Arquivo para ‘Memória’ Categoria

A BAHIA, OS BAIANOS E O CARNAVAL

Carnaval baiano chegando bonito com o povo misturado e feliz até a quarta feira

A uma semana do início oficial da folia, o clima de celebração já toma conta de Salvador, palco do famoso carnaval da Bahia. O desencontro partidário ou ideológico a partir do fim dos anos oitenta, com prefeito de um lado e governador do outro, fez com que fosse massificada a marca “Carnaval de Salvador” e extinta a consolidada expressão “Carnaval da Bahia”.

Desde muito tempo, independentemente do governante, o carnaval dos baianos vinha se descaracterizando. O circuito Osmar, que compreende o trecho do Campo Grande à Praça da Sé deixou de ser o foco da folia, misturando desfile de blocos, afoxés, trios elétricos, desfile independente “Mudança do Garcia” e, em tempos mais remotos, a existência do Corso (automóveis ao longo da avenida). O carnaval se estendeu para o circuito Dodô que vai do Farol da Barra a Ondina e para alguns bairros.

O Brasil inteiro sabe que a denominação Dodô e Osmar, é uma homenagem aos criadores da fobica com som eletrificado para, gratuitamente, animar a festa.  Com o passar do tempo, a fobica virou sofisticadas carretas conduzindo toneladas de som e renomadas bandas, o carnaval virou indústria e atividade de amplo e variado comércio; extinguiu-se a mortalha e as tradicionais caretas que levava, no anonimato, pessoas de ambos os sexos vestidas de pierrot e colombinas a grande aventuras. Rasgou-se as fantasias e foi inaugurada a era dos “Abadás”. Toda essa mudança contribuiu para o aumento significativo do fosso no convívio entre as classes sociais. O carnaval deixou de ser improviso e o folião passou a ser cliente e público alvo. A implantação das famigeradas cordas de isolamento, os blocos e camarotes, verdadeiras fontes de milionários recursos, estabeleceram os limites entre elite e o que foi denominado povão, para ira do genial Walter Pinheiro Queiroz Júnior.

Festa da Pipoca no carnaval da Bahia

A música de péssima qualidade executada por bandas pagas pelo poder público, segundo comentaristas, já fazem do frevo pernambucano o ritmo mais executado nos pré-carnavais do Brasil.  além de, para alguns, contribuírem para uma certa revolta implícita, empurra-empurra e solavancos, transformaram as descomprometidas “Pipocas” em verdadeiras “praças de guerra”, troca de socos generalizadas e ao ritmo da música, tornando a participação arriscada e o cenário feio de se ver. 

O compositor Waltinho Queiroz, uma das mais expressivas e bravas resistências ao novo modelo de carnaval, com espaço privatizado entre cordas, tem um acervo significativo de poemas, letras e discursos rebeldes sobre o tema. Transcrevo aqui um trecho de sua música “No meio da rua, no meio do povo” que diz muito sobre a desfiguração do que foi a festa mais democrática do Brasil:  Tomara que esse ano/Eu lhe encontre de novo/No meio da rua/No meio do povo/Mortalha encharcada/De cerveja até o pé/E a boca lambuzada/De acarajé.

As crianças compunham o cenário do carnaval da Bahia.

Mas, apesar das desfiguração, a luta de Waltinho em seu Bloco do Jacu não foi em vão e agora no “Chegando Bonito”, a Bahia se reconhece nos velhos carnavais. Algumas práticas se mantiveram e o carnaval da Bahia ganhou o mundo e virou a maior festa popular do planeta. Os três dias de folia passaram a cinco. Em determinado período chegou a seis e até mais, tudo indica que retornaremos aos cinco dias de folia, senão, vejamos: a brincadeira, na prática, começou na sexta-feira, dia 2 de fevereiro, com a Festa de Iemanjá, no Rio Vermelho, e o desfile do bloco Habeas Copos o já famoso circuito Sérgio Bezerra, na Barra. Felizmente ainda podemos ver o grande tapete branco formado pelos turbantes dos Filhos de Ghandi, o ritmo contagiante do Olodum, a beleza pura do Badauê, a negritude linda do Ilê Ayê… Ah! e o Araketu é bom demais!…

A abertura oficial do Carnaval será na próxima quinta-feira (7), com a cerimônia de entrega da chave da cidade pelo prefeito ACM Neto e festa comandada pela cantora Claudia Leitte e seu convidado, o rapper norte-americano Pitbull, em parceria com a Zumba. Eles vão dar o grito inicial da folia na Barra-Ondina, a partir das 17h.

Confira a programação dos três maiores circuitos, com horários, blocos e atrações, no site oficial da festa. www.salvadormeucarnaval.com.br‎      

ADEUS, MOREIRA

Por Nestor Mendes Jr.

Antonio Moreira da Silva, o Moreira, partiu ontem, aos 72 anos, da Bahia para um outro porto, de outra dimensão. Foi-se mais um pedaço da velha cidade da Bahia inzoneira, sestrosa, poética, cayminiana e amadiana. Dessa cidade ainda guardada nos cartões do Tempostal, nos sambas de Batatinha e Edil Pacheco, nos textos de Tasso Franco e Jolivaldo Freitas, na poesia de Florisvaldo Mattos e no espírito dos baianos que ainda fazem questão de se manter gentis e hospitaleiros.

Com o seu irmão Chico, sucedeu ao pai, Moreira, no restaurante “Casa de pasto e espírito Porto do Moreira”, a princípio no Mucambinho e, por último, no Largo das Flores. Mais do que um espaço gastronômico, de delícias por Deus esculturadas, o Porto do Moreira é uma espécie de mistura de Senado com Casa de Tolerância – embora aquele não faça justiça à decência desta.

“Senadores” discutem ali a poluição do planeta, as querelas entre o prefeito e o governador, a contratação do treinador do Bahia, a gravidez de Ivete, o último chifre dado de “com força” em uma cabeça coroada – com o perdão do trocadilho. Tolerância em homenagem às putas – musas da predileção de Moreira – e para destacar a diversidade de sexos, raças, classes sociais, religiões e ideologias dos que frequentam o Moreira.

Carlistas, waldiristas, petistas, xiitas, coxinhas, devotos, ateus, crentes, letrados, iletrados. Do repasto do Moreira servem-se todos.

Jorge Amado, Glauber Rocha, João Carlos Teixeira Gomes, Ary da Mata, Jorge Portugal, Florisvaldo Mattos, Humbertinho Sampaio, James Correia, Dultra Cintra, Paolo Marconi, Edil Pacheco, Alberto Freitas, João Paulo Costa, Paulo Gaudenzi, Cristóvão Rios, Tasso Franco, Carlos Navarro, Alberto Oliveira, Armando Lemos, Roque Mendes, Benito Gama, Paulo Bina, Jorge Ramos, Gerson Gabrielli, Zé Américo Moreira da Silva, Washington Souza Filho, Fernando Vita, Valmar Hupsel, Marco Hulk, Roberval Foca Luânia, Vicente Pinga, Manoel Castro, Getúlio Soares, Fernando Santana, Carlos Coqueijo, Isidro do Amaral Duarte, Antonio Menezes Filho. A lista é longa. E interminável…

Caetano Veloso gosta da “Moqueca de Miolo”, para relembrar Dona Canô; Carlos Libório degusta o “Carneiro Assado”; o ministro Peçanha Martins devorava a “Galinha ao Molho Pardo”.

Mas tolerância, especialmente, era o que Moreira não possuía. Contrariava, sem pudor, a regra básica do comércio: “o freguês tem sempre razão”. Ali, nunca! Quando a casa estava cheia, ele ficava indócil. Quando alguém reclamava da conta, ele bufava. E por tudo isso – e acho que até por causa disso – todos o adoravam. Nós o amávamos.

A Ian, meu filho, ainda pequeno, em companhia de meu afilhado Tassinho, ensinei a perturbá-lo com a provocação “Moreira, ladrão!”. Ele ria, até que um dia fez um discurso no restaurante: “Eu não sou ladrão! Sou comerciante, mas todo comerciante é ladrão”…

Era assim Antonio Moreira, que sabia todas as fofocas – dos palácios e do submundo. Um coração gigantesco, maternal, mas que gostava de uma pilhéria, de uma provocação, de uma boa discussão.

Capaz de parar na CardioPulmonar por causa de uma querela a respeito do preço do Cointreau, mas que não deixava ninguém pagar um centavo quando fazíamos uma farra com ele fora do Porto.

Meu coração está mais vazio. Vou continuar indo ao Porto do Moreira comer uma “Rabada” ou uma “Moqueca de Carne”, mas naquela mesa – da “Diretoria” – estará faltando ele, como no samba de Sérgio Bittencourt, imortalizado por Nelson Gonçalves: “Naquela mesa tá faltando ele/e a saudade dele tá doendo em mim”.

Adeus, Moreira. E muito obrigado!

MORRE AOS 72 ANOS ANTÔNIO MOREIRA, DONO DO RESTAURANTE PORTO DO MOREIRA

Foto Andréa Farias Arquivo Correio da Bahia

Um dos proprietários do restaurante Porto do Moreira, dos mais tradicionais do centro de Salvador, o empresário Antônio Moreira da Silva, de 72 anos, morreu durante a madrugada desta terça-feira (2). A informação foi confirmada à imprensa pela sobrinha de Antônio, Cristina Moreira.

De acordo com Cristina, o tio estava em casa, no Largo Dois de Julho, também no centro da capital baiana, quando faleceu. A suspeita da família é de que ele tenha sido vítima de um infarto.

Segundo o site Bahia Notícias, “… familiares informaram que a namorada de Moreira saiu de casa pela manhã, quando o empresário ainda dormia. Integrantes da família, que trabalham com ele no estabelecimento, estranharam que, com o avançar da hora, Moreira ainda não havia chegado ao espaço, Eles ligaram para a namorada do empresário, e ela pediu ao filho dele que fosse até à casa onde o proprietário do restaurante vivia. Ao chegar ao local, junto a outro familiar, ele encontrou o dono do Porto do Moreira desacordado. Os dois chamaram a equipe de socorro, que constatou a morte do empresário. A suspeita inicial é de que ele tenha sofrido um ataque cardíaco.

“Antônio tem duas filhas, que já foram avisadas da morte dele. Elas moram em outras cidades da Bahia e estão vindo para Salvador. Para a gente, foi um baque”, destacou sua sobrinha.

O restaurante Porto do Moreira, localizado na Rua Carlos Gomes, à entrada do Largo dois de Julho (Mercado das Flores), foi fundado há 79 anos, no dia 7 de setembro de 1938 pelo pai de Antônio, José Francisco Moreira, que era português. O local recebia, habitualmente, os visitantes mais ilustres de Salvador.

Após a morte do José Francisco Moreira, seus filhos, Antônio e Francisco Moreira, passaram a gerir o estabelecimento, famoso não apenas pela excelência do cardápio, mas, também, por ter se tornado ponto gastronômico dos militantes da cultura baiana, preferido por poetas, artistas e jornalistas soteropolitanos. O casal fundador do concorrido local foram personagens dos romances de Jorge Amado, ele próprio, frequentador assíduo da casa, conforme afirma, emocionada, Cristina Moreira, ao tempo em que informa que não há, ainda, informações sobre a data e o local do velório e sepultamento do corpo de Antônio Moreira.

Desde que a morte foi confirmada, por volta de 13h, o atendimento no restaurante foi suspenso. Alguns clientes terminaram de ser atendidos e outros, em consideração, suspenderam os pedidos. O empresário era bastante conhecido e querido pelo público do espaço pela boa relação mantida com a clientela, destacada, principalmente, por boêmios, turistas, artistas e jornalistas

 Informações do Bocão News, A Tarde e Bahia Notícias (editadas).

CONTEÚDO, MEU REI!

Por Aninha Franco*

 

 

Você está pobre agora, mas pode ganhar na mega sena da virada e será milionário na próxima semana. Você está desempoderado agora, mas se descobrir um discurso político, um “pior não fica” de Tiririca ou um “nóis contra eles” de Lula, chegará ao Poder sem a menor condição de ser político e se aproveitará disso longamente. Você só não pode ganhar conteúdo na mega sena ou inventar que tem conteúdo sem ter, o patrimônio mais sólido de um humano porque nunca desmancha no ar.

Ok que no Brasil quem tem conteúdo e depende dele pra sobreviver está frito. Mas isso define a situação do Brasil. Só num país sem conteúdo um condenado por corrupção faz campanha para voltar ao Poder que o condenou e um presidente da República continua no cargo depois de duas denúncias concretas por corrupção. O Brasil sabe o que significa corrupção, definição que se guarda se há conteúdo, patrimônio construído ao longo de décadas de humanização, a partir da infância? Poucos brasileiros. A humanização, conhecimento das criações humanas em outros momentos e culturas, desde que os Sumérios criaram o alfabeto para registrar a contabilidade, e registraram o poema Gilgamesh, é rala no Brasil.

Constrói-se conteúdo conhecendo a poesia de Homero e as obras da Filosofia e Dramaturgia gregas, Platão, Aristóteles, Sófocles, Eurípedes. Como pensar empoderamento feminino sem ter lido Antígona e Medeia algumas vezes? Como desfrutar hedonisticamente do prazer desconhecendo Petrônio e Cícero? Lendo Os 120 Dias de Sodoma de Sade, aos 19 anos, recebi uma aula precisa sobre a espécie humana. E como ter conteúdo não basta, e é preciso saber usá-lo, lembro que disse ao meu professor francês, na Maison de France, nos Anos 1970, que ele falava demais de Napoleão Bonaparte, mas do Marquês de Sade, mais interessante, ele jamais falava, e fui expulsa da sua sala de aula para sempre. – Pour toujours! Lembro dele gritando.

Fui embora da Maison de France e continuei construindo conteúdo noutras plagas. Li os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido de Proust e quase tudo de Huxley nas aulas de Direito da UFBA. E como era difícil ter esses livros na época! Quando comecei a ler Hannah Arendt n’As Origens do Totalitarismo, a edição em três volumes da Ed. Documentário, de 1975, ainda, e encontrei a continuadora dos gregos no século 20, fui atrás de tudo que ela escreveu.

O conteúdo, construção diária e pessoal que ninguém pode fazer por ninguém, fortalece o coletivo, por isso o conteúdo é combatido com veemência pelos colonizadores. E por aqueles que não o têm. Porque quem tem, tem, quem não tem, nunca terá. E as diferenças entre os que têm e não têm são gritantes. Daí os ataques. Milhares de pessoas morreram para proteger o conteúdo. Na Rússia, o conteúdo produzido para denunciar Stálin foi memorizado nos cérebros, porque nenhuns outros lugares eram seguros. O romance O Mestre e Margarina de Mikhail Bulgakov foi guardado no cérebro do autor até o dia da revelação.

A qualidade depende do conteúdo. A qualidade da democracia ou do cardápio de um restaurante dependem do conteúdo. Sem ele, um político ou um Chef podem ter qualidade, mas seus resultados serão sempre naifs. Ou inúteis. Ignoro quando o Brasil, um país sem conteúdo e alheio à Memória, à Arte e à Política mudará sua construção, mas é o que lhe desejo em todas as translações do Planeta Terra: Em 2018, Conteúdo, meu rei!

*Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

TV ALBA REPERCUTE LANÇAMENTO DE ANÉSIA CAUAÇU EM SALVADOR

“Anésia Cauaçu” Lendas e Histórias no Sertão de Jequié. Esse é o título do mais novo livro lançado pelo Programa Cultural da Assembleia Legislativa da Bahia. A obra foi escrita por Wilson Midlej e conta lendas sobre personagens da história do município de Jequié, no sudoeste da Bahia.

 

Com depoimentos do presidente da Academia de Letras de Jequié, o poeta e escritor Julio Lucas, do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Angelo Coronel e do próprio autor, a TV ALBA repercutiu o lançamento, na última terça feira, do livro Anésia Cauaçu – Lenda, História no Sertão de Jequié. A obra, que retrata a trajetória da lendária personagem que circulou na Bahia, desde o Sertão da Ressaca, no  portal Sul da Chapada Diamantina, prosseguindo ao longo das margens do Rio de Contas e estendendo suas ações até Ilhéus e Itabuna e grande parte das matas grapiúna, iniciada em 1896 até o ano de 1917, no século passado. Anésia, sua família e jagunços contratados enfrentaram a pujança das forças dos coronéis, apoiados pelas volantes policiais da Bahia, em defesa do patrimônio e da honra da sua família. Tudo isso embasado no relato histórico do professor Emerson Pinto de Araújo em seus livros História de Jequié e Capítulos da História de Jequié, bem como na dissertação de mestrado da professora Márcia do Couto Auad. O tema despertou a atenção do cineasta Lula Martins que, juntamente com o autor, promoveu minuciosa pesquisa oral e documental para a realização de um filme, até agora aguardando condições técnicas para sua realização. Enquanto isso, os acontecimentos foram reunidos no livro ora publicado, em consonância com os fatos históricos, mas, com algumas pitadas de narrativas ficcionais do autor.

ALBA LANÇA OBRA ANÉSIA CAUAÇU – LENDA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE JEQUIÉ

Cartaz, letra e música Antonio Luiz Martins (Lula Martins)

 

Foi uma autêntica festa jequieense o lançamento do livro do jornalista, publicitário e escritor Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, na Assembleia Legislativa, ontem, às 16h, pois a comitiva de amigos, admiradores e parentes que ele reuniu movimentou o Saguão “Nestor Duarte”. O livro resgata a história de uma fazendeira, jagunça e libertária mulher que antecedeu figuras como Maria Bonita e Dadá companheiras de Lampião e Corisco, numa prosa leve, que alterna dados históricos com ficção prendendo o leitor, como frisou o presidente Angelo Coronel, autor do texto da contracapa do volume.

Amigo do escritor de muito tempo, o presidente da Assembleia aproveitou para fazer um balanço do programa editorial Alba Cultural, que em sua gestão lançou exatos 30 livros (sem computar o lançamento, hoje, de “A Cidade da Bahia”, do pesquisador Nelson Cadena, editado conjuntamente pela ALBA, TCE e TCM): “Convenham que não é pouco, pois a média é de quase três obras por mês. No Brasil, infelizmente, nem toda editora de porte médio mantém tamanho ritmo”, frisou. O presidente do Legislativo aproveitou para lembrar que a Assembleia agora também está atenta e propositiva para com o social, para os carentes, através do Instituto Assembleia de Carinho, presidido por Eleusa Coronel.

O escritor agradeceu e explicou que esse projeto surgiu em 2001, quando pesquisou junto com o cineasta Lula Martins a incrível história dessa mulher, que teve um filho assassinado nas lutas políticas entre os “Rabudos” e “Mocós”, um grande conflito travado naquela região em 1916, portanto, há pouco mais de um século. Buscando informações no Instituto Histórico e Geográfico, jornais de época e no livro do professor Emerson Pinto de Araújo, que a ALBA reeditou e lançará em março, ele chegou ao “esqueleto” de sua obra, enriquecida com a orelha do poeta e escritor José Américo Castro, apresentação do escritor e professor Sérgio Mattos e contracapa do presidente Angelo Coronel. Ele elogiou a continuidade do programa Alba Cultural e se emocionou ao citar os nomes dos amigos que viajaram a Salvador para o lançamento.

Um momento de emoção aconteceu quando o neto de Wilson Midlej, Lucca Fraga Midlej, de sete anos, tocou Asa Branca, o clássico de Luiz Gonzaga numa flauta, antes de outro jequieense, o ex-deputado Ewerton Almeida, ir ao microfone para falar do livro do escritor e dos muitos conterrâneos (Jequié e municípios circunvizinhos), destacando as presenças de Antonio Lomanto Neto, do presidente da Academia de Letras de Jequié, Júlio Lucas, do empresário Fauze Midlej, da historiadora Clarice Sampaio, do cacauicultor Nestor Linhares, jornalista José Américo Castro, do coronel Rivaldo e do cineasta Robinson Roberto, o blogueiro Charles Meira, bisneto de um dos personagens, entre outras personalidades. “Amizade herdada dos pais e avós”, explicou Ewerton Almeida, “só tenho a elogiar esse pesquisador que supre lacuna importante na historiografia regional, mas aproveito para saudar o presidente Angelo Coronel e dona Eleusa, pelo clima de concórdia e descontração implantados na ALBA, que deixou as pessoas mais alegres, expansivas, nessa que é a nossa casa, a Casa do Povo”.

Em seguida, Eleusa informou que por sugestão de Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, foi distribuído a quem fez doação de material de higiene pessoal, que será direcionado para entidades que lidam com moradores de rua, através do Instituto Assembleia de Carinho. Para ela, essas atitudes de fato transformam, numa alusão ao slogan do instituto que preside (Atitude que Transforma). Eleusa Coronel também explicou o funcionamento da Árvore dos Sonhos que recebeu donativos durante todo o mês, numa ação suprapartidária, de caráter humanitário que sem dúvida ajudará a muitos carentes. O autor autografou a obra por mais de duas horas, quando o evento foi encerrado.

Texto: Carlos Amilton/Agência-ALBA
Publicado em: 20/12/2017
Setor responsável: ASSESSORIA COMUNICACAO SOCIAL

DO PREMIADO REPÓRTER FOTOGRÁFICO EVANDRO TEIXEIRA

Por Eliza Teixeira de Andrade*

 

 

 

Por volta de 1954 (ou 1955), chegara a Ipiaú, vindo de Jequié, Evandro Teixeira, um jovem fotógrafo. Apesar do sobrenome, não tinha parentes na cidade. Aprendera o ofício, ainda adolescente, com Nestor Rocha, tio de Glauber Rocha.

Na cidade, procurou o Sr. Waldemar Lefundes, jornalista e proprietário do jornal Rio Novo, que o convidou para trabalhar como fotógrafo. É dele, a maioria das fotos tiradas nos principais eventos e fatos históricos da cidade, ocorridos na época.

O proprietário do jornal, reconhecendo o talento do rapaz, conseguiu o seu registro como jornalista, em uma viagem que fizeram a Salvador.

Muito simpático e comunicativo, Evandro logo se faria benquisto por tantos que o conheceram.

Mas Ipiaú era pequena para comportar todo o talento do jovem fotógrafo-jornalista e eis que, em 1957, incentivado por Manoel Pinto, que compunha músicas com o pseudônimo de Mapin, fora morar no Rio de Janeiro, onde conseguiu trabalhar em importantes jornais.

Nos anos subsequentes, Evandro regressou a Ipiaú algumas vezes, para visitar os amigos que deixara e que torciam por ele.

Sua vocação e coragem, aliadas ao seu talento, abririam mais tarde as portas do reconhecimento nacional.

*Eliza Teixeira de Andrade é advogada e escritora ipiauense.

8 DE DEZEMBRO: FESTA EM COMEMORAÇÃO A N.S. DA CONCEIÇÃO DA PRAIA, TRISTEZA POR 37 ANOS SEM JOHN LENNON E 23 ANOS SEM TOM JOBIM

8 de dezembro nos remete à perda de dois privilegiados talentos que expressavam sua genialidade através das músicas que compunham. Suas letras, bem como as melodias, se destinaram à mesma eternização alcançada por Mozart, Chopin, Bach, Villa Lobos,.. O mundo reverencia a data e lembra dos dois com pesar.

A data de 8 de dezembro ficou definitivamente marcada pela morte repentina de dois dos maiores músicos do século 20: John Lennon, assassinado a tiros numa noite fria, em frente ao edifício onde morava; e Tom Jobim que, assim como o ex-Beatle, tornou-se lenda em vida. Morreu em consequência de uma parada cardíaca, dois dias depois de ser operado, por causa de um câncer na bexiga. As duas estrelas desapareceram com uma diferença de 14 anos uma da outra. John tinha 40 anos quando tombou e Tom ia fazer 68.

Um integrou a banda de rock mais famosa e influente de todos os tempos. O outro é considerado um dos inventores da bossa nova. Em comum, a data e o local da morte. Tom Jobim e John Lennon morreram em um 8 de dezembro, em Nova York, nos Estados Unidos.

Encontrei no site entretenimento.r7.com esse artigo sobre as coincidências entre as mortes dos dois músicos, em Nova York:

“Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia”. J.Lennon

John Lennon nos deixou há 34 anos. A notícia, mesmo na era anterior à Internet, correu feito um jato pelo mundo: o cantor, compositor e músico britânico foi assassinado em frente ao Dakota, edifício em que morava, em Nova York.

Mark Davis Chapman, um fã obcecado por Lennon, havia conseguido um autógrafo do músico na manhã daquele mesmo dia, fato que foi registrado por um fotógrafo. Quem poderia imaginar que, horas depois, o mesmo cidadão faria tamanha loucura?

O mundo ficou rapidamente de luto. As homenagens ao ex-Beatle se espalharam pelos quatro cantos do planeta, frequentemente acompanhadas por pessoas cantando as músicas de Lennon, especialmente o hino pacifista, Imagine.

“Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz”. Tom Jobim

Quatorze anos depois, foi a vez de Tom Jobim tornar essa data motivo de luto. Na época, o cantor, compositor e músico carioca vivia uma fase das mais produtivas em sua carreira.

Seu CD Antonio Brasileiro havia acabado de sair, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting. Um trabalho com alta qualidade artística, no qual Jobim se mostrava mais inspirado do que nunca.

Um câncer na bexiga, em estágio já adiantado, foi diagnosticado no músico em um exame rotineiro, dias antes. Tom foi operado, mas dois dias depois, morreu de parada cardíaca, no hospital Mount Sinai, em Nova York, em 8 de dezembro de 1994.

Lennon amava Nova York e Tom Jobim também se deu muito bem por lá, sendo presença constante na cidade americana.

Outro fato em comum entre eles é que seus legados continuam sendo apreciados e cultuados por fãs nos quatro cantos do mundo, além de gerar novos produtos.

No caso de Lennon, os discos dos Beatles mereceram um relançamento luxuoso em 2009, além do lançamento do game Beatles Rock Band, um sucesso de vendas.

Tom Jobim é tema de dois documentários dirigidos pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos: A Música Segundo Tom e A Luz do Tom. Veja o primeiro, em versão completa, aqui:

 

ANÉSIA CAUAÇU, LENDA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE JEQUIÉ SERÁ LANÇADO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA BAHIA

Depois do lançamento em Jequié e Ipiaú, o livro que conta a história e as lendas sobre personagens históricos da região de Jequié, episódios que culminaram com a emancipação política do município, antes vinculado a Maracás, será agora lançado em Salvador, mais precisamente, no Saguão Deputado Nestor Duarte da Assembleia Legislativa da Bahia, a partir das 15h30 do dia 19 de dezembro. Além das autoridades convidadas pelo Cerimonial da ALBA, também estão convidados os jequieense que moram em Salvador e os que se interessam pelas histórias de Jequié, Maracás, Ituaçu, Tanhaçu, Ipiaú, Itagibá e Boa Nova,  palcos dos episódios que envolveram as lutas entre facções políticas. A narrativa aborda acontecimentos ocorridos a partir de 1896 a 1917, acrescidos de anotações da imprensa da época, além de relatos ficcionais.

O livro, editado e produzido pela ALBA CULTURAL, através dos editores Paulo Bina e Délio Pinheiro, com projeto gráfico e execução de Bira Paim e capa de Lula Martins, será adquirido mediante doação de produtos de higiene pessoal que serão cedidos à campanha natalina do Instituto Assembleia de Carinho, presidida por Eleusa Coronel. Cerca de 400 exemplares foram disponibilizados para este fim.

DONA DETINHA LOMANTO. MISSA DE 7º DIA

A família Lomanto, ainda consternada com o falecimento de sua expressiva e amorável matriarca, convida para a missa de sétimo dia em sufrágio pela alma de Hildete Britto Lomanto. A todos agradece pelo ato de solidariedade e fé cristã.