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POPA OU SUCO?

Por Aninha Franco* em Trilhas

 

 

As melhores histórias de um povo vêm de seu canto e, como se ouviu, a popa da bunda foi o canto preferido do Carnaval de 2018 em Salvador. Mas a popa não arrastou as multidões sozinha com o “tá de shortinho, bem coladinho, tá bem safado, descaradinho.” Rolou o suco de Igor Kannário, e quem ouviu Kannário, de longe, descobriu que “se bater com a gente é suco”, suco, aquilo que é triturado nos multiprocessadores para virar líquido. Ou liquido? Igor Kannário, o príncipe do gueto, pode ter levado até 500 mil baianos, um sexto da população da cidade, moradores das favelas, às ruas do Carnaval. Pela TV, assisti ele avisar que é barril dobrado, abençoar a multidão com amém, como os lideres messiânicos, e cantar que o “carnaval é da paz”, da paz e do amor! Desnorteei.

Talvez por causa dessa emissão estranha de Kannário de querer transformar em suco quem bater de frente com seu principado, tudo com muito amor, a lírica de Leo Santana venceu as multidões. As novinhas adoraram e desceram, desceram, desceram. E até sua excelência, o governador, participou da lírica de Santana cantarolando “Vai dar PT” como se fosse uma poética política, quando é, na verdade, Perda Total porque a novinha “foi pro baile muito louca a fim de se envolver, só tem 18 anos, o que vai acontecer? (…) Misturou tequila, whisky, vodka, e a mina vai embrazar, vai dar PT, vai dar, vai dar PT, vai dar, ela vai dar PT, vai dar.” E o governador Rui Costa e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, acabaram festejando a Perda Total da novinha.

– Misericórdia! Bradaria minha senhora mãe!

Psirico aconteceu no Carnaval em ritmo só de luxúria, sem equívocos políticos, com seu cartão de visita, sua apresentação de desempregado da Rousseff, duro, pé-rapado, com o salário atrasado, sem ter pra onde correr, despejado, sem carro, mas dono de um Lepo Lepo irresistível. Ou com a lírica que criou pra seu amigo que deixou a putaria por causa de uma mulher. Que deu uma de “Bob Nelson”. Que recebeu a lâmina no abdômen, tomou uma rasteira que nem sabe de onde veio porque “quem gosta de homem é gay, mulher gosta de dinheiro, isso é padrão no mundo inteiro, você não é o primeiro nem vai ser o derradeiro, e isso nunca vai mudar, por isso seja…fiel à putaria.”

Infiel à putaria, a poesia da Beija Flor no RJ, estado que sofrerá intervenção federal até dezembro, poetizou a barbárie instalada no estado. No desfile da escola e na vida real, a violência é a mesma estrela. E o Rio de Janeiro está tão perto da Bahia. Apesar desse tamanho todo do Brasil, está tudo perto, Rio de Janeiro, Roraima, Laranja Mecânica de Anthony Burgess, o livro, Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, o filme, Maranhão. E se tudo aconteceu no Rio de Janeiro, a voz do Brasil, o resto do corpo corre perigo.

A poesia e o poder estão gêmeos no Brasil. O melhor livro de história de um povo é seu canto. E o canto da Beija Flor pediu socorro porque o pedido de socorro começa com a voz, depois se espalha pelo corpo: “(…) Ganância veste terno e gravata/ Onde a esperança sucumbiu/ Vejo a liberdade aprisionada/ Teu livro eu não sei ler, Brasil! (…) Oh pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais!”

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

TSE VAI JULGAR VALIDADE DE BUSCA E APREENSÃO DE INVESTIGAÇÕES CONTRA MARCELO NILO E A BABESP

Um recurso especial foi movido pela Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE-BA) para garantir as medidas de busca e apreensão executadas em uma operação que envolve o deputado estadual Marcelo Nilo, por crime eleitoral.

A operação foi deflagrada em setembro do ano passado para investigar crime eleitoral de falsidade ideológica, através da prática de “caixa 2”. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Em dezembro, os atos foram anulados pelo mesmo tribunal.

A Procuradoria afirma que, quando o TRE autorizou as medidas, foi levado em consideração elementos colhidos em quase dois anos de investigações, que apuravam a prática do delito de falsidade ideológica eleitoral, caracterizado pelo uso do chamado “caixa 2”. No curso da investigação, foram ouvidas testemunhas e reunidos documentos, inclusive por meio da quebra do sigilo bancário, fiscal e de telecomunicações dos investigados, material que levou à expedição dos mandados. Além de Marcelo Nilo, a operação investiga Marcelo Dantas Veiga e sócios da empresa Leiaute Comunicação e Propaganda Ltda. Os envolvidos, segundo a PRE, se valiam da empresa Bahia pesquisa e estatística Ltda – Babesp, também conhecida nos meios políticos como “Data Nilo” administrada por pessoas vinculadas a Nilo, para captação de recursos a título de supostos pagamentos por pesquisas eleitorais. Os valores possivelmente tiveram outro destino, como a campanha de Marcelo ao cargo de deputado estadual nas eleições de 2014. O recurso é assinado pelo procurador Regional Eleitoral Cláudio Gusmão e pelo procurador auxiliar Ovídio Machado.

As provas são necessárias para o órgão oferecer a denúncia por crime eleitoral, dando início ao processo judicial que pode resultar na condenação dos envolvidos. O recurso será analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A PARCERIA

 Por Carlos Eden Meira*

Quando a primeira diretoria da ASSAM sob a presidência do jornalista Raymundo Meira, conseguiu realizar o antigo sonho de adquirir o prédio onde funcionava o Grupo Escolar Castro Alves, para implantação do Museu Histórico de Jequié, a situação física do local que foi desocupado, já não era adequada dentro dos padrões modernos para ser uma escola. Constatou-se inclusive, após minucioso levantamento técnico, que suas instalações se encontravam em péssimo estado de conservação, colocando em risco a segurança de alunos e funcionários, o que poderia causar um desabamento como o que ocorreu com saudoso e belíssimo edifício Grillo, e certamente com consequências muito mais graves. Pode-se assim, deduzir sem nenhum exagero, que a citada desocupação pode ter salvado vidas.

Naquele período, a ASSAM contava com um grupo de cidadãos cujo objetivo principal sem quaisquer outros interesses, era a criação do museu no citado prédio, fazendo-se uma parceria com a Prefeitura Municipal, na qual a ASSAM como órgão gestor, comprometia-se em entrar com o seu acervo e a PMJ colocava o prédio à sua disposição para implantar ali, o museu. Isto foi feito, o sonho se realizou. Entregamos à cidade um museu num lindo prédio restaurado, que durante alguns anos funcionou dentro dessas diretrizes, tendo dado grande contribuição à História, à cultura e à educação em nossa cidade.

Hoje, após um período fechado para reformas, o museu reabriu suas portas ao público, sob o comando da nova equipe de funcionários da PMJ, e a ASSAM, também renovada, mantendo ainda alguns dos seus antigos associados. Como ex-membro dessa associação e sendo um dos seus fundadores, acho que cumpri o meu dever para com as duas entidades, já que vejo o museu funcionando, inclusive utilizando modernas técnicas de conservação do acervo, graças à nova equipe da Secretaria Municipal de Cultura e à nova diretoria da ASSAM, cujos membros certamente devem manter o espírito dos primeiros tempos, no objetivo de conservar a parceria com a PMJ, sem nenhum interesse de caráter pessoal ou político, o que em nada contribui para a continuidade do Museu Histórico de Jequié. Qualquer possível tentativa por motivações individuais de quem quer que seja, para separar o acervo do histórico prédio onde hoje se encontra, já reconhecido e valorizado pela população, seria como jogar no lixo toda a história da ASSAM em sua árdua luta para conseguir aquele local para implantação do museu, já que sempre consideramos o próprio prédio como a peça principal do acervo. O MUSEU PERTENCE AO POVO DE JEQUIÉ, E EM SEU NOME DEVE SER CONSERVADO!

*Carlos Éden Meira é jornalista, cartunista, DRT 1161

JEQUIÉ DEFLAGRA CAMPANHA PARA DUPLICAR PISTAS NA EXTENSÃO DA SERRA DO MUTUM

Cartazes estão sendo distribuídos pelas redes sociais e locais fixos grande visibilidade

O trecho localizado entre os municípios de Jaguaquara e Jequié, na BR-116 tem revelado, ao longo do tempo, como uma das maiores concentrações de acidentes graves da região, inclusive com incidência de mortes trágicas. 

Muitas vidas foram ceifadas no percurso da fatídica serra, nos dois sentidos. A longa extensão da ladeira, cerca de 8 km, bem como o traçado do trecho, com cortes em volumosas pedras e o número de precipícios em ambos os lados, têm contribuído para o aumento significativo do índice de acidentes no trecho.

Cada vez que acontece um acidente grave, em grandes proporções, que geram vítimas originárias de vários estados, ou mesmo de habitantes da região, tem causado dor e comoção aos moradores de Jequié e de outras cidades da região.

Quando do processo licitatório para privatização do trecho da BR-116 compreendido entre a divisa de Minas Gerais com o estado da Bahia até a cidade de Feira de Santana, na Bahia, o vencedor, a empresa Via Bahia, concessionária que administra a rodovia, se comprometeu em breve espaço de tempo, a duplicar o trecho concedido, em toda sua extensão. Para tanto, instalou imediatamente grande quantidade de postos de pedágio para arrecadação, representando significativo volume de receita para começar a cobrir os investimentos acordados.

Pois bem. Até agora, somente o trecho de 70 km entre Feira e a ponte sobre o Rio Paraguassu sofreu alguma intervenção, ainda assim, de forma lenta e precária.

Apesar da lentidão, a arrecadação prosseguiu no mesmo ritmo em que o fluxo de automóveis e caminhões vem sendo incrementado no trecho. Pelo cronograma, a duplicação de importante quantidade de quilômetros da rodovia sob a responsabilidade da Via Bahia já deveria ter sido resolvida e muitas vidas poupadas, se a administradora deste trecho da BR já tivesse concluído a obra de duplicação combinada.

 Audiências públicas promovidas por políticos de Jequié chagaram a acontecer na Câmara de vereadores, mas a duplicação não saiu do papel, enquanto isso, são recorrentes os acidentes fatais, em sua maioria.

Circularam notícias, infelizmente não confirmadas, que teria havido uma reunião entre o Superintendente da Policia Rodoviária Federal, Virgílio de Paula Tourinho Neto, representantes do Ministério público, representantes da concessionária Via Bahia e de segmentos da sociedade regional. Não se sabe se houve realmente o encontro ou o que ficou resolvido acerca do problema que já tem contornos de tragédia em Jequié e em toda a região.

Cansados de esperar, o vereador Gutinha e mais um grande número de jequieenses,  lançaram uma campanha nas redes sociais a fim de chamar a atenção das autoridades para a necessidade da obra de duplicação da BR-116 no trecho Jaguaquara/Jequié em caráter de urgência.

Nesse sentido, também os poetas se manifestaram em suas várias linguagens culturais. Destacamos um trecho do poema/protesto do poeta e artista plástico Dimas Lélis, para ilustrar o tema.

Serra do Mutum

Por Dimas Lélis (08.02.2018)

Serra de dentes afiados

Que cortam vidas e sonhos

Serra do Mutum

Serrote velho de fio novo

Que ceifa árvores de frutos bons

Serra do Mutum:

Lá corta

Lá Serra

Lá Mata

Serra do Mutum: Cerca de oito quilômetros de grande incidência de acidentes com vítimas fatais

MUITAS TRILHAS

Por Aninha Franco, em Trilhas*

 

 

 

No meu Carnaval 0, ano de 1951, a trilha foi Confete “pedacinho colorido de saudade, ai, ai, ai, ao te ver na fantasia que usei, confete, confesso que chorei” interpretada por Francisco Alves, e Tomara que chova “três dias sem parar” que depois do sucesso em 1950, com Isaura Garcia, nunca mais deixou de fazer sucesso. Agora mesmo os moradores de Ilha de Maré devem estar cantando alto Tomara que chova, coitados, pra ver se a Embasa escuta: “A minha grande mágoa é lá em casa não ter água! Eu preciso me lavar.” E o Restaurante Preta precisa funcionar!

Em 1952, eu me esbaldei com Sassaricando, e Maria Candelária “é alta funcionaria, saltou de paraquedas, caiu na letra ó,ó,ó. A uma vai ao dentista, às duas vai ao café, às três vai à modista, às quatro assina o ponto e dá no pé. Que grande vigarista que ela é.” Pois é, com um ano de idade eu tive aula de Brasil com Blecaute. Em 1953, eu não lembro bem qual foi a música, mas em 1954 foi “é ou não é piada de salão, Se acham que não é, então não conto não.”

Em 1955, foi ano de Maria Escandalosa, um clássico do machismo.BR com a maravilhosa, com a inesquecível, com a para sempre viva Dalva de Oliveira: “Maria Escandalosa desde criança sempre deu alteração, na escola não dava bola, só aprendia o que não era da lição.” Em 1956, foi ano de dançar “Quem sabe, sabe, conhece bem como é gostoso gostar de alguém. Ai, morena, deixa eu gostar de você, boêmio sabe beber, boêmio também tem querer.” Em 1957, eu cantei Maracangalha de Caymmi o ano inteiro. Até hoje eu canto.

Em 1958, ganhei uma Rodouro, torci pela seleção e cantei, ufanista, “a taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa, êh eta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro”. Primeira copa! Em 1959, taludinha, me dividi entre Jardineira “por que estas tão triste, mas o que foi que te aconteceu? Foi a Camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu” e Touradas em Madrid, luxo poético: “Eu fui às touradas em Madri e quase não volto mais aqui pra ver Peri beijar Ceci. Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha, queria que eu tocasse castanhola e pegasse touro à unha. Caramba! Caracoles! Sou do samba, não me amoles, pro Brasil eu vou fugir! Isto é conversa mole para boi dormir!”

Em 1960 só deu “Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco é o maior, Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco de ninguém tem dó.” Melhor explicar que Cacareco foi uma rinoceronta do Zoológico do RJ emprestada ao Zoológico de São Paulo. Esse movimento rinocerôntico no Brasil pacato dos Anos 1950 provocou tanta confusão, que nas eleições municipais de 1959, os paulistas elegeram Cacareco vereadora com cerca de 100 mil votos. Sim, na época, era possível eleger rinocerontes e onças, candidatos mais respeitáveis que os humanos, porque os eleitores usavam cédulas de papel e escreviam os nomes dos candidatos. A Onça Peteleca que fugiu do Zoológico de Salvador nos Anos 1970, foi bem votada para vereadora no ano da fuga.

Em 1961 foi uma loucura de opções: Foi “Índio quer apito, se não der pau vai comer” com Jorge Goulart, foi “Lua, ô lua, querem te passar pra trás” com Ângela Maria, foi Cantareira com Gordurinha. Fiquei com todas. Bem, não há espaço, hoje, pra chegar em “Que tiro foi esse, viado?” de Toddynho. Mas outras trilhas virão. Prometo. Feliz Carnaval!

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

ANTÔNIO BRITO GARANTE QUE NÃO VAI “BATER CHAPA” COM CORONEL

O deputado federal Antônio Brito (PSD) garantiu que não vai “bater chapa” com o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel (PSD) na disputa por uma vaga na majoritária do governador Rui Costa (PT). Em entrevista ao BNews, nesta sexta-feira (9), durante a saída do Bloco Olodum, no Pelourinho, Brito afirmou que a decisão é do senador Otto Alencar e a decisão dele será acatada.

O parlamentar ainda afirmou que após a decisão sobre a vaga é que o partido vai definir o perfil para ocupa-la. “Quem define é o senador Otto Alencar e vai depender de qual seja a posição que o partido terá na chapa. Não vamos bater chapa e o partido terá um nome de consenso. O senador vai dizer quem é esse nome a partir das bases eleitorais. Se for o nome de Coronel em qualquer das posições, eu apoiarei”, defendeu.

À nível federal, Brito disse que não há muita dificuldade para aprovação da Reforma da Previdência, em tramitação na Câmara. Segundo ele, os demais parlamentares que tem conversado não apoiam o texto que foi recentemente alterado. “Hoje a reforma não passa. Tenho conversado com colegas e eles têm a mesma opinião. O texto não agrada a grande maioria dos deputados”. (Bocão News)

PROFESSOR JOSÉ PACHECO FOI O CONFERENCISTA DA JORNADA PEDAGÓGICA MUNICIPAL DE JEQUIÉ

Foto Jequié Repórter

A Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Educação, realizou a cerimônia de abertura da Jornada Pedagógica 2018 no Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães. O Professor José Pacheco, criador da Escola da Ponte e do Projeto Âncora, em Portugal, conduziu a palestra Magna da Jornada Pedagógica em Jequié na noite de quarta-feira (7).

Com o auditório completamente lotado o professor discorreu sobre o projeto Escola da Ponte na localidade portuguesa de Vila dos Pássaros, modelo que tem encantado a Europa, e ensejando forte influência no Brasil, por envolver capacitação e qualificação dos professores, gestores e alunos. O renomado educador, reconhecido na comunidade internacional por sua contribuição à Educação discorreu sobre o tema, “As Pontes Possíveis e Necessárias Para Uma Educação de Qualidade”. O palestrante interagiu com a plateia, respondendo a questionamentos sobre as demandas da Educação, apontando sugestões e reflexões acerca da pedagogia educacional tradicional implantada no ambiente escolar: “A escola não é um edifício e nem salas de aulas. A escola são as pessoas e são nelas que o sistema de educação deve focar”.  

O educador português relatou suas experiências com inúmeros exemplos vivenciados pela instituição, conversou com a comunidade sobre as novas práticas de aprendizagem, dissecando o modelo adotado na Escola da Ponte e no Projeto Âncora.

Com a presença do prefeito de Jequié, Sérgio da Gameleira, do vice-prefeito, Hassan Iossef, do secretário de Educação, professor doutor Roberto Gondim e sua equipe auxiliar, secretários municipais, representantes dos conselhos de Educação e entidades, membros do Poder Legislativo, bem como gestores escolares, professores da rede municipal e de outras instituições, o evento despertou o interesse de docentes e discentes das universidades em Jequié instaladas.

O Secretário de Educação de Jequié, Roberto Gondim, em seu pronunciamento, discorreu sobre os avanços verificados na educação no período em que sua equipe desempenhou a tarefa de reconstruir a educação no município: “Caminhamos um ano até chegarmos neste instante, onde a comunidade escolar, os gestores, professores e, principalmente, os alunos, já começam a perceber as mudanças que vêm sendo feitas. O que antes era um cenário caótico e cheio de problemas, hoje nos acena um campo de efetivas possibilidades. Escolas sendo reformadas, professores bastante motivados, novas escolas e as unidades escolares sendo estruturadas”.

“Momento ímpar esse que estamos vivendo, com diversos avanços na Educação em Jequié. E esse progresso se reflete no aumento de matrículas da rede, o que nos dá a exata noção de que estamos no caminho certo. Mas faremos muito mais, com as modificações e estruturações dentro do ambiente escolar, teremos o salto qualitativo tão desejado por todos nós. A melhoria da qualidade da Educação no município não é mais um sonho, estamos transformando em realidade”.

Em determinado momento, ao se desfazer a mesa que comandou a abertura dos trabalhos, o cerimonial referiu-se à professora mestra Maria das Graças Silva Bispo, ex-secretária da Educação do município de Jequié e integrante da equipe do atual gestor, convidando-a, juntamente com o secretário Roberto Gondim e o palestrante José Pacheco para compor a mesa que ora se instalara.

Ao final da Jornada Pedagógica 2018, o secretário de Educação do município de Jequié anunciou que trará o professor José Pacheco e toda sua equipe para implementar seu projeto na rede de ensino de educação do município, inicialmente em duas escolas piloto. O Primeiro encontro do Professor José Pacheco com as duas escolas que serão beneficiadas pelo projeto já acontecerá nesta quinta-feira, 8.

SETORES DO PSD SUSPEITAM QUE WAGNER ESTÁ POR TRÁS DE DEFESA DE LÍDICE AO SENADO

Jaques Wagner

O PSD está engasgado até agora com um evento de mulheres realizado na semana passada em Lauro de Freitas pela prefeita Moema Gramacho (PT), com o propósito de apoiar o ex-presidente Lula contra o que o partido chama de perseguição judicial, no qual a ex-primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, aproveitou a oportunidade para defender a reeleição da senadora Lídice da Mata (PSB), uma das convidadas mais prestigiadas no ato, onde, inclusive, discursou.

Embora não tenha acusado o golpe, evitando se posicionar sobre a fala de Fátima, o PSD, ou melhor, setores amplos do partido, viram no posicionamento da ex-primeira-dama o dedo do marido, Jaques Wagner. Eles suspeitam que o ex-governador, secretário de Desenvolvimento Econômico e também candidato a senador, pode estar por trás de uma “conspiração” para impedir a indicação do presidente da Assembleia, Ângelo Coronel, à segunda vaga ao Senado disponível na chapa de Rui Costa (PT).

Chegam a ver agora uma espécie de repetição da operação que aconteceu na sucessão à presidência da Assembleia, no ano passado, quando, apesar de afirmar que ficaria neutro e até declarar que era a hora de mudar o comando do Legislativo, Wagner atuou intensamente nos bastidores pela reeleição do amigo e deputado estadual Marcelo Nilo (sem partido) que, ao final, foi obrigado a desistir da candidatura devido à força ganha pelo nome de Coronel junto às bancadas do governo e da oposição.

“Na época, Wagner almoçava com Coronel e jantava com Marcelo Nilo, fazendo um jogo que, depois da eleição ganha, achamos que visava favorecer o ex-presidente”, conta um deputado que integrou a tropa de choque do atual chefe do Legislativo baiano. Ele relatou a site Política Livre (www.politicalivrre.com.br) ter a certeza de que a restrição a Coronel não passa por Rui e seja exclusiva de Wagner, que em alguns momentos, nos bastidores, já chegou a defender um perfil mais esquerdista para a chapa de Rui nesta eleição, ideia que favoreceria Lídice.

Na semana passada, por exemplo, o governador e Coronel foram vistos jantando num restaurante famoso da cidade com as respectivas mulheres e um grupo de amigos, liderando uma das mesas mais animadas do local. Desde que o PSD negociou a indicação do nome de Coronel para candidato ao Senado na chapa de Rui, o presidente do Legislativo se aproximou mais do governador e, embora preservando a autonomia da Casa, tem criado condições para um relacionamento menos tenso entre os dois Poderes.

No discurso de reabertura dos trabalhos da Assembleia, na última sexta-feira, o deputado do PSD leu um incisivo discurso contra o Judiciário e a favor de Lula, na frente do governador, levando a oposição a concluir que estaria, decididamente, fechado como candidato a senador ao lado de Rui e do próprio Wagner.

Informações do Política Livre

NA LAVA JATO, 13 RÉUS JÁ TIVERAM PENAS EM SEGUNDO GRAU EXECUTADAS

O primeiro foi Luiz Argolo (PP/BA) – Foto: Gustavo Lima – Câmara dos Deputados.

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), que condenou em segundo grau o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 24 de janeiro, determinou desde o início da Operação Lava Jato o envio dos processos para Curitiba para execução das penas de 13 réus condenados pelo juiz federal Sérgio Moro, que recorreram à Corte. O primeiro político da Lava Jato a ter sua pena executada foi o ex-deputado Luiz Argôlo (ex-PP-BA) – atualmente preso na Bahia. Dos 13 réus que tiveram suas penas executadas em segunda instância, quatro estavam soltos no momento em que Moro determinou o cumprimento da sentença do Tribunal e remeteu o caso para a 12.ª Vara Federal, responsável pelos processos de execução da pena. Foram presos o executivo Agenor Medeiros, da OAS, o ‘laranja’ Waldomiro de Oliveira, que trabalhava para o doleiro Alberto Youssef, o empresário Marcio Bonilho e o agente afastado da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho. A 8.ª Turma Penal do TRF-4, de Porto Alegre, julgou desde 2014 – início da Lava Jato – 24 apelações contra sentenças do magistrado da primeira instância, em Curitiba. Até o momento, 110 réus, alguns alvos de mais de um processo, foram julgados pelo Tribunal. Um total de 14 apelações estão pendentes de julgamento de recursos finais – embargos de declaração ou infringentes. A última apelação analisada pela Corte condenou por unanimidade o ex-presidente Lula no caso tríplex do Guarujá (SP). O Tribunal aumentou a pena do petista para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado (veja aqui). O revés por 3 votos a 0 permitiu ao petista o direito a apenas um recurso na segunda instância, os embargos de declaração. A defesa do ex-presidente poderá entrar com o recurso em até 12 dias depois da publicação do acórdão do julgamento – o que ainda não ocorreu. Quando os recursos de Lula se esgotarem perante a Corte, o juiz Moro, responsável por ordenar a execução penal, poderá determinar a prisão do petista. Desde fevereiro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) admite a execução da pena em 2.ª instância. Em um julgamento que terminou com o placar de 7 votos a 4, os ministros decidiram que o réu condenado pode ser preso depois de confirmada a sentença do juiz de primeiro grau por um Tribunal. Antes desta decisão, os condenados tinham o direito de recorrer da sentença em liberdade até que não houvesse possibilidade de novo recurso. O mesmo entendimento está consolidado na Súmula 122, publicada pelo Tribunal da 4.ª Região em 16 de dezembro de 2016. Na ocasião, a Corte analisou um processo sobre tráfico internacional de drogas e previu que condenados pelo segundo grau judicial, independentemente de eventuais recursos aos tribunais superiores, poderiam ir para a cadeia. “Encerrada a jurisdição criminal de segundo grau, deve ter início a execução da pena imposta ao réu, independentemente da eventual interposição de recurso especial ou extraordinário”, prevê a 122 desde então. A Lava Jato teve sua primeira fase deflagrada em 17 de março de 2014. Dois anos e meio depois, em 12 de julho de 2016, Sérgio Moro ordenava ‘a imediata execução provisória’ de dois réus, o traficante Renê Luiz Pereira e o operador financeiro Carlos Habib Chater. Na época, ambos já estavam presos cautelarmente. O juiz Sérgio Moro ainda mandou executar as penas do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro – que já estava preso -, do ex-executivo da empreiteira José Breghirolli (regime semiaberto), de Juliana Cordeiro de Moura, Cleverson Coelho de Oliveira, Rinaldo Gonçalves de Carvalho, e do ex-assessor do PP Ivan Vernon (regime semiaberto). Um total de 105 decisões de Moro – um condenado por ter mais de uma sentença – foram analisadas pelo TRF-4 nas 24 apelações. Foram absolvidos o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (duas vezes), os executivos da empreiteira OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Fernando Augusto Stremel Andrade, o operador André Catão de Miranda e também Maria Dirce Penasso, mãe da operadora Nelma Kodama. A pena imposta ao ex-presidente Lula foi uma das 33 aumentadas pelo Tribunal. A Corte manteve 22 penas e diminuiu 18. (Bahia Notícias).

ORGASMO JURÍDICO

Por Aninha Franco* em Trilhas

Da trilha de sábado passado, que preferi não publicar, conservei apenas o título que descreveu minha sensação quarta-feira, 24 de janeiro, quando escutei os acórdãos dos jovens desembargadores confirmando a sentença de Moro no processo do “triplex”. Vivi para escutar Juiz e Desembargadores, todos com 45 a 54 anos, condenarem o político mais famoso do Brasil, de 72 anos, presidente da república que, no fim do segundo mandato, em 2010, esnobava 83,4% de aprovação popular.

A confirmação da sentença foi a maior derrota que a impunidade – que nos devasta desde sempre – sofreu em sua vida brasileira, e demoliu o mais amado líder que o País já teve.

Os acórdãos desmontaram, com precisão cirúrgica, o argumento primário de que não havia provas contra Lula, mantra repetido diante de provas documentais, testemunhais e periciais que sustentaram a sentença de Moro, contratos, termos de adesão, fotos, declaração de IR, depoimentos e benesses aprovando instalações de elevador, cozinhas, armários e dormitórios, deck de piscina e compra de eletrodomésticos, pacote burguês que enobrece e dá status no Brasil de capitalismo predatório.

E foi esse pacote burguês que fez de Lula da Silva inelegível para desespero do PT, partido de líder único, que se auto declara de esquerda.

Ser corrompido é desprezível, ser corrompido por essas miçangas é duplamente desprezível, mas ser Lula da Silva e ser corrompido por elas é não ter nenhuma idéia de quem é, confiar demais na impunidade e entrar na overdose de poder.

A corrupção do “tríplex” é clichê patrimonialista que seduz a maioria dos políticos brasileiros, mas que não poderia chegar no pau-de-arara que se moveu da miséria ao poder máximo, e desmontou essa conquista quase milagrosa por um elevador privativo e uma cozinha Kitchens, mostrando de que barro é feito quando viajou para assistir ao espetáculo do desmonte num jatinho de Michael Klein, dono das Casas Bahia, e se hospedando no Sheraton.

Desconfio que ele não tem dimensão do que construiu e desconstruiu neste País de milhares de analfabetos, ainda, neste continente onde em se plantando tudo dá mas que guarda famintos. Desconfio que ele não tem consciência do que fez com o Povo que diz amar e de como será difícil construir outro cara saído do povo com o poder que ele teve. E, por fim, desconfio que o cara que fica tão bem de chapéu de couro e roupa de camponês era, é, sempre foi, apenas o personagem de uma opereta em cartaz. Lula da Silva em Concerto nunca foi de verdade. Seus espectadores é que fizeram dele um líder real.

Aquele líder que representou o Povo no Poder pela primeira vez, em cinco séculos, é mentira.

De verdade é o cara que asfixiou o Palácio e o País com essa corrupção avassaladora, demoliu instituições e estatais, embotou a cultura, desempregou milhares de brasileiros de todos os estratos e levou a criação e a produção de volta aos Anos 1980, desmoralizando o discurso de que a “esperança venceu o medo”.

Lula fortaleceu a idéia de que o medo estava certo e empurrou o País para trás, de volta a 1989, às candidaturas de Collor e Bolsonaro, depois que conseguiu fazer da Democracia, literalmente, o Povo no poder.

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.