEIRA EM PROMESSAS DE MAIO

Por Fernando Gabeira* via Aninha Franco**

 

Publicado em 30 de abril de 2017

 

Em maio, as manhãs no Rio costumam ser lindas e, ao entardecer, em Minas, começam a aparecer crianças vestidas de anjo. Mas é em Curitiba que grande parte da atenção se concentra. O depoimento de Lula diante de Sérgio Moro é tido como um grande momento. Talvez contra a corrente, acredito que nada de essencial será mudado.

Em confronto com as evidências que o ligam ao triplex de Guarujá e o sítio de Atibaia, Lula vai negar e, possivelmente, reafirmar que não há documento oficial que o ligue a essas propriedades. Imagino também que, se houver provocações, Sérgio Moro terá a habilidade e vai contorná-las, seguindo com as perguntas que realmente possam esclarecer.

A ideia de que um processo dessa natureza se resolve com manifestações políticas é mais um equívoco da esquerda. Aliás, apoiado em outro equívoco: o de que uma performance num interrogatório pode ser transformado numa alavanca para a campanha presidencial. Se, por acaso, têm como modelo o famoso “A História me absolverá” de Fidel Castro, independentemente de comparar oratórias, é gritante a disparidade de situações. Uma coisa é ser acusado de tramar contra a ditadura de Fulgencio Batista, outra é ser acusado de receber propinas por negócios na Petrobras. Lula está numa situação incômoda, tentando revertê-la em seu favor, e apreensivo com a possibilidade de prisão. Algo que, creio, não vai acontecer. As forças de esquerda no Brasil jogam toda a sua sorte num líder carismático e resolvem acompanhá-lo na aventura, pois temem desaparecer sem ele.

Não sou muito de discutir processos, notas frias, assinaturas falsas. Talvez por isso me interesse mais pela experiência vivida, aquilo que meus olhos e ouvidos revelaram. Por exemplo, estou voltando de Porto Velho, onde aprendi um pouco sobre a história da Usina de Santo Antônio, aquela em que a Odebrecht comprou todo mundo: governador, senadores, deputados, centrais sindicais, polícia e índios.

A delação da Odebrecht fala que as centrais sindicais foram lá, a pedido da empresa e pagos por ela, para controlar os motins dos trabalhadores. O que o delator não contou é que a Odebrecht precisava terminar a obra com muita rapidez, pois assim teria um tempo para vender a energia no mercado livre, por um preço três vezes maior. Os trabalhadores foram submetidos a um intenso ritmo de trabalho, e por isso se rebelaram. Não é a maneira mais racional de reagir. Mas era um trabalho intenso no calor insuportável de Rondônia. Eu mesmo, depois de um dia de trabalho levíssimo se comparado com os deles, não me sentia muito capaz de reagir racionalmente. Não antes, pelo menos, de um banho frio.

As duas obras de Rondônia foram a famosa estrada Madeira-Mamoré, com o sacrifício de muitos na selva, e a Usina de Santo Antônio, imposta em ritmo extremamente duro para os trabalhadores.

A História vai registrar que a CUT e a Força Sindical se colocaram a serviço de uma empresa que, ansiosa por sobrelucros, oprimiu milhares de peões. Lula surgiu com aquela frase dos bagres impedindo a construção da usina. Como bom funcionário da Odebrecht, omitiu que não eram os bagres, mas todas as espécies de peixe que se movimentam no Rio Madeira para a reprodução.

O julgamento dos 20 mil trabalhadores, dos atingidos pela barragem, dos moradores da Jaci Paraná quando tomarem conhecimento de tudo isso, certamente vai dispensar a ida ao tabelião para buscar provas. É uma verdade histórica.

Com a insistência na negação suicida e jogando todas as suas fichas no destino de seu líder, se a esquerda sonha de verdade em chegar ao governo e não está apenas fugindo da polícia, é um sonho cinzento. Nas circunstâncias, dificilmente venceria e, se o fizesse, a resistência colocaria a todo instante a tentação totalitária.

Isso não é futuro, é punk. O que pode acontecer com essa insistência no erro é um cenário parecido com o da França, onde, por outros motivos, a esquerda nem chegou ao segundo turno.

Não tenho a pretensão de acertar num futuro tão nebuloso como o nosso. Mas algumas coisas, aprendi. O que fizeram na Usina de Santo Antônio, por dinheiro, foi uma vergonha. Todos os que se intitulam progressistas e embarcam nessa canoa furada do lulapetismo, diante do episódio não têm outra saída: ou engolem ou cospem.

Num artigo escrito há quase dez anos, previ que a experiência petista ia acabar numa delegacia da esquina. O artigo era “Flores para os mortos”.

Talvez por isso, maio em Curitiba me pareça tão familiar como as lindas manhãs do Rio e os anjos subindo ladeira ao entardecer numa cidade histórica de Minas. A maioria da esquerda ainda acredita que nada aconteceu e que vai chegar ao poder. O interessante é que muitos que sabem o que aconteceu consideram possível essa hipótese.

Em maio, costumo delirar.

*Feernando Gabeira é jornalista;

** Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

BRASIL, CHEGA DE VELHICE

Por Aninha Franco*

Publicado em Trilhas – Correio da Bahia, 29 Abril de 2017

 

 

Nesta semana, os índios atacaram o Congresso Nacional com arcos e flechas e a polícia do Congresso apreendeu mais de 50 flechas e atacou os índios com spray de pimenta e bombas de efeito moral. O Foro Privilegiado que ainda diferencia mais de 35 mil funcionários públicos dos demais brasileiros, começou a cair. E os quase 17 mil sindicatos pátrios que recebiam o imposto compulsório que surrupia um dia de trabalho de cada trabalhador brasileiro, com a reforma trabalhista aprovada pela Câmera, deixarão de receber e ratear bilhões de reais entre, por exemplo, o Sindicato das Secretarias do Estado da Bahia, o Sindicato Intermunicipal dos Empregados em Condomínios no Sul e Sudoeste da Bahia, o Sindicato dos Arrumadores de Fortaleza, o Sindicato Dos Oficiais Alfaiates Costureiras e Trabalhadores nas Indústrias de Confecções de Roupas em Geral e de Chapéus de Senhoras de Maracanau/Ce, ou o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Sindicais no Df.

A semana define, com precisão, o Brasil contemporâneo que está lutando para chegar ao século 21. Brasil que tem muito mais Igrejas que Sindicatos e onde as Igrejas não recolhem impostos, Brasil fruto de uma colonização que priorizou o combate ao pensamento, com ferocidade, durante o tempo colonial, e o Império até o golpe militar republicano, em 1889. Brasil onde as Repúblicas, a nova, a velha, a novíssima, a redemocratizada, todas, sem exceções, combateram o pensamento, arma contra a velhice e o atraso, todas sem permitirem aos autoctones idéias próprias, americanas brasileiras, nas Academias e Universidades vetustas, européias e eurocentristas. A juventude que atribuem ao Brasil invadido em 1500, pelos portugueses, nunca houve e talvez nunca chegue.

Os gestores brasileiros, aqueles que tentam legislar no Brasil, e que têm sido mostrados nas emissoras de TV, lembram os personagens da Dança dos Vampiros de Polanski. O Poder Executivo, tão bizarro quanto, seqüenciou Fernando Collor, o coronel, Lula da Silva, o pelego, Dilma Rousseff, a muito louca, Michel Temer, o vampiro, todos personagens de tragicomédias. Li, recentemente, Passando a limpo (Record, 1993) de Pedro Collor, que morreu em 1994, denunciando PC Farias, que morreu em 1996, que era aliado de Fernando Collor que quando foi governador de Alagoas dispunha de um Babalorixá entre seus assessores que morreu envenenado quando o governador tornou-se presidente.

Lula, presidente da república, gabou-se de nunca ter lido um livro em sua existência, e agora, depois de tentar desmoralizar o pensamento, está tentando desmoralizar a Justiça do País que, pela primeira vez, age fora dos padrões do compadrio e do patrimonialismo em Curitiba, cidade de educação não ibérica.

Talvez o não uso do cérebro nos primeiros anos de vida, e o pouco uso do cérebro agora, tenham feito do Brasil, este país tão inquietante e rico, obsoleto e incapaz de atualizar seu destino. Milhares de humanos irracionais, dentro e fora dos governos, fazem do Brasil um País que sobrevive de muitos séculos já ultrapassados por outras nações, e com quase nada do século 21 que resultou da vivência inteligente deles.

*Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

SENADO HOMENAGEARÁ EX-GOVERNADOR LOMANTO JÚNIOR

O Senado Federal vai realizar sessão especial em homenagem aos 49 anos de vida pública do ex-governador da Bahia, Antônio Lomanto Júnior a realizar-se na próxima quinta-feira, (04), das 9 h às 11 h, no plenário da Casa.

A sessão, proposta pelo senador Otto Alencar (PSD) é um reconhecimento do Legislativo federal ao político baiano que passou por quase todos os cargos eletivos da Federação brasileira. Na ocasião estarão presentes autoridades, políticos, amigos e familiares do ex-governador, falecido em 23 de novembro de 2015.

Lomanto Júnior nasceu em Jequié, no sudoeste da Bahia, em 29 de novembro de 1924. Desde a infância revelava o sonho de se tornar governador do estado. Formou-se em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia e, dentro do Movimento Estudantil mostrava a vocação para a política. Aos 23 anos foi eleito vereador de Jequié, cargo que exerceu até 1950. Esse foi o primeiro passo de uma longa trajetória: Lomanto foi prefeito de sua cidade três vezes, governador da Bahia, deputado estadual, deputado federal e senador da república. Era conhecido pelo carisma e pela forma afetuosa que tratava a todos, tendo muita ligação com as pessoas mais humildes.

O ex-governador ascendeu na política ao levantar a bandeira do municipalismo. Presidiu a Associação Brasileira dos Municípios (ABM), quando conseguiu aprovar uma reforma na constituição que elevou as rendas municipais, dentre outras realizações. Foi eleito ao governo em 1963, aos 37 anos, com o slogan Lomanto: hoje, feijão na lapela; amanhã, feijão na panela.

De perfil conciliador e supra-partidário, Lomanto sempre esteve próximo das maiores lideranças políticas do país. Em sua administração fez grandes obras, sendo destaque a estrada que liga Feira de Santana a Juazeiro, a ponte Ilhéus-Pontal (ponte Lomanto Júnior), o Centro Industrial de Aratu e a Reforma Administrativa, com a criação de vários órgãos, modelo seguido depois por outros estados e o governo federal. Após despedir-se do governo estadual, Lomanto foi deputado federal por dois mandatos e senador. Finalizou a sua carreira política em sua cidade natal, exercendo o cargo de prefeito entre 1993 a 1996. Prosseguiram na caminhada política o seu filho, o ex-deputado federal Leur Lomanto, e o seu neto Leur Lomanto Júnior (PMDB), atualmente deputado estadual na Assembleia Legislativa da Bahia.

 

PALOCCI DEVE DELATAR LULA, EMPRESÁRIOS E BANQUEIROS

Apesar da pressão do MPF para convencer o ex-ministro Antônio Palocci a delatar, foram as conversas com Marcelo Odebrecht e Leo Pinheiro, na carceragem da PF, que persuadiram o persuadiram a falar. (Foto Ag. Reuters)

O ex-ministro Antonio Palocci deverá incluir em sua delação, além do ex-presidente Lula, pessoas que se beneficiaram do esquema de corrupção nos governos petistas. Do tipo frio, calculista, que não se emociona por nada, Palocci deve envolver empresários, inclusive da área de comunicação, e banqueiros que se locupletaram de decisões do governo. Palocci estaria com sede de vingança, dizem fontes do PT.

Palocci pretende se vingar de Lula e dos banqueiros e empresários que não o “protegeram” e nem o ajudaram após sua prisão, em outubro. A um advogado, Palocci disse que não vai “pagar esse pato sozinho”, queixando-se de que Lula e demais “parceiros” o abandonaram. Quarta (19), Palocci surpreendeu ao se colocar à disposição para “colaborar”, prometendo material para “mais um ano” de Lava Jato.

INTERVENÇÃO MILITAR CONVÉM AO BRASIL? É ISSO QUE QUEREMOS?

Alguém repercutiu nas redes sociais o artigo escrito no fim do ano passado pelo jornalista Ribamar Fonseca, sob o título de “Alertar é preciso”. Uma revista semanal de grande circulação acaba de publicar a entrevista com o general do exercito, Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, abordando o tema. Nas redes sociais tem sido recorrente a sugestão.

O artigo referido, publicado no Estadão, faz uma interessante reflexão acerca da publicação do general Rômulo Bini Pereira, ex-chefe do Estado Maior do Ministério da Defesa, alertando para a possibilidade de uma intervenção das Forças Armadas e no panorama de “desgraça” hoje existente no país, conforme sua expressão, caso “alcance relevância” o clamor dos que pedem uma ação dos militares.

Segundo o general, aqueles que saíram às ruas pedindo intervenção militar “alegam que as Forças Armadas cultuam princípios e valores que não veem em outras instituições e que elas seriam a única solução para a crise atual”. A ideia continua circulando.

Lamentavelmente é fácil perceber que o general Bini segue a mesma linha de pensamento da Grande Mídia, o que de certo modo não surpreende, pois essa mesma mídia apoiou o regime militar de 1964.

Aliás, já está na hora de se fazer uma análise isenta do chamado golpe militar e desmitificar de uma vez o que poderia ter sido um oportuno contragolpe. Diante do quadro instalado no país nos últimos 13 anos, se em vez do golpe militar tivesse havido um vitorioso golpe do operariado, não teria sido uma carnificina ainda maior, agravada pela intensa roubalheira e aparelhamento do Estado? Pelo menos, a história demonstrou que os militares, embora truculentos e despreparados para o poder, não assaltaram os cofres públicos. Teria sido menos trágicos se não houvesse a incontrolável vontade de ficar… Por vinte anos no poder…!

Em nosso ponto de vista, no cenário mundial, dois fatos políticos recentes suscitam também observações válidas: as eleições presidenciais nos Estados Unidos e o plebiscito que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). As análises feitas por institutos de pesquisa mostram que a principal causa dos surpreendentes resultados é creditada aos governos centrais e suas instituições, que se afastaram das opiniões e dos interesses de suas respectivas populações.

Os eleitores dos Estados Unidos e do Reino Unido votaram contra opiniões e pareceres dos intelectuais, de segmentos do mundo artístico e cultural e, ainda, da mídia em geral. Todos davam como certa a vitória das propostas derrotadas. Uma discordância dos que se arvoram a ditar e impor propostas e ações afastadas da realidade de seus povos.

Há quem considere que o resultado das eleições brasileiras em 2014 não reflete mais o pensamento médio dos eleitores. Será que os fatos escancarados levaram à desesperança ou à mudança de opinião? No Judiciário os brasileiros ainda depositam esperança, graças ao corajoso desempenho dos juízes de primeira instância. Nas instâncias superiores o quadro é diferente. Ninguém se esquece dos embargos infringentes. O “fatiamento” de artigo da Constituição aprovado pelo ex-presidente da Corte no processo de impeachment e o desgastante e inédito processo envolvendo o presidente do Senado afetaram a imagem e a credibilidade da instituição. A população abomina algumas atitudes partidárias dos membros do STF e os classifica de “imorais” pelos altos salários que recebem do Poder Judiciário. Rejeita também o incompreensível foro privilegiado, que acarreta sobrecarga de processos. Se no STF a justiça que se faz é a mesma de outras instâncias, por que a exclusividade?

Diante do descalabro apresentado diuturnamente pela imprensa, a única alternativa que temos será a convocação das forças armadas? Serão elas a última trincheira defensiva desta temível e indesejável derrocada da ética, do comportamento, da economia e da decência brasileiras da atualidade?

Alguns alegam que para intervir, os militares precisam ser convocados. Mas, de acordo com a Carta Magna, os militares não precisam de autorização para intervenção constitucional: vejamos o que diz a Constituição Brasileira em seu art.142.

 
Art. 142 – As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

De qualquer maneira, nota-se a relutância dos membros das Forças Armadas em intervir no processo, mesmo com a credibilidade junto aos brasileiros batendo em 80%, até mesmo para falar sobre o assunto. Talvez com receio de ser novamente penalizado pela história, ou ainda pela consciência das suas limitações em conduzir o país ao seu destino, com transparência, sob a égide do estado democrático de direito… Talvez eles não saibam fazer desse jeito…

Aí, inferimos, caberia a convocação de uma assembleia nacional constituinte. Só acatando a participação de candidatos-cidadãos que nunca tivessem exercido mandato eletivo, ou sequer pertencido a algum partido. Aos seus membros seria vetado o direito de reeleição.

A finalidade precípua da assembleia, além de escrever uma nova constituição concisa e clara, seria a de promover uma ampla a profunda reforma política e eleitoral para o país, e, naturalmente, sem urnas eletrônicas, ou pelos menos, estas com o voto impresso.

Fora disso, dizem os mais afoitos e beligerantes: só uma guerra civil para, uma vez vitoriosa a decência, restabelecer o cenário político brasileiro e resgatar a confiança da população.

No mais, é esperar o fim do julgamento da multidão de acusados na operação Lava-Jato, lavrar sentenças duras para colocar os culpados na cadeia e limpar a imagem arranhada dos que forem julgados inocentes.

Seja com intervenção militar, guerra civil, nova assembleia constituinte ou lá o que seja, o Brasil vai precisar de um milagre para sair desse abismo e voltar a ser o país que todos desejamos.

PT ENCOLHE 27% E PERDE 1.120 DIRETÓRIOS MUNICIPAIS

 

NA FOTO LULA VOTA NO PED 2017 FOTO FILIPE ARAUJO/INSTITUTO LULA

Números do Processo de Eleição Direta (PED) do PT realizado no dia 9 em todo o Brasil mostram que, das 4,1 mil cidades onde o partido está organizado, cerca de 1.120, 27% do total, não conseguiram organizar nem sequer uma chapa de 20 filiados para compor o diretório municipal. Nesses municípios, os diretórios serão substituídos por comissões provisórias. Entre eles estão cidades importantes como Uberlândia, a segunda maior de Minas.

Na votação realizada, 290.124 mil filiados foram às urnas em 3.315 municípios de todo o país. Foram eleitos os Presidentes e Diretórios do PT em 2.740 municípios e também as delegações aos 27 Congressos Estaduais.

É por meio do PED que os petistas escolhem as direções locais do partido e os delegados para os Congressos Estaduais, que, por sua vez, vão definir os representantes para o 6.º Congresso Nacional, onde será eleita a nova direção partidária, em junho deste ano.

Alguns dirigentes do PT apontam a dificuldade para preencher as cotas obrigatórias destinadas a negros, índios, mulheres e jovens como motivo para o desaparecimento dos diretórios nessas cidades. Há ainda suspeitas de fraudes que podem contribuir para o resultado.

Com informações do Estadão

JERRY ADRIANI (1947-2017)

MORRE EM JEQUIÉ O JORNALISTA LUIZ OTÁVIO COTRIM

É com pesar que noticiamos o falecimento do jornalista Luiz Otávio Cotrim, que faleceu na manhã deste sábado na UTI do Hospital Santa Helena em Jequié. Luizinho como era carinhosamente chamado pelos amigos, é filho do saudoso professor, cronista, colunista social e poeta Luiz Neves Cotrim.

Graduado em comunicação pela UFBa. Luizinho Cotrim atuou por pouco tempo na imprensa jequieenses, destacando-se como comerciante, no Restaurante e Pizzaria Quintal, ponto de encontro da sociedade por longo tempo.

Como jornalista Luiz Cotrim atuou por vários mandatos na assessoria de comunicação social da Câmara Municipal de Jequié e no SAC.

O sepultamento ocorrerá amanha 23/04, às 9h, o corpo está sendo velado no venatório da Pax Internacional.

fonte: página Jornalistas/Zenilton Meira

VOCÊ QUER MESMO DEIXAR O BRASIL? TEM CERTEZA?

Por Tania Menai*

 

 

Ontem recebi um email dando boas-vindas a um novo estudante na turma de pré-jardim de infância da minha filha, de quatro anos. Muitos pais responderam o email com mensagens acolhedoras e animadas – então o pai do novo menino escreveu de volta, agradecendo o carinho e enviando uma foto da família. Mas avisou: “sou o mais alto.” Ali estava uma família de dois homens negros e um lindo menino. Mostrei a foto para minha filha e disse: “este é o seu novo amiguinho da escola!” Ela sorriu, disse que ele parecia com um outro coleguinha, e voltou a brincar. Nós somos brancas – e judias. Nossa escola é pública. A combinação de três aspectos desse episódio provavelmente, e infelizmente, seria improvável no Brasil, ou pelo menos na Zona Sul carioca, onde fui criada: (1) escola pública, (2) um casal de dois homens negros, pais de um menino e (3) minha filha na mesma turma que ele. No entanto, moramos no Brooklyn, em Nova York. E a vida aqui é assim. Bem-vindo ao avesso do que você conhece. Há quase 20 anos cheguei em Manhattan para ficar três meses. Desde então, nunca fui abordada por tantos brasileiros de classe média (e de classe média alta) querendo deixar o Brasil, como nos últimos cinco meses. O que mais me choca? Não são os cidadãos mais humildes, aqueles dos quais já esperamos uma insatisfação concreta e uma busca por uma vida melhor, a qualquer preço. Tenho falado com pessoas na faixa dos 40 anos, com apartamentos (e que apartamentos!) próprios, carreira sólida, filhos na escola, carros na garagem. Pensam em largar tudo e trocar de país, para dar um futuro melhor para os filhos. A jornada de expatriação deles seria diferente da minha: cheguei com uma mala pequena, fiz um curso, que acabou em estágio, seguido de emprego, uma carreira como correspondente para a mídia brasileira, alguns livros, um Green Card. Nada foi planejado: vim jovem, sem nada a perder, tendo uma família sólida no Brasil, para onde sempre poderia voltar. Então decidi por essa cidade fértil, ao mesmo tempo difícil, onde você começa todos os dias comendo desafios no café da manhã. Nova York é tão internacional que só me senti mergulhando na cultura americana quando minha filha entrou para a escola e passei a conviver com outras mães: é tudo do avesso e de cabeça para baixo. Se por um lado amo não ter babá, por outro me arrepio com o mundo da pizza de um dólar no almoço, e entro em parafuso quando escuto que “beijos espalham germes”.

Sair da zona de conforto é sempre bom. Viver no país da meritocracia, do compromisso e da palavra, é uma delícia. Andar pela rua sem violência é uma dádiva. Aqui “as coisas funcionam” porque as pessoas funcionam. E mostrar um outro lado da vida para os filhos (e eu não estou falando da Disney, senhoras e senhores) é um privilégio. Um dos grandes aprendizados que meus pais me proporcionaram foi viver (sem eles) por dois meses em um kibutz em Israel, aos 17 anos. Eu trabalhava em uma fábrica de alimentos de soja (na época, o mundo desconhecia a soja; hoje, esse grão vale milhões): levantava às quatro da manhã, no inverno, e fazia de tudo. Um dia, um gerente me deu um balde e disse para eu tirar os resíduos de soja dos ralos. Perguntei a ele: “por que eu?”. Ele respondeu: “por que não você?” Esse foi um enorme aprendizado para alguém que nasceu num sistema Casa Grande/Senzala, que o Brasil cultiva até hoje, a ponto de ter se tornado invisível para a maior parte dos brasileiros. Se você tem porteiro, empregada, motorista, babá , folguista e despachante, pense antes de fazer as malas e tirar os filhos da escola, rumo ao exterior. Para sair do Brasil, você precisará rever alguns valores. Talvez seja bacana fazer estas perguntas para si, e para quem você estiver pensando em trazer consigo, antes de tomar a decisão de colocar sua mudança num container: 1. Qual cidade a que você se adaptaria melhor? Você encara neve e inverno de bom-humor? Gosta de competitividade? Prefere uma cidade tranqüila? 2. Qual a sua definição de sucesso? Ser o presidente de uma empresa ou poder chegar cedo em casa e jantar com os filhos? Fazer o que você ama sem ganhar muito ou se sujeitar a um trabalho desinteressante ou estressante para garantir um bom salário? Se você já tem uma carreira estabelecida no Brasil, é muito provável que  tenha de dar um ou dois ou três passos atrás em um novo país. Você está disposto a isso? 3. Caso você emigre para um país de língua estrangeira: você fala e escreve inglês? Você fala e escreve espanhol? Português é lindo, o Tom Jobim é famoso e as Havaianas já conquistaram o mundo. Mas a nossa língua, infelizmente, não nos leva muito longe. Sim, há exceções. Você pode trabalhar em empresas brasileiras. Ainda assim, o mundo em volta não fala português. 4. Você tem família no Brasil? Pais vivos? Eles precisam de você? Uma das tristezas de morar fora é ver nossos pais envelhecendo sem a nossa presença. Pense bem nisso. 5. Adaptabilidade é uma das maiores virtudes das “pessoas do mundo”. Qual a sua capacidade de se adaptar a novas rotinas e culturas? 6. Você é casado? Seu marido ou mulher são abertos a mudanças? Estão com a mesma vontade de emigrar? Vivem sem feijoada, futebol e churrasco? Há pessoas que não conseguem abrir mão de alguns hábitos, e têm dificuldade de enxergar as coisas boas do novo país. São os chamados “impermeáveis”: a cultura nova não entra de jeito nenhum. E isso é um problema gravíssimo, que pode acabar em depressão e isolamento. O Brasil, não posso esquecer, recebeu meus quatro avós, vindos da Alemanha, do Líbano e da Síria. Nessas duas gerações, nosso país deixou de abraçar levas de imigrantes para exportar gente mundo afora. Não se engane: todo mundo sente falta do pão de queijo, da afetividade, da música brasileira. A saudade, no entanto, termina, muitas vezes, na boca do guichê do consulado brasileiro, onde sempre falta uma cópia autenticada de um documento que não serve para nada. Escrevi um livro que reúne depoimentos em primeira pessoa de 23 brasileiros que se mudaram para Nova York. Eles vieram de todos os cantos e origens sociais, mas têm uma característica em comum: a persistência. Um deles, o fotógrafo Vik Muniz, ressalta que “não existe Shangrilá”. Mesmo emigrando, você vai reclamar de algum aspecto na nova morada. E, depois ou durante uma experiência no exterior, é importante devolver algo ao Brasil. Seja em forma de filantropia, de investimento que gere empregos, ou voltando para melhorar algo que pode ser aprimorado. Por fim: nunca espere que o governo (seja esta lástima atual ou qualquer outro) faça algo por nós ou em nosso lugar. Regra que vale para qualquer lugar do mundo. Mas, especialmente no Brasil, já aprendemos que isso é esperar demais.

* Tania Menai, jornalista brasileira, vivendo há 20 anos em Nova York.  Escreve para diversas publicações brasileiras e acaba de lançar a Anáma Films, para contar histórias de famílias. Seu livro “Nova York do Oiapoque ao Chuí – relatos de brasileiros na cidade que nunca dorme” está disponível também em e-book.

JEQUIÉ: CONSELHEIROS MUNICIPAIS DE CULTURA SÃO ELEITOS

A Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Cultura e Turismo, vem procurando dialogar com a sociedade para que, conjuntamente, sejam construídas políticas públicas focadas nos verdadeiros interesses da população. E foi esta a premissa ao apoiar a eleição do Conselho Municipal de Cultura que, democraticamente, prestigiou diversos seguimentos da comunidade jequieense.

Eleitores e candidatos estiveram na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, na noite da última quarta-feira, 19, para participarem do processo eleitoral dos novos conselheiros municipais de cultura, que vão ter a abrangência de dois anos (biênio 2017-2018). A entidade se encontrava com mandatos vencidos há algum tempo, motivando a colaboração da Prefeitura de Jequié no sentido de legitimar os novos membros. Segundo a comissão eleitoral que coordenou o pleito, composta por Edilza Santana (Presidente), Luciano Belchote (Secretário Geral) e Wenceslau Júnior (representante da Secretaria de Cultura e Turismo), os titulares e suplentes eleitos em suas respectivas representações são:

 

 

 

 

Artes Cênicas:

Titular: Lincoln Aguiar Santos

Suplente: Ulisses Coelho da Silva

 

Música:

Titular: Antônio Triffino de Almeida Junior

Suplente: Gilney Vicente Neto

Cultura Afro:

Titular: Manoel da Silva Santana

Suplente: Antônia Ferreira de Souza

Cultura Popular:

Titular: Rosângela da Santos Gomes

Suplente: Maria Dalva Logrado Santos

Áudio Visual:

Titular: Sem representante eleito

Suplente: Sem representante eleito

Artes Visuais:

Titular: Rubinaldo Vieira dos Santos

Suplente: Pedro Ferreira dos Santos Anjos Filho

Literatura:

Titular: Lucas Ribeiro Novaes

Suplente: Mauricio Bastos Almeida

Artesanato Tradicional:

Titular: Maria da Conceição Santos

Suplente: Aleqxandra Meira Cidreira

Artesanato Contemporâneo/ Urbano:

Titular: Florisvaldo Figueiredo Fernandes

Suplente: Edvaldo Souza Filho

 

Produtores Culturais:

Titular: Arthur Pires Souza

Suplente: Nerivaldo Carneiro de Menezes Junior

Cultura Digital:

Titular: André Luís Bomfim de Almeida

Suplente: Mariêne Lélis Ribeiro

Estudo e Pesquisa:

Titular: Silvana do Nascimento Silva

Suplente: Márcia Auad

 

Patrimônio Material e Imaterial:

Titular: Antônio Argolo Neto – Candidato

Suplente: Luiz Aroldo Figueiredo Vieira

 

CREA:

Titular: Luiz Roberto Pinto

Suplente: Aliomar Jesus Pereira

 

Imprensa:

Titular: Emanoel Andrade

Suplente: Wilson Midlej

Secretaria de Cultura e Turismo:

Titular: Ricardo Brito Ferreira

Suplente: Astro Barbosa Brayner

Espaços Culturais:

Titular: Benedito Freire Sena

Suplente: Wenceslau Braz Silveira Nogueira Júnior