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PARA REFLEXÃO

Roberto Ampuero* 

(Compartilhado de Antonio Magalhães Ribeiro)

 

 

“A experiência do Chile de Pinochet, da Cuba dos Castro e da escrita deste romance me ensinaram algo mais: não há nada que se pareça mais com uma ditadura de direita do que uma ditadura de esquerda… nada mais parecido com o hitlerismo do que o stalinismo…

Para aquele que aguarda o interrogatório em uma célula de segurança do Estado, dá na mesma se seu torturador é de esquerda ou de direita, se é religioso ou ateu, se acredita no comunismo ou na segurança nacional…

O terror e a dor, a angústia e o sofrimento, a impotência e a arbitrariedade que experimentará nesses calabouços serão simplesmente uma afronta à espécie humana. Nesse instante, todas as ditaduras são uma e a mesma, e toda dor que o ser humano sente diz respeito à humanidade em seu conjunto, não importa quais sejam suas convicções políticas.

Enquanto releio este manuscrito, pergunto-me o que leva o ser humano, ou melhor dizendo, o que leva tantos seres humanos a condenar uma ditadura de direita e a celebrar ao mesmo tempo uma ditadura de esquerda. Que retorcido mecanismo mental os conduz a denunciar o abuso, a tortura, a marginalização, o escárnio, o exílio, a repressão e o assassinato daqueles que pensam de modo diferente sob uma ditadura de direita, mas os faz justificar essas mesmas medidas contra aqueles que se opõem a uma ditadura de esquerda?

 O que leva uma pessoa a condenar um general que dirige durante dezessete anos um país andino com mão de ferro e a elogiar em contrapartida um comandante que há 50 anos comanda de igual modo uma ilha? Será que isso se deve à ignorância, à hipocrisia ou ao oportunismo, ou a uma lealdade mal entendida em relação a bandeiras ideológicas, à postergação da realidade diante da utopia e do indivíduo em relação à massa, ou simplesmente à exacerbação extrema da falta de humanidade de nossos dias”?

*Roberto Ampuero foi membro da juventude comunista do Chile e, após o golpe de Pinochet, se exilou na RDA e, posteriormente, em Cuba, por alguns anos. No livro:  “Nossos anos verde-oliva”, Editora Saraiva/Benvirá, São Paulo, 2012, pp 481-482.

MILITARES SE REBELAM NO NORTE DA VENEZUELA, MAS SÃO RENDIDOS

Um grupo de militares do chamado Forte Paramacay, no estado de Carabobo, na Venezuela, promoveu um levante neste domingo (6) contra o governo de Nicolás Maduro, mas acabou rendido por outros membros das Forças Armadas, segundo o dirigente chavista Diosdado Cabello. A informação é da Agência EFE. Em um vídeo, um grupo de aproximadamente 20 homens usando uniformes militares e armados acompanham um porta-voz que se identifica como “capitão Juan Caguaripano” e “comandante da operação David Carabobo”. Ele se declarou “em rebeldia” contra “a tirania assassina de Nicolás Maduro”. Além disso, ressaltou que não se trata de um “golpe de Estado”.

AMERICA LATINA SUSPENDE DIREITOS POLÍTICOS DA VENEZUELA NO MERCOSUL POR ROMPER A DEMOCRACIA

“Não importa o que se perca de comércio. O que estamos a dizer aqui é: você não pode matar seu povo, não pode cassar direito”, afirmou o chanceler argentino Jorge Faurie.

Suspensa do exercício de membro do Mercosul desde dezembro por descumprir obrigações com as quais se comprometeu em 2012, a Venezuela agora recebeu uma nova sanção por “ruptura da ordem democrática”.

A decisão foi aprovada por unanimidade de dirigentes da America Latina e anunciada neste sábado (5), após uma reunião em São Paulo, da qual participaram representantes do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai, os quatro países fundadores do bloco.

Com a medida, a reintegração da Venezuela fica mais complicada. Mesmo que passe a cumprir todos os acordos de 2012, o Mercosul só voltará a incorporar o país depois de “restaurada a ordem democrática”, afirmou o documento da reunião.

“Desde que o governo venezuelano enveredou por um caminho que o levou a se afastar cada vez mais da democracia, nossos países, em diversas instâncias, manifestaram preocupação”, afirmou o chanceler brasileiro Aloysio Nunes.

A decisão foi baseada na cláusula do Protocolo de Ushuaia, assinado em 1996, que afirma que os países do bloco devem respeitar a democracia para fazer parte.

A medida coloca o governo de Nicolás Maduro em uma situação ainda mais isolada em relação aos seus pares latino-americanos.

O comunicado não prevê sanções comerciais, mas cada país pode decidir por retaliações próprias conforme seus acordos bilaterais.

Segundo Nunes, o Brasil não suspenderá a exportação de alimentos para a Venezuela, porque agravaria a crise humanitária. O protocolo de Ushuaia não prevê a expulsão de um membro do Mercosul.

“Queremos que a Venezuela volte. Esse é o objetivo. Queremos que ela se reencontre com a democracia”, afirmou o chanceler brasileiro.


 

Declaração de Maduro

Em pronunciamento à Rádio Rebelde da Argentina, Maduro afirmou que “nunca vão tirar a Venezuela do Mercosul”. “Somos Mercosul de alma, coração e vida. Algumas oligarquias golpistas, como a do Brasil, ou miseráveis, como a que governa a Argentina, poderão tentar mil vezes, mas sempre estaremos aí”, disse.

Ele também acusou o presidente argentino Mauricio Macri de estimular um bloqueio comercial e político contra seu país.

“O Macri não só destrói o povo e agride a classe trabalhadora argentina (…), mas também é a ponta de lança da agressão e agora o porta-bandeira da busca por um bloqueio econômico, financeiro, comercial e político como o que fizeram a Cuba nos anos 60”, afirmou.

ATAQUE DURANTE PLEBISCITO DEIXA 2 MORTOS EM CARACAS

Informação foi divulgada pelo chefe de campanha do plebiscito e prefeito do município de Sucre, Carlos Ocariz, em sua conta pessoal do Twitter.

Duas pessoas morreram e outras quatro ficaram gravemente feridas no oeste de Caracas neste domingo (16/07). O incidente ocorreu após um grupo de homens armados atirar contra venezuelanos durante a realização da consulta popular promovida pela oposição sobre o processo da Constituinte defendido pelo governo de Nicolás Maduro.

A informação foi divulgada pelo chefe de campanha do plebiscito e prefeito do município de Sucre, Carlos Ocariz, em seu perfil no Twitter. “Há pouco, um incidente em Catia. Paramilitares dispararam. Há 4 feridos gravemente e 2 mortos”, escreveu o governante no Twitter.

Eleitor exibe seu voto antes de depositá-lo em urna, durante plebiscito não-oficial organizado contra o presidente Nicolás Maduro – 16/07/2017 (Federico Parra/AFP)

O plebiscito extraoficial que visa desafiar o presidente Nicolás Maduro e seus planos para reescrever a Constituição. Os defensores do plebiscito dizem que Maduro está buscando consolidar uma ditadura no país e deve ser impedido antes que a escassez de alimentos e medicamentos essenciais piore.

A votação simbólica foi projetada para elevar a pressão e evitar que as eleições chamadas por Maduro para 30 de julho convoquem uma Assembleia Constituinte, que poderá reescrever a Constituição e dissolver as instituições do Estado.

O voto não vinculante, convocado pela Assembleia Nacional, órgão legislativo controlado pela oposição, pergunta aos venezuelanos três questões: se eles rejeitam a Assembleia Constituinte, se desejam que as Forças Armadas defendam a atual Constituição e se querem eleições antes do final do mandato de Maduro.

Com informações da agência Reuters e EFE

VOCÊ QUER MESMO DEIXAR O BRASIL? TEM CERTEZA?

Por Tania Menai*

 

 

Ontem recebi um email dando boas-vindas a um novo estudante na turma de pré-jardim de infância da minha filha, de quatro anos. Muitos pais responderam o email com mensagens acolhedoras e animadas – então o pai do novo menino escreveu de volta, agradecendo o carinho e enviando uma foto da família. Mas avisou: “sou o mais alto.” Ali estava uma família de dois homens negros e um lindo menino. Mostrei a foto para minha filha e disse: “este é o seu novo amiguinho da escola!” Ela sorriu, disse que ele parecia com um outro coleguinha, e voltou a brincar. Nós somos brancas – e judias. Nossa escola é pública. A combinação de três aspectos desse episódio provavelmente, e infelizmente, seria improvável no Brasil, ou pelo menos na Zona Sul carioca, onde fui criada: (1) escola pública, (2) um casal de dois homens negros, pais de um menino e (3) minha filha na mesma turma que ele. No entanto, moramos no Brooklyn, em Nova York. E a vida aqui é assim. Bem-vindo ao avesso do que você conhece. Há quase 20 anos cheguei em Manhattan para ficar três meses. Desde então, nunca fui abordada por tantos brasileiros de classe média (e de classe média alta) querendo deixar o Brasil, como nos últimos cinco meses. O que mais me choca? Não são os cidadãos mais humildes, aqueles dos quais já esperamos uma insatisfação concreta e uma busca por uma vida melhor, a qualquer preço. Tenho falado com pessoas na faixa dos 40 anos, com apartamentos (e que apartamentos!) próprios, carreira sólida, filhos na escola, carros na garagem. Pensam em largar tudo e trocar de país, para dar um futuro melhor para os filhos. A jornada de expatriação deles seria diferente da minha: cheguei com uma mala pequena, fiz um curso, que acabou em estágio, seguido de emprego, uma carreira como correspondente para a mídia brasileira, alguns livros, um Green Card. Nada foi planejado: vim jovem, sem nada a perder, tendo uma família sólida no Brasil, para onde sempre poderia voltar. Então decidi por essa cidade fértil, ao mesmo tempo difícil, onde você começa todos os dias comendo desafios no café da manhã. Nova York é tão internacional que só me senti mergulhando na cultura americana quando minha filha entrou para a escola e passei a conviver com outras mães: é tudo do avesso e de cabeça para baixo. Se por um lado amo não ter babá, por outro me arrepio com o mundo da pizza de um dólar no almoço, e entro em parafuso quando escuto que “beijos espalham germes”.

Sair da zona de conforto é sempre bom. Viver no país da meritocracia, do compromisso e da palavra, é uma delícia. Andar pela rua sem violência é uma dádiva. Aqui “as coisas funcionam” porque as pessoas funcionam. E mostrar um outro lado da vida para os filhos (e eu não estou falando da Disney, senhoras e senhores) é um privilégio. Um dos grandes aprendizados que meus pais me proporcionaram foi viver (sem eles) por dois meses em um kibutz em Israel, aos 17 anos. Eu trabalhava em uma fábrica de alimentos de soja (na época, o mundo desconhecia a soja; hoje, esse grão vale milhões): levantava às quatro da manhã, no inverno, e fazia de tudo. Um dia, um gerente me deu um balde e disse para eu tirar os resíduos de soja dos ralos. Perguntei a ele: “por que eu?”. Ele respondeu: “por que não você?” Esse foi um enorme aprendizado para alguém que nasceu num sistema Casa Grande/Senzala, que o Brasil cultiva até hoje, a ponto de ter se tornado invisível para a maior parte dos brasileiros. Se você tem porteiro, empregada, motorista, babá , folguista e despachante, pense antes de fazer as malas e tirar os filhos da escola, rumo ao exterior. Para sair do Brasil, você precisará rever alguns valores. Talvez seja bacana fazer estas perguntas para si, e para quem você estiver pensando em trazer consigo, antes de tomar a decisão de colocar sua mudança num container: 1. Qual cidade a que você se adaptaria melhor? Você encara neve e inverno de bom-humor? Gosta de competitividade? Prefere uma cidade tranqüila? 2. Qual a sua definição de sucesso? Ser o presidente de uma empresa ou poder chegar cedo em casa e jantar com os filhos? Fazer o que você ama sem ganhar muito ou se sujeitar a um trabalho desinteressante ou estressante para garantir um bom salário? Se você já tem uma carreira estabelecida no Brasil, é muito provável que  tenha de dar um ou dois ou três passos atrás em um novo país. Você está disposto a isso? 3. Caso você emigre para um país de língua estrangeira: você fala e escreve inglês? Você fala e escreve espanhol? Português é lindo, o Tom Jobim é famoso e as Havaianas já conquistaram o mundo. Mas a nossa língua, infelizmente, não nos leva muito longe. Sim, há exceções. Você pode trabalhar em empresas brasileiras. Ainda assim, o mundo em volta não fala português. 4. Você tem família no Brasil? Pais vivos? Eles precisam de você? Uma das tristezas de morar fora é ver nossos pais envelhecendo sem a nossa presença. Pense bem nisso. 5. Adaptabilidade é uma das maiores virtudes das “pessoas do mundo”. Qual a sua capacidade de se adaptar a novas rotinas e culturas? 6. Você é casado? Seu marido ou mulher são abertos a mudanças? Estão com a mesma vontade de emigrar? Vivem sem feijoada, futebol e churrasco? Há pessoas que não conseguem abrir mão de alguns hábitos, e têm dificuldade de enxergar as coisas boas do novo país. São os chamados “impermeáveis”: a cultura nova não entra de jeito nenhum. E isso é um problema gravíssimo, que pode acabar em depressão e isolamento. O Brasil, não posso esquecer, recebeu meus quatro avós, vindos da Alemanha, do Líbano e da Síria. Nessas duas gerações, nosso país deixou de abraçar levas de imigrantes para exportar gente mundo afora. Não se engane: todo mundo sente falta do pão de queijo, da afetividade, da música brasileira. A saudade, no entanto, termina, muitas vezes, na boca do guichê do consulado brasileiro, onde sempre falta uma cópia autenticada de um documento que não serve para nada. Escrevi um livro que reúne depoimentos em primeira pessoa de 23 brasileiros que se mudaram para Nova York. Eles vieram de todos os cantos e origens sociais, mas têm uma característica em comum: a persistência. Um deles, o fotógrafo Vik Muniz, ressalta que “não existe Shangrilá”. Mesmo emigrando, você vai reclamar de algum aspecto na nova morada. E, depois ou durante uma experiência no exterior, é importante devolver algo ao Brasil. Seja em forma de filantropia, de investimento que gere empregos, ou voltando para melhorar algo que pode ser aprimorado. Por fim: nunca espere que o governo (seja esta lástima atual ou qualquer outro) faça algo por nós ou em nosso lugar. Regra que vale para qualquer lugar do mundo. Mas, especialmente no Brasil, já aprendemos que isso é esperar demais.

* Tania Menai, jornalista brasileira, vivendo há 20 anos em Nova York.  Escreve para diversas publicações brasileiras e acaba de lançar a Anáma Films, para contar histórias de famílias. Seu livro “Nova York do Oiapoque ao Chuí – relatos de brasileiros na cidade que nunca dorme” está disponível também em e-book.

DANIEL DANTAS COBRA BILHÕES DO CITIBANK NA JUSTIÇA

Quase uma década depois de encerrada uma das maiores guerras societárias do país, o banqueiro Daniel Dantas quer reabrir a disputa. De acordo com a Época, hHá cerca de dois meses, entrou com ação na Justiça de Nova York contra o Citibank, um dos seus ex-sócios na operadora de telefonia Brasil Telecom, cobrando uma indenização de bilhões de dólares. O argumento de Dantas é que ele teria sido vítima de um grande esquema de corrupção do governo petista, revelado agora pela Operação Lava Jato.

A revista afirma que a corte de Nova York já aceitou previamente o processo, mas deu prazo até 26 de abril para que as duas partes deem mais detalhes sobre seus argumentos. O Citibank tenta convencer o juiz Jesse Furman de que a ação não tem fundamento, relembrando processos parecidos que já tramitaram pelas cortes americanas e que foram encerrados há anos. Dantas e Dório Ferman, seu sócio no Opportunity, por sua vez, alegam que foram coagidos a assinar o acordo que encerrou todas as disputas judiciais em torno da Brasil Telecom, no fim de 2008.

Ainda segundo a publicação, o acordo era necessário para a fusão entre a Oi e a Brasil Telecom, que criaria a “supertele” nacional. Para comprar a Brasil Telecom, a Oi (antiga Telemar) exigia que todas as quase 200 disputas judiciais entre os sócios da tele fossem encerradas. A desistência rendeu a Daniel Dantas e seu fundo Opportunity cerca de R$ 1 bilhão, correspondente à sua participação societária na empresa à época. Agora, Dantas quer retomar a discussão e pede mais alguns bilhões. O argumento é que sua destituição do bloco de acionistas da Brasil Telecom, capitaneada pelos fundos de pensão estatais e pelo Citibank, seus ex-sócios, foi feita tendo por pano de fundo, interesses escusos do governo petista, revelados pela Operação Lava Jato.

Na ação, Dantas diz que as operações Satiagraha (que investigava esquema de corrupção e lavagem de dinheiro) e Chacal (que investigou esquema de espionagem no setor de telecomunicações), feitas pela Polícia Federal durante o governo Lula, e que chegaram a levá-lo à prisão, teriam sido encampadas pelo governo, e foram totalmente encerradas a seu favor.

Informações Bocão News

MORRE, AOS 86 ANOS, O HOMEM QUE DESCOBRIU OS BEATLES

Allan Williams o homem que descobriu os Beatles

Mais uma perda em 2016. E a segunda ligada aos Beatles, que neste ano perderam seu lendário produtor George Martin. O homem que descobriu o grupo, convidado por ele a se apresentar no Jacaranda Club, casa noturna que mantinha em Liverpool, morreu aos 86 anos. A notícia foi dada, via Twitter, pelos novos proprietários do clube. “Hoje perdemos o homem que fundou o Jacaranda e que descobriu os Beatles, Allan Williams”, diz a nota.

Foi no club de Allan Williams que a banda tocou pela primeira vez, e foi ele quem conseguiu o contrato que a levaria a Hamburgo.

A banda costumava visitar a casa de shows, e John Lennon e Stuart Sutcliffe, amigo pessoal de Lennon e primeiro baixista do grupo, foram contratados por Allan Williams para pintar um mural no local. A partir daí, a relação se estreitaria. A banda tocou várias vezes no The Jacaranda e foi Williams que conseguiu, em 1960, que os Beatles assinassem o seu primeiro contrato importante na cidade alemã de Hamburgo, onde fizeram mais de 280 shows.

Os caminhos do agente e do grupo, que na época era composto por Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Sutcliffe e Pete Best, se separaram em 1961, e a banda assinou um contrato com Brian Epstein, que a levou à glória.

Paul McCartney e John Lennon na gravação de “Hey Bulldog”, no estúdio de Abbey Road, em 1968

De acordo com a exposição permanente The Beatles Story, instalada em Liverpool, Allan Williams “ajudou a construir o grupo e a convertê-lo no que conhecemos agora”.

O historiador dos Beatles Mark Lewisohn escreveu no Twitter: “Sem Allan Williams, os Beatles não teriam ido a Hamburgo. E, sem Hamburgo, não haveria Beatles”.

BOM GOSTO E ATUALIDADE

JORNAIS DO MUNDO INTEIRO REPERCUTEM ELEIÇÃO DE DONALD TRUMP NOS EUA

Jornais e portais de notícias do mundo inteiro estão repercutindo a eleição do milionário Donald Trump à presidência dos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (9).

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O norte-americano The New York Times, que já havia projetado a vitória de Trump horas antes de as urnas mostrarem o resultado, classificou a eleição do magnata como um “choque”

O norte-americano Huffington Post chamou a vitória do polêmico candidato de um “pesadelo”.

O francês Le Monde classificou a vitória de Trump como ‘larga’, ressaltando que o candidato ‘contrariou o prognóstico’

O também francês Le Figaro afirmou que a eleição do Trump jogo o mundo em um clima de ‘incerteza’

O britânico The Independent chamou a eleição de ‘realidade impensável que divide a América e sinaliza uma nova era na política mundial

Também britânico, o jornal The Guardian destacou a fala do presidente eleito, que afirmou que irá ser o ‘presidente de todos os americanos’

O diário italiano La Repubblica também destacou o discurso do republicano eleito presidente dos Estados Unidos

Já o tabloide Daily Mail, que causou polêmica recentemente ao chamar os juízes que determinaram que o Brexit tem de ser aprovado pelo parlamento britânico de ‘traidores do povo’, estampou a imagem de Trump em sua manchete com a frase ‘Welcome to Trumpland’ (Bem-vindo à Trumplândia)

O jornal americano Washington post destacou o ‘triunfo de Trump’ na eleição desta terça-feira (8)

A eleição de Trump também repercutiu na Argentina. O diário Clarín foi outro que destacou a fala do 45º presidente dos Estados Unidos, que afirmou que vai ‘renovar o sonho americano’

Também argentino, o La Nación noticiou a vitória do magnata ‘após uma jornada eleitoral dramática’

O jornal catalão El Periódico foi fatalista: ‘Deus perdoe a América’

Já o britânico The Independent chamou a eleição de ‘realidade impensável que divide a América e sinaliza uma nova era na política mundial Próxima

Já o britânico The Independent chamou a eleição de “realidade impensável que divide a América e sinaliza uma nova era na política mundial

A agência Reuters informa que todos jornais de Moscou publicaram a notícia da vitória de Trump – “Presidente russo parabeniza Trump por vitória e diz que Guerra Fria ‘acabou’”

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, parabenizou nesta quarta-feira (9) por telegrama o empresário Donald Trump por sua vitória na eleição presidencial dos Estados Unidos, informou o Kremlin.

“Putin expressou esperança de trabalho conjunto para restaurar as relações russas-americanas do estado de crise, e também para enfrentar questões internacionais e buscar respostas eficientes a desafios sobre a segurança global”, informou o Kremlin em um comunicado.

Putin também disse ter certeza que um diálogo construtivo entre Moscou e Washington servirá aos interesses de ambos países, segundo o Kremlin.

Estados Unidos e Rússia são os maiores adversários políticos no cenário internacional, em uma conflito ideológico e de interesses que perdura desde a Guerra Fria (1945-1991).

Mas, durante toda a campanha eleitoral à Casa Branca, Putin e Trump trocaram elogios entre si. “Ele representa os interesses das pessoas comuns, que criticam aqueles que estão há anos no poder, gente a quem não agrada a transferência do poder por herança”, disse Putin, meses atrás, em uma clara referência à Hillary, esposa do ex-presidente Bill Clinton.

A candidata democrata também chegou a acusar hackers russos de cometerem ciberataques e vazarem documentos sigilosos e-mails de seu comitê.

DONALD TRUMP VENCE HILLARY CLINTON E É ELEITO PRESIDENTE DOS EUA

Republicano surpreendeu e contrariou pesquisas e previsões. Agência Associated Press projetou vitória na manhã desta quarta (9).

Em renhida disputa o colegio eleitoral americano elegeu Donald Trum presidente dos Estados Unidos da América do Norte

Em renhida disputa o colegio eleitoral americano elegeu Donald Trum presidente dos Estados Unidos da América do Norte

Donald Trump será o 45º presidente dos Estados Unidos. Contrariando pesquisas e previsões, ele derrotou Hillary Clinton e teve sua vitória projetada pela agência Associated Press (AP) às 5h32 (hora de Brasília) desta quarta-feira (9).

Quando entrou o número de delegados do estado de Wisconsin na conta da AP, Trump alcançou 276 delegados, ultrapassando o limite de 270 necessários para ser o vencedor no Colégio Eleitoral. A imprensa americana informou minutos depois que Hillary ligou para o rival e admitiu a derrota. “Eu a cumprimentei pela campanha muito disputada”, disse Trump em seguida, em seu discurso da vitória.

Ao falar aos seus simpatizantes, Trump defendeu a união do país após a disputa eleitoral, ao afirmar que será presidente para "todos os americanos".

Ao falar aos seus simpatizantes, Trump defendeu a união do país após a disputa eleitoral, ao afirmar que será presidente para “todos os americanos”.

“Todos os americanos terão a oportunidade de perceber seu potencial. Os homens e mulheres esquecidos de nosso país não serão mais esquecidos”, discursou. Trump disse ainda que o plano do país deve ser refeito. “Vamos sonhar com coisas para nosso país, coisas bonitas e de sucesso novamente.”

Disputa

A democrata Hillary, de 69 anos, e o republicano Trump, de 70, protagonizaram uma disputada e agressiva campanha de quase dois anos, marcada por ofensas e ataques pessoais.

Durante a noite, enquanto a apuração avançava, Trump conquistou vitórias surpreendentes sobre Hillary em estados-chave para a definição, abrindo o caminho para a Casa Branca e abalando os mercados globais que contavam com uma vitória da democrata.

A maré começou a virar a favor de Trump após as vitórias na Flórida, Carolina do Norte, Ohio e Iowa. Além disso, contrariando sondagens e projeções, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia votaram em um republicano pela primeira vez desde os anos 1980.

Os democratas contavam com votos dos estados do Centro-Oeste, por causa do tradicional apoio dos negros e dos trabalhadores brancos. Mas muitos dos brancos dessa região, especialmente sem formação universitária, decidiram votar em Trump. A importância dessa classe para os democratas tinha sido subestimada em projeções feitas antes do pleito, segundo o jornal “The New York Times”. Analistas dizem o apoio desses trabalhadores a Obama já tinha sido menor em 2012, principalmente pelo receio de perder o emprego para outros países.

Os trabalhadores rurais de estados centrais e do Norte também escolheram em peso o republicano e fizeram diferença no resultado.

A demora na definição de alguns estados, onde os números de Hillary e Trump ficaram muito próximos, fez com que a primeira projeção sobre sua vitória tenha saído apenas às 5h32, muito mais tarde do que nas eleições anteriores. Em 2012, por exemplo, o resultado já era conhecido antes das 2h30 da quarta.

 Entre os estados considerados decisivos para o resultado, Trump conquistou a Flórida, onde Hillary chegou a liderar por uma pequena margem durante grande parte da apuração e onde Obama ganhou em suas duas eleições.

Segundo análise do “New York Times”, o número de votos de eleitores brancos e com maior renda foi suficiente para que ele abrisse uma margem capaz de compensar o eleitorado latino do estado, que em sua grande maioria votou em Hillary.

Já antes de sair a projeção da vitória de Trump, o chefe da campanha de Hillary, John Podesta, disse que ela não falará durante a noite. Ele pediu que os simpatizantes da candidata voltassem para casa.

Com discursos centrados nas frustrações e inseguranças dos americanos num mundo em mutação, Donald Trump tornou-se a voz da mudança para milhões deles.

Trajetória

Nascido em 14 de junho de 1946 no bairro nova-iorquino do Queens, Trump é o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, um construtor de origem alemã, e Mary MacLeod, uma dona de casa de procedência escocesa.

Desde criança ele mostrava um comportamento rebelde, tanto que seu pai teve que tirá-lo da escola aos 13 anos, onde havia agredido um professor, e interná-lo na Academia Militar de Nova York, com a esperança de que a disciplina militar corrigisse a atitude de seu filho.

Trump graduou-se em 1964 na academia, onde alcançou a patente de capitão e vislumbrava seu destino: “Um dia, serei muito famoso”, comentou então ao cadete Jeff Ortenau.

Em 1968, o hoje magnata formou-se em Economia na Escola Wharton da Universidade da Pensilvânia, e se transformou no favorito para suceder seu pai no comando da empresa familiar, Elisabeth Trump & Son, dedicada ao aluguel de imóveis de classe média nos bairros nova-iorquinos de Brooklyn, Queens e Staten Island.

Trump assumiu em 1971 as rédeas da companhia, rebatizada como The Trump Organization, e se mudou para a Manhattan. Enquanto seu pai construía casas para a classe média, ele optou pelas torres luxuosas, hotéis, casinos e campos de golfe. Trump gosta de dizer que começou seus próprios negócios modestamente, com “um pequeno empréstimo de US$ 1 milhão” de seu pai.

O jovem Donald Trump (ao centro) (Foto: Reprodução/TV Globo)

O jovem Donald Trump (ao centro) (Foto: Reprodução/TV Globo)

Já nos anos 1980, tinha em construção diversos empreendimentos na cidade, incluindo a Trump tower, o Trump Plaza, além de cassinos em Atlantic City, em Nova Jersey. Casou-se pela primeira vez em 1977, com a modelo tcheca Ivana Zelníčková, com quem tem três filhos, e pela segunda vez em 1993, com a atriz Marla Maples, com quem tem uma filha.

Em 2011, se casou com sua atual mulher, Melania Knauss, ex-modelo eslovena de 46 anos que cria seu filho Barron, de 10 anos. Ela foi colocada longe dos holofotes durante a campanha. Já seus filhos adultos, Ivanka, Donald Jr., Eric Tiffany participam da corrida eleitoral. Trump tem sete netos.

Na começo da década de 90, três dos seus cassinos entraram em falência por causa de dívidas, na tentativa de reestruturá-las. Em 1996, comprou os direitos dos concursos Miss USA, Miss Universo e Miss Teen, tornando-se seu produtor executivo.

Donald Trump e sua primeira mulher, Ivana, no dia em que adquiriu cidadania americana, em 1988 (Foto: AP)

Donald Trump e sua primeira mulher, Ivana, no dia em que adquiriu cidadania americana, em 1988 (Foto: AP)

Oito anos mais tarde, tornaria-se figura pública ainda mais conhecida ao virar apresentador do programa “The Apprentice”, em que tinha o poder de demitir os participantes.

Apesar de afirmar ter US$ 10 bilhões, sua fortuna foi estimada em US$ 4,5 bilhões pela Forbes. Em 2014, o Partido Republicano sugeriu que concorresse ao governo de Nova York, mas Trump disse que o cargo não lhe interessava.

Trump mora em um triplex no topo da Torre Trump em Nova York, e viaja em seu Boeing 757 privado, que serve regularmente como pano de fundo para seus comícios.

Cabelo tingido de loiro, impecavelmente vestido, ele fascina e horroriza. Quando uma dúzia de mulheres o acusaram de assédio e gestos sexuais impróprios, ele tratou todas de mentirosas.

Trump não é dos mais fiéis a ideologia: foi democrata até 1987 e, em seguida, republicano (1987-1999), membro do partido da Reforma (1999-2001), democrata (2001-2009), e republicano novamente. Durante a sua carreira foi alvo de dezenas de processos civis relacionados aos seus negócios.

Recusou-se a publicar seu imposto de renda – uma tradição para os candidatos à Casa Branca – e reconheceu que não tinha pago impostos federais durante anos, depois de informar enormes perdas de US$ 916 milhões em 1995. “Isto faz de mim uma pessoa inteligente”, disse ele, mais uma vez causando enorme polêmica.

Política Externa/Defesa

Em um longo discurso sobre o assunto, Trump deixou claro que os EUA estarão sempre em primeiro lugar, mesmo que para isso precise sacrificar os interesses de seus aliados mais próximos. Ele reclama que os “amigos” estão dependentes demais dos EUA e que os rivais não mais respeitam ou se sentem ameaçados pelo país.

Trump quer ampliar o poder militar dos EUA, afirmando que o país sob seu governo se tornaria tão poderoso e ameaçador que não sofreria ameaças de absolutamente ninguém. O candidato defende a adoção de táticas de tortura e diz que poderia aprovar técnicas ainda mais duras do que o “waterboarding”, um tipo de afogamento proibido atualmente.

Ele diz ainda que os EUA precisam ser “imprevisíveis” e se diz aberto ao uso de armas nucleares, inclusive como reação a ataques terroristas como os ocorridos em Bruxelas, na Bélgica, no início de 2016. Trump também defende que o país se volte à sua própria defesa e que aliados como Japão e países europeus precisam investir mais em sua própria segurança e parar de depender da ajuda dos EUA.

O candidato disse que pretende modernizar o arsenal nuclear, e prometeu buscar uma convivência pacífica com países como China e Rússia, mas garantiu que irá traçar um limite e responder duramente quando alguém o ultrapassar.

Trump exibe desenho de muro que promete construir na fronteira com o México para proibir a entrada de imigrantes durante comício na Carolina do Norte (Foto: REUTERS/Jonathan Drake)

Trump exibe desenho de muro que promete construir na fronteira com o México para proibir a entrada de imigrantes durante comício na Carolina do Norte (Foto: REUTERS/Jonathan Drake)

Prometeu ainda impedir o avanço do islamismo radical trabalhando de perto com aliados no mundo muçulmano, mas cobrando respeito e gratidão dos países que forem ajudados pelos EUA.

Armas

Trump é contra novas restrições ao porte de armas. Ele afirma que é preciso endurecer as leis para lidar com criminosos violentos e expandir tratamentos de saúde mental, embora não especifique como faria isso. Mas diz que os donos de armas que querem se defender devem ter seus poderes ampliados porque a polícia não consegue estar em todos os lugares o tempo todo.

Donald Trump discursa em fórum da National Rifle Association's NRA-ILA, em Louisville, Kentucky (Foto: Scott Olson/Getty Images/AFP)

Donald Trump discursa em fórum da National Rifle Association’s NRA-ILA, em Louisville, Kentucky (Foto: Scott Olson/Getty Images/AFP)

Trump defende ainda que não existam restrições ao tipo de armas que um cidadão pode comprar e diz que o sistema nacional de checagem de antecedentes falha ao não incluir registros criminais e de saúde mental em muitos estados. Mas ele diz que a maioria dos criminosos usa armas de outras pessoas e não passa por essas checagens e que, por isso, não é necessário “expandir um sistema quebrado”.

Trump defende ainda que as licenças para porte de arma sejam válidas nacionalmente e faz uma comparação com carteiras de motorista, válidas nos 50 estados. “Se podemos fazer isso por dirigir – que é um privilégio e não um direito – então certamente podemos fazer pelo porte de armas, que é um direito e não um privilégio”.

Meio ambiente/ Energia

O republicano se diz “muito a favor” da energia nuclear e diz que irá trazer de volta a indústria do carvão “100%”. Ele afirma ainda que políticas de energia limpa e para reduzir as emissões de carbono iriam colocar em perigo empregos e as classes média e baixa. Em seu livro mais recente, “Crippled America”, ele escreveu que fontes de energia verde são “na verdade uma forma cara de fazer os abraçadores de árvores se sentirem bem com eles mesmos”.

Também afirmou este ano que as alterações climáticas não são um dos maiores problemas mundiais. Há alguns anos o empresário chegou a questionar sua existência, citando em janeiro de 2014 a neve e o frio como provas de que o assunto era supostamente um farsa inventada pelos chineses.

*Com informações da AFP e da EFE.

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