Archive for abril, 2015

VÍDEO RESUME EM POUCOS MINUTOS O QUE ESTÁ ERRADO NA SOCIEDADE HUMANA

CONFIRA E REFLITA

MARINA SILVA: DILMA VIVE UMA “CASSAÇÃO BRANCA”

Eliane Cantanhêde entrevista Marina Silva em Para Marina, Dilma vive uma ‘cassação branca’, O Estado de São Paulo, 18 Abril 2015 | 16h 00. Na entrevista porém, Marina é cautelosa ao falar sobre impeachment. 

elianemarina

BRASÍLIA – Fundadora e ardente militante do PT por décadas, a ex-senadora, ex-ministra e ex-presidenciável Marina Silva diz que há “uma responsabilidade política indireta patente” da presidente Dilma Rousseff pelos escândalos na Petrobrás e pergunta: “Como você é ministro de Minas e Energia, chefe da Casa Civil e presidente da República e tudo isso acontece?” Filiada ao PSB enquanto não cria a Rede Sustentabilidade, Marina diz que há um “buraco negro no Brasil”, critica a “herança maldita” que Dilma deixou para seu segundo mandato e opina que a “terceirização” da economia para o ministro Joaquim Levy e a política para o vice-presidente Michel Temer caracteriza “quase uma cassação branca de um governo que acaba de ser eleito”. Em entrevista ao Estado, porém, ela é cautelosa ao falar sobre impeachment. Diz que “não se pode enveredar por uma aventura” nem “passar por cima da materialidade dos fatos”.

Como a senhora, fundadora do PT, vê a crise do partido e a prisão de João Vaccari Neto, o segundo tesoureiro petista a parar na cadeia?

O PT tem enorme responsabilidade, sem sombra de dúvida, mas a crise é tão ampla, tão grave, que cabe a pergunta: como é possível que tudo isso tenha acontecido debaixo do nosso nariz? O natural seria o PT e o PSDB, dois partidos da social democracia, terem percebido que há um novo sujeito político em gestação e trabalhado seus pontos de contato para estabelecer uma agenda essencial para o País. Não teríamos chegado a esse ponto.

Qual é esse novo sujeito político? Depois da frustração com a esquerda, vem aí uma saída pelo lado oposto?

A solução não está em renegar a esquerda e ir para a direita, não está na dualidade, na polaridade. Nós temos, sim, de lidar com o paradoxo. Quais os legados que devemos preservar? A estabilidade econômica não pode ser monopólio do PSDB nem a inclusão social é uma exclusividade do PT. Isso é um compromisso nosso, da sociedade brasileira.

Segundo Marta Suplicy, “ou o PT muda, ou ele acaba”. A senhora concorda?

Gosto mundo daquele ditado: “Sábios são os que aprendem com os erros dos outros, estúpidos são os que não aprendem nem com os próprios erros”. Numa situação com a gravidade que temos hoje, o desserviço que o PT presta para a política nesse momento precisa nos ensinar alguma coisa, mas espero que não ensine apenas ao PT.

O que, por exemplo?

Que a verdade não é patrimônio exclusivo de nenhum de nós, a verdade está entre nós, e que você não precisa criar uma lógica em que você é o supremo bem e todos os demais são o supremo mal.

Qual o reflexo dessa crise na imagem de Lula, que anda tão recolhido?

Bem… há um problema que talvez possa ajudar a entender esse silêncio. Se antes foi possível amaldiçoar heranças alheias, hoje a presidente Dilma convive com sua própria herança, ela sucede a ela mesma, não é? A quem culpar pela inflação? E pela Petrobrás, pela corrupção sistêmica no Estado?

E a posição atual do FHC diante da crise?

Ele está se movendo com muita responsabilidade, tendo um comportamento muito republicano na atual crise, e também teve uma atitude muito correta e muito democrática na transição do governo dele para o do presidente Lula.

O slogan “herança maldita” ajudou a explodir os pontos de contato?

É que, depois, veio a crise econômica e o PT, em nome do seu projeto de poder, maquiou a realidade e as contas públicas, subestimou a crise, criou os heróis nacionais com o dinheiro do BNDES, tomou uma série de medidas que levaram o País ao lugar onde estamos hoje. E eles agora não têm alguém para amaldiçoar como dono da herança, porque quem criou essa herança foi a Dilma.

E a corrupção?

É muito grave, saiu de um estágio em que era, digamos, esporádica, para um processo contínuo, institucionalizado, com os altos gestores da Petrobrás envolvidos, tudo num governo que aí está há doze anos. Isso é muito grave.

Qual o papel da presidente Dilma?

Se, por um lado, precisamos ter a responsabilidade de não fazer qualquer acusação leviana do ponto de vista direto, a responsabilidade política indireta é patente. Como você é ministro de Minas e Energia, chefe da Casa Civil e presidente da República e tudo isso acontece? Há uma responsabilidade política, mas não sou do tipo que torce pelo quanto pior melhor.

Como avalia a posição dos partidos de oposição?

Acho correto que setores da oposição se movam com responsabilidade, para não entrar em qualquer tipo de aventura, mas ao mesmo tempo só isso não basta. Na realidade de hoje, é como se a presidente só estivesse manejando a crise. A economia está nas mãos do Levy e a política está nas mãos do PMDB. Na prática, você já tem quase uma cassação branca de um governo que acaba de ser eleito.

Se a sra. fala na responsabilidade política patente da presidente, há condições para a discussão sobre o impeachment no Congresso?

Sem base material, não, porque responsabilidade política não significa responsabilidade material, em que você tem uma acusação peremptória de envolvimento direto. Não devemos ir pelo caminho de instrumentalizar a crise. Neste momento, é preciso muita responsabilidade com o País.

É o momento do quê?

O momento em que você se vê diante de um buraco negro político, econômico, institucional que requer responsabilidade, não podemos só dar passos para trás.

O que seria dar só passos para trás?

Se diante de uma crise vem o PSDB, depois de outra vem o PT, aí vem mais uma e volta o PSDB, isso é dois passos atrás e outro também.

Há milhões nas ruas e 63% defendem o impeachment. Como lidar com disso?

Há muito eu digo que está surgindo um novo sujeito político e que a internet, que revolucionou a economia, a ciência, a tecnologia e a comunicação iria chegar também, para o bem e para o mal, até a política. A melhor forma de lidar com esses movimentos é respeitando-os como movimentos autorais.

Como, se eles pedem explicitamente o “Fora Dilma”?

Essa é a agenda que eles colocam e eles têm toda a legitimidade para colocá-la. Aliás, eles aprenderam isso justamente com o PT. Era o “Fora Sarney”, o “Fora Collor”, o “Fora FHC”, o fora qualquer um. Eu sei até porque eu era do PT. Mas, neste momento, mesmo sabendo da gravidade da crise, seria reducionismo político as lideranças políticas simplesmente fazerem o discurso que a sociedade quer ouvir.

Políticos podem ignorar a chamada “voz das ruas”?

Ser político não é fazer o que as pesquisas indicam que você deve fazer. Ser político é fazer aquilo que é correto, de acordo com sua consciência e com a sua responsabilidade com as necessidades históricas do País. O impeachment está previsto na Constituição, não é ilegal nem é ilegítimo se referir a ele como alternativa, mas, para chegar a ele, existem vários elementos, não é só o desgaste político, só a vontade política, mas é também a materialidade dos fatos. Os que têm responsabilidade política não podem passar por cima da materialidade dos fatos.

O que acha de Lula ter convocado o “exército do MST” para enfrentar as manifestações contra Dilma? Pode crescer e chegar a confrontos de rua?

Espero, sinceramente, que não. Exércitos devem ficar no seu lugar. O momento é tenso, de discussão democrática e principalmente de mudança de postura, e essa linguagem bélica não é boa para ninguém.

Como foi possível camuflar a realidade na campanha, apesar do “petrolão” já avançado, de todos indicadores preocupantes na economia?

Essa campanha teve uma proporção inimaginável, pela negação da realidade, pela agressividade, pela forma como se extrapolou qualquer limite da ética. Mas, aí, nós temos de fazer um mea-culpa enquanto sociedade. Como é que uma sociedade como a nossa elege um presidente que não apresenta um programa de governo? Como fazer debate em cima de propostas?

A sra. criou o termo “exterminadora do futuro” quando o PT dizia que a sra. iria tirar a comida da mesa do pobre brasileiro. Como se sentia?

A comida do pobre brasileiro está sendo tirada da mesa agora, quando o País está vivendo a recessão, começa a ter milhares de pessoas desempregadas e previsão de inflação de mais de 8%. Agora se revela, para além do marketing colorido, quem de fato tira a comida da mesa dos trabalhadores.

Como vê a coordenação política com o vice Temer? O povo elegeu o PT e quem governa é o PMDB?

Na prática, o protagonismo político é obviamente do PMDB. O Temer, e, depois, os presidentes da Câmara e do Senado. É a primeira vez que a gente vê uma coisa como essa. Um amigo brincou que, quando quis ser demitido, o ex-ministro Cid Gomes foi dizer desaforo para o único que podia demiti-lo, que era o PMDB.

Se é assim, qual o papel da presidente no próprio governo?

Como é que se assume um posto como esse sem ter tido toda uma trajetória política? É a primeira vez que se tem um presidente que não tem os meios. No primeiro governo, ela não tinha o protagonismo político, mas tinha o protagonismo na agenda da economia, que deu no que deu. Agora, com o fracasso na economia, é obrigada a entregar para o Levy e, em função do fracasso na política, é obrigada a entregar para o Temer.

Como serão os próximos quatro anos?

Bem, eu não quero que tudo fique pior do que já está. Sinceramente, não quero, porque quem pagará o maior preço serão os setores mais vulneráveis, que perderão seus empregos, o pouco do poder aquisitivo que conquistaram, serão jovens que não terão mais o Pronatec, o Prouni, todas essas conquistas que a sociedade brasileira vinha experimentando. Torço para não acontecer.

ACABOU O MEDO?

Aninha FrancoPor Aninha Franco*

 

 

 

O Brasil esteve fora de si por medo à violência da repressão durante a maior parte de sua existência. O estado colonial matou, torturou e esquartejou humanos com tranquilidade. A sentença de Tiradentes homenageado em 21 de abril, morto por enforcamento, esquartejado e exibido aos pedaços em Vila Rica, foi um exemplo de que querer um Brasil melhor podia doer. E como!

O império prosseguiu nos avisos – pouco mais ameno – e a República impôs ao país mais ditaduras que democracias. Getúlio Vargas foi um ditador sanguinário. A biografia de Nise da Silveira – Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde, de Luiz Carlos Mello, Ed. Automática, 2014 – relata a perseguição do varguismo à inteligência brasileira. As multidões em cena, propaganda política no varguismo e no peronismo de Maria Helena Rolim Capelato, Ed. UNESP, 2009, documentam o controle varguista ao pensamento e a sequela civilizatória que isso impôs ao Brasil.

A última ditadura que alguns sofreram com mortes e tortura, e que todos sofreram com censura e retrocesso intelectual, ainda nos mantém distantes da civilidade. Sem a Educação que a “Gloriosa” escangalhou e a Democracia FHC/Lula/Dilma não reconstruiu, não conseguiremos sair do século 20 – difícil avaliar a década dele –, e chegar ao século 21.

A visão da política brasileira, agora, é desoladora. O Brasil define-se na eleição de representantes como Luiz Argolo e André Vargas, incapazes de gerir um banheiro público, com aptidão, controlando verbas monumentais que escorrerão nalgum ralo de Miami. Que perda de tempo! Que desperdício! Que negligência com um território tão rico! Quando Marcelo Nilo aumenta a verba dos integrantes da Assembléia Legislativa da Bahia, e se compara o custo-benefício dessa gente que não serve pra nada, desperdiçando o Erário com suas vidas imperiais, a sensação é nauseante.

Mas a noticia boa é que parece que o medo represado de reagir, quase genético, tem diminuído. As ruas no domingo passado receberam menos brasileiros, mas a consciência política não decresceu. Lula está péssimo nas pesquisas. Vaccari, tesoureiro do PT, sucessor de Delúbio, foi recolhido ao xadrez por excesso de arrecadação. Se em 2009, o PT arrecadou R$ 11,2 milhões, com a chegada de Vaccari, em anos não eleitorais, a arrecadação subiu para R$ 50,7 milhões em 2011 e R$ 79,8 milhões em 2013.

Como assim? Para que, mesmo? Queremos saber! E se o partido prosseguiu sua linha de arrecadação, Mensalão e Petrolão, as reações aos dois ãos não são as mesmas. O sigilo fiscal de José Dirceu foi quebrado e suas consultorias de especialista em Brasil, lá ele, que parecem praticadas por alguém que não tem contas a prestar, devem turbinar ainda mais o caos de nunca antes na história deste país. O discurso paupérrimo de que as “zelite” estão indignadas com a chegada do Povo aos aviões de carreira e às universidades está em descrédito. E a frase de Nietzsche de que “É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante” faz sentido. Com a certeza de que dessa vez a estrela não será vermelha.

* Aninha Franco é escritora

Publicado no Correio da Bahia, 18.4.2015,

POBREZA E CONTRADIÇÕES NOS DEBATES

Antonio RibeiroPor Antonio Ribeiro*

 

 

Talvez não seja pertinente chamar de “debates” as farpas lançadas país afora, associadas ao atual caos moral, político e econômico de um governo que parece estar à deriva.

De um lado, a irritação de uma sociedade que parece decidida a por fim às roubalheiras e incompetências que tantos prejuízos causam ao país, com seus efeitos perversos sobre os cidadãos, vítimas de péssimos serviços públicos, da inflação e do desemprego que ameaça milhões de brasileiros. Esta expressiva parcela da população que tem se rebelado contra a anomia vigente, não demonstra ter, em sua maioria, ideologia ou partido definido. Mas expõe a insatisfação de milhões de pessoas que foram às ruas protestar contra o governo e exigir mudanças. Este segmento, que se organiza e se manifesta em torno das redes sociais e da imprensa livre, demonstra força e clareza em seu objetivo de substituir o atual governo por outro decente, competente e justo, ainda que sem nitidez quanto aos seus contornos políticos.

Do outro lado, os governistas que tentam, a todo custo, não apenas subestimar a força das ruas, rotulando, pejorativamente, os que exercem o direito da livre manifestação. “Elite branca”, “direita” e outras tolices são os principais “argumentos” – dos adeptos do continuísmo – que, por si só, revelam o alcance analítico daqueles que, outrora, se imaginavam a vanguarda cultural e política do Brasil.

Neste lado estão as velhas esquerdas com as nítidas contradições que têm marcado suas trajetórias. Durante a ditadura, diziam combater a corrupção, os danos às riquezas nacionais e o pagamento da dívida pública. Propunham uma economia que libertasse os proletários e, em tese, a substituição do autoritarismo pela democracia. Com este discurso se lançaram – dissociadas do povo – à luta armada e agrediram, com intolerância, a esquerda que, diferentemente, optou por enfrentar a ditadura com as armas da política, aquelas inerentes às convicções democráticas que pressupõem a participação popular. Particularmente, condenaram com arrogância a aliança dos “reformistas” com setores liberais com vistas à redemocratização do país. Julgavam-se muito “puros” e “avançados” para se unirem à frente democrática.

Décadas após, guinadas ao poder pela via eleitoral que tanto desprezavam, se uniram a Maluf e a outros que simbolizam o passado desprezível da repressão e violência. Agora, amargando a decadência imposta pelas prisões, pela má gestão e reprovação popular apurada nas pesquisas, esses grupos chamam de heróis os seus corruptos; dissimulam a ruína da Petrobrás – símbolo maior da riqueza nacional; fingem desconhecer que a dívida pública quase quadruplicou, consumindo metade do orçamento federal; mantêm subordinados a favores oficiais milhões de brasileiros dependentes de bolsas que viabilizam novos grilhões eleitorais; propõem mordaça à imprensa; e financiam -sob vergonhoso sigilo- a infraestrutura de ditaduras mundo afora, não obstante as carências em solo brasileiro.

Novamente dissociadas do povo, desprezam as manifestações autônomas da sociedade e agridem a classe média, ignorando que as grandes mudanças no Brasil se devem a este segmento, a exemplo da anistia, eleições diretas e a redemocratização. Reconhecem apenas os atos manipulados pelo governo, financiados, compulsoriamente, com o dinheiro desta mesma classe que menosprezam.

Para justificar o atraso em que se encontram mergulhados, criaram o fantasma do “golpismo”, inimigo oculto do qual se utilizam, por oportunismo, para amedrontar os cidadãos e transmitir a (falsa) ideia de que só restam duas alternativas ao país: o petismo ou a ditadura militar. Ignoram, adrede, as vias democráticas capazes de erguer um Brasil justo, a serviço dos brasileiros.

*Antonio S. Magalhães Ribeiro – Doutorando em Sociologia Econômica/Universidade de Lisboa e Mestre em Administração/UFBA.  antoniosmribeiro@uol.com.br

*Publicado em A TARDE de 15.04.2015

“PEDALADA FISCAL” PODE ENQUADRAR DILMA NA LEI DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, COM PERDA DE MANDATO. DESSA, A CONSTITUIÇÃO NÃO A PROTEGE

Reinaldo AzevedoPor Reinaldo Azevedo*

 

 

 

 

A coisa não está fácil ali no universo Dilma Rousseff. Vamos ver. No ano passado, o governo deu o que se chama “pedaladas fiscais”. O que é isso? O Tesouro tinha de fazer desembolsos para a CEF, o Banco do Brasil e o BNDES. E por quê? Porque são os repassadores ou os gestores de programas federais que integram políticas públicas. Ocorre que, para fazer caixa e maquiar o desequilíbrio fiscal, a equipe econômica anterior resolveu atrasar esse dinheiro, e os bancos tiveram de apelar ao próprio caixa para arcar com as despesas.

Sim, na prática, esses entes emprestaram dinheiro ao Tesouro, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.  O relator do caso no Tribunal de Contas da União é o ministro José Múcio. Ele decidiu acatar parecer da área técnica do TCU e cobrar uma investigação do caso, com o que concordaram os demais ministros.

Muito bem! Digamos que o TCU conclua que a operação foi irregular — e, acreditem, foi! Todas as pessoas responsáveis podem ser acusadas de crime de responsabilidade. Não! Dilma não poderá ser denunciada, no curso deste mandato, por decisões tomadas no mandato anterior — investigada ela pode ser, sim. Acontece que a Lei 1.079 — a que define tal crime — não é a única a espreitar a presidente. Há outra, a  8.429, que é a Lei da Improbidade Administrativa.

Define o Artigo 11 dessa lei, prestem atenção!

“Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

I – praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

Pimba! Foi o que o que se deu.

E o Inciso III do Artigo 12 diz o que acontece com quem incide no Artigo 11:

“III – na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil (…)”

– e outras penalidades que não vêm ao caso.

E que se note: ainda que Dilma não possa, agora, ser denunciada por atos do primeiro mandato com base na outra lei, a 1.079, ela pode, sim, ser investigada, respondendo pelo crime, se crime houve, ao término do quadriênio presidencial.

Tão logo o tribunal decidiu que era preciso investigar as “pedaladas”, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, afirmou: “Neste instante, o plenário do TCU aprovou por unanimidade o relatório que considera as manobras fiscais realizadas pelo Tesouro com o dinheiro dos bancos públicos federais como crime de responsabilidade. Vejam bem: não é decisão da oposição. Na verdade corroborando, vindo na direção daquilo que nós já apontávamos desde o ano passado. E obviamente isso terá consequências”.

Em nome da precisão, destaque-se que os ministros do TCU aprovaram o pedido de investigação e cobraram explicações do governo. Ainda não há a condenação. Mas será muito difícil os mágicos escaparem de uma censura do tribunal. E aí a coisa pode ficar feia para Dilma.

*Reinaldo Azevedo é jornalista, editor do Blog http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo colunista da Veja e da Folha de São Paulo

AO ANUNCIAR VENCEDORES, PREMIO BRASKEM DE TEATRO HOMENAGEIA ROBERTO ABREU, MARIA ADÉLIA E CIA. BAIANA DE PATIFARIA

Foto: Bahia Notícias

Foto: Bahia Notícias

Com noite dedicada à comédia e homenagens à Cia. Baiana de Patifaria, a atriz Maria Adélia e ao professor da UESB, Campus de Jequié e dramaturgo Roberto Ives Abreu Schettini, morto precocemente aos vinte e nove anos, em 27 de fevereiro de 2015 em acidente de trânsito na BR-116, próximo à cidade de Vitória da Conquista. Doutor em Artes Cênicas, em 2008 a mesma Braskem  premiou Roberto Abreu como melhor diretor naquele ano.

A cerimônia da 22ª edição do Prêmio Braskem de Teatro, que aconteceu na noite desta terça-feira (14), no Teatro Castro Alves, revelou os melhores da dramaturgia baiana em 2014.

A peça “As Confrarias” se destacou, levando os prêmios em três categorias: Espetáculo Adulto; Melhor Ator, pela atuação de Wanderley Meira e Revelação, com Evana Jeysian. Foram avaliados 37 espetáculos adultos e seis infantojuvenis baianos considerados profissionais e inéditos, que estiveram em cartaz em Salvador no período de 15 de abril a 15 de dezembro de 2014. A indicação e a escolha dos vencedores foi feita pela comissão julgadora composta por Antrifo Sanches, professor da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), dançarino, coreógrafo, produtor e diretor de cena; Claudio Cajaiba, ator e professor da Escola de Teatro da UFBA; Euro Pires, artista plástico, cenógrafo e figurinista; Rosa Vilas Boas, dançarina, produtora cultural e gestora do Teatro SESI Rio Vermelho e Tereza Costalima, professora e diretora artística da Sitorne Cia. de Teatro. A direção da cerimônia-espetáculo ficou por conta de Fernando Guerreiro.

 

Confira a lista completa de vencedores:

Espetáculo Adulto: “As Confrarias”

Direção: Edvard Passos (Compadre de Ogum)

Espetáculo Infantojuvenil: “O Circo de Só Ler”

Espetáculo do Interior: “Algaravias – O Marujo da Lua

(Adaptação de Roberto Abreu ao poema de Waly Salomão, inserto no livro de coletâneas de poemas do mesmo nome, editora Rocco,1966)

Melhor Ator: Wanderley Meira (As Confrarias)

Atriz: Cyria Coentro (Love)

Texto: Paula Lice (Para o Menino Bolha)

Revelação: Evana Jeyssan (As Confrarias)

Prêmio Especial: Erick Saboya (A Bunda de Simone)

Fonte: Bahia Notícias

GABRIEL, O PENSADOR COMPÕE UM MANIFESTO QUE É UM GRITO DE INDIGNAÇÃO. CONFIRA:

INSATISFEITOS COM A FUSÃO PTB/DEM, ANTONIO E EDVALDO BRITO SEGUIRÃO JUNTOS EM BUSCA DE OUTROS RUMOS

Vereador Edvaldo Brito e deputado federal Antonio Brito (Foto Assessoria de Imprensa do deputado)

Vereador Edvaldo Brito e deputado federal Antonio Brito (Foto Assessoria de Imprensa do deputado)

Pai e filho, o vereador de Salvador, Edvaldo Brito e o deputado federal Antonio Brito, aguardam definição sobre a fusão do Partido Trabalhista Brasileiro com o Partido DEMOCRATAS  para avaliar o rumo político que tomarão caso essa união se concretize. A maioria da bancada do PTB na Câmara e no Senado Federal solicitou à direção do partido que essa fusão seja debatida com as bases eleitorais até o próximo mês de setembro, para que os filiados possam avaliar e definir o posicionamento em relação ao destino da sigla. Caso a fusão aconteça, os Brito avaliarão o cenário político e decidirão que rumo seguir juntos. O PTB atualmente está na base do governador Rui Costa e segue votando os projetos do governo federal no Congresso Nacional.

VEM AÍ NOVO ESCÂNDALO: OPERAÇÃO DA PF COMBATE FRAUDES NO SEGURO DPVAT

Estão sendo cumpridos 229 mandados judiciais. Operação acontece em Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.

Estão sendo cumpridos 229 mandados judiciais. Operação acontece em Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.

A Polícia Federal deu início, na manhã desta segunda-feira (13/04), a operação “Tempo de Despertar”, com o objetivo de combater fraudes ao seguro obrigatório de danos pessoais, o DPVAT. A operação acontece nos estados de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Federal, as fraudes podem atingir o montante de R$ 28 milhões.

Estão sendo cumpridos 229 mandados judiciais, sendo 41 de prisão, 7 de conduções coercitivas e 61 mandados de busca a apreensão, além de 12 afastamentos de cargo público, 51 sequestros de bens e 57 afastamentos de sigilo bancário.

O DVAT é um seguro obrigatório pago por motoristas para indenizar vítimas de acidentes de trânsito causados por veículos. A Operação Tempo de Despertar identificou que o grupo criminoso se utilizava de diversas maneiras para fraudar o seguro DPVAT, como falsificação de assinaturas e pagamentos de indenizações pela seguradora antes da homologação de acordo ou mesmo após a negação da homologação por um juiz.

Os investigados responderão pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato, falsificação e uso de documentos públicos, corrupção ativa e passiva, além de facilitação ou permissão de senhas de acesso restrito a terceiros. (Tribuna)

 

PRESIDENTE DO GRUPO ODEBRECHT PEDE UNIÃO A FUNCIONÁRIOS

Marcelo Odebrecht

Marcelo Odebrecht

O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, enviou uma carta aos funcionários onde pede união para defenderem a imagem da empreiteira contra o “denuncismo seletivo e vazio” da Operação Lava Jato. “Vocês, integrantes que vivem o nosso dia a dia e compartilham de nossa filosofia, sintam-se à vontade e estimulados para usar a força de suas palavras para esclarecer os fatos e combater as mentiras na sua origem, nos seus âmbitos de atuação e relacionamento. A começar pelas suas famílias, amigos e seus colegas de trabalho”, afirma o executivo no documento publicado na noite dessa quarta-feira (8) pelo jornal Valor Econômico. “Precisamos somente manter a união e a confiança”, diz ele em outro trecho.

Marcelo nega notícias envolvendo a Odebrecht e menciona o episódio em que advogados da companhia visitaram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT). Segundo ele, a visita ocorreu para “apenas requerer uma certidão”: “Essa recorrência de boatos, esse disse-me-disse e a repetição de acusações infundadas me faz lembrar a máxima de que basta contar uma mentira mil vezes para que ela se torne verdade, o que acaba influenciando a opinião pública”, afirma.

Veja a íntegra da carta do executivo aos funcionários do grupo, divulgada pelo Valor:

“Prezado(a) Integrante,

Dirijo-me mais uma vez a vocês, assim como fiz em outubro e dezembro de 2014, pois me vejo novamente obrigado a esclarecer as inverdades que vem sendo propagadas relacionando as nossas empresas e os nomes de alguns de nossos colegas com a construção de teses descabidas como a de nosso envolvimento em cartel e corrupção de ex-empregados da Petrobras.

Fui educado em padrões rigorosos e com valores definidos e edificantes, em sua maior parte refletidos na nossa cultura. Para mim, a TEO [Tecnologia Empresarial Odebrecht, espécie de guia da corporação], com suas crenças e ensinamentos, é mais que uma filosofia empresarial, é uma filosofia de vida. Respeito a democracia, o estado de direito e a liberdade de expressão. Defendo o diálogo e não me furto a apresentar minhas convicções. Vou procurar sempre influenciar e ser influenciado, na busca do que é o certo.

Como qualquer cidadão, tenho todo interesse em que a verdade venha à tona e que os reais culpados pelo caso da Petrobras sejam responsabilizados, mas não posso admitir que nossos integrantes e nossa Marca sejam expostos e denegridos por afirmações caluniosas, sem comprovação, feitas por criminosos confessos, com claro interesse em obter benefícios penais em um processo questionável de delação.

As falsas acusações veiculadas recentemente seguem o mesmo repertório já apresentado outras vezes. O denuncismo seletivo e vazio tomou conta dos noticiários, comprometendo a imagem e reputação de Pessoas e empresas.Os exageros têm sido recorrentes, como o de apresentar um dos investigados como ex-diretor da Odebrecht, apesar de ele ter sido desligado de nossa Organização há 23 anos! A falácia de que patrocinamos o desfile deste ano da escola de samba Beija-Flor, que teve como enredo um país africano onde sequer temos operação. A relevância que deram à visita de nossos advogados a uma autoridade competente para, dentro dos parâmetros legais e como de praxe no exercício da advocacia, apenas requerer uma certidão. As inverdades e diversionismos sobre o financiamento à exportação brasileira através do BNDES-exim. Ou então quando, recentemente, nos vincularam à Construtora Internacional del Sur, que não é, nem nunca foi de propriedade de qualquer empresa controlada coligada da Organização.

Apesar do posicionamento firme e veemente que temos tido com a imprensa no esclarecimento dos fatos, sinto¬me frustrado com a forma insistente com que os erros acontecem. Essa recorrência de boatos, esse disse-me-disse e a repetição de acusações infundadas me faz lembrar a máxima de que basta contar uma mentira mil vezes para ela se torne verdade, o que acaba influenciando a opinião pública. Fica a impressão de que há um desejo contido de envolver a Odebrecht a qualquer custo. Afinal, somos sócios, clientes e fornecedores da Petrobras há várias décadas. Na imaginação de alguns – talvez muitos –, não há como ficarmos de fora das manchetes.

É lastimável que aconteça desta forma, mas devemos manter a serenidades e estar preparados para continuar defendendo firmemente nossa imagem. Várias ações estão em curso neste sentido. Acompanhamos em tempo real as notícias que envolvem nossa Marca e nossos integrantes e rebatemos cada inverdade com a contundência e informações devidas, nem sempre consideradas com o peso apropriado na edição final das matérias.

Há algumas semanas, iniciamos o envio do Boletim de Notícias a todos os nossos integrantes que possuem e-mail corporativo, com o objetivo de divulgar notícias e artigos publicadas na mídia impressa e digital que nem sempre recebem o espaço adequado e que fogem do lugar-comum, apresentando visões e opiniões diferentes sobre a operação Lava Jato e outros temas correlatos.

Além disso, a fim de esclarecer a opinião pública e reafirmar nosso compromisso com as melhores práticas de governança corporativa, alguns de nossos Negócios decidiram, voluntariamente, iniciar um processo de averiguação sobre os fatos mencionados na Lava Jato, cientes, evidentemente, de que a confiança nas Pessoas é um dos pilares da nossa cultura empresarial, do qual não abrimos mão.

Neste contexto, as contínuas citações pela imprensa de nomes de alguns de nossos colegas me deixam inconformado. Preservo inabalada a confiança em nossos integrantes, que no exercício legítimo de suas atribuições e responsabilidades sempre atuaram com a ética devida.

Nossa relação com o poder público é plenamente transparente e legítima. Já nos manifestamos publicamente sobre este tema. Pelo porte econômico e atuação diversificada, é natural e esperado que os representantes das empresas da Organização, ou das associações de classe que as representam, se relacionem com o poder público nos países onde atuamos. Isto se dá de forma legal e é feito comumente com outros grupo econômicos semelhantes.

Historicamente, somos a escolha de clientes públicos e privados pela nossa determinação com as nossas obrigações assumidas, por nossa comprovada capacidade de entrega com qualidade, técnica e prazo. Isto é o que nos diferencia.

Realizamos, sim, contribuições para campanhas políticas. Nunca me omiti em defender a legitimidade de nossas doações como forma de apoiar a democracia e na defesa daquilo que acreditamos, conforme o fiz em diversas entrevistas veiculadas pela imprensa nestes últimos anos.

Seguirei defendendo a verdade e a honra de nossos integrantes. Somos uma empresa séria, cumpridora de nossos compromissos, diferenciada por uma cultura com valores humanistas e éticos e com uma história de 70 anos de realizações.

Nossos líderes possuem a responsabilidade indelegável da pedagogia da presença, que se torna ainda mais importante em momentos como o atual. Reforço a necessidade e a importância de que estabeleçamos com nossos parceiros um diálogo franco , direto e transparente sobre os fatos como verdadeiramente são, evitando dúvidas e especulações fantasiosas.

Vocês, integrantes que vivem o nosso dia a dia e compartilham de nossa filosofia, sintam-se à vontade e estimulados para usar a força de suas palavras para esclarecer os fatos e combater as mentiras na sua origem, nos seus âmbitos de atuação e relacionamento. A começar pelas suas famílias, amigos e seus colegas de trabalho.

Sabemos que o contexto atual nos apresenta grandes desafios. Desafios, porém, não são maiores do que os que já enfrentamos ao longo de nossa história de 70 anos, que atestam nossa capacidade de reação e de superação. Precisamos somente manter a união e a confiança, convictos de nossa força e seguros de que nossos valores e princípios seguem inabalados. Estamos juntos e juntos superaremos qualquer desafio.

Marcelo Odebrecht

Diretor-Presidente Odebrecht S.A.”

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