Archive for julho, 2015

133 PREFEITOS CORREM RISCO DE INELEGIBILIDADE

Confira lista com prefeitos com contas rejeitadas no exercício de 2012 e que estão sujeitos à inelegibilidade, conforme relação do TCM.

Prefeitos considerados ordenadores de despesas terão, a partir de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do ano passado, seus atos julgados pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), e não mais pelas Câmaras de Vereadores, que continuam com o poder de julgar as contas anuais. Nesse caso, estão sujeitos à inelegibilidade os prefeitos que tenham seus exercícios financeiros pontuais reprovados pelos tribunais de contas ou que tenham contra si termos de ocorrência ou denúncia, sem que o julgamento final fique com as Câmaras de Vereadores. Na lista da corte de contas baiana, conforme a Tribuna apurou, estão nada menos que 133 gestores, dentre eles o ex-prefeito de Salvador João Henrique, hoje sem partido, mas que já tem planos de retornar a vida pública em 2016 e pode ver o ‘sonho’ naufragado.

O conselheiro e presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM), Francisco Andrade Neto, afirmou que a decisão do TSE chama a atenção para a responsabilidade do Tribunal. “Confirmou o entendimento das cortes de contas de todo o Brasil, contra o qual se insurgiram alguns gestores. Às Câmaras de Vereadores cabe o julgamento político. O tribunal julga as contas públicas dos ordenadores de despesa e verifica se os princípios constitucionais da economicidade, razoabilidade, publicidade, moralidade, legalidade, impessoalidade e eficiência na aplicação dos recursos públicos foram respeitados. Ou seja, se os recursos públicos estão sendo aplicados de forma a gerar o maior benefício para a sociedade”, descreve o conselheiro.

Ainda de acordo com Neto, as Casas Legislativas não perderão a prerrogativa de julgar as contas. “As Câmaras continuarão a exercer o julgamento das contas de governo do prefeito. As suas tarefas e responsabilidades, definidas no parágrafo 2º do art. 31 da Constituição Federal, não foram alteradas e são indispensáveis no regime democrático”, aponta.

Especialistas veem lei como complexa

Já para o advogado J. Pires, especialista em Direito Eleitoral, a situação é mais complexa do que parece. Realçando a importância da matéria e conclamando aos órgãos representativos como TCM, UPB, UVB e TRE a uma discussão maior sobre o tema, ele afirma que “realmente a Lei complementar 135/2010, alterou a Lei Complementar 64/90, denominada Lei das Inelegibilidades”. “Ao proceder essa alteração, ela trouxe duas importantes mudanças para o citado dispositivo. Assim, pelo diploma atual, para efeito de inelegibilidade, a lei exige que as contas tenham sido rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa.

A outra mudança constante da parte final da alínea ‘g’ da referida lei é que se aplica a todos os ordenadores de despesas, sem exclusão de mandatários, como disposto no artigo 71, inciso II, da Constituição Federal. E está hipótese é que verdadeiramente representa a grande mudança e que se traduz em verdadeiro prejuízo aos atuais gestores”, explica o advogado especializado na área de Direito Público Municipal, J. Pires, que prossegue: “Com essa mudança na alínea ‘g’, a legislação deu força de julgamento às decisões dos tribunais de contas dos municípios aos denominados termos de ocorrência ou denúncia. E o prejuízo ocorre na medida em que os julgamentos realizados pelo tribunal de contas não asseguram o chamado amplo direito de defesa, que não se traduz apenas em tomadas de informações como faz o TCM”.

“O amplo direito de defesa constitui-se em todos os meios permitidos pelo direito brasileiro. A consequência é danosa em favor dos atuais gestores que têm direitos à reeleição, ainda que tenha tido uma conta aprovada, mas no decorrer do seu mandato teve um termo de ocorrência julgado procedente em desfavor e que pode, em tese, deixar ele inelegível. Basta que a aquele ato se configure em improbidade”.

Presidente da UPB cita problemas na decisão do TSE

A prefeita de Cardeal da Silva e presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Maria Quitéria, integra o time de críticos contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que dá a prerrogativa de punir prefeitos ao Tribunal de Contas dos Municípios. Para tentar reverter a situação, a gestora conta que a entidade representativa das prefeituras baianas está se articulando para ir a campo combater a resolução. “A gente está formando na UPB um grupo de trabalho com algumas discussões e ouvindo alguns advogados. O TCM é um tribunal, mas é opinativo. A gente não tinha, até então, esses casos, mas nos surpreendemos por conta da perda da prerrogativa da Câmara, que é quem teria essa função”, explica.

Maria Quitéria acredita que a determinação da Justiça Eleitoral vai impactar diretamente nas eleições municipais do ano que vem. “É uma questão de coerência até. Não tem nenhum prefeito que não teve nenhum termo de ocorrência ou multa. Não vai ter ninguém que se salve. Vale ressaltar que não é o gestor sozinho, tem um corpo técnico que responde por isso. Tem muitos agravantes, os termos de ocorrências as vezes levam até três anos para serem sanados. Sem contar a grande quantidade de processos que tramitam dentro do tribunal”, diz a gestora.

“A Corte de contas é também autoridade competente para julgar os exercícios dos prefeitos nas hipóteses que eles atuem na qualidade de ordenadores de despesas, que quer dizer contas de gestão”, explicou o ministro Gilmar Mendes, na ocasião em que a decisão foi aprovada no TSE.

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ADVOGADA DIZ QUE ENCERROU CARREIRA DEVIDO A AMEAÇAS DE MEMBROS DA CPI

Comissão convocou Beatriz Catta Preta para explicar origem de honorários. Presidente da CPI disse que convocação foi unânime e não há perseguição.

Beatriz Catta Preta2A advogada Beatriz Catta Preta afirmou em entrevista ao repórter César Tralli, na edição desta quinta-feira (30) do Jornal Nacional, que decidiu deixar os casos dos clientes que defendia na Operação Lava Jato porque se sentia ameaçada e intimidada por integrantes da CPI da Petrobras. Ela disse que, devido às supostas ameaças, fechou o escritório e decidiu abandonar a carreira.

Após a aprovação no último dia 9 do requerimento que a convocou para depor à comissão, a advogada desistiu de continuar defendendo três clientes que fizeram acordo de delação premiada no âmbito da investigação do esquema de corrupção na Petrobras. A CPI quer que ela explique a origem do dinheiro recebido a título de honorários.

Indagada sobre quais eram os autores das supostas tentativas de intimidação, Catta Preta respondeu: “Vem dos integrantes da CPI, daqueles que votaram a favor da minha convocação”, declarou.

Sem citar nomes, Catta Preta, especializada em acordos de delação premiada, disse que decidiu encerrar a carreira a fim de zelar pela segurança da família.

“Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela segurança da minha familia, dos meus filhos, eu decidi encerrar a minha carreira na advocacia. Eu fechei o escritório”, declarou.

A advogada disse na entrevista ao JN que recebeu ameaças de maneira “velada”. “Não recebi ameaças de morte, não recebi ameaças diretas, mas elas vêm de forma velada, elas vêm cifradas”, disse.

Beatriz Catta Preta atuou em nove dos 18 acordos de delação premiada firmados por investigados da Operação Lava Jato com o Ministério Público. Esses nove delatores são os executivos Júlio Camargo e Augusto Mendonça (Toyo Setal); o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco; o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, a esposa dele, as duas filhas e dois genros. Embora tenha atuado nesses nove casos, se mantinha na defesa de três – Barusco, Julio Camargo e Augusto Mendonça.

Membros da CPI contestam

O deputado Hugo Motta afirmou por meio da assessoria que a convocação para depoimento não significa perseguição à advogada.

“O requerimento de convocação da advogada Beatriz Catta Preta foi aprovado por unanimidade no plenário da CPI da Petrobras. A vontade de investigar a origem dos honorários da advogada é suprapartidária, o que afasta de vez a acusação de perseguição”, declarou em nota. Após a exibição da entrevista no Jornal Nacional, o parlamentar divulgou nova nota à imprensa, na qual classifica as declarações de Catta Preta como ‘equivocadas’.

O autor do requerimento de convocação da advogada, deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), disse que apresentou o pedido dentro do seu direito de cidadão e de deputado e afirmou que a aprovação foi consensual.  Segundo ele, Beatriz Catta Preta não será intimidada pela CPI.

Catta Preta afirmou na entrevista que passou a sofrer intimidação depois que o empresário Júlio Camargo, que ela defendia, mudou o teor do que tinha afirmado.

Inicialmente, em depoimento do acordo de delação premiada, ele disse que não tinha conhecimento de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras de pessoas com foro privilegiado. Depois, declarou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tinha pedido US$ 5 milhões de propina – o deputado nega.

Depois da revelação, Catta Preta foi convocada para depor à CPI. “Vamos dizer que [depois do depoimento de Júlio Camargo] aumentou essa pressão, aumentou essa tentativa de intimidação a mim e à minha família”, declarou.

Indagada sobre o motivo pelo qual Júlio Camargo não tinha mencionado Eduardo Cunha inicialmente, a advogada disse que foi por medo. “Receio. Ele tinha medo de chegar ao presidente da Câmara”, disse. Segundo ela, ele mudou de ideia devido “à colaboração dele, a fidelidade, a fidedignidade da colaboração, o fato de que um colaborador não pode omitir fatos, não pode mentir”.

De acordo com a advogada, Camargo apresentou provas. “Todos os depoimentos prestados sempre vieram respaldados. Com informações, dados, documentos, provas definitivas. Nunca houve só o dizer por dizer”, declarou.

Eduardo Cunha

Nesta quinta, Eduardo Cunha não quis falar sobre o assunto. “Eu não comento sobre isso. Eu não comento isso. Então, pergunte à CPI. Sobre isso eu não falo”, declarou.

O advogado do deputado, Antonio Fernando de Souza, disse que as declarações de Beatriz Catta Preta não fazem sentido, uma vez que Júlio Camargo já havia negado o envolvimento de Cunha publicamente. No entendimento do advogado, as declarações da advogada dão a impressão de “coisa montada”.

Antônio Fernando voltou a negar veementemente o envolvimento do presidente da Câmara nas fraudes e disse ter certeza de que Júlio Camargo não tem nenhum documento que ligue Eduardo Cunha às irregularidades.

Honorários

Catta Preta negou ter recebido mais de R$ 20 milhões de honorários. “Esse número é absurdo. Não chega perto da metade disso”, disse. Segundo ela, o dinheiro foi recebido no Brasil por meio de transferência bancária ou em cheque, com emissão de nota fiscal e recolhimento de impostos.

Nesta quarta, a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, criticou a convocação pela CPI e autorizou a advogada a não se manifestar à comissão sobre assuntos que envolvam sigilo profissional, como o recebimento de honorários advocatícios. A data do depoimento da advogada à CPI ainda não foi marcada.

“Se eu tiver que ir à CPI, infelizmente tudo o que eu vou poder dizer a eles é que eu mantenho o sigilo profissional e não vou revelar nenhum dado que esteja protegido por sigilo”, declarou.

Estados Unidos

A advogada também afirmou na entrevista que não se mudou para Miami (EUA) em razão das supostas ameaças, mas viajou de férias com os filhos para os Estados Unidos, onde permaneceu por 34 dias.

“Nunca cogitei sair do país ou fugir do país como está sendo dito na imprensa”, disse.

Fonte: G1

JUROS DO CHEQUE ESPECIAL É O MAIOR DESDE 1995

chequeOs juros do cheque especial alcançaram 241,3% ao ano. É o maior patamar desde dezembro de 1995, em quase 20 anos, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (30). Em maio, a taxa estava em 232% ao ano.

Isso significa que o consumidor que fizer uma dívida de R$ 1.000 no cheque agora vai dever ao banco, daqui a 12 meses, incríveis R$ 3.413.

Os juros cobrados pelos bancos nesta linha de crédito tiveram forte aumento nos últimos meses. No fim de 2013, estavam em 148,1% ao ano. O crescimento, portanto, foi de 93,2 pontos percentuais nos últimos 18 meses.

Cartão de crédito

Segundo o BC, os juros do cartão de crédito rotativo, que incidem quando os clientes não pagam a totalidade de sua fatura, atingiram expressivos 372% ao ano em junho – a mais alta de todas as modalidades de crédito. Em maio, estavam em 360,5% ao ano.

O patamar de maio é maior desde o início da série histórica, em março de 2011. O BC tem recomendado que os clientes bancários evitem essa linha de crédito.

Juntamente com o cheque especial, os juros do cartão de crédito rotativo são os mais caros do mercado e, segundo especialistas, devem ser evitados pelos consumidores, ou utilizados somente por um período curto de tempo.

Alta dos juros básicos da economia

O aumento dos juros bancários acompanha a alta da taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para tentar conter as pressões inflacionárias.

Desde outubro do ano passado o BC vem subindo os juros ininterruptamente. Naquele momento, a taxa estava em 11% ao ano. No fim de maio, já havia avançado para 13,75% ao ano, um aumento de 2,75 pontos percentuais. Os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira mais intensa.

“New York Times” e rentabilidade dos bancos brasileiros Reportagem publicada recentemente pelo jornal norte-americano “The New York Times” diz que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os dos cartões de crédito em mais de 240% ao ano e de 100% cobrados pelos empréstimos bancários.

Economistas avaliam que o consumidor deve tentar evitar ao máximo o uso do cheque especial e do cartão de crédito rotativo por conta das altas taxas cobradas pelas instituições financeiras.

Para eles, estas são linhas de crédito para momentos de extrema necessidade e devem ser usadas por um período curto de tempo.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Economatica para a BBC Brasil, apesar da desaceleração econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 – mais do que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%).

Consignado, crédito pessoal e veículos

No caso das operações de crédito pessoal para pessoas físicas (sem contar o consignado), de acordo com o Banco Central, a taxa média cobrada pelos bancos somou 111,9% ao ano em junho, contra 111,3% ao ano em maio. Nesse caso, houve uma alta de 0,6 ponto percentual.

Ainda segundo o BC, a taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras nas operações do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) somou 27,3% ao ano em junho – mesmo patamar de maio. É a taxa mais alta desde abril de 2012 (27,5% ao ano). Essa permanece sendo uma das linhas de crédito com menor taxa de juros do mercado.

Segundo o BC, a taxa média de juros para aquisição de veículos por pessoas físicas, por sua vez, somou 24,7% ao ano em junho, contra 24,8% ao ano em maio deste ano.

As vacas foram pro brejo

vaca tussaAntes das eleições alguns analistas previram a enxurrada de aumentos que ora se constata e em qualquer roda de discussão os militantes petistas rebatiam veementemente essas afirmações alegando que eram argumentos visando impedir a reeleição de Dilma Rousseff, que, por sua vez alardeava que não haveria mudanças na economia nem alteração nos direitos dos trabalhadores “Nem que a vaca tussa”.

Só providenciando xaropes para todas as vacas brasileiras… Onde encontrá-las? Elas estão indo pro brejo.

EMPRESÁRIO QUE DENUNCIOU ESQUEMA DA LAVA JATO QUER PEDIR ASILO À ALEMANHA

“O Brasil acabou para mim”, afirma o empresário gaúcho Hermes Freitas Magnus, de 44 anos. Ex-parceiro de negócios do ex-deputado federal José Janene (PP-PR) em uma fábrica de equipamentos industriais em Londrina, no Paraná, Magnus foi o responsável por uma série de denúncias que serviram de ponto de partida para o inquérito que culminou na Operação Lava Jato. Depois do início do escândalo, ele afirma ter sido abandonado pela Justiça brasileira. Em entrevista para a DW Brasil em Berlim, o empresário, que passou os últimos meses em Portugal, afirma que agora pretende pedir asilo político ao Estado alemão.

As primeiras denúncias de Magnus foram enviadas à Justiça ainda em 2008. Na ocasião, ele mandou e-mails e documentos em que relatou movimentações financeiras que Janene e o doleiro Alberto Youssef estavam fazendo na sua empresa, a Dunel Indústria e Comércio Ltda. O Ministério Público Federal aponta que Janene, que morreu em 2010, e outros membros da quadrilha investiram na empresa de Magnus para lavar recursos desviados para o Mensalão.

Em 2009, Magnus deixou o país pela primeira vez e foi para os Estados Unidos por dois anos. Ele diz que na época estava sofrendo ameaças. A partir do ano passado, quando a Lava Jato foi deflagrada, ele liquidou seus últimos negócios no Brasil e passou a preparar sua mudança para Portugal, onde já havia aberto uma filial da empresa em 2013.

Empresário Hermes de Freitas Magnum

Empresário Hermes de Freitas Magnus

Questionado sobre a causa do pedido de asilo, Hermes Freitas Magnus foi enfático:

“Quero ir para um lugar seguro para passar uma borracha na minha vida. O Brasil acabou para mim. Entre 2009 e 2014, eu tentei recuperar minha empresa, mas depois do início da operação, ninguém mais quis fazer negócios comigo. Hoje moro em Portugal com um visto temporário. Eu queria asilo, mas me disseram que seria melhor pedir um visto de residência. Eu concordei, mas a coisa não vem andando desde então. Estão colocando empecilhos e dificuldades. Recentemente, graças a uma intervenção da [ONG] Transparência Internacional, em Portugal, recebi uma prorrogação do meu visto por 90 dias. Mas o prazo vai acabar. Acho que não querem a responsabilidade de me proteger. É horrível. Você não consegue ter planos de longo prazo. Meu sonho é recomeçar, ter minha empresa em outro país. Meu hobby é fazer máquinas. Só sei fazer isso”. Continue lendo  Read the rest of this entry »

VERAS: NOS DOIS LADOS DA MOEDA

Zé AmericoPor Zé Américo

 

 

A extravagância era a sua marca registrada. Do mesmo jeito que tratou as celebridades que compartilharam os seus momentos de fausto, considerou os mendigos que o acolheram nos obscuros espaços das sarjetas. Divaldo Angelin Veras cunhou a sua imagem nos dois lados da moeda. Nunca evidenciou qualquer tipo de arrependimento e anarquizou enquanto pôde. Escandalizou de todo jeito.

“É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso”. Repetia os dizeres do poeta inglês Charles Baudelaire, como a própria afirmativa de sua existência.

A história de Veras foi contada pelos mais importantes órgãos da imprensa nacional (Fantástico, Isto É, Jornal do Brasil, A Tarde), tornou-se tema de filmes e documentários, motivou debates, estudos sociológicos. Esnobava ao dizer que tinha ensinado os cacauicultores da região de Ipiaú a gastar dinheiro. Estes nem sequer assistiram “ao formidável enterro da sua última quimera”. Foi sepultado como indigente.

“Nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do seu quarto”, Veras plantou provocações.

Percorreu o mundo, desfrutou luxúrias, promoveu festas imensas, teve “amigos” famosos: Pelé, Fernanda Montenegro, Amália Rodrigues, Sônia Braga, Carlos Bastos, Michael Douglas, Lennie Dale, Dzi Croquettes. Morou em Nova York, tinha apartamento no Leblon, desfilou em carrões pela Avenida Paulista, trajou-se como príncipe, cortejou mulheres lindas, guapos de encomenda. Tinha aviões e era habilidoso pára-quedista.

Nos psicodélicos anos 60/70 foi dono da boate Anjo Azul, point da vanguarda e fermentação cultural soteropolitana. Ali, em uma noite de muita loucura, namorou a pop star Janes Joplin. Tempos depois, definiu a roqueira como “Feia e Fedorenta”..

Veras falava cinco idiomas, fazia poesias, colecionava obras de arte e casou-se com uma das filhas do milionário Edízio Muniz Ferreira, o maior cacauicultor do mundo. Nas sucessivas orgias, “cheirou” toda a fortuna que fisgou. Ficou duro, mas não perdeu a ternura.

Sem grana, foi abandonado pelos famosos, em compensação ganhou o acolhimento dos mendigos. No Porto da Barra, em Salvador, era o único, dentre eles, que pedia esmola em inglês. Isso lhe garantia a proteção dos demais. Dividia com todos o que recebia dos gringos.

Trouxeram-no de volta a Ipiaú. Não aceitou tutelas e passou a morar em um beco dos “Dez Quartos”, antigo brega da cidade. Ali bebia, fumava, atendia à malandragem, concedia entrevistas, escrevia e lia. Lia muito. Jean Ginet, Rimbaud e Baudelaire eram os seus autores prediletos.

De Baudelaire repetia: “Para não sentirdes o horrível fardo do tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar”.

A escritora Regina Echeverria escreveu a biografia de Cazuza e queria fazer o mesmo em relação a Veras. A Editora Corrupio publicaria o livro. Poesias inéditas e outros relatos completariam a obra. O projeto não vingou e os originais se perderam. Veras pouco se importou com isso.

A ele bastava declamar os poemas que ainda guardava na memória:

-“Habita em mim um ser que veste hábito, que prometeu sempre me levar em direção ao puro e sacrossanto, quando o meu eu pensa que não há. Espero sempre o meu, eu, velho monge, adormecer para o meu eu, jovem, na vida, se atirar. Se arriscando às ilusões da vida que o meu eu, velho monge, sabe que há”.

Veras viveu seu tempo de sonhos e pesadelos. Se algum dia acordou para a realidade, teve imediata vontade de dormir! Morreu, aos 67 anos de idade, sozinho, sabendo que foi passageiro passarinho.

A ele dediquei o poema:

“Se os palácios dourados ficassem em eternidades, não te farias passarinho e nem de migalhas te alimentavas.

Das vezes de versos e verdades, das tardes de verão em noites, açoites de sonhos perdidos, numa primavera distante.

Às vezes tão verde e noutras maduro. Brilhantes nos olhos mendigos.

Meninos pintados no muro, donzelas em carruagens fantásticas, mascaras de festas constantes, instantes de dias passados. Presente nos passos trôpegos.

Louco por mais que feliz; pouco por tudo que diz; raiz de uma flor no deserto.Certo por mais que infeliz.

Um dia se fez querubim, entre as flores da beira do rio, frente às portas da zona boemia. Fino trato nos “Dez Quartos”.

Subindo num canto tardio, sem aceitar desafio, sumindo na paisagem da tarde. Viagem nos séculos sem fim”.

Jamais verás outro assim.

*José Américo da Matta Castro é jornalista e poeta. Texto escrito em Ipiaú a 31/8/2006

Veras

LULA APRONTA MAIS UMA DE SUAS CAFAJESTADAS

Marcelo MadureiraPor Marcelo Madureira*

 

                                                                 

Lula, o ex-presidente em exercício, é cafajeste até não mais poder (com trocadilho, por favor). Percebendo o tamanho e a profundidade do buraco em que meteu o PT e a presidente Dilma, prepara mais um golpe. Aliás, coisa corriqueira em sua trajetória de vida. Lula resolveu agora virar “oposição” do seu próprio partido e transformar-se no maior crítico de sua criatura, a mãe do PAC e gerente competente, Dilma Vana Rousseff.

O Brasil já perdeu muito tempo com o Lula e o lulismo. Uns 20 anos pelo menos. Imaginem o incrível salto para adiante que o país poderia ter dado se o Lula tivesse um miligrama de estadismo, preparo e entendimento da História. Além de herdar o Brasil “arrumado” do governo FHC, tinha cacife político para aprofundar as reformas estruturais que a Nação tanto precisa. Poderia, mercê da conjuntura internacional positiva, ter realizado grandes investimentos em Educação, Infraestrutura e Saúde. Poderia, enfim, ter entrado para a História pela porta da frente. Mas, como dizia o Barão de Itararé, o bisavô dos humoristas: “de onde menos se espera, é de lá que não sai nada mesmo”.

Lula preferiu chafurdar na lama do patrimonialismo, da demagogia, da incompetência e da desonestidade, e ninguém deveria se surpreender com isso.

Um breve exame da biografia do Lula (ou será prontuário?) não deixa a menor dúvida do que nos esperava ao dobrar a esquina.

Oriundo de família desfuncional, como tantas no Brasil, o problema do Lula não foi ter nascido pobre. Milhões de brasileiros nascem e morrem pobres.

Todo mundo enfrenta dificuldades na vida e, mesmo assim, incorpora valores morais e éticos, constrói uma família, trabalha, enfim, vive uma existência modesta mas digna. Dona Lindu, abandonada pelo marido alcoólatra, assoberbada na luta pela sobrevivência da prole, talvez não tenha conseguido arrumar nem tempo nem forças para edificar valores no seio do lar. Mas isso também não serve como desculpa para os desvios de conduta do Lula.

Afora o curso de torneiro no Senai, Lula nunca foi afeito ao aprendizado e muito menos ao trabalho. Perspicaz, percebeu na burocracia sindical uma possibilidade de escapar do estafante chão da fábrica.

Lula pode ser um homem ignorante, grosseiro até, mas de burro não tem nada. Apesar da inteligência inata, Lula desenvolveu um enorme complexo por sua ignorância formal e pela pobreza material. Por isso mesmo, Lula elegeu como objetivo de vida acabar com a pobreza. A sua, no caso. Aliás, nada contra isso, só discordo é dos métodos e caminhos escolhidos.

Lula abriga dentro de si um enorme ressentimento. Começa aí, talvez, o discurso do “eu contra eles”, que acabou virando depois “o nós contra eles”.

Esperto como o capeta, Lula se apropriou do “novo movimento sindical do ABC” que surgiu no fim dos anos 70, em contraposição ao pelego da ditadura, o notório Joaquinzão. No sindicato Lula conhece, gosta e cultiva com prazer as benesses do poder. E como gosta… Essa história está muito bem contada no livro O Que Sei de Lula, do jornalista José Neumanne Pinto, vale a pena ler. Logo em seguida, na esteira da criação do partido Solidariedade na Polônia por outro operário, Lech Walesa, funda-se o PT no Brasil.

Carismático, Lula teve um papel importante na organização das greves do ABC ao final dos anos setenta e era cortejado pelos partidos de esquerda (ainda na ilegalidade), inclusive pelo PCB onde eu militava. Astuto, Lula percebeu que, no recém-nascido PT, ainda com uma estrutura partidária frágil, seria mais fácil impor a sua liderança, que não admite concorrência. Assim, Luiz Inácio também se apropriou do PT sociedade com o seu comparsa, o Zé Dirceu. Lula se aboletou no PT, que virou uma farandola de várias tendências de esquerda, todas sem uma clara definição de tática ou estratégica, e de conteúdo ideológico raso, para não dizer ignorante, nas coisas do marxismo e nos problemas da realidade contemporânea, fenômeno comum na dita esquerda latino-americana. Mas uma coisa tinham em comum: não se entendiam uma com as outras.

Lula e seu amigo Zé fundaram mais uma tendência, o Campo Majoritário que, como o nome já diz, conquistou a hegemonia no partido. Em vez de Mimi – o metalúrgico do filme de Lina Wertmuller –, tínhamos o nosso Lula, o metalúrgico seduzindo os intelectuais, a Academia, os estudantes e, principalmente, a mulherada… O operário chegava ao Paraiso!

Militante do PCB, tomei conhecimento das primeiras greves na Scania, acompanhava as assembleias no estádio de Vila Euclides e, confesso, via com simpatia a sua liderança ao mesmo tempo em que desconfiava do seu radicalismo oportunista. Achava aquilo meio “jogo de cena”.

Nos tempos da ditadura, os partidos de esquerda, ainda na clandestinidade, se apropriaram de recursos gerados em seus braços legais, como sindicatos, entidades estudantis e movimentos populares. O PCB não era exceção, mesmo porque o Ouro de Moscou, que a União Soviética mandava – mandava, sim, senhor! – não era suficiente para bancar a luta revolucionária.

Não quero me justificar, mas havia a atenuante de que, na ditadura, eram partidos postos na ilegalidade, clandestinos, não havia outra forma de custear o seu funcionamento. O PT, mesmo na legalidade, levou essas “práticas políticas heterodoxas” às últimas consequências, já que, no socialismo, os fins justificam os meios… Isso se fortaleceu quando os petistas começaram a se eleger nas prefeituras e implantaram o lucrativo sistema em contratos de coleta de lixo e assemelhados, drenando o dinheiro público para fortalecer o partido, além do que, claro, sempre sobra algum qualquer para o uísque e o charuto da companheirada.

Ah!!! O Poder!!! E como tem dinheiro no poder!

O PT mafioso foi se fortalecendo em governos estaduais, comissões parlamentares (com trocadilho) e quetais e quitandas. E ai de quem fosse contrário às diretrizes partidárias! Não estão mais aí o ex-prefeito Celso Daniel e o Toninho de Campinas para provar o que escrevo.

Quando, finalmente, o PT com Lula conquistou o poder federal, então foi o Céu na Terra!

Mas a roda da História gira e hoje a carroça petista, atolada em contradições, mal se arrasta levando consigo o Brasil.

Lula, que não quer largar o osso, aprofundou sua personalidade raivosa, acusa as elites às quais ele mesmo pertence. Cada vez mais o mundo de Lula se transforma no eu contra o resto. Para permanecer no poder Lula, não hesita em arremessar um brasileiro contra o outro. Para Lula, só poder interessa, o poder traz segurança, bem-estar e benquerença. Para ele, é claro. E Lula adora ser adulado. Lula precisa estra cercado de áulicos e puxa-sacos, os quais não vacila em sacrificar em função de seus interesses mais mesquinhos. Lula virou uma espécie de Stalin do PT, partido que hoje ele está a ponto de renegar. Este mesmo PT que Lula ajudou a transformar num partido de funcionários públicos medíocres, cujo entendimento do Estado é como um meio de vida parasitária. Este mesmo PT que no jogo político não tem adversários, mas inimigos que devem ser obliterados.

Lula nunca foi nem nunca será um estadista. Lula jamais pensou em transformar a realidade do país nem em projetar o futuro do Brasil. Ele só se interessa em mudar uma realidade, a dele.

E tenho dito.

*Marcelo Madureira é humorista, colunista da Veja e mantém um blog  http://veja.abril.com.br/blog/marcelo

“Dizem que sou conhecido por não ter medo de criticar e pelo humor extremamente ácido. Já fui engenheiro, fundei a revista Casseta Popular que depois virou Casseta e Planeta. Hoje sou um humorista  crítico ou quem sabe só mais um palhaço nesse circo que virou o nosso Brasil”.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

 

GOVERNO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES CORTA PAGAMENTO DOS SALÁRIOS DOS PROFESSORES DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS

protestos-professoresA Secretaria Estadual de Educação enviou, através da Assessoria de Comunicação – ASCOM, comunicado da suspensão do pagamento dos vencimentos dos servidores, em virtude da manutenção da greve e da não assinatura do acordo entre as Associações das Universidades Estaduais e o Governo do Estado, oriundo da mesa de negociação.

Os docentes não autorizaram em Assembleia a assinatura do acordo por considerarem necessário alguns ajustes na minuta apresentada. Diante disso, resolveram optar pela continuidade da greve até que as negociações sejam retomadas e o documento definitivo, não apenas uma minuta, assinados.

Indignado, um professor do campus de Vitória da Conquista assim se manifestou:

“Realmente, sem palavras para tamanha truculência do governo Rui do PT e sua incapacidade de negociar com os movimentos. Necessita da força coercitiva para ter voz e tentar calar as vozes dissidentes. É triste presenciar o governo do PT e aliados tentarem destruir um dos maiores patrimônios da população baiana, as universidades estaduais, que interiorizam o ensino superior na Bahia, quando corta orçamento, desrespeita docentes e discentes, cria mentiras e criminaliza os movimentos, tal como as práticas carlistas e do PSDB.”, desabafou.

Os próprios integrantes da militância petista, aqueles que fizeram passeata e gritaram palavras de ordem pelas ruas, são os que agora fazem questão de registrar sua decepção e indignação com a condução das questões das universidades estaduais.

PROFESSORES DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS INSISTEM NOS AJUSTES E DECIDEM PELA CONTINUIDADE DA GREVE

UEBAAs representações dos professores das quatro universidades estaduais, distribuíram notas em seus respectivos territórios dando conta da situação da greve em andamento. Na região Sudoeste a ADUSB – Associação dos Docentes da Universidade do Sudoeste da Bahia, através do site oficial informou sobre o tema neste sábado:

“O governo Rui Costa (PT) prolonga a greve dos professores das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba). Na reunião desta sexta-feira (24), entre o Movimento Docente (MD) e os representantes do estado, os professores apresentaram aos gestores os ajustes à proposta de minuta de acordo, deliberados pelas quatro assembleias docentes e, posteriormente, consolidado pelo Fórum das ADs. A expectativa do movimento grevista era avançar nas negociações ainda nessa sexta-feira. Porém, os representantes do governo informaram que não tinham autonomia de decisão e precisavam analisar as propostas vindas do conjunto dos professores. As assembleias docentes, que decidiram pelos ajustes, e pela continuidade da greve, sem nenhum voto contrário nas quatro Ueba, aconteceram na quinta-feira (23)”.

Em nota, o Movimento dos docentes informa que, de maneira responsável, tensionou sobre a necessidade de uma resposta do governo ainda na sexta. A atitude seria em respeito à comunidade acadêmica, visto que já são mais de 70 dias em greve e o governo Rui Costa, até o momento, demonstra pouca vontade em negociar. Diante da pressão e força do movimento grevista, os gestores se comprometeram em marcar uma nova reunião o mais rápido possível. A sugestão indicada pelos professores é que seja já nesta segunda-feira.

A greve dos docentes e a luta estudantil seguem fortes. A aprovação da continuidade da greve nas assembleias docentes, sem nenhum voto contrário, na Uneb, Uesb, Uefs e Uesc, são provas da união e poder de mobilização da categoria. Os professores continuam abertos à negociação, exigem celeridade do governo no agendamento da próxima reunião e reafirmam a necessidade de uma resposta positiva ao conjunto dos ajustes feito na minuta de acordo. Os docentes reforçam ainda que é de Rui Costa e do Secretário da Educação, Osvaldo Barreto, a responsabilidade pela deflagração da greve e sua permanência.

Repúdio

Ainda segundo as informações da ADUSB, durante a reunião o Movimento Docente foi incisivo ao informar aos gestores sobre o veemente repúdio das quatro assembleias das Ueba, à truculência de Rui Costa nas negociações. Durante os dias de ocupação pacífica da Secretaria Estadual da Educação, de 15 a 18 deste mês, o governador tentou intimidar os manifestantes colocando a Polícia Militar, inclusive a Rondesp para negociar com professores e estudantes. Para os professores, tal atitude evidencia o despreparo político de Rui Costa para o cargo, sua falta de compromisso com a democracia, desinteresse pela crise orçamentária das Ueba e intenção em criminalizar o movimento grevista. Firmes na luta e sem se abalar com a presença da PM, a categoria docente, apoiada pelos discentes, mostrou a força da classe trabalhadora e arrancou do governo importantes avanços na pauta.

A BURRICE REINANTE NA MÚSICA BRASILEIRA REALMENTE POPULAR É MAIS PERIGOSA DO QUE VOCÊ IMAGINA

mira_regisPor Regis Tadeu*

 

Infelizmente, a constatação é óbvia: nunca vivemos em uma época em que a música popular brasileira realmente popular apresentasse um grau de burrice tão grande como nos dias atuais. A impressão generalizada é que há algum tipo de pacto de estupidez entre gente que se diz “artista” e uma imensa manada de pessoas que transformaram a palavra “plateia” em sinônimo de agrupamento de retardados.

A falta de capacidade cognitiva da grande maioria de brasileiros que consome música no Brasil gera uma total incompreensão sobre o significado poético de canções que ainda insistem em trazer letras que necessitem de uma capacidade cerebral superior a de um peixe para que possam ser apreciadas. Para esta geração, as canções de caras como Lenine, Ney Matogrosso e Gilberto Gil soam como tratados de Física Quântica musicados.

Hoje, é cada vez maior a dificuldade de prender a atenção destes milhões de verdadeiros “bagres”. Isso explica porque o sertanejo chamado de “universitário” e o funk imbecilizante se tornaram as novas coqueluches dentro do mercado nacional. E quando escrevo “mercado”, nem me passa pela cabeça algo que se relacione com venda de discos, já que hoje também vivemos em tempos em que tudo pode ser pego “de grátis” na internet. Estes dois estilos musicais encontraram um público perfeito, desprovido de qualquer sinal de sensibilidade poética, para quem o importante é “beijar muito na balada”. Para quem achava que a “axé music” era o fundo do poço, trataram de cavar mais um pouco para checar a uma camada de “pré-sal da estupidez”. Hoje somos o país do “tche tche rerê tetê barabará bereberê”, do “vem novinha sentar no meu colo” e de outras merdas do gênero.

A total falta de capacidade cerebral deste público foi tornada explícita recentemente com a tal polêmica a respeito do que o Zeca Camargo disse e, principalmente, no apoio que a iniciativa dos pais do falecido Cristiano Araújo – que, sabe-se lá por que, resolveram processar o apresentador da Globo – vem recebendo por parte deste mesmo público retardado que citei anteriormente. Quase ninguém realmente entendeu o que o Zeca falou.

Neste exato momento, você deve se perguntar “Regis, por que você está escrevendo isto?” e a minha resposta é simples: porque estou cada vez mais preocupado em ver que um imenso rebanho de gente descerebrada está cerceando o direito de pensar de maneira diferente do senso comum imbecilizado. Porque já saquei que fãs deixaram de ser apenas idiotas comuns para se tornarem censores imbecis. Porque já percebi que programas de TV se tornaram um imenso painel de cretinice para buscar a audiência desta imensa turma de bucéfalos, com a cumplicidade medrosa de atores, atrizes, cantores, cantoras e músicos em geral, que se escondem atrás de discursos e elogios mentirosos para não desagradar a verdadeira horda de mentecaptos que os assistem e consomem seus produtos.

Sim, este é um texto de um sujeito velho, ranheta e cada vez mais intolerante com o estado de coisas no Brasil, que ainda não se cansou de tentar elevar a voz para condenar o emburrecimento coletivo que assola o nosso País. Faço isso porque sei que uma Nação repleta de ignorantes é o prato cheio para a desgraça. Foi assim que surgiu o nazismo e o tal Estado Islâmico: repita uma mentira dez milhões de vezes para um ignorante e ela se tornará uma verdade para ele.

Pense nisto…

*Regis Tadeu é crítico musical, colunista/produtor/apresentador do portal do Yahoo, produtor/apresentador dos programas Rock Brazuca e Agente 93 na Rádio USP FM e foi Diretor de Redação/Editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Batera. https://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis

OS FATOS NOVOS NO CENÁRIO BRASILEIRO INDICAM QUE UM NOVO PARADIGMA ESTÁ SENDO CONSTRUÍDO

Por Wilson Midlej

Ninguém acreditava. Todos os olhares, estarrecidos, denotavam desconfiança, suspeita de blefes e mais uma peça que estaria sendo pregada ao povo de boa fé. Integrantes do alto escalão da república entravam num camburão, algemados, como se fosse pobres cristãos de longínquos rincões da pátria. Na verdade, acabou ficando evidente de que sim, eram e ainda são pobres criaturas que se sentiram por algum tempo donos do poder, intocáveis dirigentes dos destinos da nação. Eles são autores e vítimas de um processo de deterioração da sociedade. Viraram a escala cidadã de valores, de ponta cabeça.

O sucesso e a fortuna pessoal passaram a sobrepujar a ambição pelo poder, simplesmente. Nessa escala, o dinheiro vinha antes das demais virtudes. Não importa a ética, a decência, a honradez. Importante é o quinhão no bolso.

Antes, homens como Otávio Mangabeira e Abraham Lincoln achavam que a sua função no mundo era representar o povo como parlamentar, e como executivo, suprir suas necessidades. Eles achavam também que o desiderato, a missão, prescindia de altos salários ou fortuna pessoal. Mangabeira chegava a revelar suas carências econômicas em seus discursos de campanha.

Os atuais líderes partidários, notadamente os que estão no poder ou em seu entorno, desenvolveram um plano de enriquecimento pessoal. Só que em detrimento da estabilidade econômica do país, uma vez que sangraram de morte, os cofres da nação.

Nisso, veio o mensalão. O herói nacional, também preso, Roberto Jefferson, contrariado na extensão dos seus benefícios, expôs aos brasileiros a realidade brutal dos meios de corrupção utilizados pelos mais importantes membros da república.

No Supremo Tribunal Federal, um anjo negro envolto numa capa de seda também negra, desembainhava a espada da ética e golpeava fundamente os agentes e mentores das ladroagens e maracutaias, cuja dimensão deixou os ratos, ironicamente utilizados pelo PT num filme envolvendo a bandeira brasileira e exibido na campanha eleitoral de 2002, rubros de vergonha pela pequenez das suas ações e pelos medíocres planos perpetrados, até então, pelos políticos desonestos havidos aqui e ali. Diante do volume surrupiado nos dias atuais, aqueles eram reles ladrões de quinquilharias.

Joaquim Barbosa foi importante para a deflagração do processo de efeito dominó que vimos assistindo atualmente, mas, infelizmente sucumbiu diante das ameaças supostamente sofridas.

Ainda assim, eis que surge outro anjo, esse ariano, pela descendência estrangeira que comanda o DNA da maioria dos naturais do cone sul brasileiro, Sergio Moro, um professor de geografia, mestre e doutor em direito, nascido em Maringá (SC), juiz federal de Curitiba, comarca de Terceira Entrância, responsável pelo julgamento nos implicados na Operação Lava Jato. Ele foi alvo de procedimentos administrativos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por conta de sua conduta, considerada parcial e até incompatível com o Código de Ética da Magistratura. Todos os procedimentos, que correram em sigilo, foram arquivados.

Entre as reclamações, há o caso em que ele mandou a Polícia Federal oficiar a todas as companhias aéreas para saber os voos em que os advogados de um investigado estavam. Os advogados investigados impetraram um Habeas Corpus rejeitado pelo STF que pretendia anular a investigação por imparcialidade de Sergio Moro. O ministro Celso de Mello em seu voto referiu-se a “fatos extremamente preocupantes”, como “o monitoramento de advogados” e o “retardamento do cumprimento de uma ordem emanada do TRF-4”.

Em outro caso, determinou a gravação de vídeos de conversas de presos com advogados e até familiares por causa da presença de traficantes no presídio federal de Catanduvas (PR). Moro respondeu, em 2009, que a instalação desses equipamentos teve o objetivo de “prevenir crimes a prática de novos crimes, e não interferir no direito de defesa”. Para a OAB, as gravações eram feitas sem base em qualquer indício de crime, ou sequer investigação em curso. A ministra Eliana Calmon arquivou a Reclamação, em 2011, com base na decisão do plenário do CNJ de arquivar um Pedido de Providências sobre o mesmo fato.

Na verdade, como foi publicado em O Globo e no Blog do Noblat, talvez o Brasil esteja virando a página da impunidade, sem que tenhamos plena consciência da enorme dimensão disso.

Acusada de tudo. De ser uma trama golpista, de ser produto da mente insana de um juiz, de atentar contra os Poderes Executivo e Legislativo e os direitos individuais, de ser instrumentalizada para a recondução do Procurador Rodrigo Janot, a Lava Jato segue sendo apedrejada e admirada.

O que ficou patente para a maioria dos brasileiros é que a grande lição da operação Lava-Jato é essa: a lei vale para todos. Cadeia não foi feita apenas para os pobres e negros que cometem crimes.

No Brasil, na Bahia em especial, era impensável alguém com sobrenome nobre, de detentor de fortuna ou famoso, ser constrangido a um comparecimento, formal que fosse, a uma delegacia. Quanto mais a abertura de inquérito com exposição na mídia. Só se fosse caso de crime, tragédia sangrenta, assim mesmo, sempre direcionada para um caso de legítima defesa…

A Operação Lava Jato está levando para a cadeia também o pessoal da Casa Grande que sempre se julgou intocável e, por isso mesmo, viciou-se em assaltar o erário público. A primeira condenação de membros do alto escalão das empreiteiras, os três diretores da Camargo Corrêa, condenados por pagar propina, formação de cartel, fraudar licitações e contratos com a Petrobrás, sinaliza o advento de um tempo novo. A prisão dos presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez causou a mesma surpresa com que os brasileiros assistiram o confinamento de Zé Dirceu, Genoino e outros figurões do Partido dos Trabalhadores e do governo. Aqueles pelo aparente poder que exercia, estes pela reputação que desfrutavam em todo o país. (Continue lendo) Read the rest of this entry »