Arquivo para ‘Jequié’ Categoria

A PARCERIA

 Por Carlos Eden Meira*

Quando a primeira diretoria da ASSAM sob a presidência do jornalista Raymundo Meira, conseguiu realizar o antigo sonho de adquirir o prédio onde funcionava o Grupo Escolar Castro Alves, para implantação do Museu Histórico de Jequié, a situação física do local que foi desocupado, já não era adequada dentro dos padrões modernos para ser uma escola. Constatou-se inclusive, após minucioso levantamento técnico, que suas instalações se encontravam em péssimo estado de conservação, colocando em risco a segurança de alunos e funcionários, o que poderia causar um desabamento como o que ocorreu com saudoso e belíssimo edifício Grillo, e certamente com consequências muito mais graves. Pode-se assim, deduzir sem nenhum exagero, que a citada desocupação pode ter salvado vidas.

Naquele período, a ASSAM contava com um grupo de cidadãos cujo objetivo principal sem quaisquer outros interesses, era a criação do museu no citado prédio, fazendo-se uma parceria com a Prefeitura Municipal, na qual a ASSAM como órgão gestor, comprometia-se em entrar com o seu acervo e a PMJ colocava o prédio à sua disposição para implantar ali, o museu. Isto foi feito, o sonho se realizou. Entregamos à cidade um museu num lindo prédio restaurado, que durante alguns anos funcionou dentro dessas diretrizes, tendo dado grande contribuição à História, à cultura e à educação em nossa cidade.

Hoje, após um período fechado para reformas, o museu reabriu suas portas ao público, sob o comando da nova equipe de funcionários da PMJ, e a ASSAM, também renovada, mantendo ainda alguns dos seus antigos associados. Como ex-membro dessa associação e sendo um dos seus fundadores, acho que cumpri o meu dever para com as duas entidades, já que vejo o museu funcionando, inclusive utilizando modernas técnicas de conservação do acervo, graças à nova equipe da Secretaria Municipal de Cultura e à nova diretoria da ASSAM, cujos membros certamente devem manter o espírito dos primeiros tempos, no objetivo de conservar a parceria com a PMJ, sem nenhum interesse de caráter pessoal ou político, o que em nada contribui para a continuidade do Museu Histórico de Jequié. Qualquer possível tentativa por motivações individuais de quem quer que seja, para separar o acervo do histórico prédio onde hoje se encontra, já reconhecido e valorizado pela população, seria como jogar no lixo toda a história da ASSAM em sua árdua luta para conseguir aquele local para implantação do museu, já que sempre consideramos o próprio prédio como a peça principal do acervo. O MUSEU PERTENCE AO POVO DE JEQUIÉ, E EM SEU NOME DEVE SER CONSERVADO!

*Carlos Éden Meira é jornalista, cartunista, DRT 1161

JEQUIÉ DEFLAGRA CAMPANHA PARA DUPLICAR PISTAS NA EXTENSÃO DA SERRA DO MUTUM

Cartazes estão sendo distribuídos pelas redes sociais e locais fixos grande visibilidade

O trecho localizado entre os municípios de Jaguaquara e Jequié, na BR-116 tem revelado, ao longo do tempo, como uma das maiores concentrações de acidentes graves da região, inclusive com incidência de mortes trágicas. 

Muitas vidas foram ceifadas no percurso da fatídica serra, nos dois sentidos. A longa extensão da ladeira, cerca de 8 km, bem como o traçado do trecho, com cortes em volumosas pedras e o número de precipícios em ambos os lados, têm contribuído para o aumento significativo do índice de acidentes no trecho.

Cada vez que acontece um acidente grave, em grandes proporções, que geram vítimas originárias de vários estados, ou mesmo de habitantes da região, tem causado dor e comoção aos moradores de Jequié e de outras cidades da região.

Quando do processo licitatório para privatização do trecho da BR-116 compreendido entre a divisa de Minas Gerais com o estado da Bahia até a cidade de Feira de Santana, na Bahia, o vencedor, a empresa Via Bahia, concessionária que administra a rodovia, se comprometeu em breve espaço de tempo, a duplicar o trecho concedido, em toda sua extensão. Para tanto, instalou imediatamente grande quantidade de postos de pedágio para arrecadação, representando significativo volume de receita para começar a cobrir os investimentos acordados.

Pois bem. Até agora, somente o trecho de 70 km entre Feira e a ponte sobre o Rio Paraguassu sofreu alguma intervenção, ainda assim, de forma lenta e precária.

Apesar da lentidão, a arrecadação prosseguiu no mesmo ritmo em que o fluxo de automóveis e caminhões vem sendo incrementado no trecho. Pelo cronograma, a duplicação de importante quantidade de quilômetros da rodovia sob a responsabilidade da Via Bahia já deveria ter sido resolvida e muitas vidas poupadas, se a administradora deste trecho da BR já tivesse concluído a obra de duplicação combinada.

 Audiências públicas promovidas por políticos de Jequié chagaram a acontecer na Câmara de vereadores, mas a duplicação não saiu do papel, enquanto isso, são recorrentes os acidentes fatais, em sua maioria.

Circularam notícias, infelizmente não confirmadas, que teria havido uma reunião entre o Superintendente da Policia Rodoviária Federal, Virgílio de Paula Tourinho Neto, representantes do Ministério público, representantes da concessionária Via Bahia e de segmentos da sociedade regional. Não se sabe se houve realmente o encontro ou o que ficou resolvido acerca do problema que já tem contornos de tragédia em Jequié e em toda a região.

Cansados de esperar, o vereador Gutinha e mais um grande número de jequieenses,  lançaram uma campanha nas redes sociais a fim de chamar a atenção das autoridades para a necessidade da obra de duplicação da BR-116 no trecho Jaguaquara/Jequié em caráter de urgência.

Nesse sentido, também os poetas se manifestaram em suas várias linguagens culturais. Destacamos um trecho do poema/protesto do poeta e artista plástico Dimas Lélis, para ilustrar o tema.

Serra do Mutum

Por Dimas Lélis (08.02.2018)

Serra de dentes afiados

Que cortam vidas e sonhos

Serra do Mutum

Serrote velho de fio novo

Que ceifa árvores de frutos bons

Serra do Mutum:

Lá corta

Lá Serra

Lá Mata

Serra do Mutum: Cerca de oito quilômetros de grande incidência de acidentes com vítimas fatais

PROFESSOR JOSÉ PACHECO FOI O CONFERENCISTA DA JORNADA PEDAGÓGICA MUNICIPAL DE JEQUIÉ

Foto Jequié Repórter

A Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Educação, realizou a cerimônia de abertura da Jornada Pedagógica 2018 no Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães. O Professor José Pacheco, criador da Escola da Ponte e do Projeto Âncora, em Portugal, conduziu a palestra Magna da Jornada Pedagógica em Jequié na noite de quarta-feira (7).

Com o auditório completamente lotado o professor discorreu sobre o projeto Escola da Ponte na localidade portuguesa de Vila dos Pássaros, modelo que tem encantado a Europa, e ensejando forte influência no Brasil, por envolver capacitação e qualificação dos professores, gestores e alunos. O renomado educador, reconhecido na comunidade internacional por sua contribuição à Educação discorreu sobre o tema, “As Pontes Possíveis e Necessárias Para Uma Educação de Qualidade”. O palestrante interagiu com a plateia, respondendo a questionamentos sobre as demandas da Educação, apontando sugestões e reflexões acerca da pedagogia educacional tradicional implantada no ambiente escolar: “A escola não é um edifício e nem salas de aulas. A escola são as pessoas e são nelas que o sistema de educação deve focar”.  

O educador português relatou suas experiências com inúmeros exemplos vivenciados pela instituição, conversou com a comunidade sobre as novas práticas de aprendizagem, dissecando o modelo adotado na Escola da Ponte e no Projeto Âncora.

Com a presença do prefeito de Jequié, Sérgio da Gameleira, do vice-prefeito, Hassan Iossef, do secretário de Educação, professor doutor Roberto Gondim e sua equipe auxiliar, secretários municipais, representantes dos conselhos de Educação e entidades, membros do Poder Legislativo, bem como gestores escolares, professores da rede municipal e de outras instituições, o evento despertou o interesse de docentes e discentes das universidades em Jequié instaladas.

O Secretário de Educação de Jequié, Roberto Gondim, em seu pronunciamento, discorreu sobre os avanços verificados na educação no período em que sua equipe desempenhou a tarefa de reconstruir a educação no município: “Caminhamos um ano até chegarmos neste instante, onde a comunidade escolar, os gestores, professores e, principalmente, os alunos, já começam a perceber as mudanças que vêm sendo feitas. O que antes era um cenário caótico e cheio de problemas, hoje nos acena um campo de efetivas possibilidades. Escolas sendo reformadas, professores bastante motivados, novas escolas e as unidades escolares sendo estruturadas”.

“Momento ímpar esse que estamos vivendo, com diversos avanços na Educação em Jequié. E esse progresso se reflete no aumento de matrículas da rede, o que nos dá a exata noção de que estamos no caminho certo. Mas faremos muito mais, com as modificações e estruturações dentro do ambiente escolar, teremos o salto qualitativo tão desejado por todos nós. A melhoria da qualidade da Educação no município não é mais um sonho, estamos transformando em realidade”.

Em determinado momento, ao se desfazer a mesa que comandou a abertura dos trabalhos, o cerimonial referiu-se à professora mestra Maria das Graças Silva Bispo, ex-secretária da Educação do município de Jequié e integrante da equipe do atual gestor, convidando-a, juntamente com o secretário Roberto Gondim e o palestrante José Pacheco para compor a mesa que ora se instalara.

Ao final da Jornada Pedagógica 2018, o secretário de Educação do município de Jequié anunciou que trará o professor José Pacheco e toda sua equipe para implementar seu projeto na rede de ensino de educação do município, inicialmente em duas escolas piloto. O Primeiro encontro do Professor José Pacheco com as duas escolas que serão beneficiadas pelo projeto já acontecerá nesta quinta-feira, 8.

IPIAÚ: PASSAGEIRO ‘SURTA’ E PULA DE ÔNIBUS EM MOVIMENTO NA BA-650

Um homem ficou ferido após pular de um ônibus em movimento em um trecho da BA-650 entre Ipiaú e Ibirataia, no Médio Rio de Contas,  Sudeste do estado. O fato ocorreu na manhã desta quinta-feira (28), perto da localidade de Fazenda Canadá. Segundo o Blog Giro em Ipiaú, a suspeita é que o passageiro tenha sofrido um surto psicótico.

A vítima tinha embarcado em Jequié, a cerca de 50 km do local. Passageiros que estavam no veículo contaram que o homem estava sentado em uma poltrona na parte dianteira do ônibus. Ele dizia que era procurado pela polícia e pedia que o motorista não parasse em alguma blitz. A certa altura da viagem, ele, aparentemente em surto, tentou pular da janela e foi contido por outros passageiros. Momentos depois, ele conseguiu saltar do veículo, sofrendo várias escoriações no corpo. Uma ambulância do SAMU foi acionada e a vítima foi encaminhada para o Hospital Geral de Ipiaú. Não há mais informações sobre o estado de saúde do passageiro.

PÁGINA VIRADA

Por Emerson Pinto de Araújo*

 

 

Já virei muitas páginas na vida. E ainda tenho muitas a virar. Quantas? Não sei. Agora mesmo venho de virar a última página do romance histórico de Wilson Midlej retratando a saga de Anésia Cauaçu, figura singular de bandoleira que chamou a si a responsabilidade de vingar a morte de parentes, comandando 20 jagunços, ou mais, na luta contra os capangas do poderosíssimo Marcionílio de Souza.

Apesar de tratar-se de uma obra de ficção, Wilson Midlej se comportou com muita dignidade, não omitindo as fontes e não esquecendo as aspas que alicerçaram-lhe o imaginário. O que não causou surpresa, levando-se em conta seus trabalhos anteriores como jornalista e cronista. Por tudo isso, o romance de Wilson enriquece sobremaneira obras anteriores de outros autores, pondo em relevo a personalidade forte e injustiçada de Anésia Cauaçu. Coincidentemente, a guerreira do sertão de Jequié, guardadas as devidas e necessárias proporções, chega a lembrar Diadorim, de Guimarães Rosa, no excelente romance “Grande Sertão: Veredas”, um clássico na moderna literatura brasileira.

Comecei a lecionar ainda jovem. No turno matutino, os discípulos tratavam-me como um irmão mais velho. No turno da noite, destinado aos comerciários, bancários e outros profissionais que trabalhavam durante o dia, alguns deles já casados, a situação já se invertia com discípulos mais idosos do que este escriba. Não obstante, minha convivência com alunos jovens e idosos sempre foi excelente. Aprendemos muito. Devo aos meus discípulos o incentivo para que escrevesse a história de Jequié e sua região, partindo praticamente do nada. Paralelamente como as pesquisas feitas na Cidade-Sol, um município quase sem memória, no período de férias, quando ia a Salvador, andei vasculhando dados no Arquivo Público do Estado, o Instituto Geográfico e Histórico, na Biblioteca Central, no Gabinete Português de Leitura e outras instituições, possibilitando-me escrever três livros sobre Jequié e circunvizinhanças, a partir de sua origem e formação. Ao debruçar-me sobre o banditismo que assolava o Sul e o Sudoeste baianos, uma figura extraordinária de mulher que fugia aos padrões convencionais, chamou-me a atenção apesar de rejeitada por uma historiografia elitista e preconceituosa. Como de hábito, escritores da época não tinham pejo de zurzir nos costados dos que, sem opção, tornavam-se bandoleiros, após serem expulsos de suas propriedades pelos jagunços dos coronéis. O cinema norte-americano sabe dourar a pílula da maioria dos filmes que tratam da ocupação das terras pelos migrantes da Inglaterra. Capricha no enredo, a ponto do espectador comum encarar com naturalidade o massacre das tribos indígenas viventes na região.

Em artigos que datam da década de 1960, estribado em nova visão sociológica, tirei Anésia Cauaçu do limbo. Wilson Midlej e Antônio Luís Martins projetaram um filme sobre Anésia, que não chegou a ser concluído. Novas pesquisas, mais didáticas e com mais apuro, realizadas por outros autores, resultaram em livros, aos quais tive a oportunidade de me referir em artigos anteriores. A eles, juntamente com agora o excelente romance de Wilson Midlej, tendo como título “Anésia Cauaçu. Lenda e História do Sertão de Jequié”.

Melhor ficar por aqui e virar mais uma página na longevidade da existência.

Fonte: Revista Cotoxó, edição nº LXXVI  Dez/2017

*Emerson Pinto de Araújo é professor, historiador, escritor, cronista. Foi vereador de Jequié, presidente da Câmara Municipal, Professor de História da Educação e Sociologia Educacional na Escola Normal de Jequié. Fundador da Associação Cultural Dante Alighieri, do Conselho Comunitário, da Associação Jequieense de Imprensa, Integrante do Comitê Cidades Irmãs Jequié – Takoma Park, da Academia de Letras de Jequié. Venerável da Loja Maçônica União Beneficente, presidente do Rotary Clube do Jequié. Em 1977 ingressou no Rotary Clube da Bahia. Governador do Distrito 455, 1990-1991. Secretário de Governo Prefeitura Municipal de Jequié. Chefe de Gabinete do secretário de Educação do Estado da Bahia, 1983-1987. Redator do Jornal A Tarde, assessor e chefe de Gabinete do Conselho Estadual de Educação e da Secretaria Estadual de Educação e Cultura.

 

TV ALBA REPERCUTE LANÇAMENTO DE ANÉSIA CAUAÇU EM SALVADOR

“Anésia Cauaçu” Lendas e Histórias no Sertão de Jequié. Esse é o título do mais novo livro lançado pelo Programa Cultural da Assembleia Legislativa da Bahia. A obra foi escrita por Wilson Midlej e conta lendas sobre personagens da história do município de Jequié, no sudoeste da Bahia.

 

Com depoimentos do presidente da Academia de Letras de Jequié, o poeta e escritor Julio Lucas, do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Angelo Coronel e do próprio autor, a TV ALBA repercutiu o lançamento, na última terça feira, do livro Anésia Cauaçu – Lenda, História no Sertão de Jequié. A obra, que retrata a trajetória da lendária personagem que circulou na Bahia, desde o Sertão da Ressaca, no  portal Sul da Chapada Diamantina, prosseguindo ao longo das margens do Rio de Contas e estendendo suas ações até Ilhéus e Itabuna e grande parte das matas grapiúna, iniciada em 1896 até o ano de 1917, no século passado. Anésia, sua família e jagunços contratados enfrentaram a pujança das forças dos coronéis, apoiados pelas volantes policiais da Bahia, em defesa do patrimônio e da honra da sua família. Tudo isso embasado no relato histórico do professor Emerson Pinto de Araújo em seus livros História de Jequié e Capítulos da História de Jequié, bem como na dissertação de mestrado da professora Márcia do Couto Auad. O tema despertou a atenção do cineasta Lula Martins que, juntamente com o autor, promoveu minuciosa pesquisa oral e documental para a realização de um filme, até agora aguardando condições técnicas para sua realização. Enquanto isso, os acontecimentos foram reunidos no livro ora publicado, em consonância com os fatos históricos, mas, com algumas pitadas de narrativas ficcionais do autor.

NA INAUGURAÇÃO DA POLICLÍNICA DE JEQUIÉ, RUI ANUNCIA AMPLIAÇÃO DO HOSPITAL GERAL PRADO VALADARES

Foto Renata Farias (Bahia Notícias)

O governador Rui Costa anunciou nesta sexta-feira (22), durante a inauguração da Policlínica Regional de Jequié, a ampliação do Hospital Prado Valadares, também situado no município, de forma que a unidade componha um “tripé” com os hospitais de Jaguaquara e Ipiaú. “Mais do que a duplicação do tamanho do hospital, vai ser um dos maiores hospitais da Bahia, nós estamos qualificando o Prado Valadares para fazer serviços de alta complexidade, que não fazia até aqui”, afirmou Rui, citando como exemplo equipamentos de tomografia computadorizada e ressonância magnética, que não existia no hospital. “Hoje o Prado já tem tomografia, já tem ressonância, e eu volto aqui no primeiro semestre para inaugurar esse grande hospital que será uma referência, de procedimentos de alta complexidade. Assim como nós fizemos no hospital Costa do Cacau, com procedimentos de hemodinâmica, cirurgia cardíaca”. O governador acrescentou que os hospitais de Jaguaquara e Ipiaú também passarão por adequações, por meio de convênios com a administração dos dois municípios. “O nosso planejamento esse tripé de hospitais deve responder pelo volume de serviços na região. O Prado sendo o hospital de maior complexidade, e o hospital de Jaguaquara e Ipiaú, com as intervenções que nós vamos fazer, ganhando uma produtividade maior, uma eficiência maior, e um número maior de procedimentos”.

ALBA LANÇA OBRA ANÉSIA CAUAÇU – LENDA E HISTÓRIA NO SERTÃO DE JEQUIÉ

Cartaz, letra e música Antonio Luiz Martins (Lula Martins)

 

Foi uma autêntica festa jequieense o lançamento do livro do jornalista, publicitário e escritor Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, na Assembleia Legislativa, ontem, às 16h, pois a comitiva de amigos, admiradores e parentes que ele reuniu movimentou o Saguão “Nestor Duarte”. O livro resgata a história de uma fazendeira, jagunça e libertária mulher que antecedeu figuras como Maria Bonita e Dadá companheiras de Lampião e Corisco, numa prosa leve, que alterna dados históricos com ficção prendendo o leitor, como frisou o presidente Angelo Coronel, autor do texto da contracapa do volume.

Amigo do escritor de muito tempo, o presidente da Assembleia aproveitou para fazer um balanço do programa editorial Alba Cultural, que em sua gestão lançou exatos 30 livros (sem computar o lançamento, hoje, de “A Cidade da Bahia”, do pesquisador Nelson Cadena, editado conjuntamente pela ALBA, TCE e TCM): “Convenham que não é pouco, pois a média é de quase três obras por mês. No Brasil, infelizmente, nem toda editora de porte médio mantém tamanho ritmo”, frisou. O presidente do Legislativo aproveitou para lembrar que a Assembleia agora também está atenta e propositiva para com o social, para os carentes, através do Instituto Assembleia de Carinho, presidido por Eleusa Coronel.

O escritor agradeceu e explicou que esse projeto surgiu em 2001, quando pesquisou junto com o cineasta Lula Martins a incrível história dessa mulher, que teve um filho assassinado nas lutas políticas entre os “Rabudos” e “Mocós”, um grande conflito travado naquela região em 1916, portanto, há pouco mais de um século. Buscando informações no Instituto Histórico e Geográfico, jornais de época e no livro do professor Emerson Pinto de Araújo, que a ALBA reeditou e lançará em março, ele chegou ao “esqueleto” de sua obra, enriquecida com a orelha do poeta e escritor José Américo Castro, apresentação do escritor e professor Sérgio Mattos e contracapa do presidente Angelo Coronel. Ele elogiou a continuidade do programa Alba Cultural e se emocionou ao citar os nomes dos amigos que viajaram a Salvador para o lançamento.

Um momento de emoção aconteceu quando o neto de Wilson Midlej, Lucca Fraga Midlej, de sete anos, tocou Asa Branca, o clássico de Luiz Gonzaga numa flauta, antes de outro jequieense, o ex-deputado Ewerton Almeida, ir ao microfone para falar do livro do escritor e dos muitos conterrâneos (Jequié e municípios circunvizinhos), destacando as presenças de Antonio Lomanto Neto, do presidente da Academia de Letras de Jequié, Júlio Lucas, do empresário Fauze Midlej, da historiadora Clarice Sampaio, do cacauicultor Nestor Linhares, jornalista José Américo Castro, do coronel Rivaldo e do cineasta Robinson Roberto, o blogueiro Charles Meira, bisneto de um dos personagens, entre outras personalidades. “Amizade herdada dos pais e avós”, explicou Ewerton Almeida, “só tenho a elogiar esse pesquisador que supre lacuna importante na historiografia regional, mas aproveito para saudar o presidente Angelo Coronel e dona Eleusa, pelo clima de concórdia e descontração implantados na ALBA, que deixou as pessoas mais alegres, expansivas, nessa que é a nossa casa, a Casa do Povo”.

Em seguida, Eleusa informou que por sugestão de Wilson Midlej, “Anésia Cauaçu – Lendas e Histórias do Sertão de Jequié”, foi distribuído a quem fez doação de material de higiene pessoal, que será direcionado para entidades que lidam com moradores de rua, através do Instituto Assembleia de Carinho. Para ela, essas atitudes de fato transformam, numa alusão ao slogan do instituto que preside (Atitude que Transforma). Eleusa Coronel também explicou o funcionamento da Árvore dos Sonhos que recebeu donativos durante todo o mês, numa ação suprapartidária, de caráter humanitário que sem dúvida ajudará a muitos carentes. O autor autografou a obra por mais de duas horas, quando o evento foi encerrado.

Texto: Carlos Amilton/Agência-ALBA
Publicado em: 20/12/2017
Setor responsável: ASSESSORIA COMUNICACAO SOCIAL

DO PREMIADO REPÓRTER FOTOGRÁFICO EVANDRO TEIXEIRA

Por Eliza Teixeira de Andrade*

 

 

 

Por volta de 1954 (ou 1955), chegara a Ipiaú, vindo de Jequié, Evandro Teixeira, um jovem fotógrafo. Apesar do sobrenome, não tinha parentes na cidade. Aprendera o ofício, ainda adolescente, com Nestor Rocha, tio de Glauber Rocha.

Na cidade, procurou o Sr. Waldemar Lefundes, jornalista e proprietário do jornal Rio Novo, que o convidou para trabalhar como fotógrafo. É dele, a maioria das fotos tiradas nos principais eventos e fatos históricos da cidade, ocorridos na época.

O proprietário do jornal, reconhecendo o talento do rapaz, conseguiu o seu registro como jornalista, em uma viagem que fizeram a Salvador.

Muito simpático e comunicativo, Evandro logo se faria benquisto por tantos que o conheceram.

Mas Ipiaú era pequena para comportar todo o talento do jovem fotógrafo-jornalista e eis que, em 1957, incentivado por Manoel Pinto, que compunha músicas com o pseudônimo de Mapin, fora morar no Rio de Janeiro, onde conseguiu trabalhar em importantes jornais.

Nos anos subsequentes, Evandro regressou a Ipiaú algumas vezes, para visitar os amigos que deixara e que torciam por ele.

Sua vocação e coragem, aliadas ao seu talento, abririam mais tarde as portas do reconhecimento nacional.

*Eliza Teixeira de Andrade é advogada e escritora ipiauense.

OLHA A FEDERAL!…

Por Carlos Eden*

 

 

 

Um já falecido jornalista jequieense gostava de contar um caso interessante, que teria acontecido aqui em Jequié há muito tempo atrás, numa época em que a administração municipal estava sendo acusada de corrupção, falcatruas, trambicagens, desvio de verbas e outras malandragens administrativas, havendo inclusive o comentário de que a Polícia Federal faria uma “visita” de surpresa à cidade, para apurar tais fatos. Não sei se a história a seguir era uma piada de domínio público, ou se era criação do citado jornalista gozador, entretanto, era assunto tido por alguns, como fato verdadeiro.

O caso interessante contado pelo jornalista era o seguinte: numa bela e ensolarada tarde, em pleno horário de expediente na Prefeitura Municipal, cochichava-se pelos cantos sobre as denúncias da Imprensa a respeito das referidas falcatruas, criando-se assim um clima tenso e de suspense, em todo o ambiente. Qualquer comentário, barulho, ou movimento fora da rotina gerava boatos e ameaçava criar pânico generalizado. Eis que de repente, ouviu-se uma voz ecoando pelos corredores, em alto e bom som: “olha a Federal!… olha a Federal”!…

 Aí o caos tomou conta do ambiente. Foi um “salve-se quem puder” terrível com gente esvaziando gavetas e arquivos, carregando montes de pastas, enchendo porta-malas de veículos e tomando rumos desconhecidos, um desespero total. Falava-se nervosamente, que a Polícia Federal tinha chegado e que a coisa ia ficar preta pra muita “gente fina” por ali, nesse “pega-pra- capar”. A coisa só veio a se acalmar muito mais tarde, quando ficou esclarecido que tudo não passou de um equívoco, pois, alguém descobriu que o alarme fora provocado pelos gritos de um senhor, antigo vendedor de bilhetes da Loteria Federal, que entrara pelo prédio da Prefeitura adentro, na esperança de vender uns bilhetinhos e anunciava gritando: “Olha a Federal!… Olha a Federal”!… Então, esclarecido o assunto, tudo voltou ao “normal”. Fora apenas um susto provocando pânico em quem certamente “tinha culpa no cartório”, ficando assim, realmente provado que quem não deve, não teme.

Mesmo não sendo verídicos em parte, os fatos aqui narrados, o que acredito que ninguém pode confirmar ou não, acho que não é nada recomendável passar na porta de certos órgãos públicos gritando “olha a Federal”, se não quiser ser acusado de criar pânico generalizado.

*Carlos Eden Meira Magalhães é jornalista e chargista