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POPA OU SUCO?

Por Aninha Franco* em Trilhas

 

 

As melhores histórias de um povo vêm de seu canto e, como se ouviu, a popa da bunda foi o canto preferido do Carnaval de 2018 em Salvador. Mas a popa não arrastou as multidões sozinha com o “tá de shortinho, bem coladinho, tá bem safado, descaradinho.” Rolou o suco de Igor Kannário, e quem ouviu Kannário, de longe, descobriu que “se bater com a gente é suco”, suco, aquilo que é triturado nos multiprocessadores para virar líquido. Ou liquido? Igor Kannário, o príncipe do gueto, pode ter levado até 500 mil baianos, um sexto da população da cidade, moradores das favelas, às ruas do Carnaval. Pela TV, assisti ele avisar que é barril dobrado, abençoar a multidão com amém, como os lideres messiânicos, e cantar que o “carnaval é da paz”, da paz e do amor! Desnorteei.

Talvez por causa dessa emissão estranha de Kannário de querer transformar em suco quem bater de frente com seu principado, tudo com muito amor, a lírica de Leo Santana venceu as multidões. As novinhas adoraram e desceram, desceram, desceram. E até sua excelência, o governador, participou da lírica de Santana cantarolando “Vai dar PT” como se fosse uma poética política, quando é, na verdade, Perda Total porque a novinha “foi pro baile muito louca a fim de se envolver, só tem 18 anos, o que vai acontecer? (…) Misturou tequila, whisky, vodka, e a mina vai embrazar, vai dar PT, vai dar, vai dar PT, vai dar, ela vai dar PT, vai dar.” E o governador Rui Costa e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, acabaram festejando a Perda Total da novinha.

– Misericórdia! Bradaria minha senhora mãe!

Psirico aconteceu no Carnaval em ritmo só de luxúria, sem equívocos políticos, com seu cartão de visita, sua apresentação de desempregado da Rousseff, duro, pé-rapado, com o salário atrasado, sem ter pra onde correr, despejado, sem carro, mas dono de um Lepo Lepo irresistível. Ou com a lírica que criou pra seu amigo que deixou a putaria por causa de uma mulher. Que deu uma de “Bob Nelson”. Que recebeu a lâmina no abdômen, tomou uma rasteira que nem sabe de onde veio porque “quem gosta de homem é gay, mulher gosta de dinheiro, isso é padrão no mundo inteiro, você não é o primeiro nem vai ser o derradeiro, e isso nunca vai mudar, por isso seja…fiel à putaria.”

Infiel à putaria, a poesia da Beija Flor no RJ, estado que sofrerá intervenção federal até dezembro, poetizou a barbárie instalada no estado. No desfile da escola e na vida real, a violência é a mesma estrela. E o Rio de Janeiro está tão perto da Bahia. Apesar desse tamanho todo do Brasil, está tudo perto, Rio de Janeiro, Roraima, Laranja Mecânica de Anthony Burgess, o livro, Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, o filme, Maranhão. E se tudo aconteceu no Rio de Janeiro, a voz do Brasil, o resto do corpo corre perigo.

A poesia e o poder estão gêmeos no Brasil. O melhor livro de história de um povo é seu canto. E o canto da Beija Flor pediu socorro porque o pedido de socorro começa com a voz, depois se espalha pelo corpo: “(…) Ganância veste terno e gravata/ Onde a esperança sucumbiu/ Vejo a liberdade aprisionada/ Teu livro eu não sei ler, Brasil! (…) Oh pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais!”

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

A PARCERIA

 Por Carlos Eden Meira*

Quando a primeira diretoria da ASSAM sob a presidência do jornalista Raymundo Meira, conseguiu realizar o antigo sonho de adquirir o prédio onde funcionava o Grupo Escolar Castro Alves, para implantação do Museu Histórico de Jequié, a situação física do local que foi desocupado, já não era adequada dentro dos padrões modernos para ser uma escola. Constatou-se inclusive, após minucioso levantamento técnico, que suas instalações se encontravam em péssimo estado de conservação, colocando em risco a segurança de alunos e funcionários, o que poderia causar um desabamento como o que ocorreu com saudoso e belíssimo edifício Grillo, e certamente com consequências muito mais graves. Pode-se assim, deduzir sem nenhum exagero, que a citada desocupação pode ter salvado vidas.

Naquele período, a ASSAM contava com um grupo de cidadãos cujo objetivo principal sem quaisquer outros interesses, era a criação do museu no citado prédio, fazendo-se uma parceria com a Prefeitura Municipal, na qual a ASSAM como órgão gestor, comprometia-se em entrar com o seu acervo e a PMJ colocava o prédio à sua disposição para implantar ali, o museu. Isto foi feito, o sonho se realizou. Entregamos à cidade um museu num lindo prédio restaurado, que durante alguns anos funcionou dentro dessas diretrizes, tendo dado grande contribuição à História, à cultura e à educação em nossa cidade.

Hoje, após um período fechado para reformas, o museu reabriu suas portas ao público, sob o comando da nova equipe de funcionários da PMJ, e a ASSAM, também renovada, mantendo ainda alguns dos seus antigos associados. Como ex-membro dessa associação e sendo um dos seus fundadores, acho que cumpri o meu dever para com as duas entidades, já que vejo o museu funcionando, inclusive utilizando modernas técnicas de conservação do acervo, graças à nova equipe da Secretaria Municipal de Cultura e à nova diretoria da ASSAM, cujos membros certamente devem manter o espírito dos primeiros tempos, no objetivo de conservar a parceria com a PMJ, sem nenhum interesse de caráter pessoal ou político, o que em nada contribui para a continuidade do Museu Histórico de Jequié. Qualquer possível tentativa por motivações individuais de quem quer que seja, para separar o acervo do histórico prédio onde hoje se encontra, já reconhecido e valorizado pela população, seria como jogar no lixo toda a história da ASSAM em sua árdua luta para conseguir aquele local para implantação do museu, já que sempre consideramos o próprio prédio como a peça principal do acervo. O MUSEU PERTENCE AO POVO DE JEQUIÉ, E EM SEU NOME DEVE SER CONSERVADO!

*Carlos Éden Meira é jornalista, cartunista, DRT 1161

MUITAS TRILHAS

Por Aninha Franco, em Trilhas*

 

 

 

No meu Carnaval 0, ano de 1951, a trilha foi Confete “pedacinho colorido de saudade, ai, ai, ai, ao te ver na fantasia que usei, confete, confesso que chorei” interpretada por Francisco Alves, e Tomara que chova “três dias sem parar” que depois do sucesso em 1950, com Isaura Garcia, nunca mais deixou de fazer sucesso. Agora mesmo os moradores de Ilha de Maré devem estar cantando alto Tomara que chova, coitados, pra ver se a Embasa escuta: “A minha grande mágoa é lá em casa não ter água! Eu preciso me lavar.” E o Restaurante Preta precisa funcionar!

Em 1952, eu me esbaldei com Sassaricando, e Maria Candelária “é alta funcionaria, saltou de paraquedas, caiu na letra ó,ó,ó. A uma vai ao dentista, às duas vai ao café, às três vai à modista, às quatro assina o ponto e dá no pé. Que grande vigarista que ela é.” Pois é, com um ano de idade eu tive aula de Brasil com Blecaute. Em 1953, eu não lembro bem qual foi a música, mas em 1954 foi “é ou não é piada de salão, Se acham que não é, então não conto não.”

Em 1955, foi ano de Maria Escandalosa, um clássico do machismo.BR com a maravilhosa, com a inesquecível, com a para sempre viva Dalva de Oliveira: “Maria Escandalosa desde criança sempre deu alteração, na escola não dava bola, só aprendia o que não era da lição.” Em 1956, foi ano de dançar “Quem sabe, sabe, conhece bem como é gostoso gostar de alguém. Ai, morena, deixa eu gostar de você, boêmio sabe beber, boêmio também tem querer.” Em 1957, eu cantei Maracangalha de Caymmi o ano inteiro. Até hoje eu canto.

Em 1958, ganhei uma Rodouro, torci pela seleção e cantei, ufanista, “a taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa, êh eta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro”. Primeira copa! Em 1959, taludinha, me dividi entre Jardineira “por que estas tão triste, mas o que foi que te aconteceu? Foi a Camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu” e Touradas em Madrid, luxo poético: “Eu fui às touradas em Madri e quase não volto mais aqui pra ver Peri beijar Ceci. Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha, queria que eu tocasse castanhola e pegasse touro à unha. Caramba! Caracoles! Sou do samba, não me amoles, pro Brasil eu vou fugir! Isto é conversa mole para boi dormir!”

Em 1960 só deu “Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco é o maior, Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco de ninguém tem dó.” Melhor explicar que Cacareco foi uma rinoceronta do Zoológico do RJ emprestada ao Zoológico de São Paulo. Esse movimento rinocerôntico no Brasil pacato dos Anos 1950 provocou tanta confusão, que nas eleições municipais de 1959, os paulistas elegeram Cacareco vereadora com cerca de 100 mil votos. Sim, na época, era possível eleger rinocerontes e onças, candidatos mais respeitáveis que os humanos, porque os eleitores usavam cédulas de papel e escreviam os nomes dos candidatos. A Onça Peteleca que fugiu do Zoológico de Salvador nos Anos 1970, foi bem votada para vereadora no ano da fuga.

Em 1961 foi uma loucura de opções: Foi “Índio quer apito, se não der pau vai comer” com Jorge Goulart, foi “Lua, ô lua, querem te passar pra trás” com Ângela Maria, foi Cantareira com Gordurinha. Fiquei com todas. Bem, não há espaço, hoje, pra chegar em “Que tiro foi esse, viado?” de Toddynho. Mas outras trilhas virão. Prometo. Feliz Carnaval!

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

MELHOR IDADE?

Por Ruy Castro*

 

 

 

Melhor idade é a puta que te pariu – a melhor idade é de 18 aos 40 anos…

A voz em Congonhas anunciou: “Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.”. Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a “melhor idade” – algo entre os 60 anos e a proximidade da morte.

Para os que ainda não chegaram a ela, “melhor idade” é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.

Privilégios da “melhor idade” são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da “melhor idade”, estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.

Outra característica da “melhor idade” é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.

Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo(que têm os dedos ligados por uma membrana) da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: “Voltando da farra, Ruy?”. Respondi, eufórico: “Que nada!

Estou voltando da farmácia!”. E esta, de fato, é uma grande vantagem da “melhor idade”: você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.

Primeiro, a aposentadoria é pouca, quase uma esmola, e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução.

Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te veja e por caridade pare o veículo e espere pacientemente você subir antes de arrancar com rapidez como costumam fazer.

No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo: – “Sou deficiente”.

O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou: – “Que deficiência você tem?”

– “Sou broxa!”

Ele deu uma gargalhada e eu entrei.

Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo…

Eu disse bem baixinho para uma delas:

– “Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00, não fica triste não”, foi só para viajar de graça.

Bem… fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.

Subi na pedra e pensei em cumprir o ritual que costuma ser feito pelos mais jovens no local. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?

Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: “Dá a mão aqui, senhor!!!”

Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça.

Sentar na pedra e olhar a paisagem era tudo o que eu queria naquele momento.

É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a toda hora.

Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.

Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:

– “O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair.”

Resmungo entre dentes: … “só se cair em cima da sua mãe”… mas, dou um risinho e digo que esta tudo bem.

Esta titica deste sol esta demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e nada do por do sol.

Vou pensando – enquanto desço e o sol não – “Volto de metrô é mais rápido…”

Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá esta um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.

Olha sério para mim, segura a roleta e diz:

– “O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem.”

A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.

Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não. dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos…

Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega… Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam…

Desisti… lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava… Me senti o máximo.

Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.

Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou.

É agora…

Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:

– “O senhor não quer sentar? Me parece tão cansado?”

Melhor Idade ??? – Melhor idade é a puta que te pariu !

*Ruy Castro é escritor e jornalista, trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes do Rio e de São Paulo. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.

PABLLO VITTAR E A ROUPA INVISÍVEL DO REI NU

Por Tom Martins*

Sua música é péssima, lidem com isso. Porém, criticá-lo nestes aspectos meramente musicais faz do crítico um criminoso, preconceituoso, invejoso e homofóbico.

Eis que chegamos ao tempo em que se faz necessário provar às pessoas que a grama é verde e a água é molhada.

Antes de embarcar na insólita investida de argumentar sobre os porquês de a música de Pabllo Vittar ser tão ruim – fato que deveria ser captado menos pelo intelecto do que pela própria experiência sensorial não racional –, serei obrigado a esclarecer dois pontos.

Primeiro, e mais importante: aqui nessas paragens, a discussão é adulta e civilizada. Qualquer acusação de “homofobia” ou correlatos será rechaçada com vigor, porque injusta com quem, como eu, cresceu ouvindo Freddie Mercury, Ney Matogrosso, Tchaikovsky, Bernstein, enfim, a lista é longa, e nunca o fato de serem homossexuais nem sequer ofuscou minha admiração e respeito a eles. O segundo aspecto é que, apesar de estudar música há mais de 30 anos, de ser regente profissional há 17, professor há 25 e de ter ajudado a fundar uma das maiores orquestras jovens do Brasil, a qual dirijo há 12 anos, falarei menos sobre música e seus aspectos técnicos do que sobre ideologia porque, afinal, é disso que o fenômeno se trata.

Pabllo Vittar é a roupa invisível do rei. Sua música é péssima, lidem com isso. Falta-lhe afinação, técnica, noções básicas de harmonia e ritmo, etc. Coisas que são exigidas de qualquer estudante rudimentar de música. Porém, criticá-lo nestes aspectos meramente musicais, na loucura do neocoletivismo identitário em voga atualmente, faz do crítico um criminoso, preconceituoso, invejoso e homofóbico. Por outro lado, as portas se abrem a quem exalta as finas vestes do rei nu, como ocorreu com Ed Motta recentemente.

Vítimas da “espiral do silêncio”, as pessoas deixam de falar aquilo que pensam, com medo da calúnia e do isolamento. Enquanto isso, o objeto da crítica e, mais do que isso, a ideologia da qual esse objeto é símbolo, avança livre.

O escracho e a obscenidade estão presentes nas artes desde as comédias gregas, passando pelas cantigas de escárnio e maldizer barrocas, a ópera-bufa, até o punk rock oitentista dos Garotos Podres. A diferença é que nem os poetas de escárnio nem os Garotos Podres buscavam moldar o mundo de acordo com o próprio espelho. Todos sabiam que eram escrachados, obscenos ou toscos e, ainda assim, tinham uma preocupação com o produto final ser minimamente bem feito.

O que vemos em Pabllo é o grotesco alçado à condição de algo sacrossanto e imune às críticas, por justificativas ideológicas, extra-artísticas. Pabllo é também uma vítima, uma voz com prazo de validade, marionete de um esquema muito mais poderoso do que ele sequer imagina. Podemos verificar o mesmo fenômeno nos esportes, com Rodrigo “Tiffany” de Abreu e Fallon Fox. O problema não é Pabllo, em si, mas a máquina que o maneja. Para o establishment, não se trata de música, mas de um símbolo a ser defendido politicamente.

Em relação a Vittar, há duas questões: uma estética e outra ideológica. Forjar, na cultura de massas, uma figura desprovida de qualquer noção musical é tornar natural o feio, o grotesco, o mal-acabado. É um problema estético. Da questão estética (acostumar o público com o grotesco) advém a questão ideológica: censurar as divergências para fortalecer uma narrativa política.

Por isso Vittar – e Anitta, o funk carioca, o rap proibidão etc. – são tão nefastos.

*Tom Martins é regente titular da OFSSP, compositor, instrumentista e bacharel em Composição e Regência pelo Instituto de Artes da Unesp.

Fonte: Gazeta do Povo

ORGASMO JURÍDICO

Por Aninha Franco* em Trilhas

Da trilha de sábado passado, que preferi não publicar, conservei apenas o título que descreveu minha sensação quarta-feira, 24 de janeiro, quando escutei os acórdãos dos jovens desembargadores confirmando a sentença de Moro no processo do “triplex”. Vivi para escutar Juiz e Desembargadores, todos com 45 a 54 anos, condenarem o político mais famoso do Brasil, de 72 anos, presidente da república que, no fim do segundo mandato, em 2010, esnobava 83,4% de aprovação popular.

A confirmação da sentença foi a maior derrota que a impunidade – que nos devasta desde sempre – sofreu em sua vida brasileira, e demoliu o mais amado líder que o País já teve.

Os acórdãos desmontaram, com precisão cirúrgica, o argumento primário de que não havia provas contra Lula, mantra repetido diante de provas documentais, testemunhais e periciais que sustentaram a sentença de Moro, contratos, termos de adesão, fotos, declaração de IR, depoimentos e benesses aprovando instalações de elevador, cozinhas, armários e dormitórios, deck de piscina e compra de eletrodomésticos, pacote burguês que enobrece e dá status no Brasil de capitalismo predatório.

E foi esse pacote burguês que fez de Lula da Silva inelegível para desespero do PT, partido de líder único, que se auto declara de esquerda.

Ser corrompido é desprezível, ser corrompido por essas miçangas é duplamente desprezível, mas ser Lula da Silva e ser corrompido por elas é não ter nenhuma idéia de quem é, confiar demais na impunidade e entrar na overdose de poder.

A corrupção do “tríplex” é clichê patrimonialista que seduz a maioria dos políticos brasileiros, mas que não poderia chegar no pau-de-arara que se moveu da miséria ao poder máximo, e desmontou essa conquista quase milagrosa por um elevador privativo e uma cozinha Kitchens, mostrando de que barro é feito quando viajou para assistir ao espetáculo do desmonte num jatinho de Michael Klein, dono das Casas Bahia, e se hospedando no Sheraton.

Desconfio que ele não tem dimensão do que construiu e desconstruiu neste País de milhares de analfabetos, ainda, neste continente onde em se plantando tudo dá mas que guarda famintos. Desconfio que ele não tem consciência do que fez com o Povo que diz amar e de como será difícil construir outro cara saído do povo com o poder que ele teve. E, por fim, desconfio que o cara que fica tão bem de chapéu de couro e roupa de camponês era, é, sempre foi, apenas o personagem de uma opereta em cartaz. Lula da Silva em Concerto nunca foi de verdade. Seus espectadores é que fizeram dele um líder real.

Aquele líder que representou o Povo no Poder pela primeira vez, em cinco séculos, é mentira.

De verdade é o cara que asfixiou o Palácio e o País com essa corrupção avassaladora, demoliu instituições e estatais, embotou a cultura, desempregou milhares de brasileiros de todos os estratos e levou a criação e a produção de volta aos Anos 1980, desmoralizando o discurso de que a “esperança venceu o medo”.

Lula fortaleceu a idéia de que o medo estava certo e empurrou o País para trás, de volta a 1989, às candidaturas de Collor e Bolsonaro, depois que conseguiu fazer da Democracia, literalmente, o Povo no poder.

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

A PRAIA DA PACIÊNCIA SE ENFEITA PARA A SAUDAÇÃO A RAINHA DO MAR: ODOYÁ JANAÍNA

Fotos Correio

Hoje é dia de festa no mar, dia de saudar Iemanjá! Também é dia de homenagear todas as rainhas das águas… Dundalunda, Oguntê, Marabô, Caiala, Sobá, Oloxum, Ynaê, Janaina e Iemanjá.

Como acontece desde sempre, já pela madrugada os soteropolitanos e agora os baianos de todos os cantos, se irmanam com os brasileiros de toda parte e se reúnem, tornando-se um imenso bando de devotos,  precisamente no largo de Santana, no Rio Vermelho, para as diversas saudações a rainha das águas salgadas, estrela guia dos pescadores e enamorada dos homens do mar. Bem em frente a Casa do Pescador, partem as galeotas onde são colocadas as oferendas, ramalhete de flores, vasos, perfumes, sabonetes, pentes de todos os tipos… ou simplesmente um gesto, uma prece, o ato de umedecer a ponta dos dedos levando-os à fronte, são simbolismos que fazem a ligação com a orixá das águas, poderosa mediadora entre os devotos e a divindade.

É neste dia, o dia 2 de fevereiro, que o baiano mergulha nas águas do Rio Vermelho para energizar o seu corpo, estabelecendo um longo e duradouro fio de conexão que permanecerá em seu campo astral ao longo do ano.  Também no Dique do Tororó acontecem as homenagens a Oxum mais bonita que se veste com o azul do céu da Bahia.

CARTA AOS BRASILEIROS – A VINGANÇA

Por Miguel de Almeida* via Aninha Franco

 

Nunca antes neste país um presidente escreveu tanto ao povo sacrificado, explorado e tão mal informado pela mídia golpista e por esses blogs que o Franklin inventou para nos defender. É uma confusão dos diabo.

É tarde da noite. Estava pensando em nosso encontro com os intelectuais e artistas cariocas. Quer saber? Aqui entre nós? Achei fraco. Antes quem me puxava o saco eram Aziz Ab’Sáber, Pingueli Rosa, Chico de Oliveira e um bando de camaradas da pesada. Poxa, saí de lá carregando livros da Elisa Lucinda e do Eric Nepomuceno. É mole? Só falta eu ter de assistir a um luau dela.

Gleisi, lá só tinha o lado B. No bom sentido, companheirxy. Não me entenda mal porque não quero encrenca com o Paulão.

Não fosse esse Moro eu estaria com o carro na sombra, o carvão na grelha, e o copo cheio, mas estou aqui tendo de defender a linguiça do meu churrasco. E rir das graças do Duvivier. A vida é injusta.

Chico não foi, né? Ele só aparece para jogar futebol. Sei que estava na cidade. Pelo menos ele não pede para eu ler os livros dele. O Marco Aurélio, que lia tudo e que Deus o mantenha longe do Teori, me disse que o “Budapeste” dele é um estorvo, um leite derramado numa tarde em Maricá.

Como ali só tinha o lado B, achei que poderia esnobar aquele pessoal. Saquei do bolso do meu macacão uma informação trazida por um companheiro: o presidente do tribunal que irá me julgar é bisneto do general que matou o Conselheiro lá em Canudos.

Isso sim é coincidência, não?

O problema é que o Conselheiro, me contaram depois, morreu com uma diarreia desgraçada. Nem por bala ele foi morto. Mas lá na hora a coisa fez efeito. Se soubesse como ele morreu, não tinha falado. Imagine as piadas que vão fazer a respeito. Ainda bem que o Duvivier está no papo.

Uma (outra) coisa que me contaram: só no Brasil humorista é a favor. Em geral é um pessoal sempre do contra. Sorte minha. Mesmo assim a vida é injusta: eu ficaria feliz se fosse o Costinha, né?

A companheira Benê veio com o Pitanga. Será que eles sabem a história do Conselheiro? Duvido. Do jeito que o Pitanga fala sem parar, acho difícil ele ler até placa de trânsito.

Por que a Camila não veio? Eu ia querer guardar uma foto ao lado dela. Tenho uma aqui com a Beth Carvalho, mas não é a mesma coisa, né?

Se eles engoliram a minha história do Conselheiro, está aí uma coisa que não entendi: por que o Tabaco chorou ao falar de Cuba? Ele vai lá passear com a filha dele, e daí chora? Artista é um bicho estranho. Imagine eu andando nesses cafundós que ando… eu é que devia chorar: já pensou quanto café requentado vou ter de tomar por causa do Moro?

(Soube agora que o bisavô do juiz de Porto Alegre não era general, mas coronel. Para mim é tudo a mesma coisa. Mas o companheiro que me deu a dica poderia ser mais cuidadoso. Ainda bem que os humoristas no Brasil…).

Em São Paulo, a coisa foi ainda mais fraca, companheirxyz. Na Casa de Portugal não dava para tirar foto. Tirar, tirei, mas estava uma tristeza. A pessoa mais empolgada era o Chico César, imagine. Cá entre nós: ele não acerta mesmo no cabelo, não? Antes parecia a Pedrita, hoje nem sei…

Acho que a culpa é desse terno que usei na Casa de Portugal. Ganhei de presente do Evo Morales. Terno boliviano, corte boliviano, tecido boliviano. Será que foi por isso que o José de Abreu não foi? Artista é um bicho estranho.

Juro que não estou pensando na Bete Mendes. Mas poderia, né?

Lembro quando fiz minha primeira campanha a presidente. Tenho saudade daquela época. Ali sim eu estava bem cercado. O coitado do Collor morria de inveja: nem dava para a saída. Mas agora… No dia seguinte ao evento de São Paulo, ele anunciou que vai ser candidato. Me viu ao lado do Chico César, usando um terno do Evo Morales, acho que é isso.

Não posso mais dar sinais de fraqueza.

Mas você quer que eu faça como? Viu a camisa do Pascoal da Conceição? Aquilo é falta de respeito para comigo, um ex-presidente duas vezes. Viu a camisa do Lindberg (tá certo o nome?)? E ele ainda quer meu apoio para ser governador do Rio. Não vai ganhar nunca. O Paes sim, ele sabe escolher uma camisa. Fica melhor ainda quando tem aqueles piti.

(Soube de outra agora: o general que é coronel, não é bisavô do juiz de Porto Alegre. É tio trisavô. E isso existe? Me ensinaram tudo errado. Com uma assessoria assim eu ainda acabo jogando tranca com o Cabral em Curitiba).

Companheirxyzw, vai me desculpar, mas acho que você pisou nas costas da cobra ao dizer que vai morrer gente se eu for preso. E pisou sem chinelo. O companheiro Stédile já mandou avisar que não tem ninguém disponível no momento. Com os companheiro da CUT eu não também não posso contar. O Boulos? Esse aí passa o dia ouvindo Caetano, anda muito, como é que se diz?, anda muito odara.

O que é odara?

(Para acabar com o meu dia: acabei de saber que o general que é coronel, que não é bisavô mas é tio trisavô, bem, ele morreu duas semanas antes do Conselheiro! Diabo, vão dizer que virei a Dilma!). A vida é injusta.

*Miguel de Almeida é jornalista, poeta e editor.

A BELA DA TARDE, AOS 74

Por Demetrio Magnoli* 

 

viaAninha Franco**

Meio século, duas vezes. Em maio de 1967, estreou em Paris o filme “Belle de Jour”, de Luis Buñuel, a história da burguesa frígida Séverine que consumia suas tardes trabalhando num bordel. Em janeiro de 1968, emergiu em Nanterre, Paris, a figura de Daniel Cohn-Bendit, indagando ironicamente se um relatório oficial sobre a educação francesa abordava o tema da vida sexual dos estudantes universitários. Hoje, finalmente, cem mulheres disseram “basta!” e denunciaram as neofeministas por almejarem censurar “Belle de Jour” e cancelar a revolução sexual dos anos 60. Apropriadamente, as cem que assinam a carta aberta são francesas — e, melhor que tudo, Séverine (digo, Catherine Deneuve) é a mais conhecida entre as signatárias.

Séverine — linda, distante, gelada — recusava ser tocada por Pierre, seu marido suave e respeitoso. O ponto de fuga de sua jaula asséptica era o bordel ou as violências de um Pierre imaginário, convertido em fidalgo depravado. As saídas por baixo (pelo mundo da sarjeta), e por cima (pelo desaparecido mundo amoral da aristocracia), a conduziam ao desejo, ao gozo e à liberdade. No fim, descobrimos que as tardes da bela da tarde talvez não fossem mais que sonhos. E daí, se o gozo era real?

Deneuve assina a carta aberta para proteger o direito de Séverine sonhar. As neofeministas não têm nenhum problema com a tradição patriarcal ou o machismo. Elas querem, de fato, anular o desejo. A mensagem das cem francesas é que as mulheres não precisam de códigos fundamentalistas de conduta coletiva, da conspícua proteção do Estado, do leito hospitalar reservado às vítimas. Elas estão dizendo que são adultas e sabem cuidar de suas relações pessoais. Que, nesse âmbito, tudo que não é crime pertence à esfera privada. Que a sedução e o galanteio não são crimes. Viva Séverine!

Nos feriados, os prontos-socorros se enchem de mulheres pobres espancadas por maridos bêbados. Nas penitenciárias femininas, as detentas são regularmente abandonadas por seus familiares, que jamais as visitam. E, contudo, o movimento #MeToo, das jihadistas do feminismo pós-moderno, consagra seu tempo a nomear e difamar homens que, anos ou décadas atrás, ousaram pousar a mão no joelho de uma mulher avessa ao seu jogo de sedução. As cem francesas, indignadas com a campanha inquisitorial, provam que o espírito humano vive e resiste. A turba neofeminista não esperava por essa. Agora, as fabricantes do chavão iracundo terão que confrontar o argumento denso, o peso da crítica precisa.

Puritanas — eis a hashtag que as cem francesas colaram às feministas de araque que não aceitam as implicações da revolução sexual. O Cohn-Bendit de janeiro de 1968 ainda não era o “Daniel Le Rouge” do maio das barricadas, mas antecipava as desconcertantes pichações que cobririam os muros do Quartier Latin. Ele queria, na reunião com o representante do Ministério da Educação, o fim da rígida separação entre dormitórios masculinos e femininos nos campus universitários. A revolução sexual foi, antes de tudo, um movimento pela igualdade de direitos entre cidadãos adultos. Sua premissa implícita era que as mulheres não são o “sexo frágil”. Daí decorre que as mulheres assumem as responsabilidades que acompanham a liberdade. As novas puritanas histéricas obrigaram as cem francesas a sair em defesa desse valioso conceito anunciado há meio século.

Deneuve tinha 23 anos quando interpretou Séverine. Imagino o sólido tédio com que, aos 74, leu e ouviu as sentenças ressentidas, rancorosas, odientas, das puritanas disfarçadas de feministas. Puritanas incultas — eis a hashtag completa que a carta aberta associa às militantes da repulsa ao sexo. Sob a insuportável gritaria delas, um nu clássico foi removido do metrô de Londres. As artes, o cinema, os livros e as relações interpessoais cotidianas são os alvos da nova inquisição, que condena sem processo por meio de campanhas difamatórias nas redes sociais. As cem francesas estão nos alertando para o valor da liberdade individual e para o significado das palavras tolerância e diversidade. Elas temem, com razão, o advento de um mundo congelado, paralisado pelo estrito código normativo das Séverines que abdicaram de sonhar.

A geometria política do conflito nada tem de aleatório. O neopuritanismo descontrolado espraia-se, previsivelmente, a partir dos EUA. Na ponta oposta, a carta da resistência emerge na França — o país que, sem escândalo, assistiu ao enterro de um presidente ao qual compareceram tanto a viúva oficial quanto a informal, que era a amante. A força da carta encontra-se não só na sua qualidade intelectual intrínseca, mas no precedente que estabelece. Se as cem francesas insurgem-se contra as ferozes militantes do obscurantismo, por que não eu? Agora, as mulheres comuns já podem dizer, alto e claro, que rejeitam o figurino redutor de vítimas eternas.

Deneuve não é mais autora do que as outras 99 signatárias. Mas é justo que apareça como ícone da resistência: ser Séverine tem consequências.

*Demétrio Magnoli é jornalista e sociólogo

**Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga e ativista cultural

NÃO É HORA DE SALVAR PESSOAS E SIM O PAÍS

Via Iracema Carneiro

 

Dr Hélio Martins, juiz da comarca de São João del Rei(MG) recebe um convite do deputado Reginaldo Lopes do PT para o lançamento de Lula/ 2018 e diz, em resposta ao deputado acima, o que todos os cidadãos brasileiros deveriam dizer: 

“Exmo. Senhor Deputado Reginaldo Lopes, em que pese o profundo respeito que tenho pela atuação parlamentar de V. Exa., não é hora de lutar para salvar pessoas, mas sim o País, atolado no caos econômico, na recessão, no desemprego, na violência e na vergonha internacional onde agentes políticos e públicos protagonizam o maior caso de corrupção de que se tem notícia na história da humanidade.
Quero, como tantos outros brasileiros com capacidade de discernimento e compreensão, que se faça justiça!!!
Que todos aqueles que se apropriaram de recursos públicos paguem por tão grave crime, além de devolver o que indevida e criminosamente levaram, privando o cidadão de saúde, educação, segurança, infraestrutura dentre outros. Todos, indistintamente, como republicanamente deve ocorrer, sejam do PT, do PMDB, do PSDB ou de qualquer outro partido político devem responder pelos crimes cometidos. Lugar de ladrão é na cadeia!!!
Lula foi processado, julgado e condenado no primeiro processo, sob a égide dos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa.
Sou juiz de primeira instância, ou de piso, como gostam de dizer. Juiz de carreira, com muito orgulho! Submetido, como em todos os concursos públicos para membros da Magistratura e do Ministério Público, a provas de conhecimento de elevadíssimo nível de dificuldade, além de exames psicológicos, e rigorosa investigação social. Aqui não tem princípio de presunção de inocência não, senhor Deputado. Qualquer “ derrapada” na vida social tira o candidato do certame. Não somos escolhidos por agentes políticos. Somos independentes, como manda a Constituição. A Magistratura e o Ministério Público brasileiro, a que me refiro, merece, pois, absoluto respeito!
Desta forma, falar em “golpe” e envolver o judiciário nesta trama é, no mínimo menosprezar inteligência das pessoas.
Me causa total estranheza ver V. Exa. se referir às “elites” como posto em seu texto. Afinal o PT se aliou às “elites” para alcançar o poder. Foram integrantes da ala da “elite” mais elevada deste país que proporcionaram o desvio de dinheiro público em benéfico não só do partido, mas daqueles que já estão condenados ou sendo processados. Basta verificar as doações para campanhas eleitorais passadas. Então a “elite” que abastece de recursos, é a mesma elite “golpista”? Não há uma gritante incoerência na sua proposição? Não há uma incoerência ideológica por parte daqueles agentes políticos e públicos já condenados ou processados, que pregam distribuição de renda, mas se enriquecem às custas do trabalho alheio das “elites” através do achaque? Este comportamento é moralmente aceitável? Para mim isso tem uma definição: bandidagem!
Me desculpe a franqueza, senhor Deputado, mas Lula, assim como aqueles que já estão condenados e aqueles que estão sendo processados, não estão nem aí para o Estado Democrático! De fato querem poder. Só poder. Poder eterno sobre tudo e todos.
E poder a todo custo é sinônimo de tirania! Basta! Basta! Basta!
Quem conhece realmente história sabe muito bem que os criminosos anistiados do passado, não praticaram ações violentas em nome de democracia, mas para imporem o regime que entendiam ideologicamente adequado. Ditadura! Igualmente ditadura!
Ainda que compreenda seu alinhamento político partidário, senhor Deputado, não se permita, em homenagem à sua história de vida, descer ao nível da excrescência das mentiras deslavadas, como as protagonizadas publicamente pelo ex-presidente Lula, e tantos outros, desprovidos de dignidade e decoro, sustentando o insustentável.
Desejo ao senhor e sua família um Ano Novo abençoado.
Que sua luta seja de fato pelo povo e não por pessoas!”