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TEMER DECRETA INTERVENÇÃO NA SEGURANÇA DO RIO E MINEIRO VAI ASSUMIR O COMANDO

Presente em solenidade, governador Luiz Fernando Pezão reconheceu que as polícias Militar e Civil não conseguem vencer a guerra de facções

O presidente Michel Temer decidiu no início da madrugada desta sexta-feira, 16, decretar intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. O Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado, inclusive com poder de prisão de seus membros. O interventor será o general mineiro Walter Braga Neto. Na prática, o oficial vai substituir o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na área de segurança. A decisão do governo federal contou com o aval de Pezão.

O interventor do Rio é nascido em Belo Horizonte e comandou, desde setembro de 2016, o Comando Militar do Leste (CML), responsável por Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Ao longo de sua carreira, comandou o 1º Regimento de Carros de Combate e foi chefe do Estado-Maior da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e do Comando Militar do Oeste.

Braga Netto atuou como Coordenador-Geral da Assessoria Especial para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do CML durante os Jogos Rio 2016. Antes de assumir o CML era comandante da 1ª Região Militar (Região Marechal Hermes da Fonseca). Ele possui 23 condecorações nacionais e quatro estrangeiras.

Pela Constituição, cabe ao presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), convocar sessão para que as duas Casas Legislativas aprovem ou rejeitem a intervenção em dez dias. O decreto, que será publicado ainda nesta sexta-feira, tem validade imediata.

Enquanto a intervenção vigorar, não pode haver alteração na Constituição. Ou seja, nenhuma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pode ser aprovada. É o caso da reforma da Previdência, que começa a ser discutida na segunda-feira pela Câmara. Uma ideia é decretar a intervenção e suspender seus efeitos apenas por um dia, para a votação das mudanças nas regras da aposentadoria.

A decisão pela intervenção foi tomada em uma reunião tensa no Palácio da Alvorada, com a presença de ministros e parlamentares. No mesmo encontro, Temer bateu o martelo sobre a decisão de criar o Ministério da Segurança Pública. A proposta partiu do presidente do Senado. Não se trata de uma ideia nova, mas ela foi desengavetada agora pelo Palácio do Planalto na tentativa de emplacar uma agenda popular, a sete meses e meio das eleições.

Pesquisas encomendadas pelo Planalto mostram que a segurança é uma das principais preocupações da população, ao lado da saúde. Na avaliação de auxiliares de Temer, as iniciativas de decretar a intervenção na segurança pública do Rio e de criar um ministério para cuidar da área passam a imagem de que o governo federal não está inerte e age para enfrentar o problema, embora a competência no setor seja dos Estados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), precisou ser convencido da decisão pela intervenção. O deputado se queixou de que não foi convidado a participar de reuniões sobre a crise na segurança desde o início da crise e demonstrou irritação com o ministro da Justiça, Torquato Jardim. Inicialmente contra a intervenção no Rio, o deputado foi avisado de que seria responsabilizado publicamente pela crise na segurança do Estado, e acabou cedendo. Durante o encontro, a situação vivida no Rio foi comparada a uma “guerra civil”.

A intervenção é prevista no artigo 34 da Constituição, segundo o qual “a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para manter a integridade nacional”. O artigo 60, parágrafo primeiro, diz que “a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”.

Por Isabella Souto www.em.com.br

 

JEQUIÉ DEFLAGRA CAMPANHA PARA DUPLICAR PISTAS NA EXTENSÃO DA SERRA DO MUTUM

Cartazes estão sendo distribuídos pelas redes sociais e locais fixos grande visibilidade

O trecho localizado entre os municípios de Jaguaquara e Jequié, na BR-116 tem revelado, ao longo do tempo, como uma das maiores concentrações de acidentes graves da região, inclusive com incidência de mortes trágicas. 

Muitas vidas foram ceifadas no percurso da fatídica serra, nos dois sentidos. A longa extensão da ladeira, cerca de 8 km, bem como o traçado do trecho, com cortes em volumosas pedras e o número de precipícios em ambos os lados, têm contribuído para o aumento significativo do índice de acidentes no trecho.

Cada vez que acontece um acidente grave, em grandes proporções, que geram vítimas originárias de vários estados, ou mesmo de habitantes da região, tem causado dor e comoção aos moradores de Jequié e de outras cidades da região.

Quando do processo licitatório para privatização do trecho da BR-116 compreendido entre a divisa de Minas Gerais com o estado da Bahia até a cidade de Feira de Santana, na Bahia, o vencedor, a empresa Via Bahia, concessionária que administra a rodovia, se comprometeu em breve espaço de tempo, a duplicar o trecho concedido, em toda sua extensão. Para tanto, instalou imediatamente grande quantidade de postos de pedágio para arrecadação, representando significativo volume de receita para começar a cobrir os investimentos acordados.

Pois bem. Até agora, somente o trecho de 70 km entre Feira e a ponte sobre o Rio Paraguassu sofreu alguma intervenção, ainda assim, de forma lenta e precária.

Apesar da lentidão, a arrecadação prosseguiu no mesmo ritmo em que o fluxo de automóveis e caminhões vem sendo incrementado no trecho. Pelo cronograma, a duplicação de importante quantidade de quilômetros da rodovia sob a responsabilidade da Via Bahia já deveria ter sido resolvida e muitas vidas poupadas, se a administradora deste trecho da BR já tivesse concluído a obra de duplicação combinada.

 Audiências públicas promovidas por políticos de Jequié chagaram a acontecer na Câmara de vereadores, mas a duplicação não saiu do papel, enquanto isso, são recorrentes os acidentes fatais, em sua maioria.

Circularam notícias, infelizmente não confirmadas, que teria havido uma reunião entre o Superintendente da Policia Rodoviária Federal, Virgílio de Paula Tourinho Neto, representantes do Ministério público, representantes da concessionária Via Bahia e de segmentos da sociedade regional. Não se sabe se houve realmente o encontro ou o que ficou resolvido acerca do problema que já tem contornos de tragédia em Jequié e em toda a região.

Cansados de esperar, o vereador Gutinha e mais um grande número de jequieenses,  lançaram uma campanha nas redes sociais a fim de chamar a atenção das autoridades para a necessidade da obra de duplicação da BR-116 no trecho Jaguaquara/Jequié em caráter de urgência.

Nesse sentido, também os poetas se manifestaram em suas várias linguagens culturais. Destacamos um trecho do poema/protesto do poeta e artista plástico Dimas Lélis, para ilustrar o tema.

Serra do Mutum

Por Dimas Lélis (08.02.2018)

Serra de dentes afiados

Que cortam vidas e sonhos

Serra do Mutum

Serrote velho de fio novo

Que ceifa árvores de frutos bons

Serra do Mutum:

Lá corta

Lá Serra

Lá Mata

Serra do Mutum: Cerca de oito quilômetros de grande incidência de acidentes com vítimas fatais

NA LAVA JATO, 13 RÉUS JÁ TIVERAM PENAS EM SEGUNDO GRAU EXECUTADAS

O primeiro foi Luiz Argolo (PP/BA) – Foto: Gustavo Lima – Câmara dos Deputados.

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), que condenou em segundo grau o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 24 de janeiro, determinou desde o início da Operação Lava Jato o envio dos processos para Curitiba para execução das penas de 13 réus condenados pelo juiz federal Sérgio Moro, que recorreram à Corte. O primeiro político da Lava Jato a ter sua pena executada foi o ex-deputado Luiz Argôlo (ex-PP-BA) – atualmente preso na Bahia. Dos 13 réus que tiveram suas penas executadas em segunda instância, quatro estavam soltos no momento em que Moro determinou o cumprimento da sentença do Tribunal e remeteu o caso para a 12.ª Vara Federal, responsável pelos processos de execução da pena. Foram presos o executivo Agenor Medeiros, da OAS, o ‘laranja’ Waldomiro de Oliveira, que trabalhava para o doleiro Alberto Youssef, o empresário Marcio Bonilho e o agente afastado da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho. A 8.ª Turma Penal do TRF-4, de Porto Alegre, julgou desde 2014 – início da Lava Jato – 24 apelações contra sentenças do magistrado da primeira instância, em Curitiba. Até o momento, 110 réus, alguns alvos de mais de um processo, foram julgados pelo Tribunal. Um total de 14 apelações estão pendentes de julgamento de recursos finais – embargos de declaração ou infringentes. A última apelação analisada pela Corte condenou por unanimidade o ex-presidente Lula no caso tríplex do Guarujá (SP). O Tribunal aumentou a pena do petista para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado (veja aqui). O revés por 3 votos a 0 permitiu ao petista o direito a apenas um recurso na segunda instância, os embargos de declaração. A defesa do ex-presidente poderá entrar com o recurso em até 12 dias depois da publicação do acórdão do julgamento – o que ainda não ocorreu. Quando os recursos de Lula se esgotarem perante a Corte, o juiz Moro, responsável por ordenar a execução penal, poderá determinar a prisão do petista. Desde fevereiro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) admite a execução da pena em 2.ª instância. Em um julgamento que terminou com o placar de 7 votos a 4, os ministros decidiram que o réu condenado pode ser preso depois de confirmada a sentença do juiz de primeiro grau por um Tribunal. Antes desta decisão, os condenados tinham o direito de recorrer da sentença em liberdade até que não houvesse possibilidade de novo recurso. O mesmo entendimento está consolidado na Súmula 122, publicada pelo Tribunal da 4.ª Região em 16 de dezembro de 2016. Na ocasião, a Corte analisou um processo sobre tráfico internacional de drogas e previu que condenados pelo segundo grau judicial, independentemente de eventuais recursos aos tribunais superiores, poderiam ir para a cadeia. “Encerrada a jurisdição criminal de segundo grau, deve ter início a execução da pena imposta ao réu, independentemente da eventual interposição de recurso especial ou extraordinário”, prevê a 122 desde então. A Lava Jato teve sua primeira fase deflagrada em 17 de março de 2014. Dois anos e meio depois, em 12 de julho de 2016, Sérgio Moro ordenava ‘a imediata execução provisória’ de dois réus, o traficante Renê Luiz Pereira e o operador financeiro Carlos Habib Chater. Na época, ambos já estavam presos cautelarmente. O juiz Sérgio Moro ainda mandou executar as penas do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro – que já estava preso -, do ex-executivo da empreiteira José Breghirolli (regime semiaberto), de Juliana Cordeiro de Moura, Cleverson Coelho de Oliveira, Rinaldo Gonçalves de Carvalho, e do ex-assessor do PP Ivan Vernon (regime semiaberto). Um total de 105 decisões de Moro – um condenado por ter mais de uma sentença – foram analisadas pelo TRF-4 nas 24 apelações. Foram absolvidos o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (duas vezes), os executivos da empreiteira OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Fernando Augusto Stremel Andrade, o operador André Catão de Miranda e também Maria Dirce Penasso, mãe da operadora Nelma Kodama. A pena imposta ao ex-presidente Lula foi uma das 33 aumentadas pelo Tribunal. A Corte manteve 22 penas e diminuiu 18. (Bahia Notícias).

VEJA QUAIS RECURSOS A DEFESA DE LULA PODE APRESENTAR PARA RECORRER DA DECISÃO DO TRF4

Com a decisão unânime dos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) de manter a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso triplex, no Guarujá (SP), a defesa de Lula pode recorrer e apresentar embargos de declaração, um recurso onde a defesa pede esclarecimentos sobre algum ponto da decisão. Esses embargos são apresentados ao relator do caso, João Pedro Gebran Neto, e julgados pelos três integrantes da 8ª Turma. Assim, a decisão do TRF já pode barrar Lula candidato, mas não o levaria à prisão.

Entretanto, uma decisão proferida pela ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode permitir que o petista só fique inelegível após julgamento de todos os recursos da defesa.

A interpretação da ministra levantou mais uma dúvida sobre as condições necessárias para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a nove anos e meio de prisão na Lava-Jato, condenação agora ampliada para 12 anos e um dia, em regime fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, possa concorrer às eleições presidenciais do ano que vem.

A decisão da ministra, segundo especialistas, poderia abrir uma brecha para que Lula, mesmo condenado na segunda instância, só perca os direitos políticos após o julgamento de todos os recursos da defesa. Com isso, o ex-presidente ganharia tempo para garantir dua candidatura em 2018.

O cumprimento da pena de Lula só poderá ser feito após esgotados todos os recursos em segunda instância. O Tribunal informou que os desembargadores Leandro Paulsen e Victor Laus sairão de férias. Paulsen ficará 30 dias fora, a partir de 29 de janeiro. Pelo mesmo prazo, Victor Laus também estará de férias a partir de 21 de fevereiro. Nas férias dos titulares, juízes federais são convocados. Neste caso, serão chamados para a 8º Turma, Nivaldo Brunoni, para substituir Laus, e Antônio Bochenek, no lugar de Paulsen. Mesmo com as férias dos titulares, os prazos processuais correm normalmente, conforme o tribunal.

A defesa de Lula deve conceder ainda hoje entrevista, em Porto Alegre, sobre o resultado do julgamento do recurso.

DESEMBARGADORES DA 8ª TURMA DO TRF-4 MANTÊM CONDENAÇÃO E AMPLIAM PENA DE LULA

Por unanimidade, os três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) votaram nesta quarta-feira (24) em favor de manter a condenação e ampliar a pena de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP).

Portanto, condenado por unanimidade pelo TRF4 a 12 anos e um mês em regime fechado, o ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva, pré-candidato a presidência da República no pleito de 2018, ficaria inelegível.  O último juiz a falar foi Victor Laus. Ele abriu sua manifestação defendendo também a Operação Lava Jato –falou em “talento” das autoridades envolvidas. Foram 3 a 0.  Ainda cabe recurso.

Na primeira instância, Moro havia condenado o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão.

Segundo os desembargadores, Lula foi beneficiário direto de parte da propina destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT) na forma do tríplex. Para Paulsen, a imputação mais importante não diz a respeito do recebimento do tríplex, mas sim em colocar o até então presidente da república como garantidor do funcionamento de uma organização corrupta e criminosa. Durante o voto, o revisor fez um resumo da acusação de corrupção passiva a Lula e explicou que neste tipo de corrupção não importa se a iniciativa foi das empresas ou do governo. “Pouco importa, na medida em que sejam comprovados os pagamentos de propina e seu recebimento por parte do PT e seu presidente em função do cargo, que é o que basta para incidência da norma penal”, declarou.

Para embasar que o julgamento de Sérgio Moro em primeira instância, Paulsen citou políticos de outros partidos que foram condenados pelo magistrado. Ele também explicou que o TRF-4 fez tudo o que foi necessário “para garantir um julgamento justo” e que a argumentação do Ministério Público Federal na acusação tem suporte “no que já se julgou e no que há de prova na ação”. Ele não acolheu, entretanto, o pedido do MPF de aumentar de uma para três condenações por corrupção e, por falta de provas, manteve a absolvição do ex-presidente na acusação de lavagem de dinheiro relacionada ao acervo presidencial.

QUEM QUER LULA?

Por J.R.Guzzo*

Está quase lá: mais uns poucos dias e vamos saber se a sentença que condenou o ex-presidente Lula a nove anos e tanto de cadeia por corrupção será confirmada, ou não, no tribunal superior para o qual ele apelou. Com isso vai se encerrar, enfim, o segundo ato desta comédia infeliz. Ela vai continuar, é claro, mas terá tudo para ir ficando cada vez mais rala, daqui para a frente, se a condenação for confirmada por unanimidade — e se, por conta disso, Lula não for candidato à Presidência da República em 2018. O público vai começar a sair da sala, pouca gente estará realmente prestando atenção no que os personagens falam no palco e, de mais a mais, o espetáculo que de fato interessa — quem será o próximo presidente — estará sendo apresentado em outro lugar. Se o ex-presidente sair do jogo, nos termos do que manda a lei, o Brasil terá uma excelente oportunidade para tornar-se um país melhor do que é. Ao mesmo tempo, será dado mais um passo no desmanche da maior obra de empulhação já montada até hoje na história política deste país.

Essa farsa, em exibição há anos, se deve à seguinte realidade: nada do que existe em relação a Lula é genuíno, verdadeiro ou sincero. Lula se apresenta como um operário, mas já passou dos 70 anos de idade e não trabalha desde os 29. Representa o papel de maior líder de massas da história do Brasil, mas não pode sair à rua há anos, com medo de ser escorraçado a vaias, ou coisa pior. O “irmão” do brasileiro pobre é um milionário — e, como diz a líder de um partido rival de extrema esquerda, ninguém pode ser metalúrgico e milionário ao mesmo tempo. Vive denunciando as diferenças entre ricos e pobres, mas nenhum presidente brasileiro enriqueceu tanto os ricos quanto Lula — e justo aqueles que tiram suas fortunas diretamente do Tesouro Nacional. Os pobres ficaram com o Bolsa Família. A Odebrecht ficou com as refinarias, os “complexos” petroquímicos, os estádios da Copa do Mundo, os portos em Cuba.

Chegaram, neste fim de feira, a chamá-lo de “Nelson Mandela” — imaginem só, Nelson Mandela, que ficou 27 anos preso por ser negro e pedir a igualdade racial em seu país, e não por ter sido condenado como ladrão num processo absolutamente legal. Mandela não teve advogados milionários, nem recursos no TRF4, nem a paciência do juiz Sergio Moro, nem liberdade para ameaçar, pressionar e insultar a Justiça. Não teve acenos de prisão domiciliar e “regime semiaberto”. Mais do que tudo, talvez, Lula foi santificado como o homem mais importante do Brasil nos últimos 500 anos. Criou-se a fábula de que tudo depende dele, a começar pelo futuro de cada brasileiro. Nada se pode fazer sem Lula. Lula vale mais que todos e que tudo. O Brasil não pode existir sem Lula.

Tudo isso é uma completa falsificação — e é por isso, justamente, que as atuais desgraças de Lula na Justiça não estão provocando nenhum terremoto na vida nacional, e sim um final de história barateado pela decadência, rancor e mesquinharia. A verdade, em português claro, é que o Brasil não precisa de Lula. Se cair fora da vida política mais próxima, não fará falta nenhuma. Não há no Brasil de hoje um único problema concreto que Lula possa ajudar a resolver — você seria capaz de citar algum? É verdade que sábios de primeiríssima linha, cientistas políticos, “formadores de opinião” etc. têm se mostrado aflitos com a possível “ausência” de Lula da lista de candidatos — nas suas angústias, acham que isso seria desagradável para a imagem de pureza que caracteriza nossas eleições através do mundo. Mas é uma alucinação: se Lula ficar fora, será porque a lei assim determinou, e ponto-final. Isso apenas mostra a imensa dificuldade que a melhor elite brasileira, até ela, tem para aceitar a ideia de que a sociedade deste país só valerá alguma coisa quando viver sob o império da lei.

Quem precisa de Lula não é a lisura das eleições nem o povo brasileiro. São as empreiteiras de obras públicas. São os que esperam por novas refinarias Abreu e Lima. São os vendedores de sondas ou plataformas para a Petrobras. São os operadores de fundos de pensão das estatais. São os marqueteiros milionários. São os Renan Calheiros, e os Jarbas Barbalhos, e os Sarneys. É a diretorzada velha da Petrobras — gente que não vacilou em meter a mão no bolso e devolver 80 milhões de dólares em dinheiro roubado da empresa. São os Odebrechts, os Joesleys, os Eikes.

Quem precisa mais de Lula — o homem que no dia seguinte ao do julgamento estará às 4 da manhã na fila do ônibus? Ou essa gente aí?

*José Roberto Guzzo é jornalista, diretor editorial do grupo EXAME e colunista das revistas EXAME e VEJA. Integrante do Conselho Editorial da Abril.

Artigo Publicado em Veja 19/01/2017).

MARCELINO GALO DIZ QUE LULA ‘É A ESPERANÇA DO BRASIL E VÍTIMA DE FEROZ PERSEGUIÇÃO’

O deputado estadual Marcelino Galo (PT), que participa em Porto Alegre de atos em defesa do ex-presidente Lula e da democracia, afirmou que o petista é a esperança do Brasil e vítima de feroz perseguição jurídica-midiática. O parlamentar baiano também criticou a queda de energia na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, nesta terça-feira (23), atribuída por ele a uma ação de “coxinhas”, militantes ligados ao PSDB e à direita, para prejudicar as reuniões e o Evento das Mulheres do PT que antecediam a marcha das mulheres, liderada por Dilma Rousseff. ”Aqui estamos unidos em defesa da democracia, do presidente Lula e contra a perseguição jurídica-midiática que ele é vítima”, afirmou o deputado, que postou um vídeo em sua página no Facebook, com um carro de som ao fundo em frente ao Palácio Farroupilha. Para Galo, Lula representa o desejo de um Brasil soberano, desenvolvido, forte e inclusivo, e isso, em sua opinião, incomoda os “privilegiados de sempre”, que nunca combateram as “injustiças e desigualdades no Brasil e estão subordinados ao capital internacional”, pontuou, continuando seu discurso em torno da ação política do juiz: ”Está cristalizada para a população brasileira e para o mundo a lamentável atuação política-ideológica de alguns juízes que deveriam agir com isenção e imparcialidade. Enquanto para alguns dos seus aliados de classe ideológica sobram provas materiais de crimes cometidos, seja gravações de pedido de propina, malas de dinheiro, evasão fiscal, ou helicóptero carregado de cocaína, etc, contra o ex-presidente Lula só há convicção. E quando o judiciário baseia-se apenas em ilações sem fundamento e sem provas materiais está em risco o cidadão, potencial vítima, amanhã, desta modalidade típica de regimes autoritários”, enfatizou o parlamentar, que participa de atos na capital gaúcha. (Bahia Noticias).

MATÉRIA DE GABEIRA MOSTRA CRISE NA REGIÃO CACAUEIRA DA BAHIA

Por José Américo*

 

Durante dois dias seguidos o jornalista Fernando Gabeira esteve na região sul da Bahia colhendo informações e imagens para uma reportagem que será veiculada no próximo dia 21(domingo), às 18:30 horas, em seu programa no canal por assinatura GloboNews.

Tive a oportunidade de entrevistá-lo na Fazenda Santa Maria do Jenipapo, de Edvaldo Bruni, no município de Ibirapitanga.

Falamos de jornalismo, política, literatura, ecologia e outros assuntos, mas, neste texto, priorizei o motivo da sua visita à região e os assuntos que estarão na pauta do programa.

Aspectos ambientais, econômicos e sociais serão abordados na matéria de Gabeira cujo principal foco é a prolongada crise da cacauicultura regional , suas causas, consequências e possibilidades de soerguimento.

Muitas fontes foram consultadas por ele. Uma das principais foi o documentário cinematográfico “O Nó”, dirigido pelo ipiaúense Dilson Araújo que defende a tese de que a doença conhecida como “vassoura-de-bruxa”( Moniliophtera perniciosa) foi criminosamente disseminada na região. Um ato deliberado de terrorismo biológico.

Cenas de “O Nó” e provavelmente uma entrevista com Dilson serão mostradas no programa.

A questão do desmatamento das “cabrucas”, substituindo-as por pastagens de gado bovino, o desaparecimento de nascentes, indícios de desertificação em algumas áreas da zona cacaueira, o desemprego, o êxodo rural, a crescente criminalidade nos centros urbanos, foram outros aspectos que chamaram a atenção do celebre jornalista.

A introdução da doença vassoura-de-bruxa na zona cacaueira da Bahia aconteceu no final da década de 1980, desencadeando uma ação devastadora que foi acentuada por quedas do preço do cacau no mercado internacional e estiagens prolongadas como a verificada no ano de 2016.

Ao entrevistar o engenheiro agrônomo José Roberto Benjamim, Fernando Gabeira tomou conhecimento do malogro da orientação governamental no combate à doença, fato que potencializou a crise.

O olhar de Gabeira não viu só desastres. Também se voltou para a exuberância da Mata Atlântica e do cacau-cabruca, sua biodiversidade, os projetos preservacionistas e ações regeneradoras.

Ele constatou que homens de boa vontade como Edmond Ganem, Edvaldo Bruni, Victor Becker, dentre outros, que se dedicam à preservação da biodiversidade e ao reflorestamento, reacendem a esperança de melhores dias na região.

Em Ilhéus, Gabeira conheceu uma plantação de cacau consorciada com pau-brasil e no município de Camacan ficou encantado com a reserva Serra Bonita, “uma pioneira e inovadora iniciativa privada de conservação de florestas no sul da Bahia”.

Trata-se de um condomínio que se estende por 2.500 hectares contendo varias RPPNs (Reservas Particular do Patrimônio Natural). A experiência tem recebido prêmios internacionais.

Outros detalhes observados por Fernando Gabeira e registrados pelo cinegrafista Mauricio de Souza serão mostrados no primeiro programa que a dupla gravou neste ano de 2018.

Com essa reportagem o Brasil conhecerá os impactos do terrorismo biológico do cacau e a tentativa de soerguimento de uma das regiões de maior riqueza, biodiversidade e beleza do planeta.

“A região sofreu. Tenho a impressão de que ainda não se recuperou dos impactos que lhe trouxeram dificuldades, mas ela tem potencial de superar tudo isso”, concluiu Gabeira.

*José Américo Castro é jornalista, poeta e escritor

Nota do Editor: Parabéns, Zé. Primeiro pelo profissionalismo. Alguém que, como repórter independente, investe recursos pessoais para ir em busca da informação, da melhor entrevista, do melhor ângulo, extraindo a melhor cepa para lavrar a notícia, unicamente pelo dever da difusão. Segundo, pelo texto conciso e claro, cuja leveza faz sempre a diferença, mesmo em se tratando de tema tão grave para a nossa região e tão cruel para o nosso povo. Que ao levantar o assunto, o respeitado jornalista Fernando Gabeira, de tantos exemplos edificantes e corajosos em sua vida pessoal, possa contribuir para o esclarecimento do episódio e a punição dos culpados. Grande abraço.

IPIAÚ: PASSAGEIRO ‘SURTA’ E PULA DE ÔNIBUS EM MOVIMENTO NA BA-650

Um homem ficou ferido após pular de um ônibus em movimento em um trecho da BA-650 entre Ipiaú e Ibirataia, no Médio Rio de Contas,  Sudeste do estado. O fato ocorreu na manhã desta quinta-feira (28), perto da localidade de Fazenda Canadá. Segundo o Blog Giro em Ipiaú, a suspeita é que o passageiro tenha sofrido um surto psicótico.

A vítima tinha embarcado em Jequié, a cerca de 50 km do local. Passageiros que estavam no veículo contaram que o homem estava sentado em uma poltrona na parte dianteira do ônibus. Ele dizia que era procurado pela polícia e pedia que o motorista não parasse em alguma blitz. A certa altura da viagem, ele, aparentemente em surto, tentou pular da janela e foi contido por outros passageiros. Momentos depois, ele conseguiu saltar do veículo, sofrendo várias escoriações no corpo. Uma ambulância do SAMU foi acionada e a vítima foi encaminhada para o Hospital Geral de Ipiaú. Não há mais informações sobre o estado de saúde do passageiro.

CASO EMPRÉSTIMO: GOVERNO DA BAHIA PEDE PRISÃO DE DIRIGENTES DO BANCO DO BRASIL

Sem justificativa legal, o Banco do Brasil negou o repasse do empréstimo pactuado com o governo da Bahia. Imediatamente a PGE – Procuradoria Geral do Estado, impetrou  ação na 6ª Vara da Fazenda Pública, sem obter uma decisão do juiz Ruy Eduardo Almeida Britto, já que protelou o caso. O magistrado, em seu despacho, afirmou que o trâmite adequado seria na Justiça Federal, onde deveria ser avaliado o interesse, ou não, da União no assunto.

Diante da decisão protelatória, a Procuradoria Geral do Estado entrou com um recurso, que foi apreciado pela Primeira Câmara Cível Tribunal de Justiça da Bahia, o órgão decidiu que o Banco do Brasil deverá ser obrigado a liberar o empréstimo de R$ 600 milhões contratado pelo estado da Bahia.

Em face disso, o governo da Bahia pediu a prisão dos dirigentes do Banco do Brasil por descumprimento da decisão judicial que obriga a instituição a liberar o empréstimo contratado pelo estado no valor de R$ 600 milhões.

A decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) obrigando o banco a repassar os recursos foi expedida no último dia 18, mas a instituição já protocolou um pedido de tutela de urgência no intuito de derrubar a determinação. O governo, por sua vez, apresentou uma petição pedindo celeridade no cumprimento da decisão e ressaltou que o banco vem se recusando a cumprir a ordem judicial, “recusando-se deliberadamente a liberar os recursos pactuados”.

Além de pedir a prisão em flagrante dos representantes do Banco do Brasil, o estado da Bahia pede que seja aplicada uma multa diária de 1% do valor do contrato até a efetiva liberação do empréstimo.

A petição foi recebida pelo juiz plantonista de segundo grau do TJ-BA, Marcos Adriano Silva Ledo, que encaminhou o caso para a desembargadora Maria de Lourdes Pinho Medauar, relatora do agravo de instrumento que resultou na determinação da liberação do empréstimo.