Arquivo para ‘Região Sudoeste’ Categoria

A PARCERIA

 Por Carlos Eden Meira*

Quando a primeira diretoria da ASSAM sob a presidência do jornalista Raymundo Meira, conseguiu realizar o antigo sonho de adquirir o prédio onde funcionava o Grupo Escolar Castro Alves, para implantação do Museu Histórico de Jequié, a situação física do local que foi desocupado, já não era adequada dentro dos padrões modernos para ser uma escola. Constatou-se inclusive, após minucioso levantamento técnico, que suas instalações se encontravam em péssimo estado de conservação, colocando em risco a segurança de alunos e funcionários, o que poderia causar um desabamento como o que ocorreu com saudoso e belíssimo edifício Grillo, e certamente com consequências muito mais graves. Pode-se assim, deduzir sem nenhum exagero, que a citada desocupação pode ter salvado vidas.

Naquele período, a ASSAM contava com um grupo de cidadãos cujo objetivo principal sem quaisquer outros interesses, era a criação do museu no citado prédio, fazendo-se uma parceria com a Prefeitura Municipal, na qual a ASSAM como órgão gestor, comprometia-se em entrar com o seu acervo e a PMJ colocava o prédio à sua disposição para implantar ali, o museu. Isto foi feito, o sonho se realizou. Entregamos à cidade um museu num lindo prédio restaurado, que durante alguns anos funcionou dentro dessas diretrizes, tendo dado grande contribuição à História, à cultura e à educação em nossa cidade.

Hoje, após um período fechado para reformas, o museu reabriu suas portas ao público, sob o comando da nova equipe de funcionários da PMJ, e a ASSAM, também renovada, mantendo ainda alguns dos seus antigos associados. Como ex-membro dessa associação e sendo um dos seus fundadores, acho que cumpri o meu dever para com as duas entidades, já que vejo o museu funcionando, inclusive utilizando modernas técnicas de conservação do acervo, graças à nova equipe da Secretaria Municipal de Cultura e à nova diretoria da ASSAM, cujos membros certamente devem manter o espírito dos primeiros tempos, no objetivo de conservar a parceria com a PMJ, sem nenhum interesse de caráter pessoal ou político, o que em nada contribui para a continuidade do Museu Histórico de Jequié. Qualquer possível tentativa por motivações individuais de quem quer que seja, para separar o acervo do histórico prédio onde hoje se encontra, já reconhecido e valorizado pela população, seria como jogar no lixo toda a história da ASSAM em sua árdua luta para conseguir aquele local para implantação do museu, já que sempre consideramos o próprio prédio como a peça principal do acervo. O MUSEU PERTENCE AO POVO DE JEQUIÉ, E EM SEU NOME DEVE SER CONSERVADO!

*Carlos Éden Meira é jornalista, cartunista, DRT 1161

PROFESSOR JOSÉ PACHECO FOI O CONFERENCISTA DA JORNADA PEDAGÓGICA MUNICIPAL DE JEQUIÉ

Foto Jequié Repórter

A Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Educação, realizou a cerimônia de abertura da Jornada Pedagógica 2018 no Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães. O Professor José Pacheco, criador da Escola da Ponte e do Projeto Âncora, em Portugal, conduziu a palestra Magna da Jornada Pedagógica em Jequié na noite de quarta-feira (7).

Com o auditório completamente lotado o professor discorreu sobre o projeto Escola da Ponte na localidade portuguesa de Vila dos Pássaros, modelo que tem encantado a Europa, e ensejando forte influência no Brasil, por envolver capacitação e qualificação dos professores, gestores e alunos. O renomado educador, reconhecido na comunidade internacional por sua contribuição à Educação discorreu sobre o tema, “As Pontes Possíveis e Necessárias Para Uma Educação de Qualidade”. O palestrante interagiu com a plateia, respondendo a questionamentos sobre as demandas da Educação, apontando sugestões e reflexões acerca da pedagogia educacional tradicional implantada no ambiente escolar: “A escola não é um edifício e nem salas de aulas. A escola são as pessoas e são nelas que o sistema de educação deve focar”.  

O educador português relatou suas experiências com inúmeros exemplos vivenciados pela instituição, conversou com a comunidade sobre as novas práticas de aprendizagem, dissecando o modelo adotado na Escola da Ponte e no Projeto Âncora.

Com a presença do prefeito de Jequié, Sérgio da Gameleira, do vice-prefeito, Hassan Iossef, do secretário de Educação, professor doutor Roberto Gondim e sua equipe auxiliar, secretários municipais, representantes dos conselhos de Educação e entidades, membros do Poder Legislativo, bem como gestores escolares, professores da rede municipal e de outras instituições, o evento despertou o interesse de docentes e discentes das universidades em Jequié instaladas.

O Secretário de Educação de Jequié, Roberto Gondim, em seu pronunciamento, discorreu sobre os avanços verificados na educação no período em que sua equipe desempenhou a tarefa de reconstruir a educação no município: “Caminhamos um ano até chegarmos neste instante, onde a comunidade escolar, os gestores, professores e, principalmente, os alunos, já começam a perceber as mudanças que vêm sendo feitas. O que antes era um cenário caótico e cheio de problemas, hoje nos acena um campo de efetivas possibilidades. Escolas sendo reformadas, professores bastante motivados, novas escolas e as unidades escolares sendo estruturadas”.

“Momento ímpar esse que estamos vivendo, com diversos avanços na Educação em Jequié. E esse progresso se reflete no aumento de matrículas da rede, o que nos dá a exata noção de que estamos no caminho certo. Mas faremos muito mais, com as modificações e estruturações dentro do ambiente escolar, teremos o salto qualitativo tão desejado por todos nós. A melhoria da qualidade da Educação no município não é mais um sonho, estamos transformando em realidade”.

Em determinado momento, ao se desfazer a mesa que comandou a abertura dos trabalhos, o cerimonial referiu-se à professora mestra Maria das Graças Silva Bispo, ex-secretária da Educação do município de Jequié e integrante da equipe do atual gestor, convidando-a, juntamente com o secretário Roberto Gondim e o palestrante José Pacheco para compor a mesa que ora se instalara.

Ao final da Jornada Pedagógica 2018, o secretário de Educação do município de Jequié anunciou que trará o professor José Pacheco e toda sua equipe para implementar seu projeto na rede de ensino de educação do município, inicialmente em duas escolas piloto. O Primeiro encontro do Professor José Pacheco com as duas escolas que serão beneficiadas pelo projeto já acontecerá nesta quinta-feira, 8.

ARTE E CULTURA EM IPIAÚ: CASARÃO DE ZÉ AMÉRICO EM AGITAÇÃO NESTE SÁBADO

Dança teatro, poesia, cantoria e outras manifestações das artes cênicas, incluindo capoeira e maculelê  marcarão “A Noite Cultural” do Fórum de Cultura da Bahia”, que acontece  neste sábado, 20, no Casarão de Zé Américo, em Ipiaú. A cantoria, com variados gêneros musicais, ficará a cargo de Clara Sena, Larissa Souza (foto), Brendo Lee, Marcio Barreto, Vicente Andrade, Samuel, Alisson, Mateus Felix e Ricardo Santana. O espetáculo segue com quatro cenas teatrais de Andressa Menezes, Dinho Coelho, Carlos Henrique, Caio Braga e Tainan Galdino, enquanto  a dança  se mostrará através das  coreografias: “Sorria você está na Bahia”, de Elcinho e Kalissa, e do Grupo Enigma,dirigido por Edmilson.

As atrizes  Caroline e Mariana Nogueira,  são interpretes da cena da peça  “Saudade –  A  beleza que faz sofrer”, de Andressa Menezes.  A poetisa Lurdinha Bezerra estará no palco declamando versos de alta qualidade, enquanto a capoeira e maculelê serão apresentados pelo pessoal do Arte Modelo. O evento objetiva a articulação e mobilização territorial da sociedade civil e do poder municipal para fortalecimento da cultura do território de identidade.

No dia 21, domingo, acontece no centro Paroquial Padre Xavier, Bairro da Conceição, um debate sobre a alteração da Lei do Fundo de Cultura da Bahia e as eleições de novos membros para o Conselho Estadual de Cultura, além  de oficinas de dança, teatro, poesia coletiva e elaboração de projetos. Tudo isso faz parte do projeto “Diálogos do Fórum de Cultura da Bahia”. (Giro/José Américo Castro).

MATÉRIA DE GABEIRA MOSTRA CRISE NA REGIÃO CACAUEIRA DA BAHIA

Por José Américo*

 

Durante dois dias seguidos o jornalista Fernando Gabeira esteve na região sul da Bahia colhendo informações e imagens para uma reportagem que será veiculada no próximo dia 21(domingo), às 18:30 horas, em seu programa no canal por assinatura GloboNews.

Tive a oportunidade de entrevistá-lo na Fazenda Santa Maria do Jenipapo, de Edvaldo Bruni, no município de Ibirapitanga.

Falamos de jornalismo, política, literatura, ecologia e outros assuntos, mas, neste texto, priorizei o motivo da sua visita à região e os assuntos que estarão na pauta do programa.

Aspectos ambientais, econômicos e sociais serão abordados na matéria de Gabeira cujo principal foco é a prolongada crise da cacauicultura regional , suas causas, consequências e possibilidades de soerguimento.

Muitas fontes foram consultadas por ele. Uma das principais foi o documentário cinematográfico “O Nó”, dirigido pelo ipiaúense Dilson Araújo que defende a tese de que a doença conhecida como “vassoura-de-bruxa”( Moniliophtera perniciosa) foi criminosamente disseminada na região. Um ato deliberado de terrorismo biológico.

Cenas de “O Nó” e provavelmente uma entrevista com Dilson serão mostradas no programa.

A questão do desmatamento das “cabrucas”, substituindo-as por pastagens de gado bovino, o desaparecimento de nascentes, indícios de desertificação em algumas áreas da zona cacaueira, o desemprego, o êxodo rural, a crescente criminalidade nos centros urbanos, foram outros aspectos que chamaram a atenção do celebre jornalista.

A introdução da doença vassoura-de-bruxa na zona cacaueira da Bahia aconteceu no final da década de 1980, desencadeando uma ação devastadora que foi acentuada por quedas do preço do cacau no mercado internacional e estiagens prolongadas como a verificada no ano de 2016.

Ao entrevistar o engenheiro agrônomo José Roberto Benjamim, Fernando Gabeira tomou conhecimento do malogro da orientação governamental no combate à doença, fato que potencializou a crise.

O olhar de Gabeira não viu só desastres. Também se voltou para a exuberância da Mata Atlântica e do cacau-cabruca, sua biodiversidade, os projetos preservacionistas e ações regeneradoras.

Ele constatou que homens de boa vontade como Edmond Ganem, Edvaldo Bruni, Victor Becker, dentre outros, que se dedicam à preservação da biodiversidade e ao reflorestamento, reacendem a esperança de melhores dias na região.

Em Ilhéus, Gabeira conheceu uma plantação de cacau consorciada com pau-brasil e no município de Camacan ficou encantado com a reserva Serra Bonita, “uma pioneira e inovadora iniciativa privada de conservação de florestas no sul da Bahia”.

Trata-se de um condomínio que se estende por 2.500 hectares contendo varias RPPNs (Reservas Particular do Patrimônio Natural). A experiência tem recebido prêmios internacionais.

Outros detalhes observados por Fernando Gabeira e registrados pelo cinegrafista Mauricio de Souza serão mostrados no primeiro programa que a dupla gravou neste ano de 2018.

Com essa reportagem o Brasil conhecerá os impactos do terrorismo biológico do cacau e a tentativa de soerguimento de uma das regiões de maior riqueza, biodiversidade e beleza do planeta.

“A região sofreu. Tenho a impressão de que ainda não se recuperou dos impactos que lhe trouxeram dificuldades, mas ela tem potencial de superar tudo isso”, concluiu Gabeira.

*José Américo Castro é jornalista, poeta e escritor

Nota do Editor: Parabéns, Zé. Primeiro pelo profissionalismo. Alguém que, como repórter independente, investe recursos pessoais para ir em busca da informação, da melhor entrevista, do melhor ângulo, extraindo a melhor cepa para lavrar a notícia, unicamente pelo dever da difusão. Segundo, pelo texto conciso e claro, cuja leveza faz sempre a diferença, mesmo em se tratando de tema tão grave para a nossa região e tão cruel para o nosso povo. Que ao levantar o assunto, o respeitado jornalista Fernando Gabeira, de tantos exemplos edificantes e corajosos em sua vida pessoal, possa contribuir para o esclarecimento do episódio e a punição dos culpados. Grande abraço.

IPIAÚ: PASSAGEIRO ‘SURTA’ E PULA DE ÔNIBUS EM MOVIMENTO NA BA-650

Um homem ficou ferido após pular de um ônibus em movimento em um trecho da BA-650 entre Ipiaú e Ibirataia, no Médio Rio de Contas,  Sudeste do estado. O fato ocorreu na manhã desta quinta-feira (28), perto da localidade de Fazenda Canadá. Segundo o Blog Giro em Ipiaú, a suspeita é que o passageiro tenha sofrido um surto psicótico.

A vítima tinha embarcado em Jequié, a cerca de 50 km do local. Passageiros que estavam no veículo contaram que o homem estava sentado em uma poltrona na parte dianteira do ônibus. Ele dizia que era procurado pela polícia e pedia que o motorista não parasse em alguma blitz. A certa altura da viagem, ele, aparentemente em surto, tentou pular da janela e foi contido por outros passageiros. Momentos depois, ele conseguiu saltar do veículo, sofrendo várias escoriações no corpo. Uma ambulância do SAMU foi acionada e a vítima foi encaminhada para o Hospital Geral de Ipiaú. Não há mais informações sobre o estado de saúde do passageiro.

PÁGINA VIRADA

Por Emerson Pinto de Araújo*

 

 

Já virei muitas páginas na vida. E ainda tenho muitas a virar. Quantas? Não sei. Agora mesmo venho de virar a última página do romance histórico de Wilson Midlej retratando a saga de Anésia Cauaçu, figura singular de bandoleira que chamou a si a responsabilidade de vingar a morte de parentes, comandando 20 jagunços, ou mais, na luta contra os capangas do poderosíssimo Marcionílio de Souza.

Apesar de tratar-se de uma obra de ficção, Wilson Midlej se comportou com muita dignidade, não omitindo as fontes e não esquecendo as aspas que alicerçaram-lhe o imaginário. O que não causou surpresa, levando-se em conta seus trabalhos anteriores como jornalista e cronista. Por tudo isso, o romance de Wilson enriquece sobremaneira obras anteriores de outros autores, pondo em relevo a personalidade forte e injustiçada de Anésia Cauaçu. Coincidentemente, a guerreira do sertão de Jequié, guardadas as devidas e necessárias proporções, chega a lembrar Diadorim, de Guimarães Rosa, no excelente romance “Grande Sertão: Veredas”, um clássico na moderna literatura brasileira.

Comecei a lecionar ainda jovem. No turno matutino, os discípulos tratavam-me como um irmão mais velho. No turno da noite, destinado aos comerciários, bancários e outros profissionais que trabalhavam durante o dia, alguns deles já casados, a situação já se invertia com discípulos mais idosos do que este escriba. Não obstante, minha convivência com alunos jovens e idosos sempre foi excelente. Aprendemos muito. Devo aos meus discípulos o incentivo para que escrevesse a história de Jequié e sua região, partindo praticamente do nada. Paralelamente como as pesquisas feitas na Cidade-Sol, um município quase sem memória, no período de férias, quando ia a Salvador, andei vasculhando dados no Arquivo Público do Estado, o Instituto Geográfico e Histórico, na Biblioteca Central, no Gabinete Português de Leitura e outras instituições, possibilitando-me escrever três livros sobre Jequié e circunvizinhanças, a partir de sua origem e formação. Ao debruçar-me sobre o banditismo que assolava o Sul e o Sudoeste baianos, uma figura extraordinária de mulher que fugia aos padrões convencionais, chamou-me a atenção apesar de rejeitada por uma historiografia elitista e preconceituosa. Como de hábito, escritores da época não tinham pejo de zurzir nos costados dos que, sem opção, tornavam-se bandoleiros, após serem expulsos de suas propriedades pelos jagunços dos coronéis. O cinema norte-americano sabe dourar a pílula da maioria dos filmes que tratam da ocupação das terras pelos migrantes da Inglaterra. Capricha no enredo, a ponto do espectador comum encarar com naturalidade o massacre das tribos indígenas viventes na região.

Em artigos que datam da década de 1960, estribado em nova visão sociológica, tirei Anésia Cauaçu do limbo. Wilson Midlej e Antônio Luís Martins projetaram um filme sobre Anésia, que não chegou a ser concluído. Novas pesquisas, mais didáticas e com mais apuro, realizadas por outros autores, resultaram em livros, aos quais tive a oportunidade de me referir em artigos anteriores. A eles, juntamente com agora o excelente romance de Wilson Midlej, tendo como título “Anésia Cauaçu. Lenda e História do Sertão de Jequié”.

Melhor ficar por aqui e virar mais uma página na longevidade da existência.

Fonte: Revista Cotoxó, edição nº LXXVI  Dez/2017

*Emerson Pinto de Araújo é professor, historiador, escritor, cronista. Foi vereador de Jequié, presidente da Câmara Municipal, Professor de História da Educação e Sociologia Educacional na Escola Normal de Jequié. Fundador da Associação Cultural Dante Alighieri, do Conselho Comunitário, da Associação Jequieense de Imprensa, Integrante do Comitê Cidades Irmãs Jequié – Takoma Park, da Academia de Letras de Jequié. Venerável da Loja Maçônica União Beneficente, presidente do Rotary Clube do Jequié. Em 1977 ingressou no Rotary Clube da Bahia. Governador do Distrito 455, 1990-1991. Secretário de Governo Prefeitura Municipal de Jequié. Chefe de Gabinete do secretário de Educação do Estado da Bahia, 1983-1987. Redator do Jornal A Tarde, assessor e chefe de Gabinete do Conselho Estadual de Educação e da Secretaria Estadual de Educação e Cultura.

 

NA INAUGURAÇÃO DA POLICLÍNICA DE JEQUIÉ, RUI ANUNCIA AMPLIAÇÃO DO HOSPITAL GERAL PRADO VALADARES

Foto Renata Farias (Bahia Notícias)

O governador Rui Costa anunciou nesta sexta-feira (22), durante a inauguração da Policlínica Regional de Jequié, a ampliação do Hospital Prado Valadares, também situado no município, de forma que a unidade componha um “tripé” com os hospitais de Jaguaquara e Ipiaú. “Mais do que a duplicação do tamanho do hospital, vai ser um dos maiores hospitais da Bahia, nós estamos qualificando o Prado Valadares para fazer serviços de alta complexidade, que não fazia até aqui”, afirmou Rui, citando como exemplo equipamentos de tomografia computadorizada e ressonância magnética, que não existia no hospital. “Hoje o Prado já tem tomografia, já tem ressonância, e eu volto aqui no primeiro semestre para inaugurar esse grande hospital que será uma referência, de procedimentos de alta complexidade. Assim como nós fizemos no hospital Costa do Cacau, com procedimentos de hemodinâmica, cirurgia cardíaca”. O governador acrescentou que os hospitais de Jaguaquara e Ipiaú também passarão por adequações, por meio de convênios com a administração dos dois municípios. “O nosso planejamento esse tripé de hospitais deve responder pelo volume de serviços na região. O Prado sendo o hospital de maior complexidade, e o hospital de Jaguaquara e Ipiaú, com as intervenções que nós vamos fazer, ganhando uma produtividade maior, uma eficiência maior, e um número maior de procedimentos”.

ALBA LANÇA OBRA ANÉSIA CAUAÇU – LENDA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE JEQUIÉ

Cartaz, letra e música Antonio Luiz Martins (Lula Martins)

 

Foi uma autêntica festa jequieense o lançamento do livro do jornalista, publicitário e escritor Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, na Assembleia Legislativa, ontem, às 16h, pois a comitiva de amigos, admiradores e parentes que ele reuniu movimentou o Saguão “Nestor Duarte”. O livro resgata a história de uma fazendeira, jagunça e libertária mulher que antecedeu figuras como Maria Bonita e Dadá companheiras de Lampião e Corisco, numa prosa leve, que alterna dados históricos com ficção prendendo o leitor, como frisou o presidente Angelo Coronel, autor do texto da contracapa do volume.

Amigo do escritor de muito tempo, o presidente da Assembleia aproveitou para fazer um balanço do programa editorial Alba Cultural, que em sua gestão lançou exatos 30 livros (sem computar o lançamento, hoje, de “A Cidade da Bahia”, do pesquisador Nelson Cadena, editado conjuntamente pela ALBA, TCE e TCM): “Convenham que não é pouco, pois a média é de quase três obras por mês. No Brasil, infelizmente, nem toda editora de porte médio mantém tamanho ritmo”, frisou. O presidente do Legislativo aproveitou para lembrar que a Assembleia agora também está atenta e propositiva para com o social, para os carentes, através do Instituto Assembleia de Carinho, presidido por Eleusa Coronel.

O escritor agradeceu e explicou que esse projeto surgiu em 2001, quando pesquisou junto com o cineasta Lula Martins a incrível história dessa mulher, que teve um filho assassinado nas lutas políticas entre os “Rabudos” e “Mocós”, um grande conflito travado naquela região em 1916, portanto, há pouco mais de um século. Buscando informações no Instituto Histórico e Geográfico, jornais de época e no livro do professor Emerson Pinto de Araújo, que a ALBA reeditou e lançará em março, ele chegou ao “esqueleto” de sua obra, enriquecida com a orelha do poeta e escritor José Américo Castro, apresentação do escritor e professor Sérgio Mattos e contracapa do presidente Angelo Coronel. Ele elogiou a continuidade do programa Alba Cultural e se emocionou ao citar os nomes dos amigos que viajaram a Salvador para o lançamento.

Um momento de emoção aconteceu quando o neto de Wilson Midlej, Lucca Fraga Midlej, de sete anos, tocou Asa Branca, o clássico de Luiz Gonzaga numa flauta, antes de outro jequieense, o ex-deputado Ewerton Almeida, ir ao microfone para falar do livro do escritor e dos muitos conterrâneos (Jequié e municípios circunvizinhos), destacando as presenças de Antonio Lomanto Neto, do presidente da Academia de Letras de Jequié, Júlio Lucas, do empresário Fauze Midlej, da historiadora Clarice Sampaio, do cacauicultor Nestor Linhares, jornalista José Américo Castro, do coronel Rivaldo e do cineasta Robinson Roberto, o blogueiro Charles Meira, bisneto de um dos personagens, entre outras personalidades. “Amizade herdada dos pais e avós”, explicou Ewerton Almeida, “só tenho a elogiar esse pesquisador que supre lacuna importante na historiografia regional, mas aproveito para saudar o presidente Angelo Coronel e dona Eleusa, pelo clima de concórdia e descontração implantados na ALBA, que deixou as pessoas mais alegres, expansivas, nessa que é a nossa casa, a Casa do Povo”.

Em seguida, Eleusa informou que por sugestão de Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, foi distribuído a quem fez doação de material de higiene pessoal, que será direcionado para entidades que lidam com moradores de rua, através do Instituto Assembleia de Carinho. Para ela, essas atitudes de fato transformam, numa alusão ao slogan do instituto que preside (Atitude que Transforma). Eleusa Coronel também explicou o funcionamento da Árvore dos Sonhos que recebeu donativos durante todo o mês, numa ação suprapartidária, de caráter humanitário que sem dúvida ajudará a muitos carentes. O autor autografou a obra por mais de duas horas, quando o evento foi encerrado.

Texto: Carlos Amilton/Agência-ALBA
Publicado em: 20/12/2017
Setor responsável: ASSESSORIA COMUNICACAO SOCIAL

DO PREMIADO REPÓRTER FOTOGRÁFICO EVANDRO TEIXEIRA

Por Eliza Teixeira de Andrade*

 

 

 

Por volta de 1954 (ou 1955), chegara a Ipiaú, vindo de Jequié, Evandro Teixeira, um jovem fotógrafo. Apesar do sobrenome, não tinha parentes na cidade. Aprendera o ofício, ainda adolescente, com Nestor Rocha, tio de Glauber Rocha.

Na cidade, procurou o Sr. Waldemar Lefundes, jornalista e proprietário do jornal Rio Novo, que o convidou para trabalhar como fotógrafo. É dele, a maioria das fotos tiradas nos principais eventos e fatos históricos da cidade, ocorridos na época.

O proprietário do jornal, reconhecendo o talento do rapaz, conseguiu o seu registro como jornalista, em uma viagem que fizeram a Salvador.

Muito simpático e comunicativo, Evandro logo se faria benquisto por tantos que o conheceram.

Mas Ipiaú era pequena para comportar todo o talento do jovem fotógrafo-jornalista e eis que, em 1957, incentivado por Manoel Pinto, que compunha músicas com o pseudônimo de Mapin, fora morar no Rio de Janeiro, onde conseguiu trabalhar em importantes jornais.

Nos anos subsequentes, Evandro regressou a Ipiaú algumas vezes, para visitar os amigos que deixara e que torciam por ele.

Sua vocação e coragem, aliadas ao seu talento, abririam mais tarde as portas do reconhecimento nacional.

*Eliza Teixeira de Andrade é advogada e escritora ipiauense.

EUCLIDES NETO, CRONISTA

Por Vitor Hugo Martins*

 

 

Crônica tem tudo a ver com tempo. Isso está no próprio signo verbal, está embutido nele: Kronus, deus grego sabidamente filicida, que assim agia exatamente por temer se tornar um dia vítima de parricídio. Coisas essas para cultores da mitologia helênica e para Freud, Jung, Lacan e outros menos dotados.

Crônica, hoje, para nós, dos tempos pós-modernos, é uma espécie literária do gênero épico ou narrativo que, em obediência à etimologia, fala, como já vimos, do tempo. Seja este o passado, o presente ou o futuro. Talvez fale também do lugar em que está o cronista, que é um apaixonado por seu tempoespaço. Assim mesmo, senhor micreiro, senhor revisor.

Cronista, e maior, é Euclides Neto, que eu não tive o prazer de conhecer em vida. Menos mal que o conheço por sua obra fascinante, em especial a cronística. Relendo agora – e quantas vezes já o fiz, meu Deus?! – esta lindeza que é “Jaca”, escrita em 22/04/1993, do livro de crônicas O menino traquino (1ª ed., 1994, 2ª ed., 2014), sinto-me alumbrado de tanta Literatura. E Literatura, vejam bem, que informa e que deleita, simultaneamente. Essa crônica euclidiana põe por terra a teoria daqueles que veem a Arte sem função alguma para os homens. Arte sem função é puro narcisismo, que leva à morte, é apenas arte; Arte comprometida com algo fora de si é exercício de cidadania, de solidariedade. Nesse sentido, sou mais aristotélico que platônico, amigo e filósofo Giorgio Gonçalves Ferreira. Reparem que não estou falando de panfletagem nem de sectarismo. Falo, sim, de Arte de que só o homem é capaz de criar para o bem de outro homem. Como a do cronista Euclides Neto, voltando-se, como de praxe, para a Natureza, para a terra, e extraindo dela o dulcíssimo sabor da fruta pela palavra.

Sua “Jaca”, cronista, recorda-me bem as jacas da minha infância e da minha juventude, e sem nenhum pejo ou constrangimento. Ainda hoje estou preso ao visgo de seu perfume e ao mel de seus bagos, especialmente os da jaca mole ou manteiga, como dizíamos lá atrás, no tempo em que havia casas com jaqueiras em lugar de arranha-céus na Cidade Maravilhosa.

Tenho também comigo estes dois inveterados hábitos: de ser leitor e de ser um papa-jaca, Euclides Neto!

*Vitor Hugo F. Martins é professor titular do curso de Letras, da Universidade do Estado da Bahia, Câmpus XXI, Ipiaú. Poeta, cronista e contista. Autor de CONTOS CARDIAIS (Vitória da Conquista: Editora da UESB, 2006, contos), CRONICÁLIA (Ibicaraí: Via Litterarum, 2015, crônicas) e PEPÊ PERGUNTADOR (Ibicaraí: Via Litterarum, 2016, narrativa infantojuvenil).