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MORRE UBALDO MARQUES PORTO FILHO, O ESCRITOR DO RIO VERMELHO

Ubaldo Marques Porto Filho deixa como principal legado o seu amor pelo Rio Vermelho

Foi sepultado na tarde desta quarta feira (16) o corpo do administrador e escritor Ubaldo Marques Porto Filho, historiador com vários livros pulicados e uma vida voltada para o bairro do Rio Vermelho. De acordo com informações passadas para o Blog ele sofreu um infarto e estava internado há alguns dias no Hospital Português.

Formado em administração pela Universidade Federal da Bahia, com 27 obras publicadas (14 relacionadas ao Rio Vermelho), Ubaldo foi um dos fundadores da Amarv – Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho, e da Academia dos Imortais do Rio Vermelho. A notícia da sua morte deixou o bairro entristecido.

Incentivador e ex-presidente da AMARV, Ubaldo Marques Porto Filho era apaixonado pelo bairro e num trabalho constante agregava sócios para a entidade, que se reunia mensalmente.

Ainda me lembro da última reunião em que estive presente, levado por Lauro Loly. Aconteceu no Bahia Park Hotel, no largo da Mariquita. Ubaldo sempre gentil e receptivo funcionava como um mestre de cerimônias. Da Vila Matos à Fonte do Boi, da Chapada à Paciência, os moradores mais antigos rendiam homenagens ao mineiro que aportou no Red River.

Nota da AMARV

É com tristeza que a Associação dos Moradores e amigos do Rio Vermelho, informa aos seus sócios, amigos e moradores do bairro, o falecimento do Sr. Ubaldo Marques Porto Filho. Fundador e ex- presidente dessa entidade; escritor e historiador do bairro, que descansou ontem no Hospital Português.

Mensagem do professor doutor Héllio Campos – Mestre Xaréu

O Rio Vermelho perde uma expressão singular do Bairro. Ubaldo desde criança se ocupava pelas coisas do Rio Vermelho, mas foi durante a juventude que convivi diuturnamente com Ubaldo, e pude perceber a sua dedicação ao futebol, especialmente ao Clube do Parque como jogador e dirigente. Em seguida se dedicou ao Grêmio da Juventude do RV., festejos do Rio Vermelho, criou a AMARV, a Academia dos Imortais do Rio Vermelho e tantas outras instituições com a finalidade de preservar a memória do bairro, melhorar a infraestrutura e dá visibilidade turística. Inquieto Ubaldo começa a escrever, neste momento tenho em mãos o meu livro favorito de Ubaldo o Rio Vermelho. Ubaldo amplia, sobremodo seus horizontes literários escrevendo vários livros sobre personalidades marcantes do RV. Por mais que escreva e fale, sempre será pouco, muito pouco mesmo traçar a trajetória sobre a fantástica contribuição. Ubaldo um amante inveterado das coisas do Rio Vermelho. Ubaldo Fica com Deus.

Mensagem do jornalista e pesquisador Jorge Ramos

O corpo de Ubaldo Marques Porto Filho será sepultado nesta quarta-feira (16) às 16 h no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. Ubaldo era filho de Ubá (MG), a terra de Ari Barroso, mas se criou em Cachoeira Bahia, onde seu pai foi durante muito tempo gerente do Banco do Brasil (agência de São Félix) e uma destacada liderança pessoal junto à comunidade, com muitos serviços prestados ao comércio e à sociedade local. Mais tarde, Ubaldo Marques Porto transferiu-se para o Rio Vermelho, bairro que amava e do qual se tornou uma das figuras mais emblemáticas, tendo escrito vários livros sobre Yemanjá, Caramuru, a história dos nomes das ruas do bairro e sobre a presença da Família Taboada na comunidade. Grande pesquisador, era presença cativa no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, do qual era sócio. Deixa um livro inédito “De UBá a Cachoeira e ao Rio Vermelho”, onde conta a sua trajetória de vida, contextualizando a vida em cada um desses locais onde viveu e amou. Escreveu no ano passado, juntamente com Álvaro Dantas de Carvalho Júnior, o livro “2 de Julho, a Independência da Bahia e do Brasil”. Há poucos dias, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, dividíamos informações sobre a figura histórica de Geraldo Rocha ( tio e padrinho político do ex-governador Antonio Balbino), um engenheiro baiano, notável empreendedor, que entre 1907 e 1912 esteve à frente da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, na região amazônica, e que foi jornalista e dono de jornais e revistas no Rio de Janeiro (A Noite, A Noite Ilustrada, O Mundo Ilustrado). Sobre ele, Ubaldo pretendia escrever a biografia dele e estava na fase de coleta de dados. Que Deus acolha a sua alma!

CONTABILISTA FERNANDO CAFEZEIRO MORRE EM JEQUIÉ. DECRETADO LUTO OFICIAL NO MUNICÍPIO

Foi sepultado na tarde desta quarta feira (2), o corpo do contabilista Fernando Cafezeiro. El Faleceu ontem, terça-feira (01) às 16h25, no Hospital Santa Helena em Jequié.

Profissional competente, homem correto, Fernando é pai de Marla Cafezeiro Suzarte, primeira dama do município de Jequié. Muito consternado, o prefeito de Jequié, Sergio Suzarte, decretou luto oficial e a Câmara Municipal suspendeu a sessão de abertura dos trabalhos legislativos nesta terça e a sessão ordinária da quarta-feira, 02, em sinal de luto pela morte deste jequieense comedido, gentil, de muitos amigos, Fernando Cafezeiro, membro de uma família numerosa e tradicional de Jequié, sempre participando da vida econômica, política, social e administrativa do município. Seu irmão, Raimundo, foi deputado estadual e combativo homem público. Seus sobrinhos, Tadeu Cafezeiro e Sérgio Cafezeiro, respectivamente, presidente do Conselho Comunitário de Jequié e Desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia, são alguns dos exemplos.  O corpo de Fernando Cafezeiro, foi velado no Centro de Evangelização e Unidade-CEU, de onde saiu o féretro para o Cemitério São João Batista.

ESPERANDO SÃO JOÃO: RESPEITA JANUÁRIO – SAUDADE DE LUIZ GONZAGA

BRAZIL SYSTEM

Por Aninha Franco*

Publicado em Trilhas: Correio da Bahia

 

 

Quarenta e cinco anos sem Leila Diniz fazem falta ao Brazil System. Quando Marcela Temer nasceu, em 1983, para ser recatada, do lar e, futura esposa de Michel Temer, o presidente investigado, Leila Diniz estava morta desde 1972. Quando Marcela adolesceu, o Pasquim era cinzas, Henfil estava morto, e a Graúna estacionada em 1988. Henfil não assistiu à saída dos militares, e só votou para presidente da república uma vez, em 1962, porque de 1964a1989 nos foi proibido eleger presidentes. Voltando ao presente, desde sexta-feira, 9, sabemos que Temer ficou e Dilma pode candidatar-se e se eleger ao que quiser. Que Gilmar Mendes, presidente do Tribunal que deveria vigiar e punir os malfeitores eleitorais, desempatou o 3×3 e votou pela absolvição de Dilma&Temer.

O Michel Temer ficado já devolveu a obrigatoriedade do imposto sindical à República sindicalista e os trabalhadores brasileiros continuarão destinando um dia de suas jornadas à boa vida dos líderes sindicais. Talvez com esse agrado as greves e manifestações perderão seus ímpetos. Temer anistiou os banqueiros, aqueles profissionais que sempre lucram no tempo das vacas magras e das vacas gordas, e está bem com o Capital, com os 17 mil sindicatos e para continuar ficando parece que gastará muito do Erário combalido. Nós já assistimos isso com Dilma, em queda, mas Temer tem mais aliados e minha intuição sugere que o PMDB não está brigado de verdade com o PT. Que a rusga é cênica. Que daqui a pouco PT e PMDB retomarão seu caso de afeto declarando, mais uma vez, amor aos que mais precisam. Sim, o Brasil não é uma nação, é um programa de humor que acabará nos matando de rir.

Recentemente, fotografei a placa de inauguração da Superintendência da PF – que está trabalhando certeira – e nela descobri que o prédio foi inaugurado pelo presidente Fernando Collor. E é sim, é muito engraçado.

E de risada em risada, desconfio que Juscelino Kubitschek não criou uma capital em 1960, que Juscelino criou um ninho de ratos, cevados com todos os privilégios nos últimos 57 anos, totalmente imunes à decência. É verdade que a Lava Jato desfalcou e ameaçou o ninho. João Santana, Patinhas, por exemplo, faz falta ao PT saído e ao Temer ficado, porque explicaria com mais elegância o ataque petista à jornalista Myriam Leitão. E esconderia Temer melhor da sociedade, esse vice do PT duas vezes. Como é que o PT aceita um cara tão primário como vice-presidente de uma presidente doidinha?

Desde os primórdios da civilidade, os lideres políticos foram preparados por pensadores para governar. Alexandre, o Grande, possivelmente foi grande porque teve o filósofo Aristóteles como mestre. O Poder não é uma atividade banal. Se o Brazil System não suporta filósofos, use marqueteiros preparados em humanidades. Chega-se ao poder para confortar milhares de cidadãos que dependem do líder, do chefe para sobreviver e desfrutar das existências. Parece que Temer só pensa nele, em Marcela, em Michelzinho e, no máximo, em Rocha Loures, seu “longa manus”.

E com esse Brazil System, é claro que o Brasil será, para sempre, um País em crise.

Leila Diniz, Graúna (Henfil) e a família Temer

*Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

 

ESPERANDO O SÃO JOÃO: SAUDADES DE DOMINGUINHOS

SENHOR GOVERNADOR

Por Aninha Franco*

Publicado em Trilhas: Correio da Bahia

 

 

Apesar de ter nascido no Pelourinho, na Rua 13 de Maio, e dele ter saído aos quatro meses para morar em Brotas, em urbanização, não podia freqüentá-lo do meu nascimento até os Anos 1990, porque não era seguro, nem próprio às mulheres honestas. Em 1994, ancorei num Pelourinho pujante, com um teatro intenso ocupando as ruas do bairro nos primeiros momentos pós revitalização. E quando as Praças Quincas Berro D’Água e Pedro Arcanjo foram construídas, receberam, até, 1200 espectadores para assistir atores e autores que lotavam os teatros noutros bairros da cidade. Tenho fotos de espectadores sob a chuva, com sombrinhas, assistindo “Esse Glauber”, porque não havia lugar sob os toldos.

Isso podia acontecer qualquer dia da semana, exceto terça-feira, quando todas as ruas do Pelourinho lotavam com as Terças das Bênçãos que movimentavam o bairro com shows musicais – Gerônimo era um escândalo na Escadaria da Igreja do Paço – e grupos de percussão. Diante do sucesso do teatro nas praças, ele foi convidado a montar a democracia republicana do Theatro XVIII, um teatro para todos, inaugurado em 13 de Junho de 1997, que rapidamente recuperou a Rua Frei Vicente, o Baixo Maciel, e nos anos seguintes solidificou-se com um problema: falta de espaço para abrigar as platéias que chegavam, furiosamente. O espetáculo “Três Mulheres e Aparecida”, em 2000, esgotava todas as sessões com três meses de antecedência, o espetáculo “Brasis” provocou o arrombamento da porta do Theatro, fechado por seus funcionários porque não podia receber público nem no foyer.

Os freqüentadores do XVIII, da Benção, do Miguel Santana com o Balé Folclórico dispunham de Gastronomia variada, possível a todos os preços, que hoje resta em sua totalidade no Guia de Bares e Restaurantes do Pelourinho, (Sebrae/Ba, 2004), porque centenas de comerciantes fecharam as portas a partir de 2007, com as políticas públicas estaduais, turísticas e culturais, impostas ao Centro Histórico, esvaziando o Pelourinho de soteropolitanos e turistas que o mantinham cheio. A partir de Janeiro de 2007, a pujança dos Anos 1990 que alimentava a economia da cidade foi secando e sendo transformada num deserto, perverso, onde nem mendigos vêem por falta de clientes. A sede dos Correios que era um Centro Cultural com exposições importantes foi fechada e a Agência do Banco do Brasil foi transformada em posto, aconselhando ao turista que quer efetuar câmbio que se dirija a outras agências.

O Pelourinho, parte importantíssima do Centro Histórico de Salvador, declarado Patrimônio da Humanidade, em 1985, está desértico sem suas âncoras, desaparecidas com políticas públicas equivocadas, como é equivocado, agora, o esvaziamento das praças durante o São João. Tenho na memória a propaganda do governo iniciado, em 2007, com Jaques Wagner, e continuado por V. Exa, de que o governo da Bahia trabalha para quem mais precisa. Os comerciantes que trabalham nas praças do Pelourinho já não conseguem sobreviver com as suas famílias por carência de clientela local ou visitante. E agora, às vésperas do São João, se não conseguirem trabalhar nele, perderão um dos seus poucos suspiros.

 *Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

PORTAS DO ÉDEN LIVRO DO JORNALISTA JOSÉ AMÉRICO CASTRO SERÁ LANÇADO PRÓXIMA SEXTA (16) EM IPIAÚ

Organizado pelo professor e advogado Paulo Andrade Magalhães e publicado pela Nós e Vós Editora, finalmente ficou pronto o livro “Portas do Éden” que retrata a poética do jornalista Zé Américo e o imaginário coletivo de Ipiaú.

Paulão, companheiro e amigo do ativo militante da cultura ipiauense desde sempre, decidiu juntar relatos, memórias, trechos de publicações, folclore e, sobretudo, retalhos da história contemporânea da Ipiaú dos anos 70 até o dias atuais, elegendo o Cine Éden, Rio Novo Tênis Clube e o Ginásio de Rio Novo como referências culturais da região, palco e cenário de uma época onde a irrequieta e engajada juventude as artes, peças teatrais, eventos populares e a imprensa escrita como instrumentos de manifestações culturais que contribuíram para a formação de leitores, plateias, agentes sociais e ativistas políticos, dotando a sociedade atual de profissionais comprometidos com o desenvolvimento da cidade.

Assim, o plenário da Câmara de Vereadores de Ipiaú deverá estar lotado na próxima sexta feira, 16 de junho, para a solenidade de lançamento do primeiro de uma série de livros que, por certo Zé Américo vai disponibilizar aos seus inúmeros e habituais leitores de crônicas, artigos e reportagens publicadas na imprensa desde que retornou para sua cidade natal.

Conforme texto publicado pelo dr. Paulo Andrade Magalhães, “A obra “Portas do Éden” é uma homenagem ao Cine Theatro Éden que foi a porta de entrada para um conhecimento mágico-cultural-político dos habitantes de Ipiaú. Retrata o imaginário sócio-cultural da cidade a partir da genialidade poética do jornalista José Américo Castro, que expõe parte da sua produção literária e pesquisas sobre personalidades folclóricas; também das lembranças retidas nas memórias de ipiauenses; além das imagens dos cronistas visuais (fotógrafos), que cumpriram um importante papel social ao focarem vivências comunitárias, construções físicas e comportamentos da vida urbana que estabelecem diálogos com o presente.

Com 272 páginas e formato de 17×24, teve a sua publicação viabilizada por edital e contou com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia; além do apoio cultural da Faculdade da Cidade do Salvador (FCS) e da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Funcionários da CEPLAC (COOPEC). O projeto gráfico e a capa do livro foram elaborados por Tadeu Leite, as ilustrações por Lula Leite (Fenemê) e Jurnier Costa, todos artistas ipiauenses.

Os organizadores do evento confirmam presença de companheiros de imprensa de Zé Américo, artistas, agentes culturais, autores, professores e amigos da região para abrilhantarem a festa de lançamento de um livro que é um novo marco da renascente cultura ipiauense.

RIO NOVO TÊNIS CLUBE: IMPORTANTE SÍMBOLO DE MANIFESTAÇÕES CULTURAIS E ENTRETENIMENTO DE IPIAÚ FINALMENTE SERÁ RESGATADO

A fotografia do degradado salão do RNTC causa tristeza.

O velho salão do RNTC. Aí eu assisti, comovido, o bailado de doutor Salvador e dona Zélia, sob o ritmo de “Perfídia” e “La Barca”, entre tantas; Lourival Panelli e Magnólia, em leves passadas de encantada harmonia, dançando “Besame Mucho”. Nesse lugar mágico, vi, com os olhos embaçados, sob efeito do “Mussambê” de Jacó, vendido clandestinamente, o sempre tímido Benel Lessa com os braços abertos, no salão lotado, cantando “Quanto riso, quanta alegria”…

Benedito Lessa, Jussara e Wilson Midlej (Micareta no RNTC)

Pois é, aquele salão imenso da minha adolescência, agora transformado numa salinha em decadência, o suntuoso cenário das festas de debutantes, hoje sem o teto, sem lustres e luzes em profusão, como uma princesa sem dentes e sem coroa…

Pode-se ver, na foto, o palco onde “Os Ímpares” cantavam igualzinho aos cabeludos ingleses de Liverpool, a “grande” orquestra “Los Mariachos”, ou a voz potente e inconfundível de Agnaldo Timóteo. O ponto de atração de todos os olhares é, hoje, apenas um contorno verde emoldurando um buraco escuro.

Eis que, o grupo denominado Coletivo Cultural, inspira e motiva o vereador Claudio Nascimento. Essa união faz eclodir o movimento vitorioso pelo resgate do Rio Novo Tênis Clube, assim como outros símbolos culturais de Ipiaú. A própria existência de quase cinquenta pessoas debruçadas diuturnamente, em reuniões semanais, debatendo o tema, já representa a pulsação da vida cultural antes tão intensa no município.

Essa luta, que foi a luta do professor Altino Cerqueira, Mappin, do Mestre Lôla, de Euclides, Hidelbrando, doutor Salvador e Tatai, a luta de Fauzi Maron, Lula Martins, Zebrinha, Regina Matta, Lúcio Vieira é a luta do restabelecimento dos valores ipiauenses.

Sob o olhar aprovador de uma prefeita que nem nasceu em Ipiaú, o movimento cresce e floresce. Apesar da inexplicável ausência física de Maria das Graças Mendonça, talvez aconselhada a ter cautela com o frisson dos artistas… Se assim foi, seus conselheiros esqueceram que esta é a luta da cidadania que ela tanto se apegou para a acachapante vitória conquistada.

Venha, prefeita. Se junte aos que buscam consolidar a arte e a cultura do povo: convém evitar que esse movimento se ressinta da sua importante presença, justamente quando a vitória parece estar bem perto. Você merece, por sua conduta, ter sua imagem emoldurada pelo viés cultural, motivo da luta de tanta gente. Apesar de tudo, parabéns por sua sensibilidade, prefeita.

De parabéns a Câmara de Vereadores, a vice prefeita Margarete Chaves, o Coletivo Cultural, os artistas, poetas e menestréis de Ipiaú e de toda a região.

 

IPIAÚ: AUDIÊNCIA PUBLICA DISCUTE DESTINO DO RIO NOVO TÊNIS CLUBE

Por José Américo Castro

Acontece nesta sexta-feira, 29, a partir das 19hs:30min, no Salão do Plenário da Câmara Municipal de Ipiaú, a Audiência Publica que definirá as futuras formas de uso e modelo de gestão do Rio Novo Tênis Clube -RNTC- uma das mais tradicionais instituições da cidade que tornou-se palco de eternas emoções da comunidade local.

A ideia é transformar o espaço em um Centro Cultural Integrado, abrigando harmoniosamente as diversas formas de manifestação da cultura artística, desde salões de exposição, bibliotecas setoriais, cinema, oficinas, até um museu, além da dinamização dos equipamentos esportivos e parque aquático.

O evento decorre de uma proposição do vereador Claudio Nascimento, com apoio do Coletivo Cultural de Ipiaú e da coordenação do Território de Identidade do Médio Rio das Contas.

No próximo domingo, 29, o RNTC completa 68 anos de existência e desde já foi presenteado com um Projeto de Lei que dispõe sobre o tombamento do seu prédio como patrimônio histórico, artístico e cultural do município de Ipiaú.

O Projeto nº 010/2017, da autoria do vereador Claudio Jussi Nascimentoo-PSD- está em consonância com o Capitulo Quinto da Lei Orgânica do Município que reza ser da competência do município proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico e cultural, cabendo à Prefeitura intervenções de manutenção,conservação e adaptações que venham beneficiar a segurança e bem estar da comunidade.

A fachada original do prédio (foto) deve ser restaurada caso a audiência decida pela manutenção do patrimônio.

Fotografias e depoimentos

No decorrer da Audiência Publica serão projetadas em um telão uma serie de fotografias históricas do clube e veiculados depoimentos de antigos sócios e ex presidentes da entidade.

Inaugurado no ano de 1949, o RNTC teve como primeiro presidente o farmacêutico Waldemiro Santos que esteve à frente de uma diretoria formada por Salvador da Matta, Protogenes Jaqueira, Manoel Pinto (Mapin), Ademar Esteves, Edvaldo Santiago e Odilon Santos Costa, dentre outros homens que dedicaram amor a esta cidade e alicerçaram a cultura entre nosso povo.

ACM EM CENA: NA FESTA DOS 90 ANOS DE ACM, UM LIVRO PARA REVIVER MOMENTOS INTERESSANTES NA POLÍTICA DA BAHIA

Depoimentos de Delfim Neto, Fernando Barros, Maria Bethânia, Ricardo Noblat, num total de mais de uma centenas de pessoas que forma convidadas a falar o que quiserem sobre a celebridade baiana.

Se vivo fosse, ACM completaria 90 anos dia 4 de setembro próximo. O Instituto ACM, mantido pela família, vai marcar a data com um festão, que tem como cereja do bolo o livro de nome provisório “ACM em cena”.

Nesta data, por anos a fio, jornalistas, fotógrafos, profissionais liberais, amigos e um significativo número de baianos, oriundo da quase totalidade dos municípios, se deslocavam em caravana para cumprimentar o velho líder no dia do seu aniversário. A ladeira da Barra Avenida, inicialmente, e depois o Ed. Stela Maris na rua da Graça,

O Editor deste Blog e o então governador ACM

ficavam intransitáveis com a aglomeração desde as primeiras horas da manhã, com charangas, batucadas, faixas e manifestações em homenagem ao aniversariante que se emocionava com a quantidade de pessoas de vários segmentos sociais reiterando fidelidade ao político, o que, dizem, assegurava a consolidação daamizade com o ACM, já que a profusão de fotos e registro de nomes acabavam sistematicamente compondo um velho arquivo. O jornalista Levi Vasconcelos escreveu em seu blog “bahia.ba”, que o livro, que está sendo coordenado pelo jornalista Antonio Risério, intelectual de proa, com projeto gráfico de Eneas Guerra, vai ter mais de 100 depoimentos sobre ACM, um time que inclui personagens tão variáveis como da cantora Maria Bethânia ao jornalista Ricardo Noblat, de Delfim Netto ao publicitário Fernando Barros, de Flora Gil, mulher de Gilberto Gil, a Clarindo Silva, da Cantina da Lua.

Levi assegura: “Com um detalhe: as personagens foram convidadas com a ressalva de que ficassem livres para escrever o que bem entenderem, sem censura. É livro para a história”.

Uma dessas comemorações de aniversário no Palácio de Ondina

Jornalistas que conviveram com ACM de perto dizem que ele nunca gostou de textos muito oficiais. Preferia sempre algo mais solto. Está sendo atendido. E Risério se habilita para fazer a biografia de ACM que Fernando Moraes disse que ia fazer e não fez.

A obra deve conter flashes interessantes de uma época em que ACM comandava a política da Bahia e cultivava fiéis amigos e implacáveis inimigos, sem contar os episódicos adversários, que se reconciliaram ou aliados que romperam. As expectativas com a obra são muitas, principalmente considerando que foi escrita por Risério.

Veja o vídeo