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BIOGRAFIA PARA UM CÉLEBRE IPIAUENSE
A cidade de Ipiaú deu ao Nordeste Brasileiro um dos mais importantes jornalistas da atual geração de comunicadores, Cleomar Ribeiro Brandi (foto), nascido em 18 de janeiro de 1945, escreveu seu nome na história do Jornalismo Baiano e Sergipano e agora terá sua trajetória contada numa biografia escrita pelo Jornalista Sergipano Gilson Souza.
Entre outros feitos, Cleomar foi responsável pela implantação da Rádio e TV Educativa nos dois estados. Escreveu colunas em jornais de Salvador e foi um dos mais atuantes cronistas da imprensa em Aracajú. Cleomar Brandi faleceu em 17 de julho do ano passado. De acordo com Gilson Souza, a biografia estará pronta ainda este ano, contando inúmeros depoimentos de familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores.
O livro também trará uma série de fotografias que marcam épocas distintas da vida de Cleomar. Em entrevista concedida ao Jornalista Osmário Santos, de Aracajú, Cleomar lembrou de momentos da infância em Ipiaú e da adolescência em Salvador.
Da sua infância ele conta que foi bela, menino de beira de rio, abrindo o grande portão do quintal e se deparando com o deslizar majestoso do Rio de Contas, onde ele e seus irmãos
“Pescávamos belos piaus de cima do cais: plataforma exata para grandes mergulhos na água que nos acolhia. O grande abacateiro do quintal era a grande vigia de onde, lá de cima, me sentia Robinson Crusoé, os “babas” com os irmãos, os filmes do Cine Theatro Éden, o cheiro do pão fresco saindo do grande forno da Padaria Minerva, a manteiga derretendo no milagre do pão quente e aberto, as histórias de assombração, as brincadeiras de guerra nas pilhas de cacau do grande armazém de Tio Coló, os bois soltos nas ruas nos dias de matança, um corre-corre danado e a gente jogava sal no fogo pois diziam que deixava os animais mais brabos. Uma infância com cheiro de banhos de rio, rapé roubado do meu avô, visgo de cacau na boca e o coração na porta, batendo forte, esperando a chegada do meu pai que vinha da padaria, enquanto o serviço de auto-falante cantava a Ave Maria”.
Da adolescência as recordações trazem nomes que ficaram famosos na cultura nacional:
“ Lembro que a turma da ladeira dos Aflitos era muito grande unida. Antônio Pitanga, que depois se tornou o pai de Camila Pitanga; Geraldo Del Rey, virou ator de cinema; Perna Fróes, que fez arranjos musicais para Caetano Veloso; Thildo Gama, que era o baixista de Raulzito e seus Panteras; mais tarde, Raulzito virou Raul Seixas e é nome na MPB até hoje. Reencontrei Raulzito (nunca consegui chamá-lo de Raul Seixas) anos mais tarde, em Arembepe, ele recém saído do hospital, com a cirrose comendo seu fígado e, debochado como sempre, emborcou minha dose de milone, aproveitando minha distração. Dois meses depois, ele morreu.
O Jornalista Gilson Souza promete realizar em Ipiaú o lançamento do livro- biografia de Cleomar Brandi Ribeiro. Será uma boa oportunidade de a população local conhecer melhor esse célebre conterrâneo.
*José Américo da Matta Castro é jornalista
UM NOVO COMEÇO
Por Jussara Midlej*
Há especulações apocalípticas variadas, em torno do final do ciclo do Calendário da civilização Maia – um manuscrito do século XVII, descoberto nos anos 1990 na Biblioteca Nacional da Itália. Neste, há desenhos que mostram um alinhamento galático, que ocorre a cada 26 mil anos, com previsões de perturbações no campo eletromagnético da Terra, sendo que o próximo voltaria a acontecer em 21 de dezembro de 2012.
Ao contestar discursos apocalípticos, astrônomos e estudiosos do legado maia afirmam que não se justificam alardes, nem apreensões excepcionais, desde que “a vida não é governada por profecias”. Aqueles que se dedicam a pesquisas metafísicas partilham fatos comprobatórios de que os maias não previram o fim do mundo material, mas sinalizaram para um fim de um ciclo, início de outro. E, embora não se saiba claramente de que modos isso poderá ocorrer, não há como negar que já se vive uma grandiosa crise planetária e existencial, em cujo cerne há indicativos de que uma renovada cosmovisão poderá se sobrepor a uma onda materialista e violenta – e esta dá indícios de vir marcada por relações mais estreitas entre a ciência e a espiritualidade.
No cerne desta grave crise, as pessoas parecem estar sendo impulsionadas, ainda que compulsoriamente, pelas dores, físicas e morais, a encarar processos de revisão individual e coletiva, num sentido metamórfico. Nessa direção, Edgar Morin (2011) nos esclarece :
“Quando um sistema é incapaz de tratar seus problemas vitais e fundamentais, ou ele se desintegra, ou encontra em si próprio a capacidade de produzir uma metamorfose. Ou seja, de criar um metassistema novo e mais rico.”
Ou seja: nesse tempo presente, já não são apenas as entranhas da Terra que se revolvem esporadicamente. É fato que a humanidade inquieta-se, há um desasossego diante de novas e antigas mazelas, reais “caminhos de pedras”… Nas dores, vivencia uma tendência natural de se atentar para valores essenciais e, excepcionalmente, acionar forças regenerativas capazes de criar sintonias com ritmos mais integradores e harmônicos, em si, em seu entorno… Se do caos vai-se à ordem, poderemos pressagiar – no cerne dessa gigantesca crise planetária que se amplifica, se aprofunda – o seu antídoto regenerador…
Assim, se as crises como “as dores de partos” de uma renovada etapa evolutiva podem trazer, em si, abundantes oportunidades, a hora é de aproveitá-las e apressar a reforma do pensamento, as ações cotidianas num sentido humanitário, a gerar um novo jeito de viver e de encarar as relações. Aos poucos, parece ser possível criar-se perspectivas de novas sínteses, de renovados modos de a vida florescer crescentemente pautada em mais amor/harmonia, na equidade, numa nova ordem, enfim… É altamente saudável, neste momento, ter a consciência de que esta construção não se dará de modo externo, absolutamente!
Em vista das imprevisibilidades e da complexidade que nos apontam os referidos processos de renovação – que parecem já se encontrar em curso – cabe a cada um de nós, se perguntar: estou consciente da emergência de fazer de 2012 um ano de superações e de transformações individuais e no entorno de mim? Onde (quando e como) poderei contribuir, pessoalmente, para uma nova consciência planetária, para uma revisão profunda nos valores societários? De que modos posso, nesse presente tão conturbado, contribuir para a urgência de novos amanheceres? Como posso ser e fazer mais pessoas felizes?
*Jussara Midlej é professora pesquisadora da UESB
ADEUS, CHEETA
Gosto de escrever crônicas, como gosto de ler crônicas. Leio-as quase todas. Sebastião Nery, João Ubaldo, Dora Kramer, Samuel Celestino, Hélio Pólvora, Walter Queiroz Jr., entre muitos outros. Sou também leitor assíduo de Veríssimo, o Luiz Fernando, desde o seu pai, que embora tenha sido um dos escritores mais populares do século XX, não era cronista.
Neste domingo li uma crônica de Luiz Fernando Veríssimo no jornal A Tarde, com o título acima que é imperdível. Parece que, como eu, Veríssimo era leitor assíduo dos livros de Edgard Rice Burroughs, das revistas em quadrinhos e, dos filmes protagonizados primeiro por Johnny Weissmuller e depois por Lex Barker, ambos campeões de natação. E o escritor-cronista lembra os saltos espetaculares de Tarzan que, das alturas mergulhava nas águas caudalosas do rio, assim de jacarés e crocodilos.
Segundo ele, tudo indicava que os jacarés sabiam que ele iria saltar. Os espectadores prendiam a respiração: “lá vêm
os jacarés”. Tarzan mergulhava e os jacarés mergulhavam atrás. Sabiam que não alcançariam a Tarzan e que alguns deles seriam mortos por vigorosas facadas no dorso. O resto dispersava com medo de obter o mesmo destino. E o público como que já deduzisse o final dessa refrega, cumpria a sua parte no ritual das séries de Tarzan, o Homem Macaco.
Já nos livros Tarzan não era muito chegado a banho de rios nem a “canga-pés”, principalmente com crocodilos ou jacarés. Era mais dado às caminhadas pela floresta, com seu arco e flecha, quando não uma viagem aérea aqui e ali.
Quase toda a minha geração, e talvez a de L. F. Veríssimo também, era adepta da leitura das revistas em quadrinhos com o personagem Tarzan, com direito a Jane, Boy, o elefante Tantor, o leão Numa, o tigre Sheeta, papel transferido para o chimpanzé no cinema, que passou a ser chamada de Cheeta… caminho das árvores… Não o da Pituba, mas a via expressa através dos robustos cipós, sempre colocados em posições estratégicas para dar balanço à gangorra. Em posição de briga, batendo os punhos no peito, Tarzan rugia Krig-har, Bandolo, Mata!… O que fez com que Raulzito e vivesse repetindo a expressão durante os intervalos das aulas no Colégio São Bento.
Mas, eu ia adiante. Lia Mandrake, sua eterna noiva Narda e o seu assistente-armário Lotar; lia O Zorro, com Tonto e Silver, a versão far-west também inspirada na obra literária Sancho Panza, de Cervantes; O Fantasma com o cachorro Capeto e o cavalo Herói, mito da tribo pigmeu Bandar, do pântano das mil mortes, Gene Autry e Rex, Roy Rogers e Trigger, difundidos no Brasil apenas nas revistas em quadrinhos, com exceção de Rogers, e, talvez por isso, não tenhamos visto filmes e nem os personagens trocados de nomes ou de gênero.
Pois bem, o jornal americano The New York Times, em foto destaque anunciou que Cheeta morreu aos 80 anos. Questiona-se se era a original. Mas, tal como Veríssimo, de longe, as minhas homenagens, acrescentando: seja ou não a original. Grande atriz, Cheeta!
LÁ VEM O BRASIL SUBINDO A LADEIRA
Por Wilson Midlej
Em contraponto à música “Lá vem o Brasil, descendo a ladeira“ de Pepeu Gomes e Moraes Moreira, de 1980, os brasileiros já podem comemorar que o Brasil já vem subindo a ladeira, pelo menos na escala da economia mundial e nos novos contornos da sua imagem aos olhos do mundo.
A Revista Veja encomendou uma importante pesquisa internacional ao Instituto CNT/Sensus, abrangendo dezoito países, cujo resultado demonstra que os estrangeiros começam a vislumbrar o nosso país com outros olhos que não aqueles de tres décadas atrás. O trabalho contou com a participação de treze empresas de pesquisa internacionais lideradas pela empresa brasileira e entrevistou 7.200 pessoas no próprio país, bem como na Argentina, Chile, Colômbia, México, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Russia, China, Japão, Índia, Líbano e Africa do Sul. Com exceção da Índia, todos veem o Brasil sob a mais favorável das luzes. Sobre seus habitantes, a avaliação dominante é que somos alegres, festeiros, populares, agradáveis como turistas e queridos como vizinhos. A quase unanimidade diz que somos bons de bola, os melhores no futebol em todos os tempos.
A Revista Veja conclui pelos resultados que se o Brasil fosse colega de trabalho desses países, seria daqueles que todos querem chamar para tomar uma cerveja e até, quem sabe, falar de coisas mais sérias.
Mas não foi sempre assim. O Brasil era visto como um país do carnaval e de mulheres sempre disponíveis, cercados de um monte de selvagens e mal educados. Leia o resto desta notícia »
É HORA DA SOCIEDADE AVALIAR AS FAMIGERADAS “PUXADAS DE TAPETES”
Por Alysson Andrade*
Entramos em 2012, a mídia tem noticiado diversas profecias apocalípticas e, o mais intrigante, é que todas convergem para o novo ano. Entretanto, esse primeiro dia é marcado mesmo pelo início do calendário eleitoral no ano em que os brasileiros vão às urnas para eleger prefeitos e vereadores. Mesmo diante do cenário nesfato ao qual submetemos a nossa Jequié, quando lá em outubro de 2008 decidimos quem a governaria pelos próximos quatro anos, ainda assim, é importante celebrarmos a perseverança, afinal, estamos muito próximos do final do marasmo que tomou conta da cidade.
O mês de junho – quando serão anunciados oficialmente os nomes dos prefeituráveis – ainda não chegou e, por certo, quando isso ocorrer, teremos a rica oportunidade de uma nova tentativa de acertar. É hora da sociedade avaliar as famigeradas “puxadas de tapetes”, tão utilizadas por políticos que só tiraram proveito próprio de um mandato. É o momento de mostrar quem de fato exerce o poder. Que seja muito bem-vindo 2012.
*www.enfoquecultural.com.br
NA TERRA DE GABRIELA
ILHEUS (BA) – Em 1934, Juracy Magalhães, interventor, mandava e desmandava na Bahia. J.J.Seabra, Otávio Mangabeira e outros lançaram o “Movimento Autonomista” com o slogan: “A Bahia ainda é a Bahia”. João Mangabeira veio a Ilhéus fazer comício contra Juracy.Gileno Amado,primo de Jorge e irmão de Gilberto, Genolino, os irmãos Amado, preparou uma vaia para Mangabeira. Começou a falar, a vaia urrou. Mangabeira reagiu:
- Essa canalha assalariada de Juracy …
Virou tiroteio. Demóstenes Berbert de Castro, líder dos estudantes contra Juracy, tentou entrar embaixo de um carro, mas já encontrou lá, acoitado, Carlos Pereira Filho. O “coronel” Henrique Alves, chefe político, foi à casa de Gileno:
- O que acontecer ao dr. João Mangabeira, acontece com você.
Mangabeira falou em paz.
O CORONEL
Henrique Alves, “coronel” de Ilhéus, compadre de João Mangabeira, saltou em Salvador em 1922, de um navio da Navegação Baiana, com seu terno branco de palha de seda, sapato de duas cores, bengala e chapéu panamá. Havia um comício da oposição, em frente ao café Pirangi, na Cidade Baixa. Houve um corre-corre, pisaram no pé do “coronel”.
Ele agarrou o homem pelo braço:
- Meu amiguinho, estou chegando de viagem, não venho vendendo valentia nem comprando covardia. Da próxima vez olhe onde anda meu pé. Leia o resto desta notícia »
2011: MAIS UM ANO QUE SE FINDA, E A NOSSA GERAÇÃO ENVELHECENDO…
Por Wilson Midlej
60 e uns… velho, eu? Quá…!
O ano de 2011 está se ultimando e lá vem 2012 chegando aí, novinho em folha!
A realidade é que as pessoas estão demorando mais a se considerar idosas. Particularmente, se não fosse o Carlinhos Manteiga (que se diverte com as fragilidades dos seus amigos), a ressaltar a minha suposta condição de “velhinho” e coisas que tais, eu próprio nem me lembraria da idade que já tenho… Chego mesmo a sentir-me culpado por não assumir a postura de um idoso. Na verdade, apenas cuido de não parecer ridículo com comportamentos inadequados à faixa etária que aparento.
O fato é que as novas tecnologias aplicadas à medicina preventiva, a priorização de uma vida mais de maior qualidade e se houver um pouco de ajuda da genética familiar, pode haver uma tendência de se alcançar uma longevidade bem maior do que a dos ancestrais.
Em 1965, quando eu tinha cerca de 20 anos, um homem de 65 anos, por exemplo, nascido, portanto em 1900, era considerado um ancião. Seu posicionamento diante da vida já denotava cansaço, austeridade e atitudes cobradoras de respeito e deferências. Quem nasceu em 1900 e tivesse chegado a esse ano, recebera informações dos avanços nas conquistas da humanidade, como o avião, o cinema, o motor a combustão, dos foguetes interplanetários que levaram o homem à lua etc. No Brasil, este homem assistiu à chegada da energia elétrica, o nascimento do rádio, do telefone, da locomotiva, do automóvel, da penicilina, dos antibióticos, assistiu acontecerem duas guerras mundiais, o surgimento da televisão, da bomba atômica, avião à jato, TV a cores, raios X, inúmeras vacinas e assim por diante.
Talvez pela condição de pioneiro no recebimento de tantos choques de modernidade, ou pela rapidez em que as conquistas aconteciam no século vinte, aos 65 anos eles já se sentiam e eram considerados velhos. Afinal, a maioria morria entre os 50 e 60. Suas pernas doíam no fim da tarde, as mulheres que não sabiam dos efeitos hormonais se conformavam com as sequelas da menopausa e até aceitavam que os homens vadiassem com as raparigas de então.
Mas o futuro chegou. Estamos no século XXI. As invenções e descobertas do passado foram se aperfeiçoando: internet, telefone celular, ipad, iphone, skype, tudo através de satélite artificial. As pessoas aprendendo a lidar melhor com seus corpos, com a alimentação, com a medicina alternativa e até com as intervenções cirúrgicas, a fim de driblar os efeitos da ação do tempo.
Mas, com relação ao século passado, também temos as exceções para confirmar a regra: Roberto Marinho, nascido em 1904, herdou o jornal O Globo do seu pai, Irineu Marinho em 1925. Pois bem, no século passado, aos 61 anos, em 1965, inaugurou a Rede Globo de Televisão, com o mesmo vigor e os mesmo sonhos do sexagenário de hoje, que vivenciou Woodstock, conheceu o movimento hippie, mudou a cara do mundo.
Daí o motivo dessa crônica. Apesar do deboche brincalhão do “Mantega”, não podemos, nem eu, nem ele, nos considerarmos velhos, nos moldes dos idosos que conhecemos no século passado, cheios de rituais e honrarias inerentes à velhice…
É por isso que repito: velho, eu? Quá… Tenho ainda muito a construir!! Que venha 2012…
CRÔNICA DE NATAL
Por Wilson Midlej
Segundo o jornalista Ivan Lessa, que também é escritor e foi editor e um dos principais colaboradores do jornal O Pasquim, ele, o Pasquim, de saudosa memória, “todo cronista brasileiro, gente classuda e cheia de manha, tinha sempre a sua crônica de Natal engatilhada. Era sempre a pior crônica do ano, não importa se o redator se chamasse Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Antônio Maria, Drummond ou Clarice Lispector”.
As crônicas de Natal são sempre repetitivas e redigidas como se tivéssemos que cumprir um ritual, uma obrigação de aludir às festas de fim-de-ano, com direito a enfocar temas como realização de amigo secreto, preço do tender, chester e invenções outras, que fazem a maioria chegar ao reveillon empanzinado, literalmente, de panetones e presentes inúteis.
Aproveito, então, tais precedentes para cometer, também a minha própria crônica já que eu precisava de um mote para desejar um Feliz Natal a um casal amigo que, na noite de hoje, irá sentir muita falta do aconchego de sua casa baiana, já que eles estão na cidade de Lisboa, cumprindo as etapas teóricas de um doutoramento: Helena Matta e Antonio Ribeiro, (seis irmãos, ela e, não sei quantos, ele) afeitos à casa cheia no simbolismo do Natal, devem estar curtindo a melancolia no retiro português, em pleno inverno. Certamente, Adélia e Virginia, que estão indo, irão amenizear as ausências…
Desde os anos sessenta, no rigor da missa do galo em Ipiaú, precedendo uma lauta ceia natalina à mesa do Dr. Salvador e D. Zélia, Leninha seguia um disciplinado e doce roteiro, com direito à execução de Pour Elise ao piano, indefectíveis bufets que acabaram marcando positivamente também aos seus inúmeros amigos, invariavelmente chamados para os especiais momentos de convívio familiar.
O mingau de Clarice, ao amanhecer, retirava as possibilidades de ressaca, resultado da esticada após os efusivos cumprimentos.
Pois bem, essa pobre crônica, arremedo de homenagem, tem o sentido de amenizar a solidão desses amigos especiais, hoje tão longe do mar da Bahia, personificando o grande e afetuoso abraço que gostaríamos de dar à multidão de amigos que cultivamos ao longo desse tempo.
Que seja através de Lena e Tontom que possamos direcionar nossos eflúvios de paz, registrando as saudades daqueles que já partiram para a pátria espiritual e, mesmo sem nominar, porque muitos, cumprimentar àqueles outros que, como nós, ainda ralam por aqui, tentando evoluir…
Estou sentindo falta da respeitada adega de Antonio. Saudades das atenções afetuosas de Leninha… Que o sentimento do Natal, que envolve o ocidente no dia de hoje e, as manifestações de amor, possam ser canalizados como energias positivas e muita luz para as pessoas que, um dia, compartilharam seus sonhos conosco, integrando o elenco do espetáculo da vida!
Feliz Natal, Leninha, Tontom e amigos de todas as épocas!
FELIZ NATAL E QUE 2012 SEJA O SEU NOVO ANO!
Todo ano é a mesma coisa: o frenesi das pessoas em busca do último presente, as ruas lotadas de gente que reclama do aumento dos preços, mas que não abre mão de todos os supérfluos de fim de ano e que briga com a balança, depois.
Atualmente, neste mundo farto de tecnologia correm centenas de milhares de e-mails e de cartões desejando a todos um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo. São raros aqueles antigos envelopes enviados pelos correios. Coisas do século passado.
No século passado as famílias festejavam o nascimento de Jesus e a chegada do Papai Noel em almoços no dia 25. As crianças acordavam cheias de energia, em suas casas, na expectativa de abrirem seus presentes pra curti-los na mesma hora. As diferenças econômicas só eram notadas no valor de cada presente, mas o simbolismo da importância de ganhar o presente, este permanecia.
Os tempos mudaram. As pessoas estão envoltas em compromissos, confraternização na empresa em que trabalha no grupo de atividade de que faz parte… Não existe mais aquele acordo fraternal, em que se combinava fazer no dia 24 de dezembro, um jantar para que todos os membros da família pudessem se encontrar num só local, que se apelidava de sede, por ser encabeçada pelos mais velhos: avós, pais, tios, filhos, sobrinhos e netos tinham, naquela data, a grande chance de um reencontro. Os laços familiares eram renovados, os momentos de emoção e desprendimento sedimentavam as intenções de solidariedade para o próximo ano.
A festa em comemoração pela chegada do Ano Novo mobiliza todo o mundo ocidental, numa gigantesca manifestação coletiva no ano que se inicia. Ao contrário do Natal, não precisa de dinheiro para presentes ou ceias fartas e todo mundo pode comemorar. Basta esperar os fogos de artifício e os sinos das igrejas e levantar as mãos para o alto, desejando feliz ano novo a todos.
A aproximação do Ano-Novo nos lembra que precisamos cultivar a esperança e a convicção de que ele nos trará rumos mais propícios ao desenvolvimento do País. Que os governantes tenham consciência e discernimento necessários para que os mal feitos sejam banidos da nossa convivência e os responsáveis pela corrupção punidos exemplarmente.
A modernidade nos trouxe conforto e abundância, mas, também, promoveu doenças e desvios de conduta que nos tornaram egoístas e até marginais. Esses novos tempos nos tornaram socialmente evoluídos e consumidores exigentes, mas tiraram a ingenuidade do passado. Tal como Cecília Meireles se expressou: “Como estamos mudados! Em meio século, perdemos aquela ingenuidade dos votos dirigidos de janela a janela: “Boas Festas!”“, “Feliz Ano Novo!”;
Mas, o bem estar depende de nós. O nosso desejo é que todos possam escolher o próximo ano, como o ano de cada um. Adotar o período compreendido pelos 365 dias de 2012 como o ano em vamos perdoar os inimigos e tolerância com os que pensam diferente de nós, entretanto, só ouviremos a música que nos dê prazer. Este será o ano em que só conviveremos com quem gostemos, só desenvolveremos atividades que nos dê satisfação pessoal, que só trabalhemos por prazer. Um ano em que só vamos gostar de quem gostar de nós e, um ano em que vamos, sobretudo, amar, amar muito, amar a todos, indistintamente, sem esperar retorno.
Um ano assim acontecendo, não será preciso dinheiro, nem sucesso, nem prosperidade, nem alegria, pois tudo isso nele estará contido.
Feliz Natal e que possamos ter no ano novo, o Nosso Ano!
*publicado no Jornal de Jequié e veiculado no programa Hora de Notícias da FM 104.9
PIMENTEL E JK
Se o jovem e insuspeitado ministro Fernando Pimentel tivesse ouvido o sabio conselho de Juscelino não estaria agora tão enlameado:
- “Política e negócios juntos não dão certos – dizia JK. O político para ser empresário tem que deixar de ser político. E o empresário, se quiser ser político, não pode continuar empresário. Juntando as duas atividades, não vai ser nem bom político nem bom empresário”.
Exatamente o que aconteceu com Dirceu, Palocci, tantos outros do PT. O cofre público foi a maçã do Paraíso petista. Descobriram, comeram, prevaricaram e se perderam, expulsos do banquete governamental.
Dirceu era a maior revelação política de sua geração, virou o Marcos Valério cabeludo. Enfiou as mãos na lama do Mensalão, anda zanzando por ai, “consultando” negócios escusos e mendigando uma anistia impossível.
Palocci imaginou que podia ser a reedição magra de Delfim, mas não teve continência nem sabedoria para não se deixar seduzir pela tentação da serpente da corrupção. Misturou Dilma com negociatas. Foi chutado.
Dilma
Às vezes basta uma foto para explicar a Historia. Quem ainda não sabe ou não se convenceu por que a Dilma é presidente da Republica, veja no livro do jornalista Ricardo Amaral, “A Vida Quer é Coragem” , a foto que a revista “Época” reproduz esta semana. É um documento que comove, honra e orgulha o povo brasileiro.
Sentada no banco dos réus, na Auditoria Militar do Rio (conheci aquele mesmo infame banco da ditadura), o rosto sereno e o olhar altivo e inabalável, depois de 22 dias seguidos de bárbaras torturas, Dilma de tal maneira perturba seus algozes que os obriga a cobrir os olhos com as mãos.
Obrigado, Presidente, por essa bela e inesquecível lição ao país.















