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CRÔNICA SOBRE JOSÉ DIRCEU:

Por Luiz Carlos Nemetz*

 

 

 

A cabeça da serpente. Inteligente, frio, calculista, meticuloso, disciplinado, culto, treinado, discreto, articulado, organizado, vaidoso, ambicioso. O mais importante, lúcido e preparado líder do PT vai preso definitivamente. 30 anos.

Ele, mais do que qualquer outro, é o mentor intelectual e executor do plano detalhadamente planejado de aparelhar o Estado brasileiro e usurpá-lo para construir uma fina e capilarizada estrutura de poder para implantar uma doutrina radical de esquerda na América Latina a partir do Brasil. Foi pego e derrubado no último degrau da escada que construiu milímetro a milímetro.

Nunca omitiu seus ideais ideológicos. É um guerreiro que não transige nas suas ideias e não tem limites para alcançar seus objetivos. Não teve escrúpulos para tentar implantar a revolução na qual acredita, pelo meio mais torpe e vil que lhe sobrou: o aparelhamento do Estado para roubar. Muitos dos seus seguidores, e outros ingênuos e bobos alegres, seguiram-lhe os passos para encher as burras. Dirceu não roubou só para si. Roubou para corromper outros. É o eixo de todo o mal que está aí e que movimenta muitas engrenagens marginais que ainda vão aparecer. Coisas muito sérias ainda precisam vir e virão à tona. Armas…Drogas…

Sua prisão definitiva é muito mais significativa e importante que a prisão de Lula. José Dirceu é o “capo”. Ele é o verdadeiro líder. O comandante em chefe. Sua saída de cena desestrutura a pior esquerda que existe: aquela que não mede esforços, nem consequências para tentar dominar. Não há – e nunca houve – outra inteligência sequer comparável à de Dirceu na esquerda brasileira. Zé Dirceu representa o que há de mais sofisticado na esquerda e o que há de pior para o país. Por mais duro que – humanamente isso possa parecer – foi mandado para o lugar certo. Não por ser comunista radical. Eu tenho respeito pela sua clareza ideológica! Mas por ser um ladrão perigoso, atrevido e reincidente. E isso eu não posso respeitar! E, por mais doloroso que seja admitir, o Roberto Jeferson tinha razão…

* Sócio fundador da Banca Nemetz & Kuhnen Advocacia – Bacharel em Direito pela Universidade Regional de Blumenau, turma 1983. Especialista em Economia e da Empresa (pós graduação) pela Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 1997. Habilitação para Docência. Professor concursado de Direito Processual Civil e Direito Econômico da Universidade Regional de Blumenau, FURB, onde atuou por 17 anos. Professor das cadeiras de Direito das Coisas e Direito Processual Civil, Execuções, pela Faculdade Bom Jesus de Blumenau, FAE, ano 2009.

 

IPIAÚ: ”DIÁRIO DAS MIL FACES” SERÁ LANÇADO NO CHAPLIN

Rodrigo Muniz Ferreira Nogueira

No próximo dia 9 de junho, às 20 horas, acontece no Restaurante Chaplin, no distrito de Japomerin, à margem direita do Rio de Contas, em Ipiaú, o lançamento do livro “Diário das Mil Faces”, da autoria de Rodrigo Muniz e Juliana Soledade.

Trata-se de uma obra baseada em fatos reais, com algumas pitadas de ficção, que chega para marcar a nova safra de escritores da região cacaueira.

Rodrigo Muniz Ferreira Nogueira é natural de Salvador, mas passou boa parte da sua vida em Ipiaú. Filho da decoradora Líbia Muniz e bisneto do lendário Edizio Muniz Ferreira que foi considerado o maior cacauicultor e exportador individual do mundo, o jovem escritor enxergou na história da sua própria família um enredo único e repleto de clímax, unindo uma narrativa romanceada e poética com fatos.

Rodrigo é graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Comunicação Empresarial, Marketing, Cultura e Turismo, além de professor na coordenação de cursos de graduação em Comunicação Social e de pós-graduação em Comunicação Organizacional.

Também é da sua autoria o livro “Carnaval de Itabuna: Memória, Identidade e Turismo”. Antes de Ipiaú, a obra conjunta de Rodrigo Muniz e Juliana Soledade será lançada em Itabuna, dia 30 de maio, no Shoping Jequitibá.

Juliana Soledade

A advogada e empresária grapiuna, Juliana Soledade, parceira de Rodrigo Muniz em “Diário das Mil Faces”, vem se revelando uma importante e talentosa escritora do sul da Bahia. Já publicou outros dois livros, sendo que um deles (Despedida de Mim) atingiu a marca de 1.500 copias em um ano, número considerado bastante significativo para a região. Ela participou da 23ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.

LAVA JATO E A CULTURA DA BAHIA

Por Lula Martins*

 

 

 

 

Grande parte dos artistas e produtores culturais da Bahia anda assustada com a real possibilidade de ser envolvida nas investigações da Lava jato. As investigações logo irão revelar os esquemas fraudulentos de superfaturamento e privilégios a serviço de figuras representativas da elite cultural baiana.

O que assistimos há mais de uma década é o declínio, desestímulo e claro impedimento das produções que não estejam atreladas aos ideais da esquerda. Está na hora de virar esse quadro injusto e excludente abrindo espaço para uma cultura artística ética e livre que dê apoio e oportunidade aos novos talentos.

Quando deixaremos de ser uma província povoada pela mentalidade ideológica rançosa?

Talento e caráter nem sempre andam juntos. Essa pretensa consciência superior e humanismo altruísta da esquerda bolivariana tem sido nestes treze anos de mentiras políticas, fonte de recursos para artistas e produtores encherem as burras de grana superfaturadas e prestações de contas fraudulentas. Quem não pertence ao esquema tem ficado de fora da possibilidade de ter o seu projeto aprovado.

Já nos anos sessenta Ernst Fischer em A Necessidade da Arte, faz uma reflexão marxista sobre o labor artístico que deu margem a polêmicas acaloradas sobre a arte socialista e a arte pela arte. Eu já amava os Beatles e os Rolling Stones, Hoodstock e a libertária arte pop, sem o condicionamento ideológico repressor da esquerda. A reviravolta da história mostra hoje, que os verdadeiros alienados são os comunistas amantes de ditaduras escravizantes.

Atenção espertos afanadores do erário. Lava jato vem aí.

A Máscara da Tragédia

 

*Antônio Luis Martins é cineasta, escritor, roteirista, compositor, artista plástico, design gráfico e ator do filme “Meteorango Kid, Herói Intergalático”

 

SEMANA M² LEVA OFERTAS IMPERDÍVEIS DE IMÓVEIS PARA O INTERIOR DA BAHIA

Há oportunidade para adquirir um imóvel em Jequié. A iniciativa é da Ademi-BA e acontece até 20 de maio

São quase dez cidades baianas participando da Semana M², iniciativa voltada para a venda de imóveis que acontece inteiramente numa plataforma digital. A iniciativa é da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) e vai até 20 de maio. No endereço eletrônico é possível acessar todos os dias diversas ofertas com condições especiais oferecidas pelas construtoras participantes, entre apartamentos, lotes, casas e unidades do Programa Minha Casa Minha Vida.

Além de imóveis residenciais, na plataforma virtual são oferecidas também unidades empresariais e comerciais. A busca no site é segmentada e podem ser aplicados critérios de pesquisa como localização, tipologia, faixa de preço, estágio da obra e empresa responsável. Ao total, será possível encontrar 44 empreendimentos localizados em nove diferentes cidades baianas – Salvador, Feira de Santana, Camaçari, Alagoinhas, Cruz das Almas, Jequié, Jacobina, Mata de São João e Esplanada.

“Nossa expectativa é movimentar o mercado e a economia. Principalmente após a decisão da Caixa Econômica Federal em baixar juros e aumentar o teto do financiamento e o compromisso das empresas participantes em garantir condições exclusivas para os interessados”, avalia Cláudio Cunha, presidente da Associação. O site da Semana M² está disponível para o público no endereço semanam2.com.br  

Jequié

A Semana M² oferece a oportunidade ideal para adquirir um imóvel pronto para morar em São Judas Tadeu, no município de Jequié. O Residencial Bela Vista, da Inova Empreendimentos, oferece apartamentos de 2 quartos (1 suíte) com área de 51,99m². O empreendimento possui abatimento de até R$15.000,00 com o subsídio oferecido pelo programa Minha Casa Minha Vida e desconto de 10% durante a Semana M². O Bela Vista é um condomínio clube completo, com segurança e lazer para toda a família. A estrutura contempla portaria 24h, piscinas adulto e infantil, quadras poliesportiva e de vôlei de praia, salão de festas, salão de jogos, brinquedoteca, quiosque com churrasqueira, parque infantil e academia.

Fonte: daniele@comunicativaassociados.com.br – fernandam@comunicativaassociados.com.br 

 

VOLTA, MÃE…

Por Reinaldo Pinheiro*

 

 

 

 

 

Vem dar vida

A minha alma

Colocar jarros 

Nas minhas janelas

Atrair borboletas e beija flores

Não deixes esse poço de amor secar…

 

*Reinaldo Moura Pinheiro é pedagogo, músico, poeta e ex-prefeito de Jequié.

 

O CENTRO DA CIDADE?

Por Aninha Franco*

 

Li um texto escandaloso — aliás, que homem escandaloso!!! – de Milton Santos no livro “Pelo Pelô” (Edufba, 1995), organizado por Marco Gomes, e me perguntei em que lugar está o Centro de Salvador hoje, tema da tese de mestrado de Milton, “O Centro da Cidade do Salvador”, publicado em 1959. Em que Centro está o centro da primeira capital do Brasil que está tão descentrada?

Uma cidade precisa ter seu Zocalo, sua Praça Maior, sua Ágora. Precisa ter a cabeça que lhe pense, ainda que tenha nascido com duas cabeças, como a cobra, com veneno, a cabeça da Praça Tomé de Souza com o poder militar de Tomé de Souza, palácio, prisão, alfândega. E a cabeça do Terreiro de Jesus na Escola, no Centro Educativo da Companhia de Jesus, controlando e adestrando o pensamento brasileiro em formação, com os Jesuítas aos quais o governador Mém de Sá devotava obediência absoluta e não fazia nada sem consulta e aprovação.

Em 1760, os jesuítas saíram do Brasil porque o Marquês de Pombal, o português poderoso do momento, pretendeu modernizar as colônias do Reino sem suas companhias, que prepararam centenas de gerações brasileiras para a felicidade e o prazer no outro mundo, depois da libertação do corpo. Com isso, a Colônia não se tornou laica porque a Igreja Católica é quase invencível e estava instalada na Bahia com centenas de ordens, mas a Praça Tomé de Souza fortaleceu-se com a expulsão dos melhores pensadores da Igreja, os jesuítas, que voltaram ao poder através de Francisco, o papa hippie que está aí, mostrando o Vaticano comandado por um humano infalível que tem dúvidas e fez o voto de pobreza. Pensar é fazer a coisa no momento que a coisa precisa!

Até os anos 1970 nada alterou a força da primeira Ágora, do primeiro Zocalo, do Centro inicial alterado — que ironia!!! — por um shopping, uma casa de passagem criada pelos franceses e multiplicada pelos estadunidenses, o Shopping Iguatemi instalado em 1975 numa região distante do Centro original, que se mudou para o seu novo Zocalo aos poucos, os escritórios comerciais e jurídicos, a vida financeira, o centro administrativo espalhados nos arredores do novo bairro, nomeado Iguatemi como o Shopping.

Enquanto viveu, ACM concentrou todos os centros da cidade e todos os seus poderes em si, às vezes despachando pelos três. Depois dele, o Centro, a Ágora, o Zocalo se multiplicou como Smith em Matrix.

Defronte do Shopping Iguatemi que perdeu o nome que nomeou o bairro, existe um templo da Igreja Universal do Reino de Deus. É lá a Ágora da Cidade da Baía? Está lá o poder do sucessor de Tomé de Souza, Rui Costa? Está no Iguatemi, no Palácio de Ondina ou no Centro Administrativo? E a Praça Thomé de Souza onde está o Palácio do Prefeito e a Câmara de Vereadores que durante a colônia era tão poderosa com seus Homens Bons e Honestos decidindo todas as questões, da exportação de açúcar à liberação de água ardente aos escravizados? Se Milton Santos estivesse vivo, e retomasse sua tese sobre o Centro da Cidade da Baía que, atualmente, tem tantos centros que centro avistaria? Curiosa!

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

COM CONVOCAÇÃO INTELIGENTE, JEQUIENSE PRODUZ CLIP PARA A “FESTA DE ARROMBA”

 

Rafael Vieira Júnior, que há tempos saiu de Jequié, mas Jequié nunca saiu do seu coração, pedagogo, poeta, compositor, jinglista, publicitário e pensador, captou o clima de festa dos  7.960 membros  do grupo FALA, JEQUIÉ  juntou fatos e fotos, que são postados em profusão naquela página do Facebook, administrada pela  incansável Duda Tourinho e brindou a todos com o CLIP lindíssimo JEQUIETERNOS, cuja letra inteligente e melodia harmoniosa, não apenas convoca a geração Cotoxós espalhada por toda parte, para convergirem para Jequié na noite do próximo 15  de junho, reviver momentos de felicidade plena com a festa temática dos anos sessenta, no JTC, mas, também, para rever amigos, abraçar antigos colegas, reconciliar-se com algum antigo e superficial desafeto, ouvir e emocionar-se com a música da Jovem Guarda, Bossa Nova, Beatles, intérpretes e remanescentes de bandas regionais como Bossa Seis, Os Extranhos, Capítulo 5º, Quinta Dimensão, Os Ímpares,  numa grande festa animada pelo Embalo 4.

Os organizadores, Adilson Britto, Duda Tourinho e Gilberto Lapa, anunciam que, das duzentas mesas disponibilizadas, ainda têm 16 à venda. Informam também que já concluíram as providências logísticas e de infraestrutura, para assegurar o sucesso do que está sendo considerada a festa de todos os tempos, a festa de arromba!

Reinaldo Pinheiro, convocado para colaborar e ele próprio ex-integrante de Os Extranhos e dos Ímpares, já assegurou a presença dos lendários músicos jequienses Bené Sena, Kleber Roriz, Valfredo Dórea, Humberto Meira, Gilberto Lapa, Aroldo Vieira, Pedrinho Neto, Joezin da Bahia, Carlos Éden, Charles Meira, e quem mais chegar… De Brasília virá o excelente guitarrista Antônio Paulo, com repertório selecionado, numa apresentação primorosa com o instrumento que domina.

Rafael Vieira Júnior

Vale a pena conferir a mensagem enviada pelo criativo Rafael Vieira Júnior, através do facebook, aos jequienses e em especial, aos membros do grupo FALA, JEQUIÉ!

“Amigos e amigas do Grupo Fala Jequié. Aproxima-se o dia da Festa de Arromba e resolvi fazer uma pequena homenagem, editando este vídeo a partir de fotos publicadas aqui no grupo. Gostaria de ter usado todas, mas são muitas. Assim, as demais ficam representadas nas que aparecem no vídeo. Esta música eu fiz para homenagear um outro encontro, mas ela é dedicada a todos os eternos amigos e amigas JEQUIETERNOS”.

JEQUIÉ: UESB INAUGURA CENTRO DE PESQUISAS EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS NO CAMPUS PROFESSOR WILSON ROCHA

A CAMINHO DA MÚSICA UNIVERSAL

Por Carlos Eden*

 

 

 

 

Na manhã do dia sete de maio, recebi a triste notícia da partida de um velho amigo, companheiro de jornadas musicais ao longo de mais de cinquenta anos.  Paulo Roberto Figueiredo Vieira (Paulo Krupa) nos deixa aos setenta anos de idade, num momento em que ele vinha buscando “dar a volta por cima” após longos anos, afastado da música por motivos de saúde. Criativo, inteligente e bom instrumentista, Paulo influenciou uma nova geração de jovens músicos, principalmente guitarristas e violonistas, já que sua música, mesmo sendo de estilo eclético, era mais voltada para o rock e ritmos relacionados.

Estava recuperando o tempo perdido, compondo, cantando em clips bem produzidos, sendo acompanhado por ótimos jovens músicos, buscando aperfeiçoar o trabalho vocal, já que algumas deficiências auditivas vinham prejudicando um pouco sua performance. Mas em sua incrível força de vontade continuou forçando sua persistência ao extremo, minando assim seu estado de saúde, interrompendo-lhe a trajetória de vida. Agora, sua música está incorporada à Música Universal das Forças do Bem Absoluto.

Juntamente com outro saudoso amigo e companheiro na música, o baixista Cesar Almeida, (a quem quero prestar aqui também, uma homenagem e à sua família), fiz parte de grupos musicais com Paulo na guitarra e ao microfone. Não sendo eu pessoa espiritualmente forte o suficiente para lidar com a dor cruel da perda, forço minha natureza ansiosa para conseguir escrever estas minhas sentidas homenagens, e palavras de conforto aos familiares de Paulo: seu filho Pablo, a ex-esposa Conceição, os irmãos Aroldo, Francisney e Gleyde, e demais membros da família. Descanse em paz, amigo.

*Carlos Éden Meira é jornalista, cartunista, DRT 1161

AQUELE MOMENTO FATAL

Por Nelson Motta* – via Aninha Franco**

 

 

A meia hora fatal em que Lula e Dilma se trancaram em uma sala, e ela saiu candidata à reeleição, mudou o rumo do Brasil

Com a participação de todas as suas correntes internas na discussão dos programas do partido e na ocupação de cargos de governo, com suas assembleias intermináveis, o PT sempre se orgulhou de sua democracia interna, de ser um partido sem caciques — embora comandado por Lula e José Dirceu. Lula sempre mandou no partido, nas executivas, nos diretórios, nas assembleias, em Dirceu, mas reinava principalmente nos comícios, insuperável com sua inteligência, seu histrionismo, sua malandragem política e suas bravatas que incendiavam a militância. Que partido não gostaria de ter um líder com o carisma e a personalidade de Lula?

O lado ruim de ter um líder carismático absoluto, cultuado e incontestável é depender de suas decisões pessoais, de acordo com as suas conveniências de momento.

Ao indicar no “dedaço” Dilma Rousseff para presidenta, enfrentando profundas e fundadas resistências no partido, afinal o DNA dela era brizolista, assumiu o seu maior risco — e conquistou a sua maior vitória. Depois, para eleger Fernando Haddad prefeito de São Paulo, chegou a fazer uma aliança e posar ao lado de Maluf, para estupor dos petistas de todas as correntes. E, cheio de orgulho e certeza, cunhou uma de suas grandes frases: “De poste em poste vamos iluminando o Brasil”.

Se houvesse democracia interna no PT, com convenções para escolher candidaturas, em 2014 Lula teria sido aclamado pelo partido para a sucessão de Dilma e massacraria Aécio Neves. Mas, assim como a havia escolhido imperialmente, Lula teria que discutir com a rainha, só com ela, a sua sucessão.

Aquela meia hora decisiva em que os dois se trancaram em uma sala, e Lula saiu abatido e Dilma candidata à reeleição, mudou o rumo do PT e a História do Brasil. No momento em que sua força, sua experiencia e sua inteligência foram mais necessários, Lula piscou. E Dilma ganhou no grito, rompendo o acordo de o poste devolver-lhe o trono depois de quatro anos.

O resto é história, com as consequências funestas que teve para o Brasil, para o PT e para Lula, porque um grande líder popular quase religioso e infalível falhou num momento fatal.

Aquele momento fatal!

* Nelson Motta é jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical, teatrólogo e letrista brasileiro – Publicado no site O Globo

**Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.