Archive for Janeiro, 2015

ONTEM À NOITE, ENQUANTO PERMANECÍAMOS EM FÉRIAS NA BARRA DO JACUÍPE, O ATENTO REINALDO AZEVEDO ESCREVIA:

 

Barra do Jacuípe, terça feira 27, 22 horas

Barra do Jacuípe, terça feira 27, 22 horas

REINALDO AZEVEDO

Reinaldo Azevedo: Dilma relê “O Poema de Sete Faces” e faz o discurso de duas caras. Ou: Piorando Goebbels, o que parecia impossível.

Consta que as relações entre a presidente Dilma Rousseff e o marqueteiro João Santana já viveram dias melhores. Não sei qual a razão da rusga. Mas cabe à presidente não ser ingrata. Santana deu a melhor embalagem que podia a uma formidável coleção de imposturas. A combinação desse profissional sem dúvida competente com o partido poderia ser esta: “Eu contarei as mentiras de vocês de um modo que parecerão verdades inquestionáveis”. E deu certo para eles. E deu errado para o país. Dilma obteve o segundo mandato.

A Desaparecida do Cerrado voltou a dar as caras nesta terça na maior reunião ministerial do mundo, realizada na Granja do Torto. Proibiu a presença de assessores dos ministros. Faz sentido. Ou teria de fazer o encontro no estádio Mané Garrincha. Parafraseio o “Poema de Sete Faces”, de Drummond, para a presidente de duas caras:

“Pra que tanto ministro, meu Deus?, pergunta o meu coração. O homem atrás do bigode é o Mercadante”

Abro este texto falando de João Santana. E volto a ele. Dilma deu uma recomendação clara a seus ministros no discurso (íntegra aqui) que abriu a reunião, prestem atenção:

“Nós devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e permanentemente. Vou repetir: sempre e permanentemente. Nós não podemos permitir que a falsa versão se crie e se alastre. Reajam aos boatos, travem a batalha da comunicação, levem a posição do governo à opinião pública, a posição do ministério. Sejam claros, sejam precisos, se façam entender. Nós não podemos deixar dúvidas.”

Para uma turma viciada em marquetagem, tudo se resolve mesmo numa batalha de comunicação. Entendo. Houve certa feita um senhor que cravou uma frase realmente notável: “Um bom governo sem propaganda dificilmente se sai melhor do que uma boa propaganda sem um bom governo. Um tem que complementar o outro”. Seu nome era Goebbels. O discurso a que me refiro está aqui.

A presidente que não quer que a falsa versão se alastre afirmou o seguinte:

“As medidas que estamos tomando e que tomaremos, elas vão consolidar e ampliar um projeto vitorioso nas urnas por quatro eleições consecutivas e que estão, essas medidas, ajudando a transformar o Brasil. Como disse na cerimônia de posse, as mudanças que o país espera, que o país precisa para os próximos quatro anos, dependem muito da estabilidade e da credibilidade da economia. Nós precisamos garantir a solidez dos nossos indicadores econômicos.”

Que “projeto” venceu nas urnas? O da elevação de tarifas, o dos juros altos, o da mudança do seguro desemprego, o da recessão? Já escrevi, reitero e não vou desistir de lembrar: a petista acusava seus adversários de ter essas intenções. Afirmar que o que está em curso é congruente com o que prometeu em campanha chega a ser ofensivo. A menos que passemos a adotar a perspectiva do presente eterno, conformados em ter o PT como nosso guia. Assim, ficaria definido que o partido estará sempre no governo e que tudo o que fizer concorre para o bem porque, afinal, busca fortalecer o… próprio partido. Os petistas resolveram, para nosso espanto, piorar Goebbels: “Precisamos é de uma boa propaganda, não de um bom governo”.

A presidente que quer “enfrentar o desconhecimento e a desinformação” atribui as dificuldades do país a “dois choques”: o externo e o interno. O primeiro seria marcado pelo crescimento menor da China e pela estagnação de Europa e Japão, associados à queda de preço das commodities. Poderia me alongar, mas serei breve: ela teria de explicar por que a maioria dos países da América Latina, para ficar por aqui, cresce mais do que o Brasil. Nas terras nativas, ela vê um choque de alimentos derivado do regime de chuvas, que também traz impactos na água e na energia. E pronto.

A líder que pede que se faça a guerra de propaganda apresenta um diagnóstico que dez entre dez pessoas que já venceram o “desconhecimento e a desinformação” — que lhe deram o segundo mandato, note-se — sabem ser falso.

Leiam a íntegra do discurso. Há muitas outras tolices, mas destaco mais uma. Referindo-se ao escândalo do petrolão, afirmou:

“Temos que continuar apostando na melhoria da governança da Petrobras, aliás, de todas as empresas privadas e das empresas públicas em especial. Temos de apostar num modelo de partilha para o pré-sal, temos de dar continuidade à vitoriosa política de conteúdo local. Temos que continuar acreditando na mais brasileira das empresas, a Petrobras. (…) E queria dizer para vocês que punir, que ser capaz de combater a corrupção não significa, não pode significar a destruição de empresas privadas também. As empresas têm de ser preservadas, as pessoas que foram culpadas é que têm que ser punidas, não as empresas.”

Trata-se de uma mentira assentada sobre bobagens. A mentira: ninguém está perseguindo empresas, mas criminosos. A bobagem (também falaciosa): a política de conteúdo nacional não é vitoriosa. Ao contrário: ela está se revelando desastrosa. A própria Dilma está querendo enfiar R$ 10 bilhões de dinheiro público no setor naval.

Para encerrar: Dilma resolveu refazer as promessas de 2011: “Lançaremos um Programa de Desburocratização e Simplificação das Ações de Governo. Já iniciamos também a definição de uma nova carteira de investimentos em infraestrutura. Nós vamos ampliar tanto as concessões como as autorizações de infraestrutura ao setor privado. Vamos continuar com as concessões de rodovias, com as autorizações e concessões em portos e ampliar as concessões de aeroportos. Realizaremos concessões em outras áreas, como hidrovias e dragagem de portos”.

Ou por outra: se fizer o que diz que vai fazer, estará cumprindo em oito anos o que prometeu fazer em quatro. Os tempos que vêm por aí não serão nada fáceis.

Texto publicado originalmente às 22h27 desta terça

PETROBRÁS PERDE 50% DO SEU VALOR DE MERCADO

Em coluna assinada o jornalista Reinaldo Azevedo ( http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/ )  afirma que as perdas da Petrobrás, incluída a roubalheira pode chegar a 50% do valor de mercado. Segundo o articulista, a estatal divulga, na calada da noite, balanço sem auditoria, no qual ninguém acredita, e omite corrupção. Veja na íntegra:

E a Petrobras divulgou, na calada da noite, o seu balanço trimestral. Sem incorporar as perdas decorrentes da corrupção. Sem pôr na conta a roubalheira, a estatal registrou lucro de R$ 3,087 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, uma queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e setembro, o ganho acumulado foi de R$ 13,4 bilhões, recuo de 22% ante o ano anterior.

E as safadezas? O documento, assinado por Graça Foster, explica: “Concluímos ser impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da companhia”.

E por que divulgar um balanço no qual ninguém acredita? A empresa explica: “A divulgação das demonstrações contábeis não revisadas pelos auditores independentes do terceiro trimestre de 2014 tem o objetivo de atender obrigações da companhia em contratos de dívida e facultar o acesso às informações aos seus públicos de interesse, cumprindo com o dever de informar ao mercado e agindo com transparência com relação aos eventos recentes que vieram a público no âmbito da Operação Lava-Jato”.

O que se estima é que a empresa teria de incorporar uma perda de US$ 20 bilhões — ou R$ 52 bilhões. Sabem o que isso significa? Praticamente a metade do que ela vale hoje na Bolsa de Valores — R$ 107 bilhões no começo deste mês.

Dilma comandou nesta terça, como se sabe, a maior reunião ministerial do planeta. No discurso, ela disse não haver contradição entre o que diz e faz. Num grupo de 192 palavras, repetiu “Petrobras” oito vezes, segundo ela, a “mais estratégica empresa do Brasil”. Defendeu que se investiguem as irregularidades, mas sem enfraquecer a estatal. E seguiu com outras platitudes.

Enquanto a governanta, em suma, anunciava amanhãs sorridentes, a Petrobras, depois de 12 anos sob os cuidados da companheirada, é obrigada a publicar um balanço na calada da noite, sem auditoria, no qual ninguém acredita. É a suprema desmoralização.

Que ironia! Houve um tempo em que o PT fazia terrorismo eleitoral, acusando os adversários de querer vender a Petrobras, o que sempre foi mentira. Se a estrovenga fosse posta à venda hoje, haveria o risco de ninguém querer comprar…

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA APROVA CONCESSÃO DE COMENDA A JORNALISTA DE JEQUIÉ

Jornalista Ari Moura

Jornalista Ari Moura

A Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, aprovou em plenário, a concessão da Comenda Dois de Julho, ao jornalista Ari Moura (Jornal A Folha/89,7 FM), proposta apresentada pelo deputado estadual Euclides Fernandes. A justificativa da proposta está relacionada a reconhecimento do trabalho do homenageado na imprensa de Jequié, onde atuou profissionalmente em diversos veículos de comunicação,  ao longo de três décadas, na cidade que adotou como terra natal, após ter fixado residência em companhia dos país, com seis meses de nascido em Patos, na Paraíba, no início da década de 1950. A data da cerimônia de concessão da homenagem será confirmada em breve.D.O-Comenda-dois-de-Julho-Ari-Moura0001

 

MARTA SUPLICY VOLTA A ATACAR EX-COMPANHEIRA DILMA ROUSSEFF

MartaA ex-ministra e ora senadora Marta Suplicy voltou a atacar a ex-companheira de militância partidária, a presidente Dilma Rousseff, em artigo que publicou nesta terça-feira (27) na Folha de S.Paulo. Desta vez, mais do que a anterior, sem dó nem piedade. Faz uma análise, embora superficial, da situação em que o Brasil se encontra e lança a culpa sobre a presidente. Em certo trecho do que escreveu, diz ela: “Se houvesse transparência na condução do governo da presidente Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os seus erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição dos direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos, aumentos de impostos fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”. Mais adiante, dá sequência ao texto impiedoso: “O PT vive momentos complexos, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos. Prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras”. Alega  a senadora que não há um projeto a ser apresentado à nação. Mais do que as acusações que fizera à presidente numa entrevista por ela concedida, desta vez Marta Suplicy juntou o que de fato se observa para acertar em cheio a presidente da República. É o PT brigando com o PT, um desentendimento cuja tendência é se ampliar . Veja na íntegra o artigo publicado na Folha de São Paulo:

Marta Suplicy: O diretor sumiu, FSP, 27.1.2015,

Tenho pensado muito sobre a delicadeza e a importância da transparência nos dias de hoje. Temos vivido crises de todos os tipos: crise econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional. Todas elas foram gestadas pela ausência de transparência, de confiança e de credibilidade.

Se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir.

Assim que a presidenta foi eleita, seu discurso de posse acompanhou o otimismo e reiterou os compromissos da campanha eleitoral: “Nem que a vaca tussa!”.

Havia uma grande expectativa a respeito do perfil da equipe econômica que a presidenta Dilma Rousseff escolheria. Sem nenhuma explicação, nomeia-se um ministro da Fazenda que agradaria ao mercado e à oposição. O simpatizante do PT não entende o porquê. Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação.

Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta.

Iniciam-se medidas de um processo doloroso de recuperação de um Brasil em crise. Até onde ela se propõe a ir? Até onde vai o apoio à equipe econômica?

Para desestabilizar mais um pouco a situação, a Fundação Perseu Abramo, do PT, critica as medidas anunciadas, o partido não apoia as decisões do governo e alguns deputados petistas vociferam contra elas. Parte da oposição, por receio de se identificar com a dureza das medidas, perde o rumo criticando o que antes preconizou.

O PT vive situação complexa, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção.

Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança.

É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.

Acrescentem-se a esse quadro a falta de energia e de água, o trânsito congestionado, os ônibus e metrôs entupidos, as ameaças de desemprego na família, a queda do poder aquisitivo, a violência crescente, o acesso à saúde longe de vista e as obrigações financeiras de começo de ano e o palco está pronto.

A peça se desenrola com enredo atrapalhado e incompreensível. O diretor sumiu.

MARTA SUPLICY é senadora pelo PT-SP. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e ministra da Cultura (2012-2014)

SACO DE MALDADES

Eliane CastanhêdePor Eliane Castanhêde*

 

 

 

É sempre assim: quanto mais os governos erram, mais você, consumidor e contribuinte, paga a conta. Ou melhor, paga o pato.

Enquanto economista, Dilma Rousseff tirou uma nota sofrível no primeiro mandato, com crescimento praticamente zero, inflação no teto da meta, juros estratosféricos, balança comercial desbalanceada, desempenho fiscal mais do que constrangedor.

Enquanto ministra das Minas e Energia, chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás no governo Lula, ela não soube, não viu e não ouviu que a maior e mais simbólica companhia do país estava indo para o buraco, arrastando as maiores empreiteiras do país e ameaçando milhares de empregos.

Enquanto expert no setor elétrico, a presidente conseguiu, com uma canetada arrogante e voluntariosa, desestruturar todo o setor e deixar geradoras, transmissoras e distribuidoras tontas, desorientadas e com a contabilidade de pernas para o ar. Resultado: conta mais cara e apagão.

Mas, enfim, Dilma foi reeleita com os votos de pouco mais da metade dos eleitores e eleitoras e chegou ao segundo mandato diante de uma escolha de Sofia: cortar gastos, aumentar impostos ou as duas coisas simultaneamente.

Estava escrito nas estrelas que faria as duas coisas, apesar de todas as negativas na campanha e de ter acusado Armínio Fraga – eleito o vilão da história – de costurar o saco de maldades que ela mesma já alinhavava e agora joga na cabeça e nos ombros de quem consome e de quem paga impostos. E que impostos!

Sobram, portanto, irritação e indignação, mas não há um pingo de surpresa em todos os anúncios que a equipe de Dilma vem fazendo desde a eleição, enquanto ela mesma se esconde num silêncio ensurdecedor: “flexibilização” de direitos trabalhistas e previdenciários, tesourada até mesmo nos recursos da educação da “pátria educadora”, agora os aumentos de impostos e de tarifas e veto na correção da tabela do IR.

Os juros continuam arremetendo, ameaçadores, e sobem a tarifas de energia, de ônibus e da gasolina. Então, ficamos assim: quando o barril de petróleo disparava internacionalmente, a Petrobrás represava politicamente o preço interno da gasolina; agora que o barril só despenca lá fora, a gasolina vai subir aqui dentro. Uma lógica para lá de curiosa.

Do ponto de vista político, contudo, Dilma Rousseff não precisa se preocupar muito. A indignação é generalizada entre os bem informado e que já estão sentindo as maldades pipocando dentro da bolsa ou do bolso, mas esses não têm articulação nem disposição para botar a boca no trombone. Contentam-se em ler ou ouvir um artigo ácido daqui, uma entrevista crítica dali.

Quem teria condições de catalisar a irritação, dizer poucas e boas verdades e pressionar o governo seriam CUT, UNE, MST e MTST, esse novo movimento paulistano dos sem-teto. Mas a cumpanheirada está na palma da mão de Lula, do PT, de Dilma, de verbas generosas de órgãos e empresas. É mais provável que justifiquem e até aplaudam aumento de impostos e tarifas! Sinal dos tempos. Tudo que seu mestre e sua mestra mandarem…

E o Congresso? Bem. O PT sozinho não dá para o gasto, mas o PMDB é forte e experiente, daqueles que choraminga, ameaça e pressiona, mas no final assegura as vitórias dos projetos, quaisquer projetos, do governo.

A isso some-se a saia justa da oposição. Como condenar as medidas que o tucano Aécio Neves, a sonhática Marina Silva ou qualquer um que vencesse a eleição teria que tomar, querendo ou não?

Levy armou-se até os dentes, o Congresso é dócil, a oposição está de mãos atadas, os movimentos sociais parecem saciados, ou cooptados. Dilma segue muda e incólume, como se não tivesse a menor culpa no que Marta Suplicy chama de “fracasso” da política econômica. Quem leva a pior? Você, claro. E vem mais por aí…

*Jornalista, atua no Globo News, ex-colunista da folha de São Paulo e atual articulista do Estadão

 

EM JULGAMENTO MARCADO PARA ESSA TERÇA (20), TRE PODE CASSAR MANDATO DO DEPUTADO FEDERAL ROBERTO BRITTO.


Embora caiba recurso no caso de condenação, Tribunal Regional Eleitoral da Bahia pode tirar o mandato do deputado Roberto Britto.

roberto brittoPouco mais de um mês após sua diplomação como deputado federal reeleito, Roberto Britto (PP) pode dar adeus ao seu novo mandato nesta terça-feira (20). O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) pode julgar nesta terça uma ação contra o parlamentar que usou R$ 50 mil em verba de gabinete para propaganda eleitoral antecipada, de acordo com o Ministério Público Estadual (MPE). Em maio de 2014, Britto mandou distribuir em residências de Jequié – sua base eleitoral – um “informativo” que enaltecia seus supostos feitos pela cidade. “Faço questão de sempre lembrar a todos que o caminho para disponibilizar recursos não é fácil. É preciso persistência, paciência e acompanhamento aos órgãos do Executivo; um dever que requer muita dedicação e empenho. Continuarei meu trabalho, de maneira incansável na Câmara dos Deputados e junto aos ministérios espero que essas emendas continuem sendo transformadas em melhorias e garantam mais qualidade de vida para Jequié e região”, diz o material ilegal. O folheto elogiava ainda as supostas qualidades políticas do progressista e, de acordo com a peça processual do MPE, “não deixa dúvidas: trata-se de peça publicitária destinada a infundir confiança e atrair votos”. Em Jequié, Britto foi o segundo mais votado em 2014 e teve 10.904 – cerca de 14,55% dos votos válidos, ficando atrás apenas de Antônio Brito (PTB), que teve 36.653 votos. Em julho de 2013, o deputado foi acionado pelo TRE e pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE-BA) por distribuir em Jequié lenços de tecido estampados com o seu nome e cargo, associados à imagem de Santo Antônio e anjos a bordo de um barco à vela. “A prática tratou-se, na verdade, de propaganda realizada de forma ostensiva, mascarada na forma de lembranças distribuídas aos eleitores”, afirmou, à época, o procurador regional eleitoral Sidney Madruga. Segundo ele, embora não contemple pedido explícito de voto, a conduta do deputado “revela-se preordenada a alavancar pretensões políticas no pleito de outubro do ano que vem”. De acordo com o TRE, caso seja condenado por esta nova infração, o parlamentar poderá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes de perder seu cargo de deputado federal. (Bahia Notícias)

PÉROLAS TRÁGICAS DO ENEM

renato essenfelderPor Renato Essenfelder*

 

A tragédia brasileira é tão velha quanto as tragédias de Romeu, de Tristão. Embora não tenha sua plasticidade, carrega o sombrio ar de maldição. Na tragédia brasileira, 500 mil jovens secundaristas zeram suas notas de redação em uma prova e ninguém se importa.

A tragédia se manifesta de muitas formas. Uma das que mais me impressionaram foi a de Tristão. Eu de calças curtas num teatro vetusto. Sobre o palco a magia de infinitos mundos colidindo e renascendo aos olhos nus.

Tristão apaixonou-se perdidamente por Isolda. Isolda, por Tristão. Não é preciso dizer mais nada. Apaixonaram-se demais. Antevê-se a tragédia.

Tristão morreu envenenado, assim como Romeu. Em uma versão da história, Isolda beija os lábios do corpo ainda quente de seu amado e acaba também envenenada.

Julieta, mais cênica, enterra um punhal no próprio coração ao contemplar o corpo inerte de Romeu.

A tragédia brasileira é tão velha quanto, porém carece da plasticidade de uma Julieta, de uma Isolda – embora guarde com essas o sombrio aspecto da inevitabilidade. A bem dizer, nem Romeu há na tragédia brasileira, porque ninguém leu Shakespeare. Não há Tristão, pois ninguém vai nem ao teatro nem aos mitos. Na tragédia brasileira, 500 mil jovens secundaristas zeram suas notas de redação em uma prova. A nota máxima vai para duas centenas de candidatos, dentre seis milhões de membros de uma elite que tem condições de fazer o exame.

Mais trágico: ninguém realmente se importa. Nem os jovens nem suas famílias nem nós nem nossos governantes. Tendo desistido de tudo, o brasileiro não desiste nunca.

A bem da verdade, nunca me importei muito com notas – minto, parei de me importar com notas depois de virar professor, apenas –, mas o lodaçal vermelho me deprimiu mesmo assim, esmagando qualquer ceticismo em relação aos métodos de correção, sempre falíveis, sempre falhos.

Não são apenas zeros: é o desperdício de potencial. O que somos e o que poderíamos ser. A vida inteira convivo com este espelho no escuro. Sou tudo o que poderia ser, neste momento, nestas condições? A despeito da falta de grana, da falta de tempo, das obrigações com trabalho, família, sociedade, universo: sou o que poderia ser?

Ou vela apagada em quarto escuro, à espera de uma faísca tardia?

Os zeros e uns das redações, enfileirados, formam um funeral de velas apagadas no escuro da noite brasileira. Capengamos em nossa própria língua, e, sem língua, não somos. Sem linguagem ninguém é.

Mas a história sempre prossegue, indiferente aos lamentos, e em breve os reprovados em todos os exames em todos os cantos do país assumirão seus postos como engenheiros, jornalistas, advogados, médicos, professores. Estranhos à língua, estranhos à imaginação. Perpetuarão o ciclo de desprezo pela leitura e pela solitária disciplina do pensamento. Marcharão por todos os cantos da terra.

Os homens ocos. Os homens empalhados.  A antítese do que éramos quando crianças, quando sabíamos sonhar e tínhamos ganas de aprender. Lembra?

Mas aquilo é passado, e hoje a marcha segue alheia aos castelos da infância.

O desfecho dessa tragédia, infelizmente, é a coisa mais fácil de imaginar.

*Renato Essenfelder Abraão Filho é Jornalista, escritor, doutor em Ciências da Comunicação pela USP

AXÉ, OXALÁ!

A Festa do Bonfim é uma celebração religiosa que tem lugar em Salvador da Bahia, Brasil. Acontece em 16 de janeiro, com novenário solene e exposição do Santíssimo Sacramento pelo capelão da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, no alto da península itapagipana.

A Festa não deve ser confundida com a tradicional Lavagem do Bonfim, que ocorre na segunda quinta-feira de janeiro, que antecede Festa e conta com grande participação do povo, que chega em carroças enfeitadas, e das tradicionais baianas, com seus vasos com água de cheiro.

Ontem, quinta feira (15), cerca de 800 mil pessoas participaram da quilométrica procissão, com todos vestidos de branco, entre a igreja da Conceição da Praia e a do Bonfim, no alto da Colina Sagrada. As baianas, que todos os anos abrem o cortejo, despejam seus vasos com água de cheiro no adro da igreja e sobre as cabeças dos fiéis, num ritual de fé e esperança.

CAIXA SOBE JUROS E FICA MAIS DIFÍCIL COMPRAR IMÓVEL

caixa imoveisjpgOs mutuários que pretendem financiar a compra da casa própria com recursos da poupança podem preparar o bolso. A Caixa Econômica Federal reajustará os juros das operações contratadas por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A justificativa foi o aumento na taxa Selic (juros básicos da economia), que subiu nos últimos meses e está em 11,75% ao ano.

As novas taxas valem para os financiamentos concedidos a partir de domingo (19). De acordo com a Caixa, os mutuários que já assinaram contrato não terão mudança. Os imóveis financiados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou pelo Programa Minha Casa, Minha Vida também não sofrerão alterações.

No Sistema Financeiro Habitacional (SFH), apenas a taxa para quem não é correntista da Caixa não mudou, sendo mantida em 9,15% ao ano. Para os correntistas do banco, os juros subirão de 8,75% para 9% ao ano. Os mutuários com conta na Caixa e que recebem salário por meio do banco passarão a pagar 8,7% ao ano de juros, em vez de 8,25% ao ano.

Para os servidores públicos, a taxa aumentará de 8,6% para 8,7% ao ano para os correntistas. Para os servidores com conta na Caixa e que recebem salário pelo banco, os juros passarão de 8% para 8,5% ao ano.

O SFH financia até 90% de imóveis de até R$ 650 mil. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, Distrito Federal e em Minas Gerais, o valor máximo de avaliação do imóvel corresponde a R$ 750 mil. As linhas do SFH tem custo efetivo máximo limitado a 12% ao ano. O custo efetivo máximo engloba juros e impostos sobre a linha de crédito, mas exclui gastos com seguros e taxas de administração.

No Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que segue regras de mercado e não tem limite de valor para os imóveis, a taxa para quem não tem relacionamento com a Caixa subirá de 9,2% ao ano para 11% ao ano. Para os correntistas do banco, os juros passarão de 9,1% ao ano para 10,7% ao ano. Quem tem conta no banco e recebe salário pela Caixa passará a pagar 10,5% ao ano de juros, em vez de 9% ao ano.

No caso dos servidores públicos, os juros também subirão de 9% ao ano para 10,5% ao ano. Para servidores com conta na Caixa e que recebem salário pelo banco, os juros saltarão de 8,8% ao ano para 10,2% ao ano.

UM RETORNO AO OBSCURANTISMO?

Carlos-Éden1-150x150Por Carlos Eden*

 

 

 

O ataque ao jornal francês “Charlie Hebdo”, apesar de brutal e inaceitável, era de certa forma previsível, já que o semanário havia sofrido um atentado em 2011. Sendo um órgão de imprensa de humor irreverente, numa Europa onde é crescente a discriminação a imigrantes vindos em grande parte, de países de religião muçulmana, estará sempre visado pelos radicais do islamismo. Cartunistas mais afoitos sabiam dos riscos que corriam quando satirizavam figuras consideradas sagradas para o Islã, principalmente para os alucinados fanáticos fundamentalistas. Assim, o ato extremamente violento em si, demonstrou a fragilidade das instituições livres e a ameaça à liberdade de expressão, perante o radicalismo político e religioso de grupos extremistas, a que o mundo inteiro está exposto.

Charge Eden(2)Sendo um pobre e obscuro cartunista, nordestino, nascido e envelhecido no interior da Bahia, procurando respeitar a fé, os costumes e crenças populares, sempre evitei nas minhas charges e cartuns, críticas às entidades religiosas e instituições similares, por acreditar no direito das pessoas de crer naquilo que lhes traga a paz espiritual e promova o bem-estar de seus semelhantes, desde que não sejam manipulados por líderes fanáticos e hipócritas. Por outro lado, dediquei-me ao cartunismo voltado para a charge política, principalmente por me sentir na obrigação de colocar a arte do humor gráfico a serviço da cidadania, contra os desmandos e contradições dos maus políticos. Na grande maioria das vezes tenho sido apenas colaborador, sem remuneração, fazendo charges para ilustrar textos meus, publicados nos órgãos de imprensa que me solicitam a colaboração.

O “Charlie Hebdo” começou a circular na França a partir de l970, época em que “O Pasquim”, aqui no Brasil teve seu melhor momento, publicando charges contra o regime ditatorial que censurava duramente os órgãos de imprensa.  “O pasquim”, assim como o “Charlie Hebdo” era também um hebdomadário, ou seja, um jornal editado semanalmente, daí o termo “hebdo” do jornal francês. Cartunistas como Henfil, Ziraldo, Jaguar, Millôr Fernandes e outros, faziam ótimas charges de uma sutileza inteligente, que conseguiam driblar os censores de curta percepção, atingindo assim, seu objetivo de comunicar-se com o público leitor, ainda que de vez em quando, tivessem edições inteiras vetadas e apreendidas ou circulando com algumas colunas cobertas de tinta preta, por imposição da censura.

O ataque ao jornal francês é um gravíssimo acontecimento, que faz o mundo retroceder aos tempos medievais do obscurantismo, quando os livres pensadores, sábios, poetas e artistas eram condenados à morte, porque contrariavam os conceitos estabelecidos por aqueles que se consideravam donos da verdade, cuja mentalidade os impedia de aceitar quaisquer novas idéias que ameaçassem mudar os valores políticos, culturais e religiosos da época. Entretanto, não é ridicularizando a fé e as crenças de outros povos, gerando intolerância e discriminação, o que resulta nessas brutais reações dos fanáticos, que alcançaremos a paz almejada por todos.

*Carlos Eden Meira é um jornalista jequieense, cartunista da melhor qualidade e articulista do site Bahia em Foco.