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OPINIÃO

Por Erick Brêtas*

“Se você analisa as delações da JBS, as da Odebrecht e as das demais empreiteiras, a conclusão é mais ou menos a seguinte:

O Brasil foi dividido entre cinco grandes quadrilhas nas últimas duas décadas.

A maior e mais perigosa, diferentemente do que diz o Joesley, era a do PT: mais estruturada, mais agressiva, mais eficiente e com os planos mais sólidos de perpetuação no poder. Comandava a Petrobras, os maiores fundos de pensão e dividia o poder com as quadrilhas do PMDB nos bancos públicos. Sua maior aliada econômica (mas não a única) foi a Odebrecht. O chefão supremo, o cappo di tutti i cappi, era o Lula. Palocci e Mantega, os operadores econômicos. José Dirceu, até ser defenestrado, o consigliere. Politicamente equivalia ao Comando Vermelho: pra se manter na presidência era capaz de fazer o Diabo.

A segunda maior era a do PMDB da Câmara. Seus principais chefões eram Temer e Eduardo Cunha. Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves eram os subchefes. Lúcio Funaro era o operador financeiro. Mandava no FI-FGTS, em diretorias da Caixa Econômica, em fundos de pensão e no ministério da Agricultura. Por causa do controle desse último órgão, tinha tanta influência na JBS. Era o ADA dos políticos — ou seja, mais entranhada nos esquemas do poder tradicional e mais disposta a acordos e partilhas.

A terceira era o PMDB do Senado. Seu chefão era Renan Calheiros. Seu guru e presidente honorário, José Sarney. Edison Lobão, Jader Barbalho e Eunício Oliveira eram outras figuras de proa. Mandava nas empresas da área de energia e tinha influência nos fundos de pensão e empreiteiras que atuavam no setor. Por divergências sobre o rateio da propina, vivia às turras com a quadrilha do PMDB na Câmara, que era maior e mais organizada. Esta facção tem ainda a simbólica figura de Romero Jucá, que circula entre todos os grupos listados nesse texto como uma espécie de cimento que os une e protege (“delimita tudo como está, estanca a sangria.”).

A quarta era o PSDB paulista, cuja figura de maior expressão era o Serra. Tinha grande independência das quadrilhas de PT e PMDB porque o governo de São Paulo era terreno fértil em licitações e obras. A empresa mais próxima do grupo era a Andrade Gutierrez, mas também foi financiada por esquemas com Alstom e Odebrecht.

A quinta e última era o PSDB de Minas — ou, para ser mas preciso, o PSDB do Aécio. Era uma quadrilha paroquial, com raio de ação mais restrito, mas ainda assim mandava em Furnas e usava a Cemig como operadora de esquemas nacionais, como o consórcio da hidrelétrica do Rio Madeira.

Em torno dessas “big five” flutuavam bandos menores, mas nem por isso menos agressivos em sua rapinagem — como o PR, que dava as cartas no setor de Transportes, o PSD do Kassab, que controlou o ministério das Cidades no governo Dilma, o PP, que compartilhava a Petrobras com o PT, e o consórcio PRB-Igreja Universal, que tinha interesses na área de Esportes.

Havia também os bandos regionais, que atuavam com maior ou menor grau de independência. O PMDB do Rio e seu inacreditável comandante Sérgio Cabral, por exemplo, chegaram a ser mais poderosos que os grupos nacionais. Fernando Pimentel liderava uma subquadrilha petista em Minas. O PT baiano também tinha voo próprio, embora muito conectado ao esquema nacional. Os grupos locais se diferenciavam das quadrilhas tucanas pelas aspirações e influência mais restritas aos territórios que governavam.

Por fim, vinham parlamentares e outros políticos do Centrão, negociados de maneira transacional no varejo: uma emenda aqui, um caixa 2 ali, uma secretaria acolá. Esses grupos se acoplavam ao poderoso de turno e a suas ideologias: de FHC a Lula, de Dilma a Temer. O neoliberal de anteontem era o nacionalista de ontem, o reformista de hoje e o que estiver na moda amanhã.

Digo tudo isso não para reduzir a importância do PT e o protagonismo do Lula nos crimes que foram cometidos contra o Brasil. Lula tem de ser preso e o PT tem que ser reduzido ao tamanho de um PSTU.

Mas ninguém pode dizer que é contra a corrupção se tolerar as quadrilhas do PMDB ou do PSDB em nome da “estabilidade”, “das reformas” ou de qualquer outra tábua de salvação que esses bandidos jogam para si mesmos.

E que ninguém superestime as rivalidades existentes entre esses cinco grupos. Em nome da própria sobrevivência eles são capazes de qualquer tipo de acordo ou acomodação e farão de tudo para obstruir a Lava Jato.”

* Diretor de mídias digitais da Globo: via Aninha Franco em página do Facebook

POLICIA FEDERAL ENVIA AO MPF INQUÉRITO SOBRE EMPRESA DE PALESTRAS DE LULA

Lula palestrabte

SÃO PAULO — O Ministério Público Federal (MPF) apertou o cerco nas investigações relacionadas ao ex-presidente Lula na Operação Lava-Jato. Empresas, bancos e entidades de classe que fizeram pagamentos à L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações – aberta em 2011, após deixar o governo – estão sendo oficiadas a apresentar comprovantes dos pagamentos e da realização das palestras proferidas pelo ex-presidente.

A Polícia Federal encaminhou para a força-tarefa do Ministério Público Federal o inquérito que apura crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro supostamente praticados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva através desta empresa.

As suspeitas são que os pagamentos feitos por palestras realizadas pelo petista, no Brasil e em países das Américas Latina e Central e África possam ter ocultado propinas. Na quinta-feira, 8, o delegado Dante Pegoraro Lemos assumiu o inquérito e o encaminhou para os procuradores da Lava Jato, em Curitiba. O procedimento criminal será acrescido das delações premiadas do executivos da Odebrecht, uma das empreiteiras do cartel que fatiava obras na Petrobrás que pagou pelas palestras de Lula. O inquérito era conduzido pelo delegado Márcio Anselmo, que iniciou as apurações da Lava Jato, e que no início do ano foi transferido para Vitória, no Espírito Santo. No dia 23 de março, ao deixar a condução do inquérito, o delegado escreveu em despacho que as investigações foram instauradas para apurar possíveis crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, apís quebra de sigilo fiscal bancário, que “aponta recebimento de valores das empresas investigadas no âmbito da Operação Lavajato (Odebrecht, Camargp Corrêa, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS) por parte da empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações Ltda. em valores que alcançam R$ 9.338.658,75”. Criada para que o ex-presidente pudesse dar palestras, a LILS movimentou entre 2011 e 2015 um total de R$ 52,3 milhões. Foram R$ 27 milhõesrecebidos, a maior parte de empreiteiras e grandes empresas, e R$ 25,2 milhões em débitos. Na ocasião, Anselmo sugeriu que o novo responsável pelo inquérito aguardasse “as informações prestadas pelos colaboradores relacionados aos fatos sob investigação” ou que fosse solicitado ao Supremo Tribunal Federal o “compartilhamento das informações” da mega delação da Odebrecht homologada em janeiro.

Leia mais  https://oglobo.globo.com/brasil/mpf-exige-de-empresas-provas-de-que-lula-deu-palestras 18763467#ixzz4jthUFHy4

CIPE CENTRAL AGORA TEM TORRE DE TREINAMENTO EM SUA SEDE

Ambientação da torre de treinamento da CIPE concluída neste sábado, 03

A sede da CIPE CENTRAL localizada no bairro Jequiezinho, passou a contar a partir deste sábado, 3, de uma torre destinado à preparação da tropa para abordagens verticais e trabalhos em altura. Em mensagem postada nas redes sociais, o Major PM Fábio Rodrigo, comandante da unidade destaca que o equipamento além de sua utilidade prática passa a representar um marco na identificação visual corporação militar.

Tráfico de drogas

Em ação no distrito de Itajuru, município de Jequié, uma guarnição da CIPE CENTRAL recebeu informe através do app Whatsapp de que um ex-presidiário conhecido pela alcunha de “Ipiaú”,  estava traficando drogas naquela localidade rural. Ao chegarem no local, os policiais identificaram e abordaram Elivelton Rodrigues Moreira, 34 anos, que indicou uma casa de sua propriedade na Rua Dois de Julho, onde foram encontradas, 37 balas de maconha, pesando cerca de 150 g, 02 tabletes prensados com 675,40g de maconha, 80g de crack , 12,40g de cocaína,  05 sacos de maconha in natura, 01 balança de precisão, R$ 114,50 em espécie, 01 corrente prateada, 01 canivete e 01 par de óculos pretos marca Chillibeans. O suspeito e o material apreendido foram apresentados na Delegacia de Policia de Jequié.

MP PEDE PRISÃO DE LULA E PAGAMENTO DE MULTAS DE R$ 87 MILHÕES

Lula trocou apoio ideológico por compra da base, diz Lava Jato ao pedir prisão de petista

No primeiro pedido de condenação – com pena de prisão – do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirmou que o governo petista trocou a busca de apoio político por “alinhamento ideológico” pela compra de “apoio parlamentar de outros políticos e partidos” para permanecer no poder. A Procuradoria da República pediu em alegações finais no processo do triplex do Guarujá (SP), nesta sexta-feira, 2, a condenação de Lula, por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção, no esquema de cartel e propinas descoberto na Petrobrás. “Em vez de buscar apoio político por intermédio do alinhamento ideológico, Lula comandou a formação de um esquema criminoso de desvio de recursos públicos destinados a comprar apoio parlamentar de outros políticos e partidos, enriquecer ilicitamente os envolvidos e financiar caras campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores em prol de uma permanência no poder assentada em recursos públicos desviados”, afirma o Ministério Público Federal. O documento foi entregue ao juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Lava Jato em primeira instância, em Curitiba.

Será o primeiro processo criminal contra Lula a ser julgado na 13ª Vara Federal, na capital paranaense – origem do escândalo Petrobrás, que derrubou a ex-presidente Dilma Rousseff, de forma indireta, e colocou o ex-presidente no banco dos réus. Nas alegações finais do processo, a força-tarefa afirma ainda que Lula subverteu a prática de distribuição de cargos no governo entre partidos da base por alinhamento político. “A motivação da distribuição de altos cargos na Administração Pública Federal excedeu a simples disposição de cargos estratégicos a agremiações políticas alinhadas ao plano de governo. Ela passou a visar à geração e à arrecadação de propina em contratos públicos.” Em três anos de Lava Jato, a força-tarefa mapeou pelo menos R$ 40 bilhões de desvios, dos quais R$ 6,2 bilhões para pagamentos de propinas para agentes públicos e seus padrinhos políticos, em especial do PT, PMDB e PP – que comandavam as três diretorias estratégicas da estatal, Serviços, Internacional e Abastecimento, respectivamente.

Procuradoria quer regime fechado para Lula no caso tríplex

A Procuradoria da República pediu, em alegações finais, nesta sexta-feira, 2, a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em regime fechado na ação penal do caso triplex. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção pela força-tarefa da Lava Jato, que atribui ao ex-presidente o papel de ‘comandante máximo do esquema de corrupção’ identificado na operação. A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao suposto recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do triplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016. Alegações finais são a parte derradeira do processo, em que o Ministério Público, que acusa, e as defesas apresentam suas argumentações e pedidos a serem considerados pelo juízo. O documento tem 334 páginas. Além de Lula, são réus os empreiteiros José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, da OAS, os executivos da empresa Agenor Franklin Martins, Paulo Gordilho, Fábio Yonamine, Roberto Ferreira e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. “Em decorrência do quantum de pena a ser fixado aos réus Luiz Inácio Lula da Silva, José Adelmário Pinheiro Filho, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Paulo Roberto Valente Gordilho, Fábio Hori Yonamine, Roberto Moreira Ferreira e Paulo Okamotto, requer-se seja determinado o regime fechado como o regime inicial de cumprimento da pena”, pede a força-tarefa da Lava Jato.

(Fonte: Política Livre)

DÓRIA OBTÉM NOVA VITÓRIA NA LUTA CONTRA O CRACK E JUSTIÇA AUTORIZA INTERNAÇÕES À FORÇA

Só quem conhece a realidade da rua Sta Ifigênia e adjacências no centro de São Paulo, pode avaliar a degradação da horda de viciados que vivem naquelas artérias da cidade.

São Paulo – A Justiça autorizou o município de São Paulo a efetuar internações à força de usuários de crack. É mais uma vitória parcial do prefeito João Dória Júnior na luta contra o ‘crack’, uma droga avassaladora e de difícil tratamento, que nunca nenhuma autoridade ousou enfrentar.

O primeiro grande trunfo nesta luta árdua foi o fim da ‘cracolândia’ e devolução da área ao povo paulistano.

Enfrentando ferrenha oposição de movimentos de esquerda e dos defensores de ‘direitos humanos’, o prefeito conseguiu ordem judicial para que num período definido de 30 dias, agentes sociais e de saúde e guardas-civis, possam retirar à força os usuários das ruas para uma avaliação de psiquiatras e médicos e posterior de um juiz. Esse tipo de abordagem não era permitido e sempre deverá ser individualizada e feita só a maiores de 18 anos.

Entidades defensoras de direitos humanos, defensoria pública, Ministério Público e o próprio CREMESP (Conselho Regional de Medicina de Estado de São Paulo) estão contra a atuação da prefeitura. Da mesma forma como se agregaram para as permissividades que complementou a Constituição de 1988, enchendo-a de penduricalhos que acabou prejudicando o funcionamento da nação brasileira com paternalismos, cota disso, cota daquilo…

Agora, no episódio da “Cracolândia”, esses órgãos estão encarando a internação compulsória como uma prisão e alegam que o usuário de drogas não é criminoso. Preferem ignorar o fato de que o viciado sequer admite tratamento para livrá-lo da dependência. Que é necessário uma iniciativa, um movimento externo para determinar o começo do tratamento. Enquanto isso, a sociedade, a família, a nação vem se degradando com o crescimentos de legiões de drogados, com o fortalecimento do comércio de droga que alimenta o tráfico, tendo como consequência o crescimento vertiginoso da violência, que já chegou a todo o país, inclusive nas pequenas cidades do interior do Brasil.

Mesmo diante do quadro, a esquerda, que domina algumas dessas entidades, considera um erro o extermínio da ‘Cracolândia’. O Conselho Regional de  Medicina do Estado de São Paulo, por exemplo, promete instaurar procedimento administrativo contra os médicos que realizarem a internação na forma planejada pelo prefeito de São Paulo, João Dória.

Com tanta gente defendendo os ‘craqueiros’ e, por consequência’ protegendo traficantes, não é sem razão que o número de viciados vinha aumentando de maneira assustadora em São Paulo e em todo o país.

POLÍCIA FEDERAL APREENDE NA CASA DE AÉCIO COMPROVANTES DE DEPÓSITOS IDENTIFICADOS COMO ‘CX 2’

Carolina Brígido (OGlobo)

Senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) – Jorge William / Agência O Globo

BRASÍLIA – A Polícia Federal apreendeu no apartamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) uma série de papéis e objetos – entre eles, “diversos documentos acondicionados em saco plástico transparente, dentre eles um papel azul com senhas, diversos comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição “cx 2”, conforme indica ao relatório dos investigadores enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A operação foi realizada em 18 de maio no apartamento que o parlamentar mantém na Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro. Na ocasião, também foram levados 15 quadros e uma escultura, classificados pela PF como obras de arte.

Também foi apreendido na residência do senador um aparelho bloqueador de sinal telefônico, um telefone celular e um pen drive. No mesmo dia, outra operação de busca e apreensão foi realizada no gabinete de Aécio no Senado, onde foram encontrados outros documentos. Foi apreendida “uma pasta transparente contendo cópias da agenda de 2016 onde verifica-se agendamento com Joesley Batista”. Também foram retiradas do local “folhas impressas contendo planilhas com indicações para cargos federais, com remuneração e direcionamento em qual partido político pertence ou foi indicado”.

A Polícia Federal  encontrou no gabinete de Aécio “folhas impressas no idioma aparentemente alemão, relativo a Norbert Muller”. De acordo com outras investigações, Muller era um doleiro especializado em abrir contas no exterior para políticos.

Encontrou também, segundo O Globo, uma “folha manuscrita contendo dados de CNO (Construtora Norberto Odebrecht)” e um “caderno utilizado para realizar agendamentos, tendo presente Joesley Batista”, também de acordo com o relatório produzido pelos investigadores. Num outro papel manuscrito havia anotações citando “ministro Marcelo Dantas”, em possível alusão ao ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), investigado no STF por tentativa de obstruir as investigações da Lava-Jato. Havia no gabinete também “folhas manuscritas contendo correlação entre inquérito e termos de colaboração”.

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SE TEMER CAIR, QUEM ASSUME?

Temer cabisbaixo: o sonho do PMDB acabou?

Após a revelação do jornal O GLOBO que Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, gravou o presidente do Brasil, Michel Temer dando aval à compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha, dúvidas sobre quem assume caso o chefe de governo seja afastado circulam na internet. Entenda o que acontece se for confirmado seu afastamento:

Caso Temer seja afastado, seu sucessor imediato será o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Se o presidente for considerado culpado, ele deixa o cargo definitivamente, e, segundo a Constituição, devem ser realizadas eleições indiretas, nas quais os parlamentares escolhem o novo presidente. A votação para escolha do possível sucessor de Temer deve ser feita até 30 dias após a saída do presidente do poder. O mesmo acontece se Temer decidir renunciar ao seu mandato.

Se as graves revelações sobre Temer fossem reveladas antes do seu mandato completar dois anos — ou seja, antes de dezembro de 2016 —, as eleições seriam diretas, por voto popular, noventa dias após seu suposto afastamento.

— Ninguém sabe como seria uma eleição indireta na prática. Primeiro porque não está claro quem poderiam ser os candidatos. Segundo por que, a julgar pelo modo espúrio como os congressistas votaram até hoje, é de se imaginar que faltaria legitimidade para que eles definissem o próximo presidente — disse o jurista André Tavares, da Universidade de São Paulo. — A saída talvez estivesse em o Congresso aprovar algum dos projetos de emenda constitucional que tramitam na casa pedindo eleições diretas imediatas.

Porém, a proposta de eleições diretas imediatas precisaria ser aprovada em dois turnos por três quintos dos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

O fato concreto é que um período de incerteza e instabilidade políticas se aproxima. A luz das novas evidências reveladas nesta quarta feira (17), pelo dono da JBS, Joesley Batista, com graves insinuações e acusações acentuadas nas gravações em que o presidente Temer dá o aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, coloca o presidente Temer em situação constrangedora e, aparentemente, sem saída.

A defesa de Temer questiona a autenticidade da gravação, embora já esteja em curso um pedido de impeachment protocolado pelo deputado federal Alessandro Moron (Rede-RJ), podendo ser aberto o processo que pede a sua deposição.

Na hipótese de Maia também for também deposto, a presidência ficará novamente vaga e será então ocupada pelo presidente do Senado Federal, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Por fim, num improvável cenário em que o cargo fique mais uma vez sem ocupante, o presidente do Supremo Tribunal Federal se torna o presidente da república: a ministra Cármen Lúcia.

Ainda é importante salientar que, nesta sucessão, os ocupantes não terminariam o mandato de seus antecessores. Os sucessores assumiriam provisoriamente. Segundo a Constituição, caso os cargos de presidente e vice fiquem vagos nos dois primeiros anos do mandato, uma eleição direta é realizada no prazo de 90. Se ambas as vacâncias ocorrerem nos últimos dois anos, atual possível cenário, o Congresso Nacional deve realizar uma eleição indireta dentro de 30 para eleger o novo presidente e vice. O eleito ocuparia o cargo até o fim do mandato, ou seja, até janeiro de 2019.

A DECOMPOSIÇÃO DA CARNE POLÍTICA

 Via Aninha Franco* publicado em O Globo, 21 de maio de 2017,  autoria de Dorrit Harazim**

 

 

Das 400 palavras do pronunciamento de Michel Temer que deixaram um Brasil inteiro em suspense na tarde de quinta-feira, o presidente poderia ter economizado 398, e proclamado seu “Não renunciarei” uma única vez.

A frase repetida em falsetto estridente, e que puxou aplausos desesperados, já tem lugar de desonra na história.

Por depender de novos desdobramentos, impasses, temperatura da rua e avalanche de mais revelações, Michel Temer tornou-se o centro de um desgoverno.

Mesmo que não houvesse os fatos e fotos, fitas gravadas e transcrições da delação de Joesley Batista, ofende a inteligência de qualquer cidadão a forma caritativa como o presidente admitiu, en passant, ter tido o radioativo encontro com um empresário já então na mira de pelo menos cinco investigações policiais.

“Realmente ouvi o relato de um empresário, que por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar”, mencionou Temer no discurso. Como o melhor desinfetante contra mau juízo é a transparência, tivesse o presidente recebido Joesley no Palácio do Planalto, pela porta da frente, nome na agenda e horário de expediente normal, talvez ele mesmo teria mantido a cautela de raposa brasiliense que veste como segunda pele.

Mas o presidente recebeu o visitante na calada de uma noite de março em sua residência, fora de agenda e sem registro, apesar do empresário da JBS ter se tornado notoriamente contagioso nos últimos tempos.

Sem falar que o “ex-deputado” necessitado de “auxílio” não era um qualquer entre os 513 parlamentares do país, e sim o ainda e sempre ardiloso Eduardo Cunha, preso em Curitiba, condenado a 15 anos e quatro meses pelo juiz Sergio Moro.

Mesmo que a gravação liberada pelo Supremo Tribunal Federal tenha trechos inaudíveis, e que aliados palacianos se apeguem à esperança da fita ter sido submetida a uma montagem para incriminar Temer, nenhuma edição conspiratória conseguiria apagar o fato de o presidente ter ouvido o relato coloquial de uma série de façanhas de corrupção ativa — Joesley comentou ter pago propina a um procurador da República, ter “controlado” dois juízes federais para obter informações sigilosas. Entre outros.

Não ocorreu ao chefe da nação interromper nem expulsar o interlocutor. Ainda menos, informar a Justiça do ocorrido, no dia seguinte. Talvez por serem temas já tão enraizados na intimidade, rotina, necessidade e sobrevivência dos dois protagonistas.

Poucas horas após o ensaio de não-renúncia de Temer, e com o país à deriva diante da decomposição de sua carne política, Joesley Batista achou oportuno divulgar um pedido de desculpas corporativo em nome do grupo do qual é um dos donos, e que tem 270 mil funcionários espalhados em mais de 20 países.

O texto de 215 palavras é asqueroso.

Teria sido melhor Joesley ter permanecido quieto em Nova York, para onde embarcara em seu jato particular uma semana antes de o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, destampar a cloaca contendo sua delação-bomba.

O empresário de 45 anos, imune, livre, dispensado do uso de tornezeleira eletrônica, e com a fortuna bilionária pouco arranhada graças a um acordo de leniência excepcionalmente fraternal, talvez imaginou poder limpar a imagem em nove parágrafos.

Ele começa seu texto com o surrado e protocolar “Erramos e pedimos desculpas”, formatado por causídicos de corruptores corporativos. Não especifica a quem estas desculpas são dirigidas, embora devessem sê-la ao povo brasileiro, simples assim.

Mas como no Brasil equilibrista de hoje a palavra “povo” soa arriscada a muitos ouvidos, a nota da JBS poderia ter endereçado o pedido de desculpas pelo menos “aos brasileiros”. Nem isso. Ficou em aberto.

De todo modo, as desculpas não seriam aceitas, por insinceras.

Joesley diz não ter podido honrar os valores de sua empresa pois “teve de interagir, em diversos momentos, com o poder público brasileiro”.

Isso lá é maneira de resumir uma alavancagem de dinheiro barato junto a bancos públicos nacionais que fizeram o grupo dar um salto de R$ 4 bilhões para R$ 160 bilhões em uma década? Ou de qualificar a farta distribuição de dinheiro político que fez do grupo um dos maiores financiadores de campanhas do país e uma das joias empresariais dos governos Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer?

“Em outros países fora do Brasil fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos”, escreveu ainda o empresário, cujo grupo opera 55 fábricas nos Estados Unidos.

A mesma equação pode ser vista de outro ângulo: se empresários vorazes como os do grupo JBS respeitassem nosso país como respeitam (e temem) a legislação de outros países, é o Brasil que seria capaz de expaèndir negócios com menos transgressões. E dar uma chance à construção de uma sociedade melhor.

Oportunidades para começar não faltam, e seria bom começar logo. Antes que o país se confunda com a “Ópera dos três vinténs”, sátira de Brecht e Kurt Weill, na qual “o homem, para sobreviver, tem de suprimir a humanidade e explorar seu semelhante”.

* Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

**Dorrit Harazim é uma jornalista e documentarista nascida na Croácia, trabalhou na revista semanal L’Express em Paris, depois na revista Veja, Jornal do Brasil e atualmente escreve artigos semanais para O Globo.

SENADORES DO PSD APOIAM IMPEACHMENT DE TEMER, DIZ OTTO ALENCAR

Senador Otto Alencar: “Tempos bicudos virão” – Foto: Ana Volpe – Agência Estado

Integrante de um partido da base de apoio do presidente Michel Temer (PMDB), o senador Otto Alencar declarou, logo após o peemedebista recusar renunciar ao mandato, que os cinco senadores do partido são favoráveis ao impeachment. Comandante estadual da sigla, ele ainda garantiu que os quatro deputados baianos da legenda também apoiam a iniciativa.

No entanto, Otto admite dificuldade na aprovação do pedido. “Para instalar a comissão de impeachment, teria que ter acordo entre as duas casas, Câmara e Senado, mas Rodrigo Maia e Eunício Oliveira estão na delação e não vão querer. A cúpula do comando político em Brasília está comprometida. Todos querem se defender”, afirmou.

Ainda na manhã desta quinta-feira (18), o senador sugeriu que os parlamentares favoráveis à saída de Temer pressionassem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, a antecipar o julgamento da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer para segunda ou terça da próxima semana. “O caminho mais rápido seria esse, mas ele, o ministro Gilmar está na Rússia”, ponderou.

Em relação ao colega de parlamento, Aécio Neves (PSDB-MG), alvo de uma operação da Polícia Federal que prendeu a sua irmã e o seu primo, por supostamente receber propina da JBS, para Otto Alencar, a perda do mandato é questão de dias. “Aécio não tem jeito. As gravações são gravíssimas. Tem obstrução da justiça… Delcídio do Amaral foi cassado rapidamente… Primeiro, Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, não determinou a prisão, porque diabos eu não sei. Se desse, teria que vir para o plenário do Senado votar”, disse.

O senador ainda previu que “tempos bicudos” virão. “Triste Brasil, pobre Brasil. O nosso país não merece políticos tão incapazes, sem compromisso com a verdade. Brasília sofre de uma corrupção endêmica que virou quase prática normal. O dinheiro saiu pelo ralo e deu essa situação: dólar subindo, Bolsa caindo, arrecadação menor e o reflexo vai ser nos estados e municípios. Governadores e prefeitos vão passar momentos dificílimos agora, e a população também”, opinou.

EM PRONUNCIAMENTO, MICHEL TEMER DIZ QUE NÃO RENUNCIA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

O presidente Michel Temer (PMDB) anunciou em pronunciamento na tarde desta quinta-feira que não vai renunciar à presidência da República. “Não renunciarei. Sei o que fiz”, afirmou Temer, afastando a hipótese de deixar o cargo.
“No Supremo, mostrarei que não tenho nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade e de dúvida não pode persistir por muito tempo”, afirmou durante sua fala que durou quase 10 minutos.
Temer teria sido gravado dando aval ao presidente da JBS, Joerley Batista, para fazer o pagamento de mesada ao deputado cassado Eduardo Cunha, preso em Curitiba. “Tem que manter isso aí”, disse Temer ao ser comunicado pelo dono da JBS, Joerley Batista, da situação usada para garantir o silêncio dele.
Ainda de acordo o presidente, que usou um tom de voz mais firme, esta semana conseguiu reunir o melhor e o pior de seu governo até o momento. Ele citou números que demostrariam que a economia estava voltando a caminhar e ainda destacou a tramitação das reformas no Congresso. “Mas ontem, conversas gravadas clandestinamente trouxeram de volta o fantasma da crise política. E todo o esforço de tirar o país da crise pode se tornar inútil”, disse.
Michel Temer ainda exigiu investigação rápida sobre as denúncias de que teria dado aval para pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para que ficasse calado na Operação Lava-Jato.
De acordo com Michel Temer, o Supremo Tribunal Federal (STF) será o “território” em que as explicações surgirão. Nesta quinta-feira, o ministro Edson Fachin autorizou a abertura de inquérito contra o presidente, a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).
Denúncia
Ainda nas gravações – feitas pelos donos da JBS, Joesley Batista e o irmão, Wesley -, Temer teria indicado o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver questões da empresa J&F e, logo depois, foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil.
De acordo com o site do jornal O Globo, ontem, pela primeira vez foram feitas “ações controladas”. Foram sete ao todo, que resultaram em gravações e flagrantes. A investigação chegou a marcar as cédulas usadas para pagamento das propinas e chips de rastreamento nas malas.

Assista o pronunciamento do presidente Michel Temer:

Veja o vídeo