Arquivos da Categoria ‘Colunistas’
O LIVRO DE DILMA
Por Sebastião Nery*
RIO – “A ministra sentou-se numa cadeira para conversar com o médico. Falaram sobre o tratamento inadiável, doloroso e incômodo. O exame definitivo tinha chegado de um laboratório de Houston, nos Estados Unidos, naquela sexta, 17 de abril (2009). Quanto mais rápido iniciassem o procedimento terapêutico, melhor. Combinaram data e hora, ela agradeceu, despediram-se. Um breve silêncio foi quebrado por um suspiro longo e Dilma voltou os olhos na direção do secretário particular, que tinha permanecido vigilante junto à porta da sala:
- A vida não é fácil. Nunca foi”.
A ministra devolveu o telefone ao secretário e seguiu para a entrevista coletiva. Parecia segura. Vestia um casaco de linho vermelho sobre a blusa de seda preta, o decote redondo acompanhava a curva do colar de pérolas. Era a Dilma de sempre, respondendo com firmeza”…
Essa historia está em um retrato forte e verdadeiro da presidente Dilma : “A Vida Quer é Coragem”, do experiente e serio jornalista Ricardo (Batista) Amaral (Editora Primeira Pessoa – Sextante – RJ), que vim lendo ontem no avião, voltando de um mês de férias de sol e mar no Nordeste.
Torturada
Há a vida difícil, brutal, às vezes militarmente barbara :
- “Entrei no pátio da Operação Bandeirante (Exercito, em São Paulo) e começaram a gritar : – “Mata!”, “Tira a Roupa”!, “Terrorista!”, “Filha da Puta”! Leia o resto desta notícia »
O MUNICÍPIO É A FAMÍLIA NUCLEAR DA NAÇÃO
Por Wilson Midlej*
A Constituição inclui o Município como uma das entidades indispensáveis à formação da República Federativa do Brasil (artigo 1º da Constituição Federal), embora haja quem considere a tese equivocada por não ser a união de Municípios o que forma a Federação e, sim, a união de Estados.
Segundo o célebre municipalista e ex-governador da Bahia Antonio Lomanto Júnior o município é a célula principal da nação, pois é nele que nasce a cidadania e dele emergem as riquezas naturais e o manancial de subsistência do país.
No limiar de um novo ano, dois mil e doze depois do nascimento do Cristo, data a ser comemorada neste mês de dezembro, o Brasil entra num período decisivo para o estabelecimento de um novo paradigma. Estamos mais maduros enquanto seres políticos e ansiosos por ver implantada uma nova fase, onde os gestores passem a respeitar a coisa pública e pensar prioritariamente na coletividade.
No decorrer do ano que ora se finda, a nação brasileira assistiu, estarrecida, inúmeros escândalos perpetrados por quem deveria atender as demandas do cidadão e cuidar dos interesses nacionais e não produzirem cenários cujos protagonistas se revelaram apenas malfeitores, responsáveis por uma crise ética de extensão imensurável.
Quando se pensa que a faxina da presidente Dilma varreu o entulho moral para a o lixão da marginalidade, eis que surge um novo mal feito ainda mais grave…
Enquanto isso, o cidadão se indigna com a capacidade dos atuais homens públicos de criar novas modalidades de desvios e falcatruas, com as evidentes exceções que confirmam a regra.
Antes pacífico e acomodado, o cidadão brasileiro hoje já não se conforma com o cinismo dos acusados e exige, embora sua reação ainda seja incipiente, o resgate da moralidade. Pode se ver no semblante dos homens e mulheres brasileiros a repulsa a tais atitudes, inerentes àqueles delinqüentes comuns que vivem às margens da Lei.
Em determinados pontos do planeta, os fatores climáticos fazem o mar avançar e tremer a terra. No Brasil não temos terremotos, o que tem se revolvido por aqui são as entranhas humanas corroídas pela sensação de impotência e indignação com o que acontece no núcleo central do estado-nação.
No município, a gênese da política e da cidadania, pode nascer esse novo paradigma. É chegado o momento de o cidadão interferir iniciando o ciclo de moralidade que, mais dia, menos dia, atingirá outras esferas administrativas. O município deverá ser o espelho que refletirá o Brasil que queremos. Basta observarmos quem se propõe a tomar conta das riquezas municipais, e dar conta do bem estar social da população. No próximo ano vamos escolher os novos dirigentes municipais. Os cidadãos vão escolher novos gestores para cuidar da cidade, projetando o seu futuro e o ato de escolher carece de reflexão, desprendimento e compromisso com o coletivo. A responsabilidade não é apenas do escolhido, mas, principalmente de quem escolhe.
Que o clima do Natal do Cristo possa envolver as consciências e iluminar as mentes dos escolhedores para que parta do município a mudança qualitativa dos dirigentes da nação, que se inicia com o dirigente do município, que, no lúcido conceito do então governador Lomanto Júnior, é o começo de tudo!
*Crônica publicada também no Jornal de Jequié e veiculada no programa Hora de Notícias da FM 104.9 às quartas feiras.
“STRIPTEASE” DA IMPRENSA
“A escolha do principal candidato a presidente pelas oposições, e de seu vice, havia sido uma novela. Policial. José Serra esperou o último minuto, do último dia do prazo legal, para dizer que era candidato, deixando aflitos os Grandes Irmãos : Folha, Estadão, Globo, Veja, Época, o Grupo RBS e outros irmãozinhos pequenos Brasil afora”.
“Seus colunistas até abandonaram temporariamente a função de informar para se tornarem conselheiros e incentivadores – “Vai que é sua, Serra!”. Parecia que era mesmo, pois, ao raiar de 2010, ele tinha 41% das intenções de voto contra 28% de Dilma Rousseff”.
“Só um ano depois se saberia, mas naquele início de 2010 os “colonistas” da Veja e do Globo, Diogo Mainardi e Merval Pereira, não só aconselhavam e incentivavam Serra, como eram informantes dos Estados Unidos, na pessoa do cônsul daquele país no Rio de Janeiro”. Leia o resto desta notícia »
NÃO FUI MORRER
Desci em Fortaleza, peguei um taxi:
- Por favor, para o palácio.
- O senhor vai ver o governador Parsifal Barroso?
- Tenho uma entrevista marcada com ele. Sou jornalista.
- Moço, o doutor Parsifal é um homem muito bom, muito serio, muito honrado, muito culto, fala muitas línguas, toca piano, mas, se o senhor permite um palpite, eu acho que o senhor deve falar também com a esposa dele. Quem manda no Ceará é a mulher de Parsifal, dona Olga.
A manchete da matéria já ficou roendo minha cabeça :
- Quem manda no Ceará é a mulher de Parsifal.
Precisava conferir, embora eu já soubesse que o melhor repórter de uma cidade é motorista de aeroporto e rodoviária.
Parsiifal
Fui, conversei longamente com o governador. A cada pergunta ele dava uma resposta de cinco minutos, ela falava vinte, trinta. Depois, passei três dias na cidade, hospedado no velho hotel San Pedro, no centro, ouvindo politicos e jornalistas e conclui que o motorista tinha razão.
Baixinho, calvo, de bigode, Parsifal começou a vida como jornalista, redator do jornal “O Estado”, de Fortaleza. No segundo ano de Direito, fez concurso para professor de Quimica no Liceu, tirou o primeiro lugar com a tese “As Teorias de Geber”, mas não tomou posse por não ter 21 anos. No ano seguinte,nomeado catedrático de alemão no mesmo colégio.Já tinha 21. Leia o resto desta notícia »
A ÉTICA E A POLÍTICA
(Publicação simultânea com o Jornal de Jequié)
Aproveito para parabenizar os diretores do Jornal de Jequié por permitir que sejam expostos pensamentos sem que seja necessário submetê-los a uma análise prévia. É o reflexo da coragem e independência do principal provedor deste órgão de comunicação, o professor Euclides Fernandes.
Inicialmente vamos definir o que significam ética e política:
De acordo autor espanhol Adolfo Vazquez, a ética pode ser entendida como a ciência que estuda as relações morais dos homens entre si. A ética investiga os princípios, as práticas morais e tradicionais consideradas valores que regem as condutas humanas de determinada sociedade.
Já a política, para o professor Dalmo Dallari, é a conjugação das ações de indivíduos e grupos humanos, dirigindo-se a um fim comum. E este fim comum deve ter como ideal o bem-estar, a igualdade entre os componentes da sociedade e a paz social. Ou seja, a política deve preocupar-se com a coletividade.
Atualmente estamos vivenciando uma grande crise ética no cenário político brasileiro. As palavras recorrentes veiculadas na mídia eletrônica e publicadas na imprensa são corrupção, desonestidade, compra de votos, abuso de poder, tráfico de influência, desvio de dinheiro público eventualmente escondido até em cuecas, atos secretos e tantas outras que desqualificam a atividade política. Leia o resto desta notícia »
A TIRANIA DOS BANCOS
PARIS – Ele nasceu quando o coração do século passado explodia em seu primeiro enfarte : revolução russa de outubro de 1917. Alemão de Berlim, Stephane Hessel tinha 20 anos quando combateu o nazismo, asilou-se na França, naturalizou-se francês, entrou na Resistência francesa e foi para Londres lutar ao lado do general de Gaulle.
Preso pela Gestapo em 1944, foi deportado para os campos de concentração de Buchenwald e Dora, na Alemanha, onde ficou dois anos e fugiu em 1945. A partir daí é um cidadão do mundo a serviço do mundo. Na ONU, participou da comissão de redação da Declaração Universal dos Direitos do Homem, da qual fez parte o brasileiro Austregésilo de Athayde.
Embaixador da França nas lutas pela paz, mundo afora, atua, mobiliza, escreve livros (“Danse com o Século”,“Cidadão Sem Fronteiras”) Em outubro do ano passado, surpreendeu a França, a Europa e o mundo com um poderoso manifesto de poucas dezenas de paginas, traduzido em todos os paises e que logo chegou a milhões de exemplares (“Indignez-vous!”), agora seguido por outro (“Engagez-vous”!). Tornaram-se bandeiras de lutas da juventude arabe sublevada e até em Wall Street. Leia o resto desta notícia »
DEIXA O CORAÇÃO MANDAR XI
Por Waltinho Queiroz
Podcast publicado em www.radiometropole.com.br
deixa o coração mandar XI
A NOITE DE VARGAS
A madrugada de 23 a 24 de agosto de 1954 foi uma das mais longas da historia do pais. As rádios (Nacional, Tupy, Globo) ficaram de plantão permanente. A Nacional era do governo. A Tupy de Chateaubriand e a Globo de Roberto Marinho tinham sido entregues a Lacerda, que não saia do microfone. Meia noite Vargas reuniu o ministério.
De madrugada, Getulio recebeu o manifesto dos generais, levado por seu ministro da Guerra, Zenobio da Costa. Desistiu de resistir, concordou em assinar uma licença, deu a caneta a Tancredo Neves, foi deitar-se já ao amanhecer. Lacerda e Eduardo Gomes gritavam nas rádios:
-“Licença coisa nenhuma. Ele não voltará”.
Não voltou mesmo. Ficou para sempre.
Getulio
Depois de passar a madrugada jantando com colegas, ouvindo as rádios e um pianista cego, no “Columbia”, bar-restaurante de jornalistas depois de prontos os jornais, na avenida Paraná, em Belo Horizonte, fui para o hotel dormir. Às 9 da manhã, batem na porta. Era Roberto Costa, dono da livraria “Oliveira e Costa”, dirigente do Partido Comunista :
– Acorda, companheiro! O velho Getulio acaba de se matar, às 8,30. Vamos buscar os trabalhadores na Cidade Industrial para protestar.
– Mas não éramos contra ele, o Partido Comunista não era contra?
– Agora não é mais. Ele deixou uma Carta Testamento que está sendo lida nas rádios e é um documento revolucionário, violento manifesto aos trabalhadores denunciando o imperialismo americano. Vamos buscar o povo para um comício na Praça Afonso Pena, diante da Faculdade de Direito. Já mandamos companheiros para lá, para improvisar um palanque. Leia o resto desta notícia »









