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EUCLIDES NETO, CRONISTA

Por Vitor Hugo Martins*

 

 

Crônica tem tudo a ver com tempo. Isso está no próprio signo verbal, está embutido nele: Kronus, deus grego sabidamente filicida, que assim agia exatamente por temer se tornar um dia vítima de parricídio. Coisas essas para cultores da mitologia helênica e para Freud, Jung, Lacan e outros menos dotados.

Crônica, hoje, para nós, dos tempos pós-modernos, é uma espécie literária do gênero épico ou narrativo que, em obediência à etimologia, fala, como já vimos, do tempo. Seja este o passado, o presente ou o futuro. Talvez fale também do lugar em que está o cronista, que é um apaixonado por seu tempoespaço. Assim mesmo, senhor micreiro, senhor revisor.

Cronista, e maior, é Euclides Neto, que eu não tive o prazer de conhecer em vida. Menos mal que o conheço por sua obra fascinante, em especial a cronística. Relendo agora – e quantas vezes já o fiz, meu Deus?! – esta lindeza que é “Jaca”, escrita em 22/04/1993, do livro de crônicas O menino traquino (1ª ed., 1994, 2ª ed., 2014), sinto-me alumbrado de tanta Literatura. E Literatura, vejam bem, que informa e que deleita, simultaneamente. Essa crônica euclidiana põe por terra a teoria daqueles que veem a Arte sem função alguma para os homens. Arte sem função é puro narcisismo, que leva à morte, é apenas arte; Arte comprometida com algo fora de si é exercício de cidadania, de solidariedade. Nesse sentido, sou mais aristotélico que platônico, amigo e filósofo Giorgio Gonçalves Ferreira. Reparem que não estou falando de panfletagem nem de sectarismo. Falo, sim, de Arte de que só o homem é capaz de criar para o bem de outro homem. Como a do cronista Euclides Neto, voltando-se, como de praxe, para a Natureza, para a terra, e extraindo dela o dulcíssimo sabor da fruta pela palavra.

Sua “Jaca”, cronista, recorda-me bem as jacas da minha infância e da minha juventude, e sem nenhum pejo ou constrangimento. Ainda hoje estou preso ao visgo de seu perfume e ao mel de seus bagos, especialmente os da jaca mole ou manteiga, como dizíamos lá atrás, no tempo em que havia casas com jaqueiras em lugar de arranha-céus na Cidade Maravilhosa.

Tenho também comigo estes dois inveterados hábitos: de ser leitor e de ser um papa-jaca, Euclides Neto!

*Vitor Hugo F. Martins é professor titular do curso de Letras, da Universidade do Estado da Bahia, Câmpus XXI, Ipiaú. Poeta, cronista e contista. Autor de CONTOS CARDIAIS (Vitória da Conquista: Editora da UESB, 2006, contos), CRONICÁLIA (Ibicaraí: Via Litterarum, 2015, crônicas) e PEPÊ PERGUNTADOR (Ibicaraí: Via Litterarum, 2016, narrativa infantojuvenil).

  

COM MAIS DE 80 MIL INSCRITOS, CONCURSO PARA PROFESSOR TEM INSCRIÇÕES PRORROGADAS

Foto BNews

O secretário de Administração do Estado da Bahia, Edelvino Góes, e o governador Rui Costa anunciaram, nesta terça-feira (12), que as inscrições do concurso para professor e coordenador pedagógico da rede estadual de ensino foram prorrogadas. Com mais de 80 mil inscritos até esta terça, quando encerraria o prazo, o certame receberá inscrições agora até a próxima sexta (15).

De acordo com o governador, um dos motivos para a prorrogação foi o fato de aproximadamente 20 mil pessoas, dentre as 80 mil, ainda não terem pago o valor da inscrição.

Estão sendo ofertadas 3.760 vagas, sendo 3.096 para professores e 664 para coordenadores pedagógicos. As inscrições, no valor de R$ 100 para ambos os cargos, devem ser feitas exclusivamente via internet, por meio do site da Fundação Carlos Chagas, empresa responsável pela aplicação das provas.

Fonte: BNews. 

8 DE DEZEMBRO: FESTA EM COMEMORAÇÃO A N.S. DA CONCEIÇÃO DA PRAIA, TRISTEZA POR 37 ANOS SEM JOHN LENNON E 23 ANOS SEM TOM JOBIM

8 de dezembro nos remete à perda de dois privilegiados talentos que expressavam sua genialidade através das músicas que compunham. Suas letras, bem como as melodias, se destinaram à mesma eternização alcançada por Mozart, Chopin, Bach, Villa Lobos,.. O mundo reverencia a data e lembra dos dois com pesar.

A data de 8 de dezembro ficou definitivamente marcada pela morte repentina de dois dos maiores músicos do século 20: John Lennon, assassinado a tiros numa noite fria, em frente ao edifício onde morava; e Tom Jobim que, assim como o ex-Beatle, tornou-se lenda em vida. Morreu em consequência de uma parada cardíaca, dois dias depois de ser operado, por causa de um câncer na bexiga. As duas estrelas desapareceram com uma diferença de 14 anos uma da outra. John tinha 40 anos quando tombou e Tom ia fazer 68.

Um integrou a banda de rock mais famosa e influente de todos os tempos. O outro é considerado um dos inventores da bossa nova. Em comum, a data e o local da morte. Tom Jobim e John Lennon morreram em um 8 de dezembro, em Nova York, nos Estados Unidos.

Encontrei no site entretenimento.r7.com esse artigo sobre as coincidências entre as mortes dos dois músicos, em Nova York:

“Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia”. J.Lennon

John Lennon nos deixou há 34 anos. A notícia, mesmo na era anterior à Internet, correu feito um jato pelo mundo: o cantor, compositor e músico britânico foi assassinado em frente ao Dakota, edifício em que morava, em Nova York.

Mark Davis Chapman, um fã obcecado por Lennon, havia conseguido um autógrafo do músico na manhã daquele mesmo dia, fato que foi registrado por um fotógrafo. Quem poderia imaginar que, horas depois, o mesmo cidadão faria tamanha loucura?

O mundo ficou rapidamente de luto. As homenagens ao ex-Beatle se espalharam pelos quatro cantos do planeta, frequentemente acompanhadas por pessoas cantando as músicas de Lennon, especialmente o hino pacifista, Imagine.

“Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz”. Tom Jobim

Quatorze anos depois, foi a vez de Tom Jobim tornar essa data motivo de luto. Na época, o cantor, compositor e músico carioca vivia uma fase das mais produtivas em sua carreira.

Seu CD Antonio Brasileiro havia acabado de sair, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting. Um trabalho com alta qualidade artística, no qual Jobim se mostrava mais inspirado do que nunca.

Um câncer na bexiga, em estágio já adiantado, foi diagnosticado no músico em um exame rotineiro, dias antes. Tom foi operado, mas dois dias depois, morreu de parada cardíaca, no hospital Mount Sinai, em Nova York, em 8 de dezembro de 1994.

Lennon amava Nova York e Tom Jobim também se deu muito bem por lá, sendo presença constante na cidade americana.

Outro fato em comum entre eles é que seus legados continuam sendo apreciados e cultuados por fãs nos quatro cantos do mundo, além de gerar novos produtos.

No caso de Lennon, os discos dos Beatles mereceram um relançamento luxuoso em 2009, além do lançamento do game Beatles Rock Band, um sucesso de vendas.

Tom Jobim é tema de dois documentários dirigidos pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos: A Música Segundo Tom e A Luz do Tom. Veja o primeiro, em versão completa, aqui:

 

SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO RIO ATACA TAÍS ARAÚJO: “IDIOTICE RACIAL”

No dia da Consciência Negra, o Secretário Municipal de Educação do Rio, César Benjamin, escreveu em seu perfil no Facebook que o racismo é uma “criação dos Estados Unidos”. Ele fez ainda duras críticas a Taís Araújo. Isso porque a atriz disse , durante uma palestra no evento TEDXSão Paulo, que “a cor do meu filho faz com que as pessoas mudem de calçada”.

“Qualquer idiotice racial prospera. A última delas é uma linda e cheirosa atriz global dizer que as pessoas mudam de calçada quando enxergam o filho dela, que também deve ser lindo e cheiroso”.

Veja a postagem de César Benjamim*, na íntegra.

*César de Queiroz Benjamim é um cientista político, jornalista, editor e político brasileiro. Durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), participou da luta armada contra o regime, foi perseguido e exilado. Co-fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), foi também filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), tendo se desligado dos dois partidos. Atualmente, César Benjamin é o editor da Contraponto Editora, colunista da Folha de S.Paulo e Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: Brasil 247 e Revista Veja

Por alguns considerarem a imagem da postagem ilegível, reproduzo através do word:

 

 

Pessoal, sei que fui derrotado, sei que sou minoria, sei que vou apanhar de novo. Mas continuo detestando a racialização do Brasil, uma criação – eu vi – do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Nossa maior conquista – o conceito de povo brasileiro – desapareceu entre os bem-pensantes. Quaisquer idiotice racial prospera. A última delas é uma linda e cheirosa atriz global dizer que as pessoas mudam de calçada quando enxergam o filho dela, que também deve ser lindo e cheiroso.

Vocês replicam essa idiotice.

Se os brasileiros mudassem de calçada quando vissem uma pessoa morena ou negra, viveriam em eterno zigue-zague. Nunca chegariam a lugar nenhum.

Por sorte, o conceito de povo brasileiro ainda não desapareceu ali onde importa ao nosso próprio povo.

Luto para preservá-lo. Contra a grande maioria de vocês. Quero que as raças se fodam.

Assim é.

P.S. Me poupem de dizer que os “negros estão nas prisões” isso vale para falar bonito para a classe média. Vivi bastante tempo no meio da massa carcerária de Bangu, como preso comum. Os brancos, como eu, eram pequena minoria. Os negros também eram pequena minoria. A grande maioria era de gente morena, com todas as gradações do nosso povo. As cores dos presos na galeria em que fiquei, e nas demais, e as cores que vejo nas ruas são exatamente as mesmas.

“SARAU DO POETA” EM IPIAÚ: UMA NOITE DE CULTURA E EMOÇÃO

Jackson Costa declama Drummond

Zé Américo interpreta o seu poema “Dez Quartos” sob o olhar de Jackson Costa

Mais uma atividade cultural de qualidade atraiu grande público na noite de sexta feira (17), com o “Sarau do Poeta”, que aconteceu no amplo espaço do Colégio Santo Agostinho, em Ipiaú. Parafraseando o professor Reinaldo Pinheiro, novas peças culturais foram lançadas ao ar: em músicas, poesias, declamação de textos, lembranças e encantos!

O enorme talento do versátil ator e polivalente artista Jackson Costa, preencheu com poesia e interpretação a noite já iluminada pelo vozeirão afinado de Celo, acompanhado por um violão impecável, trazendo clássicos do cancioneiro nordestino e brasileiros dos músicos Joaquim Carvalho (violão e voz); Dinho Santana (violão e violino) e Sidney Argolo (percussão). É preciso ressaltar a participação especial do também sanfoneiro Celo Costa.

Culto, com boa presença cênica, Jackson Costa e suas palavras, sua poesia, conduziu a música, a cena, a plateia. Como disse alguém, sobre o show, inexploradas cadências resgataram a musicalidade e os versos da Bahia eternizados nas obras de Dorival Caymmi, Jorge Amado, Gregório de Mattos e Castro Alves e arrematado pelos textos de João Cabral de Melo Neto e Fernando Pessoa.

Como grapiúna de boa cepa, Jackson Costa declamou os poetas da sua terra, Sosígenes Costa, Ramon Vane e José Delmo.

Para um ambiente lotado, público surpreendentemente numeroso e atento, mesmo com uma impecável iluminação tecnicamente contida, pensada para o cenário, a noite do Santo Agostinho foi uma noite de luz. Não fosse apenas as emoções dos textos de Cecília Meireles e Vinicius de Morais, ainda mais emocionante foi quando o poeta ipiauense, Zé Américo Castro, convidado dos artistas visitantes, foi ao palco e, depois de declamar algumas peças de sua lavra, atendeu ao pedido do público e declamou o poema, uma de suas obras primas, “Dez Quartos”. A obra demonstra a dura realidade de um dos prostíbulos da década de 1950/1960, que misturava prazer e fome; amor, dor e flor… De parabéns a UDV pela iniciativa. Que venham outros eventos para esparzir cultura em toda a região.

SARA E PIPE: OLHAR DE AVÔ…

Tal como revela a música de Flávia Venceslau, a voz e o talento do pai amigo e a mãe singela a orientar, fizeram com que a poesia aflorasse sob o olhar do avô. Sara e Luis Felipe acolhem com benevolência o investimento musical de Mila e Luis. Eles fazem de conta que não trouxeram as tendências todas em sua bagagem espiritual. Pois sim: talentos de ontem, aprendizes de hoje, estrelas de amanhã. Parabéns Pipe e Sara. Não fora o futebol-arte que pratica desde os cinco anos, a flauta doce de Sarinha, os campeonatos de xadrez que ambos disputam sempre classificados nos primeiros lugares. Agora, vem a música na completude do ambiente de estudos e alegria. Parabéns aos quatro. Estamos esperando para o Natal. 

POR FALAR EM LIVROS, EM MODELO E EM REALIZAÇÃO…

Sábado, 11 de novembro, Euclides Teixeira Neto estaria inaugurando nova idade. Ainda de ressaca pela grande festa de lançamento do meu novo livro, “Anésia Cauaçu – Lenda e História no Sertão de Jequié”, justamente em Ipiaú, recebi este texto, publicado por sua filha, Denise Mendonça Teixeira, que, por oportuno e à guisa de homenagem a Euclides, referência de toda uma geração de leitores e escritores, transcrevo neste espaço:

Euclides Neto

EUCLIDES JOSÉ TEIXEIRA NETO

 

90 ANOS (11/11/1925 – 2015)

O que escreveria aos 90?

 

SESSENTÃO

 

Vamos pelo caminho e, de repente, chegamos aos sessenta anos. Jamais diria sexagenário. De logo, respondo que não me sinto velho. Ou digo isso para não parecer tal? Sei não. Afirmo que as ideias continuam vibrantes como aos dezoito anos! Os sonhos andam como aos dezesseis. E a sofreguidão de viver como aos dez. O resto – que pena- não posso contar vantagens.

Feliz? Sem dúvida, Desde menino não sei quem tenha colhido mais afeto e afago. Meu primeiro irmão chegou quando eu andava na casa dos cinco. Até aí fui o centro de todo mimo. Vivemos por esse tempo em casa de palha e taipa. Minha mãe dormia de pistola à mão com medo dos malfeitores que fuçavam as matas. Meu pai na estrada, tocando seus burros. Depois ele adoeceu gravemente: bexiga da peste, tratada pelas mãos experientes de um tropeiro, com folhas de bananeiras e álcool canforado. Passei pelos aprendizados da vida.

Morei na roça, de onde partia madrugadinha para vender dez litros de leite a duzentos reis e frequentar a escola de uma santa e batista fessora leiga. Servi ao exército durante a Segunda Guerra Mundial. Ganhei estrelinhas, sim senhor.

Fui interno em Colégio Jesuíta. Servi de empregado doméstico na pensão do Pe. Torrend, em Salvador, e tomava conta de um sítio para retiros espirituais, em Mar Grande, tendo, para isso, de atravessar a Baía de Todos os Santos, semanalmente, a fim de fiscalizá-lo. Também era sacristão. Por onde andei fiz amigos, saboreei a vida. Aprendi. No fundo, um místico. Socialista? Sim. Pleno de amor. Por tudo. Sou capaz de amar a quem me queira mal. Fiz do perdão uma prática de vida, ou como dizia Gandhi: nem tenho a quem perdoar. Pratico a tolerância e a arte de ser livre. Aprendi a liberdade com meu pai. O perdão, com minha mãe. Aprendi a conter a frustração, pelo que não sofro. Jamais pensei ter o impossíve1.

Certamente possuo mais do que necessito e mereço. Tenho recebido mais do que já dei. Deveria fazer doação do que possuo, para que retornasse como cheguei. Gostaria de viver exclusivamente do meu trabalho. Ideologia? Certamente. Para completar a felicidade (ou a vaidade?), ficarei satisfeito se ainda escrever um bom livro. Espero chegar lá. Fascina-me esta ideia, que me acompanha desde os quinze anos. Não mudaria a minha vereda. Se ficasse no Rio de Janeiro, quando lá estive, aos vinte anos, com o Mestre Graciliano Ramos, não teria encontrado tudo de bom que achei por onde meus passos me levaram. Foi melhor ter me fixado em Ipiaú. Sempre gostei da terra, da advocacia e de escrever. Lá, talvez só fosse escritor. Aqui, sempre estive com os mais necessitados.

Nunca advoguei para os bancos, agiotas e exportadores multinacionais. Jamais acusei. Logo cedo, no começo da minha carreira, descobri que os trabalhadores tem sempre razão: direta ou indiretamente. Aqui me casei com a esposa que encheu a minha vida de venturas. Tivemos filhos sadios. Adoráveis. O pouco que construí tenho a quem legar, sabendo guardado em mãos melhores que as minhas. Não enriqueci porque não quis. Felizmente a riqueza não me empanturrou. Ninguém tem melhores amigos que eu. Amo-os profundamente. Sinto-me útil aos meus de sangue. A alguns dos meus quatorze irmãos dediquei, por força da caminhada, cuidados de pai. Multipliquei os meus filhos, pois. Sinto-me de alforges arrumados, tranquilo, para continuar a viagem. Sinto-me, igualmente, sadio e equilibrado nos transtornos que os órgãos e tecidos vão apresentando. Tudo vai bem. Se fosse proferir o nome de cada filho, talvez a emoção me transbordasse em lágrimas.

Com minha mãe vive a fonte, sinto-me criança: o mesmo menino das manhãs de chuva e sol, carneiro e armadilha, quando procurava a mata em busca de caça miúda. Até a saudade de meu pai continua muito terna. Do trabalho, das dificuldades, sempre colhi o sabor da vitória. Gostaria que meus netos fossem como meus filhos. E gostaria que estes lhes ensinassem a mansidão com altivez. A bondade para com todos. A lealdade. O respeito ao trabalho próprio e ao dos outros. Ensinem uma profissão que não careça assalariar a outrem: engenheiro ou carpina, advogado ou pedreiro. O trabalho insubstituível para o espírito e para o corpo. Diga-lhes que o maior segredo da felicidade é encontrar a profissão que seja exercida como um lazer. Evitem a fortuna, que escraviza. Fujam do luxo e da ostentação, que ridicularizam. Do conforto excessivo, que embrutece. Do orgulho que frustra e infelicita. Descobri muito cedo que o dar não deve ser com o fim de receber, mas que, adiante, colhem-se recompensas.

Pode-se ficar contra o homem probo, mas nele se confia. Pior que a ingratidão é exigir a gratidão. Fazer o bem é dever e não virtude. A caridade também não o é: fazê-la é quitar o muito que recebemos dos demais. Podendo, seja religioso. Caso contrário, respeite todos os credos, sem escapar dos políticos e filosóficos. Seja tolerante: a sua verdade pode não ser a verdadeira, por mais evidente que pareça. Mas acredite nela, fervorosamente. Sem deixar de aceitar a alheia, quando julgá-la provada. Busque a felicidade, até onde não comprometa a do outro, lembrando-se que ela é uma festa: ninguém a faz sozinho.

Ainda teremos muito tempo para estar juntos. Espero chegar às oitenta primaveras, quando rememoraremos juntos esta carta com a mesma paixão pela vida. Até lá: minha mãe, minha esposa, meus filhos, netos, irmãos, genros, noras, cunhados, meus queridos amigos!

Euclides Neto

Ipiaú, 11.11 .85

SERÁ NO CASARÃO DE ZÉ AMÉRICO O LANÇAMENTO DO LIVRO ANÉSIA CAUAÇU – LENDA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE JEQUIÉ

É do Coletivo Cultural de Ipiaú e da Diretoria Municipal de Cultura a iniciativa do lançamento do livro do jornalista Wilson Midlej, Anésia Cauaçu – Lenda e História no Sertão de Jequié. A narrativa ressalta a região, palco dos episódios da lendária personagem Anésia Cauaçu, no período que compreende os anos de 1911 a 1917. Jornais, testemunhas e registros históricos demonstram os fatos históricos abordados pelo autor, embricada com uma cenas e fatos de ficcão, dos acontecimentos ocorridos desde o Portoalegre, distrito de Maracás, Ituaçu, portal da Chapada Diamantina, Jequié, Rapa Tição, Barra do Rocha, Dois Irmãos… enfim, uma grande faixa ente a Caatinga e a Mata foram roteiro das andanças dessa mulher-mãe-guerreira, líder de jagunços a serviço da vingança de sua família. 

O evento contempla ainda a amostra do artista plástico Jackson Alves, que ilustra a noite de cultura com algumas obras da sua coleção 2018 – Novo Olhar e a harmonização do ambiente com o som de um conjunto de cordas com repertório clássico, tornando a noite um momento de elegância, estética e harmonia. Vale a pena conferir.
Com participação especial de Reinaldo Pinheiro.

 

ESPÍRITAS REALIZAM EM SALVADOR O 17º CONGRESSO ENFOCANDO O TEMA “O IDEAL ESPÍRITA NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA”

Divaldo Franco em conferência de abertura do 17º Congresso Espírita da Bahia

O coordenador geral do Congresso e presidente da FEEB André Luiz Peixinho

Com números impressionantes em relação ao espaço disponível, a Federação Espírita do Estado da Bahia realizou o seu 17º Congresso, agregando cerca de 2000 pessoas no espaço de convenções do Hotel Fiesta durante o período de quinta-feira (2) a domingo (5). Foram quase 1.800 inscritos de cerca de 200 municípios, sem contar, por não termos registro numérico, os visitantes de 10 estados da federação e de países como Paraguai, Uruguai, Estados Unidos, Suíça, Colômbia, Chile e Bolívia. Além disso, também esteve presente expressivo número de participantes que não frequentam qualquer instituição espírita, não apenas na solenidade que deu início ao evento, como nas diversas atividades ao longo do período.

Já na abertura, antes da marcante conferência de Divaldo Franco, transmitida para todo o Brasil através da FEBTV, com ampla e inteligente abordagem sobre o tema central do Congresso, aconteceu em produção esmerada, a apresentação eletrônica de aproximadamente 8 minutos, entremeada com performance artística e apresentação musical, relatando, em takes rápidos e concisos, a partir do século XIX com o nascimento espiritismo em 1857 pelo influente educador, tradutor, autor e mestre francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, o Allan Kardec.

Em texto conciso e claro, demonstrou o processo de consolidação, através de pesquisas e experimentações, da doutrina dos espíritos, desde o lançamento de O livro dos Espíritos, também festejado e comemorado pelos seus 160 anos de existência.

Sob os olhares entusiasmados do presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho, dos  presidentes da Federação Espírita do Piauí, José Lucimar e do Rio Grande do Norte, Eden Lemos, entre outros convidados do presidente da Federação Espírita da Bahia, André Luiz Peixinho, o áudio visual prosseguiu demonstrando os conflitos humanos, a revolução francesa e a quebra de paradigmas com o iluminismo, contribuindo para a que a mensagem de paz e compreensão entre os homens atravessassem aquele conturbado século, até encontrar o fértil solo brasileiro onde o espiritismo floresceu e se consolidou no país que será, definitivamente, o coração do mundo e pátria do evangelho.

No decorrer dos dias, palestrantes convidados de todo o Brasil, abordaram vertentes variadas do tema central, trabalhadores espíritas confraternizaram, atualizando suas práticas sob a bandeira da unificação. Os conferencistas compartilharam seus conhecimentos e graças a inteligente metodologia de interatividade, acabaram por também acrescentar novas informações e aprendizagens, numa positiva simbiose de fraternidade e cultura.

O encerramento, não menos emocionante, fez com que os organizadores do 17º Congresso Espírita do Estado da Bahia, através de inteligentes e oportunas abordagens, descobrissem um jeito novo de agradecer aos trabalhadores voluntários, que desfilaram de mãos dadas, alvo das homenagens através da música e dos cumprimentos dos congressistas. As despedidas foram improvisadas, também através das histórias e trechos evangélicos narrados e discutidos por eloquentes conferencistas, com recorrentes momentos de profundo enlevo. A música, na voz da excelente Margareth Áquila elevou o clima vibratório de intensa emoção, ao tempo o poema “A Magna Amizade – A Despedida entre mestre e discípula”, página a página ia sendo exibido nos três telões do salão Íris e reproduzido nos telões do salão Lótus, em outro andar. Não apenas na elaboração da programação, na seleção dos conferencistas convidados, juntamente com sua equipe de excelência, André Peixinho se superou!

NOVEMBRO LEMBRA ZUMBI, O LÍDER NEGRO QUE LUTOU CONTRA A ESCRAVIDÃO E A EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA DE TODAS AS ETNIAS

A celebração durante todo o mês, relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade. Afinal, as gerações que sucederam a época de escravidão sofreram e ainda sofrem diversos níveis de preconceito.
Daí a necessidade de perenizar a reflexão, educar para mudar a postura dos opressores e dos oprimidos. Essa é uma das formas de lembrar a importância de valorizar um povo que contribuiu para o desenvolvimento da cultura brasileira.
Vale a pena conferir as palavras fortes do texto de Sonia Freitas neste vídeo: