Arquivo para ‘Nacional’ Categoria

INDIGNADO, PALESTRANTE ESPÍRITA SAI EM DEFESA DE DIVALDO FRANCO

O advogado e palestrante espírita Jefferson Rodrigues Bellomo gravou um vídeo em que manifesta sua indignação pela tentativa de desqualificação e desrespeito aos conhecimentos doutrinários e filosóficos do médium baiano Divaldo Franco.

Você pode conferir a resposta de Divaldo a um jovem congressista sobre a Ideologia de Gênero na matéria abaixo, abordando o Congresso Espírita de Goiás. Lá é possível conferir o episódio que teve como palco do Congresso goiano e que para alguns espíritas indica não apenas a possibilidade de rachar o sesquicentenário movimento, como considera que, enfim, foi revelada a penetração da política petista, que idolatra Lula e eleva Marx a condição de iluminado, no seio do espiritismo nacional.

Os espíritas, cujas características principais são, a absoluta independência de manifestação do pensamento, da visão política, da ausência de hierarquia e manifestamente democrática, não pode e nem deve sofrer o patrulhamento sistemático que se instalou no movimento na última década. A caridade, o conhecimento e a ética são fundamentos inalienáveis preconizados pelos que abraçam, como verdade, os princípios da codificação em movimento religioso-cultural agregador, cuja militância peregrina, tem no incansável Divaldo, vivenciando a doutrina espírita na maior parte dos seus 91 anos, em torno de grande número das nações de vários continentes, o seu divulgador incansável e referência maior.

O que lemos, em alguns comentários, são além de desrespeitosos, uma demonstração inequívoca do fanatismo político de alguns espíritas que infelizmente sucumbiram diante do convite a eterna luta pelo privilégio da farra do poder e perderam a lucidez e a percepção ao não enxergar a corrupção entranhada na maioria dos líderes dos partidos a que estão ligados, e a destruição da moral, da ética e da família, defendida desde lá atrás no manifesto comunista em que Karl Marx propunha a revolução operária e, sutilmente, a destruição da família, para que o proletariado chegasse ao poder.

Pois bem, os partidários da tese chegaram ao poder. Entretanto, antes de proporcionar propriedades rurais para os “Sem-Terra”, moradas dignas construídas sem corrupção, para os “Sem-Teto”, emprego e previdência plenos, mais uma longa lista de carências em que foi prometido providências, nada disso aconteceu em mais de uma década no poder, preferiram chafurdar na lama da propina e desvios, de acordo com os processos transitados em julgados, que tiveram como alvo e condenados os dirigentes e militantes. É inimaginável tamanha polêmica envolvendo espíritas que tanto contribuem para a formação da cidadania e o aperfeiçoamento moral.

TEMER DECRETA INTERVENÇÃO NA SEGURANÇA DO RIO E MINEIRO VAI ASSUMIR O COMANDO

Presente em solenidade, governador Luiz Fernando Pezão reconheceu que as polícias Militar e Civil não conseguem vencer a guerra de facções

O presidente Michel Temer decidiu no início da madrugada desta sexta-feira, 16, decretar intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. O Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado, inclusive com poder de prisão de seus membros. O interventor será o general mineiro Walter Braga Neto. Na prática, o oficial vai substituir o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na área de segurança. A decisão do governo federal contou com o aval de Pezão.

O interventor do Rio é nascido em Belo Horizonte e comandou, desde setembro de 2016, o Comando Militar do Leste (CML), responsável por Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Ao longo de sua carreira, comandou o 1º Regimento de Carros de Combate e foi chefe do Estado-Maior da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e do Comando Militar do Oeste.

Braga Netto atuou como Coordenador-Geral da Assessoria Especial para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do CML durante os Jogos Rio 2016. Antes de assumir o CML era comandante da 1ª Região Militar (Região Marechal Hermes da Fonseca). Ele possui 23 condecorações nacionais e quatro estrangeiras.

Pela Constituição, cabe ao presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), convocar sessão para que as duas Casas Legislativas aprovem ou rejeitem a intervenção em dez dias. O decreto, que será publicado ainda nesta sexta-feira, tem validade imediata.

Enquanto a intervenção vigorar, não pode haver alteração na Constituição. Ou seja, nenhuma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pode ser aprovada. É o caso da reforma da Previdência, que começa a ser discutida na segunda-feira pela Câmara. Uma ideia é decretar a intervenção e suspender seus efeitos apenas por um dia, para a votação das mudanças nas regras da aposentadoria.

A decisão pela intervenção foi tomada em uma reunião tensa no Palácio da Alvorada, com a presença de ministros e parlamentares. No mesmo encontro, Temer bateu o martelo sobre a decisão de criar o Ministério da Segurança Pública. A proposta partiu do presidente do Senado. Não se trata de uma ideia nova, mas ela foi desengavetada agora pelo Palácio do Planalto na tentativa de emplacar uma agenda popular, a sete meses e meio das eleições.

Pesquisas encomendadas pelo Planalto mostram que a segurança é uma das principais preocupações da população, ao lado da saúde. Na avaliação de auxiliares de Temer, as iniciativas de decretar a intervenção na segurança pública do Rio e de criar um ministério para cuidar da área passam a imagem de que o governo federal não está inerte e age para enfrentar o problema, embora a competência no setor seja dos Estados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), precisou ser convencido da decisão pela intervenção. O deputado se queixou de que não foi convidado a participar de reuniões sobre a crise na segurança desde o início da crise e demonstrou irritação com o ministro da Justiça, Torquato Jardim. Inicialmente contra a intervenção no Rio, o deputado foi avisado de que seria responsabilizado publicamente pela crise na segurança do Estado, e acabou cedendo. Durante o encontro, a situação vivida no Rio foi comparada a uma “guerra civil”.

A intervenção é prevista no artigo 34 da Constituição, segundo o qual “a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para manter a integridade nacional”. O artigo 60, parágrafo primeiro, diz que “a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”.

Por Isabella Souto www.em.com.br

 

QUE TIRO FOI ESSE?

JEQUIÉ DEFLAGRA CAMPANHA PARA DUPLICAR PISTAS NA EXTENSÃO DA SERRA DO MUTUM

Cartazes estão sendo distribuídos pelas redes sociais e locais fixos grande visibilidade

O trecho localizado entre os municípios de Jaguaquara e Jequié, na BR-116 tem revelado, ao longo do tempo, como uma das maiores concentrações de acidentes graves da região, inclusive com incidência de mortes trágicas. 

Muitas vidas foram ceifadas no percurso da fatídica serra, nos dois sentidos. A longa extensão da ladeira, cerca de 8 km, bem como o traçado do trecho, com cortes em volumosas pedras e o número de precipícios em ambos os lados, têm contribuído para o aumento significativo do índice de acidentes no trecho.

Cada vez que acontece um acidente grave, em grandes proporções, que geram vítimas originárias de vários estados, ou mesmo de habitantes da região, tem causado dor e comoção aos moradores de Jequié e de outras cidades da região.

Quando do processo licitatório para privatização do trecho da BR-116 compreendido entre a divisa de Minas Gerais com o estado da Bahia até a cidade de Feira de Santana, na Bahia, o vencedor, a empresa Via Bahia, concessionária que administra a rodovia, se comprometeu em breve espaço de tempo, a duplicar o trecho concedido, em toda sua extensão. Para tanto, instalou imediatamente grande quantidade de postos de pedágio para arrecadação, representando significativo volume de receita para começar a cobrir os investimentos acordados.

Pois bem. Até agora, somente o trecho de 70 km entre Feira e a ponte sobre o Rio Paraguassu sofreu alguma intervenção, ainda assim, de forma lenta e precária.

Apesar da lentidão, a arrecadação prosseguiu no mesmo ritmo em que o fluxo de automóveis e caminhões vem sendo incrementado no trecho. Pelo cronograma, a duplicação de importante quantidade de quilômetros da rodovia sob a responsabilidade da Via Bahia já deveria ter sido resolvida e muitas vidas poupadas, se a administradora deste trecho da BR já tivesse concluído a obra de duplicação combinada.

 Audiências públicas promovidas por políticos de Jequié chagaram a acontecer na Câmara de vereadores, mas a duplicação não saiu do papel, enquanto isso, são recorrentes os acidentes fatais, em sua maioria.

Circularam notícias, infelizmente não confirmadas, que teria havido uma reunião entre o Superintendente da Policia Rodoviária Federal, Virgílio de Paula Tourinho Neto, representantes do Ministério público, representantes da concessionária Via Bahia e de segmentos da sociedade regional. Não se sabe se houve realmente o encontro ou o que ficou resolvido acerca do problema que já tem contornos de tragédia em Jequié e em toda a região.

Cansados de esperar, o vereador Gutinha e mais um grande número de jequieenses,  lançaram uma campanha nas redes sociais a fim de chamar a atenção das autoridades para a necessidade da obra de duplicação da BR-116 no trecho Jaguaquara/Jequié em caráter de urgência.

Nesse sentido, também os poetas se manifestaram em suas várias linguagens culturais. Destacamos um trecho do poema/protesto do poeta e artista plástico Dimas Lélis, para ilustrar o tema.

Serra do Mutum

Por Dimas Lélis (08.02.2018)

Serra de dentes afiados

Que cortam vidas e sonhos

Serra do Mutum

Serrote velho de fio novo

Que ceifa árvores de frutos bons

Serra do Mutum:

Lá corta

Lá Serra

Lá Mata

Serra do Mutum: Cerca de oito quilômetros de grande incidência de acidentes com vítimas fatais

MUITAS TRILHAS

Por Aninha Franco, em Trilhas*

 

 

 

No meu Carnaval 0, ano de 1951, a trilha foi Confete “pedacinho colorido de saudade, ai, ai, ai, ao te ver na fantasia que usei, confete, confesso que chorei” interpretada por Francisco Alves, e Tomara que chova “três dias sem parar” que depois do sucesso em 1950, com Isaura Garcia, nunca mais deixou de fazer sucesso. Agora mesmo os moradores de Ilha de Maré devem estar cantando alto Tomara que chova, coitados, pra ver se a Embasa escuta: “A minha grande mágoa é lá em casa não ter água! Eu preciso me lavar.” E o Restaurante Preta precisa funcionar!

Em 1952, eu me esbaldei com Sassaricando, e Maria Candelária “é alta funcionaria, saltou de paraquedas, caiu na letra ó,ó,ó. A uma vai ao dentista, às duas vai ao café, às três vai à modista, às quatro assina o ponto e dá no pé. Que grande vigarista que ela é.” Pois é, com um ano de idade eu tive aula de Brasil com Blecaute. Em 1953, eu não lembro bem qual foi a música, mas em 1954 foi “é ou não é piada de salão, Se acham que não é, então não conto não.”

Em 1955, foi ano de Maria Escandalosa, um clássico do machismo.BR com a maravilhosa, com a inesquecível, com a para sempre viva Dalva de Oliveira: “Maria Escandalosa desde criança sempre deu alteração, na escola não dava bola, só aprendia o que não era da lição.” Em 1956, foi ano de dançar “Quem sabe, sabe, conhece bem como é gostoso gostar de alguém. Ai, morena, deixa eu gostar de você, boêmio sabe beber, boêmio também tem querer.” Em 1957, eu cantei Maracangalha de Caymmi o ano inteiro. Até hoje eu canto.

Em 1958, ganhei uma Rodouro, torci pela seleção e cantei, ufanista, “a taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa, êh eta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro”. Primeira copa! Em 1959, taludinha, me dividi entre Jardineira “por que estas tão triste, mas o que foi que te aconteceu? Foi a Camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu” e Touradas em Madrid, luxo poético: “Eu fui às touradas em Madri e quase não volto mais aqui pra ver Peri beijar Ceci. Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha, queria que eu tocasse castanhola e pegasse touro à unha. Caramba! Caracoles! Sou do samba, não me amoles, pro Brasil eu vou fugir! Isto é conversa mole para boi dormir!”

Em 1960 só deu “Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco é o maior, Ca-ca-ca-ca-re-co, Cacareco de ninguém tem dó.” Melhor explicar que Cacareco foi uma rinoceronta do Zoológico do RJ emprestada ao Zoológico de São Paulo. Esse movimento rinocerôntico no Brasil pacato dos Anos 1950 provocou tanta confusão, que nas eleições municipais de 1959, os paulistas elegeram Cacareco vereadora com cerca de 100 mil votos. Sim, na época, era possível eleger rinocerontes e onças, candidatos mais respeitáveis que os humanos, porque os eleitores usavam cédulas de papel e escreviam os nomes dos candidatos. A Onça Peteleca que fugiu do Zoológico de Salvador nos Anos 1970, foi bem votada para vereadora no ano da fuga.

Em 1961 foi uma loucura de opções: Foi “Índio quer apito, se não der pau vai comer” com Jorge Goulart, foi “Lua, ô lua, querem te passar pra trás” com Ângela Maria, foi Cantareira com Gordurinha. Fiquei com todas. Bem, não há espaço, hoje, pra chegar em “Que tiro foi esse, viado?” de Toddynho. Mas outras trilhas virão. Prometo. Feliz Carnaval!

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.

ANTÔNIO BRITO GARANTE QUE NÃO VAI “BATER CHAPA” COM CORONEL

O deputado federal Antônio Brito (PSD) garantiu que não vai “bater chapa” com o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Angelo Coronel (PSD) na disputa por uma vaga na majoritária do governador Rui Costa (PT). Em entrevista ao BNews, nesta sexta-feira (9), durante a saída do Bloco Olodum, no Pelourinho, Brito afirmou que a decisão é do senador Otto Alencar e a decisão dele será acatada.

O parlamentar ainda afirmou que após a decisão sobre a vaga é que o partido vai definir o perfil para ocupa-la. “Quem define é o senador Otto Alencar e vai depender de qual seja a posição que o partido terá na chapa. Não vamos bater chapa e o partido terá um nome de consenso. O senador vai dizer quem é esse nome a partir das bases eleitorais. Se for o nome de Coronel em qualquer das posições, eu apoiarei”, defendeu.

À nível federal, Brito disse que não há muita dificuldade para aprovação da Reforma da Previdência, em tramitação na Câmara. Segundo ele, os demais parlamentares que tem conversado não apoiam o texto que foi recentemente alterado. “Hoje a reforma não passa. Tenho conversado com colegas e eles têm a mesma opinião. O texto não agrada a grande maioria dos deputados”. (Bocão News)

MELHOR IDADE?

Por Ruy Castro*

 

 

 

Melhor idade é a puta que te pariu – a melhor idade é de 18 aos 40 anos…

A voz em Congonhas anunciou: “Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência etc.”. Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais, nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a “melhor idade” – algo entre os 60 anos e a proximidade da morte.

Para os que ainda não chegaram a ela, “melhor idade” é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, arrepende-se no meio do caminho porque o sinal abriu e agora terá de correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.

Privilégios da “melhor idade” são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da “melhor idade”, estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.

Outra característica da “melhor idade” é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhes receitam e depois não conseguem retirar.

Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo(que têm os dedos ligados por uma membrana) da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: “Voltando da farra, Ruy?”. Respondi, eufórico: “Que nada!

Estou voltando da farmácia!”. E esta, de fato, é uma grande vantagem da “melhor idade”: você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir.

Primeiro, a aposentadoria é pouca, quase uma esmola, e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução.

Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te veja e por caridade pare o veículo e espere pacientemente você subir antes de arrancar com rapidez como costumam fazer.

No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo: – “Sou deficiente”.

O motorista me olhou de cima em baixo e perguntou: – “Que deficiência você tem?”

– “Sou broxa!”

Ele deu uma gargalhada e eu entrei.

Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo…

Eu disse bem baixinho para uma delas:

– “Uma mentirinha que me economizou R$ 3,00, não fica triste não”, foi só para viajar de graça.

Bem… fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.

Subi na pedra e pensei em cumprir o ritual que costuma ser feito pelos mais jovens no local. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?

Primeiro, tem sempre alguém que quer te ajudar a subir: “Dá a mão aqui, senhor!!!”

Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça.

Sentar na pedra e olhar a paisagem era tudo o que eu queria naquele momento.

É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente os ossos em cima da pedra, o que me faz ter que trocar de posição a toda hora.

Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.

Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz:

– “O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair.”

Resmungo entre dentes: … “só se cair em cima da sua mãe”… mas, dou um risinho e digo que esta tudo bem.

Esta titica deste sol esta demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e nada do por do sol.

Vou pensando – enquanto desço e o sol não – “Volto de metrô é mais rápido…”

Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá esta um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.

Olha sério para mim, segura a roleta e diz:

– “O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem.”

A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.

Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não. dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos…

Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega… Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam…

Desisti… lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava… Me senti o máximo.

Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.

Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou.

É agora…

Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:

– “O senhor não quer sentar? Me parece tão cansado?”

Melhor Idade ??? – Melhor idade é a puta que te pariu !

*Ruy Castro é escritor e jornalista, trabalhou nos jornais e nas revistas mais importantes do Rio e de São Paulo. Considerado um dos maiores biógrafos brasileiros, escreveu sobre Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda.

PABLLO VITTAR E A ROUPA INVISÍVEL DO REI NU

Por Tom Martins*

Sua música é péssima, lidem com isso. Porém, criticá-lo nestes aspectos meramente musicais faz do crítico um criminoso, preconceituoso, invejoso e homofóbico.

Eis que chegamos ao tempo em que se faz necessário provar às pessoas que a grama é verde e a água é molhada.

Antes de embarcar na insólita investida de argumentar sobre os porquês de a música de Pabllo Vittar ser tão ruim – fato que deveria ser captado menos pelo intelecto do que pela própria experiência sensorial não racional –, serei obrigado a esclarecer dois pontos.

Primeiro, e mais importante: aqui nessas paragens, a discussão é adulta e civilizada. Qualquer acusação de “homofobia” ou correlatos será rechaçada com vigor, porque injusta com quem, como eu, cresceu ouvindo Freddie Mercury, Ney Matogrosso, Tchaikovsky, Bernstein, enfim, a lista é longa, e nunca o fato de serem homossexuais nem sequer ofuscou minha admiração e respeito a eles. O segundo aspecto é que, apesar de estudar música há mais de 30 anos, de ser regente profissional há 17, professor há 25 e de ter ajudado a fundar uma das maiores orquestras jovens do Brasil, a qual dirijo há 12 anos, falarei menos sobre música e seus aspectos técnicos do que sobre ideologia porque, afinal, é disso que o fenômeno se trata.

Pabllo Vittar é a roupa invisível do rei. Sua música é péssima, lidem com isso. Falta-lhe afinação, técnica, noções básicas de harmonia e ritmo, etc. Coisas que são exigidas de qualquer estudante rudimentar de música. Porém, criticá-lo nestes aspectos meramente musicais, na loucura do neocoletivismo identitário em voga atualmente, faz do crítico um criminoso, preconceituoso, invejoso e homofóbico. Por outro lado, as portas se abrem a quem exalta as finas vestes do rei nu, como ocorreu com Ed Motta recentemente.

Vítimas da “espiral do silêncio”, as pessoas deixam de falar aquilo que pensam, com medo da calúnia e do isolamento. Enquanto isso, o objeto da crítica e, mais do que isso, a ideologia da qual esse objeto é símbolo, avança livre.

O escracho e a obscenidade estão presentes nas artes desde as comédias gregas, passando pelas cantigas de escárnio e maldizer barrocas, a ópera-bufa, até o punk rock oitentista dos Garotos Podres. A diferença é que nem os poetas de escárnio nem os Garotos Podres buscavam moldar o mundo de acordo com o próprio espelho. Todos sabiam que eram escrachados, obscenos ou toscos e, ainda assim, tinham uma preocupação com o produto final ser minimamente bem feito.

O que vemos em Pabllo é o grotesco alçado à condição de algo sacrossanto e imune às críticas, por justificativas ideológicas, extra-artísticas. Pabllo é também uma vítima, uma voz com prazo de validade, marionete de um esquema muito mais poderoso do que ele sequer imagina. Podemos verificar o mesmo fenômeno nos esportes, com Rodrigo “Tiffany” de Abreu e Fallon Fox. O problema não é Pabllo, em si, mas a máquina que o maneja. Para o establishment, não se trata de música, mas de um símbolo a ser defendido politicamente.

Em relação a Vittar, há duas questões: uma estética e outra ideológica. Forjar, na cultura de massas, uma figura desprovida de qualquer noção musical é tornar natural o feio, o grotesco, o mal-acabado. É um problema estético. Da questão estética (acostumar o público com o grotesco) advém a questão ideológica: censurar as divergências para fortalecer uma narrativa política.

Por isso Vittar – e Anitta, o funk carioca, o rap proibidão etc. – são tão nefastos.

*Tom Martins é regente titular da OFSSP, compositor, instrumentista e bacharel em Composição e Regência pelo Instituto de Artes da Unesp.

Fonte: Gazeta do Povo

NA LAVA JATO, 13 RÉUS JÁ TIVERAM PENAS EM SEGUNDO GRAU EXECUTADAS

O primeiro foi Luiz Argolo (PP/BA) – Foto: Gustavo Lima – Câmara dos Deputados.

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), que condenou em segundo grau o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 24 de janeiro, determinou desde o início da Operação Lava Jato o envio dos processos para Curitiba para execução das penas de 13 réus condenados pelo juiz federal Sérgio Moro, que recorreram à Corte. O primeiro político da Lava Jato a ter sua pena executada foi o ex-deputado Luiz Argôlo (ex-PP-BA) – atualmente preso na Bahia. Dos 13 réus que tiveram suas penas executadas em segunda instância, quatro estavam soltos no momento em que Moro determinou o cumprimento da sentença do Tribunal e remeteu o caso para a 12.ª Vara Federal, responsável pelos processos de execução da pena. Foram presos o executivo Agenor Medeiros, da OAS, o ‘laranja’ Waldomiro de Oliveira, que trabalhava para o doleiro Alberto Youssef, o empresário Marcio Bonilho e o agente afastado da Polícia Federal Jayme Alves de Oliveira Filho. A 8.ª Turma Penal do TRF-4, de Porto Alegre, julgou desde 2014 – início da Lava Jato – 24 apelações contra sentenças do magistrado da primeira instância, em Curitiba. Até o momento, 110 réus, alguns alvos de mais de um processo, foram julgados pelo Tribunal. Um total de 14 apelações estão pendentes de julgamento de recursos finais – embargos de declaração ou infringentes. A última apelação analisada pela Corte condenou por unanimidade o ex-presidente Lula no caso tríplex do Guarujá (SP). O Tribunal aumentou a pena do petista para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado (veja aqui). O revés por 3 votos a 0 permitiu ao petista o direito a apenas um recurso na segunda instância, os embargos de declaração. A defesa do ex-presidente poderá entrar com o recurso em até 12 dias depois da publicação do acórdão do julgamento – o que ainda não ocorreu. Quando os recursos de Lula se esgotarem perante a Corte, o juiz Moro, responsável por ordenar a execução penal, poderá determinar a prisão do petista. Desde fevereiro de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) admite a execução da pena em 2.ª instância. Em um julgamento que terminou com o placar de 7 votos a 4, os ministros decidiram que o réu condenado pode ser preso depois de confirmada a sentença do juiz de primeiro grau por um Tribunal. Antes desta decisão, os condenados tinham o direito de recorrer da sentença em liberdade até que não houvesse possibilidade de novo recurso. O mesmo entendimento está consolidado na Súmula 122, publicada pelo Tribunal da 4.ª Região em 16 de dezembro de 2016. Na ocasião, a Corte analisou um processo sobre tráfico internacional de drogas e previu que condenados pelo segundo grau judicial, independentemente de eventuais recursos aos tribunais superiores, poderiam ir para a cadeia. “Encerrada a jurisdição criminal de segundo grau, deve ter início a execução da pena imposta ao réu, independentemente da eventual interposição de recurso especial ou extraordinário”, prevê a 122 desde então. A Lava Jato teve sua primeira fase deflagrada em 17 de março de 2014. Dois anos e meio depois, em 12 de julho de 2016, Sérgio Moro ordenava ‘a imediata execução provisória’ de dois réus, o traficante Renê Luiz Pereira e o operador financeiro Carlos Habib Chater. Na época, ambos já estavam presos cautelarmente. O juiz Sérgio Moro ainda mandou executar as penas do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro – que já estava preso -, do ex-executivo da empreiteira José Breghirolli (regime semiaberto), de Juliana Cordeiro de Moura, Cleverson Coelho de Oliveira, Rinaldo Gonçalves de Carvalho, e do ex-assessor do PP Ivan Vernon (regime semiaberto). Um total de 105 decisões de Moro – um condenado por ter mais de uma sentença – foram analisadas pelo TRF-4 nas 24 apelações. Foram absolvidos o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (duas vezes), os executivos da empreiteira OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Fernando Augusto Stremel Andrade, o operador André Catão de Miranda e também Maria Dirce Penasso, mãe da operadora Nelma Kodama. A pena imposta ao ex-presidente Lula foi uma das 33 aumentadas pelo Tribunal. A Corte manteve 22 penas e diminuiu 18. (Bahia Notícias).

ORGASMO JURÍDICO

Por Aninha Franco* em Trilhas

Da trilha de sábado passado, que preferi não publicar, conservei apenas o título que descreveu minha sensação quarta-feira, 24 de janeiro, quando escutei os acórdãos dos jovens desembargadores confirmando a sentença de Moro no processo do “triplex”. Vivi para escutar Juiz e Desembargadores, todos com 45 a 54 anos, condenarem o político mais famoso do Brasil, de 72 anos, presidente da república que, no fim do segundo mandato, em 2010, esnobava 83,4% de aprovação popular.

A confirmação da sentença foi a maior derrota que a impunidade – que nos devasta desde sempre – sofreu em sua vida brasileira, e demoliu o mais amado líder que o País já teve.

Os acórdãos desmontaram, com precisão cirúrgica, o argumento primário de que não havia provas contra Lula, mantra repetido diante de provas documentais, testemunhais e periciais que sustentaram a sentença de Moro, contratos, termos de adesão, fotos, declaração de IR, depoimentos e benesses aprovando instalações de elevador, cozinhas, armários e dormitórios, deck de piscina e compra de eletrodomésticos, pacote burguês que enobrece e dá status no Brasil de capitalismo predatório.

E foi esse pacote burguês que fez de Lula da Silva inelegível para desespero do PT, partido de líder único, que se auto declara de esquerda.

Ser corrompido é desprezível, ser corrompido por essas miçangas é duplamente desprezível, mas ser Lula da Silva e ser corrompido por elas é não ter nenhuma idéia de quem é, confiar demais na impunidade e entrar na overdose de poder.

A corrupção do “tríplex” é clichê patrimonialista que seduz a maioria dos políticos brasileiros, mas que não poderia chegar no pau-de-arara que se moveu da miséria ao poder máximo, e desmontou essa conquista quase milagrosa por um elevador privativo e uma cozinha Kitchens, mostrando de que barro é feito quando viajou para assistir ao espetáculo do desmonte num jatinho de Michael Klein, dono das Casas Bahia, e se hospedando no Sheraton.

Desconfio que ele não tem dimensão do que construiu e desconstruiu neste País de milhares de analfabetos, ainda, neste continente onde em se plantando tudo dá mas que guarda famintos. Desconfio que ele não tem consciência do que fez com o Povo que diz amar e de como será difícil construir outro cara saído do povo com o poder que ele teve. E, por fim, desconfio que o cara que fica tão bem de chapéu de couro e roupa de camponês era, é, sempre foi, apenas o personagem de uma opereta em cartaz. Lula da Silva em Concerto nunca foi de verdade. Seus espectadores é que fizeram dele um líder real.

Aquele líder que representou o Povo no Poder pela primeira vez, em cinco séculos, é mentira.

De verdade é o cara que asfixiou o Palácio e o País com essa corrupção avassaladora, demoliu instituições e estatais, embotou a cultura, desempregou milhares de brasileiros de todos os estratos e levou a criação e a produção de volta aos Anos 1980, desmoralizando o discurso de que a “esperança venceu o medo”.

Lula fortaleceu a idéia de que o medo estava certo e empurrou o País para trás, de volta a 1989, às candidaturas de Collor e Bolsonaro, depois que conseguiu fazer da Democracia, literalmente, o Povo no poder.

*Aninha Franco é pensadora, escritora, poeta, advogada, dramaturga, crítica, cronista e ativista cultural.