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PostHeaderIcon ENTIDADE CENSURA ATUAÇÃO DA IMPRENSA EM JEQUIÉ

Discutir sim. Censurar, jamais

Discutir sim. Censurar, jamais

Tomamos conhecimento do ofício nº 012/2010, datado de 20/08/2010, endereçado à Associação Jequieense de Imprensa-AJI e a todos os veículos de comunicação de Jequié, do Rotary Clube Jequié Cidade Sol, dando conta do que foi comentado pelos membros da entidade,  na reunião ordinária de 17/08/2010, acerca da atuação dos veículos de comunicação da cidade. Será o Rotary mais uma entidade a querer censurar a imprensa?

Este Blog não se sente atingido pelos comentários, eivados de críticas, sobre a atuação da imprensa jequieense, vez que não faz parte do seu estilo a proposta de “denegrir a imagem de Jequié, prejudicando o comércio local, bem como, a vinda de novas empresas e turistas na época da maior festa popular da cidade que é o nosso São Joao” (sic). Nosso espaço de comunicação, no estilo revista, visa a análise crítica de fatos acontecidos ou por acontecer, que na visão do seu editor, tenha reflexos na vida do jequieense em particular e do seu leitor em forma geral.

Parece que o comportamento do presidente Lula está fazendo escola em todo o Brasil. Em especial quando ele se refere à imprensa, generalizando e acusando-a de responsável por todas as formas de más notícias divulgadas. É claro que em nosso segmento, lá, como aqui, existem os que exageram e até mesmo os que fazem oposição sistemática a esta ou aquela corrente de pensamento. Mas, no geral, a nossa imprensa é de qualidade, com profissionais éticos e comprometidos com a informação como instrumento de comunicação social e este comprometimento implica em divulgar não apenas os pólos atrativos da nossa cidade, mas e principalmente as mazelas com que os munícipes convivem diuturnamente. Apesar de algumas dissonâncias, os integrantes da imprensa de Jequié participam intensamente das campanhas para o desenvolvimento de Jequié. Foi assim com a recuperação da BR 330, Chateau D’Ax, Ferrobahia, Ferrovia Oeste-Leste e tantas outras ações encampadas pela categoria.

Os membros do respeitável Rotary Clube Jequié Cidade Sol, que muito contribuem com o desenvolvimento do município, seja em suas atividades profissionais ou na disposição cívica de integrar um Clube de Serviços, devem continuar analisando crítica e reflexivamente não apenas a imprensa, mas todos os segmentos que compõem a nossa sociedade civil organizada. Entretanto, cremos que devem priorizar um estudo profundo sobre as circunstâncias que fazem com que seja enfatizado por eles que “nossa cidade atravessa um dos piores momentos da sua história”. Essa análise, que pode desencadear uma ampla discussão sobre as causas e as possibilidades de os jequieenses se tornarem, efetivamente, cada um em sua atividade, a “mola propulsora do crescimento e desenvolvimento da nossa cidade” (sic).

Instalada a discussão, aí sim, o Rotary Club Jequié Cidade Sol e os seus membros, estarão contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e saudável, apta, portanto em oferecer um cenário de progresso que atraia novas empresas e os desejados turistas sazonais das festas juninas.

Assim, estamos nos colocando à disposição desta instituição de tantos serviços prestados à sociedade, para discutir Jequié e a Bahia em todos os seus aspectos, ressalvando, porém, que a imprensa vai continuar exercendo o seu papel de informar à sociedade, exercendo o seu dever de fomentar a livre expressão.

PostHeaderIcon FONTE DE ANTIGAS EMOÇÕES

Fonte das emoções da Bahia esportiva

Fonte das emoções da Bahia esportiva

 Por Wilson Midlej

Hoje, 29 de agosto de 2010, a Fonte Nova foi detonada, literalmente. O estádio Octávio Mangabeira foi inaugurado em 28 de janeiro de 1951 com a partida entre o Botafogo de Salvador e o Guarany, que terminou com a vitória de 1 a 0 para o Botafogo. O primeiro gol no estádio foi marcado por Antônio, que estava jogando pelo Botafogo. Esse jogo fez parte do Torneio Octávio Mangabeira, organizado para inaugurar e promover o novo estádio, que, mais tarde, foi vencido pelo Bahia.

Frequentar a Fonte Nova, invariavelmente, às quartas e domingos, era um hábito arraigado da minha geração. Morava em Nazaré, mais precisamente na Rua Prado Valladares. Os garotos das cercanias reuniam-se no Jardim de Nazaré, num monumento situado em frente à casa de Edizio Muniz. Dali, seguíamos pra a Fonte Nova nas noites de quarta feira e nas tardes de domingo. Berto, Lió, Elmo, Antonio Lima, Miranda, Alex Muniz, este torcedor do Botafogo, Edson Rorrô, Augêncio,  descíamos pela escadaria existente ali, na garganta da Escola de Eletromecânica, e Faculdade de Filosofia da Ufba, saindo pertinho da Fonte das Pedras, ao lado do portão principal de entrada.  Nos jogos do Bahia alguns de nós não pagávamos ingresso pela condição de atletas juvenis. A carteirinha, assinada por Osório Vilas Boas ou Contran Lessa, nos dava direito de ingresso pela portaria da Imprensa, Autoridades e Permanentes da Cadeira Cativa. Eu entrava sempre por ali, seja como atleta juvenil do Bahia ou quando o primo Gouveia Filho, narrador esportivo da Radio Sociedade chegava e, pondo a mão no meu ombro, viabilizava o acesso sob o olhar severo do

Foto recente de Seu Souza. Ele barrou Pelé

Foto recente de Seu Souza. Ele barrou Pelé

porteiro, seu Souza, um negro alto, silencioso e elegante, que vivia de olho nos penetras e barrou o próprio Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que ia entrando sem a senha ou convite.  Quando nada funcionava, íamos com Lió, aos 16 anos, já titular do São Cristovão, tentar entrar pelo acesso dos jogadores,  embaixo,  no portão da piscina.

O fato é que a  Fonte Nova era ambiente nosso. Frequentávamos a academia de box que funcionava sob as arquibancadas da geral, onde Lió e Berereco treinavam para enfrentar  Augêncio e a alguns de nós, treinados por João Felix, na Vasco da Gama. Nesse universo, conhecíamos até os vendedores ambulantes de pastéis, acompanhados da Guaraná Caçula da Antárctica. A Fratelli Vita não tinha acesso.

Ali vivenciamos as memoráveis atuações do Bahia de então. Flamengo? Vasco? Corinthians? Nem pensar… Nilsinho, Mario, Vicente e Henricão, Biriba, eram os ídolos de um time invencível. De um futebol primoroso. O jequieense Zé Oto fazia sucesso no Ipiranga, mas logo veio para o Bahia. Foi assim, foi neste cenário, com o negão Jones, dançando na balaustrada à frente da torcida, que surgiu o jargão BAÊÊÊÊAA!

França Teixeira e Álvaro Martins disputavam a audiência com a PRA-4, Sociedade da Bahia. Os torcedores, com seus radinhos no ouvido, sintonizavam com seus narradores preferidos e, de voz inconfundível: Ferro na Boneca… Vá pra M…esbla, meu povo jóia…

Pois é, hoje a Fonte Nova foi implodida. Com ela, o cenário de vibrações e alegrias de toda uma geração. Que venha a nova Arena. Só nos resta resistir a sentimentos de melancolia e culto ao passado para manifestar nossa esperança de novos momentos de alegria e emoções para o futebol da Bahia.

PostHeaderIcon LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR

livre pensar

Por Wilson Midlej

Fui buscar a frase do genial Millôr Fernandes como salvo conduto para algumas reflexões que ouso colocar neste espaço: em tempos de corrida eleitoral, diferente dos dias normais, as análises do cenário político e suas consequências, tendem a se tornar mais aligeiradas ainda. A atuação do presidente Lula nestes quase oito anos foi benéfica às chamadas classes mais carentes. Ninguém questiona os muitos acertos do presidente. Lula perseverou ao longo dos anos perseguindo o tão sonhado poder e quando o conquistou direcionou suas energias para minimizar o sofrimento dos mais pobres. Deu certo! Absorveu idéias de adversários novos e velhos, aperfeiçoou programas, adaptou-se às idéias econômicas das correntes mais conservadoras do país, enfim, tocou o bonde pra Lapinha, sem deixar de dar pontapés homéricos nas partes íntimas da diplomacia. Ainda bem que ele esqueceu aquela história da Secretaria Geral das Nações Unidas… Também ele exagerou ao juntar-se a alguns “fichas sujas” internacionais.

Convenhamos, por melhor que tenha sido Lula presidente, o tempo estabelecido pelas regras democráticas se esgotou. Ele agora precisa passar o bastão, ou a faixa. Ah, a faixa! Ele está determinado a só desvesti-la para assentar em alguém que lhe assegure a continuidade do mandonismo. Se Dilma Rousseff ganhar a eleição, vai governar o Brasil, mas quem irá, sem dúvidas, governá-la, é Lula. Poderia isso até ser uma peça positiva utilizada pelo Marketing da campanha, mas, onde fica a independência do presidente da república? Seria a tutela do mais alto posto do país. Temos presidenta, mas quem manda é o ex-presidente. É mais ou menos assim.

Seria mais digno e até mais estratégico se Lula fizesse como Fernando Henrique: comandou o processo eleitoral, declarou sua preferência por este ou aquele candidato, retraiu-se a uma posição discreta, até colocar a faixa no que o povo escolheu. Aí sim, Lula daria uma demonstração que, apesar da “pouca leitura” é um verdadeiro estadista.

A esta altura, Lula faz proselitismo da sua candidata, comete infrações à Lei Eleitoral e, por consequência, à Constituição Federal que ele jurou defender. Além disso, adota uma postura truculenta de todo-poderoso. Justo ele que reclamou tanto da força da máquina governamental a impedir o seu crescimento nas eleições que disputou…

Tudo isso para a perpetuação no poder de um partido que traiu um discurso de ética e moralidade ao longo de mais de 25 anos e, gradativamente, impõe ao país um assustador viés autoritário.

Não cultivo simpatia por Serra. Se a disputa fosse com Lula eu votaria em Luis Inácio. No entanto, é preciso ter a coragem de dizer que Lula foi muito bom para o Brasil que ele encontrou. Agora, com a sua ação positiva, o país tem credibilidade, equilíbrio econômico, crescimento real em torno dos 6%, desenvolvimento pleno da economia, enfim, está pronto para direcionar as conquistas para o povo brasileiro. Para isso é hora de investir em infraestrutura, alavancar a Educação, afinar os programas de Saúde em todo o território nacional, cuidar da segurança… E, para isso, na minha modesta reflexão, no meu livre pensar, Dilma não está preparada. Apesar de tudo, quem parece reunir os requisitos necessários para levar tais desafios à frente, neste momento, é alguém com o perfil de José Serra. Eu creio nisso.

Mas, infelizmente há as famigeradas pesquisas eleitorais que empurram os eleitores para as tendências de vitórias por elas apontadas, induzindo àqueles mais afoitos a um clima de “já ganhou”. Segundo o Datafolha de hoje, se as eleições fossem hoje Dilma ganharia no primeiro turno.

E a gente sem alternativa: além dos candidatos de partidos chamados nanicos, ou é Dilma, Serra ou Marina. Sem demérito para ninguém em particular, eles representam o perfil do futuro presidente do Brasil? Precisamos deixar de torcer pra determinados candidatos como se torce pra time de futebol. A análise pode ter uma dose de paixão, mas, acima de tudo, precisa ser crítica.

Livre pensar é só pensar. A frase de Millôr nos remete a uma poética de Luiz Gonzaga e Zé Marcolino: “… quando se perde a esperança, parece uma tentação, se senta lá no terreiro, escora o rosto com a mão, sem plano, o pobre coitado, fazendo um risco no chão…” Triste situação, a dos eleitores brasileiros!

PostHeaderIcon REFLEXÃO SOBRE AS PESQUISAS DE OPINIÃO E AS VITÓRIAS ELEITORAIS

O pensador. Escultura de Auguste Rodin

O pensador. Escultura de Auguste Rodin

As pesquisas eleitorais se tornaram nos últimos tempos um indicativo para a oscilação das intenções de votos dos chamados indecisos, que ainda no início da disputa propriamente dita não decidiram em quem deverão votar para dirigir os destinos do país, do estado bem como os que vão fiscalizar os atos do executivo e fazer as leis. O brasileiro, em geral, só quer sufragar o seu voto naquele que acha que vai ganhar. Mesmo que simpatize, inicialmente, com o perfil de determinado candidato, acaba mudando a sua preferência para aqueles que as pesquisas indicam que têm maiores possibilidade de vitória nas eleições.

Consultas feitas através de metodologia científica, ou seja, a amostragem do extrato da sociedade, considerando aquelas sem a intenção de manipular os resultados para beneficiar esse ou aquele candidato, acabam induzindo aos que “não costumam perder o seu voto”. Creio que não existam no Brasil institutos, entre os que habitualmente são contratados, que ajam alavancando campanhas incipientes, mas, que ultimamente os resultados finais têm demonstrado erros de avaliação, a história recente tem revelado.

Na eleição de 2006 na Bahia, a que deu a vitória a Jaques Wagner, as pesquisas indicavam que Paulo Souto, seu principal adversário ganharia ainda no primeiro turno. O que se viu foi exatamente o contrário: Jaques Wagner foi eleito, contrariando todos os prognósticos e surpreendendo a ele próprio, no primeiro turno.

Atualmente, as pesquisas têm revelado imutabilidade do quadro eleitoral na Bahia desde o início do processo de pré-campanha. Wagner tem permanecido no patamar de 30 a 40%, Souto que já chegou à casa dos 30, foi aos 23 e agora apresentou declínio para 19, segundo a última pesquisa do IBOPE. Já Geddel Vieira Lima, que tem feito uma campanha proativa, cheia de criatividade, pretensamente representando o novo e, com um discurso considerado bom nos palanques e atos públicos, está estagnado entre 9 e 11%. Inexplicável.

Segundo consta, não aconteceu nenhum fato relevante para a permanência desse panorama. Pelo contrário: a imprensa, há um tempo, divulga o recrudescimento da violência no estado. Paira no ar da Bahia a sensação de insegurança em todos os quadrantes, seja na capital ou no interior. Mas, esses fatos, tal como acontece com Lula em âmbito nacional, aparentemente não tem alterado a performance do governador, candidato à reeleição. Mesmo que as aparências indiquem que a administração estadual esteja caótica. Por outro lado, o candidato Paulo Souto com uma história de vida considerada irretocável, alguns argumentando que ele está liberto do que muitos consideravam o jugo de ACM, encontra-se livre de uma liderança superior e, ao que parece, apto a programar e realizar suas próprias estratégias  com autonomia. Ao contrário do que se esperava, vê a sua candidatura, segundo as tais pesquisas, entrar em declínio. Outro ponto deveras inexplicável é o desempenho de Geddel. Ex-ministro, comandando uma pasta atuante e executora de importantes e volumosas obras públicas, quer representar a expectativa de um novo modelo de executivo, e embora comande uma campanha considerada rica em recursos humanos e econômicos  não cresceu absolutamente nada nesse tempo já decorrido.

Qual será o mistério? Será que o espectro de Lula está a influenciar, também aqui, no âmbito do estado? Ou será que os opositores de Wagner não tiveram condições de, até agora, demonstrar competência para se sobrepor aos recursos da máquina governamental?

Ambos, Paulo Souto e Geddel têm à disposição um imenso leque de alternativas para atacar Jaques Wagner, que se mantém em equilíbrio nas atitudes e tem se revelado um democrata, no sentido de desprovimento de autoritarismo. Wagner é um boa praça, apesar do PT.

Mas, nada é definitivo. Muitas mudanças ainda podem ocorrer, apesar da insistência dos números das pesquisas indicando que Wagner ganha no primeiro turno. Tais resultados, provisórios, indicam apenas o cenário de um determinado momento. Repetindo a frase famosa atribuída a Magalhães Pinto, “como as nuvens do céu, a política muda a todo momento”.

O momento é de análises e percepções, Wagner só precisa manter esse patamar, ao passo que Geddel e Souto necessitam utilizar toda a experiência e criatividade para buscar atingir o emocional dos baianos e mudar esse quadro com o advento do palanque eletrônico que está por vir, poderoso difusor de idéias e de convencimento.

Os candidatos, todos eles, precisam participar efetivamente de cada decisão, da avaliação das peças de campanha, mudando o que for preciso, desde a captação de agentes políticos capazes de agregar mais votos. Enfim, tomar conta do processo.

O fato é que muitos assessores se esquivam de dar opiniões que contrariem o chefe, alguns deles não conhecem suficientemente os meandros da política baiana e estão incorrendo em erros primários. Vejam os jingles por exemplo. Quantas idéias e emoções poderiam ser exploradas… Quem não se lembra da peça de Vevé Calazans “ACM meu amor”, e Waltinho Queiroz com o jingle de Waldir Pires? E o de Mario Kertesz? Senhoras e Senhores, um bom jingle pode entusiasmar e agregar para decidir uma campanha…

Pois é, cabe aos eleitores conscientes analisar o programa de governo e o perfil de cada candidato para, independentemente de pesquisas,  ou até por causa delas,  escolher o que for melhor para o Brasil  e para a Bahia.

PostHeaderIcon COPA DO BRASIL: VITÓRIA GANHA MAS NÃO LEVA

Santos CampeãoNuma partida tensa e cheia de expectativas o Vitória derrotou o Santos por 2 x 1 na noite desta quarta (4) no Barradão.

Sensação do futebol brasileiro na temporada, o Santos chegou a mais um título. Com direito a sofrimento, o Peixe perdeu para o Vitória. Mas, apesar do revés, os santistas conquistaram o título, pois tinham vencido o primeiro jogo, por 2 a 0, na Vila Belmiro. O precário estado do piso do estádio do Barradão não impediu que o Santos jogasse um futebol alegre com toques rápidos e criativos.

O gol do zagueiro Edu Dracena, no final do primeiro tempo, foi o gol do título. O Rubro-Negro até virou, com gols de Wallace e Júnior, porém, não o suficiente para tirar o grito de “é campeão” dos alvinegros, que com essa conquista, inédita em sua história, apesar de ter ganho varias vezes a velha Taça  Brasil, está classificado para a próxima edição da Copa Libertadores da América.

PostHeaderIcon EM QUATRO ANOS, 47 DEPUTADOS BAIANOS FICAM 84.8% MAIS RICOS

A política hoje é meio de vida?

A política hoje é meio de vida?

O jornal A Tarde deste domingo (1º) publica uma reportagem sobre o aumento do patrimônio dos deputados estaduais baianos. O título da matéria leva à interpretação de que o patrimônio dos 47 deputados quase que dobra nos quatro anos do mandato, sendo, portanto, censurável ficar “84,8% mais ricos”, como diz o texto. Ora, a gente sabe que o modelo político-eleitoral brasileiro só privilegia os mais abastados, mesmo em detrimentos dos autênticos líderes populares, quando estes são desprovidos de condições econômicas para enfrentar uma campanha. Bem verdade que os militantes da esquerda autêntica ainda conquistam votos dos que comungam com a sua ideologia, sufragando, espontaneamente, na urna o desejo de ver uma linha de ação política concretizada.

No mais, existe uma máxima entre os funcionários efetivos da Assembléia Legislativa: “aqui, nesta casa, só chega se for cobra criada.”, numa alusão aos grandes proprietários, empresários, comerciantes ou ainda negociantes espertos que conseguem se eleger deputados. Portanto, salvo as exceções da regra, a maioria é, no mínimo, “ganhador de dinheiro” pouco importando as plataformas eleitorais estabelecidas como mote para buscar o apoio e consequentemente o voto. É natural que esses seres especiais, bons de negociações, agora com relativo poder de aproveitar as inúmeras oportunidades, tenham aumentado mais ainda o seu universo econômico e conseqüente sucesso agro-comercial-industrial-empresarial.

Não ficou muito claro qual o objetivo da matéria. Talvez o simples dever de informar tenha motivado a pauta. Até porque eles declararam os valores à Justiça Eleitoral, tudo indicando que a fonte foi a própria Receita Federal, indicando que é tudo legal.

Conheço alguns destes deputados listados. Pelo que revelam os sinais aparentes de riqueza e poder dos que me refiro, essas declarações são bem modestas. Tudo indica que um bom advogado tributário e o concurso de um cuidadoso contabilista minimizaram a mordida do Leão. Tem uns, em especial, que me provocam risos quando vejo o patrimônio declarado. Ainda assim, continuo atribuindo significativa importância aos legisladores e a função legislativa. Se considerarmos errado o fato de os deputados aumentarem o seu patrimônio, devemos começar um movimento para mudar o modelo político-eleitoral brasileiro, adotando, por exemplo, o financiamento público para que os candidatos mais pobres possam competir em igualdade de condições com os fazendeiros, comerciantes e empresários bem sucedidos em suas atividades e que dispõem de muitos recursos para “buscar” os apoios necessários.

O grande líder baiano, o ex-governador Octavio Mangabeira, que vivia do salário de deputado federal, dizia que o verdadeiro líder político deveria “(…) ser altivo no ostracismo e humilde no poder”. Pois bem, o que se vê na atualidade é alguém investindo muito dinheiro para chegar ao poder, não apenas esquecendo a humildade e adotando a altivez, mas chegando às raias da arrogância.

PostHeaderIcon JORNAL DO BRASIL CONFIRMA A MORTE ANUNCIADA

O principal jornal do País encerra suas atividades impressas

Edição do JB em 2008

Edição do JB em 2008

Edição do JB em 1908

Edição do JB em 1908

O livro de Gabriel Garcia Marques  “Crônica de uma Morte Anunciada” serviu de inspiração para o título desta matéria em face da notícia da morte do centenário Jornal do Brasil. Com uma dívida ativa de mais de 800 milhões de reais e mais de 100 milhões de dívidas trabalhistas O gigante dos noticiosos do país já agonizava há mais de vinte anos.  

jornalO principal jornal brasileiro foi fundado em 1891 por Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, sua redação  contava com a colaboração de José Veríssimo, Joaquim Nabuco, Aristides Spínola, Ulisses Viana, José Maria da Silva Paranhos Júnior e outros,  como Oliveira Lima, então apenas um jovem historiador. Alguns dos maiores escritores e poetas brasileiros começaram a escrever para o grande público nas páginas do JB. Rui Barbosa foi seu Redator-Chefe em 1893, época em  que os exemplares eram distribuídos em carroças. O JB de então, teve o Barão do Rio Branco como correspondente em Paris. Eça de Queiroz. Carlos Drummond de Andrade, Afonso Romano de Santana são alguns dos nomes que o Jornal do Brasil ostentou em sua equipe editorial,  Em 1964 o jornal apoiou o golpe militar. Publicou, no dia 1º de abril daquele ano, editorial defendendo a deposição do presidente João Goulart.

Embora conservador, em suas páginas foram impressos alguns dos mais importantes textos jornalísticos e literários brasileiros, com articulistas lúcidos e comprometidos, o JB ganhou credibilidade e difundiu a diversidade de pensamentos em sua trajetória.

A partir deste domingo (1º de agosto) o Jornal do Brasil deixa de circular em sua versão impressa, para continuar no sistema online.

Os atuais proprietários vêm sinalizando há algum tempo pela extinção do jornal que o brasileiro, especialmente o carioca, acostumou-se a ler desde sempre. Agora, se consolida a morte anunciada. Após ter sido apontado como eventual substituto do empresário Nelson Tanure na administração do Jornal do Brasil, o executivo Pedro Grossi, diretor-presidente do diário, anunciou sua saída da empresa. A notícia do encerramento das atividades de um jornal é o anúncio do cerceamento ao povo da possibilidade de manter-se informado e ilustrado em temas como educação, economia, política, esporte, mundo… uma pena!

PostHeaderIcon TECNICOS DA SELEÇÃO: NOVA DINASTIA DOS GAÚCHOS

Fotos editadas a partir de imagens do Google: Zezé Moreira, Feola, Vinhaes, Coutinho, Saldanha, Felipão, Aymoré Moreira, Pimenta, Lazzaroni, Zagallo, Parreira, Dunga, Flavio Costa e Telê

Fotos editadas a partir de imagens do Google: Zezé Moreira, Feola, Vinhaes, Coutinho, Saldanha, Felipão, Aymoré Moreira, Pimenta, Lazzaroni, Zagallo, Parreira, Dunga, Flavio Costa e Telê

TCHÊLEÇÃO

Por Roberto Vieira*

mano menezes.2jpgMano Menezes assume a Seleção.

E caso Mano Menezes chegue até a Copa de 2014.

O Rio Grande do Sul.

Confirma uma nova dinastia no comando da Amarelinha em Mundiais.

Dinastia iniciada com Cláudio Coutinho na Copa de 1978.

Dinastia que prosseguiu com Scolari e Dunga no século XX.

A Seleção Brasileira começou paulista em 1930.

Sob o comando de Píndaro de Carvalho Rodrigues.

O comando paulista foi breve.

Logo vieram os cariocas:

Vinhaes, Pimenta e Flávio Costa.

Zezé Moreira.

Como a Seleção não chegava a lugar nenhum.

Paulo Machado de Carvalho convocou Feola.

Paulista até a medula.

Mas quando Feola teve problemas de saúde?

Voltou o domínio carioca com Aymoré Moreira.

Os paulistas queriam o tri?

Bota Feola de volta.

Feola que não aguentou tanta bagunça.

Saldanha deu o primeiro grito gaúcho.

Mas como muitas vezes dois gaúchos não se bicam.

Saldanha e Médici era muito pra Linha Dura.

E assumiu o primeiro nordestino.

Primeiro e até agora único: Zagallo.

Zagallo que chegou ao Tri.

E se despediu – provisoriamente – no caos de 1974.

Chegava a vez do primeiro gaúcho em Copas: Cláudio Coutinho.

Nada de tchê!

Só overlapping e pontos futuros.

Coutinho que disse adeus precocemente.

Quem assume?

Os mineiros, uai!

Telê e Lazaronni dominam a década de 80.

Uma década que começou com sonhos.

Terminando em pesadelos.

Pra resgatar a seleção convocaram mais um carioca:

Parreira.

Depos?

Mais uma vez o alagoano Zagallo.

Desencontros.

Renovação.

Veio Felipão em 2002.

O segundo técnico movido a chimarrão.

O primeiro gaúcho campeão mundial.

E até agora, o único.

Pois Parreira voltou.

Felipão foi vestir bombacha na terra do Fado.

E Dunga, convocado pra trazer os Pampas pra Copa.

Parou na Holanda.

Dunga que deve ser substituído por Mano Menezes.

Tão gaúcho quanto.

E se Mano Menezes não segurar na sela até 2014?

Volta Scolari.

Porque a Seleção.

Nunca foi tão Tchêleção

 *Do Blog de Juca Kfouri

PostHeaderIcon CAMPUS DA UNEB DE IPIAÚ REALIZA SEMINARIO RETRATANDO A OBRA DE EUCLIDES NETO

Euclides Neto: sua obra é foco de estudo em Seminário na UNEB

Euclides Neto: sua obra é foco de estudo em Seminário na UNEB

Com o tema Euclides Neto, o homem, o político e o escritor o campus XXI da Universidade Estadual da Bahia – UNEB, realiza nesta quarta (21), a terceira versão do Seminário Grandes Autores e Obras da Literatura Luso-Afro-Brasileira. “Euclides foi sem sombra de dúvidas, um dos maiores nomes da literatura sul-baiana, retratando páginas memoráveis do homem em sua relação com a terra e a condição sócio-econômica”, diz o folder que os coordenadores do evento divulgaram para as universidades e para a imprensa.

Quem teve o privilégio de conviver com o advogado, cacauicultor, político, poeta, contista, chefe de família e amigo, Euclides Neto pode atestar a felicidade do tema, dando-nos a sensação que o reconhecimento do seu talento literário, retrato fiel do seu caráter, derruba o conceito da famigerada falta de memória do brasileiro. Ainda mais quando a iniciativa é de uma Universidade baiana. Euclides foi a própria universidade na região em seu tempo. Embora detentor de vasto acervo cultural, um imponente intelectual, mantinha permanente interlocução com os capiaus das roças de cacau. Aliás, caititus com ele próprio se considerava.

Verdadeiro intérprete do pensamento e do palavreado do mateiro que mourejava nas brenhas do Bom-sem-farinha, conhecia como ninguém as necessidades da sua gente e até as manhas dos mais sagazes. Enquanto gestor público e advogado militante encontrava sempre a maneira de justificar os atos dos mais fracos, cercando o jardim principal de Ipiaú com arame farpado para não ter que prender no “Curral do Conselho”, os animais que puxavam as carroças durante o dia e perambulavam durante a noite pelas ruas da cidade em busca de um bagaço de cana que fosse…

Vale a pena assistir nos dias 21 a 23 de julho, as oficinas que abordarão os romances, os contos e as crônicas euclidianas.

Assistir as mesas-redondas que discutirão “Os Magros”, “A Enxada”, “Os Informantes”, servirá de convite àqueles que porventura ainda não conhecem a sua obra literária, a se deliciar numa narrativa que, em minha modesta opinião, se compara a Guimarães Rosa, não apenas pelo ineditismo do seu estilo, como pelo palavreado simples e familiar a todos nós dessa região.

Já teci inúmeros comentários sobre o imenso Dr. Euclides, e repetirei as palavras, sempre que tiver oportunidade, pois, dele absorvi a admiração pelas expressões bongadas depois de mastigadas, das bocas dos estufeiros, com as quais, acabei por construir, espontaneamente, o meu próprio estilo de narrativas.

Além da conferência de abertura nesta quarta (21) onde Prof. DSc. Cid Seixas (Ufba.) discorrerá sobre “Euclides Neto: O Ficcionista”, na sexta (23) o ex-governador Waldir Pires estará abordando o tema “Euclides Neto, o político”.

A excelente programação é imperdível.

Local: Universidade do Estado da Bahia-UNEB Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – Campus  universitário Dr. Salvador da Matta – Ipiaú-Bahia

PostHeaderIcon FAZENDA-SÍMBOLO DOS TEMPOS ÁUREOS DO CACAU É INVADIDA PELOS “SEM-TERRA”.

Fazenda de Cacau na Bahia

Fazenda de Cacau na Bahia

O jornal A Tarde publicou na edição desta segunda (12), que a fazenda Santa Luzia, com 462 hectares, no distrito de Anuri, município de Arataca, no Sul do estado, que chegou a produzir 23 mil arrobas de cacau por ano, foi invadida pela 14ª vez, por 32 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Doente e empobrecida, a proprietária, Dona Silvia Vieira e Almeida, de 91 anos, desistiu de lutar. No passado a Ceplac lhe concedeu o título de Cacauicultor do Ano, pela excelência de suas roças e produtividade conseguida. Hoje ela sucumbiu. Foi embora para São Paulo com uma filha adotiva.

A região cacaueira vivenciou, no apogeu das exportações do fruto de ouro, tempo de muita abundância e soberania. O Brasil todo se curvava diante de um capiau, produtor de cacau, mangangão que esvoaçava entre os hotéis mais luxuosos do país e do exterior. Alguém que possuísse uma fazenda de cacau, pequena que fosse, mas que tivesse uma produção anual de 4, 5 mil arrobas, era considerado rico. Os mais letrados com direito a mandar os filhos para estudar na Europa e outras mordomias. Admite-se que era também um tempo de arrogância, de monocultura e soberba. Ainda assim, o fazendeiro de cacau era o gestor de uma fonte de produção que tinha valor significativo na composição do PIB brasileiro.

cacau2Esse tipo de homem, no passado, enfrentou o empaludismo, desbravou matas plantando cacau na cabruca, e como diz o mestre Euclides Neto, “puxou cobra pros pés”, reunia a família em torno da buralha, comia caça muqueada, até que os birros virassem cabaça. Aí, sentado num banquinho de palmo de altura, empunhava o toco do facão de oito polegadas e quebrava o cacau, embandeirado por dias e dias de colheita. Pois bem, as gerações se sucederam, os capiaus viraram cacauicultores, verdadeiros príncipes das matas, chegando ao auge, pelos preços alcançados pelo produto, entre os anos de 1960 a 1980.

Até que a natureza, cismada por vê-los sentirem-se reis,  como disse James Amado, quem sabe por “pisotear tamanha riqueza, quando a chuva insistente, por dias inteiros, não deixava que o sol saísse para secar as amêndoas em gosma espessa [...]” na busca do aperfeiçoamento do cacau gude, resolvesse impor uma praga chamada “vassoura-de-bruxa” para acabar com a majestade.

Pisoteio do cacau

Pisoteio do cacau

Hoje, as fazendas mais parecem matas assombradas, boqueirões de miséria e penúria. Os remanescentes, como dona Silvia, assistem os integrantes do Movimento Sem Terra invadirem a propriedade, amparados pela força institucional do poder central, impunemente se alojarem na barcaça, fazer rancho na estufa e debocharem de toda uma história de luta e sacrifício para a edificação do patrimônio, desdenhando dos proprietários e se rindo do sofrimento de quem assiste a decadência do palco da sua existência. É lamentável…

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