Archive for março, 2016

SETE POLÍTICOS DO PP SÃO DENUNCIADOS NA OPERAÇÃO LAVA JATO

Mario Negromonte, João Pizzolatti, Luiz Fernando Faira, José Otávio Germano, Roberto Pereira de Britto e Arthur Lira são acusados de corrupção passiva e ocultação de bens

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No dia em que o Partido Progressista (PP) foi alvo de uma das mais explícitas barganhas políticas para não deixar a base aliada do governo Dilma Rousseff, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra cinco deputados federais e dois ex-parlamentares e caciques da legenda. As suspeitas contra todos envolvem o esquema de corrupção instalado da Petrobras.

Foram denunciados o ex-deputado João Pizzolatti (SC), o ex-deputado e ex-ministro das Cidades do governo Dilma, Mario Negromonte (BA), e os atuais parlamentares Luiz Fernando Faria (MG), José Otávio Germano (RS), Roberto Pereira de Britto (BA) e Arthur Lira (AL), todos pelos crimes de corrupção passiva e ocultação de bens. Além desses dois crimes, Mario Negromonte Júnior (BA) também foi denunciado por embaraço à investigação.

O delator da Lava Jato Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, afirmou em depoimento que o ex-deputado Mario Negromonte perdeu o cargo de ministro das Cidades no primeiro governo da presidente Dilma Rousseff porque estaria “roubando apenas para ele próprio”. Ceará foi descrito pela força-tarefa do petrolão como um dos responsáveis por distribuir propina a políticos a mando do doleiro Alberto Youssef. Ele afirmou à força-tarefa da Lava Jato que Youssef classificava Negromonte como o “mais achacador” dos políticos envolvidos no esquema. Segundo relato do delator, Negromonte teria recebido 5 milhões de reais em propina durante a campanha eleitoral de 2010.

Entre os destinatários que receberam propina das mãos de Ceará, segundo o próprio delator, estão os ex-deputados federais João Pizzolatti, Pedro Correa (ex-PP-PE) e Luiz Argôlo (ex-PP-BA), todos investigados ou já condenados no escândalo do petrolão.

O nome de Negromonte Junior, por sua vez, apareceu depois de o ex-deputado federal Luiz Argôlo ter afirmado a seus defensores que recebeu ameaças do congressista por meio do ex-assessor Ari Carlos Nascimento. Nascimento trabalhou nas campanhas políticas de Argôlo e teria repassado o recado de que o ex-parlamentar deveria ficar “pianinho” porque, depois do petrolão, receberia apoio para voltar à vida pública. Segundo o relato do advogado de Luiz Argôlo, Sidney Peixoto, ao site de VEJA, se o ex-deputado aceitasse um acordo de delação contra ao PP, a família e sua própria vida estariam em risco. “Ele disse ‘o caminho de delator sabe qual é’. O caminho era a morte e às vezes poderia acontecer algo com a família dele”, afirmou o advogado.

Os demais deputados federais denunciados hoje também são suspeitos de receber propina do esquema do petrolão.

Fonte: Laryssa Borges – Veja.com

DESCONSTRUINDO UM ARTIGO IMBECIL DO ATOR WAGNER MOURA CONTRA O IMPEACHMENT

“É de tal sorte primário que levei exatos 23 minutos para apontar a teia de fraudes argumentativas. O rapaz daria razão a Francis, segundo quem um bom ator não pode ser muito inteligente. Eu discordo da afirmação. Mas vale pra Moura”

Reinaldo AzevedoPor: Reinaldo Azevedo*

 

 

Paulo Francis dizia que um grande ator não pode ser muito inteligente. Sempre tomei a frase como uma de suas “boutades”… inteligentes! Queria dizer que o ator só consegue expressar a verdade necessária — ao menos segundo o seu gosto estético por teatro ou cinema — se é capaz de se esquecer, de suspender por um tempo o juízo. Mesmo assim, em regra, não concordava com ele nesse particular.

Mas me vi tentando a concordar ao ler o artigo de Wagner Moura na Folha desta quarta. Se escreveu sozinho, não sei. Parece haver ali a canetada ora de alguém da sociologia, ora do direito. Mas digamos que seja tudo dele.

Os argumentos, de toda sorte, são pueris. Moura admite que “o PT montou um projeto de poder amparado por um esquema de corrupção”. Ufa! Rapaz consciencioso! Acha que isso tem de ser investigado. Ótimo! Mas não se pode cassar, sustenta, um governo eleito por 54 milhões, ainda mais esse, que, diz ele, tirou milhões da pobreza.

Moura nasceu em 1976. Tinha 16 anos quando Collor foi impichado, em 1992. Já dá pra não ser um idiota. Também aquele projeto estava amparado na corrupção e também aquele presidente foi eleito. E por que foi legítimo derrubá-lo? Huuummm… É que Collor não tirou milhões da pobreza. Corolário: quando um governo realiza uma obra social que Moura aprova, ainda que seja ladravaz, não pode ser deposto.

Ou por outra: os pobres são usados como lavanderia moral de governos corruptos.

Grande Wagner Moura!

O argumento jurídico de seu texto é canhestro. Segundo ele, trata-se de um “impeachment sem crime de responsabilidade”. Um ator não é obrigado a ler a Constituição e a Lei 1.079. A menos que vá escrever sobre impeachment. A pedalada fiscal é crime de responsabilidade, rapaz! Não me obrigue a fazer piadinhas com o Capitão Nascimento… Mais: não são apenas os crimes de responsabilidade que podem levar ao impedimento.

Outro argumento que ele deve ter achado definitivo: o nome de Dilma, diz ele, não está na lista da Odebrecht. Erros em série. Nem mesmo se sabe o que é e o que é não crime na lista; o fato de o nome dela não estar lá não a absolve da pedalada. Ou do crime de obstrução da Justiça cometido na nomeação de Lula, segundo o procurador-geral da República — o crime está apontado na denúncia da OAB.

Mas, até aqui, operei só na desinformação de Wagner Moura. Agora vamos à sua pouca inteligência, ainda que seja um excelente ator — e nem assim acho que Francis estava certo como regra.

Escreve o bruto:

“Ser legalista não é o mesmo que ser governista, ser governista não é o mesmo que ser corrupto. É intelectualmente desonesto dizer que os governistas ou os simplesmente contrários ao impeachment são a favor da corrupção.”

Bem, eu já demonstrei que ele está sendo “ilegalista”. Mas é o de menos. De fato, ser legalista (em tese) não é sinônimo de governista, que não é sinônimo de corrupto.

Pergunto a Wagner Moura se ele reconhece como válida a seguinte formulação:

“Ser a favor do impeachment não é o mesmo que ser antipetista, que não é o mesmo que ser golpista”.

Reconhece ou não, Wagner Moura?

Ou seus pensamentos delicados e matizados têm validade apenas para os que pensam como você?

Essa minha pergunta desmonta de forma um tanto vexaminosa a falsa tolerância de Moura com a divergência e expõe o sestro de todo esquerdista mixuruca: o mundo se divide entre os bons, que estão com eles (às vezes, roubam um pouco), e os maus: os que pensam de modo diferente.

É claro que um grande ator pode ser inteligente.

Não é o caso de Wagner Moura. Definitivamente. A menos que tenha decidido fazer o papel de bobo. E aí o ator merece os parabéns!

*Reinaldo Azevedo é jornalista. Colunista da revista Veja. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo

DILMA É VÍTIMA DE GOLPE CLÁSSICO, DIZ WAGNER MOURA

“O que está em andamento no Brasil hoje é uma tentativa revanchista de antecipar 2018 e derrubar na marra, via Judiciário politizado, um governo eleito por 54 milhões de votos”

Wagner Moura

O ator Wagner Moura, de 39 anos, afirma, em matéria escrita à Folha de S. Paulo, que não nega que o PT tenha montado um projeto amparado em um esquema de corrupção e que isto deva ser investigado dentro das leis de um país democrático e imparcial. Porém destaca que o Brasil vive um ódio cego contra um governo que deu oportunidades nunca vistas antes aos pobres.

“O que está em andamento no Brasil hoje é uma tentativa revanchista de antecipar 2018 e derrubar na marra, via Judiciário politizado, um governo eleito por 54 milhões de votos. Um golpe clássico”, escreve ele.

O ator aponta que a economia está parada e que não há mais dinheiro para sustentar projetos sociais, e que “ninguém é mais responsável por esse cenário do que o próprio governo”.

Em relação as investigações da Lava Jato, Moura afirma vivemos um “Estado policialesco” e que “Sergio Moro é um juiz que age como promotor. As investigações evidenciam atropelos aos direitos consagrados da privacidade e da presunção de inocência. São prisões midiáticas, condenações prévias, linchamentos públicos, interceptações telefônicas questionáveis e vazamentos de informações seletivas para uma imprensa controlada por cinco famílias que nunca toleraram a ascensão de Lula”.

O famoso cita ainda o impeachment e as razões pelas quais ele está sendo reivindicado, ou seja, através de pedaladas fiscais e não sobre escândalos na Petrobras. “Um impeachment sem crime de responsabilidade provado contra a presidente é inconstitucional” diz ele.

“Um pedido de impeachment aceito por um político como Eduardo Cunha, que o fez não por dever de consciência, mas por puro revide político, é teatro do absurdo”, termina ele.

PMDB OFICIALIZA, POR ACLAMAÇÃO, ROMPIMENTO COM GOVERNO DILMA ROUSSEFF

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O Diretório Nacional do PMDB decidiu nesta terça-feira (29), por aclamação, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na reunião, Sob a presidência do senador Romero Jucá, vice presidente da sigla, a cúpula peemedebista também determinou que os seis ministros do partido e os filiados que ocupam outros postos no Executivo federal entreguem seus cargos.

O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, não participou da reunião que oficializou a ruptura com o governo sob o argumento de que não desejava “influenciar” a decisão. No entanto, ele teve participação ativa na mobilização pelo desembarque do partido e passou toda a segunda-feira (28) em reuniões com parlamentares e ministros do PMDB em busca de uma decisão “unânime”.

A decisão de hoje era esperada há semanas, desde a convenção do PMDB, no dia 12 de março. Na ocasião, ficou decidido que o partido anunciaria em 30 dias se desembarcaria ou não do governo. Também ficou estabelecido que o PMDB não assumiria novos ministérios até que o fosse definido se haveria o rompimento.

No entanto, dias depois, a presidente Dilma ignorou a decisão e empossou o deputado licenciado Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria de Aviação Civil. A nomeação foi vista como uma afronta pelo partido, que abriu um processo no seu Conselho de Ética para expulsá-lo da legenda. O episódio ajudou a agravar a crise e acelerou a decisão do partido.

REFLEXÕES DE UM SUPOSTO COXINHA

artur xexeoPor Artur Xexéo*, via Aninha Franco**

Publicado em O Globo, 27 Março de 2016

 

 

Ando sensível. Acho que já contei isso aqui. Choro à toa. Antes era com comercial de margarina, cenas de novela, trechos do filme. Agora, é lendo jornal. Cada notícia da Lava-Jato, de início, me enche de indignação. Em seguida, fico triste. É aí que choro. Ando tendo vontade de chorar também em discussões com amigos. Gente que tempos atrás dividia comigo a mesma ideologia hoje se comporta como inimiga. Ou sou eu o inimigo? De qualquer maneira, num mundo que derrubava muros, de repente, um muro foi erguido para me separar desses amigos. Tento explicar como vejo o trabalho de Sergio Moro e nunca consigo terminar o raciocínio. No meio da discussão, me emociono, fico com vontade de chorar e prefiro interromper o pensamento. “Coxinha”, me xingam nas redes sociais. Bem, se o mundo está obrigatoriamente dividido entre coxinhas e petralhas, não tenho como fugir: sou coxinha!

Leio na internet que “coxinha” é uma gíria paulista cujo significado se aproxima muito do ultrapassado “mauricinho”. Mas, desde a reeleição de Dilma, esse conceito se ampliou. Serviu para definir de forma pejorativa os eleitores de Aécio Neves. Seriam todos arrumadinhos, malhadinhos, riquinhos e votavam em seu modelo. Isso não tem nada a ver comigo. Mas, nesta briga de agora, estou do lado que é contra Lula, logo sou contra os petralhas, logo sou coxinha.

Gostaria de falar em nome da democracia. Mas não posso. A democracia agora é direito exclusivo dos meus amigos que estão do outro lado do muro. Só eles podem falar em nome dela. Então, como coxinha assumido, deixo uma pergunta. Vocês acharam muito normal o ex-presidente Lula incentivar os sindicalistas para os quais discursou esta semana a irem mostrar ao juiz Sergio Moro o mal que a Operação Lava-Jato faz à economia brasileira? Vocês acreditam sinceramente nisso? O que a Operação Lava-Jato faz? Caça corruptos pelo país. Não importa se são pobres ou ricos. Não importa se são poderosos. Não era isso o que todos queríamos, quando estávamos todos do mesmo lado, quando ainda não havia um muro nos separando, e fomos às ruas pedir Diretas Já? Não era no que pensávamos quando voltamos às ruas para gritar Fora Collor? E, principalmente, não era nisso que acreditávamos quando votamos em Lula para presidente uma, duas, três, quatro, cinco vezes!!! Não era o Lula quem ia acabar com a corrupção? Ele deixou essa tarefa pro Sergio Moro porque quis.

Como, do lado de cá do muro, me decepcionei com o ex-líder operário, o lado de lá deu pra dizer que sou de direita. Se for verdade, está aí mais um motivo para eu estar com raiva de Lula. Foi ele quem me levou pra direita. Confesso que tenho dificuldades de discutir com qualquer petralha que não se irrita quando Lula diz se identificar com quem faz compras na Rua 25 de Março. Vem cá, já faz tempo que os ternos de Lula são feitos pelo estilista Ricardo Almeida. Será que Ricardo Almeida abriu uma lojinha na rua de comércio popular de São Paulo? Por mim, Lula pode se vestir com o estilista que quiser. Mas ele tem que admitir que o discurso da 25 de Março ficou fora do contexto. A gente não era contra discursos demagógicos? O que mudou?

Meus amigos petralhas dizem que é muito perigoso tornar Sergio Moro um herói. Que o Brasil não precisa de um salvador da pátria. Mas, vem cá, não foi como salvador da pátria que Lula foi convocado para voltar ao governo? Não é ele mesmo quem diz que é “a única pessoa” que pode incendiar este país? Não é ele mesmo quem diz que é a “única pessoa” que pode dar um jeito “nesses meninos” do Ministério Público? Será que o verdadeiro perigo não está do outro lado do muro? Não é lá que estão forjando um salvador da pátria?

Há muitas décadas ouço falar que as empreiteiras brasileiras participam de corrupção. Nunca foi provado. Agora, chegou um juiz do Paraná, que investigava as práticas de malfeito de um doleiro local, e, no desenrolar das investigações, botou na cadeia alguns dos homens mais poderosos do país. Enfim, apareceu alguém que levou a sério a tarefa de desvendar a corrupção que há muitos governos atrapalha o desenvolvimento do país. E, justo agora, quando a gente está chegando ao Brasil que sempre desejamos, Lula e seus soldados querem limites para a investigação. Pensando bem, rejeito a acusação de ser coxinha, rejeito ser enquadrado na direita, rejeito o xingamento de antidemocrata, só porque apoio o juiz Sergio Moro e a Operação Lava-Jato. Coxinha é o Lula que se veste com Ricardo Almeida e mantém uma adega de razoáveis proporções no sítio de Atibaia. E, para encerrar, roubo dos petralhas sua palavra de ordem: sinto muito, mas não vai ter golpe. Sergio Moro vai ficar.

*Artur Xexéo é jornalista, cronista e colunista do jornal O Globo.

**Aninha Franco é escritora, poeta, dramaturga, advogada e ativista cultural.

ENTREVISTA: OS DESAFIOS FINANCEIROS, SOCIAIS E POLÍTICOS DA MULHER NO SÉCULO XXI (PARTE 1/3)

 

A Jornalista Graziane Madureira entrevista a Vice-Procuradora da República Ela Wiecko em 3 vídeos. Neste bloco, a entrevistada fala sobre os avanço que as mulheres tiveram nos últimos anos, principalmente do ponto de vista legal.

JEQUIÉ: CORREDORES LOTADOS, MATERNIDADE FECHADA. SEGUE A ROTINA DO HOSPITAL REGIONAL PRADO VALADARES

Prado Valladares fecha maternidade

Como era esperado, depois do período das chuvas na região a epidemia de dengue recrudesceu. O sistema de saúde municipal inexiste. O Hospítal Prado Valadares, superlotado, não atende à demanda de pacientes infectados pelo mosquito Aedes Aegypti cuja picadura resulta em Dengue, chikungunya ou Zika Virus. É angustiante saber que é precária a estrutura do Estado para enfrentar a epidemia anunciada. Com sintomas dolorosíssimos, os pacientes infectados dependem de cuidados e até um certo conforto que, infelizmente os hospitais públicos não dispõem.

Os corredores do Prado estão repletos de pacientes deitados em colchões improvisados, crianças e idosos em macas fora das enfermarias, verdadeiros campos de desespero como se estivéssemos em estado de guerra. Também os hospitais da rede particular se encontram com lotação plena.

Maternidade fechada

Conforme anunciado ainda no mês de fevereiro, a administração do Hospital Regional Prado Valadares resolveu desativar serviço prestado pela Maternidade  do HGPV, transferindo o serviço para a Santa Casa de Misericórdia, Hospital São Judas Tadeu, administrado pela Fundação José Silveira. A decisão segue o planejamento do programa Rede Cegonha, da instituição.

A direção do HGPV visa a consolidar o espaço com a demolição do atual Pronto Socorro e iniciar as obras de ampliação construção da nova unidade de Emergência.

Resta saber se a Santa Casa – Hospital São Judas Tadeu dará conta da demanda de pacientes de toda a região.

Enquanto isso, ouvimos diariamente nos noticiários televisivos as notícias de desvios de milhões de reais perpetrados pelos agentes políticos e técnicos executivos, com a conivência de empreiteiras e prestadores de serviços. Os beneficiários são aqueles que foram escolhidos pela população justamente para dotar os estados e municípios de infraestrutura de serviços de toda ordem para servir ao povo. Principalmente aos mais carentes. O que se constata é que o dinheiro que deveria ser aplicado na saúde, por exemplo, serve para engordar contas bancárias particulares no exterior, em paraísos fiscais. Os brasileiros estão submetidos a um sistema perverso e marginal que permite o enriquecimento ilícito dos seus dirigentes e associados.

ENFROCAR

Crônica de Domingo, 27 de março de 2016

Paloma_JorgeAmado_meio1Por Paloma Amado*

 

 

 

Enfrocar

Verbo transitivo direto, relativo a cabelo; todas as ações para tornar os cabelos mais volumosos, ondeados, ondulados, frisados.

‘– Zélia, vambora!

— Tenha calma, Jorge, ainda estou enfrocando.’ (Diálogo entre dona Zélia e seu Jorge)

Do Dicionário Zélia Gattai de Termos Próprios

Mamãe nasceu loirinha e de cabelos lisos. Ao contrário dos irmãos homens, que foram loiros por toda a vida, as meninas Gattai viram o cabelo escurecer, mas se manterem lisos. Este foi um dos problemas de beleza que a perseguiu por toda a vida. Quando pequena, as irmãs enchiam sua cabeça de papelotes. Era um método muito simples, mas que requeria a paciência de passar o dia inteiro com os cabelos enrolados em torno de papéis, terminando em laçarotes. Precisava paciência e fair play para aparecer com a cabeça coberta por laços de papel. O resultado, infelizmente, era muito pouco duradouro, em menos de meia hora o cabelo voltava a ser liso-escorrido.

Esta sua característica a ligava à sogra, dona Eulália, filha de índia Patachó. Todos sabem que os índios têm cabelo assim, a chamada chapinha natural. Meus pais resolveram viver juntos quando ambos moravam em São Paulo. Um dia foram ao Rio para que mamãe conhecesse os sogros. Foram de trem, papai não cansava de descrever seus pais, queria que mamãe saísse do trem direta para o abraço:

— Papai é um mulato claro, gordo e baixinho, com narigão esparramado, cara bem sergipana. Mamãe é uma índia Patachó pequena, com os cabelos bem lisos e pretos. Vai ser fácil identificá-los.

Vovô João, que acenava com a mão, correspondia plenamente à descrição. Mas a sogra, cadê ela? Cadê a índia do cabelo liso-escorrido?

— Jorge, será que sua mãe não veio?

— Não estou vendo ela por aí…

Uma senhorinha, toda cacheada, acenava com a mão ao lado do Coronel João Amado. Não é que dona Lalu tinha feito uma ondulação permanente? Estava na moda, e ela queria impressionar a nora. Papai ficou estarrecido, quando viu a mãe assim:

— O que é isso, minha mãe?

— Fiz uma permanente, fio. Ficou uma pinóia, não foi?

Desde que me entendo por gente que vejo minha mãe enrolando os cabelos. Primeiro era com cerveja (!!!), um excelente fixador de ondas nos tempos que em eram escassos os produtos para os cabelos. Soltava e ficava toda enfrocada. Era esta a expressão que gostava de usar para dizer o que devia fazer para ficar bonita. Depois de enfrocada, enchia de laquê, que era uma coisa grudenta que deixava o cabelo duro. Ela dormia, acordava, e o cabelo estava igual. Se alguém, por descuido, apertava a mão num carinho, ficavam as marcas dos dedos.

— Zézinha, minha filha, pare de usar essa cola no cabelo. Fica horrível, parece um capacete. Eu gosto de fazer cafuné no seu cabelinho tão macio.

Não havia jeito, ela, que adorava um cafuné, dava prioridade ao que achava que a deixava bela. “Uma dama paulista”, no dizer de papai. Ele preferia uma Oxum baiana.

A luta pela enfrocação cotidiana teve uma pausa com a vinda para a Bahia. Aqui ela foi convencida a cortar o cabelo bem curtinho, como usava aquela cantora nova, de sucesso, a Ellis Regina. Severiano, o cabelereiro da moda em Salvador naqueles tempos, ia em casa cortar o cabelo de papai e de mamãe. Quando terminava, papai pedia:

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— Corta o de Zélia de novo, Severiano, gosto dela bem carequinha…

Era o jeito dela não enfrocar.

Foi quando começaram a aparecer os primeiros e raros fios de cabelo branco. Ela, que jamais os pintou, pagava aos meninos, João, Janaína e eu, para catar e arrancar os brancos de sua cabeça. Tarefa árdua, pois eram poucos, precisava de bons olhos e paciência. Um cruzeiro por cabelo! Disputávamos a cabeça de mamãe, que chegava a fechar os olhos de prazer pelo cafuné. A graça acabou quando João começou a arrancar uns não brancos e dizer que não podia mostrá-los pois tinham caído no chão. Estava para nascer alguém que enganasse dona Zélia, e, antes de ficar careca, acabou com a catação.

Depois da morte de papai, ela manteve o penteado curtinho. Voltou a enfrocar, queria estar sempre bem apresentada, segundo dizia a nossa dama paulista. Neste final de vida, era um de seus prazeres cuidar dos cabelos.

A última vez que a vi fora da UTI, foi na maca entrando para a sala de cirurgia. Parou para se despedir, me beijou e pediu para arrumar seu cabelo dentro da toca que o protegia.

— Enfroquei ontem, não quero que desarrume. Posso ser operada, mas o cabelo tem que estar enfrocado!

Bom domingo a todos. E viva o Lipe, que fez 10 anos! Um rapaz lindo!

*Paloma Amado é escritora, psicóloga e filha dos escritores Zelia Gattai e Jorge Amado

REMINISCÊNCIAS: DIVALDO ANGELIN VERAS*

-“Habita em mim um ser que veste hábito, que prometeu sempre me levar em direção ao puro e sacrossanto, quando o meu eu pensa que não há. Espero sempre o meu, eu, velho monge, adormecer para o meu eu, jovem, na vida, se atirar. Se arriscando às ilusões da vida que o meu eu, velho monge, sabe que há”.

Divaldo Angelin Veras em dois momentos, duas faces de uma mesma moeda.

Divaldo Angelin Veras em dois momentos, duas faces de uma mesma moeda.

*Veras viveu seu tempo de sonhos e pesadelos. Se algum dia acordou para a realidade, teve imediata vontade de dormir! Morreu em Ipiaú aos 67 anos de idade, sozinho, sabendo que foi passageiro passarinho.

Zé Américo Castro

NESTA SEGUNDA (28), OAB PROTOCOLA NA CÂMARA NOVO PEDIDO DE IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA

Presidente da OAB, Claudio Lamachia (Foto Agência Globo)

Presidente da OAB, Claudio Lamachia (Foto Agência Globo)

“A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) irá entregar no protocolo da Câmara nesta segunda-feira, 28, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O documento histórico de 43 páginas tem base na decisão do Conselho Federal da entidade que, por 26 voltos a dois, concluiu que a petista deve perder o mandato e ser declarada inelegível por oito anos sob acusação de crime de responsabilidade numa sequência de atos que justificariam a medida – pedaladas, renúncias fiscais em favor da Fifa na Copa do Mundo/14 e a intenção de beneficiar o ex-presidente Lula, alvo da Lava Jato, dando-lhe foro privilegiado ao nomeá-lo chefe da Casa Civil, condição que o livraria das mãos do juiz federal Sérgio Moro.”