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VALE A PENA REVER: RECORTES CULTURAIS DA BAHIA

Confira o talento do compositor e jinglista baiano Walter Queiroz Jr. numa de suas peças que marcaram época nos anos de 1970.

 

DIA DA CRIANÇA!

Por Oscar Vitorino*

 

“A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.” (Oscar Wilde)

 

 

Em 1923, nasceu a ideia de existir uma data para celebrar as crianças. Essa idéia ganhou corpo, e tornou-se projeto de lei depois que o Rio de Janeiro sediou o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Apesar de aprovado e oficializado pelo então presidente da república, Artur Bernardes, o dia 12 de outubro, como data comemorativa, só foi vingar em 1955, por questões comerciais. Por coincidência, a data é a mesma do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, sendo então um feriado nacional.

Mas criança é criança a qualquer hora, em qualquer lugar, não importa o tempo!

        Criança! Símbolo da inocência e da ternura! Sorriso de anjo, feito de doçura e de meiguices! Botão, que se contempla no mistério de sua essência. A cada criança que nasce, vale a pergunta que os vizinhos de Zacarias e Isabel fizeram quando nasceu João Batista: “o que virá a ser essa criança?” (Lc 1, 66)

        Tudo numa criança é feito de luz: luz auroral, luz nascente, luz fulgurante, que se espalha na suavidade de um sorriso! E quanto mais tenra, mais bela na grandeza do que será, quando crescer! E se nos estende os bracinhos rechonchudos, tal como os braços dos anjos, ninguém há que não se sinta, nesse pedido mudo e significativo, levado a ampará-la, como se retirasse do berço uma flor, tal a doçura do gesto que vem dessa criança.

        Semana da criança! Sete dias a ela consagrados. Sete dias destinados muito mais a condensar todos os benefícios para aquelas que não sentiram, nos primeiros anos da existência, o calor do colo materno, a ternura do abraço de um pai, o amparo dos que lhes trouxeram à vida. Elas necessitam receber todo o apoio, toda a ternura, todo o carinho dos bons corações, porque nada pode confortar mais as almas bem formadas do que servir às crianças – almas ainda um botão, a desabrochar nas primaveras da existência, nesse constante desenrolar de gerações, que se vão formando em alas que se enfileiram e alongam-se no tempo, para subirem os degraus do presente e descerem, no futuro, as ladeiras da outra encosta da montanha, quando chegam os ocasos da vida!

        Mas, as crianças são como as auroras. Nelas há somente luz e esplendor, num contínuo espetáculo de claridade! Do berço ao manifestar-se; dos primeiros passos aos monossílabos; dos monossílabos às palavras mal pronunciadas; daí aos Jardins de Infância até à aprendizagem da leitura e da escrita. Cânticos alegres, e recreios inocentes.  A vida da criança, que é amparada, é sempre rodeada de alegrias. Não há maldade na criança, salvo se, desamparada; nesse caso, ela cai no ‘inferno’ do vício. Cabe-nos, quanto possível, evitar que isso aconteça. E sabe Deus quanta vocação, quanta inteligência, quanta grandeza se perde naquelas pobres criaturas que, abandonadas, transviadas, lançam-se à própria sorte! Sorte?! Que sorte?

        Não! E não! As crianças não podem e não devem ser destinadas a sinas tão cruéis. Ampará-las, educá-las, encaminhá-las deve ser a preocupação de todos em todas as nações. As crianças são os nossos sucessores naturais. Cuidemos das crianças, hoje, para que tenhamos um mundo melhor, mais humano, mais fraterno, no qual seja banida a guerra, o trabalho escravo, a droga. O mundo só será melhor quando for povoado por pessoas melhores; e a paz só reflorescerá em impressionante beleza primaveril, se decidirmos, hoje, preparar em cada lar, em cada escola, em cada fábrica, em cada grupo social, familiar ou religioso, uma geração nova, com valores imutáveis e inegociáveis.

“Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a” (Johann Goethe)

*Oscar Vitorino Moreira Mendes é Médico Veterinário, professor aposentado da UESB e presidente da AMVEJ

NOVO PROJETO FM DA RADIO POVO JEQUIÉ DIVULGADO NO PROGRAMA DE MARIO KERTESZ EM SALVADOR

Como parte das novidades, o jornalista Wilson Novaes Júnior, agora integrando a equipe da nova FM de Jequié, a Radio Povo 91.5, discorreu sobre o projeto que vem sendo desenvolvido pelo Sistema Pazzi de Comunicação, no programa de Mario Kertesz, na Radio Metrópole FM de Salvador, na manhã da última segunda feira (2), durante o tradicional programa Jornal da Bahia no Ar.

A nova estratégia de Roberto Pazzi inclui, além da migração da Rádio Povo de Jequié, de AM para FM, a ampliação do quadro de profissionais da emissora. Para isso contratou recentemente os profissionais de rádio Edher Ramos e Wilson Novaes Júnior. Este último estará apresentando o programa Bahia Ponto a Ponto, na Povo, a partir de 16 de outubro corrente,

Em função da parceria da Metrópole com a Povo, Wilson Novaes Júnior obteve visibilidade estadual através do programa que abrange uma extensa rede de emissoras em todo o estado.

Mário Kertézs registrou o encontro ao lado de Wilson Novaes e Zé Eduardo (Bocão)

Mario Kertézs, que durante a entrevista contou com as participações dos jornalistas Luana Montargil, Zé Eduardo (Bocão) e do radialista jequieense Abraão Brito, integrantes da sua equipe de comunicadores, foi muito receptivo ao projeto que considerou “de grande importância para o fortalecimento da comunicação social da Bahia integrando ainda mais a população da capital com a do interior do estado”.  Durante a entrevista que se estendeu por quase todo o programa (das 8h às 9h), Wilson Novaes respondeu a questionamentos dos apresentadores do programa sobre o desenvolvimento de Jequié, administração pública e o cenário político local.

Wilson Novaes Júnior começou sua carreira de radialista na Radio Cidade Sol 94.9 FM, nos idos de 1985, esteve por um longo tempo na 93.3 FM e agora, depois de receber o convite do Sistema Pazzi de Comunicação, resolveu emprestar toda a sua experiência e credibilidade no jornalismo da Rádio Povo, que, diga-se de passagem, já contava com bons profissionais como Fabio Silva, Sergio Monteiro, Jussiara Oliveira e Silvio Júnior.

VEM AÍ… ANÉSIA CAUAÇU: LENDA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE JEQUIÉ

Edições ALBA

Anésia Cauaçu: Relatos da histõria. Anésia guerreira ou cangaceira? Quantas famílias remanescentes daquele tempo ainda vivem em Jequié e outras cidades da região? Bandida ou fazendeira? Você saberá o que registra a história. Mais uma edição da ALBA. Confira. Lançamento em breve.

Anésia Cauaçu – Lenda e história no sertão de Jequié

“É a história como base da ficção e a ficção permeando a história, intercambiando os fatos reais, com uma narrativa lúdica, mítica, resultado das representações do imaginário popular e da criatividade”.

Wilson Midlej

 Capa e Mensagem: Lula Martins; Orelhas: Zé Américo Castro; Prefácio: Sergio Mattos Revisão: Dermival Rios, Jussara Midlej.

CARTA ABERTA AO GOVERNADOR RUI COSTA

Senhor governador.

Eu o conheci ainda num cantinho lá no último andar da governadoria, uma espécie de sótão, onde o senhor, ainda se preparando para assumir a secretaria de relações institucionais. Na equipe, desempenhou as missões com equilíbrio e competência tornando-se autoridade, assessor imprescindível e sucessor do governador. Introspectivo, de poucas palavras, com a fisionomia meio amuada, revelou-se um executivo sério e objetivo.

Depois, candidato a deputado federal, circulou por Jequié em companhia do meu amigo Euclides, buscando angariar os votos necessários à conquista do mandato. Mais adiante, candidato à sucessão de Wagner, saiu vitorioso em uma eleição que eu já dava como certa a vitória de Paulo Souto. As informações que me chegavam até as vésperas do pleito davam conta de uma acachapante derrota do PT. 46% Paulo Souto, contra 24% de Rui Costa e 6% Lídice. Como vimos, os prognósticos e análises de profissionais de notório saber, não se concretizaram e o senhor foi eleito com 54.53% contra 37.39% de Paulo Souto. O resultado de Lídice permaneceu inalterado com 6.62%. Resultado surpreendente, convenhamos.

Pois bem, por absoluta falta de provas, não considerei os argumentos e acusações ouvidas, e procurei encarar o eleito como o governador de todos os baianos. E pus-me a observar.

Nesse ínterim, confesso que tive gratas surpresas com o seu comportamento como autoridade maior do nosso estado e passei a escrever as matérias dando relevância à primeira dama, jequieense, simpática e proativa, bem como relativas às andanças do governador pela Bahia. Enfocava a sua figura com mais tolerância, chegando mesmo a algum entusiasmo com a sua correria, sua simplicidade, determinação, uma certa ojeriza a aplausos e elogios gratuitos. Tudo isso fez com que, aos poucos eu fosse narrando os seus feitos, encontros e reuniões de trabalho com esperança e otimismo na quebra de paradigmas há muito arraigados entre os políticos brasileiros.

Cheguei a considerar a possibilidade de uma reeleição, caso o senhor se desvencilhasse do partido dos trabalhadores, hoje encardido pelas sucessivas acusações de desvios de conduta e variados maus feitos de membros de todos os escalões. Claro que eu não cria que o senhor abandonasse os seus companheiros para ingressar em outra sigla. Foi só especulação minha, mesmo.

Passei a vê-lo, desde aí como um espécime raro, capaz de descartar os oportunistas e aproveitadores numa suposta campanha eleitoral.

Entretanto, logo em seguida, já começaram a brotar ações infelizes por parte do seu governo, seja na área da educação pública superior, na área da saúde, na segurança e nos transportes.

E para sepultar de vez as minhas esperanças, recebo não apenas como analista e repórter, mas como beneficiário, as informações advindas dos médicos e clínicas de que o Planserv estabeleceu um sistema de cotas mensais, penalizando direta e perversamente o associado do Plano de Saúde dos Servidores do Estado.

Com o título “PLANSERV 503 mil associados submetidos a cota nos consultórios médicos” em outra oportunidade escrevi sobre o tema e replico aqui:

“Contrapondo-se ao anúncio que está sendo veiculado na mídia, o plano de saúde dos funcionários do governo do estado da Bahia PLANSERV, sucessor do IAPSEB, dono de uma respeitável carteira de 503 mil associados, com inadimplência zero, já que a contribuição é debitada em folha de pagamento do servidor, acaba de decidir que cada consultório médico ou clínicas estarão sujeitas ao regime de cotas. Ou seja, um determinado número de atendimentos por mês.

Ora, se um associado do PLANSERV, cujos valores que desembolsa  tem significativa representação em seu orçamento, precisa de um atendimento médico em momento de crise alérgica, de otorrino laringologia, cefaleia intensa, desarranjo intestinal, febre renitente, ou seja lá que doença em estado agudo se apresente, ao tentar marcar o seu médico para um atendimento ou procedimento, tem que se submeter à demanda de marcações na data, pois a cota estabelecida, não tem critérios atuariais e pode esgotar-se ainda nos primeiros dias do mês.

Aí, caso o paciente insista em ser atendido, é preciso desembolsar, no mínimo,R$ 250,00 reais por uma consulta, sem contar o procedimento a que precisará ser submetido.

Para a professora que prefere não se identificar, “É verdadeiramente uma decisão infeliz dos governantes do Estado. Muitas vezes a população se submete aos salários humilhantes pela compensação de um bom serviço conquistado ao longo do tempo, através dos planos de saúde…”.

A propaganda ressalta que deve-se “Espalhar a verdade. O Planserv é o melhor plano de saúde da Bahia e o melhor do Nordeste”, garantindo ainda, que não será privatizado. Que os quase 1 milhão de associados terá o atendimento garantido, sem suspensão ou descredenciamento. Que só no primeiro semestre foram 2 milhões de atendimentos a mais do que no primeiro semestre do ano passado. Finaliza dizendo que o Planserv está sempre ao lado do servidor e da servidora…

Ao lado de quem, cara-pálida? O leitor que em crise, com febre alta, procurou o médico hoje pela manhã, foi informado que a cota terminou desde o dia 10. Tenham paciência, senhores. E o Rui, que estava indo bem, beneficiando a população, cuidando da Bahia e dos servidores estaduais, como fica agora? Seria exagero publicar o que o servidor expressou quanto às saudades do PFL? É lamentável. Qualquer gestão responsável ofereceria serviços de extrema qualidade com a receita de 503 mil associados e inadimplência zero. Onde estão estes recursos? Fica a pergunta e fica também a dúvida do servidor doente: onde ir, já que o SUS também faliu? Socorro!!!!”

Pois é Governador, imagino que Vossa Excelência tenha lá os seus motivos, o amplo quadro de fornecedores e prestadores de serviços requer uma gestão pontual e firme, com fiscalização constante. Insista nisto, portanto, e mantenha o nosso PLANSERV a funcionar, fora das especulações dos burocratas. Preserve a saúde e o certo conforto que os servidores do estado gozavam, até então. Amplie as possibilidades assistenciais do Plano e invista em sua gestão de modos seguro e eficaz evitando ações extremas de quem merece e precisa ter de volta as condições que fazem o servidor público estadual se orgulhar de ser Planserv. Finalmente, evite que uma horda de desassistidos saiam às ruas, antes, durante e após o período eleitoral, substituindo o fora Temer, por fora Rui.

Enquanto isso, mesmo indignado, ainda mantenho os meus pontos de vista de admiração, esperança e respeito por sua atuação.

Wilson Midlej

Jornalista e membro do Instituto Pensar Jequié

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Por Caca Diegues*

 

 

via Aninha Franco**

Eu também já amei muito Luiz Inácio Lula da Silva. Quem não o amou, em algum momento de sua vida, neste país? Em 2003, assisti pela televisão à sua posse em Brasília, sem perder um só segundo daquela festa possivelmente seminal, lágrimas nos olhos por tão bela e radical transformação pacífica pela qual passava o Brasil. Quando Fernando Henrique lhe entregou com gosto a faixa presidencial, me senti vivendo a realização de um sonho de juventude, a inteligência reconhecida dando cidadania à vitória do povo pobre.

Apesar de alguns conflitos genéricos, causados pelos rumos que estava tomando a administração da cultura pelo Estado, minha primeira grande e estranha surpresa veio, claro, com o mensalão.

Como todo mundo, fiquei chocado, sem saber o que pensar diante das revelações provocadas pela denúncia de Roberto Jefferson, um precursor da delação premiada. Mas, como todo mundo, acreditei no que Lula então disse publicamente, que não sabia de nada, que tinha sido traído por colaboradores em que havia confiado. Entre outras coisas, o silêncio de José Dirceu, uma antiga admiração pessoal, me fez acreditar nessa versão e, em 2006, não vacilei em votar pela reeleição, contra a pinta de Opus Dei de Geraldo Alckmin (e lá vem ele outra vez!).

Acho que comecei a desconfiar de meu herói quando li uma declaração sua, dizendo se sentir melhor agora, vestido de terno e gravata, do que na época em que usava um macacão de operário. Por mais que essa sinceridade pudesse fazer sentido material, não era aceitável que um líder popular daquela envergadura avacalhasse tanto os valores simbólicos de sua origem. E, pior ainda, quando Lula começou a abrir o jogo de seu desprezo pela cultura, pelos livros e pelo conhecimento, como se devesse seu sucesso à ignorância a que tinha sido condenado por sua situação de classe. Um ressentimento agressivo, um rancor mal disfarçado em declarações de subestimação do estudo e da inteligência.

Não sei quando começou a tragédia que vivemos hoje no Brasil. Ela vem possivelmente de longa data, passando certamente pelos oito anos do governo Lula, para se agravar no de Dilma Rousseff. Ao sofrer o impeachment, a então presidente já tinha jogado 11,5 milhões de brasileiros no desemprego e consolidado, segundo Thomas Piketty, o famoso neomarxista francês, a desigualdade em nosso país. “É deprimente”, diz o ensaísta, “ver que décadas de democracia foram incapazes de promover mudanças no Brasil”. Era nessas mudanças que estavam nossas esperanças; mas elas se resumiram a políticas assistencialistas, dignas de aplauso mas nada dinâmicas, incapazes de promover qualquer ascensão social. E muito menos uma revolução.

Lula deixou de ser “o cara”, o líder popular mais atualizado que o Brasil poderia ter tido, para se tornar um chefe populista, como qualquer outro dessa maldita tradição latino-americana alimentada pelo patrimonialismo, o instrumento das oligarquias que ele tentou mimetizar. No extremo populismo latino-americano, religioso e sebastianista, os partidos se tornam seitas e seus chefes divindades que não erram. A política se desmaterializa em crenças e superstições estimuladas pelos apóstolos do chefe redentor.

Caímos na mais velha arapuca de nosso subdesenvolvimento, a proclamação da necessidade de indivíduos indispensáveis, santos vivos responsáveis por nós. Mesmo que reconheçamos a clareza de presentes, palestras, sítios, apartamentos, prédios, recibos falsos, a honestidade autoproclamada, temos certeza que só de sua redenção pode surgir nossa salvação como povo e como país. Numa época em que, segundo Steve Coll, professor de Columbia, os algoritmos e seus programadores são uma nova fonte de poder, ainda estamos entregues ao populismo de cordel.

O oposto de Lula não é o nariz empinado de FHC e suas aves de estimação. Bolsonaro ou o general Mourão, também não. Nem, por óbvio, Eduardo Cunha, Aécio, Geddel, Cabral. Não devemos querer sermos governados, a partir de 2019, pelos iguais dos que já nos desgovernam (não há nada de novo em Dória ou Alckmin). O contrário deles é o contrário de seu contrário e assim sucessivamente, até que possamos desembocar em alguma coisa que nos traga de volta a esperança de 2002, fragilmente representada nas ruas em 2013.

Em sua carta patética à direção do PT, Antonio Palocci tem um momento de iluminação: “Minha geração talvez tenha errado mais que acertado. Ela está esgotada. É nossa obrigação abrir espaço a novas lideranças, reconhecendo nossas graves falhas e enfrentado a verdade”. Eu sei que não posso mais ter meu amor de volta; mas que pelo menos a esperança do amor não morra.

*Cacá Diegues é cineasta

**Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

O EFEITO CASCATA DA MENTIRA QUE VEM DA ALTA POLÍTICA

 Por Francisco Daudt* via Aninha Franco*

“É tudo mentira. Ele é um simulador, frio, calculista, ele é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade.”

Pois é. Eu estava bem feliz de tratar de assuntos conceituais da natureza humana, de não ter que falar de política, desde que Madame retornou à insignificância de onde nunca deveria ter saído, mas essas frases acima…. Nas palavras de Michael Corleone, “eu quero sair, mas eles me puxam de volta!”

Para minha sorte, elas se referem a uma condição humana pouco entendida: a sociopatia. O sociopata é um psicopata que opera no atacado. Não se contenta em ser um assassino em série, um pequeno trapaceiro, um malfeitor de voo curto. Como o psicopata, ele não tem barreiras morais que se interponham a seus propósitos criminosos. Não há remorso, não há reconhecimento de erro, não há humildade. Ao contrário, há megalomania: a convicção de superioridade, de estar acima do bem e do mal, de ser possuidor de uma clareza mental assassina que transforma todos os demais em imbecis. E um gozo infinito em fazê-los de imbecis. Não poderia dar explicação melhor de como funciona um psicopata do que aquelas frases do início: a simulação fria do que for necessário para seus propósitos. Fazer-se de vítima? Ele será a maior vítima do mundo. Mentir descaradamente? Ele fará a mentira soar como a maior das verdades. Ignorar o que disse ontem e dizer o justo oposto? Foi você que ouviu mal, ele sempre pensou assim. Compromisso com a verdade, com a dignidade, com a honestidade? Zero. Mas se a aparência disso lhe for útil, ele se dirá a pessoa mais honesta do Brasil.

Manipulação? É fascinante assistir a ela. Televisionado na presença de um juiz, ele o usará como palanque para falar com seus seguidores, e dar-lhes argumentos –ainda que rudimentares– que mantenham sua crença nele.

Não existem psicopatas burros. O despudor, o cinismo e a leviandade retiraram-lhes as travas mentais que nos restringem. Dizem que os psicopatas não têm superego. Não é isso, pois tudo o que fazem é direcionado justamente contra aquilo que o superego manda. Eles são obcecados pela quebra das leis e da ética. É uma vida devotada à transgressão e à trapaça: seu maior gozo é chutar o superego para o alto.

O sociopata descobriu a mais eficiente das armas para manipular multidões: o sentimento de culpa. “Eu fui ferrado na vida, e os culpados são ‘eles’, e agora eu falo em nome de todos os ferrados, para nos vingar ‘deles’.” Como pastor do coitadismo, tudo lhe é desculpado, a culpa é dos outros. Não é à toa que sentir-se ofendido e culpar os outros virou uma praga em que o politicamente correto tomou carona.

O que nos leva à cascata. Quando Pedro Aleixo recusou-se a assinar o AI-5, perguntaram-lhe se ele temia que o presidente fizesse mal uso dele. “Não temo o presidente”, respondeu, “mas quando o autoritarismo se instala no alto da cadeia de comando, desce em cascata até o guarda da esquina. E este eu temo”.

É a cascata o pior legado do sociopata e seus asseclas: a corrupção moral do país, o coitadismo, a incompetência abençoada são ainda mais graves que os horrores que têm aparecido.

 

*Francisco Daudt é psicanalista, médico e colunista da Folha de São Paulo

**Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IVETE SANGALO CONFIRMA QUE ESTÁ FORA DO CARNAVAL DE 2018

“Por orientação dos meus médicos e por orientação também dos meu neurônios. Me colocar em cima do trio seria irresponsável com minha saúde”, disse Ivete à imprensa.

Foto: Rafael Cusato/Brazil News

Ivete Sangalo confirmou nesta quarta-feira (20) que não participará do carnaval de 2018 de Salvador, por causa da gravidez de gêmeas. O anúncio foi feito durante uma live em sua página oficial no Instagram.

“O carnaval, além de ser a menina dos olhos da minha carreira, é a maior festa da Bahia. Me projetou para o mundo inteiro. Eu tenho uma relação intensa demais com o carnaval. Mas, em virtude da alegria e da felicidade por estar esperando gêmeas, não vou pode fazer o carnaval. Por orientação dos meus médicos e por orientação também dos meus neurônios. Me colocar em cima do trio seria irresponsável com minha saúde”, justificou.

A baiana, que tem 45 anos e já é mãe de Marcelo, de 7, confirmou a gravidez na última terça-feira (12).

A FALA DOS GENERAIS

Por Ruy Fabiano* via Aninha Franco**  

(Blog do Noblat, O Globo, 23/09/2017)

Há muito não se ouvia falar em “efervescência nos quartéis” – há precisamente 32 anos, desde o advento da assim chamada Nova República, em 1985. Mas ei-la que volta.

A fala do general Hamilton Mourão, há uma semana, não deflagrou, apenas expôs uma situação há muito instalada.

Militares da reserva, entre os quais os generais Augusto Heleno e Paulo Chagas, de grande prestígio no Alto Comando – e cujas falas refletem, com clareza, o que lá se passa -, vêm difundindo pelas redes sociais o ambiente de indignação e inconformismo do estamento militar.

Como estão na reserva, não mereciam maiores atenções. Mas não falam desarticuladamente. A solidariedade que manifestaram ao general Mourão expressa o que pensa a alta oficialidade.

Os militares jogam suas fichas na Lava Jato, mas identificam resistências em alguns ministros do STF e do STJ, e em membros da Procuradoria Geral da República, que, segundo avaliam, dificultam a erradicação da corrupção no meio político. A esquerda – leia-se PT – teria ainda forte influência no conjunto das instituições do Estado.

O comandante do Exército, chefe do Alto Comando, general Eduardo Villas Boas, é visto como moderado, de trato diplomático, alguém que não segue impulsos. Antes de se manifestar, peneira as palavras para não deixar margem a dúvidas. Mas é sensível (e leal) ao que se passa em sua retaguarda.

A entrevista que deu ao jornalista Pedro Bial, segunda-feira, na TV Globo, sem dela dar ciência ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, o confirma. Nela, buscou minimizar o impacto das palavras do general Mourão, sem, no entanto, contestar-lhe o conteúdo: a lei e a ordem estariam de fato fragilizadas.

Nessas condições, as Forças Armadas, “dentro da legalidade”, conhecem seu papel. Não foi dito assim tão cruamente, mas o sentido está sendo assim interpretado. Mourão não foi, nem será punido. Ele expressou um sentimento hoje dominante nos quartéis. Puni-lo seria exacerbar ainda mais os ânimos.

O ministro Jungmann pediu contas da conduta do general, que está na ativa, integra o Alto Comando e teria transgredido o Regimento Disciplinar do Exército.

A resposta do general Villas Boas foi protocolar, reiterando fidelidade à Constituição. Não mencionou qualquer punição ou advertência ao general Mourão. Nem Jungmann voltou ao assunto.

Além do quadro geral de desordem pública, incluindo a degradação do ensino e dos costumes, sob a chancela do Estado, há o tratamento secundário que recebem do ponto de vista orçamentário. O Orçamento da Defesa, de R$ 800 milhões – e que se esgota neste mês de setembro -, é o mesmo concedido ao Fundo Partidário.

Isso ocorre ao mesmo tempo em que as Forças Armadas são chamadas a intervir no Rio de Janeiro, em operações delicadas, que as expõem, enfrentando sabotagem no governo estadual, com forte presença do crime organizado. “No Rio, o crime organizado capturou o Estado”, constatou o ministro Raul Jungmann.

Ao longo das três décadas em que se recolheram aos quartéis, os militares absorveram em silêncio uma narrativa adversa a respeito de seu papel nos 21 anos em que governaram o país.

Sustentam que continuam sendo difamados. Agiram em 64 sob o clamor da sociedade civil. Seu primeiro presidente, Castello Branco, foi eleito pelo Congresso (como mandava a Constituição de então), com o voto de lideranças como Ulysses Guimarães, Juscelino Kubitschek e Franco Montoro.

O advento da luta armada – “os mesmos que, com a anistia, estão hoje aí” – fez com que o regime se prolongasse e recorresse, com moderação, a atos de exceção. “Isso ninguém fala e os mais moços imaginam que o regime se instalou por mero capricho autoritário”, diz um general.

Há uma tendência de não mais aceitar a tal “narrativa ressentida dos derrotados”. Querem agora responder a cada vez que venham a ser chamados de ditadores e tiranos, como fez o general Paulo Chagas ao responder ao senador Randolphe Rodrigues, que chamou o general Mourão de “maluco” e o Exército de chantagista.

“A Comissão da Verdade listou, entre mortos e desaparecidos, 434 pessoas. Isso, em 21 anos, dá 20 pessoas por ano. Hoje, são assassinadas 70 mil pessoas por ano. A Comissão da Verdade só se esqueceu de listar os mais de 150 mortos pela esquerda, entre as quais cidadãos comuns (caixas de bancos, vigilantes, recrutas) e gente dela mesma, em julgamentos sumários. Houve uma guerra que não queríamos e não queremos – e eles perderam”, diz a mesma fonte.

Não está agendada nenhuma intervenção. Mas há, “dentro da rotina militar”, planejamento para qualquer eventualidade.

Os militares acham que, se houvesse um general candidato à Presidência – citam Paulo Chagas e Augusto Heleno -, não têm dúvida de que seria eleito. Veem Jair Bolsonaro como alguém com limitações, sem o preparo intelectual e o perfil de disciplina de Chagas e Heleno. Mesmo assim, pelo simples fato de evocar a farda, vem ganhando crescente apoio, conforme as pesquisas.

Veem uma disparidade entre o que sai na mídia mainstream e o que circula nas ruas e redes sociais, onde a maioria clama por intervenção militar. Por alto, e em síntese, é esse o sentimento que se alastra nos quartéis.

*Ruy Fabiano é jornalista

**Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

VEREADOR JEAN KLEBER SOLICITA SESSÃO ESPECIAL PARA HOMENAGEAR PROFESSOR TATAI E CAPITÃO MILTON

           Vereador Jean Kleber (PT do B)

Por José Américo Castro

 

Uma Sessão Especial para prestar homenagem póstuma aos ex vereadores, professores e cidadãos ipiauense, Edvaldo Santiago e Milton Pinheiro dos Santos, foi requerida pelo vereador Jean Kleber da Silva Cunha (PT do B) ao Presidente da Câmara Municipal de Ipiaú, José Carlos Bispo dos Santos.

O requerente sugeriu que a homenagem aconteça no próximo mês de dezembro com ampla participação popular. “Teremos a honra de homenagear a vida de dois educadores, religiosos, políticos, homens de bem, que muito fizeram por Ipiaú e que nos deixaram um grande legado”, disse o vereador.

Jean prevê que essa Sessão Especial venha a ser emocionante e muito bonita, assim como foram as vidas dos homenageados. O parlamentar fundamentou seu pedido em um versículo bíblico (Romanos 13:7) que diz: “Dai honra a quem tem honra”.

Prof. Tatai e Prof. Milton

Os ex-vereadores Edvaldo Santiago e Milton Pinheiro dos Santos muito honram as prerrogativas que lhes atribuíram o povo de Ipiaú. Foram íntegros no cumprimento dos seus mandatos políticos, cargos públicos e no pleno exercício da cidadania, referências para várias gerações.

*José Américo da Matta Castro é jornalista e Assessor de Comunicação da Cãmara Municipal de Ipiaú