Arquivo para ‘Arte e Cultura’ Categoria

ESPERANDO SÃO JOÃO: RESPEITA JANUÁRIO – SAUDADE DE LUIZ GONZAGA

LANÇAMENTO DO LIVRO “PORTAS DO ÉDEN” REVIVE OS MOMENTOS CULTURAIS DE IPIAÚ EM TEMPOS ÁUREOS

O salão do plenário da Câmara Municipal de Ipiaú esteve lotado na noite desta sexta feira (16) participando do lançamento de “Portas do Éden – a Poética de José Américo Castro e o Imaginário Coletivo de Ipiaú”. O livro, organizado e produzido pelo advogado, professor Paulo Andrade Magalhães, em parceria com a Editora Nós e Vós, reúne um significativo conteúdo com textos do jornalista e poeta José Américo da Matta Castro, e conta, também, com a prosa e poesia de vários ipiauenses e contemporâneos, em um conjunto de depoimentos sobre temas variados que envolvem Ipiaú em todos os tempos.

Foto Vicente Andrade (Blog Bote Fé)

A surpreendente programação coordenada pelos integrantes do grupo Coletivo Cultural preencheu a noite com talento e qualidade. Compositores, cantores, atores, poetas e instrumentistas se apresentaram com pronunciamentos, recitais e esquetes rápidos e inteligentes, relativos ao Cine Éden e ao autor. Foi assim com o grupo Concriz, da cidade de Maracás, os violonistas Caio Novaes na abertura e Paulo César Andrade (Caco), no encerramento.

“Portas do Éden” propõe um diálogo entre a literatura, a história sócio-cultural, as memórias e imagens de Ipiaú, através das narrativas do jornalista e poeta que assina a autoria e de grupos sociais da cidade, com seus hábitos e costumes; ideias e valores, gostos, comportamento, símbolos, sentimentos e sensações.

Na mesa diretora dos trabalhos, o organizador do livro, Paulo Magalhães, o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, a Secretária Municipal de Governo de Ipiaú, representando a prefeita Maria das Graças Mendonça, os vereadores Josenaldo de Jesus e Cláudio Nascimento, o primeiro representando a presidência do Legislativo, que se revezaram, em pronunciamentos curtos e objetivos, enaltecendo a iniciativa da obra.

O evento contou também com a presença do cineasta ipiauense Edson Bastos, autor do movimento “Por um novo Cine Éden”, do presidente da Academia de Letras de Jequié, Júlio Lucas, do diretor de Cultura do Município de Ipiaú, Marcelo Batista, do diretor do Território do Médio Rio de Contas, José Mendes da Silva, da totalidade dos membros do Coletivo Cultural, representado na Mesa por Ivan Santos e da ACENE – Associação Cultural Euclides Neto, do ex-deputado e ex-presidente do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau, Ewerton Almeida, Tom Legal, que em seu pronunciamento teve oportunidade de reviver episódios do passado, inclusive envolvendo o ex-ministro Juca Ferreira, levando aos presentes um pouco da história de Ipiaú.

Foto Vicente Andrade (Blog Bote Fé)

Dois momentos de destaque: a participação do grupo cultural de Maracás, “Comcris” que declamou poesias de autoria de José Américo e outros autores bem assim o emocionante texto do jornalista, poeta e escritor Sergio Mattos, de quem José Américo foi aluno no curso de graduação de jornalismo na UFBA.

Emocionado, o jornalista, poeta e agora escritor, José Américo Castro, agradeceu a presença de todos, transferiu as homenagens  recebidas ao verdadeiro promotor do evento, o advogado Paulo Magalhães, seu amigo de infância, companheiro de agitações culturais ressaltou, ao concluir, a atual efervescência cultural de Ipiaú e a importância da luta coletiva.

BRAZIL SYSTEM

Por Aninha Franco*

Publicado em Trilhas: Correio da Bahia

 

 

Quarenta e cinco anos sem Leila Diniz fazem falta ao Brazil System. Quando Marcela Temer nasceu, em 1983, para ser recatada, do lar e, futura esposa de Michel Temer, o presidente investigado, Leila Diniz estava morta desde 1972. Quando Marcela adolesceu, o Pasquim era cinzas, Henfil estava morto, e a Graúna estacionada em 1988. Henfil não assistiu à saída dos militares, e só votou para presidente da república uma vez, em 1962, porque de 1964a1989 nos foi proibido eleger presidentes. Voltando ao presente, desde sexta-feira, 9, sabemos que Temer ficou e Dilma pode candidatar-se e se eleger ao que quiser. Que Gilmar Mendes, presidente do Tribunal que deveria vigiar e punir os malfeitores eleitorais, desempatou o 3×3 e votou pela absolvição de Dilma&Temer.

O Michel Temer ficado já devolveu a obrigatoriedade do imposto sindical à República sindicalista e os trabalhadores brasileiros continuarão destinando um dia de suas jornadas à boa vida dos líderes sindicais. Talvez com esse agrado as greves e manifestações perderão seus ímpetos. Temer anistiou os banqueiros, aqueles profissionais que sempre lucram no tempo das vacas magras e das vacas gordas, e está bem com o Capital, com os 17 mil sindicatos e para continuar ficando parece que gastará muito do Erário combalido. Nós já assistimos isso com Dilma, em queda, mas Temer tem mais aliados e minha intuição sugere que o PMDB não está brigado de verdade com o PT. Que a rusga é cênica. Que daqui a pouco PT e PMDB retomarão seu caso de afeto declarando, mais uma vez, amor aos que mais precisam. Sim, o Brasil não é uma nação, é um programa de humor que acabará nos matando de rir.

Recentemente, fotografei a placa de inauguração da Superintendência da PF – que está trabalhando certeira – e nela descobri que o prédio foi inaugurado pelo presidente Fernando Collor. E é sim, é muito engraçado.

E de risada em risada, desconfio que Juscelino Kubitschek não criou uma capital em 1960, que Juscelino criou um ninho de ratos, cevados com todos os privilégios nos últimos 57 anos, totalmente imunes à decência. É verdade que a Lava Jato desfalcou e ameaçou o ninho. João Santana, Patinhas, por exemplo, faz falta ao PT saído e ao Temer ficado, porque explicaria com mais elegância o ataque petista à jornalista Myriam Leitão. E esconderia Temer melhor da sociedade, esse vice do PT duas vezes. Como é que o PT aceita um cara tão primário como vice-presidente de uma presidente doidinha?

Desde os primórdios da civilidade, os lideres políticos foram preparados por pensadores para governar. Alexandre, o Grande, possivelmente foi grande porque teve o filósofo Aristóteles como mestre. O Poder não é uma atividade banal. Se o Brazil System não suporta filósofos, use marqueteiros preparados em humanidades. Chega-se ao poder para confortar milhares de cidadãos que dependem do líder, do chefe para sobreviver e desfrutar das existências. Parece que Temer só pensa nele, em Marcela, em Michelzinho e, no máximo, em Rocha Loures, seu “longa manus”.

E com esse Brazil System, é claro que o Brasil será, para sempre, um País em crise.

Leila Diniz, Graúna (Henfil) e a família Temer

*Aninha Franco é escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural.

 

SÃO JOÃO DE JEQUIÉ TEVE SUA ABERTURA LOGO APÓS O ENCERRAMENTO DOS FESTEJOS DE SANTO ANTÔNIO

De acordo a tradição, no dia seguinte ao encerramento do trezenário em homenagem a Santo Antônio. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, deu início à programação do São João 2017 de Jequié.

A solenidade de abertura, na Vila Junina, sem as adaptações anteriores da Praça Rui Barbosa, o prefeito Sergio da Gameleira acompanhado por seu secretariado ocupou o palco Patativa do Assaré, na noite de quarta-feira, 14, para a abertura oficial e ouvir do Secretário Alisson Andrade que estava tudo pronto para a grande festa de São João, agora em menores dimensões, mas, nem por isso, menos animada e com farta programação.

Entre os convidados, esteve presente o deputado federal Antônio Brito, o vice-prefeito e Secretário de Saúde, Hassan Youssef, vereadores da base de apoio da prefeitura e a representante do Conselho do São João, a também vereadora Laninha.

Depois da execução da queima de fogos de artifício, alguns discursos e muita confraternização, foi apresentado o espetáculo “Chamego: uma fuxicação de Luiz a caatinga jequieense”, produzido pelos corpos artísticos da Secut/Prefeitura; a Cia de Teatro com o Canto da Saracura, quadrilha junina e arrasta-pé com o Forrozão Belo Xote.

ILLY GOUVEIA: AFROUXA E ME DÁ SOSSEGO, AMOR. DO ALBUM “VOO LONGE”

Primeiro single do álbum “Voo longe” da cantora Illy. Música inédita  Videoclipe rodado na Lavagem do Bonfim e dirigido por Zunk Ramos

E Afrouxa já chega com um clipe lindo dirigido pelo sensível santamarense Zunk Ramos. Em plena Lavagem do Bonfim, cercada de amigos, atores, familiares, dançarinos e sob a proteção Dele, foram gravadas as cenas para esta nova faixa produzida por Moreno Veloso.

 

JEQUIÉ: CATEDRAL RECEBE FIÉIS PARA MISSA DE ENCERRAMENTO DA TREZENA DE SANTO ANTÔNIO

O Bispo Diocesano Dom José Rui Gonçalves celebrou a missa de encerramento dos festejos de Santo Antônio em Jequié. A Tradicional festa do Padroeiro do município, este ano presidida pelo casal Beto e Keila, contou com uma extensa programação atraindo uma multidão à Catedral de Santo Antônio ao longo dos treze dias em que as homenagens foram prestadas. Apesar da restrição feita pela Comissão Organizadora da festa à venda de bebidas alcoólicas e outras manifestações consideradas pagãs, parte expressiva da população se fez presente às celebrações do trezenário que culminaram com a procissão e missa de encerramento. Como sempre, profissionais liberais, fazendeiros, bancários, estudantes, Políticos, autoridades e devotos do santo franciscano que nasceu em Lisboa em 1195 e que morreu em Pádua na Itália no ano de 1231, sempre muito festejado em Jequié e em todo o Brasil.

Na foto, o ex-deputado federal Leur Lomanto, fiel tradicional a Santo Antônio de Pádua, desde os seus pais, Hildete e Antônio Lomanto Júnior, acompanhado pelos deputados estaduais Deputado Leur Lomanto Junior e Sandro Regis.

A população compareceu (Foto Zenilton Meira)

INAUGURADA A SEDE DO PROGRAMA ASSEMBLEIA DE CARINHO NA ALBA

Sob a presidência da Bacharel em Turismo e “Primeira Dama” da ALBA, Eleusa Coronel, o programa “Assembleia de Carinho”, concebido para incrementar o incentivo e conscientização da importância do trabalho voluntário, inaugurou nesta terça (13) a sede da entidade, localizada na espaço ajardinado do térreo da Assembleia Legislativa.

A atividade da Assembleia de Carinho gira em torno da atuação das deputadas estaduais e esposas dos parlamentares, independentemente de vínculos partidários ou ideologia política. Apesar do pouco tempo de implantação, já conta com iniciativas vitoriosas como a participação da Assembleia Legislativa da Bahia, nas ações desenvolvidas pela Fundação Doutor Jesus, e, recentemente se dispôs, mediante convênio de cooperação, trabalhar em prol de instituições como o Hospital Aristides Maltez e a Organização Social Irmã Dulce.

Carismática, agradável no trato, Eleusa Coronel catalisa energias de solidariedade em torno do seu projeto, agrega funcionários efetivos e terceirizados, conta com o concurso de deputados e deputadas e já leva o nome do “Programa Assembleia com Carinho” a ter destaque nos principais municípios do estado da Bahia e até em outros estados da federação.

O novo espaço tende a dinamizar ainda mais as ações do grupo, conquista novos trabalhadores e influenciar a cada vez mais voluntários a ingressarem no projeto e, como diz Eleusa Coronel “… As pessoas crescem ao adotarem atitudes que transformam”. Parabéns à “primeira dama” da ALBA.

CAMINHANDO PELO MUNDO: AYUNE NAMUR* EXPÕE SUA OBRA NO CENTRO DE CULTURA DE JEQUIÉ

Artista Plástica paulista Ayune Namur

No período de 13 a 26 de junho acontece no Centro de Cultura de Jequié a exposição “Caminhando pelo Mundo”, da artista plástica Ayune Namur. Na abertura do evento ocorrerá às 19 horas, ocasião em que a artista dará uma explicação a respeito das técnicas utilizadas no seu processo criativo.

A mostra transita pela xilografia, gravura em metal e litografia, e reporta uma viagem pelas paisagens e culturas que a artista já vivenciou.Formada em Artes Visuais pela UNICAMP, a artista paulista  vem exibindo  ao público baiano parte da sua produção ao longo de 10 anos.

Ayune desenvolveu seu trabalho nos ateliês da UNICAMP, do Museu Lasar Segall e no do SESC Pompeia, junto a turmas de Evandro Carlos Jardim. Assim que se formou, participou de duas exposições coletivas: uma no MAC-,em São Paulo, além de ter participado de coletivas,no MAC – Museu de Arte Contemporânea de Campinas e  na Galeria de Arte da UNICAMP. Mas tarde,participou de uma exposição coletiva  no metrô Santa Cruz da capital paulista.

Atuante também no mercado audiovisual, fez Direção cinematográfica na Academia Internacional de Cinema e   trabalhou como produtora e diretora de arte em curtas metragens, filmes institucionais e publicitários.

Hoje, a artista é Pós-graduanda em Gestão Cultural na UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz e tem um ateliê em Ilhéus-BA, onde oferece cursos, workshops e oficinas.

*Ayune Namur é Artista Plástica formada pela UNICAMP em 2009.

ayune@ayunenamur.com.br

www.ayunenamur.com.br

+55 (73) 9 9963-5676

 

A LITERATURA DE ZÉ AMÉRICO CASTRO

por Emiliano José*

 

 

 

Devo dizer de pronto, na cara de quem começa a ler, que Paulão e Zé Américo escolheram errado. Não tenho talento, vocação, muito menos tino, para fazer um prefácio para um livro que combina poesia e prosa, verso e letra corrida, realidade e ficção.

Justo eu, que nunca topei o mundo da palavra rimada, bem encadeada, que nunca me dei ao luxo de construir personagens, por falta absoluta de imaginação e preparo.

Mas vá lá que seja, que pedido de amigo a gente não nega, quanto mais a Zé Américo, amigo.

Amizade, quem há de negar que esse diabo de sentimento é superior a todos os outros? Não foi Caetano, com suas diabruras ao cantar, que disse isso? Sei não, chega a dar tremedeira falar de um livro assim. Dá vontade de dizer que é uma beleza – ver um sujeito pegar a falar de sua terra, como se falasse da mulher que ama.

Parece que a gente sente o cheiro de Ipiaú quando lê. As letras têm gosto de terra, geradas no ventre da agonia, tormento da fome, Josué de Castro, quem sabe Euclides Neto, fontes primárias. E são letras de espantar, porque pode se topar com lobisomem dançando alegre em riba da ponte.

Letras que buscam Corisco, Lampião, Lamarca, Conselheiro, todos esses loucos sonhadores, entrevistos naquele tiroteio de jagunços, que acabaram cansados de tanto atirar e que depois pararam para ver o moço que não cansava de sonhar.

E as letras vão caminhando, procurando pelo jequitibá, assuntando pra ver se encontra o jacarandá, se acha a jaqueira, se reencontra a erva cidreira nesses tempos de destruição. Será que vem de Lorca, de verde que te quero verde?

É um canto este livro, um canto no meio da feira, no meio da festa, e que tem um desejo quase obsceno de tão insistente: o desejo da igualdade. De uma sociedade mais justa, mais livre, mais amante.

Amada amante, a que aparece cheia de sensualidade nas noites de lua cheia, que chegavam arrebanhando pecados e prazeres.

Ah, como eram lindas as moças de Ipiaú, que beijavam distraídas, e depois balançavam a cabeça numa tímida negação e rezavam envergonhadas, mesmo que plenas de prazer.

E há o Cine Éden, cine paradiso de Zé Américo, melancolia de um tempo que não volta mais, poesia do cinema, portal das maravilhas que todos nós vivemos.

É um canto este livro. Um encanto. Um encantamento. Um modo de conhecer Ipiaú. O modo particular de Zé Américo ver sua terra. De reconhecer sua gente. De voltar à infância perdida.

Ele não voltou a Ipiaú em vão. Voltou para dar-se a ela. Por inteiro. De corpo e alma. Muita alma. Coração em brasa, espírito de poeta e de guerreiro. Indignação e paixão.

O artista é grande quando canta a sua aldeia. E é o que ele faz aqui. Seria tão bom, se o seu povo reconhecesse esse seu filho tão sensível. Tenho esperança e que o fará.

*Emiliano José Da Silva Filho é um político brasileiro (ex deputado, estadual e federal, jornalista, escritor e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. O texto acima é o prefácio do livro PORTAS DO EDÉN.

ESPERANDO O SÃO JOÃO: SAUDADES DE DOMINGUINHOS

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