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BRAZIL SYSTEM

Por Aninha Franco*

Publicado em Trilhas: Correio da Bahia

 

 

Quarenta e cinco anos sem Leila Diniz fazem falta ao Brazil System. Quando Marcela Temer nasceu, em 1983, para ser recatada, do lar e, futura esposa de Michel Temer, o presidente investigado, Leila Diniz estava morta desde 1972. Quando Marcela adolesceu, o Pasquim era cinzas, Henfil estava morto, e a Graúna estacionada em 1988. Henfil não assistiu à saída dos militares, e só votou para presidente da república uma vez, em 1962, porque de 1964a1989 nos foi proibido eleger presidentes. Voltando ao presente, desde sexta-feira, 9, sabemos que Temer ficou e Dilma pode candidatar-se e se eleger ao que quiser. Que Gilmar Mendes, presidente do Tribunal que deveria vigiar e punir os malfeitores eleitorais, desempatou o 3×3 e votou pela absolvição de Dilma&Temer.

O Michel Temer ficado já devolveu a obrigatoriedade do imposto sindical à República sindicalista e os trabalhadores brasileiros continuarão destinando um dia de suas jornadas à boa vida dos líderes sindicais. Talvez com esse agrado as greves e manifestações perderão seus ímpetos. Temer anistiou os banqueiros, aqueles profissionais que sempre lucram no tempo das vacas magras e das vacas gordas, e está bem com o Capital, com os 17 mil sindicatos e para continuar ficando parece que gastará muito do Erário combalido. Nós já assistimos isso com Dilma, em queda, mas Temer tem mais aliados e minha intuição sugere que o PMDB não está brigado de verdade com o PT. Que a rusga é cênica. Que daqui a pouco PT e PMDB retomarão seu caso de afeto declarando, mais uma vez, amor aos que mais precisam. Sim, o Brasil não é uma nação, é um programa de humor que acabará nos matando de rir.

Recentemente, fotografei a placa de inauguração da Superintendência da PF – que está trabalhando certeira – e nela descobri que o prédio foi inaugurado pelo presidente Fernando Collor. E é sim, é muito engraçado.

E de risada em risada, desconfio que Juscelino Kubitschek não criou uma capital em 1960, que Juscelino criou um ninho de ratos, cevados com todos os privilégios nos últimos 57 anos, totalmente imunes à decência. É verdade que a Lava Jato desfalcou e ameaçou o ninho. João Santana, Patinhas, por exemplo, faz falta ao PT saído e ao Temer ficado, porque explicaria com mais elegância o ataque petista à jornalista Myriam Leitão. E esconderia Temer melhor da sociedade, esse vice do PT duas vezes. Como é que o PT aceita um cara tão primário como vice-presidente de uma presidente doidinha?

Desde os primórdios da civilidade, os lideres políticos foram preparados por pensadores para governar. Alexandre, o Grande, possivelmente foi grande porque teve o filósofo Aristóteles como mestre. O Poder não é uma atividade banal. Se o Brazil System não suporta filósofos, use marqueteiros preparados em humanidades. Chega-se ao poder para confortar milhares de cidadãos que dependem do líder, do chefe para sobreviver e desfrutar das existências. Parece que Temer só pensa nele, em Marcela, em Michelzinho e, no máximo, em Rocha Loures, seu “longa manus”.

E com esse Brazil System, é claro que o Brasil será, para sempre, um País em crise.

Leila Diniz, Graúna (Henfil) e a família Temer

*Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

 

SÃO JOÃO DE JEQUIÉ TEVE SUA ABERTURA LOGO APÓS O ENCERRAMENTO DOS FESTEJOS DE SANTO ANTÔNIO

De acordo a tradição, no dia seguinte ao encerramento do trezenário em homenagem a Santo Antônio. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, deu início à programação do São João 2017 de Jequié.

A solenidade de abertura, na Vila Junina, sem as adaptações anteriores da Praça Rui Barbosa, o prefeito Sergio da Gameleira acompanhado por seu secretariado ocupou o palco Patativa do Assaré, na noite de quarta-feira, 14, para a abertura oficial e ouvir do Secretário Alisson Andrade que estava tudo pronto para a grande festa de São João, agora em menores dimensões, mas, nem por isso, menos animada e com farta programação.

Entre os convidados, esteve presente o deputado federal Antônio Brito, o vice-prefeito e Secretário de Saúde, Hassan Youssef, vereadores da base de apoio da prefeitura e a representante do Conselho do São João, a também vereadora Laninha.

Depois da execução da queima de fogos de artifício, alguns discursos e muita confraternização, foi apresentado o espetáculo “Chamego: uma fuxicação de Luiz a caatinga jequieense”, produzido pelos corpos artísticos da Secut/Prefeitura; a Cia de Teatro com o Canto da Saracura, quadrilha junina e arrasta-pé com o Forrozão Belo Xote.

A LITERATURA DE ZÉ AMÉRICO CASTRO

por Emiliano José*

 

 

 

Devo dizer de pronto, na cara de quem começa a ler, que Paulão e Zé Américo escolheram errado. Não tenho talento, vocação, muito menos tino, para fazer um prefácio para um livro que combina poesia e prosa, verso e letra corrida, realidade e ficção.

Justo eu, que nunca topei o mundo da palavra rimada, bem encadeada, que nunca me dei ao luxo de construir personagens, por falta absoluta de imaginação e preparo.

Mas vá lá que seja, que pedido de amigo a gente não nega, quanto mais a Zé Américo, amigo.

Amizade, quem há de negar que esse diabo de sentimento é superior a todos os outros? Não foi Caetano, com suas diabruras ao cantar, que disse isso? Sei não, chega a dar tremedeira falar de um livro assim. Dá vontade de dizer que é uma beleza – ver um sujeito pegar a falar de sua terra, como se falasse da mulher que ama.

Parece que a gente sente o cheiro de Ipiaú quando lê. As letras têm gosto de terra, geradas no ventre da agonia, tormento da fome, Josué de Castro, quem sabe Euclides Neto, fontes primárias. E são letras de espantar, porque pode se topar com lobisomem dançando alegre em riba da ponte.

Letras que buscam Corisco, Lampião, Lamarca, Conselheiro, todos esses loucos sonhadores, entrevistos naquele tiroteio de jagunços, que acabaram cansados de tanto atirar e que depois pararam para ver o moço que não cansava de sonhar.

E as letras vão caminhando, procurando pelo jequitibá, assuntando pra ver se encontra o jacarandá, se acha a jaqueira, se reencontra a erva cidreira nesses tempos de destruição. Será que vem de Lorca, de verde que te quero verde?

É um canto este livro, um canto no meio da feira, no meio da festa, e que tem um desejo quase obsceno de tão insistente: o desejo da igualdade. De uma sociedade mais justa, mais livre, mais amante.

Amada amante, a que aparece cheia de sensualidade nas noites de lua cheia, que chegavam arrebanhando pecados e prazeres.

Ah, como eram lindas as moças de Ipiaú, que beijavam distraídas, e depois balançavam a cabeça numa tímida negação e rezavam envergonhadas, mesmo que plenas de prazer.

E há o Cine Éden, cine paradiso de Zé Américo, melancolia de um tempo que não volta mais, poesia do cinema, portal das maravilhas que todos nós vivemos.

É um canto este livro. Um encanto. Um encantamento. Um modo de conhecer Ipiaú. O modo particular de Zé Américo ver sua terra. De reconhecer sua gente. De voltar à infância perdida.

Ele não voltou a Ipiaú em vão. Voltou para dar-se a ela. Por inteiro. De corpo e alma. Muita alma. Coração em brasa, espírito de poeta e de guerreiro. Indignação e paixão.

O artista é grande quando canta a sua aldeia. E é o que ele faz aqui. Seria tão bom, se o seu povo reconhecesse esse seu filho tão sensível. Tenho esperança e que o fará.

*Emiliano José Da Silva Filho é um político brasileiro (ex deputado, estadual e federal, jornalista, escritor e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. O texto acima é o prefácio do livro PORTAS DO EDÉN.

SENHOR GOVERNADOR

Por Aninha Franco*

Publicado em Trilhas: Correio da Bahia

 

 

Apesar de ter nascido no Pelourinho, na Rua 13 de Maio, e dele ter saído aos quatro meses para morar em Brotas, em urbanização, não podia freqüentá-lo do meu nascimento até os Anos 1990, porque não era seguro, nem próprio às mulheres honestas. Em 1994, ancorei num Pelourinho pujante, com um teatro intenso ocupando as ruas do bairro nos primeiros momentos pós revitalização. E quando as Praças Quincas Berro D’Água e Pedro Arcanjo foram construídas, receberam, até, 1200 espectadores para assistir atores e autores que lotavam os teatros noutros bairros da cidade. Tenho fotos de espectadores sob a chuva, com sombrinhas, assistindo “Esse Glauber”, porque não havia lugar sob os toldos.

Isso podia acontecer qualquer dia da semana, exceto terça-feira, quando todas as ruas do Pelourinho lotavam com as Terças das Bênçãos que movimentavam o bairro com shows musicais – Gerônimo era um escândalo na Escadaria da Igreja do Paço – e grupos de percussão. Diante do sucesso do teatro nas praças, ele foi convidado a montar a democracia republicana do Theatro XVIII, um teatro para todos, inaugurado em 13 de Junho de 1997, que rapidamente recuperou a Rua Frei Vicente, o Baixo Maciel, e nos anos seguintes solidificou-se com um problema: falta de espaço para abrigar as platéias que chegavam, furiosamente. O espetáculo “Três Mulheres e Aparecida”, em 2000, esgotava todas as sessões com três meses de antecedência, o espetáculo “Brasis” provocou o arrombamento da porta do Theatro, fechado por seus funcionários porque não podia receber público nem no foyer.

Os freqüentadores do XVIII, da Benção, do Miguel Santana com o Balé Folclórico dispunham de Gastronomia variada, possível a todos os preços, que hoje resta em sua totalidade no Guia de Bares e Restaurantes do Pelourinho, (Sebrae/Ba, 2004), porque centenas de comerciantes fecharam as portas a partir de 2007, com as políticas públicas estaduais, turísticas e culturais, impostas ao Centro Histórico, esvaziando o Pelourinho de soteropolitanos e turistas que o mantinham cheio. A partir de Janeiro de 2007, a pujança dos Anos 1990 que alimentava a economia da cidade foi secando e sendo transformada num deserto, perverso, onde nem mendigos vêem por falta de clientes. A sede dos Correios que era um Centro Cultural com exposições importantes foi fechada e a Agência do Banco do Brasil foi transformada em posto, aconselhando ao turista que quer efetuar câmbio que se dirija a outras agências.

O Pelourinho, parte importantíssima do Centro Histórico de Salvador, declarado Patrimônio da Humanidade, em 1985, está desértico sem suas âncoras, desaparecidas com políticas públicas equivocadas, como é equivocado, agora, o esvaziamento das praças durante o São João. Tenho na memória a propaganda do governo iniciado, em 2007, com Jaques Wagner, e continuado por V. Exa, de que o governo da Bahia trabalha para quem mais precisa. Os comerciantes que trabalham nas praças do Pelourinho já não conseguem sobreviver com as suas famílias por carência de clientela local ou visitante. E agora, às vésperas do São João, se não conseguirem trabalhar nele, perderão um dos seus poucos suspiros.

 *Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

JORNALISTA E ESCRITOR SERGIO MATTOS LANÇA O SEU 50º LIVRO: “LEITURA EM PRIMEIRA MÃO”

Por Luiz Guilherme Ponte Tavares*

O livro “Leitura em primeira mão” (Salvador: Quarteto, 2017), do escritor Sérgio Mattos, não será vendido no dia do lançamento (quinta-feira, 08.06, das 17 às 20h) no IGHB. O exemplar será trocado e as fraldas geriátricas arrecadas serão doadas ao Abrigo Irmã Maria Luiza.

Este novo trabalho do escritor reúne prefácios e orelhas de livros de ficção e não-ficção e inova, como se fosse estímulo aos autores, com a publicação de textos que permanecem inéditos porque os livros para que se destinavam não foram (ainda) publicados.

O jornalista, poeta, professor e escritor Sérgio Augusto Soares Mattos, que completará sete décadas de atuante vida em 1º de julho de 2018 (nasceu em Fortaleza em 1948), é professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), diretor da editora dessa universidade, é o 2º vice-presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e é o editor da Revista do IGHB.

Somos amigos há mais de 40 anos.

*Luiz Guilherme Ponte Tavares é jornalista, doutor em Comunicação, historiador e escritor

ABATIDO PELA IDIOTIA

Por Aninha Franco*

Publicado em Trilhas: Correio da Bahia

 

 

Idiotas não são pobres, descamisados ou miseráveis. Idiotas são aqueles que não foram educados para pensar. O Brasil está cheio de idiotas com educação universitária completa e até com pós-graduação. Os decorebas de ontem são os analfabetos funcionais de hoje que leem, mas não entendem. Ou que não leem. O Brasil é mestre em idiotia. Temer é um idiota que marca encontro na garagem de uma das casas da república para conversar sobre propina com um empresário investigado por corrupção e tem a cara de pau – jacarandá – de declarar à população que preside que ignorava que o cara era investigado. Os brasileiros que temem um Brasil sem este Temer, tranquilizem-se. Estamos no piloto automático há muito tempo e sobrevivemos a Lula e a Dilma Rousseff.

O país sangra, chora, sofre e odeia. Mas de Joesley, que fodeu o Brasil todos os dias nos últimos anos e fugiu para os USA numa boa, sabemos que a mulher comprou um vibrador com Wi-Fi. Joesley fode um país com 206 milhões de habitantes e a mulher dele precisa de um vibrador com Wi-Fi? Joesley parece esperto, mas é um idiota como Eichmann, como o cara que comandou o genocídio judeu nos campos de concentração nazistas. A Banalidade do Mal (Hannah Arendt) explica o século 21 como uma luva num Brasil implodido pela idiotia, por overdose de idiotas. E que país é esse? Pergunto sem indignação. Pergunto só de curiosidade: Que país é esse que me põe em dúvida sobre quem foi seu verdadeiro presidente durante as gestões Lula&Dilma. Há 15 dias eu achava que foi Emílio Odebrecht. Hoje eu desconfio que foram os Irmãos Joesley&Wesley, dupla sertaneja patrocinada pelo BNDES para criar um império nos Estados Unidos com dinheiro brasileiro. E com Marcelo ainda preso, a Odebrecht em dificuldades e a JBS sem problemas, os Irmãos Sertanejos têm tudo para ganhar a parada.

Contudo, Lula continua solto e Dilma quer voltar a presidir o país que nunca presidiu. Temer está de dar pena. Há dias não solta uma mesóclise. O PSDB, acompanhando a guerra entre PT e PMDB de sobre os muros, parece ter abandonado seus feridos. O PMDB está um farrapo no poder. E o PT garante que não tem nada a ver com a queima quase junina dos ministérios. De muito bom nos últimos dias uma entrevista de Fernando Gabeira a Pedro Bial. Assistam. É uma raridade no Brasil a ausência de idiotia por mais de 60 minutos.

O Brasil desmorona diante dos nossos olhos sem que nós possamos fazer muita coisa. Inexiste amor à coisa pública, por isso ele é um fracasso. O conteúdo do Partido dos Trabalhadores é assustador. Não há interesse pelo país, há rancor e o desejo de arrancar dele todo o possível. O PMDB, frágil como uma borboleta manca. E nenhum político entende que o Brasil se reiniciou no dia da prisão de Marcelo Odebrecht, um dos cinco empresários mais importantes da América Latina, finalmente considerado igual a todos os homens e mulheres presos naquele dia por terem infringido a lei. Será que Michel Temer sabe que Marcelo Odebrecht está preso? O Brasil vem sendo abatido pela idiotia. A idiotia é o contrário do Iluminismo. A idiotia é o fracasso da humanidade.

 

IPIAÚ: AUDIÊNCIA PUBLICA DISCUTE DESTINO DO RIO NOVO TÊNIS CLUBE

Por José Américo Castro

Acontece nesta sexta-feira, 29, a partir das 19hs:30min, no Salão do Plenário da Câmara Municipal de Ipiaú, a Audiência Publica que definirá as futuras formas de uso e modelo de gestão do Rio Novo Tênis Clube -RNTC- uma das mais tradicionais instituições da cidade que tornou-se palco de eternas emoções da comunidade local.

A ideia é transformar o espaço em um Centro Cultural Integrado, abrigando harmoniosamente as diversas formas de manifestação da cultura artística, desde salões de exposição, bibliotecas setoriais, cinema, oficinas, até um museu, além da dinamização dos equipamentos esportivos e parque aquático.

O evento decorre de uma proposição do vereador Claudio Nascimento, com apoio do Coletivo Cultural de Ipiaú e da coordenação do Território de Identidade do Médio Rio das Contas.

No próximo domingo, 29, o RNTC completa 68 anos de existência e desde já foi presenteado com um Projeto de Lei que dispõe sobre o tombamento do seu prédio como patrimônio histórico, artístico e cultural do município de Ipiaú.

O Projeto nº 010/2017, da autoria do vereador Claudio Jussi Nascimentoo-PSD- está em consonância com o Capitulo Quinto da Lei Orgânica do Município que reza ser da competência do município proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico e cultural, cabendo à Prefeitura intervenções de manutenção,conservação e adaptações que venham beneficiar a segurança e bem estar da comunidade.

A fachada original do prédio (foto) deve ser restaurada caso a audiência decida pela manutenção do patrimônio.

Fotografias e depoimentos

No decorrer da Audiência Publica serão projetadas em um telão uma serie de fotografias históricas do clube e veiculados depoimentos de antigos sócios e ex presidentes da entidade.

Inaugurado no ano de 1949, o RNTC teve como primeiro presidente o farmacêutico Waldemiro Santos que esteve à frente de uma diretoria formada por Salvador da Matta, Protogenes Jaqueira, Manoel Pinto (Mapin), Ademar Esteves, Edvaldo Santiago e Odilon Santos Costa, dentre outros homens que dedicaram amor a esta cidade e alicerçaram a cultura entre nosso povo.

REINALDO AZEVEDO PEDE DEMISSÃO DA ‘VEJA’

Colunista se sentiu constrangido após divulgação de grampo com irmã de Aécio sem indício de crime

Foto Márcio Alves / Agência O Globo

O jornalista Reinaldo Azevedo anunciou nesta terça-feira (23) que deixou a revista “Veja” após a divulgação de uma conversa telefônica em que ele discute as denúncias na Lava-Jato contra Aécio Neves com a irmã do senador, Andrea Neves. No diálogo, Reinaldo critica uma reportagem feita pela própria revista, que trata de uma conta de Aécio em Nova York, não comprovada.

Apesar de não conter indício de crime, segundo a PF, a conversa consta de um conjunto de 2.800 áudios disponibilizados pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito que provocou o afastamento de Aécio do cargo e a prisão da irmã, o que gerou críticas de entidades de imprensa. Reinaldo não é investigado.

Os diálogos foram divulgados inicialmente pelo site “BuzzFeed”.

Em sua última nota publicada ontem à tarde no site de “Veja”, o jornalista anuncia o pedido de demissão e critica o vazamento da conversa. Com autorização da Justiça, o telefone de Andrea estava grampeado pela Polícia Federal, como parte da investigação aberta pelas delações dos executivos da JBS. Azevedo ressalta que a transcrição do diálogo “nO jornalista Reinaldo Azevedo anunciou nesta terça-feira que deixou a revista “Veja” após a divulgação de uma conversa telefônica em que ele discute as denúncias na Lava-Jato contra Aécio Neves com a irmã do senador, Andrea Neves. No diálogo, Reinaldo critica uma reportagem feita pela própria revista, que trata de uma conta de Aécio em Nova York, não comprovada.

Em outra parte do diálogo, ainda de acordo com o “BuzzFeed”, Reinaldo e Andrea criticam a Operação Lava-Jato.

A Procuradoria-Geral da República informou, em nota, que “não anexou, não divulgou, não transcreveu, não utilizou como fundamento de nenhum pedido, nem juntou o referido diálogo aos autos” da ação. A PGR afirmou ainda que somente utiliza conversas apontadas pela Polícia Federal, em relatórios, como possivelmente relevantes para o fato investigado, o que não ocorreu com o diálogo entre Azevedo e Andrea.

Abraji critica divulgação

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo (Abraji) Investigativo informou que “vê com preocupação a violação do sigilo de fonte protagonizada pela Procuradoria-Geral da República”.

“A Abraji considera que a apuração de um crime não pode servir de pretexto para a violação da lei, nem para o atropelo de direitos fundamentais como a proteção ao sigilo da fonte, garantido pela Constituição Federal.

A associação ressalta que “a inclusão das transcrições em processo público ocorre no momento em que Reinaldo Azevedo tece críticas à atuação da PGR, sugerindo a possibilidade de se tratar de uma forma de retaliação ao seu trabalho”.

Segundo a Abraji, a Lei 9.296/1996, que regula o uso de interceptações telefônicas em processos, determina que a gravação que não interessa à produção de provas em processo deve ser destruída. “O próprio Ministério Público, aliás, é que deveria cuidar para que isso aconteça”.

A visão do Advogado

Com escritório especializado em temas relacionados à liberdade de expressão, o advogado Alexandre Fidalgo disse acreditar que a crítica de Reinaldo Azevedo a alguns comportamentos do Ministério Público Federal (MPF) pode ter motivado “uma espécie de vingança” por parte de quem divulgou suas conversas.

— O sigilo de uma fonte do jornalista é principio básico da liberdade de expressão. O jornalista, sem fonte, não exerce sua profissão. Uma democracia não é plena se ela não garantir a este profissional sigilo absoluto de suas conversas.

Fidalgo lembra que para um jornalista, “é fundamental ter boas fontes”:

— As boas fontes estão no centro da informação. Esta é uma conversa absolutamente natural no Estado Democrático de Direito – afirmou. Não guarda relação com o objeto da investigação” e que tornar público esse tipo de conversa é, segundo ele, uma maneira de intimidar jornalistas.

Fonte: O Globo

A DECOMPOSIÇÃO DA CARNE POLÍTICA

 Via Aninha Franco* publicado em O Globo, 21 de maio de 2017,  autoria de Dorrit Harazim**

 

 

Das 400 palavras do pronunciamento de Michel Temer que deixaram um Brasil inteiro em suspense na tarde de quinta-feira, o presidente poderia ter economizado 398, e proclamado seu “Não renunciarei” uma única vez.

A frase repetida em falsetto estridente, e que puxou aplausos desesperados, já tem lugar de desonra na história.

Por depender de novos desdobramentos, impasses, temperatura da rua e avalanche de mais revelações, Michel Temer tornou-se o centro de um desgoverno.

Mesmo que não houvesse os fatos e fotos, fitas gravadas e transcrições da delação de Joesley Batista, ofende a inteligência de qualquer cidadão a forma caritativa como o presidente admitiu, en passant, ter tido o radioativo encontro com um empresário já então na mira de pelo menos cinco investigações policiais.

“Realmente ouvi o relato de um empresário, que por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar”, mencionou Temer no discurso. Como o melhor desinfetante contra mau juízo é a transparência, tivesse o presidente recebido Joesley no Palácio do Planalto, pela porta da frente, nome na agenda e horário de expediente normal, talvez ele mesmo teria mantido a cautela de raposa brasiliense que veste como segunda pele.

Mas o presidente recebeu o visitante na calada de uma noite de março em sua residência, fora de agenda e sem registro, apesar do empresário da JBS ter se tornado notoriamente contagioso nos últimos tempos.

Sem falar que o “ex-deputado” necessitado de “auxílio” não era um qualquer entre os 513 parlamentares do país, e sim o ainda e sempre ardiloso Eduardo Cunha, preso em Curitiba, condenado a 15 anos e quatro meses pelo juiz Sergio Moro.

Mesmo que a gravação liberada pelo Supremo Tribunal Federal tenha trechos inaudíveis, e que aliados palacianos se apeguem à esperança da fita ter sido submetida a uma montagem para incriminar Temer, nenhuma edição conspiratória conseguiria apagar o fato de o presidente ter ouvido o relato coloquial de uma série de façanhas de corrupção ativa — Joesley comentou ter pago propina a um procurador da República, ter “controlado” dois juízes federais para obter informações sigilosas. Entre outros.

Não ocorreu ao chefe da nação interromper nem expulsar o interlocutor. Ainda menos, informar a Justiça do ocorrido, no dia seguinte. Talvez por serem temas já tão enraizados na intimidade, rotina, necessidade e sobrevivência dos dois protagonistas.

Poucas horas após o ensaio de não-renúncia de Temer, e com o país à deriva diante da decomposição de sua carne política, Joesley Batista achou oportuno divulgar um pedido de desculpas corporativo em nome do grupo do qual é um dos donos, e que tem 270 mil funcionários espalhados em mais de 20 países.

O texto de 215 palavras é asqueroso.

Teria sido melhor Joesley ter permanecido quieto em Nova York, para onde embarcara em seu jato particular uma semana antes de o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, destampar a cloaca contendo sua delação-bomba.

O empresário de 45 anos, imune, livre, dispensado do uso de tornezeleira eletrônica, e com a fortuna bilionária pouco arranhada graças a um acordo de leniência excepcionalmente fraternal, talvez imaginou poder limpar a imagem em nove parágrafos.

Ele começa seu texto com o surrado e protocolar “Erramos e pedimos desculpas”, formatado por causídicos de corruptores corporativos. Não especifica a quem estas desculpas são dirigidas, embora devessem sê-la ao povo brasileiro, simples assim.

Mas como no Brasil equilibrista de hoje a palavra “povo” soa arriscada a muitos ouvidos, a nota da JBS poderia ter endereçado o pedido de desculpas pelo menos “aos brasileiros”. Nem isso. Ficou em aberto.

De todo modo, as desculpas não seriam aceitas, por insinceras.

Joesley diz não ter podido honrar os valores de sua empresa pois “teve de interagir, em diversos momentos, com o poder público brasileiro”.

Isso lá é maneira de resumir uma alavancagem de dinheiro barato junto a bancos públicos nacionais que fizeram o grupo dar um salto de R$ 4 bilhões para R$ 160 bilhões em uma década? Ou de qualificar a farta distribuição de dinheiro político que fez do grupo um dos maiores financiadores de campanhas do país e uma das joias empresariais dos governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer?

“Em outros países fora do Brasil fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos”, escreveu ainda o empresário, cujo grupo opera 55 fábricas nos Estados Unidos.

A mesma equação pode ser vista de outro ângulo: se empresários vorazes como os do grupo JBS respeitassem nosso país como respeitam (e temem) a legislação de outros países, é o Brasil que seria capaz de expaèndir negócios com menos transgressões. E dar uma chance à construção de uma sociedade melhor.

Oportunidades para começar não faltam, e seria bom começar logo. Antes que o país se confunda com a “Ópera dos três vinténs”, sátira de Brecht e Kurt Weill, na qual “o homem, para sobreviver, tem de suprimir a humanidade e explorar seu semelhante”.

* Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

**Dorrit Harazim é uma jornalista e documentarista nascida na Croácia, trabalhou na revista semanal L’Express em Paris, depois na revista Veja, Jornal do Brasil e atualmente escreve artigos semanais para O Globo.

COLUNISTA DA FOLHA, QUE CHAMOU IMPEACHMENT DE GOLPE, AGORA QUER GOLPE CONTRA A CONSTITUIÇÃO, AFIRMA EDITOR, EM SUA ANÁLISE

Roger Scar, editor do site Jornalivre.com publicou suas impressões sobre o momento atual da política brasileira e, demonstra suas convicções de que o colunista da Folha, segundo ele, petista, Vladimir Safatle, deseja, de fato, é que se atropele a Constituição para que haja eleições antecipadas. Veja a análise:

Por Roger Scar*

 

Safatle e colunista na Folha, além de blogs assumidamente petistas, escreveu um artigo para o jornal paulista no qual defendeu claramente um golpe contra a Constituição. A ironia, entretanto, é que ele chamou o impeachment de Dilma Rousseff de golpe…

Em certo trecho do artigo, ele diz:

Agora, alguns acham que o Brasil deve seguir então “os procedimentos legais” e empossar o investigado Rodrigo Maia para que convoque uma eleição indireta para presidente.

Aqui ele faz clara referência ao impeachment da ex-presidente petista, a quem defende e sempre defendeu por razões políticas, não jurídicas. Contudo, vale lembrar, o processo de impeachment é um dispositivo constitucional, uma forma legítima e juridicamente correta de derrubar um presidente eleito. Da mesma forma, o vice-presidente assumir o cargo também é totalmente constitucional. É, aliás, prerrogativa fundamental do cargo. Portanto, Temer não é ilegítimo a não ser que se comprove a fraude eleitoral, na qual Dilma estaria envolvida de qualquer forma e isso resultaria na cassação de sua chapa.

Além disso, quem cometeu ainda duas ilegalidades durante o processo foi a própria Dilma. Uma delas ao se utilizar do Advogado Geral da União para defendê-la, sendo que a prerrogativa da AGU é defender os interesses da União e não da pessoa do presidente em exercício. O fato de Cardozo ter sido usado para defendê-la significa que ela usou recursos públicos para sua defesa, o que já seria motivo suficiente para puni-la dentro da lei.

Ademais, há ainda o fato de que Dilma sofreu impeachment sem a perda de direitos políticos, o que aí sim foi um ato totalmente inconstitucional. Senado e STF, na época representados pelas figuras de Renan Calheiros e Lewandowski, costuraram um acordo às claras para ajudá-la, e para isso rasgaram a legislação ao meio.

Dilma teve todo o tempo para se defender, teve direito a dar sua versão, foi ouvida pelo país e pode se explicar. A questão é que suas explicações não convenceram, simplesmente. Portanto dizer que o término precoce de seu mandato não é uma atuação legítima da lei não passa de escárnio com a população.

Em outro trecho do artigo, porém, Safatle entrega o jogo, deixando claro que ele, sim, quer um golpe. Veja:

Por essa razão, o único passo na direção correta seria a convocação extraordinária de eleições gerais, com a possibilidade de apresentação de candidaturas independentes, para que aqueles que não se sentem mais representados por partidos possam também ter presença política.

Não é isso que diz a Constituição. O que nossas leis determinam é que após o início do terceiro ano de um mandato, se o presidente é cassado ou renuncia resta ao Congresso convocar eleições indiretas. Por 30 dias, apenas, Rodrigo Maia que é o presidente da Câmara dos Deputados ficaria na presidência para, em seguida, dar vez ao sucessor.

É o que determina a lei.

Ok, uma lei pode ser modificada. Neste caso, o Congresso precisaria aprovar uma PEC que modificasse esse dispositivo Constitucional, para que então fosse possível, dentro da legalidade, convocar novas eleições gerais.

Contudo, sabemos que não é isso que Safatle deseja. A aprovação de uma PEC tão controversa poderia levar meses. Depois, levaria-se ainda mais tempo para preparar uma nova eleição geral, além de uma imensidão de recursos gastos para que a Justiça Eleitoral pudesse garantir o funcionamento do processo. No fim das contas, quando tudo isso acabasse, já estaríamos em outubro do ano que vem de qualquer jeito, e aí uma eleição antecipada não faria mais sentido algum.

O que o colunista petista deseja, de fato, é que se atropele a Constituição para que seus desejos possam ser atendidos. Imagine, agora, se todos pensassem assim…

*Roger Scar é Editor-chefe e Colunista do site JORNALIVRE www.jornalivre.com; joinvilense, escritor, fundador e proprietário do site Guerra Política, antigo Modo Espartano, no qual escreve análises e opiniões sobre temas políticos. Também é autor nos sites Sul Connection e Olhar Atual, além de ser o fundador da Sociedade de Estudo e Desenvolvimento Social, entidade liberal sediada em Joinville, Santa Catarina. Escreveu para o Instituto Liberal de São Paulo.

Veja o vídeo