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PONTO DE VISTA
Um leitor deste Blog, em comentário postado, cobrou do editor a expressão de opinião sobre o chamado “pacotão”. Sem a intenção de promover críticas acerbas, permiti-me tecer alguns comentários a respeito, correndo o risco de, por falta de maiores informações, cometer injustiças, as quais, desde já, penitencio-me e coloco o espaço à disposição para aposição de outras versões sobre os fatos. Vamos então ao ponto de vista.
Editorial
O prefeito Luiz Amaral iniciou nesta terça (16), dando continuidade na quarta (17) a publicação de atos de exoneração e alguns remanejamentos, decretos que vinham sendo assinados desde o mês anterior, fruto inclusive de conversa que o controlador geral, Luciano Sepúlveda, sob recomendações, manteve com as principais lideranças aliadas, tendo sido abortadas em seguida. Vale observar que tem decreto assinado em 26 de outubro.
O fato é que havia sim a intenção de promover as demissões agora iniciadas e o Sepúlveda, ao ser desmentido, foi para o sacrifício diante da sociedade e daqueles aliados aos quais foi encarregado de procurar. Entende-se que alguém precisava sofrer o desgaste: que seja um auxiliar de confiança. Mas, que o controlador saiu chamuscado, isso não se tem dúvidas. Ossos do ofício.
A Lei de Responsabilidade Fiscal exige que o gestor deva manter-se em determinado limite percentual em função da receita líquida da prefeitura, em especial no que se refere a gastos com pessoal. O ano está se findando e alguma providência precisava ser tomada.
Só que ao promover a exoneração de 40 ou 50 servidores de segundo escalão, além dos contratados sob regime especial administrativo (REDA) e terceirizados, o ato representa muito mais um novo desgaste para a administração, mesmo ajustando as contas, do que uma ampla reforma administrativa como estava programada.
Naturalmente o prefeito deve ter sofrido fortes pressões oriundas de todos os lados. Acho mesmo que o secretariado chamado a cortar na própria carne, deve ter se rebelado contra o afastamento deste ou aquele nome. Entretanto, algum secretario mais lúcido e experiente, e devem ter alguns nessa condição, deveriam ter sugerido a demissão de absolutamente todos os cargos de confiança (ASS 1, CC2, CC3 e CC4). A demissão em massa provoca menos traumas familiares. Daí, a partir da real capacidade de pagamento da prefeitura, seriam chamados de volta, paulatinamente, os servidores imprescindíveis, até atingir o nível crítico da folha.
É claro que a opinião do observador não tem a menor pretensão de assumir ares professorais, principalmente quando está em jogo a gestão do município e a vida econômica e profissional das pessoas envolvidas. No entanto, causa indignação constatar tanto amadorismo na condução da política de pessoal da atual gestão, e tanta ineficácia na administração da política econômica do município, talvez reflexo da redução de arrecadação ou até carência de planejamento estratégico em seu fluxo de caixa.
Creio mesmo que a estratégia de ação colocada em prática pelo Dr. Luciano Sepúlveda teria sido mais eficaz. A tal reforma anunciada, no formato em que foi concebida, incorporando secretarias, extinguindo órgãos e demitindo os ineptos, teria um efeito menos doloroso e maior receptividade, ninguém tem dúvida.
Comenta-se na cidade que independentemente da economia conseguida com as exonerações, o aspecto político foi relevante nas escolhas dos nomes. De tantos assessores especiais nas secretarias, logo o da Agricultura, Renildo Peixoto, indicado pelo ex-prefeito Reinaldo Pinheiro, foi descartado. Não nos cabe defender este ou aquele agente, o que causa estranheza é ter-se mirado justamente no alvo. Por certo quem indicou Renildo é considerado o “padrinho” mais fraco do sistema vigente. Por justa razão, não deveria ser assim.
Cabe-nos aguardar os acontecimentos e ver se as medidas são suficientes para ajustar as contas da prefeitura e torcer para que rapidamente as coisas voltem aos eixos e Luiz Amaral possa singrar em mares mais serenos. Vale lembrar que o oceano é previsível, mas os ventos… Esses quando ficam fora de controle, desestabilizam a embarcação.






