Arquivos da Categoria ‘Artigos’

PostHeaderIcon WALY SALOMÃO: RESPEITEM O SEU CASACO DE GENERAL!

 Por Alysson Andrade* 

Local onde deveria está fixada uma placa oficial informando o nome da Praça e período em que foi inaugurada. Foto: Alysson Andrade, registrada em: 9/2/2012.

Imagem atual do banco da "Praça dos Poetas". Foto: Alysson Andrade

A “algaravia” política vista em Jequié, nos últimos anos, parece ter tornado os gestores incapazes de compreender o valor dos poetas, especialmente, de um poeta movido pela necessidade de ultrapassar os limites da língua escrita e levar a prática poética para outros campos de criação. É claro que não seria viável ao município, realizar um investimento de R$ 6 milhões, como foi feito no Rio de Janeiro, em um Centro Cultural que levou o nome do poeta jequieense Waly Salomão, falecido em 2003. Entretanto, para que possamos reverenciar, minimamente, o artista por tudo aquilo que ele significa para a cultura nacional, uma praça sem qualquer escultura artística, menção a sua obra, ou ainda, privada de vida cultural permanente, como está posta no alto da Prefeitura de Jequié, aos olhos do Executivo, não é digna do título “Praça do Poeta”. 
       Sem sucesso, é bem verdade que, em 2006, na gestão do ex-prefeito Profº Reinaldo Pinheiro, o Executivo tentou a adesão de um Memorial à Waly Salomão a tal “Praça dos Poetas”, junto ao Ministério da Cultura conduzido pelo então Ministro Juca Ferreira. O fato é que, até os dias atuais, não há naquela Praça, qualquer representação a um criador multifacetado e polifônico, como pretendia o projeto original ao tentar prestar uma homenagem ao artista.
      Ao dispensar o concreto armado, a homenagem realizada em 2010, pelos estudantes do curso de licenciatura em artes da UESB (Teatro e Dança), na ocasião da montagem do espetáculo “Me segura queu vou dar um troço” (1972), dirigido por Roberto de Abreu, representou muito mais a vitalidade e o estilo palavroso do poeta. 
      Qual a expectativa gerada a alguém, com relação ao que poderia encontrar numa praça dedicada aos poetas, principalmente, se essa praça estiver na terra natal de Waly? Essa seria a pergunta que deveria ter sido feita junto à sociedade antes de pensar um projeto com a audácia de revelar as “grutas ignotas” da poesia de Salomão.
     O município de Jequié, tem a obrigação de tornar viva aquela praça, algo que continue reverberando o “mel do melhor” de Waly e de outros poetas locais, lá do “alto da balança”, eternizando por meio de uma justa homenagem, tudo aquilo que representa a inquietação de uma das personalidades mais transgressoras e fascinantes da cultura brasileira. Porque hoje, a tal “Praça dos Poetas” não é nada além de um mirante acompanhado da solidão de um banco vazio sem, sequer, uma placa singela identificando o lugar.

*Produtor e gestor cultural.

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PostHeaderIcon A GREVE DA POLICIA MILITAR DA BAHIA PENALIZA A POPULAÇÃO

Por Wilson Midlej

A greve deflagrada pelos policiais militares da Bahia, em que pese ser um instrumento legítimo para os grupamentos de trabalhadores em todas as áreas, me parece inadequada quando se trata de uma corporação militar. À luz da legislação vigente o movimento grevista por parte de membros das forças armadas federais e estaduais é inconstitucional e considerado motim, ou seja, rebeldia aos escalões superiores.

Apesar disso, é preciso considerar que as reivindicações salariais fazem parte da cultura do trabalhador em qualquer atividade, sendo através dos movimentos classistas que se conquista uma melhor qualidade de vida.

Essa greve da PM, especificamente tem trazido enormes conseqüências nefastas para a população. A insegurança se alastra por todo o estado da Bahia. O temor é proporcional ao tamanho da cidade. A imprensa tem divulgado números estarrecedores de episódios onde o patrimônio público e privado têm sido dilapidados, culminando com várias vidas ceifadas.

A proliferação de boatos juntamente com a constatação de fatos reais agrava a situação de caos em que se encontra a população baiana.

Em Jequié se contabiliza inúmeros saques a casas comerciais, registra-se vários assaltos à mão armada, arrastões e agressões ao cidadão e cidadã, só vistos no início do século passado quando o banditismo imperou por um certo período em Jequié.

As conseqüências de um movimento como esse são muitas: as escolas particulares e a rede municipal adiaram o início das aulas. Postos de gasolina só funcionam à luz do dia. Restaurantes funcionam sob trancas, como se estivéssemos em guerra. A população amedrontada não mais sai à noite.

Em Salvador, onde a situação é bem mais grave e os fatos se revestem de maiores proporções, o carnaval já foi prejudicado: operadoras de viagem de SP e do RJ já notaram redução de 10% na venda de pacotes para Bahia. Segundo Pedro Galvão, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem ABAV-BA, se a situação persistir, até o próximo final de semana esse percentual pode chegar a 30%” Ainda assim, para conter boatos, empresa de turismo diz que Carnaval está mantido.

A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, tanto em Jequié como em Itapetinga e Vitória da Conquista suspenderam as atividades acadêmicas e administrativas, por falta de segurança.

O Tribunal de Justiça, que funciona no Centro Administrativo da Bahia, onde as tropas federais e o Exército fazem o cerco aos grevistas, também não está funcionando. O comércio nas cidades de Irecê, Vitória da Conquista, Valença funcionaram parcialmente. Em vitória da Conquista os ônibus sequer circularam.

Os três níveis de Justiça na Bahia (Estadual, Federal e Trabalhista) não funcionaram ou encerraram o expediente mais cedo. Os prazos processuais também foram suspensos e os tribunais passaram para regime de plantão apenas para os casos urgentes. O mesmo ocorreu com as três vertentes do Ministério Público.

A situação chegou a tal nível que nas redes sociais já está se propagando boato de que o carnaval vai ter a data adiada. Para conter a boataria e o prejuízo que isso acarreta, a Empresa de turismo de Salvador Turismo (Saltur) emitiu nota reafirmando que a maior festa popular do planeta vai acontecer.

A embaixada dos Estados Unidos, por meio de um comunicado, alerta os cidadãos americanos para a greve da Polícia Militar na Bahia e sugere que as pessoas adiem viagens para o Estado.

O carnaval acontece entre os dias 16 e 21 de fevereiro e tem como tema “O país do Carnaval”, em homenagem aos 100 anos de Jorge Amado que completaria este ano.

Aí está. O caos implantado na Bahia pela queda de braço entre o governo e uma instituição que deveria estar se preparando, especialmente neste período, para garantir a paz e a tranqüilidade a todos os baianos.

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PostHeaderIcon A DEMOCRACIA DA GUERRA

SebastiãoSebastião Nery*

 

 

 

 

Terminado o longo Congresso Internacional de Municípios, em 1960, em San Diego, EUA, que durou mais de duas semanas, eu e o deputado Vavá Lomanto convidamos o simpático secretário de Saúde de Recife, Doutor Ferreira, para vermos a Califortnia toda. Eu tinha ficado amigo do presidente do Conselho Municipal de Los Angeles, jornalista, que me convidou para ser hospede de sua cidade por uma semana.

Chamei minha bela amiga Mara, já mais do que amiga, jornalista da Guatemala, rosto, cabelos e grandes olhos aveludados de índia, parecendo um desenho de Paul Gauguin, que me havia apresentado o presidente do Conselho Municipal de Los Angeles. Ela ia voltar exatamente para lá, onde morava e representava seu jornal e uma revista da Guatemala.

O Impala Rabo de Peixe, amarelinho, capota conversível, dava perfeito para os quatro: Vavá e Ferreira dirigindo na frente, eu e a Mara namorando atrás. Rodamos a Califórnia inteira por um mês, das praias geladas do Pacífico até a Serra Nevada e as doces pontes de São Francisco. Leia o resto desta notícia »

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PostHeaderIcon AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS

sarasaraII

Chegou Sara! Outra Sara. Chegou “nestante”. Agora filha da minha filha! A “pipoquinha”.

Cada vez que nascia um filho, e são quatro, eu lhe escrevia uma carta de amor. Ridículas, como toda carta de amor. Agora eles precisam parar de produzir netos para que eu pare de produzir cartas de amor, ridículas.

O sempre genial Fernando Pessoa, utilizando um dos seus heterônomios disse que “… Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”.

“As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas”. Obrigado, poeta.

Que venha a nova Sara. Que traga o equilíbrio, a serenidade e a firmeza da original e que se lembre de colocar na bagagem a vitalidade, a lealdade, a franqueza e a alegria da mãe! Se não for pedir muito, que traga também a sensibilidade, o conhecimento e o talento do pai! Vai ser bom ouvi-la junto com Luis Felipe, interpretar Villa Lobos numa tocata ao amanhecer.

O simbolismo do nascimento dessa criaturinha, que chegou hoje, é muito intenso. A mãe, que se dizia “a biônica… formiga atônica” deveria ter se chamado Sara. Ficou Mila e agora ela nos homenageia com esse nome que se impôs, forte, em nosso meio familiar… É um nome! Uma senha forte, sinônimo de amorável, compreensível, exigente e determinada.

Não escrevi uma carta de amor para a Sara que chega, não por falta desse sentimento, nem de uma pitada de talento. Talvez por ter-me esgotado em mil cartas de amor para a Sara anterior. Só sei que não foi por temê-las ridículas, pois Álvaro de Campos me ensinou:

“Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”.

Seja bem vinda, Sara!

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PostHeaderIcon BIOGRAFIA PARA UM CÉLEBRE IPIAUENSE

ZeamericoPor Zé Américo*

 

 

 

A cidade de Ipiaú deu ao Nordeste Brasileiro um dos mais importantes jornalistas da atual geração de comunicadores, Cleomar Ribeiro Brandi (foto), nascido em 18 de janeiro de 1945, escreveu seu nome na história do Jornalismo Baiano e Sergipano e agora terá sua trajetória contada numa biografia escrita pelo Jornalista Sergipano Gilson Souza.

Cleomar Brandi

Cleomar Brandi

Entre outros feitos, Cleomar foi responsável pela implantação da Rádio e TV Educativa nos dois estados. Escreveu colunas em jornais de Salvador e foi um dos mais atuantes cronistas da imprensa em Aracajú. Cleomar Brandi faleceu em 17 de julho do ano passado. De acordo com Gilson Souza, a biografia estará pronta ainda este ano, contando inúmeros depoimentos de familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores.

O livro também trará uma série de fotografias que marcam épocas distintas da vida de Cleomar. Em entrevista concedida ao Jornalista Osmário Santos, de Aracajú, Cleomar lembrou de momentos da infância em Ipiaú e da adolescência em Salvador.

Da sua infância ele conta que foi bela, menino de beira de rio, abrindo o grande portão do quintal e se deparando com o deslizar majestoso do Rio de Contas, onde ele e seus irmãos

“Pescávamos belos piaus de cima do cais: plataforma exata para grandes mergulhos na água que nos acolhia. O grande abacateiro do quintal era a grande vigia de onde, lá de cima, me sentia Robinson Crusoé, os “babas” com os irmãos, os filmes do Cine Theatro Éden, o cheiro do pão fresco saindo do grande forno da Padaria Minerva, a manteiga derretendo no milagre do pão quente e aberto, as histórias de assombração, as brincadeiras de guerra nas pilhas de cacau do grande armazém de Tio Coló, os bois soltos nas ruas nos dias de matança, um corre-corre danado e a gente jogava sal no fogo pois diziam que deixava os animais mais brabos. Uma infância com cheiro de banhos de rio, rapé roubado do meu avô, visgo de cacau na boca e o coração na porta, batendo forte, esperando a chegada do meu pai que vinha da padaria, enquanto o serviço de auto-falante cantava a Ave Maria”.

Da adolescência as recordações trazem nomes que ficaram famosos na cultura nacional:

“ Lembro que a turma da ladeira dos Aflitos era muito grande unida. Antônio Pitanga, que depois se tornou o pai de Camila Pitanga; Geraldo Del Rey, virou ator de cinema; Perna Fróes, que fez arranjos musicais para Caetano Veloso; Thildo Gama, que era o baixista de Raulzito e seus Panteras; mais tarde, Raulzito virou Raul Seixas e é nome na MPB até hoje. Reencontrei Raulzito (nunca consegui chamá-lo de Raul Seixas) anos mais tarde, em Arembepe, ele recém saído do hospital, com a cirrose comendo seu fígado e, debochado como sempre, emborcou minha dose de milone, aproveitando minha distração. Dois meses depois, ele morreu.

O Jornalista Gilson Souza promete realizar em Ipiaú o lançamento do livro- biografia de Cleomar Brandi Ribeiro. Será uma boa oportunidade de a população local conhecer melhor esse célebre conterrâneo.

 *José Américo da Matta Castro é jornalista

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PostHeaderIcon UM NOVO COMEÇO

Por Jussara Midlej*

Há especulações apocalípticas variadas, em torno do final do ciclo do Calendário da civilização Maia – um manuscrito do século XVII, descoberto nos anos 1990 na Biblioteca Nacional da Itália. Neste, há desenhos que mostram um alinhamento galático, que ocorre a cada 26 mil anos, com previsões de perturbações no campo eletromagnético da Terra, sendo que o próximo voltaria a acontecer em 21 de dezembro de 2012.

Ao contestar discursos apocalípticos, astrônomos e estudiosos do legado maia afirmam que não se justificam alardes, nem apreensões excepcionais, desde que “a vida não é governada por profecias”. Aqueles que se dedicam a pesquisas metafísicas partilham fatos comprobatórios de que os maias não previram o fim do mundo material, mas sinalizaram para um fim de um ciclo, início de outro. E, embora não se saiba claramente de que modos isso poderá ocorrer, não há como negar que já se vive uma grandiosa crise planetária e existencial, em cujo cerne há indicativos de que uma renovada cosmovisão poderá se sobrepor  a uma onda materialista e violenta – e esta dá indícios de vir marcada por relações mais estreitas entre a ciência e a espiritualidade.

No cerne desta grave crise, as pessoas  parecem estar sendo impulsionadas, ainda que compulsoriamente, pelas dores, físicas e morais, a encarar processos de revisão individual e coletiva, num sentido metamórfico. Nessa direção, Edgar Morin (2011) nos esclarece :

“Quando um sistema é incapaz de tratar seus problemas vitais e fundamentais, ou ele se desintegra, ou encontra em si próprio a capacidade de produzir uma metamorfose. Ou seja, de criar um metassistema novo e mais rico.” 

Ou seja: nesse tempo presente, já não são apenas as entranhas da Terra que se revolvem esporadicamente. É fato que a humanidade inquieta-se, há um desasossego diante de novas e antigas mazelas, reais “caminhos de pedras”…  Nas dores, vivencia uma tendência natural de se atentar para valores essenciais e, excepcionalmente, acionar  forças regenerativas capazes de criar sintonias com ritmos mais integradores e harmônicos, em si, em seu entorno… Se do caos vai-se à ordem,  poderemos pressagiar – no cerne dessa gigantesca  crise planetária que se amplifica, se aprofunda – o seu antídoto regenerador… 

Assim, se as crises como “as dores de partos” de uma renovada etapa evolutiva podem trazer, em si, abundantes oportunidades, a hora é de aproveitá-las e apressar a reforma do pensamento, as ações cotidianas num sentido humanitário, a gerar um novo jeito de viver e de encarar as relações. Aos poucos, parece ser possível criar-se perspectivas de novas sínteses, de renovados modos de a vida florescer crescentemente pautada em mais amor/harmonia, na equidade, numa nova ordem, enfim… É altamente saudável, neste momento, ter a consciência de que esta construção não se dará de modo externo, absolutamente!

Em vista das imprevisibilidades e da complexidade que nos apontam os referidos processos de renovação – que parecem já se encontrar em curso – cabe a cada um de nós, se perguntar:  estou consciente da emergência de fazer de 2012 um ano de superações e de transformações individuais e no entorno de mim? Onde (quando e como) poderei contribuir, pessoalmente, para uma nova consciência planetária, para uma revisão profunda nos valores societários? De que modos posso, nesse presente tão conturbado, contribuir para a urgência de novos amanheceres? Como posso ser e fazer mais pessoas felizes?

*Jussara Midlej é professora pesquisadora da UESB

http://www.fractaisdemim.blogspot.com

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PostHeaderIcon ADEUS, CHEETA

Jane e Cheetah
Jane e Cheetah – Foto: The New York Times

Gosto de escrever crônicas, como gosto de ler crônicas. Leio-as quase todas. Sebastião Nery, João Ubaldo, Dora Kramer, Samuel Celestino, Hélio Pólvora, Walter Queiroz Jr., entre muitos outros. Sou também leitor assíduo de Veríssimo, o Luiz Fernando, desde o seu pai, que embora tenha sido um dos escritores mais populares do século XX, não era cronista.

Neste domingo li uma crônica de Luiz Fernando Veríssimo no jornal A Tarde, com o título acima que é imperdível. Parece que, como eu, Veríssimo era leitor assíduo dos livros de Edgard Rice Burroughs, das revistas em quadrinhos e, dos filmes protagonizados primeiro por Johnny Weissmuller e depois por Lex Barker, ambos campeões de natação. E o escritor-cronista lembra os saltos espetaculares de Tarzan que, das alturas mergulhava nas águas caudalosas do rio, assim de jacarés e crocodilos.

Segundo ele, tudo indicava que os jacarés sabiam que ele iria saltar. Os espectadores prendiam a respiração: “lá vêm200px-Cheeta os jacarés”. Tarzan mergulhava e os jacarés mergulhavam atrás. Sabiam que não alcançariam a Tarzan e que alguns deles seriam mortos por vigorosas facadas no dorso. O resto dispersava com medo de obter o mesmo destino. E o público como que já deduzisse o final dessa refrega, cumpria a sua parte no ritual das séries de Tarzan, o Homem Macaco.

Já nos livros Tarzan não era muito chegado a banho de rios nem a “canga-pés”, principalmente com crocodilos ou jacarés. Era mais dado às caminhadas pela floresta, com seu arco e flecha, quando não uma viagem aérea aqui e ali.

Quase toda a minha geração, e talvez a de L. F. Veríssimo também, era adepta da leitura das revistas em quadrinhos com o personagem Tarzan, com direito a Jane, Boy, o elefante Tantor, o leão Numa, o tigre Sheeta, papel transferido para o chimpanzé no cinema, que passou a ser chamada de Cheeta… caminho das árvores… Não o da Pituba, mas a via expressa através dos robustos cipós, sempre colocados em posições estratégicas para dar balanço à gangorra. Em posição de briga, batendo os punhos no peito, Tarzan rugia Krig-har, Bandolo, Mata!… O que fez com que Raulzito e vivesse repetindo a expressão durante os intervalos das aulas no Colégio São Bento.

Roy Rogers e Trigger

Roy Rogers e Trigger

Mas, eu ia adiante. Lia Mandrake, sua eterna noiva Narda e o seu assistente-armário Lotar; lia O Zorro, com Tonto e Silver, a versão far-west também inspirada na obra literária Sancho Panza, de Cervantes; O Fantasma com o cachorro Capeto e o cavalo Herói, mito da tribo pigmeu Bandar, do pântano das mil mortes, Gene Autry e Rex, Roy Rogers e Trigger, difundidos no Brasil apenas nas revistas em quadrinhos, com exceção de Rogers,  e, talvez por isso, não tenhamos visto filmes e nem os personagens trocados de nomes ou de gênero.

Pois bem, o jornal americano  The New York Times, em foto destaque anunciou que Cheeta morreu aos 80 anos. Questiona-se se era a original. Mas, tal como Veríssimo, de longe, as minhas homenagens, acrescentando: seja ou não a original. Grande atriz, Cheeta!  

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PostHeaderIcon LÁ VEM O BRASIL SUBINDO A LADEIRA

Por Wilson Midlej

Em contraponto à música “ vem o Brasil, descendo a ladeira“  de Pepeu Gomes e Moraes Moreira, de 1980, os brasileiros já podem comemorar que o Brasil já vem subindo a ladeira, pelo menos na escala da economia mundial e nos novos contornos da sua imagem aos olhos do mundo.

A Revista Veja encomendou uma importante pesquisa internacional ao Instituto CNT/Sensus, abrangendo dezoito países, cujo resultado demonstra que os estrangeiros começam a vislumbrar o nosso país com outros olhos que não aqueles de tres décadas atrás. O trabalho contou com a participação de treze empresas de pesquisa internacionais lideradas pela empresa brasileira e entrevistou 7.200 pessoas no próprio país, bem como na Argentina, Chile, Colômbia, México, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Russia, China, Japão, Índia, Líbano e Africa do Sul. Com exceção da Índia, todos veem o Brasil sob a mais favorável das luzes. Sobre seus habitantes, a avaliação dominante é que somos alegres, festeiros, populares, agradáveis como turistas e queridos como vizinhos. A quase unanimidade diz que somos bons de bola, os melhores no futebol em todos os tempos.

A Revista Veja conclui pelos resultados que se o Brasil fosse colega de trabalho desses países, seria daqueles que todos querem chamar para tomar uma cerveja e até, quem sabe, falar de coisas mais sérias.

Mas não foi sempre assim. O Brasil era visto como um país do carnaval e de mulheres sempre disponíveis, cercados de um monte de selvagens e mal educados. Leia o resto desta notícia »

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PostHeaderIcon É HORA DA SOCIEDADE AVALIAR AS FAMIGERADAS “PUXADAS DE TAPETES”

Por Alysson Andrade*

Entramos em 2012, a mídia tem noticiado diversas profecias apocalípticas e, o mais intrigante, é que todas convergem para o novo ano. Entretanto, esse primeiro dia é marcado mesmo pelo início do calendário eleitoral no ano em que os brasileiros vão às urnas para eleger prefeitos e vereadores. Mesmo diante do cenário nesfato ao qual submetemos a nossa Jequié, quando lá em outubro de 2008 decidimos quem a governaria pelos próximos quatro anos, ainda assim, é importante celebrarmos a perseverança, afinal, estamos muito próximos do final do marasmo que tomou conta da cidade. 

O mês de junho – quando serão anunciados oficialmente os nomes dos prefeituráveis – ainda não chegou e, por certo, quando isso ocorrer, teremos a rica oportunidade de uma nova tentativa de acertar. É hora da sociedade avaliar as famigeradas “puxadas de tapetes”, tão utilizadas por políticos que só tiraram proveito próprio de um mandato. É o momento de mostrar quem de fato exerce o poder. Que seja muito bem-vindo 2012.

*www.enfoquecultural.com.br

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PostHeaderIcon NA TERRA DE GABRIELA

Sebastião*Por Sebastião Nery

 

 

 

ILHEUS (BA) – Em 1934, Juracy Magalhães, interventor, mandava e desmandava na Bahia. J.J.Seabra, Otávio Mangabeira e outros lançaram o “Movimento Autonomista” com o slogan: “A Bahia ainda é a Bahia”. João Mangabeira veio a Ilhéus fazer comício contra Juracy.Gileno Amado,primo de Jorge e irmão de Gilberto, Genolino, os irmãos Amado, preparou uma vaia para Mangabeira. Começou a falar, a vaia urrou. Mangabeira reagiu:

- Essa canalha assalariada de Juracy …

Virou tiroteio. Demóstenes Berbert de Castro, líder dos estudantes contra Juracy, tentou entrar embaixo de um carro, mas já encontrou lá, acoitado, Carlos Pereira Filho. O “coronel” Henrique Alves, chefe político, foi à casa de Gileno:

- O que acontecer ao dr. João Mangabeira, acontece com você.

Mangabeira falou em paz.

O CORONEL

Henrique Alves, “coronel” de Ilhéus, compadre de João Mangabeira, saltou em Salvador em 1922, de um navio da Navegação Baiana, com seu terno branco de palha de seda, sapato de duas cores, bengala e chapéu panamá. Havia um comício da oposição, em frente ao café Pirangi, na Cidade Baixa. Houve um corre-corre, pisaram no pé do “coronel”.

Ele agarrou o homem pelo braço:

- Meu amiguinho, estou chegando de viagem, não venho vendendo valentia nem comprando covardia. Da próxima vez olhe onde anda meu pé. Leia o resto desta notícia »

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