Arquivo para ‘Políticos e Folclore’ Categoria

O CARTUNISTA HENFIL COMPLETARIA 73 ANOS EM 2017.

“Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente”

                                                                                                                                                      Henfil

 

Henrique de Souza Filho (1944-1988), mais conhecido como Henfil, foi um cartunista, quadrinista, jornalista e escritor brasileiro. Nascido no dia 5 de fevereiro de 1944, em Ribeirão das Neves (MG), ele começou a carreira na “Revista Alterosa” e seu apelido foi uma invenção do editor Roberto Drumond, que juntou as primeiras sílabas dos nomes Henrique e Filho. Criador de personagens de histórias em quadrinhos, como os fradinhos Baixim e Cumprido, a ave Graúna, o bode Orellana, Capitão Zeferino e Ubaldo, o paranoico, o cartunista também foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores.

A ave Graúna tornou-se um dos personagens mais famosos de Henfil. Analfabeta, mas ainda assim muito sábia. Seu criador a usava para criticar os problemas do Brasil: a desigualdade social, a indústria da seca, o coronelismo, o desmatamento — e até mesmo o milagre econômico propagandeado pelo regime militar. Além de fazer piada com o “Sul maravilha”, como dizia Henfil. É um exemplo do traço minimalista do artista. O corpo era composto basicamente por um ponto de exclamação.

No dia 4 de janeiro de 1988, Henfil se foi vítima da Aids, no Rio de Janeiro. A doença foi contraída em uma transfusão de sangue. Hemofílico, ele tinha a saúde precária, assim como seus dois irmãos, Herbert de Sousa, o Betinho, e Francisco Mário. Uma maneira de manter sua história viva é ler sua obra.

O Pasquim com nome e formato de jornaleco anarquista e tendencioso foi um poderoso formador de opinião entre os anos 1960-1970. Bem humorado, com textos leves, articulistas inteligentes e engajados, o jornal, de circulação nacional, demonstrava, didaticamente, as nuances da política em todas as suas gradações morais e aspectos comportamentais.

CINCO LIVROS E CINCO FRASES PARA LEMBRAR DE HENFIL

A volta do Fradim: Uma antologia histórica, de Henfil

“Morro, mas meu desenho fica”. A frase de Henfil não era apenas mais uma brincadeira: o genial humorista, morto precocemente pela Aids contraída em transfusão de sangue, permaneceu em seus desenhos. As histórias dos dois fradinhos continuam atuais. Irreverentes, irônicas, às vezes sangrentas e agressivas, elas retratam, infelizmente, um país que ainda assassina a lucidez e a independência e premia o corrupto, o incompetente, o que se curva e se vende.

Urubu, de Henfil

Livro do cartunista rubro-negro, que oficializou o Urubu como mascote do time, rememora a fase áurea do atual campeão carioca Assim como o compositor de marchinhas carnavalescas Lamartine Babo era fanático pelo América, tendo inclusive composto o hino dos principais clubes do Rio de Janeiro, e o dramaturgo Nelson Rodrigues exaltava as glórias do tricolor carioca, o cartunista Henfil, rubro-negro de carteirinha, detalhou com seu traço indefectível os momentos inesquecíveis de seu time do coração.

O rebelde do traço: a vida de Henfil, de Dênis de Moraes

A vida do cartunista Henfil, desde a sua infância até a sua luta contra a Aids, está na biografia O rebelde do traço, escrita por Dênis de Moraes. Comédia, drama e tragédia povoam as páginas do livro, repleto de fatos inéditos, que contam a trajetória de Henfil. Não faltam menções à sua passagem pelos porões da ditadura, os tempos polêmicos do Pasquim e a presença da Aids que o alcançou no início dos anos 80.

A Volta da Graúna, de Henfil

As aventuras engraçadíssimas de um trio impagável: a Graúna, o bode Francisco Orellana e o cangaceiro Zeferino, num Nordeste em que o sol inclemente e o coronelismo tentam impedir a vida e a felicidade. Histórias já clássicas, que sobreviveram aos fatos que as geraram, quando foram publicadas nas páginas de quadrinhos do Jornal do Brasil , do Pasquim e, já nos últimos anos de Henfil, no Caderno 2 de O Estado de S. Paulo.

Como se faz humor político, de Henfil

A partir de uma encomenda de um livro sobre o humor político, Henfil, sempre muito atarefado, preferiu confiar ao amigo Tárik de Souza uma entrevista em que pudesse abordar o assunto. O resultado é esta obra densa, pertinente e atual. Revela os detalhes do ofício desse craque do humorismo político brasileiro que criou vários personagens clássicos, com os Fradinhos e a Graúna.

Fonte: http://blog.estantevirtual.com.br/

ITAGI: DR OLIVAL ANDRADE SE REUNE COM REPRESENTATES DA CAIXA ECONOMICA EM ITABUNA

O Prefeito eleito da cidade de Itagi, Dr Olival Andrade se reuniu nesta sexta Feira, com representantes da Caixa Econômica na Cidade de Itabuna, com o objetivo de discutir processos e obras em andamento no município. De acordo o gerente executivo de Governo da representação regional da Caixa, o objetivo da Caixa é o mesmo da prefeitura, que as obras sejam concluídas o mais rápido o possível. “A Caixa é um braço do Ministério das Cidades, que tem regras a cumprir. Muitas vezes a placa com informações sobre a obra está no local, mas o recurso ainda não foi liberado e, por isso, o serviço não começa. É importante deixar isso claro. Nem sempre o dinheiro foi depositado, Dr Olival cobrou da gerencia de projetos da caixa um estudo de todos os investimentos das obras paralisadas da cidade e disse que em seu governo vai fazer de tudo para a retomada das obras e vai buscar juntos os órgãos competentes mais investimentos, segundo informações dos representantes da caixa econômica Valter campos e Antônio Hilário existe Recursos de mais de um milhão de reais que estão travados e que vai ser liberado agora na nova gestão de Dr Olival, a partir de janeiro.

Fonte: Ascom

APÓS SAÍDA DE CALERO, SECRETÁRIO DO AUDIOVISUAL PEDE DEMISSÃO DO MINC

Alfredo Bertini deixou nesta quinta-feira (8) o cargo de secretário do Audiovisual (Sav), órgão ligado ao Ministério da Cultura (MinC). Ele havia sido nomeado pelo ex-ministro Marcelo Calero em junho.  A informação é da Veja.

Segundo uma fonte do MinC, que pediu para não ser identificada, Bertini ficou sem apoio depois que Marcelo Calero, substituído por Roberto Freire, pediu demissão no mês passado.

Ainda segundo essa fonte, após a saída de Calero, Bertini passou duas semanas em Recife sem voltar para Brasília, período em que alegou problemas de saúde.

Fonte: Bocão News

ELEITA EM COITÉ, VEREADORA ASSINA DOCUMENTO QUE DOA 100% DO SEU SALÁRIO

Parte do salário da vereadora será destinado a Casa do Idoso e a entidades de proteção animal

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No município baiano de Conceição de Coité, de 67.875 habitantes, localizado na microrregião de Serrinha, a bancária aposentada Juçara Silveira, eleita pela primeira vez vereadora, com o apelido de Juçara de Mário (PT), assinou e registrou em cartório durante a campanha deste ano, um documento em que se compromete em fazer a doação mensal de 100% do salário de vereadora, atualmente no valor de R$ 7 mil. Juçara de Mário ficou na 7ª colocação entre os vereadores eleitos, com 1.379 votos de um universo de mais de 49 mil eleitores. O salário de vereadora será dividido na seguinte proporção: 80% será doado para a construção de uma casa do idoso e 20% para instituições que cuidem de animais abandonados no município. Em entrevista que deu ao site Calila Notícias, Juçara disse que vai buscar uma contabilidade para que cuide do repasse. “Para o meu mandato ser transparente, farei com que algum setor de contabilidade acompanhe a aplicação desses recursos. A mediação não será feita por mim”, enfatizou.

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AOS 86 ANOS MORRE EM SALVADOR O EX-DEPUTADO FEDERAL AFRÍSIO VIEIRA LIMA

Afrisio Vieira LimaMorreu na noite deste domingo (10) o ex-deputado federal e estadual Afrísio de Souza Vieira Lima (PMDB), em Salvador, aos 86 anos. Ele é pai do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB) e de Geddel Vieira Lima, presidente do PMDB na Bahia.

Afrísio estava internado em um hospital há cerca de 90 dias. A causa da morte ainda não foi informada. O corpo será sepultado nesta segunda-feira (11), às 16h30, no Cemitério do Campo Santo, no bairro da Federação.

Afrísio nasceu em 19 de março de 1929, na cidade baiana de Remanso. Formado em Direito, o ex-deputado assumiu diversos cargos durante a vida pública, como superintendente do Centro Industrial de Aratu e secretário estadual de Segurança Pública da Bahia.

Ele também foi superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), diretor presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e presidente da Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb).

Por meio das redes sociais, os filhos manifestaram pesar pela morte. “Uma dor sem fim. Perdi o parceiro de toda uma vida. Não sei o que vai ser daqui para frente da minha vida. Vai em paz, meu amor. Vai em paz, meu pai”, disse Geddel. “Agora há pouco, meu amado pai, Afrisio Vieira Lima, iniciou sua viagem para eternidade, deixando saudades e exemplos”, postou Lúcio.

Em nota, o governador Rui Costa (PT) enviou solidariedade à família. “Meus sentimentos e solidariedade a toda família. Sei o que é a dor da despedida de um pai. Espero que a fé em Deus e as boas lembranças do pai de família e do homem público que ele foi conforte seus filhos, sua esposa e demais familiares e amigos”.

O prefeito ACM Neto lembrou do ex-deputado. “Em todos os cargos públicos que ocupou, o deputado Afrísio Vieira Lima sempre lutou muito pelos interesses da Bahia”, afirmou, em nota de solidariedade.​

O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Paulo Câmara (PSDB), também lamentou a morte, em nota de pesar. “A cena política brasileira perde um de seus atores, especialmente a Bahia. Afrísio deixou a sua contribuição na construção da democracia. Neste momento de luto, deixo em nome da Câmara os meus sentimentos à família Vieira Lima”, disse.

O senador Otto Alencar (PSD) também se posiciou em nota. “Foi com pesar que recebi a notícia da morte do ex-vereador e ex-deputado federal e estadual, Afrísio Vieira Lima. Aos familiares e amigos de Afrísio, transmito meus sentimentos. Destaco os relevantes serviços por ele prestados a nossa querida Bahia”.

A bancada de oposição na Assembleia Legislativa da Bahia emitiu nota de pesar pela morte do ex-deputado federal Afrísio Vieira Lima. Consternado, o líder da bancada, deputado Sandro Régis (DEM), lamentou profundamente o falecimento do ex-parlamentar. “Em nome de todos os deputados que compõem a bancada de oposição do Legislativo baiano, presto aqui os meus sentimentos aos amigos e companheiros da jornada política Geddel e Lúcio Vieira Lima, reafirmando a nossa solidariedade e rogando a Deus o conforto para toda a família”, reforçou o líder.

NO JOGO DE CADEIRAS MARCELO NILO VAI PARA PSD; ZÉ CARLOS ARAÚJO REAGE DIANTE DA CONCORRÊNCIA

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O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Marcelo Nilo que já foi PSDB, PL e PDT, deve mesmo ir para o PSD, segundou informações do site Política Livre. O processo de negociação para o ingresso do político no partido estaria avançado, envolvendo o senador Otto Alencar e o presidente nacional da sigla, o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, mas teria emperrado numa objeção feita pelo deputado federal José Carlos Araújo. Araújo ao que tudo indica, fica de pé atrás diante do fato de Nilo ter praticamente negociado sua participação na chapa de 2018 do governo estadual como candidato ao Senado pela agremiação conduzida por Otto na Bahia. Segundo uma fonte da executiva estadual do PSD, Araújo, que ganhou muita projeção agora como presidente do Conselho de Ética da Câmara, estaria interessado também em disputar o cargo de senador da República.

Ao comentar essa notícia, o ex-deputado Ewerton Almeida, afirma que Marcelo Nilo tem se mostrado muito forte apenas no âmbito da Assembleia Legislativa e já fez de tudo para ter um Partido importante sob o seu comando. No entanto, só faz acumular derrotas em seus pleitos. Segundo Tom Legal, isso sempre acontece com lideranças emergentes que não ouvem ninguém e querem ser donos da verdade. Ewerton ao concluir seu comentário, lamenta: “Uma pena, pois se juizo tivesse, (Marcelo Nilo) poderia ser uma liderança importante no nosso Estado, o que dificilmente acontecerá, pois, ele é dos tais que pode ser muito bem enquadrado na máxima que diz: ‘quem não sabe rezar xinga a Deus’.”!

O POVO PRECISA DE “ÁGUA JÁ”

marinhoPor Mario Alves Filho*

 

 

A crise de falta de “água já” bateu nas portas do povo de Jequié. A Embasa está pedindo para que economizemos “água já”. O cidadão pobre pede um copo “d’agua já”, porque não quer morrer de sede. Até a turma da “birita”, quando chega sexta-feira diz: Vou comer “água já”. A mãe geralmente manda a filha fazer o café e determina: Bote a “água já” no fogo. Se a criança está brincando com água, a mãe ou o pai repreende dizendo: Seu moleque; pare de brincar com a “água já”.

Na última eleição para prefeito e vereadores, surge um candidato a vereador muito “inteligente” e registra o seu nome para submeter ao crivo do eleitorado como sendo Neto da “Água Já” e entrou na luta visitando os bairros e dizendo que o seu apelido “Água Já” surgiu porque a água é vida e que todos precisavam da água, especialmente os mais pobres e que ele sempre dava água a quem tinha sede. Afirmava aos eleitores que não tinham condição de pagar as suas contas de água que, se eleito, ia elaborar um projeto de lei para isentar o povo pobre do pagamento de “água já”. O povo acreditou e votou no cara.

Na verdade o vereador era e é comerciante de água, e o nome fantasia da sua empresa é exatamente “Água Já”. Deu, portanto, um a zero no povo.

O dito vereador há menos uma semana atrás garantiu (as gravações existem) que a prefeita de Jequié precisava ser cassada, pois ele jamais tinha visto tantos desmandos, tantas falcatruas e tanta irresponsabilidade em uma administração municipal.

A prefeita Tânia abraça seu ex-crítico, vereador Neto da Água Já.

A prefeita Tânia abraça seu ex-crítico, vereador Neto da Água Já.

Durante a sua curtíssima trajetória eleitoral (já que afirma não ser mais candidato a nada), os políticos de todas as facções perceberam que ele não era uma pessoa merecedora da confiança de ninguém. Nem da oposição, nem da situação e nem da ala chamada “independente”.

O deputado federal envolvido na operação Lava Jato e que de fato comanda a Prefeitura de Jequié, conhecido pela alcunha de “Esperto Brito”, precisando dar um reforço nos votos contrários à cassação de sua ex esposa, “conquistou” o vereador da “água já” que lhe prometeu votar do jeito que ele (deputado) quisesse. Como o apelido “Esperto Brito” não surgiu do nada, o deputado, sabendo que a suplente do vereador “água já” merecia confiança e ele não, determinou que se afastasse do cargo e que receberia em troca um cargo de primeiro escalão. Resultado que o vereador da “água já” foi nomeado para o cargo de secretário de cultura do nosso município, e já está tecendo elogios a todos que fazem parte das falcatruas e dos desmandos que ele dizia existirem. Uma vergonha.

Um amigo acaba de me telefonar dizendo que o vereador afirmou que fez a permuta por conta da crise da “água, já” existente. O amigo me disse, também, que fatalmente o nome “Neto da Água Já” passará a ser “Neto da Grana Já” e assim ele deixará o seu nome registrado na história de Jequié, todo sujo de lama (ou de grana) não sabemos bem!

Um feliz natal para todos os amigos e que Deus ilumine a consciência do nosso povo em 2016.

Jequié, 22 de dezembro de 2015

*Mario Alves Filho é advogado, músico, poeta, escritor e ex-vereador de Jequié.

 

LOMANTO JÚNIOR: UMA VIDA SERVINDO AO POVO!

tataiEdvaldo Santiago (professor Tatai)*

 

 

 

Aos noventa anos de idade, após uma existência toda ela dedicada à família, aos amigos e à política, soube ser gente, exemplar pai de família, amigos das horas incertas. Lomanto Júnior deixou saudades e amigos por todos os lugares por onde passou. Seu forte, a política. Foi correto, honesto, sempre ao lado dos mais humildes. Galgou quase todos os degraus da política, de vereador a governador da Bahia e Senador da República.

Como governador da Bahia, seu governo, difícil e cauteloso – período da revolução -, foi bem sucedido. Como ipiauense, correligionário e amigo dos seus familiares, só temos do ilustre governador, grandes lembranças e muitos afetos. A começar por d. Detinha e sua simplicidade.

lomanto com euclides e tatai

A foto ilustra o inesquecível governador, junto ao então prefeito de Ipiaú, Euclides Neto e o modesto presidente da câmara, Professor Tatai. Período da fundação do Gami, hoje Colégio Estadual de Ipiaú.

Há alguns dias, em nosso escritório, com a presença dos Jornalistas Wilson Midlej e José Américo, Professora Wanda e Pedagoga Jussara Midlej comentamos sobre a saúde do governador que ora nos deixa.

Agora, só nos resta, como toda a Bahia, todo o Brasil, lamentar a sua ausência. Para sua família nosso sentimento, nossa recordação de cidadão tão importante para todos que lidaram com ele.

*Edvaldo Santiago, foi alfaiate, é filósofo, professor, advogado e referência de cidadania para várias gerações de ipiauenses.

MUDA-SE A COR DAS PENAS, MAS OS GALOS SÃO OS MESMOS

Rinha

Jogos de salão como o xadrez ou o de damas não são apenas passatempos feitos para divertir.  Todo jogo carrega a sabedoria iniciática da cultura que o criou e o significado da época histórica onde surgiu.

Jogo de reis, rei dos jogos. Um tabuleiro de xadrez, com todas as suas belas peças brancas e negras que se movimentam segundo regras e estratégias precisas, ou de damas (um jogo que do xadrez deriva), carrega milênios de tradições, conhecimentos esotéricos e símbolos rituais. Assim, não surpreende, Nicolau Maquiavel autor de “O Principe” e Sun Tzu de “A Arte da Guerra”, serem virtuosos jogadores de xadrez.

Embora saibamos tratar-se de um desafio de estratégias e raciocínio, entre nós, conhece-se pouco sobre esse tabuleiro mágico onde, simbolicamente, se ganha e perdem-se homéricas batalhas e guerras memoráveis. As enciclopédias apontam que esses jogos nasceram na Ásia em algum momento perdido da história, faz parte de um conjunto de jogos que atravessaram os séculos e chegaram até nós, trazendo testemunhos de civilizações, crenças e conhecimentos muito antigos.

Simbolicamente as peças brancas e negras representam os contendores. Já o tabuleiro é uma representação do mundo manifestado, a arena da batalha…

Mais próximo de nós, de nossa cultura, um simbolismo mais à mão, cuja tradição está em declínio é a brasileiríssima “briga de galo”, também um jogo. Entre os comentadores da história da filosofia circula a ideia de que tem a sua origem entre os gregos. Também a arena e a própria contenda das aves carregam forte simbolismo: observação, coragem, persistência, resistência, fidelidade pela palavra empenhada… São rituais comuns na rinha de galo.

Pois bem: numa analogia aligeirada, o jogo de xadrez e de damas cujo princípio é a preservação das peças, damas, rainhas e reis, enquanto os peões, seus cavalos e torres se postam em posições estratégicas para defender, não apenas as autoridades, mas, os planos de vitória.

No presente, quando ainda não se tem os exércitos formados, as batalhas visíveis, é mais adequado usar o cenário de uma briga de galos para analisar o momento político de Jequié: os grupamentos considerados de oposição, bem como a alternativa concreta para conquista do poder, a ansiada substituição de comportamentos entranhados na máquina pública e mudança radical de práticas politicas espúrias e nocivas ao crescimento do município, fundamentais para o bem estar do seu povo, estão muito longe da realidade.

Temos hoje o seguinte cenário: os deputados Roberto Britto e Antônio Britto, não têm em comum apenas o Britto que compõem os seus nomes. As atitudes que adotam levam a crer que a ambição e a determinação pela conquista do comando da prefeitura de Jequié, a qualquer preço, também é inerente aos planos traçados por ambos.

Daí a figura de retórica que adotamos nessa análise: Antonio Britto e Roberto Britto são visões projetadas de dois galos de briga se observando no interior do tambor da rinha. Um medindo e avaliando cada gesto, cada passo do outro.

Ambos os galos, nessa visualização criativa, são Brittos. Se um, Roberto, de plumas vermelhas, decide, compreensivelmente, mas sem nenhum nexo ou legitimidade, “assumir” a prefeitura de Jequié, onde uma gestora eleita pela expressiva maioria de cerca de 75% da população, ainda permanece no poder, assinando, demitindo, celebrando contratos, realizando todos os atos inerentes à sua função constitucional de um ente federativo, o outro, Antônio, de penas brancas, anuncia ter transferido o seu domicílio eleitoral para Jequié, num recado subliminar de que está sim, disposto a concorrer às eleições municipais, ao cargo de prefeito, do alto de seu sólido galho, de ter recebido votos de cerca de 35 mil  jequieenses no último pleito.

O galo vermelho, cujo canto não se ouvia em Brasília, agora canta nos quintais de Jequié, prometendo fazer as obras necessárias, promover pagamento das contas atrasadas, acertar com os terceirizados, ajustar a receita e despesa com o consequente equilíbrio orçamentário, transmitindo a mensagem objetivamente de que a sua atuação o credenciará para uma possível “reeleição” e assumindo a prefeitura de fato e de direito em 2017. Ou ainda, no mínimo, elegendo até um poste como sucessor de Tania Britto, não obstante ter encarreirado todos, absolutamente todos os seus companheiros mais expressivos no campo político.

Já o galo de penacho branco, dança com todos. Flerta com cada candidato potencial dos demais partidos de oposição, alimenta essa ou aquela liderança acenando com a candidatura pelo seu partido, o que, segundo se avalia no senso comum, seria vitória certa. Arrisca-se a contrariar o governo estadual de quem é expressivo beneficiário, ao promover jantares e encontros com célebres adversários de Wagner, Rui e Dilma, arrasta a sua asa para candidatas bonitas e com possibilidade de conquistar votos, cisca junto ao PMDB, DEM, PV, PSB e PDT, numa autêntica dança nupcial, considerando-se a grande apoteose da festa no reino. Tanto que há quem diga, o seu candidato ou candidata sairá do seu próprio terreiro.

Enquanto isso, as lideranças tradicionais de Jequié, algumas delas, como um bem avaliado ex-prefeito, com efetivas condições de vitória, ou ainda três médicos, dois aqui chegados e um prata da casa, aguardam impassíveis o desenrolar dessa dança interminável, sem perceber que tudo se encaminha para uma polarização das candidaturas dos Brittos entre si, deixando os demais candidatos, de vários partidos oposicionistas, como meros coadjuvantes, sem a menor chance de entrar na dança do poder, já que polarizada entre duas forças. Aliás, nem os Brittos se deram conta dessa polarização, ruim para um deles. Ao contrário, para um dos deputados contendores, simbolizados pela cor vermelha em suas penas, quanto maior o número de candidatos pulverizados por vários partidos, mais aumenta a chance de ir para o pódio.

A união das raposas em torno de um só nome, um nome de pelo bem macio… A capacidade de renunciar aos projetos pessoais e empunhar uma bandeira firme e competitiva e que represente o coletivo, seria a única possibilidade de colocar ordem no galinheiro e mandar os galos cantar em outros terreiros. Parece que os estrategistas de plantão não pensam assim.

GOVERNANTE GOVERNADA

dilma_rousseff_0Por Dora Kramer*

Tempo houve, não faz muito, que Dilma Rousseff pretendia mandar até no uso e costume da língua portuguesa. Exigiu ser chamada de “presidenta”, no que foi atendida por subordinados. Funcionais e mentais. Hoje a presidente Dilma Rousseff já não manda em coisa alguma. Nem no governo nem em si.

Na prática, tornou-se impedida de governar. Em preciso jogo de palavras, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso bem definiu a situação ao dizer que depois dessa nova rodada de negociações com o baixo-clero do PMDB Dilma não governaria, seria governada.

É de se acrescentar a título de reforço: não preside, é presidida. Por Luiz Inácio da Silva, pelo andamento da Operação Lava Jato, pela vontade dos ditos aliados, pela repercussão de suas ações. A presidente está entregue aos acontecimentos, na realidade, interditada.

O afastamento de Aloizio Mercadante da Casa Civil é um ato que não soluciona. A saída dele não resolve. Na avaliação de colegas de governo e de partido, Mercadante fora da Casa Civil não é uma solução para a crise, mas sua permanência seria garantia do agravamento da situação.

O problema é que na Casa Civil ou na Educação, Dilma vai continuar ouvindo Aloizio Mercadante, seu pior conselheiro.

(…)

*Dora Kramer é jornalista, colunista do jornal O Estado de São Paulo

**Trecho da coluna publicada em 04 Outubro 2015

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