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A CORAGEM DO GOVERNADOR LOMANTO JÚNIOR

Dermival RiosPor Dermival Rios*

Este texto é do escritor e político Euclides Neto (falecido no  ano de 2000), que aqui nos conta episódio definidor da firmeza de caráter do político que foi Vereador, três vezes Prefeito de Jequié, Deputado Estadual, Deputado Federal, Governador, Senador da República (em tempos mais dignos), o homem do povo Antônio Lomanto Júnior, que faleceu  segunda-feira, 23 de novembro de 2015, aos 90 anos.

A CORAGEM DO GOVERNADOR LOMANTO JÚNIOR

Não poderia deixar os contados de 64 sem me referir a episódio passado com o General Costinha da VI Região Militar: Vínhamos: ele, o Governador Lomanto e eu no banco traseiro de um automóvel, para inaugurar a estrada a Itajibá. Na entrada de Ipiaú, o militar, demonstrando completo alheamento a tudo, perguntou:

– Que cidade é esta?

Informei:

– Ipiaú.

– Ah! É aqui a Fazenda do Povo e o Prefeito comunista; o que soltou os jumentos na rua?

Lomanto altaneiro:

– Se o Prefeito é comunista também sou.

O General insistiu:

– Como?

– Se o Prefeito é comunista também sou.

A resposta deu a medida da coragem do Governador e a fidelidade aos seus compromissos de amizade. Poderia ter silenciado, feito a gelada defesa indiferente ou coisa semelhante. Ao contrário: comprometeu-se perante o todo-poderoso. A resposta foi de tal modo contundente que, ali mesmo, sem prosseguir viagem, o verde-oliva  mandou que o conduzissem de volta a Jequié, onde pegaria o avião, destinando-o a Salvador. Perdeu o almoço que a EMPATE (empreiteira construtora de estrada) ofereceria às autoridades. Após o almoço conversei com o Governador:

Agradecia sensibilizado a prova de amizade e coragem, mas receava que o gesto derrubasse seu cargo. Os dias andavam turvos. A delação campeava e o Comandante da VI Região Militar poderia comprometê-lo, afastando-o, inclusive, da governança em favor de qualquer. Notadamente porque o General retornara sozinho, desprezado pelo Governador, que preferiu a companhia do seu povo.

Lomanto, na irreverente bondade, não atinara com a gravidade do gesto. Bem verdade que contava também com o seu protetor na área militar, como todos os políticos da época, o que é comum nos relacionamentos humanos semelhantes, comparando mal. Aquela atitude poderia custar-lhe a posição. Costinha fez a malcriação fóbica, perdeu o gostoso almoço caprichado pelas senhoras ipiauenses.

Melhor para nós que saboreamos assados e moquecas sem o constrangimento da presença opressora e no convívio ameno e agradável dos bons amigos.

(excerto de capítulo do livro 64: Um Prefeito, a Revolução e os Jumentos, do contista, romancista e político emérito Euclides José Teixeira Neto, ou simplesmente Euclides Neto, na época (1964) Prefeito da cidade de Ipiaú, que para nosso orgulho, como Lomanto Júnior, era também membro da Academia de Letras de Jequié.)

*Dermival Rios é escritor, dicionarista e presidente da Academia de Letras de Jequié.

HOMILIA DO BISPO DIOCESANO DE JEQUIÉ NA MISSA DE CORPO PRESENTE DE LOMANTO JÚNIOR

Lomanto-homenagens

Missa Exequial de Antônio Lomanto Júnior

Jequié, 25 de novembro de 2015.

  1. Nominata
  2. Radio Jequié FM e todos os meios de comunicação
  3. Somos todos irmãos. Mais importante aqui é o Cristo. Por isso, a fim de que o púlpito onde é anunciada a Palavra de Deus não se transforme em uma tribuna, ao final desta missa, usará da palavra apenas… Peço encarecidamente a compreensão de todos.

Ao celebrarmos nesta Santa Missa, o Sacrifício da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, celebramos a nossa vida e a nossa esperança de vida eterna. É a nossa fé em sermos Salvos pelo Cristo que morreu e ressuscitou por nós.

Para nós cristãos a vida é um dom de Deus. Saiu de suas mãos e às suas mãos voltará. Se a vida é um dom de Deus, ninguém é dono da vida. Nem da própria vida, nem da vida do outro.

A vida é um dom. É um mistério. É um apelo que Deus faz a todo aquele que vive. A vida é uma resposta. A resposta que o homem deve dar a Deus e aos outros, por isso São Paulo diz: “Ninguém vive para si mesmo. Quer morramos, quer vivamos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14, 7-9).

É diante do enigma da morte que se agiganta a figura de Cristo, pois Ele, só Ele, venceu a morte. Por isso Ele é o divisor de águas entre os crentes e os ateus; entre os otimistas e desesperados.

A morte, sendo um fim natural, recorda que cada um dispõe de um tempo limitado para viver bem. Graças a Cristo, a morte cristã possui sentido positivo, a ponto que, recorrendo mais uma vez ao apóstolo dos gentios, Paulo afirmava: “Para mim o viver é o Cristo e morrer é lucro” (Fl 1,21)

Os filósofos gregos riram de São Paulo em Atenas , no Areópago, quando ele falou da

Ressurreição de Jesus; para eles a morte era o fim de tudo, e não eram raros aqueles que partiam desta terra no desespero. Mas é interessante que alguns ansiavam pela eternidade. O poeta trágico e teatrólogo  Eurípedes (480 -406 a.C.) perguntava: “Quem sabe se viver não é morrer; e morrer não é viver?” (PR 414, pg.481). Ele foi ridicularizado pelos seus conterrâneos, mas isso se tornou realidade em Cristo. Este pensador pagão já pressentia que a vida do homem não pode acabar na terra e que deveria haver algo mais a preencher os anseios de vida no coração humano.

Foi sobre esse pano de fundo triste que ressoou a grande mensagem cristã. Deus quis redimir os homens de jugo e do temor da morte. E o  fez de maneira muito sábia: sim, houve por bem “matar a morte” mediante a morte de Cristo; cumpriu assim a profecia de Oseias: “Ó morte, serei a tua morte” (Os 13,14)

O último artigo do nosso credo diz: “Creio na vida eterna”. A grande esperança cristã é esta: a vida não termina na morte, mas continua no além. Reza a liturgia católica: “Senhor, para os creem em vós a vida não é tirada, mas transformada”. No mundo temporal marcado pelas batidas do relógio, conheci Dr. Lomanto na igreja.

Evidentemente que não nesta. Mas, na Catedral Basílica de Salvador.  Os lugares em que nós nos encontramos marcam não apenas o espaço. Mas, onde estamos. Onde estamos quanto nos encontramos distante de Deus? Onde estamos quando preferimos outros lugares que não são o da nossa família?

É nosso dever acolher o seu corpo nesta Catedral. Igreja que tantas vezes o viu ajoelhar-se. Igreja que muitas vezes recebeu as suas doações, sua valiosa ajuda… Diante de nós está um devotíssimo filho de Santo Antônio. Ou como diz Padre João Batista, “o devoto número 1 de Santo Antônio”.

É nosso dever rezar pelos que governam. Afinal de contas, deles depende a sorte comunitária. Diante de Pilatos, governador, Cristo amigavelmente dialoga, e quando o procônsul lhe diz: “ Saiba que tenho o poder de libertá-lo ou fazê-lo morrer. Diz-lhe Jesus: Nenhum poder terias sobre mim se não te fosse dado do alto”. A verdadeira autoridade na terra tem suas raízes na onipotência de Deus.

A autoridade política de Lomanto fundamentava-se em sua fé expressada em princípios morais, particularmente, como ele mesmo se referia, “em servir e não ser

servido”. Ainda jovem, convenceu a Bahia a crer na esperança que nele se personificava no jinggle, “Lomanto, esperança do povo”.  Muitos anos depois, ludibriaram o povo fazendo-nos acreditar que a esperança vencia o medo. Triste Brasil.

Hoje o povo tem medo dos políticos. Emblemático que no dia de hoje, pela primeira vez na história do Brasil, um Senador da República é preso pela Polícia Federal.

O “devoto número 1 de Santo Antônio” hoje reza diante de Deus para que sua Bahia tenha mais esperança em dias melhores e que sua terra Jequié tenha mais sorte com seus políticos. Pois bem, o bom senso nos diz que a pátria precisa servidores leais. Não é tempo de dormir, é tempo de vigília. Em circunstâncias análogas, na antiga Roma, bradava o seu ainda incorruptível senado: “Providenciem cônsules para que a república não padeça qualquer mal”.

Agradeçamos a Deus pela vida de Lomanto. Vida que se foi a eternidade. História que se perpetuará na vida dos que acreditam em Deus e nele depositam suas esperanças.

Peçamos a Deus, pela interseção de Santo Antônio, nosso Padroeiro, que providencie homens e mulheres de boa vontade que possam servir a Deus e a seu povo pelo interesse do bem de todos.

Lembrava um célebre escritor, “Achamos que a vida é uma sonata que começa com o nascimento e deve terminar com a velhice (ou com a morte). Mas, isto está errado. Vivemos no tempo, é bem verdade. Mas é a eternidade que dá sentido à vida”.

O saudoso Dom Augusto Álvaro da Silva, mais conhecido na Bahia católica como Cardeal da Silva, escreveu um verseto que me foi presenteado por Lomantinho em que assim ele se despedida do então governador Lomanto Júnior:

“Bendito quem colhe rindo, no seio das multidões, as bênçãos que vão caindo de nossos corações. A minha gratidão, Excelência não tem ponto final. Tem reticências”

Daqui deste altar, em nome de todo povo de Jequié, desta Catedral de Santo Antônio, eleva-se a Deus a gratidão em muitas reticências que se transformam na oração de todos. Jequié, 25 de novembro de 2015.

Dom José Ruy G. Lopes

Bispo Diocesano

 

MULTIDÃO EMOCIONADA ACOMPANHA TODAS AS FASES DO FUNERAL DE LOMANTO JUNIOR EM JEQUIÉ

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Muito mais do que o esperado, desde o aeroporto de Ipiaú uma multidão de amigos, admiradores e eleitores deslocou-se de Jequié, Itagi, Aiquara, Ibirataia, Itagibá e demais municípios do entorno da cidade para ajuntar-se aos amigos ipiauenses que foram recepcionar a aeronave que transportava a família e a urna fúnebre que trasladou o corpo do ex-vereador e ex-prefeito de Jequié, ex-governador da Bahia, ex-deputado federal e ex-senador da República, Antônio Lomanto Júnior.

O percurso feito numa limusine da funerária foi acompanhado por carreata que durante sua passagem pelas avenidas do antigo município modelo e localidades  como Palmeirinha e Jitaúna, era saudado com lenços brancos pelo povo postado à margem da rodovia. Na chegada a Jequié, destino final da carreata improvisada, nas imediações do parque de exposições, incontáveis taxistas haviam estacionados seus automóveis para incorporar-se ao cortejo. Ao longo da travessia até o centro da cidade, motoqueiros incorporavam a comitiva, a população nas ruas, donas de casas nas janelas, saudavam o ilustre conterrâneo num último adeus àquele que soube construir amigos e esparzir toda a bondade do seu coração enquanto vida teve, seja como líder político, prefeito ou governador, ou simplesmente como aquele cidadão que utilizava o trajeto com destino à fazenda Floresta ao longo de mais de sessenta anos.

Na catedral, exposto na nave diante da imagem de Santo Antônio de Pádua, seu padrinho e padroeiro de Jequié, Lomanto foi tocado e beijado por pessoas simples, amigos constituídos no seio da população ao longo da vida, num dos momentos mais emocionantes do funeral.

 

Oradores de todos os segmentos discorreram sobre o corpo presente, sendo recorrente a referência da responsabilidade do seu neto, o deputado estadual Leur Lomanto Júnior em repetir a trajetória do avô, bem como assumir o seu legado de serviço e habitual disponibilidade. As homenagens se seguiram, culminando com a missa celebrada pelo bispo diocesano Dom José Rui Gonçalves Lopes, numa justa concessão do espaço para o último adeus a um dos mais assíduos fiéis, tendo repetido, na homilia, a célebre frase pronunciada pelo então cardeal arcebispo da Bahia, primaz do Brasil, Dom Augusto Alvaro Cardeal da Silva, um presente recebido há algum tempo do primogênito, Antonio Lomanto Neto, Lomantinho:

Bendito seja aquele que colhe, rindo, no seio das multidões, as bênçãos que vão caindo em todos os corações! A minha gratidão, Excelência, não tem ponto final: tem reticências…”

Na sequência, num clima de saudade e emoção, o corpo foi conduzido ao cemitério São João Batista num carro do corpo de Bombeiros, seguido por um número incalculável de pessoas. No sepultamento, o pronunciamento comovente de um dos filhos, o ex-deputado federal Leur Lomanto, levou às lágrimas, mesmo o mais duro dos espectadores. Silenciosamente, a multidão ouviu a prece final, representada pelo famoso jingle “Lomanto esperança do povo…” em versão instrumental. Um momento marcante.

Compareceram delegações de todos os recantos da região em busca de uma aproximação, ainda que fortuita, com aquele que representou  uma liderança significativa e uma alternativa de consulta sobre temas políticos por muitas décadas. Em todas, a convicção da força e do simbolismo da presença de Lomanto em vários momentos da vida dos municípios da região. Fica o legado de exemplos de cidadania, otimismo e esperança reiteradamente manifestada por um homem que não conhecia o sabor da derrota. Seus atos, seus feitos, sua presença e, sobretudo sua história confere a Antônio Lomanto Júnior, sem o risco de exageros, o emblema da imortalidade. Muita luz e muita paz, Lomantão!

 

LOMANTO JÚNIOR: UMA VIDA SERVINDO AO POVO!

tataiEdvaldo Santiago (professor Tatai)*

 

 

 

Aos noventa anos de idade, após uma existência toda ela dedicada à família, aos amigos e à política, soube ser gente, exemplar pai de família, amigos das horas incertas. Lomanto Júnior deixou saudades e amigos por todos os lugares por onde passou. Seu forte, a política. Foi correto, honesto, sempre ao lado dos mais humildes. Galgou quase todos os degraus da política, de vereador a governador da Bahia e Senador da República.

Como governador da Bahia, seu governo, difícil e cauteloso – período da revolução -, foi bem sucedido. Como ipiauense, correligionário e amigo dos seus familiares, só temos do ilustre governador, grandes lembranças e muitos afetos. A começar por d. Detinha e sua simplicidade.

lomanto com euclides e tatai

A foto ilustra o inesquecível governador, junto ao então prefeito de Ipiaú, Euclides Neto e o modesto presidente da câmara, Professor Tatai. Período da fundação do Gami, hoje Colégio Estadual de Ipiaú.

Há alguns dias, em nosso escritório, com a presença dos Jornalistas Wilson Midlej e José Américo, Professora Wanda e Pedagoga Jussara Midlej comentamos sobre a saúde do governador que ora nos deixa.

Agora, só nos resta, como toda a Bahia, todo o Brasil, lamentar a sua ausência. Para sua família nosso sentimento, nossa recordação de cidadão tão importante para todos que lidaram com ele.

*Edvaldo Santiago, foi alfaiate, é filósofo, professor, advogado e referência de cidadania para várias gerações de ipiauenses.

EX-GOVERNADOR LOMANTO JÚNIOR MORRE AOS 90 ANOS E DEIXA PERENE LIÇÃO DE HONRADEZ E ÉTICA

Fases LomantoPor Wilson Midlej*

Depois de algum tempo em estado de coma, morreu hoje (23) às 21:40h na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Português, o pecuarista e odontólogo Antonio Lomanto Júnior, líder político de toda uma geração, ex-governador da Bahia, tendo ocupado todos os cargos eletivos político partidários, à exceção da presidência da República.  Seu corpo será velado no Palácio da Aclamação e posteriormente trasladado para Jequié, sua terra natal, onde será velado na Catedral de Santo Antônio e sepultado no Cemitério São João Batista às 17:00h do dia 25 de novembro, quarta feira.

Lomanto no contexto histórico:

Referindo-se aos anos da década de 1960, o sociólogo Edgar Morin, que acompanhou o emblemático maio francês e, em seguida veio ver as passeatas brasileiras, falou em “Êxtase da História”. Outros pensadores, como Raymond Aron, analisou o recorte histórico europeu como “Psicodrama Coletivo”. O fato é que a década de 1960 foi de fundamental importância para a mudança de paradigmas no Planeta. No Nordeste do Brasil, Luiz Gonzaga fechava um ciclo musical para retornar tempos depois. Na Bahia, João Gilberto, com a Bossa Nova, criou uma intrigante batida, no violão, que ganhou o mundo. Tomzé, Caetano Veloso e Gilberto Gil projetavam o jeito baiano de compor e cantar, por todo o país. Glauber Rocha, a surpreender a América do Sul com o Cinema Novo; Jorge Amado a transpor, para o imaginário, a realidade do cotidiano da Bahia para o mundo. Na política, surpreendia a Bahia o jovem agricultor jequieense, odontólogo e ex-prefeito de Jequié, Antônio Lomanto Júnior que, num ato de arroubo e ousadia, conquistava o mandato de Governador deste estado aos 37 anos.

Com um caroço de feijão, na lapela, Lomanto realizou uma criativa e empolgante campanha; inicio de 1963, proclamado o resultado, desceu a suave ladeira da Catedral de Santo Antônio, em Jequié, rumo à Colina Sagrada do Senhor do Bonfim da Bahia. Ali, genuflexo, agradeceu a vitória obtida, antes da solenidade de posse no Palácio Rio Branco, sede do governo.

Questionava-se à época, sobre Lomanto: Direita? Esquerda? A multidão já havia respondido: “Lomanto é a esperança do povo, é gente nova, é sangue novo…”

Para o sertanejo de Jequié, depois de exercer o cargo de vereador, prefeito, deputado e agora governador, Lomanto continuava sendo o filho de seu Tote, marido de dona Detinha, pai de Lomantinho e Leur: um ilustre conterrâneo, extrovertido e generoso, gerado no ventre de dona Almerinda. Nascido para ser muito mais do que um mito, em Jequié. Consagrou-se uma lenda viva na memória do povo baiano!

Nesse início da década de 1960 foi deflagrada uma grande revolução comportamental e tecnológica como o surgimento do feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais, além da chegada da televisão – primeiro em preto e branco. O Papa João XXIII ao abrir o Concílio Vaticano II revolucionou a Igreja Católica. O homem chegou à lua, a equipe brasileira de futebol sagrou-se bicampeã mundial. Surgiram, ao mesmo tempo, movimentos de comportamento a exemplo dos hippies, com seus protestos contrários à Guerra Fria e à Guerra do Vietnã, o racionalismo. Era a contracultura se instalando, forte, no Brasil. Na América Latina, a Revolução Cubana levava Fidel Castro ao poder; na África e no Caribe dava-se início à descolonização com a gradual independência das antigas colônias.

Em meio a todas essas mudanças, Lomanto Júnior preservava aquele ar interiorano, bonachão, no qual prevalecia a simplicidade, a retidão. Em suas palavras, a sonoridade das frases curtas do sertanejo autêntico. Ele sabia discorrer, com segurança, sobre as temáticas da Bahia quando era convocado a falar em público: o entusiasmo do jequieense, já ficando famoso, prendia a atenção dos ouvintes em discursos vigorosos e contagiantes.

O golpe militar no Brasil, em abril de 1964, deu início aos chamados anos de chumbo, quando uma geração bronzeada, escancarada e comunicativa, trocava as ruas pela paisagem indefinida da clandestinidade, se enfurnava nos soturnos Aparelhos ou mergulhava nos subterrâneos das drogas, inicialmente com o uso da canabis sativa. Em seu rastro, intrincados caminhos do ácido e assemelhados, tão pesados quanto… Segundo o diretor de teatro Flávio Rangel, esses foram “tempos de nó na garganta”.

Lomanto, governador, resistia bravamente aos clichês que quiseram colar à sua imagem e ao seu mandato. Diante de tudo, compreendia a avidez dos adversários em imputar-lhe alguma culpa ao passar, incólume, pela tempestade das emboscadas políticas. Sutilmente, encorajava os jovens a deixar crescer os cabelos e a imaginação, enquanto amavam os Beatles e os Rolling Stones, protestavam ao som de Vandré, Caetano e Chico. Via-os entrar em filas para assistir cenas geradas por Glauber ou Godard. Observava que eles viviam com a alma incendiada de paixão e rebeldia, muitas vezes em caminhos opostos aos de seus pais: alguns deles, seus velhos amigos. Com autoridade, intervia, aconselhava, usava sua influência junto aos militares, não guardava nenhum tipo de ódio ou rancor no coração… Enquanto assistia o amadurecimento dessa geração, nascia a sua única filha, Lílian.

A ditadura prosseguia, ao longo da década, trocando, apenas de ditadores. Nesse período ele testemunhou, na condição de deputado federal, as alternâncias de estilos e personalidades que não contaram com a participação do povo nas urnas – única forma que conhecia de chegar ao poder, tal como era acostumado, desde a vereança em Jequié, até atingir o senado da República. Sempre pelo voto popular.  Nos estranhamentos, acompanhou atentamente a repercussão do sucesso de Terra em Transe de Glauber Rocha, filho de Adamastor, seu amigo desde Conquista – agora com uma loja na esquina da Rua Chile, onde ele comprava suas cuecas coloridas. Viu Quarup na TV, o Tropicalismo – com suas combinações mais esdrúxulas; Alegria, Alegria com o menino de Santo Amaro.  Soube do Rei da Vela e não entendia muito bem a sua importância para a denominada contracultura brasileira. Vislumbrava apenas que tudo fora gerado como reação ao golpe de 64, até então considerado revolução. Em meio a tudo isso, o casal ampliou a família com mais dois filhos: Tadeu e Marcos.

Tempos depois, já identificado como avô de Leur Lomanto Júnior, que viria a ser deputado estadual, foi prefeito de sua Jequié pela terceira vez, após derrotar, pelas circunstâncias impostas, o seu afilhado político e filho do coração, Ewerton Almeida, o Tom Legal. Amiúde lambuzava-se de sorvetes, de vários sabores, numa sorveteria da esquina da Sete de Setembro em sua terra… Nessas ocasiões, com a proximidade permitida pela idade, que chegava, Lomantão brincava em rodas de jovens admiradores, entusiasmados com a rica trajetória do velho líder.  Certa vez contou que, ao deixar o palácio Rio Branco na Rua Chile, pela última vez – para dirigir-se à residência oficial no Campo Grande – não lhe surpreendeu a multidão que o esperava para o derradeiro gesto como governador da Bahia. Antes de saudar o povo, ouviu de um assessor: “A Polícia Militar informa que, em sua avaliação, há cerca de oitenta mil pessoas lá embaixo, dispostas a acompanhar-lhe até o Aclamação”. Lomantão, com seu vozeirão inconfundível, retrucou: “Só? Estou sem prestígio!” No ambiente, muitos risos…

Era 7 de abril de 1967. Nesse dia, a Bahia assistia à maior manifestação feita a um político que deixava o poder. A multidão acompanhou-o, a pé, até ao Campo Grande, onde entraria, pela última vez, na residência oficial do governador – o Palácio da Aclamação. A caminho da sua nova morada, o seu apartamento no edifício Guilhermina, no Campo Grande, atravessou a rua dirigindo-se ao seu vizinho ilustre, morador do Palácio Episcopal – Dom Augusto Cardeal da Silva, Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil. Dom Augusto, padre amigo e confidente, recebeu-o num emocionado abraço, tendo em seguida expressado a célebre frase que Lomanto relembrava e pôde repetir, ao longo da vida:

“Bendito seja aquele que colhe, rindo, no seio das multidões, as bênçãos que vão caindo em todos os corações! A minha gratidão, Excelência, não tem ponto final: tem reticências…”

Pelos ditos e não ditos, o jequieense Antônio Lomanto Júnior deixou marcas humanísticas profundas e indeléveis, em toda a sua trajetória pessoal e política. Mais ainda nos quatro anos em que governou nosso estado…

lomanto-junior

Hoje, diante de sua passagem para o mundo espiritual, toda a Bahia e, em especial, sua querida Jequié, encontram-se de luto e silenciam, em despedida. Prevalece o respeito à memória de um dos mais importantes e ilustres baianos do século XX: talvez o mais amado e o maior governador de sua história!

*Wilson Midlej é jornalista

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL QUER CASSAR LICENÇAS DE CERCA DE 50 RÁDIOS DE DEPUTADOS BAIANOS

radios

Algumas emissoras de rádio da Bahia podem ficar fora do ar. Isso quem pretende fazer é o Ministério Público Federal, autor de um processo contra políticos donos de rádio e TV. São 32 deputados federais e oito senadores, sócios de emissoras pelo país. Os parlamentares baianos citados são José Nunes (PSD), José Rocha (PR) e Félix Mendonça Júnior (PDT), sabe-se entretanto que a maioria das emissoras baianas conta com um político no quadro de sócios, com José Nunes, que aparece como dono da Rádio Cidade; Félix das rádios FM Macaubense; Patrocínio e Rocha das rádios Rio Corrente e Alegre Radiodifusão.

Essas informações constam da publicação da Folha de São Paulo deste domingo (22). Outras rádios de Salvador e do interior da Bahia estão na mira da justiça. Tudo porque o deputado Antônio Bulhões (PRB), parte do processo, aparece como titular da licença. Outras empresas do membro do partido ligado a Igreja Universal também estão na lista. O ex-presidenciável Aécio Neves (PSDB/MG) e o ex-presidente de hoje senador, Fernando Collor (PTB/AL) também figuram na relação. Segundo a reportagem o rol ainda traz políticos influentes, como Edison Lobão (PMDB/MA), José Agripino Maia (DEM/RN), Jader Barbalho (PMDB/PA) e Tasso Jereissati (PSDB/CE).

A medida visa a democratização da condução dos meios de comunicação social brasileiros, facilitando o acesso à concessão, por parte dos empresários e dos profissionais empreendedores individuais, no entanto existe evidências de que as rádios locais não representam atrativos como atividade lucrativa. A maioria dos políticos que detém o controle dessas emissoras visa o lucro intangível, representado pela massificação do seu nome, veiculação das notícias do seu interesse e, finalmente, do veto ao acesso das pessoas consideradas por eles inconveniente para o seu projeto político.

Mas, só em popularizar o processo licitatório já é um avanço nas comunicações sociais, cuja liberdade plena de expressão estava, até pouco tempo atrás,  ameaçada de recrudescimento do controle por parte das autoridades federais. Vamos aguardar o desfecho das ações do MPF.

 

ARGENTINA ESTÁ LIVRE DOS COMUNISTAS DO FORO DE SÃO PAULO – MAURÍCIO MACRI É O NOVO PRESIDENTE

Os tempos começam a mudar no cone sul da América

Os tempos começam a mudar no cone sul da América

Os argentinos foram às urnas neste domingo, 22 de nov, para escolher um novo governo, um novo presidente e respirar um ar palatável. A Era dos Kirchners chegou ao fim por meio do voto. Isso é o inferno para os comunistas. Voto democrático, sem fraudes. Números serão divulgados logo mais.

Mauricio Macri, nasceu em 8 de fevereiro de 1959, em Tandil, Buenos Aires é um empresário, engenheiro civil e político argentino de centro-direita, chefe do governo de Buenos Aires. Estudou na Universidade Católica Argentina. Mauricio Macri também exerceu cargos administrativos no futebol, sendo que no periodo entre 1995 e 2007 presidiu o Boca Juniors.

Filho do empresário ítalo-argentino Franco Macri, ícone do capitalismo argentino nos anos 80 e 90.  No início dos anos 90 trabalhou durante um breve período nas empresas do pai. Em 1995 independizou-se da figura paterna e foi eleito presidente do Boca Juniors. No comando do time – transformado em uma máquina de marketing esportivo – tornou-se uma figura conhecida do grande público.

EM SALVADOR, LULA É VAIADO E PEDE QUE OPOSIÇÃO COMPARE SITUAÇÃO DO NEGRO HOJE E FORA DOS GOVERNOS DO PT

 

Sinal dos tempos e reflexo dos malfeitos: Lula fala para um pequeno número de ouvintes em Salvador.

Sinal dos tempos e reflexo dos malfeitos: Lula fala para um pequeno número de ouvintes em Salvador.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a oposição precisa “colocar a mão na cabeça e pensar no que eram as negras e os negros antes dos governos do PT no Brasil”. Em discurso, nesta sexta-feira (20), durante a Caminhada da Liberdade, promovida em Salvador para celebrar o Dia da Consciência Negra, Lula ressaltou as “conquistas” que o PT proporcionou ao povo negro. “Tenho consciência de que o que já foi feito são conquistas. Uma das grandes conquistas foi o estatuto da igualdade racial. Esse século 21 tivemos momentos importantes na nossa história. Eu duvido que qualquer cientista político faça pesquisa para ver se em qualquer momento do país tiveram tantas negras e negros nas universidades”, desafiou. Para o petista, a oposição precisa refletir, hoje, sobre a situação da população negra. “Eu sei que tem gente que não gosta da gente, sei que tem divergência. Queria que as pessoas que discordem de nós, colocassem a mão na cabeça e pensassem no que eram as negras e os negros antes do PT nesse país”, pediu, ao completar: “sei que ainda falta muito a ser feito, mas nunca na história dessa país. Nunca um negro teve oportunidade de ser doutor, engenheiro e não só ajudante de pedreiro nas grandes capitais. Nunca nesse país se deu oportunidade às meninas para ser médicas e não só empregadas domésticas”. Apesar de elencar os avanços, Lula reconheceu que ainda “há muito a ser feito”. “O movimento negro precisa estudar quais são as conquistas que a gente deseja, pois a luta do povo é infinita”, concluiu. Antes de ser anunciado, o ex-presidente foi vaiado pelos participantes da caminhada.

Bahia Notícias

JORNALISTA SERGIO MATTOS LANÇA LIVRO EM JEQUIÉ NO PRÓXIMO SÁBADO (28)

ESTADO DA BAHIA

CÂMARA MUNICIPAL DE JEQUIÉ

“Casa de Zenildo Tourinho”

A Câmara Municipal de Jequié em parceria com a Academia de Letras de Jequié e a Associação Jequieense de Imprensa, tem a honra de convidá-lo(a) para o lançamento do livro “Vida Privada no Contexto Público”, 49ª obra literária do jornalista e professor Sergio Mattos.

Data: 28 de novembro de 2015 (sábado)

Horário: 19 horas

Local: Plenário da Câmara Municipal de Jequié

Eliezer Pereira Filho (Fiim)

Presidente

 

                                                    Solicitamos confirmação de presença     –    comunicação@camaradejequie.ba.gov.br ou (73) 3528-8616

Sergio Mattos em debate, seguido de noite de autógrafos em Feira de Santana

Sergio Mattos em debate, seguido de noite de autógrafos em Feira de Santana

ROTARY: GOVERNADOR EM VISITA A JEQUIÉ

Rotary-visita-do-Governador-

Começou nesta terça (17), com a recepção organizada pelo Rotary Club Jequié Cidade Sol, a série de visitas do governador do Distrito 4550 do Rotary aos clubes em Jequié. Dos quatro clubes existentes dois estão sendo visitados pelo governador Leonardo César.

A reunião festiva, que se transformou em Assembleia Geral teve lugar na sede que fica no bairro do Jequiezinho e contou com a presença do comandante do 19º BPM major Motta Lima, do comandante em exercício do 8º GBM , major Fanelli, presidente e diretores de outros clubes da cidade, Jarolina Rodrigues, presidente dos Rotary Jequié, Marcos Ferreira, presidente do Rotary Club Jequié Norte, presidentes locais do Rotaract e Interact, Convidados e visitantes, além do governador eleito do Rotary para o próximo biênio, 2016/2017, Luiz Augusto.

A presidente do Rotary Club Jequié Cidade Sol, Elisangela Pedroso Silva disse da satisfação em receber o governador do Distrito 4550, fez um relato das atividades em curso e concluiu afirmando que  “ (…) este é um momento de festa para os rotarianos de Jequié quando recebem a visita do governador acompanhado de sua esposa para, numa visita de cortesia, compartilhar de momentos de alegria e companheirismo entre nós”. Fonte: Blog de Ari Moura